O Águia de Ouro anunciou sua dupla de carnavalescos para o próximo Carnaval. Em evento de feijoada na comemoração de aniversário, a agremiação chamou ao palco os artistas Alexandre Louzada e Chico Ângelo. O renomado carnavalesco carioca tem história em São Paulo. No Vai-Vai, ele assinou dois títulos, sendo os famosos desfiles “A música venceu” e “Simplesmente Elis” (2011 e 2015). Ainda em terras paulistanas, Louzada tem passagens pela Unidos de Vila Maria e pelo Império de Casa Verde.
No Rio de Janeiro, o profissional coleciona títulos, sobretudo na Beija-Flor de Nilópolis, onde conquistou três taças.
O outro carnavalesco anunciado foi Chico Ângelo, uma das revelações de São Paulo. Ele teve sua estreia no segmento no último Carnaval, quando idealizou o desfile em homenagem ao Seu Carlão, na Unidos do Peruche. Na ocasião, a Filial do Samba ficou na terceira posição do Grupo de Acesso 2. O artista também teve um longo trabalho na coordenação artística da Dragões da Real.
Veja a declaração de Chico, feita em vídeo postado em suas redes:
“Hoje é um dia daqueles em que o coração fala mais alto do que qualquer palavra. Depois de uma caminhada intensa, feita de desafios, vitórias e muito amor, é hora de dar um novo passo que me enche de orgulho, responsabilidade e emoção. São mais de 30 anos vivendo e trabalhando com Carnaval, e agora é hora de assumir um novo rumo. Uma nova casa me acolhe. Uma escola densa, vitoriosa e com uma comunidade extremamente apaixonada. A vida tem me dado a chance de transformar sonhos em realidade, e este é mais um que se realiza. Eu sigo com os pés no chão e o olhar no horizonte, pronto para realizar um desfile que emocione, encante e que honre a cada um dos componentes”.
A Unidos de Vila Isabel anunciou neste sábado o título do enredo que levará para a Sapucaí no Carnaval 2026. Em “Macumbembê, Samborembá: Sonhei que um Sambista Sonhou a África”, a escola homenageará Heitor dos Prazeres, a quem é atribuído a criação dos termos “Pequena África” e “África em miniatura” para se referir à região da antiga Praça Onze. Foi ali que o samba carioca cresceu e se consolidou, em pontos como o terreiro de Tia Ciata e a Pedra do Sal, onde a agremiação aconteceu o evento de lançamento do enredo. O tema será desenvolvido pela dupla de carnavalescos Gabriel Haddad e Leonardo Bora.
Veja o vídeo divulgado pela @gres_vilaisabel sobre seu enredo para o Carnaval 2026. A escolha levará para Avenida o enredo “Macumbembê, Samborembá: Sonhei que um Sambista Sonhou a África!”, que será desenvolvido pelos carnavalescos Gabriel Haddad e Leonardo Bora.#vilaisabel… pic.twitter.com/ffXRWkIfZt
A Vila Isabel divulgou o texto, lido pelo carnavalesco Leonardo Bora, parceiro de Gabriel Haddad, no lançamento do enredo da escola para o Carnaval 2026. A escola levará para Avenida o enredo “Macumbembê, Samborembá: Sonhei que um Sambista Sonhou a África!” Confira abaixo o texto.
“O enredo que eu, a Unidos de Vila Isabel, sonhei e vou contar a vocês celebra as memórias e os percursos de “um homem do povo”, multiartista, sambista, inventor, embaixador, sonhador de uma nova-velha África, uma África que se abraça no coração do Rio de Janeiro. Os lugares e as gentes sonhados por ele reinventam ritos e ritmos – uma África imaginada, bordada em estamparias, pintada em poemas, telas e partituras. Um reino desenhado a mão, com roupas vistosas e casas coloridas, onde as pessoas se reúnem para sambar, brincar, comer, jogar, gingar, fazer macumba! Um lugar que não é necessariamente “pequeno”, mas do tamanho do mundo: uma “África em miniatura”, múltipla, muitas “Pequenas Áfricas”, unidas e conjuntas, conectando centros e periferias, morros e roças, jongos e cateretês, frevos e capoeiras, caboclos e pretos-velhos.
Tudo é sonho, ao som dos tambores! Tudo vibra, nos estandartes que giram: Ranchos, Blocos, Cordões, Escolas de Samba. O “Afro-Rei-Pierrô” que brindou com Noel Rosa! O sambista mais elegante, a quem Drummond dedicou a pena – o mesmo autor de “Sonho de um Sonho”, poema que eu já cantei! Sonhador que seguiu mundo afora, cruzando o azul-oceano, nas claras nuvens do sonho, tocar o Continente-Mãe. Eu fui contigo, meu Mano, em direção ao Primeiro Festival Mundial de Artes Negras, realizado em Dakar, no Senegal. E vou novamente agora, rumo ao próximo carnaval, na Marquês de Sapucaí, artéria da Praça Onze! “Nossa Escola de Samba”, o título do filme que levou o branco e o azul à África, é um canto quilombola e um convite ao sonho. Pertencimento, reflexo. Venham sonhar comigo, sambistas de todas as partes! Venham sonhar conosco! Eu, a Vila, terra de Martinho e Noel, mistura de Boulevard e Morro, Macacos e Pau da Bandeira, sou também a terra de Lino, a terra do Ogã Alabê de Ciata, a terra de Heitor do Cavaco, a terra de Heitor dos Prazeres! Macumbembê, Samborembá: Sonhei que um Sambista Sonhou a África! Axé, Evoé, Saravá!”
Veja o vídeo divulgado pela @gres_vilaisabel sobre seu enredo para o Carnaval 2026. A escolha levará para Avenida o enredo “Macumbembê, Samborembá: Sonhei que um Sambista Sonhou a África!”, que será desenvolvido pelos carnavalescos Gabriel Haddad e Leonardo Bora.#vilaisabel… pic.twitter.com/ffXRWkIfZt
Porta-bandeira da Grande Rio, Taciana Couto revelou ao CARNAVALESCO os desafios e a emoção vividos ao cruzar a Marquês de Sapucaí grávida durante o desfile da Tricolor de Duque de Caxias neste ano. Ao lado do mestre-sala Daniel Werneck, a dupla buscou a nota máxima e enfrentou uma preparação cercada de expectativas e cuidados especiais.
Taciana descobriu a gestação em meio ao período mais intenso dos ensaios e ajustes finais para o desfile. A notícia trouxe uma mistura de alegria e apreensão, como contou a porta-bandeira, que foi amparada pela escola em todo o processo.
“Foi uma emoção única descobrir que seria mãe. Por muito tempo, achei que não poderia engravidar, então foi uma bênção, mas no meio do caos que é a preparação para o Carnaval. Vieram muitas dúvidas, muitos questionamentos sobre como funcionaria dali em diante. Mas, graças a Deus, a escola me abraçou, me deu o suporte necessário, colocou profissionais qualificados ao meu redor e confiou que eu poderia continuar executando meu trabalho”, disse a porta-bandeira da Grande Rio.
A fantasia usada por ela foi adaptada especialmente para a ocasião, com ajustes feitos pelos carnavalescos Gabriel Haddad e Leonardo Bora, que atuaram na criação de uma indumentária mais leve, respeitando o momento da porta-bandeira. Taciana também compartilhou a emoção de pisar na avenida levando consigo s filha que está por vir.
“O coração ficou apertado. Era um desafio imenso, algo que a gente não sabia exatamente como iria acontecer. Lutamos até o fim pela nota, mas sabíamos que era uma situação delicada. O medo sempre existiu, porque tudo era uma incógnita com relação à gestação. Mas foi muito especial. Foi mágico viver isso, e com certeza vou contar essa história para minha filha”, afirmou.
Foto: Allan Duffes/CARNAVALESCO
Pensando já no Carnaval 2026, Taciana projeta um breve retorno aos preparativos. Segundo ela, se tudo seguir conforme o esperado, em até dois meses estará de volta aos treinos com o parceiro Daniel Werneck.
O mestre-sala, por sua vez, recordou a surpresa ao receber a notícia da gravidez e destacou o sentimento de parceria e responsabilidade redobrada ao dividir a avenida com Taciana neste momento tão marcante.
“Quando ela me contou, fiquei surpreso. A gente leva um baque, mas fiquei muito feliz por ela, porque sei que ser mãe é o sonho de muitas mulheres. Abracei a causa desde o início. Entramos na avenida juntos, conscientes da responsabilidade em dose tripla, e conseguimos trazer um bom resultado para a escola”, disse Daniel.
O Morro da Casa Verde anunciou a renovação do intérprete Wantuir e, com essa permanência, será o terceiro ano do cantor carioca na Verde e Rosa da Zona Norte. O ano de 2025 ficou marcado por um belo desempenho do samba-enredo do Morro, com o cantor contribuindo para o acontecimento. Com enredo definido, a escola caminha para quase todos os setores concluídos entre renovações e contratações. Em 2026 a agremiação irá abordar a história de Santo Antônio, popular santo da igreja católica. Veja a nota:
O Morro da Casa Verde renova com Wantuir para o Carnaval 2026!
Um intérprete que é mais que um puxador de samba: é história, é emoção, é raiz.
Seguimos firmes na trilha da excelência, com o canto que embala nossa comunidade e emociona a avenida.
A Estrela do Terceiro Milênio irá permanecer com a sua dupla de sucesso para o Carnaval 2026. Grazzi Brasil e Darlan Alves vão para o terceiro ano juntos no comando do carro de som da escola. A cantora já vai para o seu quinto ano no Grajaú e fez parceira com outros intérpretes, enquanto Darlan estreou no ano de 2024. Vale destacar que Grazzi é uma das únicas mulheres que tem destaque em uma ala musical do carnaval paulistano, aparecendo como intérprete oficial. Em anúncio separado, Terceiro Milênio celebrou o quinto ano de Grazzi.
“Grazzi Brasil segue para o seu 5° ano no Grajaú. A única intérprete oficial feminina do Carnaval de São Paulo continuará no Terreirão da Coruja!
Paralelamente ao Carnaval, Grazzi segue com sua carreira solo como cantora de samba e, neste ano, celebra 25 anos da sua trajetória na música. Começou aos 13 anos, em uma banda de samba-rock, depois foi cantar nas rodas de samba e não parou mais. Fez musicais, participou de programas de TV, lançou dois CD´s e um EP e segue fazendo shows.
No Carnaval, Grazzi começou no Vai-Vai em 2017, cantou nas cariocas São Clemente e Paraíso do Tuiuti e, em 2022, chegou na Milênio, para assumir o microfone oficial e como uma das homenageadas do enredo”.
Em outra postagem, a agremiação comemorou a renovação do cantor Darlan Alves.
“Renovado!
Eu não tô acreditandooooooo!!!”
Quem não lembra da nossa paradinha do samba durante o desfile que viralizou na redes sociais quando Darlan soltou a emoção ao ver a reação da galera vibrando na monumental e nas arquibancadas do Anhembi?! Foi de arrepiar!!
E, em 2026 , teremos mais momentos incônicos como este!
Isso porque Darlan Alves fica para o projeto 2026 e segue como intérprete oficial pelo 3° ano. Parabéns, Darlan! Muito sucesso em mais um grande projeto da nossa escola.
Além de ser uma das maiores vozes do nosso Carnaval, Darlan também é compositor de mais de 40 sambas-enredo e é idealizador do Samba-Enredo Social Club, único projeto em São Paulo que exalta sambas, cantores e compositores”.
Sidnei Carrioulo encerrou seu mandato na Liga-SP depois de cinco anos. Na época, quando era vice-presidente, o mandatário assumiu interinamente durante a pandemia, após a saída do ex-presidente Paulo Sérgio Ferreira. Em nova votação realizada no ano de 2023, Carrioulo foi eleito e teve como vice-presidente Renato Remondini (Tomate), que atualmente ocupa o cargo de presidente. Durante o triênio, o presidente do Águia de Ouro buscou implementar diversas inovações na entidade. Em conversa com o CARNAVALESCO, Sidnei Carrioulo falou sobre sua gestão e elencou os feitos positivos.
Sidnei Carrioulo avaliou sua gestão como positiva e enumerou diversas ações realizadas por sua equipe durante o mandato, com ênfase nos feitos na Fábrica do Samba. “Eu não gosto muito de falar de mim mesmo em relação a isso, mas é só olhar o carnaval. Na pandemia, conseguimos, de uma forma ou de outra, fazer com que as agremiações sobrevivessem durante aquele período. Concluímos a Fábrica do Samba, o que proporcionou uma igualdade de disputa para as escolas do Grupo Especial. Mudamos a sede da Liga-SP para a Fábrica, o que nos ajudou muito. Tornamos a Fábrica um polo cultural, com diversos eventos — inclusive festas além do samba. Conseguimos nos aproximar da Universidade Zumbi dos Palmares, que tem uma relevância importantíssima nos dias de hoje. Houve muitas ações que realizamos; eu nem me lembro de todas de cabeça”, disse.
Busca pela inovação
Uma das ideias que se destacaram e teve apelo popular foi a nomeação das alamedas da Fábrica do Samba, que hoje se chama Complexo Deolinda Madre. Além disso, cada parte do local simboliza uma rua com os nomes dos principais baluartes do samba paulistano. Outro destaque foi o desfile das crianças, realizado antes do início das apresentações do Grupo de Acesso 2, prática que há muito tempo se desejava implementar. “Colocamos os nomes nas alamedas e na Fábrica do Samba, criamos o departamento da velha guarda e acumulamos várias iniciativas. Inovamos nos dias de desfile, instalamos um telão atrás das arquibancadas, transformando o espaço em praça de alimentação e permitindo a circulação do público. Foi uma espécie de boulevard”, comentou Sidnei.
Preferência pelo anonimato
O mandatário afirmou que não gosta de aparecer na internet para evitar críticas. Ele prefere ser julgado apenas pelos integrantes do Águia de Ouro. Sua postura é pautada no trabalho e na execução. Ainda segundo o presidente, houve um afastamento em relação à sua escola devido aos compromissos com a Liga-SP, mas, com o fim do mandato, está retornando com toda a vontade. “Estou plenamente satisfeito e não sou muito de conversa. Para eu me manifestar na internet é difícil. Qualquer coisa está sujeita a julgamento. Quero ser julgado apenas pelo povo da minha escola. O problema é que venho de outra linhagem. Tenho quase 70 anos e meus parceiros hoje já não estão mais aqui. Hoje, todo mundo se tornou especialista sem sequer ter desfilado em uma escola de samba. Prefiro me isolar; nunca gostei de aparecer. Meu negócio é trabalhar, correr atrás e executar. Foi isso que fiz na Liga-SP. Abandonei um pouco minha escola, e agora estou retornando com força total”, declarou.
Competência e apoio para a nova gestão
O presidente acredita que Tomate, seu vice no último triênio, e Alexandre Furtado são pessoas competentes para ocupar o cargo. Sidnei aposta no sucesso da nova gestão e afirma que é necessário oferecer total suporte para que tudo caminhe de forma correta. “Acho que eles vão deixar a marca deles. Muita coisa acredito que será mantida, até porque o Tomate esteve o tempo todo ao meu lado. Acredito tanto no Tomate quanto no Alexandre. São pessoas competentes. Agora, precisamos dar todo o apoio necessário. Não adianta cobrar e não apoiar. Precisamos cercá-los, dar ideias, compartilhar e sempre caminhar para a frente”, concluiu.
Majestade máxima da Corte Real dos carnavais de 2024 e 2025, Kaio Mackenzie é o novo reforço da Unidos do Jacarezinho para o carnaval 2026. O atual Rei Momo da cidade do Rio de Janeiro será o responsável por coordenar a Ala de Passistas da rosa e branco que está de volta à Sapucaí, após 11 anos. Kaio também é embaixador do carnaval de Limassol no Chipre (Oriente Médio).
Kaio tem apenas 28 anos, mas basta experiência com samba no pé. Começou a desfilar com apenas 5 anos de idade. Foi o primeiro passista mirim da São Clemente e desfilou sua arte do samba como passista na Vila Isabel, União da Ilha, Estácio de Sá, Paraíso do Tuiuti, Caprichosos de Pilares e Unidos de Padre Miguel, mas foi pela Estação Primeira de Mangueira que criou identidade. Como coordenador de passistas iniciou sua caminhada na Acadêmicos do Engenho da Rainha, onde ficou por 8 anos. Também teve passagens pela Unidos de Bangu, Renascer de Jacarepaguá e Caprichosos de Pilares com premiações nesses trabalhos.
O novo coordenador da ala foi eleito Rei Momo 1º e Único dos Carnavais 2024 e 2025, fazendo história e se tornando o primeiro Rei Momo da História da Estação Primeira de Mangueira, madrinha da Unidos do Jacarezinho. Focado nos preparativos, seu trabalho será pautado no resgate da comunidade através de projetos de samba no pé e ensaios contínuos para a ala, trabalhando a forma artística.
“É com muita alegria que chego na agremiação para comandar um projeto voltado no resgate da comunidade. Fui convidado pelo presidente Matheus e pelo vice Diego, e não tive como negar porque amo um desafio. Não faltará trabalho e força de vontade para elevar a ala de passistas do Jacarezinho para o auge”, avisa o coordenador de passistas.
A Unidos do Jacarezinho desfilará no dia 13 de fevereiro de 2026, sendo a primeira escola a pisar na Sapucaí pela Série Ouro.
Com a desistência do atual presidente da Portela, Fábio Pavão, da disputa eleitoral, a eleição da maior campeã do carnaval, que deve acontecer no dia 25 de maio, ganhou um novo capítulo. A chapa “Portela Raiz”, encabeçada por Júnior Escafura e Nilce Fran, foi lançada na noite da última quinta-feira, em uma casa de shows em Madureira. O evento reuniu personalidades como o baluarte da escola, Jerônimo do Patrocínio, e o deputado federal Júlio Lopes, que declararam apoio à chapa. Além disso, o público presente curtiu as apresentações das Herdeiras do Samba e do grupo Puxadores do Samba.
Em um discurso cheio de simbolismo, Escafura oficializou sua candidatura à presidência da Portela, prometendo uma gestão de transparência, união e valorização da história da escola. Ele destacou que sua trajetória dentro da agremiação o preparou para o cargo de presidente e que sua candidatura não é movida por ambição, mas por um “chamado”.
“Não foi hoje que eu cheguei na Portela. Várias pessoas aqui me viram chegar ainda criança, e isto é motivo de muita emoção: quando reencontro essas pessoas lá de trás, de quando eu era um menino, e que me falavam ‘um dia você vai ser presidente da Portela’. Acho que está chegando a hora”, declarou Escafura, lembrando sua trajetória ao lado de seu pai, José Carlos Escafura, ex-presidente da Portela, de quem herdou o lema: “Dignidade não se negocia”.
O candidato admitiu que a escola vive um momento de “tensão” e “divisão”. Sua candidatura, por exemplo, foi marcada por reviravoltas: inicialmente, ele teria feito um acordo com a atual administração da escola, da qual é vice-presidente, para concorrer à presidência pela chapa “Portela Verdade”. No entanto, o acordo político teria sido quebrado, resultando na formação da chapa “Portela Raiz”, que vai enfrentar a “Supera Portela” na eleição portelense.
Sobre os desafios, Escafura defendeu uma reestruturação financeira e a busca por excelência no Carnaval. “Precisamos dar mais condições para as pessoas poderem realizar o Carnaval. A Portela tem que estar sempre buscando os primeiros lugares. Não podemos nos contentar em voltar apenas nas campeãs. O portelense quer voltar a gritar: ‘É campeã!’”, disse o candidato.
Caso eleito, ele prometeu dialogar com todos os segmentos da escola para entender suas demandas e iniciar os preparativos para o Carnaval 2026. Sobre a reestruturação financeira da escola, Escafura destacou a valorização da marca Portela: “Precisamos fortalecer a marca para captar patrocínios e garantir que a escola tenha o destaque que merece – afinal, é a maior campeã do Carnaval”.
Nilce Fran, responsável pela ala de passistas da escola e candidata à vice-presidência na chapa, será uma das principais aliadas nesse projeto. À frente da ala há 26 anos, ela confessou que está vivendo um sonho. “Eu sempre disse para o Vento e para o Tempo: um dia vou ser presidente da Portela”, revelou.
Apesar da alegria, Nilce não esconde o desafio do desapego. Caso eleita, ela terá que iniciar um processo de transição para deixar a coordenação da ala de Passistas, cargo que ocupa há décadas, e revelou que o jovem Lucks Matheus, de 26 anos, é um nome forte para sucedê-la. “Ele merece estar ali, um garoto que começou na escola aos 9 anos. Segue tudo o que aprendemos com Paulo, Claudionor, Jerônimo, Nega Pelé, todos os grandes passistas e bailarinos. Só vamos ter que entender a parceira que ele merece, à altura dela”, revelou.
Em tom franco, Nilce reforçou o compromisso de unir a Portela, mesmo que isso exija conflitos: “Vamos sair na porrada até chegar a um denominador comum, mas será o melhor para a escola”. Ela enfatizou que a agremiação “não é de uma pessoa só” e que seu papel, ao lado de Escafura, será ouvir a comunidade portelense. “Vi pessoas que não vinham à Portela há 20 anos. E, do palco, via a esperança nos olhos delas”, emocionou-se. E finalizou: “É essa esperança que nos move. Se precisarmos pedir ajuda aos mais velhos, aos de dentro e aos de fora, faremos. O importante é uma Portela melhor”.
Para Escafura, esta será a tônica de sua eventual gestão: a união. “Nós vamos governar a Portela para todos. Não queremos caça às bruxas. É uma democracia”, declarou o candidato, que ainda afirmou que, em uma eventual vitória, as portas estarão abertas para a chapa adversária. “Todas as pessoas que são Portela e querem ajudar, estaremos de portas abertas. A Portela vai estar de portas abertas. Aqui não tem vaidade, aqui é águia, é Portela”, finalizou.
Personalidades declaram apoio à chapa Portela Raiz em noite de apresentações
Jerônimo do Patrocínio, um dos nomes mais tradicionais da Portela, não esconde sua identificação com a “Portela Raiz”, liderada por Júnior Escafura e Nilce Fran. Em entrevista ao CARNAVALESCO, o baluarte afirmou que seu apoio vem de sua história familiar na escola. “Sou nascido e criado na Portela, filho de pai, mãe, avós, toda uma família portelense. A ‘Portela Raiz’ tem a ver comigo”, disse.
O deputado federal Júlio Lopes, conhecido por sua paixão pela azul e branco, também declarou apoio à Portela Raiz. “Amo a Portela a vida inteira, tenho essa paixão enlouquecida por ela”, afirmou. Ele acredita que Júnior Escafura, junto com a chapa, tem condições de promover as mudanças que a escola aguarda. “Eles precisam fazer a transformação que a Portela espera”, disse, confiante no projeto apresentado pela chapa.
Vilma Nascimento, uma das mais respeitadas e referenciadas porta-bandeiras da história da Portela e candidata ao posto de Presidente de Honra, explicou por que decidiu apoiar a chapa de Escafura e Nilce. Ela afirmou que discordava da forma como a atual gestão conduzia a escola, especialmente pela influência do setor financeiro. “Quem mandava na escola não era o presidente. Ele até tinha boas intenções, mas quem dava as ordens era o financeiro”, criticou.
Ela também destacou que a escola perdeu credibilidade nos últimos anos e acredita que a Portela Raiz pode resgatar o orgulho que a agremiação tinha no passado, como nas gestões Falcon e Natal. “Vou cobrar como sempre cobrei, mas agora ainda mais, porque estarei mais próxima”, avisou.
Por fim, Vilma deixou um recado aos portelenses: “Que os portelenses de verdade votem na Portela Raiz. Não se deixem influenciar por outras questões. Vamos botar a mão no coração e votar Raiz”.
A noite de lançamento da chapa “Portela Raiz” terminou com muita música. As Herdeiras do Samba, grupo formado por Andrea Moreira, Geisa Ketti, Mônica Tropite e Eliane Duarte, filhas de Wilson Moreira, Zé Ketti, Mestre Casquinha e Mauro Duarte, respectivamente, cantaram sambas dos pais, lendários portelenses. Já os Puxadores de Samba, grupo formado por diversos intérpretes do Carnaval, relembrou os sambas da Águia Altaneira nas vozes de Wantuir, Marquinhos Art’Samba, Bruno Ribas, Serginho do Porto e Rixxah.
Ao Águia de Ouro promoveu, na noite da última quinta-feira, em sua quadra, um evento fechado para apresentar o novo comandante da “Batucada da Pompeia”. Rodrigo Moleza, que estava há 13 anos na Unidos de Vila Maria, foi contemplado como novo mestre de bateria oficial da escola. Na ocasião, o profissional esteve presente e discursou junto com seus diretores, dizendo que irá se empenhar para encontrar o melhor para a orquestra da Zona Oeste. Vale destacar que Moleza é cria do Águia de Ouro, tendo dado seus primeiros passos como ritmista na Pompeia ainda jovem, sob o comando de Juca. Ele conversou com o CARNAVALESCO e comentou sobre sua nova casa, a gratidão às pessoas do processo e como o trabalho será desenvolvido.
Moleza não escondeu a emoção ao falar da volta às suas raízes. Agora, o profissional que foi da bateria mirim e ritmista do Águia de Ouro rodou por diversas agremiações e retorna como mestre. Rodrigo espera realizar um trabalho de muita qualidade para buscar o segundo título.
“É até difícil de explicar, mas são as voltas que o mundo dá. Essas rodas gigantes que tanto se fala nos livros, que antigamente eram de autoajuda e hoje são de coach. São essas idas e vindas do universo. Eu saí daqui uma criança, há exatos 25 anos, e retorno como diretor de bateria, com a nomenclatura de mestre de bateria. É uma responsabilidade muito grande você lembrar dessas coisas. Eu tive a oportunidade de ter participado de uma bateria mirim e de me tornar diretor no meu percurso. Agora, fui convidado para fazer mais um grande trabalho de qualidade que alguém espera que eu realize. Vamos lutar como nunca para trazer essa segunda estrela para o nosso peito”, declarou.
Responsabilidade de herdar a braçadeira de mestre Juca
Cria de mestre Juca, Moleza falou sobre a responsabilidade de substituir o músico que esteve no comando da “Batucada da Pompeia” por mais de 30 anos.
“É muita responsabilidade. O Juca foi o meu primeiro mestre. Eu pedi licença e liguei para ele quando recebi o convite. É uma pessoa a quem devo muita coisa no carnaval. Se não fosse a oportunidade que ele me deu, talvez eu nem estivesse aqui conversando com você. O legado dele aqui é eterno, e acredito que ele vá ficar feliz, já que a escola optou por fazer essa troca por uma pessoa que aprendeu muito com ele”, disse.
Mesclando o seu ritmo com o DNA do Águia de Ouro
Por falar em um trabalho de 30 anos do antigo mestre, Rodrigo contou que a proposta de ritmo para o Águia de Ouro é mesclar suas ideias com o que já existe impregnado dentro da escola. Ou seja, uma bateria remodelada para a parte musical da Pompeia.
“A gente chega com uma proposta musical muito bem estudada e elaborada, porém com o DNA e a energia de uma coisa que já existe. Misturam-se as ideias e as iniciais que você quer colocar com o que já existe, e aí vira uma terceira coisa. Eu imagino hoje a ‘Batucada da Pompeia’ da seguinte forma: ela não vai ser igual a nenhum trabalho em que o Moleza encabeçou e também não vai ser igual à batida do Juca. A ideia é ser uma mescla”.
Mais de uma década: gratidão à Unidos de Vila Maria
Foram 13 anos de Vila Maria. A comunidade da Zona Norte tem um carinho imenso pelo profissional, e é recíproco. Moleza diz que levará várias lições, principalmente o olhar ao próximo.
“É uma vida. É um legado que a gente deixou. Um carinho enorme por tudo e por todos. A gente traz a experiência e a paixão por uma comunidade. O aprendizado de não olhar só para a gente, mas sim para as pessoas, para o social, para o ser humano e valorizar a sua comunidade. Aqui no Águia também tem isso, mas ficou muito latente comigo. A gente cuida do nosso povo, do entorno e de quem quiser chegar também”, finalizou.
Contratação de qualidade
O presidente Sidnei Carrioulo explicou, em três fatores, a contratação do mestre, principalmente exaltando a qualidade do profissional.
“Primeiro, que ele é cria do Águia de Ouro. É menino daqui, a gente pegou na mão, essa é a verdade. Os primeiros passos dele foram aqui, e isso, para nós, tem uma importância. Segundo, é pela competência dele. É uma pessoa muito competente e sabe o que faz. E o terceiro, é que ele ainda tem amigos aqui. O Moleza está em todas as condições de agregar. Por isso, é uma boa escolha”, comentou.
Gratidão ao Juca, mas mudanças necessárias
Sidnei é grato ao mestre Juca, mas revelou que pensava em uma alteração na bateria há alguns anos. Além disso, mudanças dentro dos segmentos estão se fazendo necessárias, segundo o gestor do Águia de Ouro.
“Tem que agradecer a ele por todos esses anos de dedicação. Era uma coisa que já vinha de anos e estava meio torta. Acho que chegou a hora, porque, às vezes, uma decisão dessas você precisa ter coragem para tomar. Eu sei que muita gente gosta dele, mas estou disposto a assumir todas as responsabilidades, como sempre fiz. Acho que a vida segue, a escola precisa de uma chacoalhada mesmo, algumas mudanças, e essa é a filosofia”, concluiu.