A Unidos da Tijuca será a única escola do Grupo Especial, em 2026, com uma mulher na direção de carnaval. Elisa Fernandes assume o cargo ao lado de Fernando Costa e promete um desfile à altura de Carolina Maria de Jesus. Em entrevista ao CARNAVALESCO, na noite de lançamento do enredo, ela falou sobre sua trajetória no Carnaval e como surgiu o convite do presidente Fernando Horta.
Elisa Fernandes assume o cargo ao lado de Fernando Costa. Foto: Marcos Marinho/CARNAVALESCO
“Eu já venho conversando com o Horta há alguns anos. Comecei na direção de carnaval na União de Jacarepaguá, que é a minha escola do coração. Desde então, vi que gostava dessa função. Já atuei em muitas áreas dentro do carnaval, inclusive como assessora de imprensa na própria Tijuca. Neste ano, entendemos que era o momento. Ele me ligou, fez o convite, e eu aceitei com muito prazer”, contou.
Ao lado de Fernando Costa, figura tradicional na agremiação, ela dividirá o trabalho de forma estratégica. Elisa ficará responsável pelos trabalhos de barracão, fantasias, alegorias e ensaios de barracão. Já Fernando assumirá a frente da harmonia, dos ensaios de quadra e do contato direto com a comunidade.
“Essa divisão pode até não parecer tão visível para quem está de fora, mas, para a gente, está bem marcada. É importante para que cada um possa dar atenção às suas frentes, e a gente possa entregar um trabalho de excelência. Está funcionando muito bem, e estou gostando bastante”, explicou.
Fernando Costa, que ocupa o cargo desde 2014, destacou o reforço de Elisa na equipe que já cuida do carnaval do Pavão para 2026. “Quanto mais gente tiver para ajudar, mais forte a equipe fica. Assim como foi com o Marino no passado, com o mestre Laíla, a Elisa vem para somar. Ela sabe chegar, sabe lidar com a comunidade, e isso é essencial”, afirmou.
Elisa encara a função com entusiasmo, mas também com o peso simbólico que ela carrega. “Representa uma responsabilidade muito grande. Eu sou uma diretora contratada para esse cargo e sei que as mulheres podem estar em todos os lugares. Já recebi mensagens de outras mulheres dizendo que querem ser diretoras de carnaval. Eu espero que, em 2027, a gente já encontre outras, para que eu não fique sozinha nessa função. Muitas mulheres estão aptas a exercer esse cargo”, defendeu.
A diretora também destaca a boa relação com o carnavalesco Edson Pereira, com quem já trabalhou na União de Jacarepaguá. O entrosamento entre os dois é um trunfo para o andamento dos processos criativos e o fortalecimento da construção do desfile.
“O Edson é um amigo. É o artista. Ele tem que criar, desenhar. Meu trabalho é garantir que o trabalho dele aconteça da melhor forma: acelerando, viabilizando e coordenando. Ele ouve bastante, é um cara muito aberto. Estou aqui para que o trabalho dele aconteça da melhor forma possível”, disse Elisa.
A Unidos da Tijuca já está com os trabalhos a todo vapor para apresentar, como define a diretora, um desfile à altura de Carolina Maria de Jesus. Com uma equipe afinada, uma liderança com funções bem divididas e uma homenageada de peso, a escola promete fazer de 2026 um ano marcante em sua trajetória.
A vida tocava o meu rosto com seu vento;
banhava meu corpo com as águas límpidas dos rios que cortam a floresta.
O solo germinava a beleza e fornecia o sabor da eternidade.
O céu cristalino emoldurava a despretensiosa dança das plumagens.
Assim vivíamos no tempo do sonho.
Foi o que ouvi dos espíritos xapiri, quando imergi no transe de yakoana.
Um caminho de luz resplandeceu por entre as matas
e eles vieram até mim dançando com todo seu brilho e esplendor.
Em transcendência, ouço seu canto e suas histórias.
Eles me contaram que quem criou a floresta e os rios foi Omama;
quem formou as árvores e as plantas, as flores e as sementes;
quem concedeu todo esse paraíso fazendo de nós seus descendentes.
No seio da floresta construímos nossas malocas,
cantamos e dançamos com nossos filhos e mulheres nas festas da aldeia.
A terra, o céu, os rios, os animais, tudo em equilíbrio, tudo em seu lugar.
Trama perfeita de Omama que chamamos de lar.
Mas um dia no horizonte surgiu xawara.
Era o final do tempo do sonho e o começo do tempo da estrada.
Sobe a fumaça do metal, escorre a lama da ganância.
O ouro canibal devora o sonho e patrocina a matança.
A cruz que esteia o “progresso” desencarde a invasão.
Em nome de um vulgo senhor, rouba minha terra e profana meu chão.
E foi assim que a gente de Yoasi foi esvaziando a floresta de seus habitantes.
Desfilando suas máquinas à diesel sobre o nosso sangue.
O orvalho sumiu do véu das cachoeiras,
tantas histórias diluídas em meio às labaredas.
Sou Caeté, Cariri, Canindé, Tapajó, Guarani, Potiguar…
Meu corpo pereceu, mas minha memória ainda habita o maracá.
Eu sou a voz que ecoa da floresta,
sou a resistência dos povos originários.
Sou a luz da esperança que ainda nos resta,
sou o brado em defesa do nosso santuário.
Eu sou o retumbar do canto dos meus ancestrais,
sou a confluência de 305 povos que ainda hoje clamam por respeito.
Sou o vestígio de centenas de nações que foram extintas
e o vislumbre de um futuro que será refeito.
Eu transformo filosofia em lenda para que você entenda a minha história.
Nossos mitos são sagrados porque a tradição é a nossa escola.
Em cada conto, a nossa luta ganha imagem e poesia.
Ressoamos nossa voz através da nossa mitologia.
Se a Terra aquece feito brasa,
Aru balança o remo e traz brisa.
Quando das águas fiz brotar Tapiraiauara,
denunciei o descaso que a natureza vinga.
O brilho mortal da cobiça
reluz nos olhos da fera que emerge da terra.
Boiúna de fogo encandeia a noite
para os filhos de Anhangá vencerem a guerra.
No transe de rapé, a magia do pajé paira na aldeia.
Sua reza é forte e afugenta a morte cessando nossa dor.
Mil cobras aladas no clarão da lua cheia
devoram Xawara, o monstro devorador.
E assim, com mitos e lendas, vamos tecendo o nosso ideário.
A nossa visão de mundo é real porque é mítica,
mas nossa luta é tão poética quanto política.
Ainda sonhamos com um Brasil originário!
Respeite as vozes ancestrais que repercutem no Planalto
reivindicando a maternidade da Pátria-Mãe hostil.
Se há um marco temporal, este é 1500;
quando Pindorama não era Brasil.
Que as palavras de Sônia, Joênia, Célia e Juruna
demarquem seu pensamento devastado.
E a luta de Tuíre Kayapó, Raoni, Ailton Krenak, Davi Kopenawa e tantos mais
reflorestem seu coração colonizado.
Ouça a sabedoria que emana das matas,
o canto dos beiradões e o som das cascatas.
Reconhece tua cara, Brasil, e não se deixe mascarar
Teu sangue é caboclo e tua vocação é ser Guajupiá!
Ouça a minha voz no canto dos Gaviões!
Ela é flecha que atravessa o tempo, luz que ilumina gerações.
Se a floresta é a vida, a minha voz é guardiã.
Enquanto existir o povo indígena, ainda existirá o amanhã.
Em todo e qualquer evento em que os Dragões da Real tenha algum tipo de participação (seja como organizadora ou como convidada), uma figura se destaca. Um homem alto e que impõe respeito, mas que também sabe comandar por meio da simpatia e que sabe que não existe nada mais diplomático que um sorriso, um aperto de mão e uma palavra acolhedora. Trata-se de Rogério Félix, diretor de Harmonia da agremiação. Durante a Superfeijoada que comemorou os 25 anos de agremiação não foi diferente. E, nela, o profissional falou sobre diversos temas pertinentes não apenas à entidade da Vila Anastácio, mas, também, assuntos que são caros ao carnaval paulistano como um todo.
Quando a reportagem chegou ao evento, logo apresentamos alguns nomes importantes da Dragões para realizar entrevistas. Com cerca de seis mil pessoas presentes, nada mais natural que a tarefa demore um pouco. Foi escolhido, ir a um local em que, tradicionalmente, os barracões da Fábrica do Samba se tornam mais vazios: uma antessala entre o espaço em que são montadas as alegorias e a recepção do espaço de cada escola. Para a Superfeijoada, a agremiação utilizou tal espaço para servir a refeição – eram alguns espalhados para a festividade.
Em tal antessala, quem coordenava os presentes era Rogério Félix. Ele orientava, aconselhava, apontava, pegava mais talheres, ajudava na chegada das panelas, chamava quem queria fazer o prato, organizava a fila. Tal cena, como dito anteriormente, é bastante comum em eventos de agremiação.
Rogério, por sinal, destacou a importância do evento para a comunidade: “A Superfeijoada é um encontro onde a nossa comunidade, junto com seus familiares e amigos, participam. sintam bem de servir a comunidade no dia do desfile A feijoada, para nós, é um marco.
Citando sempre as inovações trazidas pelos Dragões para o carnaval paulistano (algo pelo qual a escola muito se orgulha), Rogério lembrou como a agremiação serviu à comunidade mesmo em tempos bastante complicados no planeta: “Assim como algumas entidades, nós não paramos: durante a pandemia, por exemplo, nós fizemos feijoada. As pessoas passando de carro dentro da nossa quadra e receberam o kit da feijoada. Assim nós fizemos festas juninas, também. Da mesma forma nós fizemos uma final de feijoada. samba-enredo – na qual as pessoas assistem de dentro do carro. A responsabilidade de sempre oferecer algo novo para a nossa comunidade é a nossa raiz, queremos fazer um lugar de gente feliz e entregar isso para todos”, comentou.
Dos grandes eventos organizados por escolas de samba no país, os Dragões iniciaram as tradições da Superfeijoada com um público bem menor: “A Dragões é uma escola que sempre tenta se reinventar. Nosso slogan, ‘lugar de gente feliz’, nos cobra demais. São 24 horas de cobrança, esse slogan fica na nossa cabeça. Sempre nos perguntamos o que nós vamos fazer para deixar a nossa comunidade feliz. Lá atrás, quando nós começamos essa feijoada, há 15 ou 16 anos, já era muito feliz. divertido. Comemoramos quando teve a primeira – acho que tivemos 34 ou 36 pessoas. Nós comemoramos semanas por termos feitos uma feijoada, para você ter ideia Hoje a gente recebe quase quatro mil pessoas só para comer – e depois, juntando com o público do show, é uma responsabilidade muito grande.
Nome consagrado
Muitas se surpreenderam quando Rogério Félix, em 2010, assinou com os Dragões da Real. Já consagrado à época, ele relembrou a própria trajetória para começar a explicar tal situação: “Foi bastante eu conseguir convencer as pessoas que eu ia fazer os Dragões. Contando um pouco da minha trajetória, nasci para o samba na Leandro de Itaquera, escola para a qual eu devo muito ensinamentos. Passei por Mocidade Alegre, tive uma passagem muito gostosa pela Tom Maior tive uma passagem rápida pela Unidos de Vila Maria (com o Mercadoria), uma passagem rápida também pelo Peruche, no projeto de carnaval. Eu já Tinha algumas passagens nesse sentido. Eu tinha saído da Tom Maior, tinha feito um ano sabático, no qual eu queria estudar um pouco mais”, lembrou.
O momento do convite foi relembrado logo depois: “Aí, o Tomate, que não era presidente ainda, era vice-presidente, me chamou para conversar e me fez o convite. pouco. Eles abriram o aprendizado e foi assim que nasceu a minha paixão em 2010 junto com os Dragões E, assim, a gente veio só crescendo, com toda a comunidade respondendo aos projetos propostos”, destacou.
Mais uma inovação
O CARNAVALESCO deu destaque para o trabalho realizado pela Dragões da Real em relação ao quesito Evolução . Se a Harmonia da agremiação já é reconhecidamente forte, a completa liberdade para que a comunidade brincasse o samba chamou atenção desde os ensaios técnicos. Em principal responsável por tal característica, Rogério fez questão de compartilhar os louros do reconhecimento: “Esse projeto não é só meu. Eu gosto de ser justo com todos os projetos que eu encampo. Para começar: o Jorge Freitas é um presente para o carnaval de São Paulo. E, para mim, é um presente na minha vida. Não sou pago para falar isso, quero deixar claro. Eu sei que teve muita gente que falou que, quando ele viesse para cá, que a gente iria brigar. Mas a verdade que a gente nunca nem discordou de ideias. Pude ver como a conexão é tão de alma quando a gente começou a sentar para fazer trabalhos É muito gratificante trabalhar com o Jorge Freitas”, comentou.
Ele não foi o único relatado, entretanto: “E o Tomate é um cara que não deixa ninguém quieto. Você para e um segundo e ele fica dizendo que quer novidade mil vezes. Tudo isso somado com o Jorge Freitas, um trabalho que eu já vi o Jorge fazer no Rosas de Ouro. Quando ele chegou, a gente começou a fazer um trabalho e a ideia era soltar a escola. Queríamos fazer um trabalho nesse aspecto. As pessoas se incomodavam um pouco porque não é todo mundo que vê um carnavalesco no meio da quadra, interagindo. Achavam que ele estava fazendo a parte da Harmonia. Quando, na realidade, é justamente o contrário: a gente está fazendo todo o mundo junto, senta junto”, explicou.
O caminho para que tal Evolução bastante leve também fosse possível foi destrinchado: “Esse projeto é de toda a escola, muito na mão do Jorge Freitas. O Jorge Freitas, junto com a Harmonia, junto com os coordenadores, ensaiou todas as alas no ensaio – o que inclui todos também ensaios específicos. Foram feitos esses trabalhos, principalmente para que as pessoas experimentassem soltas, para que as pessoas divertidas brincassem. A ideia é que eles se divertissem. Esse projeto não para aí. Vamos buscar uma forma dele ficar mais nítido ainda na avenida, com fantasia e tudo – como aconteceu nos ensaios técnicos. A gente está fazendo um estudo para que ele aconteça desse jeito. Tudo isso para que, simplesmente, as pessoas olhem e falem que querem vir brincar de carnaval com a gente desse jeito”.
Ensinamentos de crianças
Como não poderia deixar de ser, Rogério Félix já trabalhou com diversas pessoas que carregam consigo boa parte da história do carnaval paulistano. O profissional se mostrou extremamente grato a cada um deles: “Eu sou uma pessoa que sei cabelo branco. Eu sou herança de ensinamentos de Mercadoria, Buiu, Edson da Leandro, o próprio seo Leandro, Elaine da Mocidade… tanta gente. Bebi muito do berço da Mocidade, por exemplo. Acho fundamental respeitar os mais velhos, os que vieram antes e os que conquistaram antes. Não ouvir Jorge Freitas é ser simplesmente louco. Se eu tenho a oportunidade de ver um grande campeão, que sabe fazer, meu pensamento é parar, sentir e aprender”, refletiu.
O CARNAVALESCO entrevistou o intérprete do Porto da Pedra, Wantuir de Oliveira, vencedor do prêmio Estrela do Carnaval 2025 de Melhor Intérprete da Série Ouro. No último carnaval, a escola de São Gonçalo apresentou o desfile “A História que a Borracha do Tempo Não Apagou”, sobre a cidade de Fordlândia, na Amazônia. O enredo foi assinado por Mauro Quintaes.
Wantuir é um artista versátil e experiente. Já comandou o carro de som de grandes escolas, como Unidos da Tijuca, Portela, Paraíso do Tuiuti e Grande Rio, no Grupo Especial, além de Tradição e Inocentes, na Série Ouro. Foi em 2025, no retorno à Marquês de Sapucaí, que conquistou seu primeiro troféu Estrela.
“Depois de mais de 30 anos cantando no carnaval, receber um prêmio com essa relevância me deixa muito orgulhoso. É mais um incentivo na minha carreira para continuar buscando títulos e prêmios”, afirmou o intérprete.
A Portela promove, no dia 17 de agosto, a apresentação oficial dos sambas concorrentes para o Carnaval 2026. O evento será realizado na quadra da escola, em Madureira, com abertura dos portões às 17h. Com o objetivo de garantir condições igualitárias entre as parcerias e promover um processo mais equilibrado, a Portela reformulou o formato do concurso de samba-enredo.
Neste ano, apenas três fases eliminatórias serão abertas ao público antes da grande final, marcada para o dia 26 de setembro. São elas: a apresentação oficial dos sambas, no dia 17 de agosto; a junção das chaves, no dia 14 de setembro, com a participação da obra classificada na seletiva do Rio Grande do Sul; e a semifinal, no dia 21 de setembro.
As demais etapas ocorrerão de forma interna, com participação restrita aos compositores e à diretoria da escola, garantindo um ambiente focado na avaliação das obras. Sobre a mudança, o presidente da Majestade do Samba, Junior Escafura, destaca o intuito do novo formato.
“A Portela está em constante evolução, e a adoção deste modelo tem como objetivo valorizar ainda mais os compositores e estabelecer um processo de apresentação das obras mais justo e igualitário para todas as parcerias. Esse é o nosso objetivo: que todos tenham as mesmas condições no concurso”, afirma Junior Escafura.
Vale lembrar que, para o Carnaval de 2026, a Portela levará para a avenida o enredo “O Mistério do Príncipe do Bará — A oração do Negrinho e a ressurreição de sua coroa sob o céu aberto do Rio Grande”, desenvolvido pelo carnavalesco André Rodrigues.
A Mocidade Alegre será novamente a terceira escola a desfilar no sábado pelo Grupo Especial, no dia 13 de fevereiro do próximo ano, com o enredo “Malunga Léa – Rapsódia de uma Deusa Negra”, assinado pelo carnavalesco Caio Araújo. Conhecida pela excelência técnica, a Morada do Samba enfrentou em 2025 uma situação atípica durante o desfile, que custou décimos cruciais na disputa pelo título. Em entrevista ao CARNAVALESCO, durante a a festa de definição da ordem dos desfiles do carnaval de São Paulo, o diretor de carnaval, Junior Dentista, explicou o ocorrido.
“Tivemos problema nas alegorias. Foi uma falha em uma delas. Como o carro é motorizado, a alegoria parou e abriu, tudo muito rápido, mas isso já vai acarretando um problema, isso no meio do desfile. E a última alegoria, que temos o carro motorizado, ele apagou. Tivemos que dar uma segurada porque ele veio na mão. O problema na alegoria afetou a evolução, e uma coisa vai acarretando a outra”, declarou.
O diretor afirmou que a Mocidade se prepara para prevenir e contornar problemas que venham a ocorrer durante o desfile. “Tudo acontece na pista, e temos que estar preparados. No pós-carnaval, fizemos uma reunião e o problema seríssimo que tivemos, conseguimos consertar e voltamos para as campeãs. Aconteceu, claro, fazemos o preventivo, mas tudo acontece na hora. Agora é trabalhar mais para não deixar acontecer de novo, mas sabemos que a escola estava preparada para qualquer evento que tivesse”, disse.
Resiliência e reinvenção
O que para algumas escolas seria um grande resultado, o quarto lugar chama atenção por ser a pior colocação da Mocidade Alegre nos últimos cinco carnavais. Junior disse que a escola encara o resultado com naturalidade, demonstrando força para voltar nas campeãs mesmo diante das adversidades.
“Digerimos numa boa porque foi por um problema que tivemos. Se não tem um problema técnico, sairíamos da Avenida e muita gente falou: ‘seria difícil tirar de vocês’. Tínhamos um projeto, uma baita evolução, mas aconteceu. Foi que nem em 2011, em que íamos brigar, não entrou um carro, nós ficamos em sétimo lugar e não voltamos. Aconteceu, como todo ano acontece com alguma escola. Temos que aprender essa lição e voltar mais fortes ainda, mas dentro de tudo que aconteceu, a escola provou ser grande em voltar para as campeãs, porque nem nos davam nas campeãs”.
Com o enredo anunciado e explanação para os compositores realizada, Junior Dentista garante que a Morada do Samba segue firme em sua preparação para o carnaval de 2026 nos bastidores. “Todos os anos a escola se reinventa. A escola estuda muito, e já estamos nos reinventando. Estamos aperfeiçoando algumas situações, os departamentos estão sendo renovados e vamos embora para 2026”, concluiu.
A temporada do Salgueiro Convida de 2025 foi aberta no último sábado com a participação da campeã do Carnaval deste ano, a Beija-Flor de Nilópolis. Em uma apresentação marcante, a Deusa da Passarela relembrou grandes carnavais em sua exibição na quadra salgueirense, sendo ovacionada pelos torcedores de ambas as agremiações. A noite também marcou a estreia de Nino e Jéssica Martin como novos intérpretes da Beija-Flor, assumindo o microfone oficial após o resultado do reality “A Voz do Carnaval”. O CARNAVALESCO conversou com integrantes da escola sobre o retorno ao evento e o início da trajetória da nova dupla de cantores.
Selminha Sorriso, porta-bandeira da Azul e Branca, estava radiante por retornar ao Salgueiro Convida com o título de 2025. Ela destacou a emoção e o respeito envolvidos na troca entre as escolas e enfatizou como o público, especialmente os turistas, valoriza o encontro de duas grandes agremiações na mesma noite.
“Poder fazer esse intercâmbio cultural entre esses dois quilombos, o tijucano e o nilopolitano, sempre será um prazer. Voltaremos sempre com fé nos orixás. É bom para quem está visitando o Rio de Janeiro ter a chance de ver Beija-Flor e Salgueiro na mesma noite, duas grandes escolas com grandes sambas. A Beija-Flor veio com um grande elenco, respeitando o convite. Sejamos todos felizes nesses intercâmbios, com essa escola de samba realizando um evento que convida coirmãs a estarem aqui com seus quilombos”, afirmou Selminha.
Ela também destacou a representatividade da estreia de Jéssica à frente do microfone principal, ao lado de Nino, como uma vitória simbólica para as mulheres e o povo preto.
“Estava escrito, era para ser! Vamos abraçar, acolher, incentivar e acreditar no talento da Jéssica e do Nino. Ter uma mulher à frente do microfone principal representa muito para nós. Só o samba é capaz de promover essas reparações históricas e culturais. Que venham outras Jéssicas em outras escolas também”, completou.
Marquinho Marino, diretor de carnaval da Azul e Branca, enalteceu a participação da Beija-Flor no evento e agradeceu o convite e o carinho do Salgueiro, ressaltando também sua ligação pessoal com a escola da Tijuca.
“O Salgueiro é uma escola muito querida. Tenho muito carinho, muitos amigos e frequentei bastante a quadra na infância. Vir aqui é sempre prazeroso, porque a recepção é de primeiro mundo. Fico muito feliz sempre que somos convidados”, declarou.
Ele também comentou sobre a estreia da nova dupla de intérpretes, explicando como tem sido o processo de preparação, que inclui ensaios em estúdio e acompanhamento de profissionais especializados.
“Quem esteve na quadra pôde começar a entender um pouco do que será esse trabalho com Nino e Jéssica. A gente tem essa preocupação de mostrar que, embora sejam uma dupla, ambos têm talentos individuais que precisam se somar. Não é só colocá-los no palco e deixá-los se virar. Temos feito um trabalho forte com a equipe de harmonia, professor de canto, fonoaudióloga e o diretor musical, tudo de forma muito específica. As pessoas devem ter percebido isso hoje”.
Marino encerrou destacando a disciplina e a dedicação da dupla, e como o resultado já pôde ser percebido na estreia.
“O mais importante não é apenas colocar duas vozes, mas fazer com que elas se somem. Nino e Jéssica estão fazendo um ótimo trabalho, com disciplina e entrega. O que vimos na quadra é fruto desse esforço. Estou muito feliz e vejo grande potencial. Já fizemos 14 ensaios em estúdio, onde podemos testar e ajustar tudo. Mas, quando chega no palco, tem que executar o que foi ensaiado. E eles fizeram isso hoje. Estou confiante de que terão um caminho de glória, desde que mantenham o foco, trabalhem com humildade e continuem se respeitando como artistas”.
A dupla também falou ao CARNAVALESCO sobre a emoção da estreia como intérpretes oficiais da Beija-Flor, especialmente em uma noite especial na quadra do Salgueiro.
“Estar aqui é uma felicidade enorme. Assumir o microfone é, além de uma grande responsabilidade, uma emoção imensa. Como eu já disse, não haverá outro Neguinho da Beija-Flor. Ele é insubstituível. Nossa missão é dar continuidade ao trabalho dessa escola gigante”, declarou Nino.
“Foi incrível, um trabalho maravilhoso. Estamos nos preparando há um mês e espero que tenhamos conseguido entregar pelo menos um pouco do que queremos mostrar em 2026. Suceder nosso mestre Neguinho está sendo maravilhoso. Sabemos da responsabilidade, mas tenho certeza de que, junto com o Nino, faremos um trabalho incrível com a família Beija-Flor”, finalizou Jéssica.
A Unidos de Padre Miguel viveu mais um domingo especial com a realização de sua tradicional feijoada. O evento, já querido pelo público, reuniu a comunidade na quadra da escola com muito samba, alegria e, claro, aquele tempero especial que só a Vila Vintém tem. Quem marcou presença pela primeira vez foi Lorena Maria, a nova musa da escola, que foi recebida com todo carinho e entusiasmo. Em seu primeiro contato com a comunidade, Lorena se mostrou encantada com o clima da quadra e com o calor humano que encontrou em cada canto. Com um look cheio de brilho, ela aproveitou a tarde ao som do samba, conheceu os segmentos da escola e já começou a escrever sua história com a Vermelha e Branca.
“Foi uma tarde inesquecível. Me senti em casa desde o primeiro minuto. A recepção da comunidade da Vila Vintém me emocionou e só aumentou ainda mais a minha vontade de representar essa escola com todo o meu coração”, declarou Lorena, radiante com sua estreia.
A nova musa foi recepcionada pela rainha de bateria, Andressa Marinho, e pelas outras musas da agremiação, em um encontro leve, cheio de sorrisos, abraços e boas-vindas.
“A chegada da Lorena foi muito especial. A gente sente quando alguém vem de verdade, com vontade de somar. Ela tem brilho, carisma e já conquistou todo mundo aqui. Seja muito bem-vinda à nossa família”, disse Andressa, que fez questão de acompanhar a musa durante a feijoada.
Em breve, a escola divulgará a data da cerimônia de enfaixamento da nova musa do Boi Vermelho.
Dentre os grupos organizados pela Liga Independente das Escolas de Samba de São Paulo (Liga-SP), a Dom Bosco foi a quinta escola a escolher o samba-enredo para 2026. A agremiação, entretanto, foi a primeira a fazer um concurso para saber qual canção levará ao Anhembi – no caso, para embalar o desfile de “Mariama, Mãe de todas as raças, Mãe de todas as cores, Mãe de todos os cantos da terra”. A parceria vencedora é composta por Gui Cruz, Darlan Alves, Portuga, Imperial, Douglas Chocolate, Marcos Mala, Luciano Rosa, Gabriel, Reinaldo Marques e Willian Tadeu. Presente no evento que coroou por aclamação o samba-enredo da agremiação, no Circo Social Dom Bosco, em Itaquera, na Zona Leste de São Paulo, o CARNAVALESCO entrevistou uma série de figuras importantes para a agremiação.
Os três sambas-enredo finalistas foram executados na sequência. Primeiro, o samba 04, composto por Luiz Magrego, Fernando Negão, Rubinho e Marquinho. Depois, o 06, de autoria de Turko, Silas Augusto, Rafa do Cavaco e Fábio Souza. Os presentes reagiram com simpatia às duas obras; mas, quando o 08 (que se sagraria vencedor) foi anunciado, a quadra do Circo Social Dom Bosco fez muito barulho.
Enquanto os votos eram computados, a agremiação realizou uma procissão em louvor à Mariama, homenageada no enredo. Ao som de “Negra Mariama”, da Pastoral Afro, a escola inteira seguiu o cortejo. E, na hora do anúncio, todos os presentes urraram de alegria.
Palavra dos vencedores
Escola mais sui generis do carnaval paulistano (quiçá do Brasil) por ser fruto de uma obra salesiana em um ambiente muito ligado à cultura afro, é compreensível que escrever um samba-enredo para a Dom Bosco cause um sentimento diferente para um autor. Nada, entretanto, que tenha assustado a parceria.
Gui Cruz revelou-se, inclusive, muito ligado à homenageada: “Não teve muita diferença porque a nossa parceria deixou a inspiração correr. Na linha do samba que a gente foi produzindo, falamos que estava ficando como uma oração para Nossa Senhora Aparecida. Eu sou devoto de Nossa Senhora Aparecida, não tem um dia na minha vida, desde que eu entendo por gente, que eu não penso nela antes de dormir e quando eu acordo”, destacou.
Ele também pontuou a sensação de vencer a disputa: “Sem dúvida nenhuma, é uma emoção muito grande ficar eternizado com essa obra que vai contar essa belíssima história que o Fábio Gouveia trouxe para a Dom Bosco. É legal ver como a escola se envolveu com ele e conseguiu mudar a chavinha de um carnaval para o outro, todo mundo foi junto com o carnavalesco”, afirmou, elogiando o carnavalesco da Dom Bosco.
O vencedor do Destaques do Ano (organizado e concedido pelo CARNAVALESCO) de2025 na categoria “Influenciador” aproveitou para, inclusive, relembrar a história da agremiação e fazer referências fora da folia de Momo: “A Dom Bosco tem um samba lindo sobre Rosas Negras, de 2008, que é um samba muito bonito – que eles cantaram hoje, inclusive. Que esse samba possa entrar para a história da escola – e, quem sabe, levar a escola para o tão sonhado Grupo Especial. É muito especial falar de Nossa Senhora Aparecida, de Mariama, Missa dos Quilombos, Milton Nascimento. É muita coisa, esse enredo é muita coisa. E, graças a Deus, a escola escolheu o nosso samba. Tomara que o samba seja muita coisa, também”, afirmou.
Gabriel, também da parceria campeã, deu detalhes sobre as reuniões dos compositores: “Não, não foi complicado. A coisa foi fluindo muito rápido. Em dois ou três encontros a gente conseguiu terminar o samba. Gravamos muito rápido e aí foi embora, gravamos dessa maneira. Quando a inspiração fluiu na rapaziada, foi embora”, afirmou.
Atalho cultural
Uma referência que foi adiantada pelo próprio carnavalesco no lançamento do enredo da Dom Bosco para 2026 foi muito utilizada pela parceria de acordo com Imperial, outro campeão: “Tem um grande pulo do gato nisso tudo, que é o que faz a junção da sinopse proposta pela escola com a obra que a gente fez: a própria obra musical do Missa dos Quilombos, que é a obra norteadora disso tudo. Aquele clima que eles conseguiram criar lá em 1981, a gente consegue reportar em vários momentos do samba – tanto em letra quanto em melodia”, refletiu.
O mesmo compositor comemorou a temática da agremiação itaquerense: “É muito interessante porque, ainda que seja uma escola católica, toda escola de samba tem sua fundamentação negra. A escola de samba é de raízes pretas. Isso surge, de alguma forma, com essa Mariama de todos os povos, todos os andores e todos os tambores”, comentou.
Aprovação instantânea
Outros ouvidos pela reportagem mostraram-se contentes não apenas com a escolha do samba-enredo, mas com toda a safra que a agremiação teve. Aramis Francisco Biaggi, padre que atua como vice-presidente da escola de samba e diretor-tesoureiro da Obra Social, foi um deles: “É importante a gente ter escutado e participado das onze seminárias apresentadas para, depois, ficarem três finalistas. Essas três estão muito bem concisas, e a obra escolhida engloba todas as características que gostaríamos na nossa canção. É interessante que o conteúdo delas venha ao encontro daquilo que é o tema do qual nós estamos trabalhando, Mariama. E a preocupação dos que apresentaram sambas é colocar a experiência de Maria, a Nossa Senhora Aparecida, que é a padroeira do Brasil – e que faz parte com Dom Helder Câmara e Milton Nascimento, que fizeram a Missa Mariana. Isso vem para coroar o samba que nós estamos apresentando”, destacou.
Aramis Francisco Biaggi, padre que atua como vice-presidente da escola de samba e diretor-tesoureiro da Obra Social
Rodrigo Xará, intérprete que cantará a obra a partir de agora, também gostou do que será executado por ele próprio: “A gente está muito feliz, a gente tem um enredo muito forte, muito bonito. É um trabalho fantástico do Fábio Gouveia de pesquisa e de sinopse. Os compositores todos elogiaram, então acho que, por isso, a gente teve uma safra muito boa. De todos que eu falei anteriormente, cada um falou um samba-enredo diferente. Mas, quando a gente apresentou o vencedor, eu tive certeza que a galera bateu bem o martelo”, analisou.
Rodrigo Xará, intérprete
Autor do enredo, o carnavalesco Fábio Gouveia seguiu a mesma linha: “Eu fiquei muito feliz com a safra em geral e com o vencedor em especial. O ano passado eu já havia ficado muito feliz com a safra. Não era o samba que eu desejava para a final, mas fluiu bem. A gente tem um trabalho de abraçar e querer fazer o samba – e a gente fez acontecer. Para esse ano, para a minha felicidade, quem teve acesso ao regulamento pôde ler que eu não queria tirar dúvida de compositores: eu queria que eles olhassem a sinopse, aquela poesia, e entregasse para a gente o melhor dele. Foi isso que eu fiz. Essa safra foi, dos últimos anos do profissional Fábio Gouveia, a melhor de todas”, exaltou.
Autor do enredo, o carnavalesco Fábio Gouveia
Sem dúvidas?
Chamou atenção a declaração de que Fábio não queria tirar dúvidas. Ele mesmo explicou: “Nós não temos problema em relação às letras. Nós fizemos um processo muito diferente dos últimos carnavais. Na verdade, a minha intenção era dar o título do enredo e jogar na mão do compositor e ele nos entregar uma obra sem sinopse, inclusive. Nós entregamos uma sinopse muito bem construída – e eu tenho uma pessoa que está me ajudando muito, o Jaime Branco, que está me ajudando na pesquisa. Nós fomos atrás e os compositores corresponderam: tivemos 26 inscrições e 12 sambas efetivos”, iniciou.
Ele foi mais enfático na sequência: “Disse que eu não queria mexer e nem corrigir na obra de vocês, disse que o que eu precisava é de um grande samba. A Dom Bosco precisa – e eles entenderam isso. Quando vieram as obras, foi a maior surpresa: até então, eu só tinha visto letras. Quando eu recebo a justificativa de cada samba-enredo, aí a gente entende que a Dom Bosco fez o caminho certo para escolher o melhor samba”, refletiu.
Enredo especial
Padre tal qual Rosalvino Morán Vinãyo, grande mentor não apenas da escola de samba como também da Obra Social Dom Bosco, Aramis revelou quão especial é ter Mariama como temática em um desfile de escola de samba: “Esse ponto é muito interessante. Quando o carnavalesco apresentou o tema para nós, o padre Rosalvino, de modo especial, ficou muito feliz: ele é muito devoto de Nossa Senhora Aparecida, que salvou-lhe muitas vezes”, relembrou.
Não foi apenas o grande mentor da obra que gostou da temática: “Para todos nós, veio em conta essa emoção profunda de saber o tema – e, depois, os sambas que vieram refletir sobre a importância de Maria de Nossa Senhora Aparecida para o povo brasileiro. Em especial para o nosso povo de Itaquera, a nossa escola de samba. Dom Bosco tem uma devoção muito grande à Nossa Senhora”, explicou.
Vale lembrar que João Melchior Bosco, o Dom Bosco original, fundador da ordem salesiana da igreja católica apostólica romana no século XIX, era devoto de Maria Auxiliadora – e vem de tal característica a fala de Aramis.
De olho no futuro
É natural que sambas-enredo sofram alterações para se adequar ao enredo ou também para encaixar ritmo e melodia às características e ao time da escola. Tudo, entretanto, é muito conversado, de acordo com Xará: “Aqui, todas as decisões são colegiadas – principalmente entre mim e o mestre Bola em relação à parte musical. Agora, tem o Márcio Telles de volta na Harmonia e ele sabe o jeitinho da Dom Bosco. Estamos aqui há cinco anos, a gente sempre faz uma adequação para com a cara da escola. Mas o samba está muito bom. Se tiver qualquer alteração, vai ser algo mínimo, mesmo. Coisinha simples”, tranquilizou.
Conhecido por sempre vir fantasiado ao desfile, o intérprete destacou que conta com a ajuda do carnavalesco da instituição: “Já tem alguma coisa! Para esse ano, o Fábio me ajudou. Foi o Fábio quem me vestiu ano passado e ele já tem algumas ideias para esse ano. Já tem uma ideia, ela já gostou e vocês vão gostar, também. Vamos ver dentro do enredo. Vai ser, claro, respeitoso, vai ser uma coisa mais bonita – mas vai ser algo caracterizado”, brincou.
Parte(s) favorita(s)
Dos três compositores ouvidos pela reportagem, dois trechos foram citados como os favoritos. Sucinto, Imperial cravou: “Eu gosto do refrão do meio!”, exclamou.
Gabriel também foi direto: “A minha parte favorita é ‘milhões de altares e andores se unem aos tambores, é o jeito do samba rezar’”, comentou.
Por fim, Gui Cruz juntou as duas partes citadas anteriormente: “Eu gosto do refrão do meio, mas eu gosto muito da finalização indo para o refrão: ‘É o jeito do samba rezar’. A Dom Bosco tem muito disso, ‘vai pensando que a gente só reza’ e etc. Esse vai ser o jeito que a Dom Bosco vai rezar nesse carnaval de 2026: com samba”, finalizou.
Show e macarrão
O evento teve início às 13h e não era, unicamente, para escolher o samba-enredo da Dom Bosco para 2026. Para comemorar, a comunidade inteira se uniu na Macarronada do Padre, com o prato tipicamente italiano sendo servido com diversos molhos para se optar. Quem degustava a iguaria também curtiu dois shows, das bandas Preto Remanso e Quintal da Xika.
O show da agremiação começou logo na sequência – e contou com novidades. Foi, sobretudo, o primeiro evento de Márcio Telles, novo diretor de Harmonia da agremiação, no retorno dele à escola – em 2008, ele foi o coreógrafo da comissão de frente do marcante desfile “Brasil, Um Jardim de Rosas Negras”. O novo quadro de destaques de chão também foi apresentado à comunidade.