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Paraíso do Tuiuti apresenta abre-alas com ‘Ilé Ifé’ e transforma a Sapucaí em manifesto de ancestralidade e sabedoria

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Primeira agremiação a desfilar na noite desta terça-feira, o Paraíso do Tuiuti apresentou no carro abre-alas “Ilé Ifé” a origem do conhecimento sagrado de Ifá, conduzido por Orunmila aos primeiros homens na cidade primordial de Ifé. Com cinco elefantes e dois carros acoplados formando um conjunto monumental em branco e prata, a alegoria abriu o desfile do Carnaval 2026, que tem como samba-enredo “Lonã Ifá Lukumi” como um manifesto visual sobre ancestralidade, sabedoria e destino.

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Detalhes do abre-alas do Tuiuti
FOTO: Ana Júlia Agra/CARNAVALESCO

As cores vibracionais remetem à família Funfun, ligada aos orixás primordiais criados por Olodumare, e destacam Orunmila como aquele que testemunhou a Criação. No elefante central, a representação do orixá surge como mestre do conhecimento, ensinando Akodá e Ashedá, sacerdotes que simbolizam a transmissão e a compreensão do saber. Sentados sobre a até, diante do Oponifá, eles recebem os fundamentos que dariam origem aos babalawos, os “pais do segredo”, responsáveis por interpretar os desígnios do oráculo.

À frente, a escultura de Orunmila-Ifá, como um babalawo diante de seu Oponifá, segura o Opelê e o Irukerê, instrumentos sagrados da consulta oracular. O grande Oponifá girando no centro da alegoria remete ao universo e ao tempo, irradiando a luz do conhecimento. Já na segunda parte do conjunto, a “barca” dos primeiros iniciados deixa Ifé para espalhar o Ifá pelo mundo, enquanto a água, elemento essencial nos rituais, surge como metáfora da fluidez da vida e da sabedoria que contorna obstáculos.

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Wesley Gomes, administrador
FOTO: Ana Júlia Agra/CARNAVALESCO

Para Wesley Gomes, administrador, também com uma década de Tuiuti, o impacto vem desde a concepção: “O carro me impressionou, ele é composto por algumas composições que formam toda a estrutura. Pelo trabalho que eu tenho acompanhado desde o ensaio técnico, toda proposta, essa inovação do nosso intérprete Pixulé, cantando o samba a capela para que todo mundo possa aprender o samba, isso é um diferencial e tenho certeza que vamos arrasar”, disse. Ele ainda ressaltou que o impacto visual se consolidou como marca da escola nos últimos carnavais.

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Leonardo Tojeiro, técnico de enfermagem
FOTO: Ana Júlia Agra/CARNAVALESCO

Leonardo Tojeiro, técnico de enfermagem que desfila há três anos, contou que a dimensão do abre-alas surpreendeu até quem acompanhou os preparativos. “O carro está lindo, a cor, os espelhos, a nossa ala vem coreografada, chama bastante atenção. Não imaginava que o carro seria tão grande e iluminado. Tuiuti está investindo bastante, em um momento de crescimento. Ela se tornou uma das grandes e a gente vem para brigar por esse título”, avaliou.

Vinicius Silva 35 representante comercial
Vinicius Silva
FOTO: Ana Júlia Agra/CARNAVALESCO

Também integrante da ala, Vinicius Silva reforçou a percepção de grandiosidade e cuidado nos detalhes: “A riqueza de detalhes do carro, a grandeza dele me impactaram muito. Estamos vindo com garra, com muita vontade de ganhar, vai ser impactante para o público. O Tuiuti vem crescendo, querendo conquistar. Estamos atrás dessa tão sonhada vitória, a cada ano o cuidado, os detalhes aumentam, para que a gente tenha mais empenho na Avenida”, concluiu.

Tuiuti ergue o Ifá como ponte entre povos na Sapucaí

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A Paraíso do Tuiuti abriu os desfiles desta terça-feira de Carnaval na Marquês de Sapucaí em busca de seu primeiro título no Grupo Especial. Com o enredo “Lonã Ifá Lukumí”, desenvolvido pelo carnavalesco Jack Vasconcelos, a escola propôs um mergulho na espiritualidade afro-brasileira e afro-cubana. No quinto carro alegórico, a agremiação apresentou a expansão da rama caribenha que fez do Brasil uma grande Egbé.

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Detalhes alegoria
FOTO: Júnior Azevedo/CARNAVALESCO

Ele simbolizou a presença do Ifá Lucumí em solo brasileiro e sua missão de levar a palavra de Orunmila ao mundo. No alto da alegoria, um globo terrestre formado por esculturas de pessoas de diferentes partes do planeta, concebidas sob estética iorubana, reforçava a ideia de conexão. Acima de todos, a escultura de Orunmila, inspirada na obra de Carybé no Mural dos Orixás, surgia como guia do destino sagrado da paz.

Para falar sobre a importância do enredo, participaram Diogo Andrade, 40 anos, analista de sistemas, estreante na Sapucaí pela Tuiuti; O criador de conteúdo Juninho Silva, também em sua estreia no desfile da escola; e Diego Moreira, 45 anos, professor, com mais de 30 anos de Carnaval — e cinco deles dedicados à agremiação.

A importância de levar a religiosidade cubana para a Avenida

Para Diogo Andrade, a escolha do tema mantém a tradição da escola em abordar questões profundas e atuais. “A Tuiuti tem tradição de trazer enredos políticos. E acho que mais uma vez ela traz isso e é muito importante a gente mostrar isso na avenida. Eu acho que enaltece a cultura”

O criador de conteudo Juninho Silva
O criador de conteúdo Juninho Silva
FOTO: Júnior Azevedo/CARNAVALESCO

Juninho destacou que as diferenças entre Brasil e Cuba diminuem quando se trata de religiões de matriz africana: “Eu não sei se é exatamente tão diferente, inclusive quando se está falando da religião de matriz africana. Então eu acho que a importância é mostrar essas similaridades de perspectiva do religioso que o brasileiro tem em comum com outros povos que também são povos da matriz africana. Então acho interessantíssima essa união”.

Diego Moreira ampliou o debate ao relacionar o enredo com a diáspora africana e sua herança cultural global.

“Eu acho super importante, porque quando a Tuiuti faz essa empreitada de trazer uma outra religiosidade é para poder buscar um entendimento de que a presença africana de todas as pessoas que saíram de diferentes lugares da África contribuíram para a religiosidade não somente brasileira, mas que a gente pudesse ter, pela diáspora e pela luta de todas as pessoas negras envolvidas nesse processo, uma representatividade, um patrimônio cultural que não é só brasileiro, mas acaba sendo mundial”, afirmou.

“Quando você liga Cuba, Brasil, você liga Nova Orleans, você liga lugares diferentes do mundo, você vê como essas pessoas, apesar de terem tido vidas extremamente sofridas, terem tido que lidar com a violência, tiveram que sobreviver do jeito que conseguiam. Elas deixaram um legado que grande parte da música, da dança, das artes de modo geral no mundo bebe dessa fonte até hoje”, concluiu.

A conexão entre povos por meio das religiões de matriz africana

A conexão entre povos por meio das religiões de matriz africana

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FOTO: Júnior Azevedo/CARNAVALESCO

Diogo Andrade ressaltou a necessidade de respeito diante da repetição histórica de perseguições. “A gente percebe que a história se repete ao longo dos países. E é isso que a Tuiuti vai contar um pouco do Ifá em Cuba. Eu acho que a gente deveria prezar mais pelo respeito, pela igualdade. Não importa qual é a religião, a cor, o gênero, o que importa é que são pessoas. A gente deveria respeitar as pessoas, mas não é o que a gente viu no passado e, infelizmente, a gente está vivendo um momento muito triste com relação a isso, tanto no nosso país como em outros países, onde, por diversas situações, as minorias vêm sendo perseguidas. Eu espero que a gente possa ter um futuro melhor”.

Juninho Silva enxergou na religião um caminho de reconhecimento e reencontro. “Eu acho que é a forma como nós, pessoas pretas, nos reconhecemos, apesar de toda a diferenciação social por conta do que a gente absorve como sistema. Então quando a gente está falando da religião, eu acho que é uma forma de que todos nós nos encontramos num caminho de volta para casa. Eu acho que é um pouco disso”.

Carnaval como espaço de união e troca

Ao refletir sobre o papel do Carnaval, Diogo Andrade ponderou sobre as contradições da festa: “O Carnaval é um pouco disso, eu acho que o Carnaval traz isso para a gente, mas ao mesmo tempo eu também acho que tem um lado comercial no Carnaval que também dá uma separada. Quando você vê, por exemplo, camarotes, essa união não é tão grande como você vê no desfile. E eu gosto muito do desfile, gosto muito da arquibancada, porque eu acho que traz essa união de povos e uma igualdade. Todo mundo é igual naquele momento e pode ser feliz, cantar e aproveitar”.

Juninho acredita que a essência da festa está sendo retomada: “A perspectiva do Carnaval sempre foi essa, de união de povos. Eu aprendi a gostar do Carnaval através desse ponto de vista. Infelizmente ele andou por algum tempo se perdendo, mas eu acho que ele está tentando voltar para casa. Então eu acho bacana isso”.

Diego Moreira 45 anos
Diego Andrade
FOTO: Júnior Azevedo/CARNAVALESCO

Diego Moreira reforçou o papel histórico da festa como espaço de resistência e representatividade: “Com certeza. Toda a nossa musicalidade vem de uma matriz africana, de matriz indígena, nesse lugar de sobrevivência, de muitas mulheres que estavam envolvidas no passado e homens também que resistiram dentro desses projetos no nosso país que não incluíram essas pessoas”, afirmou.

“Foi através do Carnaval que ergueram a representatividade, mesclando culturas e dando um dos maiores patrimônios mundiais que é o Carnaval carioca”, concluiu.

Paraíso do Tuiuti 2026: galeria de fotos do desfile

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Sob as cores de Eleguá, Tuiuti pede caminhos abertos na Sapucaí

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O Paraíso do Tuiuti abriu os desfiles da terça-feira de Carnaval na Marquês de Sapucaí em busca do primeiro título no Grupo Especial. Com o enredo “Lonã Ifá Lukumí”, desenvolvido pelo carnavalesco Jack Vasconcelos, a escola destacou a força da espiritualidade afro-brasileira e afro-cubana.

Na ala 20, a reverência foi dedicada a Eleguá, orixá mensageiro de Olodumare e dos demais orixás, responsável por conduzir ebós e pedidos aos deuses e guardião das chaves da prosperidade.

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ANTONIO MIDON
Antônio Midon. Foto: Júnior Azevedo/CARNAVALESCO

Representado pelo vermelho, símbolo de vitalidade, e pelo preto, ligado ao mistério, Eleguá marca a abertura dos caminhos e a circulação do axé.

Para falar sobre fé, destino e pedidos, participaram Antônio Midon, carnavalesco há mais de 50 anos e estreante na Tuiuti; Wellington Marques, 43, servidor público, há cinco anos na escola; e Bruna Davi, 38, médica, em sua segunda participação pela agremiação.

Fé e atitude para abrir caminhos

Questionado sobre a necessidade de agir para que os caminhos se abram, Antônio Midon destacou o papel da fé. “Eu acho que é questão de fé. Levando em consideração a fé, a gente tem que estar sempre pedindo o melhor para você e para todos. Desde o momento que você peça isso, acaba acontecendo. Abre os seus caminhos e também daqueles ligados a você”, afirmou.

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Wellington Marques, 43 anos, servidor público. Foto: Júnior Azevedo/CARNAVALESCO

Wellington Marques também relacionou fé e ação. “Sobretudo fé. Se a gente acredita, as coisas acontecem. Mas eu acho que quando a gente tem fé e a gente age em nome dessa fé, as coisas tendem a acontecer”, disse.

Para Bruna Davi, além da espiritualidade, é preciso discernimento nas escolhas diárias. “Eu acho que primeiramente estar aberto a energias positivas e tentar tirar o que não presta, porque a gente sente quando não presta. Então, saber quem está ao teu redor, saber como se comunicar com as coisas ruins e tirá-las de perto ajuda bastante”, afirmou.

Pedidos pessoais aos deuses

Ao falar sobre o que pediria aos deuses, Antônio Midon foi direto. “Para a minha vida? Saúde e felicidade. Só isso. Continuar com disposição para continuar brincando”, disse.

Wellington Marques seguiu a mesma linha. “Saúde. Se você tem saúde, você tem tudo. Você tem disposição para seguir em frente e lutar pelos seus ideais”, afirmou.

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Bruna Davi, 38 anos, médica. Foto: Júnior Azevedo/CARNAVALESCO

Bruna Davi fez um pedido voltado ao autoconhecimento. “Discernimento para fazer escolhas. Quando a gente está insistindo em uma energia que não é legal para a gente, deixamos o mal persistir perto da gente. Entender o que faz bem e o que faz mal”, disse.

O que pedir para o Tuiuti

Quando o assunto foi a escola, Antônio Midon demonstrou experiência e cautela. “Hoje, para a Tuiuti, que no mínimo a gente voltasse entre as seis. Se ganhar melhor ainda, mas a competição a gente sabe que não depende só da gente, depende de uma série de circunstâncias que, para quem brinca Carnaval há mais de 50 anos como eu, sabe que não é só fazer um bom Carnaval”, afirmou.

Wellington Marques foi mais enfático. “Eu pediria o campeonato. A escola merece”, disse. Ao ser questionado se dá para sonhar, respondeu: “Já dá para sonhar”, concluiu.

Bruna Davi destacou a confiança da ala. “Eu não sei se o campeonato a gente pode pedir de primeira, mas eu imagino que desfilar no sábado pela primeira vez vai ser muito bacana e está todo mundo muito confiante que sábado a gente está aqui porque ninguém vai deixar a fantasia aí. Isso é um combinado da ala inteira”, afirmou.

Fragmentos, restos e papéis: Tijuca retrata a favela do Canindé em alegoria

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Homenagem à Carolina Maria de Jesus encerrou a segunda noite de desfiles do Grupo Especial com uma mensagem de pertencimento periférico e luta feminina, que é o que a vida de Carolina reflete. A alegoria 03, “Canindé: restos que viram memória”, retratou a favela que a escritora viveu e descreveu em seu livro “Quarto do Despejo”. A alegoria aponta que, mesmo em meio a precariedade, a favela consegue se transformar e destacar.

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Terceira alegoria da Tijuca intitulada “Canindé: restos que viram memória”. Foto: Maria Estela Costa/CARNAVALESCO

A engenheira Débora Felizardo, de 34 anos, está em seu primeiro ano pela Tijuca. Ela destaca que Carolina, através de suas vivencias, assumiu o compromisso de mostrar uma realidade que é invisibilizada pela sociedade. 

“Esse carro, além de mostrar as dores de viver na Favela do Canindé, ele também mostra muita esperança através do livro dela. O carro vai ter páginas que a gente vai estar passando ao longo da avenida, as frases do livro dela. E é essa a mensagem, que a favela vence e, através da Carolina, a gente pode mostrar isso”, declarou Débora. 

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Débora Felizardo, de 34 anos, engenheiro. Foto: Maria Estela Costa/CARNAVALESCO

O diretor de teatro, Ribamar Ribeiro, de 47 anos, está desfilando pela primeira vez na Tijuca a convite do carnavalesco, ele esteve como um dos destaques da alegoria. Ele contou que se identifica com a escrita de Carolina por ser cria da comunidade do Jacarezinho e, neste carro, a ideia é fazer um balance entre momentos densos e os livres e descontraídos presentes no cotidiano dos periféricos.

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Ribamar Ribeiro, 47 anos, diretor de teatro. Foto: Maria Estela Costa/CARNAVALESCO

“Reescrever, na verdade, uma história que é escrita todos os dias. É cotidiano. A gente ainda tem muitas ‘Carolinas Maria de Jesus’ em diversos locais, que não são descobertas, que às vezes precisam de uma legitimação. E a gente percebe que não precisa, porque elas sabem escrever independente do grau de escolaridade, qualquer coisa, porque a literatura, a arte, a poesia nasce dentro de cada um de nós e isso é um direito humano”, enfatizou Ribamar. 

Nívia Nascimento, atriz de 41 anos, também esteve em seu primeiro desfile pela agremiação e estava emocionada pelo acolhimento da comunidade da Tijuca. Ela destacou a importância de levar esse enredo para Avenida, contar o que foi, e ainda é, a realidade de muitos brasileiros, sobretudo, para os turistas. 

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Nívea Nascimento, 41 anos, atriz. Foto: Maria Estela Costa/CARNAVALESCO

“Nesse período a gente recebe muitos visitantes estrangeiros que têm superficialmente uma visão do que é uma comunidade, de como vive um pobre, é muito superficial. Colocar um enredo desse na avenida é contar um pouco sobre a nossa história e como a gente cresceu. A gente não é mais isso. Conseguimos ultrapassar, mas um dia a gente foi isso aqui. Essa é a nossa história. É importante saber de onde nós viemos e aonde a gente quer chegar”, destacou Nívia.

Ressignificação e reverência: Viradouro homenageia Luma de Oliveira em ala

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A Viradouro reviveu um momento histórico e polêmico da carreira de Ciça. Em ‘Sete Pecados Capitais’, de 2001, a bateria “Furacão” se ajoelhou aos pés da rainha Luma de Oliveira, que protagonizou outros momentos icônicos ao lado do mestre em sua passagem pela escola. O desfile resgatou diversos momentos marcantes da vida do Mestre, e o feito foi recriado pela ala coreografada, vestida com fantasia inspirada em looks icônicos da musa.

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Mariana Vidal. Foto: Mariana Santos/CARNAVALESCO

O grupo de mulheres poderosas pode ser visto de longe. Cabelos longos padronizados para todas, unidos acima, na cabeça da fantasia. Costeiro vermelho, e muito ouro no biquíni que imita o modelo que foi usado por Luma diversas vezes à frente da bateria de Mestre Ciça. 

E em referência a outro momento histórico do Carnaval, a icônica coleira de Luma, agora, com o nome de Ciça. As componentes relatam o sonho de se verem como musas.

“É a realização de um sonho, porque querendo ou não, a gente não vem como destaque de Musa, mas só mais uma ala de Musa. E a Luma de Oliveira é um grande nome, uma grande representação de rainha”, disse Mariana Vidal.

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Maria Claudia. Foto: Mariana Santos/CARNAVALESCO

O momento também foi de ressignificação. No auge dos anos 1990, Luma de Oliveira era referência de beleza: modelo, magra, pele branca e longos cabelos ondulados. Na Viradouro de 2026, as musas representam a diversidade da comunidade niteroiense e se revelam como grande trunfo da proposta.

“A ala Pecado Capital homenageia a Luma de Oliveira, uma mulher que foi modelo, uma mulher de pele branca, mas a Viradouro entrou no contexto da diversidade, de não ter só mulheres brancas. Tem mulheres de todos os corpos, mulheres de todas as cores, de todas as idades, isso que faz nossa ala ficar grandiosa”, declarou a componente Maria Claudia.

Maria, que desfila desde 1992 na agremiação, retornou cheia de sorte no campeonato “Arroboboi, Dangbe!”, em 2024. A oportunidade de desfilar representando uma musa, revela a possibilidade de olhar para si de outras formas, sob a ótica do protagonismo.

“Eu sempre venho em aula coreografada e nunca pensei vir como musa, como passista, que é o grande sonho de muitas mulheres, nunca pensei estar nesse protagonismo. E estando hoje, a gente se sente muito grandiosa”, compartilhou.

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Priscila Ribeiro. Foto: Mariana Santos/CARNAVALESCO

A ala também evidência a relação afetuosa de Ciça com as mulheres que estiveram à frente da Bateria. Juliana Paes, Erika Januza, Luma de Oliveira são símbolos também do afeto que o mestre dos mestres tem com a comunidade da Viradouro.

Priscila Ribeiro, 32 anos, desfila na Viradouro desde os 9 anos de idade. Foi passista, se afastou da ala por 3 anos, e chegou a tocar tamborim na bateria do Mestre. Ao longo de sua história, testemunhou de perto a relação de Ciça com todos os componentes. Ela afirmou que a conexão de Ciça com as rainhas é um reflexo de seu vínculo com a comunidade.

“Ele tem uma relação muito boa não só com as rainhas, mas com todos nós da escola. E com as rainhas eu acho que deve ser melhor ainda, porque estão direto ali o tempo todo com ele, então deve ser perfeito. Ele é uma pessoa muito simpática, ele zoa, ele brinca. Quando eu fazia shows e o encontrava, ele me chamava de “minha criança”, porque como eu falei, eu desfilo desde de criança, então tentei vir na bateria uma vez tocando tamborim, mas cansei”, finalizou.

Axé que ecoa dos tambores! Viradouro exalta fé e ancestralidade em carro místico

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Sob o som dos atabaques e envolta por serpentes e símbolos das águas sagradas, a Unidos do Viradouro fez da fé um espetáculo na Marquês de Sapucaí. Terceira escola a desfilar na segunda-feira, a vermelho e branco de Niterói levou para a Avenida o enredo “Para cima, Ciça!”, homenagem ao mestre de bateria que marcou gerações. 

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Quarta alegoria da Viradouro intitulada “Atabaque Mandou Te Chamar”. Foto: Júnior Azevedo/CARNAVALESCO

No quarto carro, “Atabaque Mandou Te Chamar”, a agremiação mergulhou no misticismo afro-brasileiro para celebrar a proteção espiritual dos tambores e reafirmar a força do axé na busca por mais um título. O desfile teve assinatura do carnavalesco Tarcísio Zanon, com texto do enredista Gustavo Melo.

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Egili Oliveira, 45 anos, professora de afro-samba. Foto: Júnior Azevedo/CARNAVALE

Entre os desfilantes da alegoria estavam Egili Oliveira, de 45 anos, atriz, professora de afro-samba, empreendedora e produtora cultural, que desfila na escola desde 2018; Luciana Santos, de 23 anos, educadora infantil e estreante na agremiação; e Ruth Silva, de 26 anos, quiropraxista e massoterapeuta, também em seu primeiro desfile pela Viradouro.

Energia dos atabaques e conexão espiritual

A presença dos atabaques como fundamento religioso marcou o setor dedicado ao axé da bateria, reunindo serpentes e seres híbridos que dialogam com o vodun Dangbé, campeão em 2024, e com as águas de Oxum.

“Com certeza, eu tenho uma conexão muito grande com os atabaques. Eu já fui rainha de bateria e teve um ano que eu tinha uma coreografia dentro da bateria e quando o atabaque toca, o meu corpo se arrepia todo, parece que eu entro em transe. E acredito que quando eu subir nesse carro não vai ser diferente”, afirmou Egili Oliveira.

Já Luciana Santos foi direta: “Eu sou uma pessoa que também sou do candomblé e acho que sem o atabaque não tem axé”.

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Ruth Silva. Foto: Júnior Azevedo/CARNAVALESCO

“Realmente remete à ancestralidade, eu sinto que é algo mais forte, mais quente. Eu gosto bastante. Eu acho que é outra sensação estar dentro desse carro. Passa várias coisas na nossa cabeça. Tem o dragão ali meio que soltando fogo, tem vários elementos, eu acho que transmite algo muito forte. Acho que passa uma mensagem bastante forte”, concluiu Ruth Silva.

Serpentes e o símbolo da vitória

As serpentes presentes na alegoria fazem referência direta ao desfile campeão de 2024, reforçando a ideia de continuidade e proteção espiritual na busca por mais um título.

Egili aposta na superstição. “É muito bom vir em um carro que traz um amuleto como esse. Me deixa muito esperançosa. É a sensação de que a gente vai voltar campeã”, afirmou.

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Luciana Santos. Foto: Júnior Azevedo/CARNAVALESCO

“Para mim é uma honra. É muito bom representar, ainda mais o ano em que ela foi campeã. É sempre maravilhoso ressaltar”, disse Luciana.

“Eu acho que nada é em vão. Eu acho que estava escrito, eu acho que tem algum propósito. É meu primeiro ano na escola de samba, eu já estou sentindo que vai dar bom, estou sentindo. Vindo nesse carro então, quando eu vi o carro eu já me arrepiei, eu falei: ‘Gostei desse carro’. Já tinha olhado antes de saber que era meu, já gostei”, afirmou Ruth.

Rituais de fé e proteção antes do desfile

O discurso sobre “macumba na Avenida” ganhou contornos pessoais nos relatos sobre os rituais de fé realizados antes de entrar na Sapucaí.

“Com certeza, eu fiz minhas firmezas. Eu sou macumbeira mesmo, não nego. Eu sou bisneta de feiticeiro, sou neta de mãe de santo e eu faço minhas proteções, com certeza, porque eu acho que é muito importante a gente estar lidando com energias. A gente está falando de ancestralidade também e, com certeza, a gente precisa conversar com o sagrado antes de pisar numa avenida ou subir num carro onde tem tambores”, afirmou Egili.

Luciana também não abre mão de seu ritual de fé.“Eu tenho a minha proteção de carnaval, que eu faço no meu terreiro junto com a minha mãe de santo. Porém, quando eu venho, eu venho pedindo Oxum, que é minha mãe, e Oxóssi, sempre proteção para guardar e que a gente vença esse ano”, explicou.

Ruth, por sua vez, tem sua mania, mas de forma menos espiritualizada. “Meu ritual antes de desfilar é começar a sambar e cantar o hino. Esse é o meu ritual”, concluiu.

Mocidade Alegre vence Carnaval SP 2026 e fica a três conquistas de se tornar maior campeã do Grupo Especial

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“Consagração!”. A primeira palavra do samba-enredo da Mocidade Alegre no Carnaval de São Paulo 2026 é capaz de definir o que viveu o torcedor da morada na tarde desta terça-feira.

Foi uma apuração com mais altos que baixos para a escola do Limão. Em nenhum momento a Morada se distanciou das três primeiras colocações. Ao final da leitura do último quesito, a festa já estava decretada e o troféu tinha destino certo.

Após a conquista, a Mocidade Alegre chega a 13 títulos na elite do carnaval paulistano. De 2000 a 2026, foram 9 estrelas bordadas no pavilhão da agremiação.

Veja o top 5 de maiores campeãs do Carnaval de São Paulo

1- Vai-Vai: 15 títulos
2- Mocidade Alegre: 13 títulos
3- Nenê de Vila Matilde: 11 títulos
4- Camisa Verde e Branco: 9 títulos
5- Rosas de Ouro: 8 títulos

Apenas mais duas conquistas separam a Mocidade Alegre de empatar com o Vai-Vai. Se isso vai acontecer a longo ou a curto prazo, o tempo irá nos dizer. Hoje, é dia de comemorar.

Dudu Teixeira sobre título da Mocidade: ‘Ninguém trabalha mais que a gente’

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Na tarde desta terça-feira a Mocidade Alegre comemorou o 13º título de sua história. Desta vez, a escola do Limão venceu por apenas 0,1 décimo de diferença para os Gaviões da Fiel. Em terceiro lugar vem a Dragões da Real, com 269,6 décimos.

++ CONFIRA A CLASSIFICAÇÃO GERAL DO CARNAVAL DE SÃO PAULO 2026

Em meio as comemorações, a equipe do CARNAVALESCO conversou com Dudu Teixeira, integrante da comissão de carnaval da Mocidade Alegre. Em êxtase com o campeonato, o dirigente falou sobre o trabalho realizado durante o ano pela agremiação.

“A sensação de ser campeão sempre muda. Carnaval é cíclico, cada ano muda uma coisa. Ano passado tivemos problemas na pista e perdemos pontos merecidos. Este ano, mesmo com a troca de sistema de pastas, nós trabalhamos muito. Não tem ninguém que trabalha e ensaia mais que a gente. A comunidade do Limão, Lea Garcia, o povo preto merece isso”.

Dudu também falou sobre o histórico da Mocidade Alegre nas últimas duas décadas.

“A gente não tem férias. Chega três meses do carnaval é reunião todo dia. O título é resultado de muito trabalho. São 21 anos, 9 títulos, 18 vezes no pódio. Solange é uma grande líder uma mãe para todos nós”.

++ VEJA A EMOÇÃO DO CARNAVALESCO CAIO ARAÚJO

Se o carnaval anualmente gera uma imagem específica que circula o mundo inteiro pelas redes sociais, a deste ano é a da alegoria com a figura de Iemanjá, no terceiro carro da Mocidade Alegre. Dudu Teixeira destacou dois momentos que ficarão na memória do torcedor.

“O nosso ponto alto é o apagão da Ritmo Puro e o carro três, com a figura gigante de Iemanjá, que furou a volha do carnaval. Estive no Rio e todo mundo falava do carro. É um mérito do Caio, que mudou a concepção artística da escola. Mudou a estética e acho que vai mudar o carnaval de São Paulo. É um menino jovem, que agora também é campeão do carnaval”, finalizou.

 

Caio Araújo dedica título à comunidade da Mocidade Alegre: ‘Tudo o que a gente faz é por eles e para eles

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Conhecida por dar oportunidades a novos talentos, a Mocidade Alegre consagra mais um artista da nova geração. Caio Araújo, que assina apenas seu segundo desfile na Morada do Samba, se tornou campeão junto com a escola.

++ CONFIRA A CLASSIFICAÇÃO FINAL DO CARNAVAL DE SÃO PAULO 2026

Ele coloca o primeiro título do Grupo Especial na carreira. E a Mocidade, o 13º em seu pavilhão recheado de estrelas e desfiles históricos.

Após a leitura da última nota e viver o ápice na vida de um carnavalesco, a coroação de um ano inteiro de trabalho com o título, Caio conversou com a equipe do CARNAVALESCO e dedicou o troféu para a comunidade da escola. Que, segundo ele, o abraçou desde o quarto lugar conquistado em 2025.

“Não sei descrever o que estou sentindo, é tudo muito doido. Foi um ano de trabalho intenso, não foi fácil colocar Malunga Lea na avenida. Era um projeto gigantesco, com muita coisa acontecendo. Quando saímos da avenida e tudo tinha ocorrido como planejamos deu aquela sensação de alívio. Hoje é uma alegria que não sei explicar. A Lea ganhou o que ela merecia. Ganhou no dia que desfilamos e hoje o troféu. Nossa comunidade merecia mais do que nunca. Mesmo com a colocação do último ano eles me abraçaram. Neste ano nós devolvemos para a comunidade. É por eles e para eles”, dedicou Caio Araújo