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Freddy Ferreira analisa a bateria da Porto da Pedra no Carnaval 2025

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Uma ótima apresentação da bateria “Ritmo Feroz” da Unidos do Porto da Pedra, sob o comando de mestre Pablo. Pablo, inclusive, veio vestido e maquiado de verde em alusão ao Curupira. Uma “Ritmo Feroz” com impacto musical da pressão sonora, devido a sua afinação mais pesada. Um grande trabalho envolvendo as terceiras ficou evidenciado.

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Na parte de trás do ritmo gonçalense, uma boa afinação de surdos deixou a bateria tradicionalmente mais pesada. Marcadores de primeira e segunda foram firmes e precisos. Simplesmente irretocável o grande trabalho envolvendo os surdos de terceira. Repiques coesos tocaram junto de um bom e ressonante naipe de caixas de guerra, completando os médios com eficácia.

Na cabeça da bateria da escola vermelha e branca de São Gonçalo, um naipe de tamborins bem técnico deu seu contributo junto de chocalhos valiosos, sendo o casamento musical de ambos o ponto alto da cabeça da bateria da Porto. Um naipe de agogôs sólido também auxiliou no preenchimento da sonoridade das peças leves, bem como cuícas seguras deram sua contribuição.

Bossas repletas de autenticidade musical vincularam a personalidade excêntrica de mestre Pablo à sonoridade produzida pela Porto da Pedra. Impactante a pressão sonora obtida graças a afinação mais pesada de surdos. O grande trabalho envolvendo surdos de terceira nos arranjos merece exaltação, por adicionarem certo refino a um leque de bossas complexas, mas com conversas rítmicas das terceiras em destaque.

Ótimo desfile da bateria “Ritmo Feroz” da Unidos do Porto da Pedra, sob o comando de um extravagante mestre Pablo, fantasiado de Curupira. Um ritmo que seguiu a proposta estética de seu mestre de fugir do lugar comum. Uma bateria da Porto com bastante pressão sonora permitida por uma afinação potente dos surdos. Paradinhas impactantes e bem musicais ajudaram a coroar um grande trabalho de criação musical extremamente genuíno, que resultou em um grande desfile.

Porto da Pedra faz desfile sólido, com destaque para evolução e enredo em seu retorno à Série Ouro

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A Porto da Pedra foi a quinta escola a desfilar no segundo dia da Série Ouro. Vinda do Grupo Especial, a vermelho e branco de São Gonçalo fez uma apresentação segura e destacou-se pela evolução, que, antes problemática, desta vez ocorreu de forma fluida e coesa. Os componentes passaram com leveza pela avenida, garantindo um dos pontos altos do desfile.

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porto pedra 25 28

A escola levou para a Sapucaí o enredo “A História Que a Borracha do Tempo Não Apagou”, desenvolvido pelo carnavalesco Mauro Quintaes. O tema abordou a história da Fordlândia sob a ótica dos Munduruku, povo indígena da Amazônia, e apresentou uma narrativa bem construída, com uma crítica social pertinente.

No quesito musical, a Porto da Pedra brilhou, impulsionada pela performance marcante de Wantuir no carro de som e pelo talento de mestre Pablo, que desfilou fantasiado de curupira. No entanto, a escola enfrentou problemas estéticos em seu conjunto de fantasias, com pequenas falhas de acabamento em algumas alas e alegorias. A apresentação foi concluída em 53 minutos.

Comissão de Frente

Coreografada por Junior Scapin, a comissão de frente da Porto da Pedra apostou na grandiosidade para impactar o público. A encenação retratou o Ritual de Fogo, em que o grande pajé Munduruku evoca os espíritos sagrados.

Os bailarinos usaram fantasias simples, porém impactantes: predominantemente pretas, com capas vermelhas que simulavam chamas. A apresentação também contou com um grande elemento cênico representando a floresta ameaçada pela “criatura de metal”. A iluminação da Sapucaí foi utilizada estrategicamente no momento em que os componentes subiam no tripé, criando um efeito dramático. A proposta foi bem desenvolvida, mas deixou a sensação de que faltou um grande ápice.

LEIA AQUI: Vitória da natureza! Último carro da Porto da Pedra celebra o declínio do projeto industrial de Fordlândia, na Amazônia

Mestre-sala e Porta-bandeira

O primeiro casal de mestre-sala e porta-bandeira, Rodrigo França e Pietra Brum, representou os espíritos primordiais da criação do mundo Munduruku. A apresentação marcou a estreia de Pietra na Sapucaí, aos apenas 16 anos.

Apesar do desafio, ela soube driblar o nervosismo, contando com o apoio fundamental de Rodrigo. Juntos, entregaram uma performance delicada e repleta de cumplicidade. Os movimentos do mestre-sala foram precisos e contribuíram para elevar a apresentação, garantindo um bom início para a nova dupla.

Enredo

O enredo da Unidos do Porto da Pedra abordou Fordlândia, o fracassado projeto de Henry Ford na Amazônia, que prometia progresso, mas trouxe exploração e destruição. A escola contou essa história sob a perspectiva dos Munduruku, povo indígena da região, mostrando a resistência da floresta e de seus habitantes contra invasões e cobiça. Com um tom de denúncia e valorização cultural, a narrativa destacou a luta contra a exploração e reforçou a importância da preservação da Amazônia.

O desenvolvimento ficou a cargo de Mauro Quintaes e Diego Araújo e foi um dos pontos altos do desfile, sendo muito bem contato e pertinente ao momento que vivemos. A crítica se fez presente do início e foi bem amarrada dentro da narrativa proposta.

Alegorias e Adereços

A Porto da Pedra apresentou um conjunto alegórico criativo, mas com algumas irregularidades e pequenas falhas de acabamento. No total, foram três carros alegóricos, além do elemento cênico da comissão de frente.

O abre-alas, Distopia Fordista, trouxe o tigre, símbolo da escola, e apresentou um bom acabamento. Predominantemente cinza, a alegoria contou com encenações dos componentes, reforçando a narrativa. O segundo carro, A Floresta da Borracha, chamou atenção pelo movimento e pelas cores vibrantes, mas revelou falhas de acabamento na parte superior. O mesmo problema foi observado no último carro, A Grande Retomada, que, apesar da proposta interessante e do uso criativo dos materiais, teve falhas na junção de algumas peças.

Fantasias

O conjunto de fantasias da Porto da Pedra contou com dezesseis alas e apresentou irregularidades, alternando momentos de grande impacto com outros menos inspirados.

A escola começou com um visual volumoso e imponente, marcado por cores fortes. Um dos destaques foi a ala das baianas, “As Mães Espirituais”, que desfilou com um figurino diferenciado, porém muito bem resolvido. Outras alas que chamaram atenção foram a ala quatro, “Cobiça de Outro Norte”, a ala seis, “Sabiás: Caboclos dos Beiradões”, e a ala quinze, “Tributo aos Povos Indígenas dos Tapajós”.

Por outro lado, algumas fantasias passaram de forma simplista, com materiais pouco criativos. O maior exemplo disso foi a ala dezesseis, “Luz Eterna de Karusakaibê”, que acabou se destacando negativamente.

Harmonia

O desempenho musical da escola foi extremamente positivo, com a parceria entre o intérprete Wantuir e mestre Pablo se destacando de forma nítida. Outro ponto alto foi o excelente trabalho de cordas do carro de som, bem alinhado à proposta do samba.

Os ritmistas da bateria “Ritmo Feroz” realizaram várias paradinhas que empolgaram tanto a comunidade quanto as arquibancadas. Embora o canto não tenha sido explosivo ou intenso, os componentes mantiveram o samba na ponta da língua durante todo o desfile, com especial ênfase no pré-refrão.

Samba-Enredo

O samba de Guga Martins, Gustavo Clarão, Passos Junior, Cristiano Teles, Cadu Cardoso, Wendel Uchoa, Abílio Junior, Tangerina, Marcelo Moraes, Marquinho Paloma, Ailson Picanço e Leandro Gaúcho passou bem pela Sapucaí. O canto da comunidade, apesar de não foi explosivo, foi satisfatório. A obra se encaixa perfeitamente ao enredo, muito por seu tom combativo. O “tigre de guerra” presente no samba se encaixa perfeitamente tanto na resistência dos Munduruku quanto na identidade da Porto da Pedra. Vale destacar o verso “borracha nenhuma pode apagar a nossa história” e no refrão principal, onde a escola mostrava mais empolgação.

Evolução

O quesito evolução foi o grande destaque da Porto da Pedra. Se no último carnaval esse aspecto representou um ponto frágil, desta vez a vermelho e branco desfilou de forma exemplar, mostrando um notável crescimento. Desde a abertura até o encerramento, a escola manteve um andamento seguro, sem apresentar correria ou espaçamentos entre as alas.

Os carros alegóricos entraram na avenida sem dificuldades, e os componentes passaram com fluidez, garantindo um desfile compacto e coeso. A organização e o entrosamento da comunidade foram evidentes, contribuindo para uma apresentação harmoniosa. Em nenhum momento houve sinais de desorganização ou risco de estouro no tempo, e a escola concluiu seu desfile com tranquilidade, fechando sua passagem na Sapucaí de maneira sólida e consistente.

Outros Destaques

O desfile também foi marcado por momentos especiais, o principal deles foi a caracterização de mestre Pablo em curupira, ele já está marcado por essas transformações e mais uma vez conseguiu surpreender. A rainha Andrea Andrade reinou à frente da bateria “Ritmo Feroz” pela primeira de forma majestosa, com muito carisma e uma indumentária caprichada.

Vigário Geral faz seu melhor desfile na Série Ouro e encanta com comissão de frente e casal impecáveis

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A Vigário Geral foi a terceira escola a entrar na avenida no segundo dia de desfiles da Série Ouro e surpreendeu com uma apresentação coesa, com uma narrativa bem construída e conectada ao presente. O conjunto estético contou o enredo com maestria, garantindo uma leitura clara e envolvente. O grande destaque, porém, ficou por conta da abertura do desfile. A comissão de frente, coreografada por Handerson Big, utilizou a iluminação cênica da Sapucaí de forma precisa, criando um efeito impactante. Em seguida, o primeiro casal de mestre-sala e porta-bandeira, Diego Jenkis e Thaina Teixeira, encantou o público com apresentações de tirar o fôlego, esbanjando técnica, sintonia e elegância.

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No geral, a Vigário Geral proporcionou um desfile extremamente agradável, conquistando o público e demonstrando uma evolução significativa. Mesmo com suas limitações, a escola deixou a avenida com a sensação de missão cumprida, realizando, possivelmente, o melhor desfile de sua história.

A azul, vermelha e branca levou para a avenida o enredo “Ecos de um Vagalume”, o jornalista negro que deu voz à cultura popular do Rio de Janeiro no início do século XX, o tema foi desenvolvido pelos carnavalescos Alex Carvalho e Caio Cidrini. A escola encerrou sua apresentação com um tempo total de 55 minutos.

Comissão de Frente

A coreografia da comissão de frente, assinada por Handerson Big, foi um dos grandes destaques do desfile. A apresentação soube explorar com maestria a luz cênica da Sapucaí, criando um efeito impactante. A coreografia sintetizou o enredo com precisão, trazendo 15 componentes que representavam os devaneios do homenageado, Francisco Guimarães, o Vagalume. O pivô era o próprio Francisco, enquanto os demais bailarinos simbolizavam os vagalumes.

A indumentária, cuidadosamente elaborada, possuía uma leitura imediata, facilitando a compreensão do público. O grande ápice da apresentação ocorreu quando as luzes se apagaram e os vagalumes brilhavam no escuro, criando um momento de grande impacto visual. No desfecho, o homenageado subia no tripé enquanto dois rolos de jornais eram debruçados, reforçando a narrativa.

A comunicação com o público foi instantânea e eficaz. No entanto, vale ressaltar que, nas duas primeiras cabines de jurados, os rolos de jornais não esticaram simultaneamente, o que comprometeu levemente a finalização da apresentação.

Mestre-sala e Porta-bandeira

O primeiro casal de mestre-sala e porta-bandeira, Diego Jenkis e Thaina Teixeira, representou o anoitecer do Rio em uma fantasia riquíssima em detalhes e de acabamento impecável, o que contribuiu para a beleza e imponência de suas apresentações ao longo da avenida.

Com um bailado que mesclou o clássico com toques de modernidade, a dupla evoluiu com destreza e total sintonia. O desempenho foi crescente a cada cabine, atingindo níveis altíssimos de apresentação. Thaina demonstrou extrema segurança, conduzindo o pavilhão com leveza e elegância, enquanto Diego a cortejou com maestria, reforçando a harmonia do casal.

A sintonia e a performance impecável fizeram com que ambos fossem ovacionados pelo público, consolidando um dos momentos mais fortes do desfile.

Enredo

O enredo da Vigário Geral foi desenvolvido pelos carnavalescos Alex Carvalho e Caio Cidrini celebrou Francisco Guimarães, o jornalista negro que, como Vagalume, deu voz à cultura popular do Rio de Janeiro no início do século XX. Ele destacou a vida nos morros, terreiros e rodas de samba, valorizando as tradições afro-brasileiras em um tempo de forte discriminação. Seu trabalho ajudou a legitimar o carnaval como símbolo nacional, e seu legado segue vivo na identidade e resistência do povo negro.

O enredo se mostrou um acerto e extremamente pertinente, os carnavalescos optaram por contar a narrativa em três setores, sendo eles: “A invenção de Vagalume”, “Os mistérios da mandinga” e “Na roda de samba”. Todos com ótima leitura, com signos bem claros que transportava quem acompanhava para dentro da história.

Alegorias e Adereços

A Vigário levou para a avenida um conjunto alegórico composto por três carros, além do tripé da comissão de frente. O abre-alas, “Lampejos de uma noite carioca”, representou o universo de práticas culturais de Vagalume. O segundo carro, “A legitimação do axé”, apresentou o resultado do trabalho de Vagalume sobre as religiões africanas. Já o carro três, “O rei da folia popular”, representou a coroação do Vagalume como maior cronista da folia popular. No geral, foram alegorias simples, mas que contaram o enredo de forma certeira, não houveram grandes problemas de acabamento, vale ressaltar o bom uso de cores e formas.

Fantasias

O conjunto de fantasias da Vigário contou com 17 alas, sendo a grande maioria delas de extremo bom gosto, fácil leitura e ótimo uso de cores. A escola manteve o nível em todos os setores, com figurinos que mesclaram a volumetria com a comodidade para o componente. Vale destacar as seguintes alas: baianas, “Exaltação à boemia, ala quatro, “Caravana Negra”, e ala 16, “Festa da Penha, o segundo carnaval”. Foi um trabalho muito cuidadoso dos carnavalescos e o trabalho foi refletido na avenida.

Harmonia

O desempenho harmônico da escola foi positivo, coube ao intérprete Danilo Cezar ser o responsável por comandar o carro de som da escola, logo no início o som estava abafado e o entendimento do samba não se fez claro, porém, esse problema foi corrigido e o desfile transcorreu sem falhas. A bateria comandada por mestre Luygui se destacou com suas paradinhas, sendo a principal delas no refrão “O sino da igrejinha faz belém-blém-blom”. A comunidade acompanhou e apresentou um bom trabalho, com o canto regular durante todo o desfile.

Samba-Enredo

A obra de Marcelinho Santos, João Vidal, Romeu d’Malandro, Jorginho Via 13, Julio Cesar, Telmo Augusto, Mauricio Amorim, Marcos Barberino, Edu Casa Leme, Ricardo Simpatia, Rafael Gonçalves e Totonho passou pela avenida de forma muito positiva. A letra da obra conta o enredo de forma assertiva, o verso “Caneta preta na branquitude” é uma síntese do enredo, dando todo protagonismo ao Vagalume. Os componentes cantaram de forma regular, mesmo sem explosão, o canto foi satisfatório, com destaque para o refrão curto: “O sino da igrejinha faz belém-blém-blom”.

Evolução

A evolução foi um dos grandes destaques do excelente desfile da agremiação. A apresentação se mostrou extremamente coesa, com os componentes desfilando de forma solta e espontânea, transmitindo leveza e naturalidade na passagem pela avenida. Muitos sambaram e brincaram do início ao fim, contagiando o público e reforçando a vibração positiva do desfile. A alegria, sem dúvida, foi o ponto alto do espetáculo.

Outros Destaques

O desfile também foi marcado por momentos especiais, o primeiro deles esperado por todo o mundo do samba: o discurso da presidente Betinha, sempre muito espontânea, ela mais uma vez foi aclamada pelo público. Um momento lindo foi a passagem do terceiro casal de mestre-sala e porta-bandeira Josias Araújo e Sophia Canuto, ambos possuem síndrome de down e encararam o público presidente.

União do Parque Acari faz bonito desfile plástico, mas tem evolução travada e estoura o tempo

A União do Parque Acari foi a segunda escola a desfilar no sábado de carnaval da série Ouro, apresentando o enredo “Cordas de prata, o retrato musical do povo”, falando do violão no imaginário popular e no dia a dia do brasileiro. A escola surpreendeu esteticamente com alegorias e fantasias de bom nível plástico, algumas soluções excelentes, como o ótimo segundo carro, porém desde o início evoluiu de forma lenta na pista e isso resultou numa parte final extremamente corrida com as alas abrindo espaços entre si. Apesar do esforço, a Acari estourou o tempo em um minuto, fechando o desfile em 56 minutos e comprometeu um desfile com uma realização plástica e criação muito felizes.

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Comissão de frente

A comissão liderada por Valci Pelé apresenta as diversas sensações e o imaginário popular que o instrumento desperta no povo brasileiro. Uma coreografia com elementos de dança de salão e gafieira, bem realizada em todas as cabines, trazendo como ato final a representação de Rita Lee no chão e Cartola no alto do tripé erguendo uma bandeira com nomes de importantes artistas brasileiros que ao longo da carreira tiveram o violão como companheiro. A finalização acabou não apresentando impacto e o tripé evoluiu com lentidão, tanto que no primeiro módulo o tripé ficou longe dos componentes do chão, não exibindo a bandeira próximo dos jurados.

Mestre-sala e Porta-bandeira

Renan Oliveira e Laís Lucia vieram com uma fantasia representando as divindades da mitologia hindu Shiva e Parvati. A apresentação foi de muito bom nível em todos os módulos, casal sincronizado, mais solto e com muita precisão nas finalizações, uma dança bem azeitada. O sorrisão do casal ao final de cada apresentação demonstrava a satisfação com o desempenho obtido.

Enredo

O enredo sobre o violão foi dividido em quatro setores. O primeiro foi o “Cordas do Tempo”, mostra a formação do violão que ganhou este nome com o passar do tempo, partindo da mitologia hindu. O segundo setor “Nobres Cordas em um Novo Mundo” explicita a chegada do violão ao Brasil através de viagens marítimas e catequizadoras. O terceiro setor denominado “O Propagar das Cordas de um Brasil Popular” parte para o processo de popularização do violão como um instrumento massificado no país. E o setor final, “Cordas de Prata: Um País em Movimentos” apresenta o definitivo reconhecimento do violão na música e cultura do país, e a importância do samba para a unificação do violão do morro ao
violão da elite brasileira. Todos os setores foram desenvolvidos com correção pelo carnavalesco Guilherme Estevão, com boa leitura e ordem cronológica de períodos, fechando com o violão como elemento importante do samba. Um enredo que passeou pelo imaginário e pelas mais diferentes relações do violão com o brasileiro.

Alegorias

O abre-alas representava “A poesia das trovas medievais”, trabalhado em vermelho, prata e amarelo, foi a alegoria de concepção mais frágil do desfile da Acari, mas passou inteirinha sem problemas de acabamento. A segunda alegoria era “Violão, o som do sertão brasileiro”, representando o crescimento do instrumento nas classes mais populares, essa muito bonita e bem concebida, se destacando dentre as alegorias da escola. A terceira e última alegoria sintetizava o enredo com “Cordas de Prata”, uma alegoria de boa realização e mensagem direta. Um conjunto com todas as alegorias com ótimo acabamento.

Fantasias

A Parque Acari trouxe um conjunto de fantasias que se destacou pelo uso de variadas cores sem alterações bruscas de tonalidade, alternando bem entre os setores. Se não foi um quesito exuberante, a agremiação exibiu fantasias bem realizadas e com material no lugar. O segundo setor foi o mais bonito da escola da zona Norte.

Evolução

O quesito mais problemático do desfile, já apresentando dificuldades desde a arrancada da escola por conta da lenta evolução do tripé da comissão de frente e do abre-alas. Após a saída dos elementos da pista, a escola apressou o passo e principalmente no último módulo abriu alguns claros dentro das alas para evitar o estouro do cronômetro, só que por alguns segundos a Parque Acari completou o desfile em 56 minutos, perdendo um décimo para a apuração que acontecerá na próxima quinta-feira. Uma evolução com falhas durante toda a apresentação da Acari.

Harmonia

Outro quesito falho da escola, a harmonia foi irregular alternando momentos de canto mais forte e alas desfilando praticamente mudas. O samba mais dolente não impulsionou um canto mais explosivo dos componentes e a escola seguiu pecando no quesito até o fim do desfile. O carro de som apresentou um desempenho regular, com maior sustentação no refrão principal.

Samba

O samba de Moacyr Luz e Fred Camacho é muito poético, falando do violão em primeira pessoa como se o instrumento contasse sua criação e suas histórias. A letra narrou bem o que foi apresentado pela escola ao longo de suas alas e alegorias, mas teve um desempenho que foi caindo durante o desfile, passando de forma morna, inclusive no seu refrão principal.

Outros Destaques

A última alegoria trouxe Moacyr Luz, um dos compositores do samba da Parque Acari, abrilhantando o final do desfile sobre o violão. A bateria “Fora de Série” comandada pelos mestres Erik Castro e Daniel Silva apresentou várias bossas e levantou a interação do samba com o público quando passava pelos setores.

Eugênio Leal analisa os dois dias de desfiles do Grupo Especial de São Paulo no Carnaval 2025

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Colorado do Brás

Uma abertura colorida, leve e alegre do Grupo Especial paulistano. Cantando o bloco baiano “Filhos de Gandhy” a Colorado marcou sua volta à elite pela correção técnica. Desfilou compacta e coesa. Como primeira a desfilar encontrou o público ainda frio, se acomodando. O samba não conseguiu conexão com a plateia. O enredo foi claramente desenvolvido, mas sem inovações em alegorias e fantasias, todas corretamente realizadas. Um desfile para se manter no grupo. * VEJA AQUI FOTOS DO DESFILE

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Barroca Zona Sul

O samba mais badalado do pré-carnaval paulistano não teve um desfile à sua altura. A começar pela confusa Comissão de Frente que, ao contrário do que é normal no Anhembi, preparou uma apresentação especial para o módulo de julgamento, mas com problemas na sua extensa execução. O que, aliás, determinou uma progressão mais lenta da escola ao longo da pista. O segundo carro alegórico teve problemas de direção ao entrar na pista, o que acarretou um buraco visível à primeira cabine de julgamento. O visual foi outro ponto abaixo do esperado, puxando para tons escuros e pesados. O casal de Mestre-sala e Porta-bandeira, Marquinhos e Lenita foi um dos destaques, ao lado da bateria de Mestre Fernando Negão. * VEJA AQUI FOTOS DO DESFILE

Dragões da Real

Mais um desfile muito forte da Dragões. Desta vez com um componente emotivo, a homenagem do carnavalesco Jorge Freitas ao neto que ele perdeu ano passado. Usando a letra da música Aquarela, de Toquinho, como foi condutor de sua história, Jorge deu um show de cores, belezas e emoções.Aproveitou a poesia descritiva da música e colocou em fantasias e alegorias várias passagens da Aquarela, usando a figura do astronauta como ponto de virada para a partida do menino. * VEJA AQUI FOTOS DO DESFILE

Todos os quesitos responderam em alto nível. Desde a tocante Comissão de Frente, passando por casal, bateria e os quesitos de chão. Mais uma vez deve brigar lá em cima. Apesar de tudo foi um desfile frio, sem comunicação com o povo presente ao Sambódromo.

Mancha Verde

Uma viagem à Bahia da fé e do profano. Um tema de fácil leitura proporcionou um bom desfile da escola palmeirense. O presidente Paulo Serdan falou no discurso inicial da opção por não ter um carnavalesco, mas uma Comissão de Carnaval. Para este carnaval funcionou bem. O visual da Mancha tinha perfeita conectividade entre alas e carros, mostrando unidade artística. * VEJA AQUI FOTOS DO DESFILE

A bateria dos mestres Vini e Cabral segurou a onda e ainda fez paradonas ousadas para as arquibancadas, turbinadas por integrantes da organizada, cantarem o refrão final.

Embora o painel de LED seja um recurso controverso nas escolas de samba, o do fundo do mar que veio na segunda parte do abre-alas tinha uma qualidade de imagem superior à média, deixando um bom efeito. O desfile terminou com um enorme carro com a figura de Carlinhos Brown no alto, exaltando o carnaval baiano. Competitivo.

Tatuapé

Um enredo original que, quando foi lançado, me deixou curioso quanto ao seu desenvolvimento. A resposta que o carnavalesco Wagner Santos deu na avenida foi excelente. Um enredo contado com muita coerência, início, meio e fim. * VEJA AQUI FOTOS DO DESFILE

Começa no caos que reinava até que fosse criada a mediação entre as pessoas. Daí o enredo vem desenvolvendo a ideia de forma reflexiva e abrangente. Ponto positivo. O visual, entretanto, não é o que mais me cativa. Formas, cores e acabamentos serviram à história, mas não encheram os olhos.

Celsinho Mody é sempre um espetáculo e a bateria de Mestre Léo Cupim o acompanhou no mesmo nível. Desfile redondo, mais um, da Tatuapé.

Rosas de Ouro

O jogo virou, definitivamente, como prometeu o samba. A Rosas de Ouro deslumbrou o Anhembi com uma aula de carnaval ao mostrar o enredo “Rosas de Ouro numa grande jogada”. A escola vinha de dois anos em que lutou contra o rebaixamento e fez em 2025 uma apresentação para disputar o título. Refloresceu. E não foi só ela. O carnavalesco Fabio Ricardo se reencontrou com seus melhores momentos. Desenvolveu o enredo de forma lúdica e bem humorada, com clareza de ideias e extremo bom gosto.

Fantasias e Alegorias luxuosas, com muitos detalhes de acabamento, paleta com foco nas cores da escola e ouro. Do início ao fim. A qualidade não caiu na parte final. Carlos Junior também foi destaque junto à bateria de Mestre Rafa, impulsionando um samba que não era dos mais cotados antes do desfile, mas que jogou energia nos componentes e ajudou a acordar o público na mais profunda madrugada. Um baile! * VEJA AQUI FOTOS DO DESFILE

Camisa Verde

Só não foi o anticlímax porque a escola tem muito carisma junto ao público. E Cazuza também. Mas o Camisa Verde apresentou alegorias abaixo do nível do Grupo Especial. As fantasias estavam um degrau acima e, ainda que permitissem boa leitura, também apresentavam em média qualidade visual mais simples que suas concorrentes. O amanhecer sempre é uma moldura clássica, ainda mais para uma escola tradicional que o público aguarda. Isso ajudou, apesar da brisa gelada que soprou toda a noite no Anhembi.

A Comissão de Frente tinha uma história interessante para contar, porém seu elemento alegórico pecou muito na qualidade do acabamento. A bateria fez uma apresentação segura e se destacou pela sua caixa rufada e afinação diferente, características do Camisa. Resta saber como os julgadores irão entender o desfile. * VEJA AQUI FOTOS DO DESFILE

Águia de Ouro

Uma merecida e agradável homenagem ao cantor e compositor Benito di Paula abriu o segundo dia de desfiles do Grupo Especial de São Paulo. Percebeu-se a preocupação em casar a letra do samba com o que era mostrado nas fantasias e alegorias do carnavalesco André Machado. Um conjunto visual corretamente realizado, com destaque para a bonita alegoria branca sobre Luiz Gonzaga. * VEJA AQUI FOTOS DO DESFILE

O samba, que particularmente não me agrada, tem um refrão muito fácil de se cantar, contando para isso com a citação de um dos sucessos de Benito, “Meu amigo Charlie Brown”. Desta forma contou com adesão voluntária do público, que no sábado é mais volumoso e quente do que na sexta. O desfile da escola do presidente da Liga, Sidnei Carriuolo, para figurar sem sustos no meio da tabela de classificação.

Império de Casa Verde

O Tigre, vizinho do Anhembi, ditou um ritmo excessivamente acelerado a seu samba-enredo, que trazia uma série de questionamentos às histórias da literatura infanto-juvenil. Um andamento que tirou brilho da melodia valente criada por André Diniz e parceiros. E ainda trouxe instrumentos de sopro no carro de som, indo contra uma convenção antiga das Escolas, que tem como objetivo evitar a perda das características do samba. * VEJA AQUI FOTOS DO DESFILE

O desfile foi uma sucessão de personagens das mais diversas histórias, quase todos facilmente reconhecíveis e com fantasias bem acabadas. Mas as críticas ficaram muito nas entrelinhas e precisaram de cartazes colocados em um dos carros para que fossem percebidas além da Comissão de Frente, que também era legendada. O Abre-alas, com três partes acopladas, foi o maior a passar no Anhembi até então. Chamou atenção pela imponência e pelos muitos movimentos de suas figuras. As demais alegorias estavam bem acabadas, mas não no mesmo padrão. Um desfile que não conseguiu grande adesão popular e ficou abaixo do que a escola fez ano passado, quando homenageou Fafá de Belém.

Mocidade Alegre

O grande destaque da bicampeã foi o trabalho do carnavalesco Caio Araújo, especialmente nas alegorias – verdadeiras obras de arte. Cada uma com uma concepção própria, mas todas muito representativas e com assinatura artística. Desde o imenso Abre-alas dourado até o último carro, vermelho, com destaque para o segundo, com esculturas em cor de madeira extremamente expressivas. * VEJA AQUI FOTOS DO DESFILE

As fantasias também estavam finamente acabadas e sem o excesso de tamanho que atrapalha leitura e movimentação dos componentes. Mais um ponto para o artista.

A bateria de Mestre Sombra convocou o público a cantar o refrão e mostrou arranjos rítmicos profundamente elaborados, todos dentro da harmonia do samba. Mas problemas registrados ao longo da pista com os carros devem dificultar o sonho do tricampeonato.

Gaviões da Fiel

É uma torcida de futebol, mas fez desfile de Escola de Samba tradicional, que também já é. Coisa muito séria. Embalados pela melodia mais raiz deste carnaval, os Gaviões cruzaram a pista com andamento de samba-enredo de verdade e uma evolução serena, consistente e bonita de se ver. A bateria do Mestre Ciro Castilho criou um arranjo baseado nas peças pesadas que caiu como uma luva para o entrosamento com a ala musical e deu grande sustentação ao chão do desfile. * VEJA AQUI FOTOS DO DESFILE

O enredo foi contado com categoria pelos carnavalescos Rayner Pereira e Julio Poloni. A viagem de Orunmilá pela África subsaariana, guiada pelas máscaras de diferentes povos, a passagem pelo palácio de Xangô e revolta contra a escravização em Angola. Alegorias muito expressivas e fantasias volumosas deram o tom de um visual bem resolvido e coerente. Este desfile recoloca a Gaviões na briga pelo título depois de alguns anos.

Tucuruvi

Original e lindo. O grande barato desfile da Tucuruvi foi ter colocado o tema do enredo em sua essência na plástica do desfile. Formas, materiais e figuras, especialmente na primeira parte, priorizaram representar o manto da maneira mais próxima da realidade dele. Não foi um carnaval a mais. Foi o manto Tupinambá. A distribuição de cores deu um tom de leveza ao desfile deixando toda a escola “viva”. * VEJA AQUI FOTOS DO DESFILE

A leitura de enredo muito clara foi mais um mérito da dupla de carnavalescos formada por Dione Leite e Nicolas Gonçalves. Mas o samba, de quem se esperava muito, não aconteceu. Talvez pelo avanço da hora. Ou pela dificuldade na pronúncia das muitas palavras em dialeto indígena. Passou frio como a brisa que fez muita gente tirar o agasalho da bolsa. Desfile competente no plano técnico mostrando a consolidação do novo momento da escola da Zona Norte.

Milênio

Valeu a pena. A Estrela brilhou no seu grito pela comunidade LGBTQIAPN+. Um desfile que equilibrou uma história de preconceito com alegria sem perder o vigor. Pelo contrário, teve momentos emocionantes, como na Comissão de Frente coreografada por Régis Santos.

Alegorias quase totalmente lateralizadas, feitas mais para o público presente no Sambódromo e menos para a televisão, serviram de palco para várias esculturas de personalidades importantes da comunidade. O único senão foram os geradores, decorados sem capricho.

O samba pouco comentado antes do carnaval funcionou muito para injetar alegria e vibração não só nos componentes, mas em todos que brigavam contra o sono da madrugada. Muito disso se deve ao carro de som comandado por Grazi Brasil e Darlan Alves e a bateria de Mestre Vitor Veloso, que ganhou a companhia de Milton Cunha à frente dos ritmistas. Um desfile feliz. * VEJA AQUI FOTOS DO DESFILE

Vai-Vai

O Quilombo Saracura trouxe a alma de Zé Celso para o Anhembi. Mais um desfile em que o enredo fala mais alto que a estética padrão do carnaval. Aqui Sidnei França não teve paleta de cores nem preocupação com alegorias de impacto visual. O impacto é mental. Como as gaiolas abertas para liberar os cérebros na segunda alegoria.

Sem vergonha, no melhor sentido, desfilaram corpos seminus, um banquete de partes do corpo humano e várias versões de Zé Celso logo na Comissão de Frente. O revolucionário diretor do Teatro oficina reviveu.

Tudo isso temperado pela aura e autoridade da escola mais antiga, vencedora e popular da cidade. Um encerramento essencialmente carnavalesco para uma noite de grande beleza e força cultural. * VEJA AQUI FOTOS DO DESFILE

Vai-Vai 2025: galeria de fotos do desfile

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Fotos: Rebeca Schumacker

Vitória da natureza! Último carro da Porto da Pedra celebra o declínio do projeto industrial de Fordlândia, na Amazônia

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A Porto da Pedra se apresentou, na madrugada desse domingo, na Marquês de Sapucaí, pela Série Ouro. A escola contou a história da cidade de Fordlândia, criada pelo empresário americano Henry Ford como um mega complexo extrativista, hoje abandonada. A terceira alegoria da escola, nomeada de “A Grande Retomada”, representou a imposição da floresta sobre o projeto industrial.

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“Tanto eu quanto o (enredista) Diego Araújo gostamos sempre de terminar os nossos carnavais, principalmente no Grupo de Acesso, com um posicionamento político. A gente usa a Fordlândia como um pano de fundo para o posicionamento político. A riqueza da Amazônia é nossa, portanto somos nós que temos que incentivá-las, guardá-las e nos beneficiar. A figura da bandeira americana simboliza todos aqueles que vêm para prender e levar nossa riqueza. A gente usa a bandeira americana porque carnaval tem que ter entendimento e leitura direta, objetiva, porque é muito dinâmico. Representamos os povos originários carregando a bandeira americana e dizendo: ‘Não, a floresta vence’”, disse o carnavalesco da escola Mauro Quintaes.

“A Fordlândia foi um sonho utópico de Henry Ford. Poder cultivar a sua própria, seu próprio seringal, na intenção de produzir seu próprio pneu. Porque ele descobre que os cinco pneus do carro eram mais caros do que o carro. ‘De onde está vindo a borracha? Brasil. Vou para o Brasil, vou plantar’. Só que ele traz os modelos e os moldes americanos para um país totalmente adverso, diferente. Esse foi o grande erro e foi a partir daí que ele começa a fracassar. Ele planta as seringueiras de maneira errada, sem ouvir a sabedoria local. Ele trata os brasileiros, os nativos, os ribeirinhos, os caiçaras como se fossem americanos, inclusive na dieta do dia a dia. Tudo isso começa a criar um grande embate cultural e a Ford Land vai sucumbindo por 19 anos até ela morrer”, explicou o artista, sobre o enredo da escola de 2025.

Paulo Robert

O resultado agradou os componentes da escola, sobretudo aqueles que desfilaram na última alegoria.

“Eu desfilei pela Porto da Pedra pela primeira vez há 3 anos e foi amor à primeira vista. Quando soube do enredo desse ano, fiquei surpresa por tocar no assunto da Amazônia, isso me deixou muito feliz, porque realmente a gente precisa cuidar, que a Amazônia é nossa. Esse terceiro e último carro mostra que a natureza é mais forte que tudo, mais forte do que qualquer engrenagem, do que qualquer metal. A mata vive”, expressou a dona de casa e estudante Caroline Ferreira, de 37 anos.

“É muito importante abordar esse tema, porque poucas pessoas conhecem essa história. Se os índios não tivessem ocupado o espaço que é devido deles, a nossa Amazônia se tornaria uma grande indústria. Isso seria muito prejudicial porque ela é o coração do mundo”, afirmou a administradora Cintia Nascimento, de 29 anos, que foi para seu segundo ano na agremiação de São Gonçalo.

“Apesar do enredo ser de uma coisa pesada, é muito válido quando você compartilha um fato histórico que não é bacana. Isso funciona como uma crítica construtiva para o Brasil e para o Estado. A invasão, o desmatamento, nada disso é legal”, finalizou o dono de um salão de beleza Paulo Robert, de 63 anos, que completou, em 2025, 52 carnavais.

Império Serrano Carnaval 2025: galeria de fotos do desfile

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Alegoria da Acadêmicos de Niterói celebra a fé na festa junina

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A Acadêmicos de Niterói trouxe a festa junina para a Marquês de Sapucaí na segunda noite de desfiles da Série Ouro. Com o enredo “Vixe Maria”, a escola exaltou a cultura popular das quadrilhas pelos quatro cantos do Brasil.

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Uma das temáticas abordadas no desfile foi o elo entre a fé cristã e as manifestações culturais, fortemente presente na celebração também conhecida como “São João”. O carnavalesco Tiago Martins explicou como representou essa relação na alegoria que encerra o desfile da azul e branca da cidade sorriso, intitulada “A Fé Junina”.

“A maioria das quadrilhas saía de dentro das igrejas. Sabendo disso, quando a escola me pediu para falar sobre os santos juninos, queriam que eu montasse uma quermesse, mas preferi fazer algo diferente, que representasse melhor o tom festivo das comunidades quadrilheiras. A partir dessa ideia, construí no carro um coreto de praça em frente a uma igreja, onde as pessoas aparecem festejando com roupas tradicionais da festa junina”.

O artista destacou a importância dos elementos cenográficos para contar essa história ao público da Sapucaí, explicando o critério utilizado na escolha das figuras retratadas nas esculturas da alegoria.

“Os santos católicos são muito cultuados nos festejos juninos, principalmente no Nordeste. Ao mesmo tempo, cantores nordestinos famosos ganham destaque durante esse período. Por isso, também temos a zabumba e a sanfona, elementos marcantes na obra de Luiz Gonzaga”.

Embora tenha origem nas igrejas, a festa junina continua sendo uma forte expressão dos costumes católicos nas tradições culturais, e Tiago reconhece essa relação.

“Mesmo os mais céticos aproveitam o mês de junho para fazer promessas aos santos – seja para casar, alcançar a cura de uma doença ou realizar um sonho. Como mencionei, principalmente no Nordeste, muitas pessoas cumprem essas promessas justamente nas festividades juninas. Todo mundo participa dessa tradição, que tem um fundo religioso”.

Martins faz questão de expressar sua felicidade pela oportunidade de carnavalizar um dos maiores movimentos culturais do país.

“A emoção se intensifica porque conheci o Carnaval através da quadrilha, e poder unir essas duas festas que amo, ambas com forte cunho folclórico, popular e cultural, é gratificante”.

 

Estrela do Terceiro Milênio 2025: galeria de fotos do desfile

Fotos: Rebeca Schumacker