A parceria de Babby do Cavaco, Rafael Gigante, Marcelo Adnet, Hélio Porto, Jefferson Oliveira e André do Posto 7 foi apontada por 84,8% favorita pelos leitores do CARNAVALESCO para vencer a disputa de samba da União de Maricá para o Carnaval 2026. A parceria de Claudio Russo, Marcelinho Moreira, Julio Alves, Manolo, Anderson Lemos e Fadico recebeu 10,5% e a parceria de Vinícius Santos, Rogerinho do PT, Jânio Oasis, Jailton Russo, Bruno Braga e Flavinho Bento ficou com 4,7%.
Foto: Leandro Andrade/Divulgação Maricá
Além da escolha do samba-enredo, a noite promete ser uma grande festa, com apresentações de Nego Damoé e do grupo Clareou. A entrada será solidária, com a doação de 1kg de alimento não perecível. Em 2026, a União de Maricá será a sexta escola a desfilar na Série Ouro, no sábado, 14 de fevereiro, na Marquês de Sapucaí.
Em mais uma quinta-feira de eliminatória, a Beija-Flor de Nilópolis levou sete sambas para a próxima fase da disputa, com a eliminação das parcerias de Picolé da Beija-Flor e Arnaldo Matheus. Com o enredo “Bembé”, do carnavalesco João Vitor Araújo, a Azul e Branca da Baixada será a segunda escola a desfilar na segunda-feira de carnaval em 2026. Veja abaixo a análise do CARNAVALESCO.
Parceria de Marcelo Guimarães: A parceria de Marcelo Guimarães, Cesar Neguinho, Wander Timbalada, Rogério Damata, Maicon Lazarim e Vander Sinval foi a terceira a pisar no palco nilopolitano, com Pixulé à frente do microfone, em uma performance muito boa que levantou o ânimo da quadra. O samba apresentou momentos interessantes na segunda parte, especialmente na mudança leve do ritmo da melodia, que se torna mais suave a partir do trecho “Por rio segue o mar de gente, vão passando as horas”. Esse ponto marca a subida para o refrão, que se destacou e foi bem cantado pela torcida. O refrão principal também chama atenção pela animação rítmica, valorizando o histórico da agremiação em enredos afro e religiosos logo no primeiro verso: “Meu Beija-Flor azul e branco, macumbeiro/Quilombola, feiticeiro, herdeiro de Bembé”, igualmente muito cantado.
Parceria de Júnior PQD: Pitty de Menezes defendeu com intensidade a parceria de Júnior PQD, Ailson Picanço, Nando Billy Mandy, Marcelo Moraes, Geraldo M. Felício e Robson Carlos, contando ainda com Hudson Luiz como apoio nos vocais, o que deu mais potência à apresentação. A obra empolgou a torcida e os componentes presentes na quadra, tendo como ponto alto o refrão do meio: “Firma na palma, eu quero ver!/Samba de roda, maculelê/No cangerê do meu iylê/Treze de maio não foi de graça/Quem é quilombo nunca mais será senzala!” A melodia combina bem com os versos, especialmente os dois últimos, que trazem grande força para a mensagem do enredo. Outro momento marcante está na primeira parte do samba, em “Flores para inanaê! (inaê, inaê!)/Cativeiro nunca mais!/Mas será que a liberdade/Trouxe a dignidade ou um novo capataz?”, também bastante cantado na quadra.
Parceria de Rômulo Massacesi: De autoria de Rômulo Massacesi, Lucas Gringo, André Jr., Nurynho Almawi, Doguinho e Ali Jabr, o quinto samba da noite teve Marquinho Art’Samba e Leozinho Nunes nos microfones principais, com apoio reforçado e uma apresentação muito potente. O samba foi bem cadenciado do início ao fim, valorizando o enredo da escola e destacando a cultura e religiosidade do Bembé. Os refrões cumpriram bem o papel de explosão, sendo cantados com força pela torcida, como em “O chão da magia emana axé/Sou Beija-Flor, casa de candomblé”. Outro momento de impacto foi a subida para o refrão: “Ao ver minha luta resista/Tem sangue por trás da conquista/O jogo alafiou o meu legado/Respeita pra ser respeitado”.
Parceria de Júnior Trindade: Com Bruno Ribas como intérprete principal, a obra de Júnior Trindade, Élson Ramires, JP Figueira, Ricardo Castanheira, Marcão da Gráfica e Júlio Alves teve uma apresentação animada, com apoio de Tuninho Jr. O refrão principal, encerrado pelo verso “Nilópolis, terra da magia/É muita macumba, parece a Bahia”, foi um dos pontos altos, empolgando a torcida. Outro destaque foi a segunda parte da obra, com melodia mais suave em versos como: “Em tuas águas vai meu povo de santo/De azul e branco o barco a navegar/Yabás, um reencontro espiritual/Que vem da África ancestral”.
Parceria de Sidney de Pilares: Composto por Sidney de Pilares, Marquinhos Beija-Flor, Chacal do Sax, Cláudio Gladiador, Marcelo Lepiane e Salgado João Conga, o sétimo samba da noite foi interpretado por Wander Pires, com apoio de Wandinho e Rafael Tinguinha. A apresentação foi potente e bastante animada, com forte participação da torcida, que cantou em coro trechos como o bis de subida para o refrão principal: “A curimba de baiano faz Nilópolis cantar/Aiê yê! Odoyá!”. O início da obra também chamou atenção com versos marcantes: “Não me peça pra calar minha verdade/Pois a nossa liberdade não depende de papel”, além da subida para o refrão do meio: “Não tememos ataque algum/A rua ocupamos por direito!”.
Parceria de Julio Assis: Tinga e Nêgo conduziram, junto aos apoios Thiago Acácio e Juan Briggs, o samba de Julio Assis, Diego Oliveira, Diogo Rosa, Manolo, Julio Alves e Léo do Piso, em uma das grandes apresentações da noite. A torcida cantou forte durante toda a obra, que se destacou especialmente no bis e no refrão principal: “Atabaque ecoou, liberdade que retumba/Isso aqui vai virar macumba”. “Deixa girar que a rua virou bembé/Deixa girar que a rua virou bembé/O meu egbé faz valer o seu lugar/Eró eró Beija-Flor, alafiá!” Outros trechos marcantes foram “Sou eu Beija-Flor/Filho de santo que jamais se omitiu/O canto livre dos terreiros do Brasil/Que ainda clamam alforria”, com melodia interessante, e o falso refrão do meio, também de destaque.
Parceria de Kirrazinho: Encerrando a noite, a obra de Kirrazinho, Gui Karraz, Moisés Santiago, Miguel Dibo, Dr. André Lima e Denilson Sodré foi conduzida por Charles Silva, Igor Vianna e Tem-Tem Jr., com participação de Igor Pitta, em uma apresentação de muita força e animação. O samba, bastante poético, destacou-se nos refrões, como o principal, que remete à ancestralidade jeje-nagô e ao fundador da escola, Cabana. O refrão do meio, com melodia envolvente, foi bem cantado pela torcida: “Oro mi má oro mi maior/Oro mi má oro mi maior/A benção mainha, nos cubra de amor/E leva meu sonho nas asas de um Beija-Flor”. Na segunda parte, também ganhou força o trecho “Meu nego, te desejo liberdade/No balaio frente à purificação/Desse meu lugar não saio, ninguém solta a minha mão”, consolidando a obra como um dos destaques da noite.
A Beija-Flor de Nilópolis recebeu, na tarde de ontem, a visita do presidente do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN), Leandro Grass, acompanhado de representantes do próprio Instituto e do Ministério da Cultura. O grupo foi recebido pelo presidente da escola, Almir Reis, e pelo time de enredistas da agremiação, que apresentaram em primeira mão todos os desenhos, alegorias e o conceito do desfile de 2026. O enredo da próxima temporada, intitulado “Bembé”, homenageia a mais antiga celebração pública de Candomblé do Brasil, realizada há mais de um século na cidade de Santo Amaro, no Recôncavo Baiano.
A visita ofereceu ao presidente do IPHAN um acesso exclusivo ao processo criativo da Beija-Flor, conduzido pelo carnavalesco João Vitor Araújo, e reafirmou a importância de estabelecer pontes entre o patrimônio cultural imaterial e a arte do Carnaval.
Recentemente, a Beija-Flor recebeu do IPHAN uma carta oficial de parabenização pela escolha do enredo, além do título de “Amigos do Patrimônio”, reconhecimento concedido à agremiação por destacar, através do samba, um bem cultural tombado e registrado como patrimônio imaterial brasileiro.
Para o presidente da Beija-Flor, Almir Reis, esse reconhecimento é motivo de orgulho para toda a comunidade nilopolitana: “O título de ‘Amigos do Patrimônio’ reforça a missão da Beija-Flor de transformar a Sapucaí em palco da nossa memória coletiva. O Bembé é resistência, fé e arte, e a nossa escola será a voz que ecoará essa celebração para o mundo.”
Com o enredo “Bembé”, a Beija-Flor reafirma seu compromisso com a preservação da memória afro-brasileira, celebrando a ocupação dos espaços públicos, a ancestralidade negra e a pluralidade cultural do Recôncavo Baiano em seu desfile de 2026. A escola será a segunda a desfilar na segunda-feira de Carnaval, dia 16 de fevereiro, na Marquês de Sapucaí.
A Mocidade Independente de Padre Miguel abriu as portas do seu barracão, na Cidade do Samba, para receber a comitiva especial do Carnaval de La 44, de Barranquilla, Colômbia. A visita teve como objetivo estreitar laços culturais, compartilhar boas práticas e abrir uma conversa para intercâmbio cultural entre os profissionais de cada país. A rainha do carnaval colombiano, Sharon Hurtado, destacou a emoção de pisar em um barracão e poder conhecer mais sobre os detalhes por trás do maior show da Terra.
“Como países hermanos é muito importante termos essa troca e conhecermos mais sobre as nossas culturas. Em nome de todo povo, agradeço a receptividade da Mocidade e espero que possamos estar ainda mais juntos depois dessa visita tão especial para a gente. Estar aqui é realizar um sonho”.
A Mocidade foi representada pelo Casal de Mestre-Sala e Porta-Bandeira, Diogo Jesus e Bruna Santos. Além do Diretor de Relações, Will Costa, da Coordenadora das Composições, Margareth de Oliveira e do Diretor de Marketing, Bryan Clem, que ressaltou a importância desta troca.
“Nesta mesma semana fomos homenageados pela London School no carnaval de Londres e agora recebemos a comitiva Colombiana. Isso só mostra a força da nossa cultura e do nosso carnaval. Que possamos ter cada vez mais esse tipo de intercâmbio para alavancar nossos interesses comerciais e falar alto como marca para fora do nosso país”.
O Carnaval de la 44 é uma das maiores manifestações populares da Colômbia e será realizado no final de janeiro de 2026.
Seguindo o planejamento para o Carnaval 2026, a Imperatriz Leopoldinense realiza nesta sexta-feira, a partir das 20h, em sua quadra de ensaios, em Ramos, Zona da Leopoldina do Rio, mais uma etapa eliminatória para escolha de seu samba-enredo. Seis sambas seguem na disputa, e apenas quatro irão para a fase semifinal, que será realizada no dia 06/09, na tradicional feijoada da agremiação.
Confira as obras concorrentes:
Samba 5 – Hélio Porto, Aldir Senna, Orlando Ambrósio, Miguel Dibo, Marcelo Vianna e Wilson Mineiro;
Samba 6 – Renan Gêmeo, Raphael Richaid, Rodrigo Gêmeo, Silvio Mesquita, Sandro Compositor e Marcelo Adnet;
Samba 7- Me Leva, Thiago Meiners, Miguel da Imperatriz, Daniel Paixão, Herval Neto e Jorge Arthur;
Samba 10- Jeferson Lima, Rômulo Meirelles, Chico de Belém, Mirandinha Sambista, Alfredo Júnior e Tuninho Professor;
Samba 12- Luizinho das Camisas, Chacal do Sax, Mateus Pranto, Tamyres Ayres, Camila Lúcio e Martins;
Samba 13- Gabriel Coelho, Alexandre Moreira, Guilherme Macedo, Chicão, Antônio Crescente e Bernardo Nobre;
Em busca do 10º campeonato de sua trajetória, a Rainha de Ramos será a segunda escola a desfilar no domingo de Carnaval (15/02) e levará para a Marquês de Sapucaí o enredo “Camaleônico”, do carnavalesco Leandro Vieira, em homenagem ao artista Ney Matogrosso. A grande final de samba-enredo está marcada para o dia 19/09.
SERVIÇO:
Quartas de final do GRES Imperatriz Leopoldinense
Dia: 29/08/25
Hora: a partir das 20h
Endereço: Quadra de ensaios LPD- Rua _Professor Lacé, 235- Ramos
Entrada: gratuita
Venda de camarotes pelo telefone: (21) 98317-6137
Atual quarta colocada do Grupo Especial e líder do ranking da Liga Independente das Escolas de Samba do Rio de Janeiro (Liesa), a Unidos do Viradouro se prepara, com grandes expectativas, para homenagear um dos maiores ídolos da comunidade de Niterói e São Gonçalo. A Vermelha e Branca levará para a avenida o enredo “Pra Cima, Ciça!”, desenvolvido pelo carnavalesco Tarcísio Zanon. Diante da grande expectativa e do impacto do enredo para a comunidade da escola, o CARNAVALESCO conversou com o diretor-geral de Harmonia da Viradouro, Dudu Falcão, sobre a euforia dos componentes e sua relação com o quesito.
“Controlar a euforia de um enredo tão significativo é algo que a gente não quer. Nós queremos, de fato, que a comunidade da Viradouro viva esse enredo na essência. Esse enredo fala sobre o Ciça, fala sobre cada quesito, fala sobre cada componente da escola, não só da Viradouro, mas de todas as escolas. Nós queremos que o componente realmente tenha euforia, tenha emoção, tenha uma dedicação especial, porque, mais do que nunca, nós estamos representando um enredo vivo na avenida”, disse Dudu Falcão.
Em meio à disputa de samba-enredo da Viradouro, é enorme a expectativa pela obra que vai homenagear Mestre Ciça na avenida. Em declarações recentes, Ciça manifestou o desejo de ter um samba com melodia forte, característica que casa com seu estilo musical à frente da bateria.
Samba-enredo para homenagear Mestre Ciça
Dudu Falcão revelou ao CARNAVALESCO as características que o samba-enredo precisa ter para ser o escolhido na Viradouro. “A escola vai sempre ver o que é melhor para o projeto. Mas não tem como negar que é importante escolher uma boa melodia, que impacte, uma melodia forte, que impulsione a escola, que emocione a escola e tudo que está em volta da escola.”
“É claro que o Ciça vai ser sempre uma referência, mas também será referência tudo o que a direção, a parte estética e, principalmente, a parte artística disserem que é o melhor caminho para o nosso desfile. Harmonia, Evolução e os outros sete quesitos vão dizer qual samba vamos levar para a avenida”, completou o diretor.
Nos últimos anos, a Viradouro se tornou referência e se notabilizou pelo alto nível nos quesitos de chão, como Harmonia e, sobretudo, Evolução. No Carnaval de 2025, porém, a escola recebeu duas notas 9.9 em Evolução e foi alvo de críticas sobre o desempenho no quesito.
Ao CARNAVALESCO, Dudu Falcão fez uma avaliação do desempenho da escola em Evolução em 2025. “Como todo ano, mesmo quando é nota 10 de ponta a ponta, nós avaliamos nosso trabalho. Quando não é, vamos avaliar mais ainda. Não estamos trabalhando com terra arrasada. Só estamos olhando para dentro, vendo o que foi certo, o que foi errado, e vamos trabalhar muito mais este ano para entregar novamente excelência.”
“Atingir o grau de excelência é difícil, manter-se é mais difícil ainda. Mas vamos buscar esse grau de excelência, que é a referência que a escola sempre teve. Isso só vai acontecer com muito trabalho, com a ajuda desse grupo de Harmonia muito forte e, principalmente, dessa comunidade, que cobra muito nosso barulho”, completou.
A Unidos do Viradouro será a terceira escola a desfilar na segunda-feira de Carnaval em 2026, levando para a avenida o enredo “Pra Cima, Ciça!”, desenvolvido pelo carnavalesco Tarcísio Zanon.
Na tarde da última quinta-feira, o Presidente da Portela Junior Escafura, foi homenageado com o título de Benemérito pela Liga Independente das Escolas de Samba do Rio de Janeiro (Liesa). A honraria foi recebida pelo reconhecimento de sua contribuição e dedicação ao carnaval carioca, fruto de todos os anos de atuação e apoio às escolas de samba.
Mesmo com apenas três meses à frente da presidência da Portela, Escafura tem se destacado pelo seu compromisso com a maior campeã do Carnaval. Ao receber o título, ressaltou a importância da homenagem.
“Receber o título de Benemérito da Liesa é o reconhecimento de uma trajetória construída com respeito, paixão e dedicação ao Carnaval. Hoje estou na presidência da Portela, mas minha caminhada no samba começou há muitos anos, passei por Direção de Carnaval, Harmonia e diversos outros segmentos. Assim como tantos outros sambistas, sei que essa homenagem não é apenas pessoal, ela representa também a força da comunidade portelense e de todas as agremiações das quais eu tive oportunidade de passar. Só agradecer por mais um passo dado!”, declara Junior Escafura.
A cerimônia foi realizada na sede da Liesa e reuniu dirigentes das escolas de samba e outros beneméritos reconhecidos pela mesma honraria.
A Unidos da Tijuca realizou mais uma eliminatória de samba-enredo nesta quinta-feira, 28 de agosto. Caminhando para a reta final, a quadra da escola foi palco da apresentação das cinco obras que disputam a escolha do hino de 2026 da Amarelo e Azul do Borel. O CARNAVALESCO acompanhou a última etapa e traz abaixo a análise das apresentações. Foi notório que a comunidade está bem engajada na disputa: havia passistas que sambaram e cantaram junto com a torcida de todos os sambas apresentados na noite.
Parceria de Gabriel Machado: Com Charles Silva no microfone, a parceria de Gabriel Machado, Júlio Pagé, Robson Bastos, Miguel Dibo, Serginho Motta, Orlando Ambrósio, Jefferson Oliveira e Lucas Macedo fluiu bem durante a apresentação. A performance foi acompanhada por uma mulher interpretando Carolina Maria de Jesus, utilizando livros e pedaços de papelão, remetendo a objetos marcantes da vida da escritora. O fim do refrão, com a volta da cabeça do samba, funciona bem e mantém a obra em alta. O trecho “Em versos eu falei com Deus / Ensinei aos filhos meus / O alfabeto da alforria” — em especial o início — potencializa o samba.
Parceria de Totonho: A parceria de Totonho, Júlio Alves, Dudu, Cláudio Russo, Chico Alves, Jorge Arthur, Machado e Fadico contou com a condução no microfone de Pitty de Menezes e Tinga. O verso “Maria de Jesus e dos Brasis / Não há amarra que vá nos fazer parar / Um livro aberto fala mais que mil fuzis / Abre a porta social pro meu Borel entrar” é potente e carrega um tom de manifesto. Em suma, o samba teve boa performance na quadra, conduzido de forma magistral pelos intérpretes. O trecho “Ê Canindé, cada um com sua cruz / Ê Canindé, eu também sou de Jesus” apresenta melodia atraente e impulsiona a obra.
Parceria de Leandro Gaúcho: A parceria de Leandro Gaúcho, Anderson Benson, Maia Cordeiro, Clairton Fonseca, Fogaça, Davison Jaime, Manoel, Alemão, Paulo Marrocos e Ailson Picanço contou com Wantuir e Wic Tavares no comando do microfone. Amparado por uma torcida aguerrida, o samba foi muito bem defendido por pai e filha, que já possuem forte identificação com a escola. O verso “Um quarto de despejo para quem é Maria” levantou a apresentação na quadra.
Parceria de Arlindinho: Com Igor Sorriso, intérprete do Salgueiro, na voz, a parceria de Arlindinho, Babi Cruz, Diego Nicolau, Adolfo Konder, Luiz Petrini, Luiz Pavarotti, Michel Portugal e Fred Camacho foi o penúltimo a se apresentar. É visível a aderência do samba junto à comunidade. O trecho “Assina: Carolina Maria de Jesus!!!” teve grande efeito na quadra e, por si só, manteve a obra em alta durante toda a apresentação.
Parceria de Lico Monteiro: Com a interpretação de Wander Pires, da Viradouro, a parceria de Lico Monteiro, Samir Trindade, Leandro Thomaz, Marcelo Adnet, Marcelo Lepiane, Thelmo Augusto, Gigi da Estiva e Juca fechou a noite de apresentações. O samba possui uma letra sensível e profunda. Durante sua execução, a obra foi cantada pelas baianas e por integrantes da Velha Guarda presentes na quadra. O refrão “Muda essa história, Tijuca / Tira do meu verso a força pra vencer! / Reconhece o seu lugar… e luta / Esse é o nosso jeito de escrever!” puxou o público e fez o samba ecoar com força.
Com “Mestre Sacaca do Encanto Tucuju – O Guardião da Amazônia Negra”, o carnavalesco vai levar a história mística do Xamã Babalaô amapaense para a Marquês de Sapucaí em 2026. Em uma viagem pela cultura da Amazônia Negra, o carnavalesco Sidnei França conversou com o CARNAVALESCO sobre a ideia do enredo da Verde e Rosa, jogando luz na figura desse brasileiro, na narrativa apresentada e no que espera dos sambas a serem inscritos.
Sidnei contou que a ideia de falar sobre o Mestre Sacaca surgiu a partir de uma pesquisa sobre as efemérides centenárias de 2026, nas quais, com o apoio dos pesquisadores Stefanye Paz e Felipe Tinoco, foi estruturando o enredo.
“O foco central, a chama inicial, foi entender tudo que completaria 100 anos em 2026. E aí a gente começou a pesquisar e achamos, de forma quase acidental, a figura de Mestre Sacaca e começamos a investigar. Pesquisando cada vez mais, ficamos impressionados, eu, Tinoco e Stefanye, com a força desse homem, com a grandeza dessa existência. A Guanayra nos mandou para o Amapá e, de lá para cá, é história, é o desenvolvimento dessa saga”.
O artista também falou sobre a importância de fazer um enredo autoral dentro da Estação Primeira, destacando a ideia de trazer narrativas densas e brasileiras para a Avenida.
“Nunca foi opção na Mangueira não ser autoral, porque a escola tem essa intensidade. Pensar em Mangueira é pensar sempre em histórias densas, brasileiras. Esse enredo vem trazer, mais uma vez, essa assinatura tão identitária do Brasil e, dessa vez, um Brasil não divulgado, que não é comumente conhecido pelas pessoas. Quase ninguém pensa em uma Amazônia Negra”.
Ao falar sobre a narrativa, Sidnei pontuou que o enredo de 2026 da agremiação seguirá por um caminho diferente em relação ao desenvolvimento narrativo do último carnaval, destacando o regresso à ancestralidade como característica marcante do que a Mangueira pretende mostrar na Avenida.
“Não considero que essa narrativa se ampara no que nós fizemos em 2025. O que eu acho que tem de novo é uma tentativa extrema e muito forte de ser claro a cada momento. Agora estou falando das ervas, agora estou falando dos tambores. Isso eu acho que se assemelha a uma busca de um recorte muito definido em cada setor, mas, quanto ao desenvolvimento narrativo, é bem diferente. O último enredo terminava apresentando o cria do morro como uma possibilidade de futuro negro, e agora a gente não vai para o futuro, pelo contrário. Ao transformar o Xamã Babalaô no amapazeiro, ele retorna para a natureza. Isso é um regresso à ancestralidade, não um avanço. São estruturas narrativas diferentes, mas com muita clareza em seus enfoques”.
O artista também ressaltou a importância de a Mangueira trazer à luz a figura de Mestre Sacaca, uma personalidade pouco conhecida nacionalmente, mas que será projetada através da Verde e Rosa.
“Acho isso maravilhoso. Claro que é muito digno exaltar, no carnaval, grandes personalidades, figuras lendárias da cultura brasileira. Mas também é muito honroso, é muito potente, você transformar um nome esquecido, apagado, e apresentá-lo para o mundo inteiro na voz da Mangueira. É motivo de muito orgulho e muita honra”.
Sidnei França concluiu falando dos sambas que concorrem para ser o hino da Mangueira em 2026, enfatizando que o tema é uma rica fonte de inspiração para os compositores.
“Apoteóticos. Vejo nesse enredo elementos muito fortes que transcendem o material e alcançam o campo espiritual. E isso é muito vivo para a proposição de sambas marcantes. Tenho certeza de que temos sambas grandiosos”.
A dupla de intérpretes do Águia de Ouro possui uma identificação imensa com a escola e com toda a comunidade da Pompeia. Se Douglinhas Aguiar também deixou seu nome em outras escolas da maior cidade da América do Sul, Serginho do Porto está intimamente ligado ao azul e branco quando se fala no Grupo Especial de São Paulo. Em entrevista ao CARNAVALESCO, durante o evento que lançou “Mokum Amesterdã: o voo da Águia à cidade libertária”, enredo da agremiação para 2026, o intérprete relembrou sua extensa trajetória na escola, declarou-se torcedor da agremiação e destacou que entrou até mesmo no Guinness Book por conta do Águia de Ouro.
Se Serginho do Porto já é um nome histórico na agremiação da Zona Oeste paulistana, obviamente houve um começo. E o início dessa história foi antes mesmo do primeiro desfile dele como intérprete:
“Eu cheguei aqui antes do Mário de Andrade! Fora a brincadeira, eu vim para cá no dia 08 de agosto de 2000, quando teve o Festival da Globo. A gente veio conhecer a quadra do Águia, que era lá embaixo do viaduto. Vim conhecer os então puxadores Dominguinhos, Preto Joia, Vantuir e o Jackson Martins. Eu não consegui vir no dia 07 porque tinha perdido a minha carteira no teatro. Vim no outro dia, no dia 08. Vim e fiquei!”, destacou.
A brincadeira com o nome do grande modernista, homenageado em “Vou à luta sem pedir licença. Tupy ou não tupi? Sampa é a resposta”, enredo da agremiação em 2002, não é por acaso. Esse foi o primeiro desfile em que o intérprete apareceu creditado como oficial na escola. Outra referência importante é a antiga quadra do Águia, que ficava abaixo do viaduto Pompeia.
Sambas para um sentimento verdadeiro
Ao ser questionado sobre o tamanho do sentimento que possui pela agremiação, Serginho do Porto surpreendeu: “O sentimento é tão grande que a Águia está tatuada no meu corpo”.
A reportagem pediu para ver onde está a tatuagem, e ele logo puxou a calça na parte esquerda, deixando o tornozelo à mostra. Lá estão uma águia dourada e um leão.
O intérprete prossegue: “A gente viveu momentos loucos aqui, momentos muito complicados. Mas, como fala um segundo samba-exaltação, ‘só eu sei porque te quero tanto, eu sei como é gostoso te amar’. Essa coisa se tornou muito grande dentro de mim”, explicou.
Em outro momento da entrevista, Serginho do Porto novamente relembrou sua composição para a escola: “Quando adentrei a escola, a empatia foi muito grande pela semelhança com a Portela, pela lembrança de toda a minha família. Dessa inspiração eu escrevi o ‘Bate Forte Coração’, que se tornou um samba-exaltação do Águia. Já são 26 anos por aqui”, relembrou.
Vale destacar que o intérprete é nascido no tradicional bairro de Madureira, Zona Norte do Rio de Janeiro, e é declaradamente torcedor da Portela – por isso a citação à outra águia azul e branca.
Outros grandes nomes
O intérprete aproveitou para destacar mais duas pessoas fundamentais em sua trajetória no Águia de Ouro: “Hoje, eu falo que tenho duas escolas de samba: aqui é a escola que eu aprendi a gostar, aprendi a amar. Fiquei oito anos, fiquei na frente da escola com o Sidnei, como vice-presidente. Ajudei muita coisa com ele, trabalho com ele direto. O Douglinhas Aguiar, agora, é o vice-presidente da escola. A gente sempre trabalha junto, correndo, sempre para o melhor da escola”, lembrou.
A parceria com Douglinhas Aguiar na escola, por sinal, merece ser destacada. Desde 1991, apenas uma única vez a escola não teve ao menos um dos dois como intérpretes oficiais – em 2005, quando Paulinho Mocidade recebeu a honraria.
No outro lado da Dutra
Serginho do Porto também ressaltou a identificação que possui com outras agremiações da Cidade Maravilhosa:
“E, no Rio de Janeiro, a minha Estácio de Sá… não minto para ninguém. Eu cantei dez anos no Salgueiro. Era para eu ser salgueirense, não era? Eu tenho 26 anos no Águia e tenho 23 anos de convivência com o Estácio. Depois do Dominguinhos, a minha voz tem uma identificação muito grande com o Estácio de Sá, mas muito grande. Eu posso cantar em qualquer outro lugar, mas a identificação com a quadra é única, eu sei cantar todos os sambas”.
Livro Guinness
Em uma conversa prévia à entrevista, Serginho do Porto destacou que as duas escolas pelas quais tem mais admiração o fizeram entrar até mesmo no conhecido livro dos recordes: “Carnaval de 2002: a Estácio era a sétima escola a desfilar na Marquês de Sapucaí e o Águia era a sexta aqui em São Paulo. A gente cantou, pegou o avião, veio para cá e cantou também”, relembrou.
Vale destacar que os desfiles do então Grupo A (equivalente à Série Ouro contemporânea, segundo pelotão do carnaval carioca), à época, começavam ainda com o céu claro.
Anos mais tarde, a situação se repetiu: “Carnaval de 2010: o Águia foi a primeira escola a desfilar, cantando Ribeirão Preto – subimos em 2009 com cinco pontos de diferença para a segunda colocada. Fomos a primeira aqui e a quinta lá no Rio de Janeiro. E agora, em 2026, isso tudo começa de novo a acontecer: o Águia é a segunda escola aqui e a Estácio a quinta lá no Rio de Janeiro”, destacou, afirmando que novamente terá seu nome grafado no Guinness Book.
Na visão de Serginho do Porto, entretanto, tudo é válido pelas escolas e pelos companheiros que fez na Pompeia: “Pelas duas escolas eu faço qualquer sacrifício. São duas escolas que, primeiro aqui, com respeito máximo pelo Sidnei, pela parceria que a gente tem até hoje com o Douglinhas – já que falamos a mesma língua. A gente tem uma coisa muito boa entre nós. Não tem aquela história de deixar para amanhã o que tem que falar hoje. A gente fala, e isso nos dá transparência. É a mesma coisa que a gente tem dentro da Estácio”, finalizou.