A Rio Carnaval disponibiliza nesta sexta-feira os clipes oficiais ao vivo dos sambas-enredo das escolas de samba para o Carnaval 2026. Ao todo, serão lançados 12 vídeos inéditos no canal oficial da marca no YouTube, em uma programação especial ao longo do dia, com publicações de hora em hora. A primeira escola a ter o clipe divulgado é a Viradouro, campeã do Carnaval 2026.
Produzidos com tecnologia de ponta, os clipes chegam ao público com qualidade de imagem de até 4K, áudio com alta definição e legendas sincronizadas, permitindo que os fãs acompanhem as letras dos sambas de forma completa e imersiva.
Todo o conteúdo ficará disponível no canal oficial da Rio Carnaval no YouTube, que já ultrapassa a marca de 150 mil inscritos e se consolida como uma das principais plataformas digitais de valorização e difusão da competição do carnaval carioca.
Para o presidente da Liga Independente das Escolas de Samba do Rio de Janeiro (Liesa), Gabriel David, o projeto reforça o compromisso da entidade com a preservação da memória e a valorização do maior espetáculo da Terra.
“Os sambas-enredo fazem parte da história afetiva e cultural carioca. Produzir esses clipes com a melhor qualidade possível é uma forma de registrar esse patrimônio para os apaixonados pelo carnaval no Brasil e no mundo, além de aproximar ainda mais o público das escolas de samba e de toda a emoção que envolve cada desfile”, afirma.
A escola de São Gonçalo levará para a Sapucaí o enredo “Porto Calunga”, de Alex Carvalho e Caio Cidrini, com pesquisa de Thainá Santos e Beatriz Chaves. O tema trata da expedição popularmente conhecida como ‘Projeto Kalunga’, em que uma série de artistas da MPB foi convidada para se apresentar em Angola durante 12 dias, passando por Luanda, Benguela e Lobito, em meio à Guerra Civil Angolana.
Cerca de sessenta artistas brasileiros, Dorival Caymmi, Dona Ivone Lara, Chico Buarque, Martinho da Vila, Clara Nunes, Elba Ramalho, além de compositores, percussionistas, pessoas do teatro e da fotografia, participaram da expedição, que os carnavalescos consideram um ‘movimento artístico’, e retornaram de Angola com suas vidas e visões artísticas impactadas pela experiência.
Os frutos dessa expedição foram grandes sucessos que os artistas trouxeram na bagagem, como a canção “Morena de Angola”, composta por Chico Buarque. Martinho da Vila gravou “Velha Chica”, do compositor angolano Waldemar Bastos. O álbum “Seduzir” (1981), de Djavan, também nasce sob influência dos momentos em Angola, além dos clássicos “Nvula Ieza Kia/Humbiumbi” e “Luanda”. E o carnavalesco Caio revela que os relatos do projeto são o ponto mais tocante da pesquisa do enredo, o que expõe o sentimento genuíno de artistas que encararam as memórias de seus antepassados e tiveram a oportunidade de retornar ao território ancestral levando arte.
“O que eu acho mais encantador, potente e forte são os depoimentos desses artistas que foram lá. Existem vários trechinhos em alguns documentários. Tem um documentário da Clara Nunes em que ela fala um pouco sobre Angola. A Alcione não foi em 1980, mas ela vai em 1981 e 1982 para lá também. Há trechinhos em que aparecem Dona Ivone Lara, Dorival Caymmi e Djavan. Tem trecho dele em programa da TV Cultura falando sobre isso e sobre como eles falam de forma genuína, apaixonada e transformada. Dorival vai para uma ilha em Luanda e se emociona porque lembra a Bahia dele. Djavan diz que só se encontra pleno artisticamente, com a identidade musical dele, quando pisa lá. E ele volta, compõe ‘Humbiumbi’, que é um pássaro angolano, e dá esse nome à música. Martinho vira praticamente o embaixador, ele ama Angola, faz kizomba, escreve tantos livros sobre Angola… Dona Ivone fala que, quando vê o mar da África, se arrepia e tenta não chorar”, contou.
Em busca de uma recolocação no Grupo Especial, a direção da escola já desejava um enredo afro. E Caio conta que o desejo coincidiu com a ideia que nasceu ao frequentar uma aula do mestrado na UERJ, sendo logo aceita pela agremiação.
“Teve uma aula na exposição do Museu de Arte do Rio que tinha um framezinho de 30 segundos de um documentário alemão sobre o Projeto Calunga. E, quando a gente viu isso, até fomos depois juntos, eu, Alex e as enredistas, para ver, falamos: ‘Pô, esse negócio dá um carnaval, né?’. E começamos a trocar ideias, e o Alex disse: ‘Cara, estou calunguizado’”, compartilhou.
A Porto da Pedra conta com um time de peso para trazer “Porto Calunga” à vida. Além de Alex e Caio, Thainá Santos e Bia Chaves integram a equipe como enredistas. Thainá Santos, escritora e ativista negra, já era amiga de Alex, que fez ilustrações para seus livros. Beatriz Chaves é uma enredista premiada, com Estandarte de Ouro de 2024 por “Um Defeito de Cor”, na Portela.
“É a primeira vez que a gente trabalha com enredistas. Acho que, por várias questões, por rede de relacionamento e, às vezes, por recurso financeiro também. Mas a gente chegou à Porto da Pedra nesse momento, numa escola que a gente sabe que já tinha uma estrutura de enredista também. O Mauro Quintaes tinha, o próprio Diego Araújo. É uma escola que está acostumada a ter enredista. A gente agora está trabalhando em outras equipes de criação. Trabalhamos com o Lucas no Especial e com Alexandre Louzada na UPM; com o Antônio, no passado, na Grande Rio; agora com o Edson, lá na Maricá. Na UPM era o Clark e o Vitor; o Jader Moraes na Grande Rio; agora o Mauro Cordeiro na Maricá. A gente vai entendendo o papel. É importante você ter um pesquisador, ter outros olhares sobre o mesmo tema”, contou Caio.
Ainda em estágios iniciais de pesquisa do enredo, o casamento vem dando certo, com o trabalho em equipe e colaborativo sendo um dos pontos fortes da dupla.
“Ninguém faz nada sozinho, a gente aprende isso. O carnaval não se constrói sozinho, nada na vida, na verdade. E a gente tem essa filosofia mesmo de somar com pessoas que querem estar ali somando, como a gente tem essa vontade. Está sendo uma troca, uma experiência maravilhosa estar com elas nessa nova casa, que é a Porto da Pedra”, refletiu Alex.
A dupla de carnavalescos começou a parceria na escola mirim Pimpolhos da Grande Rio, como voluntários. Atuaram na Chatuba de Mesquita, escola do último grupo do Carnaval carioca, onde montaram um carnaval sem recursos. Passaram pela Série Prata, onde conheceram Lucas Milato e se tornaram assistentes dele. Assim, também colaboraram com Alexandre Louzada ao chegarem à Série Ouro. Assinam a primeira escola na Sapucaí na Vigário Geral, coincidindo com a assistência criativa a outras escolas do Grupo Especial. A Porto da Pedra vem para dar o peso e a importância de representar uma cidade inteira na Sapucaí.
“Representar uma cidade é um peso grande. A gente sabe da história da Porto da Pedra. É uma escola que passou muito tempo no Especial, uma escola de comunidade, que representa uma cidade. A nossa intenção é levá-la de volta para o lugar em que sempre esteve e merece estar, que é o Grupo Especial. E o convite foi tranquilo. A gente já tinha saído da Vigário, estávamos abertos a propostas. Quando o Fábio Montebello ligou para a gente e perguntou se tínhamos interesse, claro que tínhamos. Sentamos para conversar e tudo foi muito natural. Acho que a gente está no lugar certo, na hora certa, com as parcerias certas, para fazer o melhor carnaval possível”, disse Caio.
As justificativas dos julgadores Claudia Ribeiro, Thaynã Vieira, Paola Novaes e Rafaela Ribeiro sobre o quesito Comissão de Frente no Carnaval 2026 revelam um júri implacável com a funcionalidade e, principalmente, com a clareza da mensagem. O recado para 2027 foi dado: o espetáculo visual não salva uma história mal contada ou um tripé tecnicamente instável. A nota dez se sustentou em um trio fundamental: impacto visual, sincronismo e leitura clara. Quem tentou ser complexo demais sem o acabamento necessário acabou deixando décimos preciosos pelo caminho.
A Portela viveu o céu e o inferno nas justificativas. Se por um lado o voo do “Negrinho do Pastoreio” foi o ápice do impacto cênico, o julgador Thaynã Vieira não deixou passar uma incoerência artística: a coreografia acelerada contrastava com a representação de Oxalá e Omolu em suas fases velhas, que pedem movimentos curvados e lentos.
Comissão de frente da Portela. Foto: Eduardo Hollanda/Divulgação Rio Carnaval
Na mesma linha de clareza, a Mangueira sofreu no subquesito Concepção. A encenação do transe dos povos originários com o “caxixi” foi considerada confusa, provando que, na Sapucaí, se o jurado precisar de um manual para entender a cena, o impacto se perde.
A Acadêmicos de Niterói viveu o cenário mais crítico da temporada: um tripé de LED desgovernado que chegou a chocar-se com um componente, expondo uma instabilidade que gerou insegurança em toda a apresentação.
Comissão de frente da Viradouro. Foto: Eduardo Hollanda/Divulgação Rio Carnaval
No topo da tabela, a Viradouro se consolidou como o grande “tanque” técnico de 2026. Com notas dez unânimes, a escola de Niterói foi exaltada pela precisão absoluta e por um elemento cenográfico que não era apenas um enfeite, mas parte viva da história. O Salgueiro também brilhou com uma narrativa solar, unindo criatividade coreográfica e uma força emocional que arrebatou o julgamento logo de cara.
Comissão de frente do Salgueiro. Foto: Eduardo Hollanda/Divulgação Rio Carnaval
A Imperatriz Leopoldinense foi citada pelo júri pela simbiose perfeita entre bailarinos e o tripé, apresentando transições que facilitaram, e muito, a leitura do enredo. Porém, foi citado que um componente teve desequilíbrio durante a apresentação.
Comissão de frente da Imperatriz. Foto: Eduardo Hollanda/Divulgação Rio Carnaval
O julgamento da Beija-Flor de Nilópolis destacou uma apresentação de forte impacto visual, especialmente na interação criativa com o elemento cenográfico durante a aparição da “Mãe das Águas”.
Detalhes que tiram o sono
Escolas como Mocidade, Grande Rio e Vila Isabel flertaram com a perfeição, mas esbarraram na geometria da avenida. Na Vila, enquanto Paola Novaes se encantou com a síntese “poética e carnavalizada”, Thaynã Vieira descontou o posicionamento do tripé que, em certos momentos, “escondeu” parte do elenco. Problema similar viveu a Estrela Guia de Padre Miguel, onde o avanço excessivo do elemento cênico comprometeu a visibilidade da coreografia.
Na Grande Rio, o vigor foi elogiado, mas a simultaneidade falhou. Movimentos de transição que não foram executados exatamente ao mesmo tempo e atos que não entregaram a mensagem de imediato custaram a nota máxima em Concepção.
Sobre a Unidos da Tijuca, o figurino foi citado que estava em total harmonia com o elemento cenográfico e com a proposta do enredo. Foi comentada que a interação conseguiu ser fluída e eficiente com a proposta. Porém, houve desconto pela comissão não ter ápice e impacto.
O trabalho do Tuiuti foi citado na “concepção e sua capacidade de entedimento como confusas”, prejudicando a mensagem. A indumentária também perdeu 0,1 décimo.
O balanço final é um só: Para 2027, não basta ser gigante ou tecnológico. É preciso ser inteligível. A era das comissões de frente cinematográficas agora exige, mais do que nunca, o rigor de um corpo de baile de teatro com a resistência de um operário da folia.
A noite de celebração da Em Cima da Hora ganhou um brilho especial com a apresentação oficial de Lexa como nova rainha de bateria da azul e branca para o Carnaval 2027. Ao som da bateria “Sintonia de Cavalcanti”, a cantora surgiu com um look azul repleto de brilho e foi recebida com entusiasmo pela comunidade da escola.
Esbanjando simpatia e carisma, Lexa celebrou o retorno ao carnaval do Rio e destacou a emoção de voltar a ocupar o posto de rainha de bateria, agora pela primeira vez na Em Cima da Hora.
“Estou muito feliz em fazer parte dessa família. Estava morrendo de saudade do samba e a Em Cima da Hora me acolheu. Agora é minha casa também. Tão bom reencontrar tanta gente querida. O mestre Leo Capoeira já foi meu mestre em outra oportunidade. Estou muito feliz”, declarou a artista.
A chegada de Lexa representa um reforço de peso para a Em Cima da Hora na preparação para o desfile de 2027. Com forte ligação com o samba e experiência à frente de baterias no carnaval carioca, a cantora foi ovacionada pelos componentes e sambistas presentes no evento.
A “Sintonia de Cavalcanti”, comandada pelo mestre Leo Capoeira, acompanhou a apresentação da nova rainha em clima de festa, marcando um dos momentos mais celebrados da noite.
A Botafogo Samba Clube anunciou a renovação de Luiz Carlos Amâncio para o cargo de diretor geral de harmonia para o Carnaval de 2027. O profissional segue na agremiação após integrar a equipe no último desfile, dando continuidade ao trabalho desenvolvido no segmento.
Durante a trajetória no carnaval, Luiz Carlos acumula passagens por diferentes escolas de samba. Ao longo dos anos, esteve em agremiações como Renascer de Jacarepaguá, Acadêmicos do Cubango, Império da Tijuca, Inocentes de Belford Roxo e Paraíso do Tuiuti, onde desenvolveu trabalhos entre 2014 e 2017 e, posteriormente, entre 2022 e 2024, no Grupo Especial.
Além da experiência no carnaval carioca, o profissional também atuou no Carnaval de Vitória, pelo Unidos da Piedade, em 2024. Em 2026, passou a integrar a equipe da Botafogo Samba Clube, contribuindo para a organização e evolução da harmonia no desfile.
“Fizemos um excelente trabalho na Botafogo Samba Clube em 2026. Vamos para o nosso segundo ano e eu gostaria de agradecer a toda diretoria e todos os segmentos pelo trabalho realizado. Vamos juntos para mais um carnaval em busca do nosso objetivo.”, destacou Luiz Carlos Amâncio.
A Botafogo Samba Clube será a oitava escola a desfilar no dia 6 de fevereiro de 2027, pela Série Ouro, com o enredo “Basta! Você vai se arrepender de levantar a mão pra mim”.
A Unidos de Padre Miguel anunciou a chegada de sua nova musa: Thamires Mattos, conhecida no mundo do samba como Thamirão. O convite partiu da presidente Lara Mara, valorizando a trajetória de quem constrói a história da escola com dedicação e amor ao pavilhão. Segundo Lara Mara, a escolha foi motivada pela relação de proximidade e comprometimento da sambista com a vermelho e branco da Vila Vintém.
“Thamirão é uma figura muito presente na nossa quadra. Participou do concurso de musa da comunidade e, mesmo não vencendo, não abandonou a escola. Pelo contrário, seguiu firme, contribuindo, vivendo o dia a dia da Unidos. Esse tipo de atitude mostra um amor verdadeiro pelo nosso pavilhão, e é exatamente esse espírito que queremos valorizar”, destacou a presidente.
Aos 31 anos, Thamirão acumula 22 anos de trajetória no samba. Sua caminhada começou aos 9 anos, como passista da Tradição. A sambista também passou pela Império do Futuro, onde ocupou o posto de rainha mirim.
Ao longo da carreira, integrou alas de importantes escolas, entre elas Império Serrano, Portela, Arranco do Engenho de Dentro, Estácio de Sá e Beija-Flor de Nilópolis.
Além da atuação como passista, Thamirão também exerceu funções de liderança no carnaval, sendo diretora de passistas da União de Jacarepaguá e da Unidos da Ponte.
Em 2024, a sambista recebeu da própria Unidos de Padre Miguel o prêmio de melhor passista da Série Ouro, reconhecimento que fortaleceu ainda mais sua ligação com a escola.
A Porto da Pedra lança nesta sexta seu enredo para o Carnaval 2027 em busca da volta ao Especial. Para isso, um time de peso: os carnavalescos Alex Carvalho e Caio Cidrini encabeçam o carnaval da escola, e são reforçados pelas enredistas Beatriz Chaves e Thainá Santos.
Beatriz Chaves assinou a pesquisa de ‘Um Defeito de Cor’ Portela, em 2024. O enredo adaptou o livro homônimo de Ana Maria Gonçalves para Avenida. A enredista conta que já conhecia a dupla de carnavalescos, e aceitou imediatamente o convite que lhe trouxe de volta ao trabalho com escolas de samba.
“Eu estou gostando bastante, não é nem por estar no início de processo, aquele início de namoro, mas eu tenho sentido que as minhas dúvidas, sugestões, ideias estão sendo ouvidas, divididas, impulsionadas, está sendo muito legal dividir essas ideias, como a gente vai alinhar o que está escrito com o visual, com o discurso da escola. Tem sido um trabalho que requer uma atenção muito grande, mas ao mesmo tempo dividido e sendo alinhado com o que a gente acredita, fica muito mais prazeroso”, contou.
Thainá Santos, além de enredista, é ativista e escritora, e foi dessa maneira que colaborou pela primeira vez com Alex Carvalho. São amigos há cinco anos, e neste tempo, Alex ilustrou a capa do primeiro livro que idealizou e fez a coordenação editorial, “Mães Pretas: Maternidade Solo e Dororidade”. Com a amizade e trocas profissionais, compartilhou mais um sonho com o amigo: de se tornar enredista em uma escola de samba.
“Ali, naquele momento, no auge da pandemia, percebi que eu e ele teríamos potencial para quem sabe, um dia, trabalharmos juntos, pois a sensibilidade dele para captar uma ideia, uma proposta, flui com muita leveza. Em nossas trocas ao longo desses anos, o Alex sabia do meu desejo “quase secreto” de trabalhar como pesquisadora de enredo. Daí, no início deste ano, ele me apresentou ao Caio, artista que eu já admirava e por quem torcia de longe. E depois que nos conhecemos foi “afinidade à primeira vista”. Nos tornamos amigos de cara. Quando o Alex me fez o convite formal, eu tremi na base. Mas, por se tratar de um convite vindo de dois amigos, sabia que não existiria oportunidade melhor de dar o pontapé inicial nessa minha tão sonhada carreira de enredista”, compartilhou.
A estreia na Porto da Pedra também é o início da parceria com Beatriz Chaves, um casamento que vem dado certo. Segundo Beatriz, Thainá vem somar e “está alinhando cada vez mais coisas que a gente tem vontade de dizer, que uma escola de samba deveria dizer. Uma escola de samba com peso e com a responsabilidade que a Porto da Pedra tem de forma cultural, de forma artística”.
“Um dos meus presentes de 2026 é Bia Chaves! Sabe aquela coisa de um pensar e a outra falar?! Pois bem, é o que tem rolado comigo e com a Bia. Sou fã demais da Bia, ela é tão sagaz, generosa. Temos um olhar próximo de entender a importância do nosso ofício, frente a essa celebração artística idealizada pelos nossos ancestrais. Sabemos do tamanho da nossa responsabilidade, da grandeza que é reocuparmos esse espaço. Nossos encontros virtuais ou presenciais, nossas reuniões e divisões de trabalho se tornam uma grande festa, sem vontade de ir embora”, complementa Thainá.
“Quarteto Fantástico” é a forma que Thainá apelida o grupo formado pela dupla de enredistas junto à dupla de carnavalescos Alex e Caio, em celebração a parceria formada pelos quatro. A enredista conta que as expertises do grupo se complementam numa conexão impressionante.
“O Alex tem corpo e alma de artista, são genuínos os seus devaneios. Enquanto ainda estamos pensando em uma possibilidade de uma fantasia, uma ala, ele já está ali desenhando 3 possibilidades de figurinos. É lindo de testemunhar. E o Caio é o virginiano nato do nosso grupo. Tem uma criatividade vibrante e, ao mesmo tempo, traz a centralidade necessária para pensarmos no passo adiante. É raro no meio do carnaval termos carnavalescos que não se deixam dominar pelo ego e vaidade. E os meninos são a prova viva de que é possível lidar com a magia do carnaval sem perder a humildade, o respeito e a empatia pela sua equipe”, declarou.
A Mocidade Alegre segue colecionando números expressivos. Campeã do Carnaval 2026, a “Morada do Samba” conquistou seu terceiro título do Grupo Especial em quatro anos, chegando à 13ª conquista de sua história, apenas duas taças atrás do maior campeão do Carnaval paulistano. Desde que Solange Cruz Bichara Rezende assumiu a presidência, em 2004, já são nove títulos na conta. Para entender os pilares dessa dinastia consolidada com o enredo “Malunga Léa – Rapsódia de uma Deusa Negra”, o CARNAVALESCO conversou com a presidente da Mocidade Alegre durante o Desfile das Campeãs.
Humildade e inteligência
Questionada sobre a hegemonia da escola em relação às coirmãs, Solange manteve os pés no chão e respondeu com o bom humor de sempre: “Eu não sei se é justo chamar esse momento da Mocidade Alegre de dinastia. Vocês é que sabem, porque depois vão falar que eu sou esnobe, e eu não sou. Estou na minha, sossegadona”, disse, em tom descontraído.
Pouco depois, entretanto, a dirigente destacou o rigor técnico da agremiação frente às normas do concurso: “O segredo é que regulamento é para ser estudado e a parte técnica também. Quando pegamos o regulamento, vemos que as normas e as regras mudam, mas entendemos que temos que andar com ele debaixo do braço. A outra parte vem da comunidade: eles colocam a alegria, o impacto e tudo o que se espera na avenida”, comentou.
Novo campeão
Se o topo do pódio já é território conhecido para a Mocidade, o título de 2026 marcou a primeira vitória de Caio Araújo como carnavalesco da escola. Solange fez questão de elogiar o profissional e a troca produtiva durante a construção do projeto: “Avaliamos o trabalho do Caio muito bem, graças a Deus. Gostamos de lançar talentos, de trabalhar com pessoas novas; pessoas com quem possamos dialogar e que também nos ouçam. Temos esse costume e o Caio aderiu, o que foi muito positivo para todos. Quando a escola consegue ter esse diálogo, o resultado é um trabalho legal”, finalizou.
Com o carnaval de 2026 ainda fresco na memória, a União de Maricá já tinha virado a chave. Na segunda-feira seguinte ao resultado, a equipe estava reunida no barracão para planejar o que vem pela frente. Quem conduz esse movimento é Mauro Amorim, diretor de carnaval da escola, que acumula também a direção de harmonia. Em entrevista ao CARNAVALESCO, ele explicou como a agremiação pretende crescer sem abrir mão da essência que marcou sua trajetória no carnaval do Rio.
O dado que Mauro repete com orgulho resume o projeto: quase 90% dos componentes do desfile de 2026 eram cidadãos maricaenses. A ala de baianas, por exemplo, foi formada inteiramente por mulheres da cidade. Para o diretor, isso é a coluna vertebral da escola.
“A gente realmente se preparou para construir um início de projeto muito satisfatório, para chegar ao Grupo Especial não tão dependente de outras comunidades. A gente tem uma comunidade que quer estar junto, que quer desfilar”, afirmou.
O próximo passo é ampliar o número de componentes sem perder a qualidade apresentada no desfile de 2026. O recadastramento dos atuais integrantes começa em breve, seguido pela abertura de vagas para novos inscritos. Segundo o diretor, a meta é fechar as alas da comunidade em outubro e iniciar os ensaios em novembro.
Dois cargos, uma equipe
Além da direção de harmonia, cargo que ocupa na escola desde o ano passado, Mauro Amorim também assumiu a direção de Carnaval para 2027. Para ele, assumir duas funções na agremiação só é possível por conta do trabalho em equipe.
“É saber que ninguém é forte sozinho e a gente não vai conseguir dar conta sozinho. A escola montou uma equipe excelente com profissionais que já tem trabalhos consolidados no Carnaval. Vamos trabalhar muito para entregar o melhor possível”, declarou.
Disputa de samba: chamado aberto
A disputa de samba de 2027 ainda aguarda o lançamento do enredo e da sinopse, etapas que antecedem a abertura de inscrições para compositores. Mesmo assim, Mauro já faz o chamado: “Já tivemos uma disputa bem legal, bem disputada e com grandes obras. Esse ano a tendência é que a disputa seja maior pela visibilidade do Especial. Gostaríamos de convidar e convocar todos os compositores que gostam da União de Maricá para estarem conosco”.
Sobre a data de lançamento do enredo, o diretor não deu grandes pistas, apenas indicou que a novidade está próxima.