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Leitura clara de enredo, comissão com boa execução e desfile coeso fazem a Tijuca sonhar alto no Carnaval 2026

A Unidos da Tijuca levou para a Marquês de Sapucaí um desfile de forte carga simbólica e execução segura ao homenagear Carolina Maria de Jesus. Com assinatura do carnavalesco Edson Pereira, a escola apresentou um enredo de fácil compreensão, estética literária bem resolvida e um conjunto que se destacou pela harmonia, evolução consistente e momentos de emoção coletiva, especialmente no refrão que ecoou pela avenida: “Muda essa história, Tijuca”.

COMISSÃO DE FRENTE

Intitulada “Prólogo — Carolina Maria de Jesus”, a comissão de frente cumpriu com precisão a função de abrir as chaves de leitura do desfile. A cena trouxe a imagem antológica de Quarto de Despejo como porta de entrada para o universo da escritora. Cercada por bailarinos negros que representavam o povo da rua, da favela e da periferia, com muita teatralidade, Carolina surgiu conduzindo o emblemático carrinho de catar papel.

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O elemento cenográfico, pequeno em dimensão, ganhou grandeza simbólica ao se transformar diante do público, metáfora visual da persistência e da capacidade de reinvenção pela escrita. A leitura foi imediata e clara. O público compreendeu a mensagem, e a comissão entregou teatralidade sem excessos, com narrativa direta e impacto emocional.

* LEIA AQI: Unidos da Tijuca aposta em virada histórica com enredo sobre Carolina Maria de Jesus

MESTRE-SALA E PORTA-BANDEIRA

Lucinha Nobre e Matheus André protagonizaram uma apresentação de gala. Em sintonia, firmes e elegantes, realizaram uma das melhores performances do casal nos últimos tempos. O bailado foi seguro, sem sustos, com domínio do pavilhão e perfeita comunicação entre os dois. A proposta de trajar fantasia tradicionalíssima reforçou o gesto simbólico de “assinatura” da escola sobre a obra apresentada, e o resultado foi clássico e eficiente.

* LEIA AQUI: Lucinha Nobre e Matheus Miranda: a assinatura da Unidos da Tijuca que abre caminhos na Avenida

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* LEIA AQUI: Unidos da Tijuca abre desfile com a infância de Carolina para simbolizar a própria retomada

ALEGORIAS E FANTASIAS

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O conjunto alegórico se impôs pelo tamanho e pela criatividade. As fantasias, mais fluidas e com menor volumetria, favoreceram a evolução sem comprometer o acabamento. Detalhes inspirados em páginas de livros e elementos gráficos literários apareceram de forma recorrente, reforçando a identidade do enredo.

* LEIA AQUI: Entre glamour e oportunismo: Passistas da Tijuca representa a fase de fama e reconhecimento da vida de Carolina Maria de Jesus

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Houve uso de materiais plásticos e efeitos de fumaça na terceira alegoria, recurso que adicionou atmosfera à narrativa. Fantoches gigantes ampliaram a dimensão lúdica na quarta alegoria. No último setor, a paleta cromática da plástica tornou-se mais vibrante, sinalizando a ascensão da homenageada à imortalidade.

* LEIA AQUI: Papel, memória e permanência: Ala 13 da Unidos da Tijuca transforma lixo em legado ao homenagear Carolina de Jesus

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HARMONIA E SAMBA

A harmonia foi um dos pontos altos do desfile. A escola cantou com força nos primeiros setores e manteve bom desempenho ao longo da apresentação. O samba-enredo, de letra consistente e coerente com a proposta biográfica, ganhou explosão no refrão principal, quando a avenida respondeu em coro ao chamado para “mudar essa história”. A bateria de Casagrande apresentou andamento pulsante e cadenciado, sustentando o canto da comunidade. O intérprete Marquinho Art’Samba conduziu o carro de som com segurança, valorizando a poesia da obra e mantendo a escola conectada. Componentes emocionados e soltos reforçaram a entrega coletiva.

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EVOLUÇÃO

A Tijuca desfilou com bom andamento. Não houve buracos nem correria. A ocupação do espaço foi bem distribuída, e a fluidez das fantasias colaborou para uma progressão natural. A escola cruzou a avenida com segurança e controle, sem sobressaltos técnicos; pelo contrário, com regularidade e boa ocupação do espaço.

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OUTROS DESTAQUES

À frente da última alegoria, a presença de Vera Eunice de Jesus, filha da escritora homenageada, abriu a cena ao lado de mulheres negras que hoje ocupam espaços na intelectualidade brasileira, como Conceição Evaristo, Flávia Oliveira e Elisa Lucinda. A escultura majestosa de Carolina, jovem e sem o lenço, lia o final reescrito pela escola como um gesto simbólico de reparação.

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Representantes dos Acadêmicos do Tatuapé comentam desempenho no desfile em 2026

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A relação do homem com a terra e a luta pela reforma agrária passaram, na última sexta-feira, pelo Sambódromo do Anhembi, no desfile dos Acadêmicos do Tatuapé intitulado “Plantar para colher e alimentar. Tem muita terra sem gente, tem muita gente sem terra”, assinado por Wagner Santos.

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Em entrevista ao CARNAVALESCO, alguns dos principais representantes da Escola da Emoção falaram sobre o desempenho da agremiação e de seus quesitos na Avenida.

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Leonardo Helmer, coreógrafo da comissão de frente

“Foi excelente. Fizemos exatamente como ensaiamos, tudo igual. Lógico que hoje com a emoção, com a adrenalina do público, mas tudo dentro do esperado. Estamos satisfeitíssimos. Exatamente o que ensaiamos”.

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Diego Silva, primeiro mestre-sala

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“Todo desfile é uma emoção diferente. A cada ano, nós tentamos fazer, como o nosso presidente, Eduardo Santos fala, o melhor desfile de nossas vidas. A escola estava linda, a escola está alegre, a escola está feliz, e isso impacta diretamente em quem carrega o pavilhão para toda essa comunidade. Somos muito honrados, muito gratos, e hoje foi uma emoção tremenda porque sabíamos do nosso potencial. Sabíamos que nós iríamos conseguir, e se Deus quiser, deu tudo certo. Temos que estar bem fisicamente, temos que nos preparar bem durante o dia, principalmente no dia. Comer coisas leves, porque a fantasia, mesmo a mais leve, é pesada, por isso temos que estar bem com nós mesmos, pois as dificuldades virão. Você tem que estar preparado para poder enfrentá-las”.

Celsinho Mody, intérprete oficial

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“Foi muito bom. A escola estava preparada e fizemos um desfile com emoção, muito custoso, mas Deus é bom. Foi um desfile de muita raça e muita superação. Tivemos que superar muitas coisas dentro da avenida, mas, com fé em Deus, vamos conquistar as notas máximas dos jurados e comemorar na terça-feira. Estou com uma expectativa boa porque, pelo que vi da escola, todo mundo estava cantando, dançando, com os carros acesos. A escola estava linda”.

Erivelto Coelho, um dos presidentes do Tatuapé

“Estamos saindo extremamente felizes e muito satisfeitos com tudo o que foi planejado e projetado. Acho que tudo deu certo. Tudo o que passamos nos ensaios técnicos e na quadra serviu como lição. Hoje parecia difícil entrar e alinhar o Abre-alas, mas esse era o único obstáculo que tínhamos. Depois que ele alinhou, tudo aconteceu naturalmente, como se fosse um sonho. Acho que vêm coisas boas por aí, se Deus quiser”.

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Catarse! Viradouro faz desfile apoteótico em homenagem a Ciça e se coloca na briga pelo título do Carnaval 2026

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A Viradouro conseguiu combinar técnica e emoção para realizar talvez a maior homenagem feita na Sapucaí. Homenageando um artista vivo, com saúde, que ainda comanda um quesito e que tem muita história nessa agremiação, foi certamente um dia histórico por diversos motivos e, entre eles, por Moacyr da Silva Pinto. O mestre Ciça, por duas vezes, passou pela Sapucaí em êxtase. Não foi só pela homenagem, mas pela quantidade de momentos emocionantes que o desfile teve e pelo alto nível que a Viradouro imprimiu em todos os quesitos. A escola esteve inteiramente focada em fazer o melhor possível pelo mestre “Caveira”. Apesar do desfile primoroso, a quarta alegoria, “Legado do Mestre Caveira”, passou aparentemente com um problema técnico, pois a caveira no meio do carro, que segurava uma caixa de guerra, estava afundada na tumba, esteticamente mostrando um buraco.

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Com o enredo “Pra Cima, Ciça”, desenvolvido pelo carnavalesco Tarcísio Zanon, a Viradouro foi a terceira escola a pisar na Sapucaí na segunda noite de desfiles do Grupo Especial, com o tempo de 79 minutos.

* LEIA AQUI: Viradouro traz carro dedicado ao ‘Bonde do Caveira’

COMISSÃO DE FRENTE

Desenvolvida e coreografada por Priscilla Mota e Rodrigo Negri, o “Casal Segredo” talvez devesse pensar em trocar o apelido para “Casal Ciça”. Um trabalho espetacular. Eles gostam de fazer o que ainda não foi feito. A comissão trouxe a história de vida de Ciça ainda no coração do Estácio, com os malandros iniciando a apresentação no chão, com o menino Moacyr, ainda moleque, despertando-se para o universo do samba. Em seguida, o Leão do Estácio aparece, símbolo maior da escola, saindo do elemento cenográfico que se revestia em um apito dourado e vazado. O leão interage com os malandros e com o menino. Debaixo do elemento cenográfico saem enormes surdos.

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O menino sobe em um deles, e esses instrumentos se movimentam pela pista, interagindo com os outros componentes que ainda sambam no chão. O menino samba em um deles até que os malandros se aproximam, o encobrem e, junto deles, surge mestre Ciça, não um ator, mas o próprio mestre, para delírio de todos. Em seguida, todos sobem no elemento; o apito vira o arco da Praça da Apoteose e, do meio, Ciça é erguido bem alto, com uma grande explosão na arquibancada e enormes serpentinas pintando as arquibancadas dos setores embaixo dos módulos de vermelho e branco.

* LEIA AQUI: Nos trilhos da história: Viradouro recria o trem de 1992 e transforma a Sapucaí em estação de emoção

MESTRE-SALA E PORTA-BANDEIRA

Julinho Nascimento e Rute Alves trouxeram o pioneirismo da “Deixa Falar”, escola que daria origem ao Estácio, pioneira como escola de samba. A fantasia misturava realeza e ancestralidade nos tons de dourado e palha.

* LEIA AQUI: Da Estácio à Niterói: O rugido que ecoa

O pioneirismo da Deixa Falar, cria do Estácio de mestre Ciça, dava-se também na forma como foi estruturada a sua formação rítmica, com um samba mais firme, “pra cima”, uma batida mais urbana. Na coreografia, a dupla já entrou no módulo com muita energia, com giros firmes e intensos antes de apresentar o pavilhão. Com muita doçura, a dupla se procurava na dança, trazendo passos de alta dificuldade, feitos de forma muito eficiente e limpa.

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Como já é costume, Rute trouxe muitos giros, bem executados, com intensidade e utilizando todo o espaço disponível para a apresentação no módulo. Já Julinho é muito completo, elegante com seu bastão, com postura ímpar, acompanhando a porta-bandeira por toda a área de apresentação. O ponto alto foi o passo afro em “Atabaque mandou me chamar” e o final arrebatador, com a bandeira desfraldada para mestre Ciça, que chegava da comissão logo à frente. Apresentações nos módulos de alto nível e sem intercorrências.

ENREDO

“Pra Cima, Ciça!” mostrou a Unidos do Viradouro celebrando uma personalidade vital em sua própria trajetória: o sambista Moacyr da Silva Pinto, artista do nosso Carnaval. Ao completar 70 anos de vida e 55 anos de seu primeiro desfile, mestre Ciça cruzou a Sapucaí em um enredo histórico, no qual um mestre de bateria em pleno ofício é homenageado pela própria escola em que trabalha. Enredo completo, com a vida e a obra deste gênio, de fácil assimilação e muito nostálgico. Viam-se momentos históricos vividos por Ciça na Sapucaí com a nova roupagem prometida por Tarcísio.

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O primeiro setor mostrou um autêntico movimento modernista nascido nos morros, com exímios músicos dos terreiros pintando no Carnaval uma nova tela ao encourar instrumentos percussivos em pele e fogo. O segundo setor mostrou a disputa carnavalesca de 1989 pela Estácio de Sá, quando Ciça estreou como o Rei dos Naipes, com escudeiros fiéis que seguiram o comando de sua batuta.

Em seguida, a Viradouro apresentou o “Maestro do Morro”, imprimindo em cada bateria o registro da ousadia de uma mente que nunca deixou de inovar: pausas de mil compassos, joelhos abaixo, instrumentos para cima. O quarto setor mostrou os fantasmas do percurso, as glórias do ofício, o mestre como lenda viva para os que embarcam no balanço do Caveira. O encerramento deu-se em uma literal “apoteose”, celebrando o homenageado como exemplo dos valores que sustentam o samba verdadeiro: alegre, desvairado, apaixonado, da favela, popular, da amizade, do improviso, da disciplina, do jogo de cintura, do coletivo e da generosidade. Nesse final, a comunidade agradece ao mestre pelos ensinamentos.

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EVOLUÇÃO

Iniciar o desfile com signos do samba, como passistas, ala de bambas e baianas, mostrou-se bastante acertado. Desde o início, a evolução foi alegre e já com uma pegada que mantinha a escola se movimentando na Sapucaí em um ritmo para a frente, como o samba. Sem apresentar buracos e tendo Ciça aparecido em dois momentos do desfile, a Viradouro deu um show no quesito, sabendo dosar bem os momentos para que tudo acontecesse como o planejado. Organizada, mas pulando carnaval, a escola passou pela Sapucaí com fluidez e muita técnica. Nenhum problema foi observado durante os 79 minutos de desfile.

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HARMONIA

O carro de som da Viradouro, comandado por Wander Pires, mostrou alto nível de musicalidade, referendado pelo rigor com que o cantor trabalha, assim como pela direção musical. É um trabalho que exala na Avenida correção e exigência para que tudo seja feito com perfeição musical. As vozes de apoio estavam muito bem encaixadas, Wander aproveitando tudo o que o samba lhe podia oferecer, fazendo terças e vocalizações de grande valor musical, principalmente no trecho “Atabaque mandou te chamar / No alto, vai resistir a caixa de Moacyr / legado do mestre Caveira”. Lindo demais, e o canto da comunidade acompanhou, como não poderia ser diferente, para o mestre Ciça. Aqui, nesse quesito, também nada a se retirar.

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SAMBA-ENREDO

A obra que a Viradouro levou para a Sapucaí foi composta por Claudio Mattos, Renan Gêmeo, Rodrigo Gêmeo, Lucas Neves, Rodrigo Rolla, Ronaldo Maiatto, Bertolo, Silvio Mesquita, Marcelo Adnet, Thiago Meiners e Alessandro de Malta. Com um andamento do gosto de mestre Ciça, bem para a frente, o samba prima por uma linha melódica mais complexa, com ar nostálgico.

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A obra conseguiu imprimir um bom ritmo, que deu vida e não deixou o desfile arrastado, sem perder sua riqueza harmônica. No trecho “Sou eu mais um batuqueiro”, houve uma bossa apenas com o surdo como tambor a tocar pelo mestre. O samba rendeu ainda mais do que nos ensaios e foi uma explosão desde os primeiros versos, que Wander Pires fez questão de deixar para o público, recurso que aconteceu diversas vezes no desfile. Em alguns momentos, apenas o surdo e a voz do componente. “Se eu for morrer de amor”, o refrão principal, foi a parte cantada com mais energia.

ALEGORIAS

Com um conjunto alegórico primoroso, de alta qualidade de acabamento e utilização de diversos recursos, como a movimentação humana no segundo carro, Tarcísio conseguiu retratar o enredo trazendo luxo e volumetria, mas com carros que tinham, além de tudo, sensibilidade. Apesar do desfile primoroso, a quarta alegoria, “Legado do Mestre Caveira”, passou aparentemente com um problema técnico, pois a caveira no meio do carro, que segurava uma caixa de guerra, estava afundada na tumba, esteticamente mostrando um buraco.

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O abre-alas trouxe uma favela que se iluminava em noite de Carnaval e inspirava o sonho do pequeno Moacyr. A alegoria reproduziu a atmosfera lírica do morro de São Carlos a partir da visão do menino folião, em que barracos se apresentavam como tambores, a fiação se assemelhava a serpentinas e baquetas e chocalhos formavam os postes de luz. À frente do primeiro chassi, o icônico leão projetou-se coroado como símbolo da pioneira agremiação Deixa Falar e seu legado, que reviveu na antiga Unidos de São Carlos e, posteriormente, no G.R.E.S. Estácio de Sá.

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A segunda alegoria era extensão visual do abre-alas, trazendo elementos semelhantes em unidade à ideia contida no primeiro chassi. O terceiro carro trouxe uma alegoria em homenagem ao “Trenzinho do Caipira”. Nessa representação do primeiro campeonato conquistado pela agremiação de mestre Ciça, a musicalidade do Modernismo foi representada por uma locomotiva que conduzia um dos mais importantes personagens do desfile: o povo nas arquibancadas, que agitava bandeirinhas como acontece na Sapucaí. O carro tinha recurso de movimento humano.

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A quarta alegoria, que contou apenas com mulheres, também prestou homenagem às ritmistas da Furacão, Mari Braga e Bia Tinoco, que tiveram destaque no desfile de 2020 ao tocarem atabaques durante uma das bossas. Assim, louvou-se a presença constante de mulheres na bateria de mestre Ciça. No quinto carro estavam presentes mestres de outras baterias, ritmistas e amigos que formam o “Bonde do Caveira”, legião de batuqueiros a pulsar pelo mestre. O carro trazia uma caveira estilizada e, na frente, os mestres de bateria das 12 agremiações do Especial, uma das cenas mais bonitas do desfile, além de amigos como Zé Paulo Sierra, mestre Paulinho, mestre Marcelo Sando, Wantuir, entre outros. A bateria desfilou sobre o último carro, inovação alegórica de 2007 atualizada para louvar mestre Ciça. Um coração pulsante à frente e, atrás da alegoria, uma escada que lembrava a do Theatro Municipal, local das grandes orquestras, como é uma bateria.

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FANTASIAS

Quando Tarcísio acerta a mão, sai da frente: que primor de trabalho. Fantasias de alto valor, com muito uso de materiais de qualidade, como vinil e laminados. Figurinos com acabamento excepcional, maquiagens em praticamente todos os componentes, costeiros e adereços de mão bem desenvolvidos, além de criatividade e muita leitura. Um banho de bom gosto.

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As baianas fizeram parte do conjunto plástico inicial com a fantasia “Arte Negra no Legendário São Carlos”, apresentando-se entre os primeiros carros, variando a fantasia no vermelho e no branco, ambas com tons de dourado. A primeira ala das crianças, “Filhote de Leão”, apresentou o caráter inicial da cabeça da escola com vermelho, prata e dourado. O segundo setor manteve os tons de dourado e prata, com combinações de tons mais quentes e mais frios, como laranja com roxo. O tom de palha se manteve nesses primeiros setores.

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Em seguida, ao focar em suas inovações na bateria, a escola trouxe prata e tons mais claros para o desfile. No quarto setor, a escola trouxe algumas fantasias que Ciça usou em seus desfiles, como as alas “Gari da Invocada” e “Feiticeiros das Evocações”. O quinto setor brincou com o apelido de Caveira, trazendo de formas diferentes e carnavalizadas a máscara de caveira, como nas alas “Na Pressão da Batida”, “O Terror do Metrônomo” e “O Fantasma das Notas”. No último setor, o vermelho da escola apareceu na ala “Um Furacão que Nunca Vai Ter Fim”.

OUTROS DESTAQUES

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O presidente de honra Marcelo Calil, antes do desfile, puxou o grito de “o brilho no olhar…”, seguido da resposta do público com o “continua”. No esquenta, Wander Pires cantou “Malunguinho”, inclusive com o alusivo que fez tanto sucesso no carnaval passado, além do samba em homenagem a “Bibi Ferreira”. E, logo antes de iniciar o desfile, antes do samba propriamente dito, o intérprete cantou o refrão de alguns sambas, inclusive de outras escolas, de desfiles marcantes para Ciça.

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Outros momentos marcantes foram todos os mestres do Especial na alegoria, o carnavalesco Paulo Barros no tripé sobre o carro do xadrez de 2007 e a rainha Juliana Paes reverenciando Ciça. No início da escola vieram os signos do samba: passistas, crianças, baianas e ala de bambas. Mestre Ciça passou pelo desfile muito emocionado; estava radiante.

TUCURUVI VENCE ACESSO 1 DE SÃO PAULO E VOLTA AO GRUPO ESPECIAL EM 2027

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O Acadêmicos do Tucuruvi está de volta à elite do Carnaval Paulistano em 2027.

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Foto: Woody Henrique/Felipe Araujo – Liga SP

A escola superou as demais e venceu o Acesso 1 com 269,9 pontos.

Assinado pelo carnavalesco Nicolas Gonçalves, o desfile teve como grande destaque foi o canto da comunidade, que se entregou no Anhembi para defender com força o possível acesso do Zaca ao Grupo Especial.

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Foto: Woody Henrique/Felipe Araujo – Liga SP

O canto da escola foi um dos pontos altos do desfile. A comunidade cantou todos os versos do samba-enredo com clareza e a obra fluiu do início ao fim. A comunidade desfilou leve e confiante, sustentando a energia da apresentação.

++ LEIA ANÁLISE COMPLETA DO DESFILE CAMPEÃO DO TUCURUVI

Na segunda posição ficou a Pérola Negra, com 269,4 pontos, que também retorna ao Grupo Especial.

A vice-campeã Pérola Negra transformou a avenida em palco para a trajetória de Maria Bonita. Sexta escola a desfilar neste domingo, a agremiação apresentou o enredo “Valei-me Cangaceira Arretada, Maria que Abala a Gira, Valente e Bonita que Vence Demanda” assinado pelo carnavalesco André Machado.

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Foto: Woody Henrique/Felipe Araujo – Liga SP

A escola desenvolveu a personagem desde o cangaço histórico até sua consagração espiritual na umbanda, mantendo coerência entre fantasias, alegorias e proposta temática. O desfile seguiu com regularidade na pista, sustentado por boa harmonia e evolução constante.

++ LEIA ANÁLISE COMPLETA DO DESFILE DA PÉROLA NEGRA

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Foto: Woody Henrique/Felipe Araujo – Liga SP

Nenê de Vila Matilde, com 268,7 pontos e Camisa 12, com 268,5 são rebaixadas para o Acesso 2.

Em desfile plasticamente deslumbrante, Beija-Flor reafirma sua potência estética e sustenta candidatura sólida ao bicampeonato

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A Beija-Flor de Nilópolis reafirmou sua condição de potência do carnaval carioca ao transformar a Marquês de Sapucaí em um imenso terreiro a céu aberto para celebrar o Bembé do Mercado. Em uma exibição que uniu o luxo plástico de João Vitor Araújo à força de seu chão, somada ao impacto visual de alegorias realistas e ao canto vigoroso da comunidade, selou um desfile que credenciou a agremiação a um possível bicampeonato em 2026.

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Fotos: Allan Duffes/CARNAVALESCO

COMISSÃO DE FRENTE

Sob o comando de Saulo Finelon e Jorge Teixeira, a Comissão de Frente apostou em uma narrativa simples, porém poética. O grupo de bailarinos, vestidos em branco, executou uma dança sincronizada com giros intensos de axé à frente de um tripé em formato de canoa. No primeiro módulo de julgamento, houve um percalço técnico: o içamento da estrutura demorou a acontecer, falha que foi prontamente corrigida nos setores seguintes, como no módulo do setor 6.

* LEIA AQUI: ‘Isso aqui vai virar macumba’: grito potente da Beija-Flor faz Sapucaí se unir em uma grande celebração da fé

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Quando a canoa finalmente se erguia, revelava a imagem de Iemanjá emanando raios de energia sobre os pescadores, enquanto o fundo do barco se transformava na face imponente de João de Obá, que abria os olhos. O rito encerrava-se com os bailarinos batendo cabeça para o primeiro casal, em um gesto de respeito que unia o sagrado ao pavilhão.

MESTRE-SALA E PORTA-BANDEIRA

O primeiro casal, Claudinho e Selminha Sorriso, entregou uma apresentação de gala sob a fantasia “Os Ventos da Justiça de João de Obá”, trajando o vermelho sagrado de Xangô e Iansã. Celebrando 30 anos de parceria, exibiram uma condução segura e uma sintonia que o tempo apenas apurou.

* LEIA AQUI: Encontro Ancestral! Beija-Flor conecta duas margens do mesmo rio, celebrando espiritualidade, fé e ancestralidade negra

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Selminha flutuou na avenida com giros tradicionais e domínio absoluto do pavilhão, enquanto Claudinho apresentou uma dança nobre e contida, característica da maturidade do casal. A execução foi correta em todos os módulos, sem falhas de coordenação.

ALEGORIAS E FANTASIAS

O conjunto visual foi um dos pontos altos da noite. João Vitor Araújo apresentou alegorias ricas em detalhes e de fácil compreensão. O destaque foi a alegoria do mercado, uma verdadeira obra de arte realista, com balaios, ervas, frutas e texturas que transportaram o público para o Recôncavo Baiano. As fantasias exibiram acabamento impecável, com uso farto de búzios, espelhos e estampas de africanidades.

* LEIA AQUI: Baianas da Beija-Flor consagram desfile e reafirmam a ancestralidade feminina no Carnaval

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No último carro, as esculturas giratórias de Iemanjá e Oxum sob o beija-flor encantaram o público presente. Porém, houve um incidente na concentração, onde a parte superior da última alegoria colidiu com o viaduto, causando avaria. O luxo e o bom gosto cromático mantiveram a escola em um patamar de excelência plástica.

* LEIA AQUI: Beija-Flor abre desfile com ‘silêncio’, fé e resistência

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HARMONIA E SAMBA

A harmonia da Beija-Flor foi no estilo “rolo compressor”. O samba-enredo, que caiu no gosto popular, foi entoado a plenos pulmões por toda a escola, do início ao fim. Os intérpretes Nino do Milênio e Jéssica Martin conduziram a obra com boa qualidade vocal, chamando a Sapucaí para o rito.

* LEIA AQUI: Beija-Flor transforma a Sapucaí em mar sagrado e encerra desfile como oferenda ao Bembé do Mercado

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A bateria, dos mestres Rodney e Plínio, cadenciada e potente, introduziu bossas de força ancestral com atabaques e agogôs, dialogando diretamente com o enredo. O “toque para Iemanjá” elevou o rendimento do canto, criando uma atmosfera de transe e devoção que contagiou a comunidade e as arquibancadas.

* LEIA AQUI: ‘Fertilidade das Águas’: Aline Daflor transforma maternidade em legado de amor à Beija-Flor de Nilópolis

EVOLUÇÃO

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A escola exibiu uma evolução fluida e “flutuante”, característica forte do chão de Nilópolis. Mesmo com problemas pontuais no sistema de som da Sapucaí em dois momentos, com picotes e uma aceleração, a escola não perdeu a coesão. O andamento foi correto, e os componentes evoluíram com felicidade e espontaneidade, sem buracos ou atropelos, garantindo a densidade necessária, com ótimo aproveitamento do espaço e boa ocupação da avenida.

OUTROS DESTAQUES

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À frente da bateria, a rainha Lorena Raissa personificou a energia do Bembé. Com um samba no pé irretocável, estabeleceu uma conexão vibrante com os ritmistas. Outro ponto alto foi a passagem da Velha Guarda, guardiã da tradição, e a presença de lideranças do Bembé original na última alegoria, reforçando o caráter de autorreparação e fé do desfile.

Ouça AO VIVO a apuração do Acesso 1 do Carnaval de São Paulo 2026

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Três escolas são punidas antes das apurações de São Paulo; entenda cada caso

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Em plenária realizada na última segunda-feira, a Liga Independente das Escolas de Samba de São Paulo (Liga-SP) definiu punições para três agremiações que desfilaram nos grupos Especial e Acesso I. Uma delas por conta de um evento prévio aos desfiles, e as duas restantes por infringirem um ato do regulamento – no caso, a cronometragem.

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Foto: Woody Henrique/Felipe Araujo – Liga SP

 

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Para deixar claro os motivos pelos quais cada uma das agremiações será despontuada ainda antes da leitura das notas das respectivas apurações, o CARNAVALESCO explica o que aconteceu para que as escolas de samba fossem punidas – além de, é claro, citar quais foram as agremiações e os respectivos decréscimos.

Rosas de Ouro

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Ao todo, a atual campeã do Grupo Especial do Carnaval de São Paulo começará a apuração com cinco décimos negativos. Tudo porque o Rosas de Ouro atrasou para entregar a pasta técnica pela qual os jurados se baseiam ao avaliar o desfile. Dessa maneira, a agremiação infringiu o Artigo 11º do Regulamento. A punição teve dosimetria dada pela Seção IV, no Artigo 18º, Inciso I, Alinea A.

Camisa Verde e Branco

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O Trevo da Barra Funda encerrou o desfile de “Abre Caminhos” com 66 minutos e 19 segundos. Como o tempo máximo estabelecido pelo Regulamento do Grupo Especial é de 65 minutos, a agremiação ultrapassou tal limite. Embora no Título III (“Dos Desfiles”), Capítulo I (“Das Penalidades”), Seção II (“Da Perda de 0,2 Décimos”).

O Artigo 16° descreve que “As escolas de samba perderão 0,2 (dois) décimos na fiscalização, concentração e na pista, durante o seu desfile, a cada infração a seguir relacionada, em que vierem a incorrer:”, no item “I – Cronometragem”, inciso b), deixe claro que “Ultrapassar o tempo máximo de desfile” e o inciso c) complemente com “A Escola de Samba será penalizada com a perda de mais 0, 1 (um) décimo a cada minuto que exceder ao limite máximo ou anteceder ao mínimo estipulado de desfile”, o Trevo foi punido apenas no inciso b) – perdendo, portando, dois décimos na apuração.

Independente Tricolor

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Foto: Woody Henrique/Felipe Araujo – Liga SP

A agremiação também encerrou o próprio desfile estourando o cronômetro. No Grupo de Acesso I, o tempo máximo de desfile é de 60 minutos, e a Independente complementou o cortejo em 61. Dessa maneira, os artigos citados para descrever a situação do Camisa Verde e Branco se fazem valer – bem como a punição.

Unidos da Tijuca aposta em virada histórica com enredo sobre Carolina Maria de Jesus

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Embalado pelo verso “Muda essa história, Tijuca”, o samba-enredo da Unidos da Tijuca representa o momento de reconstrução da escola. Fora do Desfile das Campeãs desde 2016, a agremiação do Borel se inspirou na força da trajetória de Carolina Maria de Jesus, homenageada pelo enredo esse ano, para virar a chave da própria história.

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Nilson Miranda
Nilson Miranda
FOTO: Carolina Freitas/CARNAVALESCO

Essa mudança foi percebida pelos torcedores e pelo público. Para o servidor público Nilson Miranda, de 55 anos, a escolha do enredo teve tudo a ver com isso.

“A Tijuca veio com um tema mais consistente. Abordar a Carolina e a obra dela um pouco as abordagens dos anos anteriores. Se manter essa pegada nos próximos anos, melhora bastante. Acho que nos últimos anos a escola andou meio se perdendo na escolha dos temas, que não eram tão impactantes”, comentou.

Hugo Andrade
Hugo Andrade, de 32 anos
FOTO: Carolina Freitas/CARNAVALESCO

Já o ator Hugo Andrade, de 32 anos, que desfilou na ala “Cena Viva”, enxergou sensibilidade na escolha do enredo. Para ele, essa conexão mais humana é o diferencial da escola neste ano.

“Falar de uma escritora como Carolina Maria de Jesus traz muita humanidade. Em um mundo tão plástico, cheio de inteligência artificial, de coisa plástica, a Carolina é real, é humana, é verdadeira. Isso traz humanidade a escola. O samba super emociona e se conecta com esse lugar. Com certeza ajudou nessa virada de chave”, disse.

Ricardo Luiz
O presidente da Velha Guarda, Ricardo Luiz da Silva
FOTO: Carolina Freitas/CARNAVALESCO

O presidente da Velha Guarda, Ricardo Luiz da Silva, reconheceu que as mudanças foram profundas: “A Tijuca teve praticamente 100% de mudança. Em estrutura, em evolução, no canto e em tudo na escola. E o samba embalou isso”.

Unidos da Tijuca abre desfile com a infância de Carolina para simbolizar a própria retomada

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O abre-alas da Unidos da Tijuca, intitulado “Aprendendo os Mistérios da Vida – A Crença, o Afeto e o Encontro com as Palavras”, trouxe uma enorme escultura de Carolina Maria de Jesus ainda criança. A impactante e ao mesmo tempo doce imagem buscou mergulhar na infância da escritora para mostrar que, antes de ser um símbolo de denúncia e resistência, ela já foi uma menina cheia de sonhos.

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O carro trouxe elementos que remetem à religiosidade da homenageada e ao ambiente rural em que ela vivia no interior para falar de sua origem. Essa estética também dialogou com o momento em que se encontra a própria escola, que está no processo de retomada da sua identidade.

A passista Ale Jansen
A passista Ale Jansen
FOTO: Carolina Freitas/CARNAVALESCO

A passista Ale Jansen desfilou como destaque na alegoria e definiu a experiência de vir a frente dessa imagem como a representação da luta feminina.

“É um presente muito grande fazer parte não só desse enredo, mas abrir o desfile com uma mensagem de empoderamento feminino, de força, de raça e de luta. Estou vivendo um sonho de infância, pois assim como Carolina, também sonhei primeiro até chegar aqui”, afirmou, emocionada.

Julio Brito
Júlio Brito, de 45 anos
FOTO: Carolina Freitas/CARNAVALESCO

Para o advogado Júlio Brito, de 45 anos, há 15 anos desfilando na Tijuca, abrir o desfile contando o início da trajetória de Carolina condiz com o momento atual vivido pela escola.

“Esse carro representa a infância da Carolina, o começo dos sonhos e das crenças dela, e abrir o desfile com essa imagem é um grande desafio. Hoje, falar de uma mulher preta e periférica em um Carnaval que cada vez mais clama somente por luxo exige coragem, mas o nosso carnavalesco desenvolveu isso brilhantemente, passando a emoção necessária para sustentar o enredo. Quando o samba fala ‘muda essa história’, tem muito a ver com esse momento: o desfile já começa com a Tijuca clamando por essa mudança, por um resgate dos tempos em que estava sempre entre as campeãs, bem colocada. Ao mesmo tempo, essa memória da infância da Carolina se associa à própria escola na relação que ela constrói com sua comunidade, principalmente com as crianças, plantando o amor pelo samba desde cedo. É aqui que essa história começa a ser contada”, detalhou.

Jaqueline Portela
A analista de RH Jaqueline Portela, de 31 anos
FOTO: Carolina Freitas/CARNAVALESCO

A analista de RH Jaqueline Portela, de 31 anos, que também veio como destaque bem a frente do carro, vestindo uma fantasia de criança, concordou com a afirmação que a alegoria conversa com o momento da Tijuca: “Acho que traduz exatamente esse momento da escola, que traz essa retomada mesmo. E acho que a infância tem tudo a ver com isso. Representa a força de sonhar e ir atrás de voltar para o lugar que ela pertence”.

Viradouro traz carro dedicado ao ‘Bonde do Caveira’

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Homenagear mestre Ciça é homenagear a todos os sambistas representados por uma pessoa só. Com sua passagem por escolas como Grande Rio, Unidos da Tijuca e União da Ilha, o diretor de bateria deixa legado e alunos – outros ritmistas e novos mestres. O desfile em homenagem ao ‘professor’ teve lugar especial reservado aos Mestres de todas as escolas do grupo Especial e convidados de Ciça.

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Rodrigo Totti esta ha 18 anos na escola
Rodrigo Totti está há 18 anos na escola
FOTO: Mariana Santos/CARNAVALESCO

O jeito afetuoso de Ciça e a presença constante na Viradouro, no barracão e ao prestigiar o trabalho de outras escolas o faz popular e querido por todos. Para o destaque Rodrigo Totti, há 18 anos na escola niteroiense, o carro alegórico é uma expressão de gratidão ao trabalho do mestre.

“É uma honra representar esse carro onde vêm todos os mestres de bateria, todos os convidados do mestre Ciça. Para mim ele é uma figura viva do Carnaval. Estar aqui no bonde do Caveira é uma gratidão ao mestre Ciça por ele ser essa figura presente na escola, por representar tanto para o nosso Carnaval”, afirmou.

lateral bonde do caveira
Detalhes da alegoria da Viradouro
FOTO: Mariana Santos/CARNAVALESCO

A alegoria era toda em aço e prata e remetia ao material dos instrumentos que compõem uma bateria de escola de samba. Nas laterais, caveiras fazem os movimentos que o Ciça faz ao comandar as bossas, e as peças carregavam as cores das agremiações que ele passou. Os esqueletos têm os olhos flamejando a sonhada nota 10, que Ciça já conquistou diversas vezes. Ao centro, uma caveira ergue uma caixa de guerra, instrumento que é marca do Mestre.

Junior Gabriel veio do interior do Rio de Janeiro para prestigiar o mestre Caveira e acredita que a qualidade das alegorias e a emoção dos componentes mexeram com o público.

“Os carros da Viradouro são feitos com muito critério. Eu acredito que as pesquisas realmente superam qualquer expectativa. Eu tenho visto os detalhes, tenho visto o capricho. Espero que os jurados compreendam a mensagem que a escola está passando neste ano. A gente tem a certeza de que a comunidade vai se emocionar com toda essa plenitude, com toda essa beleza das composições, das alegorias da Viradouro”, declarou.

Cada mestre tem sua metodologia, e Rodrigo opina que o mestre ideal tem um pouco de ‘general’ e também de ‘paizão’, como Ciça é.

“O mestre Ciça é um general, porque ele consegue comandar muito bem todos os componentes da bateria. Não só a bateria, ele é um cara muito presente no barracão. Toda semana ele está lá, sempre acompanhando os carros. Independente dele ser um enredo ou não, ele sempre foi assim. Eu já estou há 18 anos na escola e eu sei que os anos que ele representou, esteve a frente da nossa bateria, ele esteve muito presente. Mas eu, particularmente, acho que tem que ser uma mistura, tem que ter um equilíbrio”, contou.