Início Site Página 25

Alex Neoral e Marcio Jahú avaliam notas da comissão de frente da Vila Isabel

0

A dupla de coreógrafos da Unidos de Vila Isabel, Alex Neoral e Márcio Jahú, conversou com o CAPIXABICES poucos minutos após o final da apuração.

Segundo ambos, a única questão que fica é o décimo perdido, que foi descartado, na cabine dupla.

Segundo Neoral, é um sentimento dúbio de felicidade e tristeza.

“A gente fica triste e feliz. Feliz por ter a certeza de que foi um trabalho feito com excelência. Para nós e para o público. Claro que julgador tem a necessidade de uma avaliação mais criteriosa. As vezes é muito subjetivo o olhar de quem está lá avaliando, mas fico feliz com o resultado. A comissão veio do jeito que nós queríamos. O terceiro lugar afaga o coração por podermos levar isso para a comunidade. Claro que fica o desejo do primeiro lugar, nós trabalhamos para isso, assim como toda a escola”, declarou o coreógrafo.

vila isabel desfile 2026 07

Para Jahú, é preciso ver a justificativa da cabine espelhada. E o que um jurado viu que o outro não enxergou.

“O julgamento é muito subjetivo e acho que tem que ser mesmo. É preciso um olhar técnico. Estamos falando de arte. O que vale mais, uma Monalisa ou um quadro do Picasso? Não dá para medir. Julgador vai na técnica, acham pequenos erros para justificar perda de pontos. Na cabine espelhada tivemos um 10 e um 9,9. Ficamos curiosos para saber o que um viu que o o outro não. É realmente esperar a justificativa. Estou feliz. Sabia que o título dificilmente sairia de Beija-Flor, Viradouro ou Vila Isabel. Foram grandes desfiles e nós tínhamos a consciência disso. Era uma missão superá-las. Foi merecido. Nós estamos no pódio e isso também é super valioso”, finalizou.

 

Veja a classificação final do Grupo Especial 2026

0

A Unidos do Viradouro foi consagrada na tarde desta quarta-feira de cinzas grande campeã do Carnaval do Rio de Janeiro 2026.

Depois de arrebatar todos na Sapucaí com um enredo extremamente emocionante, homenageando, em vida, Mestre Ciça, a vermelho e branco leva para Niterói a quarta conquista de sua história.

Além da campeã Viradouro, mais 5 agremiações voltam a desfilar na Sapucaí no próximo sábado, 21.

Veja como ficou a classificação:

tabelariodejaneiro

VIRADOURO É CAMPEÃ DO GRUPO ESPECIAL 2026

0

A Unidos do Viradouro é a grande campeã do Carnaval do Rio de Janeiro 2026.

Após uma apuração apertada, numa disputa direta com Beija-Flor, a escola de Niterói conquistou a quarta estrela para o pavilhão vermelho e branco.

VEJA FOTOS DO DESFILE DA VIRADOURO

Num desfile arrebatador em homenagem a mestre Ciça, a Viradouro volta a vencer o carnaval do Rio de Janeiro.

 

Ao vivo: Acompanhe a apuração do Grupo Especial

0

‘Confiamos totalmente na Liesa’, afirma presidente do Salgueiro

0

Com uma belíssima homenagem para Rosa Magalhães, o Salgueiro encerrou a última noote de desfiles do Grupo Especial. O carnavalesco Jorge Silveira trouxe para avenida Jorge Silveira trouxe para Sapucaí um conjunto estético de muito bom gosto e de muita qualidade de acabamento e de luxuosidade nos materiais. Tudo do jeito que a ‘Mestra’ merece.

alegoria salgueiro

Sidclei e Marcella mais uma vez darem uma aula no quesito de mestre-sala e porta-bandeira. Eles trouxeram à cena lembranças da marcante passagem solo de Rosa Magalhães pela Academia do Samba, entre 1990 e 1991, representando a própria corte da agremiação, evocando os contornos medievais do enredo.

salgueiro desfile 2026 10

“É uma satisfação imensa por todas as noites sem dormir, das coisas que tive que abdicar com a minha família. É gratificante quando você consegue colocar em prática tudo o que trabalhou. Eu me cobro muito e ano que vem vou treinar o dobro”, disse Sidclei em entrevista ao CARNAVALESCO. 

salgueiro desfile 2026 08
Fotos: Allan Duffes/CARNAVALESCO

Ao fim do desfile, o presidente André Vaz fez questão de falar do belíssimo desfile plástico do Salgueiro e comentou sobre a nota oficial lançada pela escola para a Liesa.

salgueiro desfile 2026 01

“Foi emocionante. Falar de Rosa Magalhães, fechar o carnaval e tudo deu certo. A escola veio com carros lindos, fantasias luxuosas, segmentos com sangue nos olhos, comunidade cantando e colocando o Salgueiro na briga pelo título. Sobre a nota oficial, foi de agradecimento. Confiamos totalmente na diretoria da Liesa, estamos com o Gabriel. Quando eu assumi o Salgueiro, o repasse financeiro era de R$5,8 milhões, hoje é R$14 milhões. Dessa forma, temos que dar parabéns para o Gabriel todo dia por trazer tantos recursos para as escolas brincarem o carnaval”, declarou.

‘Duvidaram muito da Grande Rio’, diz mestre Fafá

0

A Acadêmicos do Grande Rio levou à Marquês de Sapucaí o enredo “A Nação do Mangue”, do carnavalesco Antônio Gonzaga, de densidade política e potência simbólica, ao transformar o mangue em metáfora de origem, resistência e revolução cultural.

A evolução transcorreu sem grandes atropelos ou buracos visíveis e agradou o diretor Thiago Monteiro.

grande rio desfile 2026 38

“Estou muito feliz e satisfeito. De dentro nós não temos a real noção, mas acredito que a nação do mangue veio para avenida com tudo. Na minha ótica, fizemos um desfile tranquilo, técnico e sabendo tudo o que queríamos. Carnaval é matemática, planejamento, organização e a Grande Rio, mais uma vez, se consolida como uma padrão de desfile”, declarou em entrevista ao CARNAVALESCO.

O samba foi sustentado com força pelo intérprete Evandro Malandro, que conduziu a obra com potência vocal e segurança, características que já marcam sua trajetória.

grande rio desfile 2026 02

“Foi emocionante. O amor a camisa, o amor a Grande Rio e a Caxias tomou conta da Sapucaí. Acho que todo mundo abraçou a escola”, disse.

A bateria de Mestre Fafá executou um trabalho consistente, com bossas bem distribuídas que evitaram a monotonia rítmica. O andamento se manteve firme.

grande rio desfile 2026 30

“Acho que duvidaram muito da Grande Rio, do samba, do Antônio que é um gênio e a escola fez um desfile incrível. Espero que a apresentação da bateria venha nos coroar com nota máxima”, declara.

grande rio desfile 2026 28

‘Foi um desfile mágico’, declara mestre-sala da Vila Isabel

0

Com o enredo “Macumbembê, Samborembá: Sonhei que um Sambista Sonhou a África”, a Vila Isabel entrou na avenida com uma das favoritas ao título e confirmou o status.

vila isabel desfile 2026 41

Coreografada por Alex Neoral e Márcio Jahú, a comissão traduziu poeticamente o argumento central do enredo, que é a mistura entre samba e macumba, sob os olhos encantados de Heitor dos Prazeres.

vila isabel desfile 2026 03

“O dia do desfile é sempre muito imprevisível, mas é muito bom quando tudo dá certo como deu. Estava todo mundo torcendo e jogando junto. Uma homenagem linda e justíssima para Heitor dos Prazeres”, disse a dupla em entrevista ao CARNAVALESCO.

Em seu retorno à escola, Raphael Rodrigues e Dandara Ventapane representavam Oxum e Xangô, santos de cabeça de Heitor dos Prazeres e forças que guiaram a sua trajetória, conforme narrado por seus familiares.

vila isabel desfile 2026 09

“Foi um desfile mágico. Tudo o que a gente sonhou e planejou conseguimos colocar em prática”, disse Raphael.

vila isabel desfile 2026 08

“Foi um desfile do coração, da preparação, da maturidade. Nos nossos sonhos a gente queria chegar em momentos como esse e podemos vivê-lo”, complementou Dandara.

A Vila Isabel trouxe para a Avenida o celebrado samba dos compositores André Diniz, Evandro Bocão e Arlindinho Cruz.

No refrão principal, mestre Macaco Branco colocou toque para os orixás, com o ijexá para Oxum e o alá para Xangô, além de uma bossa de pegada afro na cabeça do samba. Também houve a bossa de tambor no refrão principal, que estimulava mostrar o canto do componente.

vila isabel desfile 2026 26

“Foi a entrega da nossa monografia. A gente apresentou esse projeto em homenagem a Heitor dos Prazeres e tenho certeza que os jurados vão aprovar esse trabalho”, disse Macaco Branco.

‘Sapucaí estava esperando o Pixulé’, declara intérprete

0

Com o enredo “Lonã Ifá Lucumí”, desenvolvido pelo carnavalesco Jack Vasconcelos, o Paraíso do Tuiuti abriu a última noite de desfiles do Grupo Especial. Com um dos melhores sambas do ano e Pixulé dando um show no microfone, a escola conseguiu trazer o público e ter seu samba cantado durante todo o tempo.

tuiuti desfile 2026 33

“A sensação é de dever cumprido. Tudo o que eu queria fazer, eu fiz. Queria emocionar toda a Sapucaí e consegui. Para minha surpresa, todo o público cantou com a gente. Fiquei surpreso e emocionado. Não sendo prepotente, mas acho que o público estava esperando o Pixulé e eu acho que não decepcionei”, declarou Pixulé em entrevista ao CARNAVALESCO. 

tuiuti desfile 2026 03

Coreografada por David Lima, a comissão investiu em teatralidade e impacto visual. Após o desfile, o coreógrafo se mostrou satisfeito com o trabalho.

tuiuti desfile 2026 08

“O Paraíso do Tuiuti é incrível. Eu não consigo apontar uma coisa que ensaiamos e deixamos de fazer. Ver essa avenida cantando e interagindo com a gente a cada movimento foi lindo”, disse.

Juntamente com Pixulé, a bateria era um dos segmentos mais aguardados e que fizeram o público vibrar. A rainha de bateria Mayara Lima foi um dos grandes momentos do desfile. Representando os ikins de Orunmilá, ela desfilou com imponência e energia à frente de uma bateria caracterizada como babalaôs, acompanhada por ogãs. Sua performance uniu simbologia e samba no pé, conquistando forte reação do público. A sintonia com a bateria comandada por Mestre Marcão é algo de ser tirar o chapéu.

tuiuti desfile 2026 24

“Foi um trabalho árduo, de muito ensaio e conseguimos o nosso objetivo. Só tenho que agradecer a confiança da diretoria e dos ritmistas”, declarou.

Povo Fala: Público avalia segunda noite de desfiles do Grupo Especial

A segunda noite de desfiles do Grupo Especial reuniu rock, ancestralidade, celebração ao samba e literatura na Marquês de Sapucaí, com apresentações de Mocidade Independente de Padre Miguel, Beija-Flor de Nilópolis, Viradouro e Unidos da Tijuca. Em enredos que homenagearam Rita Lee, o Bembé do Mercado, o mestre de bateria Ciça e a escritora Carolina Maria de Jesus, as escolas transformaram a avenida em um mosaico de memória, resistência e emoção, mantendo aberta a disputa pelo título.

Entre arquibancadas cheias e reação intensa do público, o CARNAVALESCO ouviu torcedores, que destacaram a força  das homenagens, o impacto visual dos desfiles e o equilíbrio técnico da noite, indicando um julgamento ainda imprevisível.

Mocidade Independente de Padre Miguel

A primeira escola a passar pela Marquês de Sapucaí apostou em um enredo homenageando a cantora Rita Lee, seu desfile misturou rock com samba, mostrou a essência da Vila Vintém e o legado da homenageada, abordando suas canções famosas, as lutas que defendeu e sua estética rock-star.

Samuel dos Santos
Samuel dos Santos assistiu aos desfiles na Marquês de Sapucaí pela primeira vez. Foto: Maria Estela Costa/CARNAVALESCO

O concurseiro, Samuel dos Santos, esteve pela primeira vez no Sambódromo e se surpreendeu com o desfile da Mocidade. Segundo ele, a agremiação superou suas expectativas, pois imaginava que seria bom, mas na verdade, na sua percepção, foi magnífico.

“A comunidade chamou muita atenção, mas nos carros alegóricos deste ano, eles tiraram muita onda”, declarou Samuel.

Juliane Ribeiro
Juliane Ribeiro, 28 anos, fico emocionada com o desfile da Mocidade. Foto: Maria Estela Costa/CARNAVALESCO

Juliane Ribeiro, recepcionista de 28 anos, assistiu ao desfile no primeiro setor e se sentiu muito emocionada com a homenagem, sobretudo, por ter um amor pela agremiação.

“Eu achei lindo o carro dos cachorrinhos, porque ela era uma defensora dos animais e isso é uma causa muito importante, achei fantástico”, disse Juliane.

Beija-Flor de Nilópolis

Segunda escola a se apresentar, a Beija-Flor levou para a Avenida o enredo “Bembé”, que exaltou o Bembé do Mercado, maior celebração pública de candomblé do mundo, realizada em Santo Amaro, na Bahia. O desfile destacou a ancestralidade, a resistência cultural e a ocupação do espaço público pelo povo preto, em uma apresentação marcada pela força simbólica e pelo apuro técnico característico da azul e branca de Nilópolis.

JOAO PEDRO DA SILVA
João Pedro da Silva, 17 anos, torcedor da Mocidade. Foto: Maria Estela Costa/CARNAVALESCO

João Pedro da Silva, 17 anos, torcedor da Mocidade, acompanhou atentamente a passagem da atual campeã e fez elogios à apresentação. Segundo ele, a Beija-Flor manteve o alto nível que o público já espera da escola. “Muito lindo, excelente. A Beija-Flor é sempre muito forte, muito correta. Não à toa é a atual campeã. Fez um desfile muito correto e muito técnico, como já era de se esperar”, afirmou.

Sobre o samba-enredo, o jovem destacou a popularidade e a força da obra. “Não é por acaso que esse samba é o mais executado das plataformas digitais. O samba é potente e empolga. Além de tudo é fácil de cantar, e eu acho que passou muito bem aqui hoje”, declarou. Para ele, a escola está na briga. “É claro que ainda tem as outras, e no carnaval tudo pode acontecer. Mas a Beija-Flor, sem dúvidas, fez um desfile para brigar pelo título”, concluiu.

LENUSA ALMEIDA
Lenusa Almeida, 42 anos, mergulhadora. Foto Maria Estela Costa/CARNAVALESCO

A mergulhadora Lenusa Almeida Couto,  42 anos, que tem a Unidos do Viradouro como escola de coração, fez questão de chegar cedo ao Sambódromo para assistir à apresentação da azul e branca de Nilópolis. Ela se encantou com o conjunto visual da escola. “Eu achei um desfile maravilhoso, visualmente foi um espetáculo muito bonito de se ver”, disse.

Apesar dos elogios, Lenusa apontou uma pequena ressalva no desempenho musical. “Eu achei que a bateria estava um pouco fraca hoje, mas, tirando esse detalhe, todo o restante do desfile estava maravilhoso”, avaliou. Ainda assim, acredita no potencial da agremiação. “Sim, com certeza. A escola tem muita chance de vencer, o conjunto da obra permite que eles sonhem com esse título”, afirmou.

Acadêmicos do Viradouro

Viradouro homenageou seu ilustre componente, Mestre Ciça, personagem que há anos vivencia a trajetória da agremiação. O desfile foi uma celebração aos 70 anos de vida do mestre e de sua trajetória dentro do carnaval, destacando sua relevância no samba e trabalho na bateria “Furacão Vermelho e Branco”.

Michele Jacinto 1
Michele Jacinto. Foto: Maria Estela Costa/CARNAVALESCO

Michele Jacinto, pedagoga de 48 anos, veio de Porto Alegre, Rio Grande do Sul, para prestigiar o maior espetáculo da Terra. Michele se encantou com o desfile, sobretudo, com a bateria da Viradouro.

“Eu amei o desfile da Viradouro, embora eu torça para uma coirmã, até a data de hoje, eu daria o título para a Viradouro, porque foi um show à parte. A batera foi a cereja do bolo, um diferencial, muita ousadia. O mestre Ciça e toda a escola estão de parabéns”, destacou Michele.

Alcione Rosa
Alcione Rosa. Foto: Maria Estela Costa/CARNAVALESCO

Alcione Rosa, atendente de telemarketing, de 43 anos, assistiu ao desfile da agremiação e também se encantou com a bateria de Mestre Ciça, porém, percebeu um obstáculo que a agremiação enfrentou.

“Eles foram muito bons, porém, eu acho que foram prejudicados pelo último carro, que tava quebrando um pouco do lado. Mas estava tudo maravilhoso, eles arrasaram muito na avenida”, declarou Alcione.

Unidos da Tijuca

A Unidos da Tijuca fechou a noite com o enredo em homenagem à escritora Maria Carolina de Jesus, trazendo temas como desigualdade, resistência e potência feminina. A escola apostou em uma narrativa sensível e impactante para contar a trajetória da autora que deu voz às periferias do Brasil.

JESSICA BORJA
Jessica Borja. Foto: Júnior Azevedo/CARNAVALESCO

Jessica Borja, 26 anos, cabeleireira e torcedora da Mangueira, acompanhou o desfile da azul e amarela do Borel e se emocionou com a proposta apresentada.

Sobre a apresentação, Jessica avaliou de forma positiva.

 “Eu achei um desfile muito emocionante. A Unidos da Tijuca conseguiu contar a história da Maria Carolina de Jesus com muita delicadeza, mas também com muita força. Foi um desfile que fez a gente pensar e sentir ao mesmo tempo”, afirmou.

Em relação ao samba-enredo, ela destacou a conexão com o público.

 “O samba era forte, tinha uma letra muito bonita e consciente. Não era só um samba para cantar, mas um samba para prestar atenção na mensagem. E mesmo assim era envolvente, a arquibancada cantou junto”, disse.

Questionada se a escola pode brigar pelo título, Jessica ponderou.

 “O carnaval é sempre imprevisível, mas a Tijuca fez um desfile muito consistente. Se os jurados valorizarem o enredo e a emoção que eles passaram, tem, sim, chance de estar entre as primeiras”, concluiu.

CAROLINA ALVES
Carolina Alves. Foto: Júnior Azevedo/CARNAVALESCO

Já Carolina Alves, 44 anos, socióloga e torcedora da Portela, analisou o desfile com um olhar mais técnico e social. Para ela, a escolha do enredo foi potente e necessária.

 “A homenagem à Maria Carolina de Jesus foi extremamente relevante. Ela é uma das maiores vozes da literatura no Brasil, e trazer essa história para a avenida é um ato político e cultural muito importante”, afirmou.

Sobre o desempenho musical da escola, Carolina elogiou a coerência entre samba e narrativa.

“O samba estava muito alinhado com a proposta do enredo. A letra dialogava com a trajetória da escritora, e a bateria sustentou bem a emoção que o desfile pedia. Foi uma apresentação coesa”, declarou.

Quanto às chances de título, a socióloga acredita que a escola entra na disputa.
“É um desfile que une conteúdo e estética. Se o julgamento reconhecer essa construção e a relevância do tema, a Unidos da Tijuca pode até sonhar com o campeonato”, concluiu.

Título em aberto

Com propostas distintas e identidades bem marcadas, Mocidade, Viradouro, Beija-Flor e Unidos da Tijuca encerraram a noite mostrando que o Grupo Especial segue equilibrado e competitivo. Entre homenagens emocionantes, exaltação à ancestralidade e desfiles tecnicamente consistentes, as quatro escolas apresentaram boas credenciais para figurar nas primeiras colocações, deixando a disputa pelo título completamente em aberto.

Sonha com o título! Salgueiro faz desfile luxuoso e consagra Rosa com aula de mestre-sala e porta-bandeira

0

Encerrando a noite dos desfiles, o Salgueiro apresentou um conjunto estético de muita qualidade. Pode-se dizer que o aluno aprendeu com a professora. Jorge Silveira trouxe para Sapucaí um conjunto estético de muito bom gosto e de muita qualidade de acabamento e de luxuosidade nos materiais. Visual de Rosa mesmo. Com canto potente, escola conseguiu bom rendimento do samba e viu Sidclei e Marcella mais uma vez darem uma aula no quesito de mestre-sala e porta-bandeira . Com evolução quase perfeita, buraco no primeiro setor deve virar nota descartada. Já a comissão foi criativa e trouxe diversos temas que Rosa levou para a Sapucaí. Homenagem justíssima a professora!

salgueiro desfile 2026 08
Fotos: Allan Duffes/CARNAVALESCO

Com o enredo “A delirante jornada carnavalesca da professora que não tinha medo de bruxa, de bacalhau e nem do pirata da perna-de-pau“ , o Salgueiro encerrou os desfiles do Grupo Especial com o tempo de 76 minutos.

COMISSÃO DE FRENTE

Concebida e coreografada por Paulo Pinna, a comissão do Salgueiro buscou reencontrar aquele mesmo sentimento inaugural de encantamento que Rosa imprimiu em suas aberturas. A comissão partiu de um gesto essencial, ligado ao método criativo da artista: o ato de ler e toda sua inspiração que vieram dos livros. Na apresentação, anjinhos com estética barroca vinham à frente de cinco elementos perfilados como grandes livros em uma biblioteca que formavam a palavra rosa. Desses elementos saiam diversas referências dos enredos e comissões que Rosa levou para a Sapucaí com o coreógrafo Fábio de Mello. Os anjinhos puxavam esses livros e de lá saíram a cabeça do cisne, e os livros perfilados formavam o corpo do bicho.

salgueiro desfile 2026 07

Depois subia uma bandeira de pirata e os livros formavam um navio com um personagem vestido de pirata em cima. Depois os livros são movimentados e começam a se abrir revelando em imagens com relevo de elementos bem brasileiros presentes nos enredos da Rosa como onça, tucano e arara. No final os anjinhos voltam e relembram a comissão dos leques de 1994, no enredo de Catarina de Médices. Bom trabalho de Paulo Pinna, leve, engraçado, mesmo sem um clímax, a comissão apresentou bem o enredo e trouxe vários pequenos artifícios que divertiam. O único ponto a se colocar foi alguma dificuldade nos módulos para a cabeça do cisne sair. Havia uma pequena demora.

MESTRE-SALA E PORTA-BANDEIRA

Um dos casais mais tradicionais do carnaval carioca, Sidclei Santos e Marcella Alves, trouxeram à cena lembranças da marcante passagem solo de Rosa Magalhães pela Academia do Samba, entre 1990 e 1991, representando a própria corte da agremiação, evocando os contornos medievais do enredo. O casal fez mais uma apresentação arrebatadora na Sapucaí.

salgueiro desfile 2026 10

Já na entrada da apresentação do módulo, Marcella simplesmente deu 18 giros de bandeira sem parar, inclusive, se deslocando pela pista e usando bem o espaço. Em seguida, a dupla girou junta e desfraldou o pavilhão para o júri. Na sequência, a dupla mostrou muita intensidade, inclusive no momento em que a porta-bandeira muda de sentido. E o pavilhão sempre totalmente desfraldado. Coreografia de alta dificuldade, executada com muita perfeição. Bailado clássico pautado na defesa do pavilhão com muita sincronia o tempo todo.

ENREDO

salgueiro desfile 2026 14

“A delirante jornada carnavalesca da professora que não tinha medo de bruxa, de bacalhau e nem do pirata da perna-de-pau” saudou o legado da professora trazendo além do saudosismo para os salgueirenses e sambistas em geral, o reverencionamento da memória pública, através do acervo de desenhos que Rosa doou para a Universo do Estado do Rio de Janeiro que foram base para o trabalho de pesquisa do desfile. O Salgueiro abriu o desfile entrando na biblioteca da Rosa, convidando o público a reencontrar a memória afetiva dos seus carnavais.

Em seguida, veio o universo literário, com enfoque especial na literatura infantil, que ela muito bem representou. O terceiro setor apresentou uma Rosa viajante, mostrando como viajamos pelo mundo sem sair do lugar com seus enredos. Em seguida, a escola trouxe Rosa nos ensinando a amar o Brasil por meio da natureza. O penúltimo setor mostrou o amor de Rosa pelos movimentos estéticos que pensaram a brasilidade. O Salgueiro encerrou convidando Rosa a retornar ao Acadêmicos do Salgueiro, numa grande festa em vermelho e branco, sendo recebida de volta à academia do samba onde nasceu artisticamente para o mundo. O enredo foi um passeio pela obra de Rosa, como proposto por Jorge desde o início. Com boa leitura, teve um desempenho satisfatório com um final criativo ao relacionar Rosa e a corte carnavalesca elevando a condição dela de professora para monarca do carnaval.

EVOLUÇÃO

salgueiro desfile 2026 15

O Salgueiro passou pela Sapucaí com muita fluidez em quase todo o seu desfile. Apenas na parte final do desfile, o último carro demorou a entrar e gerou um buraco que era visível apenas na primeira cabine de jurados o que deve fazer com que a escola não tome o 10 do jurado, mas sendo descartado. Mesmo com fantasias mais volumétricas a escola passou bem, pulando carnaval e não deixando ficar um desfile arrastado. Sem muita propensão para alas coreografadas, a comunidade do Andaraí mostrou muita espontaneidade e alegria. Desfile bem clássico.

HARMONIA

salgueiro desfile 2026 16

O carro de som da Academia comandado por Igor Sorriso trouxe uma novidade que já havia sido testada nos ensaios, a utilização de um violino a fim de produzir o clima mais clássico que fascinava a carnavalesca como nos bailes de Veneza. Com bom uso das vozes de apoio que imprimiram energia e volume no canto, Igor Sorriso ficou bastante a vontade para convocar a comunidade ao canto e para fazer algumas vocalizações, terças, tudo bem dentro da obra. Com uma voz mais propensa para atingir os agudos, Igor contou com a equipe para trabalhar com potência o canto mais reto. E o Salgueiro que enfrentou problemas com o som no segundo ensaio técnico na Sapucaí e mostrou força no canto da comunidade, repetiu o alto rendimento do treino. Em uma bossa, a bateria parava e ficava só o violino cantando com os componentes. A escola veio junto.

SAMBA-ENREDO

A obra que o Salgueiro escolheu para este carnaval tem como compositores Rafa Hecht, Samir Trindade, Thiago Daniel, Clairton Fonseca, Fabrício Sena, Deiny Leite, Felipe Sena, Ricardo Castanheira, JP Figueira, Deco, Marcelo Motta, Dudu Nobre, Julio Alves, Manolo, Daniel Paixão, Jonathan Tenório, Kadu Gomes, Zé Moraes, Jorge Arthur e Fadico. A obra teve um andamento mais para frente colocado pela “Furiosa” e pelo carro de som, o que permitiu alcançar um rendimento satisfatório na Sapucaí. Cresceu. E mesmo sem ser uma joia rara do grupo achou rendimento principalmente em dois momentos de muita força se constituindo dos dois refrãos, que pegaram a Sapucaí de forma despretensiosa. E o pré-refrão “Mestra , você me fez amar a festa” era um dos trechos mais cantados. Passou bem.

ALEGORIAS

O conjunto alegórico do Salgueiro era formado por 5 carros e 2 tripés. Formado por alegoria bem grandes, o apuro estético e a plástica foram dignos da professora. Todos com excelente acabamento, bom uso de cores e materiais, trazendo um ar nostálgico mas com soluções bem atuais. Jorge finalmente conseguiu mostrar muito da sua personalidade artística e de uma forma diferente do que ele apresenta em São Paulo. Trabalho muito bom. Com 70 metros de comprimento, ocupando todo o setor 1 da Sapucaí , o abre-alas do Salgueiro trouxe símbolos reconhecíveis como querubins, ornamentos rococós, misturas de estilos, personagens de carnavais, assinados por Rosa, realezas, com referências às escolas em que trabalhou (Vila Isabel, Imperatriz e Império Serrano), o universo lúdico infantil e a natureza brasileira.

salgueiro desfile 2026 30

A segunda alegoria trouxe o mundo do faz de conta se erguendo das páginas de autores do imaginário e da força das histórias que nunca cansam de ser contadas. Na alegoria, em formato de castelo de brinquedo, a parte da frente com um cisne e em cima bruxas estilizadas na estética infantil. O terceiro carro representou o percurso das viagens. O “Porto da Utopia” denominado pelo carnavalesco Jorge, se erguendo como síntese do imaginário, viajante de Rosa Magalhães. Na alegoria botes infláveis, gôndolas, canoas e embarcações de muitas nacionalidades . E até mesmo o jegue (1995), A quarta alegoria do Salgueiro trouxe o imperativo antropofágico que a mestra nos ensinou a pensar o Brasil, sempre recorrendo a artistas que enfrentaram a questão nacional de forma crítica e inventiva. São esses pensamentos que floresceram no carro nas formas selvagens, nos frutos tropicais e nas imagens da terra abundante. A presença indígena ocupou um lugar estruturante. Na frente, um grande bicho-papão, imagem-signo já presente na comissão de frente de 2002.A última alegoria representou a primeira casa carnavalesca da mestra, nos ventos da Revolução Salgueirense. Na alegoria, Fernando Pamplona e Arlindo Rodrigues, mestres e enredos, surgiam fantasiados para coroar a homenageada como autêntica Rainha Momo, figura recorrente em sua obra e símbolo maior da folia que Rosa tanta vezes celebrou em seus carros e enredos. A alegoria se completou com as decorações de rua que marcaram diferentes momentos da história da festa, ornamentos criados por Arlindo, Pamplona e pela própria Rosa, com um Pierrot na parte de trás.

FANTASIAS

O ponto alto do desfile, as fantasias tiveram muito do padrão Rosa, mas muito mais do perfil Jorge. Volumetria, excelente acabamento, uso de materiais de alta qualidade e luxuoso. Estética primorosa e atualizada. Melhor trabalho de Jorge no Rio. O primeiro setor trouxe uma estética mais clássica, com fantasias criativa, figurinos em formato de livros de onde saíam os enredos de Rosa com a ala “ sou fidalgo, sou leitor”. O segundo setor iniciou com tons mais quentes, mantendo o dourado e uma estética mais medieval,visual que sempre mexeu muito com o coração da carnavalesca. Destaque para a ala “O bolo irreverente “ e as baianas de “ dama da corte’. O terceiro setor apresentou uma concepção de fantasias mais baseadas no universo infantil, fascinação de Rosa, com a paleta de cores encontrando tons mais claros. Destaque para a ala “ nobres no gelo” que trazia barba inclusive. O quarto setor do Salgueiro retomou o dourado e mostrou fantasias criativas como “ chegam Mouros e camelos” que traziam o animalzinho na parte da frente. Esse setor conseguiu manter uma unidade de cor mesmo retratando estéticas diferentes de culturas diversas, pois era o setor das culturas, viagens que Rosa contou na Avenida. E o quinto setor apostou nas cores mais tropicais ao tratar da propensão de Rosa a sempre trazer enredos bem brasileiros. Neste setor, maior preferência pelo verde a fim de retratar as matas em contraste com algumas cores cítricas reproduzindo o tropical. O encerramento do desfile trouxe o universo carnavalesco e a estética acompanhou com o uso de estampas de bolinhas e costeiros com pompons como na ala “Arlequins de Arlindo”. O vermelho e branco do Salgueiro também não faltou no conjunto estético das alas que compunham esse final de desfile. Primoroso o trabalho.

OUTROS DESTAQUES

Com 70 metros de comprimento, o carro abre-alas ocupou todo o setor 1 da Sapucaí. A “ Furiosa“ dos mestres Guilherme e Gustavo homenageou na fantasia o desfile de Rosa em 2003 na Imperatriz , vindo de “Piratas”, em referência quando a artista transformou esses aventureiros em personagens de sonho e delírio. Toda dourada, a rainha Viviane Araújo trouxe a fantasia “Cobiça de Ouro” lembrando os ambiciosos piratas e sua gana por ouro e pedras preciosas, com figurino também inspirado no desfile de 2003 da Rainha de Ramos. A beldade veio suspensa em uma proa de navio pirata à frente dps ritmistas. Já os passistas desfilaram com figurino fazendo referência ao desfile da União da Ilha de 2010, principalmente ao trecho “Quem é que não tem uma louca ilusão e um Quixote no seu coração?”, se tratando do casal literário na tradicional e elogiadíssima ala do Salgueiro. A ala das baianas “ Amiga do Rei” representou as damas da corte, personagem que com constância era retratada nos trabalhos da carnavalesca. No esquenta, Igor Sorriso cantou o refrão de alguns sambas históricos como “ Pega no Ganzá”, “ Água de cheiro” , “ Candaces”, “ Gaia”, “ Xangô “ , “ Malandro Batuqueiro” e, claro o “ Peguei um Ita no Norte”. O mascote Djalma Sabiá mexeu com as pessoas vindo antes da escola naquela “ ala” grande de camisa que não faz parte do desfile. No final, o arrastão do Salgueiro trouxe uma “ ala” gigante de foliões apaixonados cantando para a professora.