A Cidade do Samba recebeu na última sexta-feira a tradicional Noite dos Enredos, evento que reuniu representantes das principais escolas do Grupo Especial do Carnaval Carioca. Entre os momentos mais marcantes, esteve o encontro entre Vanessa Rangeli, rainha de bateria da Acadêmicos de Niterói, e Evelyn Bastos, rainha da Estação Primeira de Mangueira.
Em um clima de cordialidade e admiração, as duas sambistas protagonizaram um registro que simboliza o respeito e a união que permeiam o universo do samba. Vanessa, que fará sua estreia como rainha de bateria no Grupo Especial, não escondeu a emoção ao encontrar a poderosa Evelyn Bastos, rainha de bateria da Mangueira.
“Qualquer rainha tem a Evelyn Bastos como inspiração. É uma pessoa do bem, com samba no pé de excelência, cria de comunidade, um verdadeiro espelho. Estar ao lado dessas rainhas me dá ainda mais certeza de que estou no caminho certo, seguindo a minha verdade e meus sonhos”, afirmou Vanessa.
O Teatro Rival Petrobras, na Cinelândia, no Rio de Janeiro, foi palco na última terça-feira de um encontro marcante. O grupo “Puxadores do Samba”, formado por cinco intérpretes de destaque do carnaval carioca, lotou a casa em um show que misturou sambas-enredo e pagodes, reforçando a união em prol da classe de intérpretes.
O público que compareceu assistiu a um verdadeiro encontro de gigantes. Bruno Ribas, Marquinho Art Samba, Wantuir, Tinga e Serginho do Porto subiram ao palco para um espetáculo de 2h30, alternando 1h20 de sambas antigos e 1h10 de sambas-enredo de escolas como Estácio de Sá, Imperatriz Leopoldinense, Porto da Pedra, Unidos da Tijuca, Mangueira, Unidos de Padre Miguel, Beija-Flor e Vila Isabel, entre outras. Entre as canções, sucessos como “O Show Tem Que Continuar”, “Um Minuto Sem Você”, “Pede que Eu Dou”, “Não Deixa o Samba Morrer” e “Negra Ângela”, esta última em homenagem a Neguinho da Beija-Flor.
Foto: Juliana Henrik/CARNAVALESCO
O evento contou ainda com a participação especial do mestre Macaco Branco, da Vila Isabel, que foi homenageado e destacou a importância daquele momento: “Não tenho palavras para descrever este momento tão importante para mim”.
Foto: Jorgemar Branco Braga/Divulgação
A história do grupo remonta a 1999, quando “Puxadores do Samba” surgiram e rapidamente se tornaram referência. Porém, a trajetória foi interrompida por muitos anos. Durante a pandemia, em 2020, a amizade e a paixão pelo samba reacenderam o projeto, agora com uma nova formação e objetivos ainda maiores, entre eles, a criação da Associação dos Intérpretes do Carnaval do Rio de Janeiro, que busca oferecer apoio e melhores condições para artistas da área.
Foto: Juliana Henrik/CARNAVALESCO
Wantuir relembrou como a ideia voltou a ganhar força: “A gente já tinha o grupo há 30 anos, mas na pandemia ficamos meio largados. Resolvemos fazer uma live e, a partir daí, criamos a associação para nos ajudar mutuamente. Graças a Deus, o mundo do samba tem nos recebido maravilhosamente bem e queremos continuar esse trabalho pelo Brasil e pelo mundo”.
Wantuir, da Porto da Pedra
Serginho do Porto destacou o retorno aos palcos e a variedade do repertório: “No show, tivemos 1h20 de pagode e 1h10 de sambas-enredo. É muita coisa! Já viajamos para Porto Alegre, Santos, Minas e agora temos apresentações marcadas em Araruama, Campos, Iguaba Grande e até propostas para Portugal e Estados Unidos. Deus sabe o que faz e, 20 anos depois, a coisa começa a acontecer”.
Serginho do Porto, da Estácio e Águia de Ouro
Para Tinga, o mais importante é a amizade que sustenta o projeto: “Estamos celebrando nossa amizade. O resto é com o Papai do Céu. A associação não é só para nós, é para beneficiar intérpretes de todo o Brasil, porque muitos partiram sem qualquer amparo. Queremos mudar essa realidade e dar mais dignidade para todos”.
Tinga, da Vila Isabel
Bruno Ribas ressaltou o espírito de união: “A palavra que resume tudo é realização. Se estamos unidos, conseguimos vencer qualquer barreira. Muita gente morreu sem direitos, mas hoje estamos lutando para que isso mude. Esse movimento é importante para a nossa classe e para o carnaval”.
Bruno Ribas, da Unidos de Padre Miguel
Marquinho Art Samba falou sobre a emoção de se apresentar no teatro com o grupo: “Foi a primeira vez tocando no teatro com o grupo e foi uma sensação incrível. A gente veio dos sambas-enredo e está começando a misturar com o pagode. Tudo que cantamos é a nossa verdade, e ver o público aplaudindo isso é gratificante. Esse retorno começou lá na pandemia, nas lives, e hoje o que mais prezamos é a união e a amizade”.
Marquinho Art Samba, da Unidos da Tijuca
O show no Teatro Rival não foi apenas um espetáculo musical, mas um marco para “Puxadores do Samba” e para a história recente do samba carioca ma noite que reafirmou o poder da união, da música e da amizade na preservação e no fortalecimento da cultura popular.
A Prefeitura do Rio, por meio da Riotur, abre no próximo dia 15 de agosto o período de inscrições para os blocos de rua interessados em desfilar no Carnaval 2026. O cadastramento segue até o dia 15 de setembro e deve ser realizado exclusivamente pelo site: riotur.prefeitura.rio
O registro é a primeira etapa oficial para a autorização dos desfiles. A inscrição permite que a Riotur e os demais órgãos públicos envolvidos possam planejar com antecedência toda a logística, segurança e infraestrutura para receber os cortejos por toda a cidade. Em 2025, foram mais de 400 desfiles autorizados. Para 2026, o carnaval de rua está previsto para começar em 17 de janeiro.
“O carnaval de rua do Rio é uma das maiores manifestações culturais do mundo e movimenta a economia criativa da cidade em larga escala. A abertura das inscrições marca o início de um trabalho que envolve planejamento e diálogo constante com os blocos e os órgãos públicos. Queremos garantir uma festa democrática, segura e ainda mais organizada em 2026”, afirma o presidente da Riotur, Bernardo Fellows.
CALENDÁRIO – CARNAVAL DE RUA 2026
15/08 – 15/09: inscrições dos blocos;
16/09 – 16/10: análise dos órgãos municipais;
17/10 – 27/10: Liberação do Documento de Cadastro Preliminar ou Documento de Cadastro Não Efetivado, no site para download. E período de solicitação de revisão de parecer;
28/10 – 03/11: Respostas aos pedidos de revisão de parecer e liberação do documento de cadastro preliminar ou documento de cadastro não efetivado;
04/11 – 12/01: Blocos x Órgãos. Período em que o representante legal do bloco deverá dirigir-se aos Órgãos Públicos competentes abaixo listados, para a obtenção da documentação complementar obrigatória: PMERJ, PCERJ e CBMERJ;
13/01 – 15/01: Período para a realização do Upload no site dos documentos complementares obrigatórios e liberação após conferência dos documentos de cadastro efetivado;
16/01: Término do envio do documento de cadastro efetivado e finalização do processo.
A apresentação da Imperatriz Leopoldinense destacou o talento de Pitty de Menezes interpretando canções de Ney Matogrosso. Com domínio de palco e interpretação precisa, o cantor é o grande nome do Grupo Especial. A escola optou por uma viagem musical sem um narrador, mas com coreografias e números de dança. O encerramento trouxe o casal Phelipe e Rafaela ao som de “Pro Dia Nascer Feliz”, de Cazuza e Roberto Frejat.
A apresentação da Vila Isabel foi marcada por trocas de cenários bem executadas e por um vídeo explicativo que complementou a performance de palco. O formato seguiu o estilo de musical, com destaque para coreografias. A Azul e Branco evidenciou um resgate de identidade, valorizando a cultura, a raiz do samba e a negritude. O encerramento trouxe Tinga interpretando o samba de 2012, sobre Angola.
Compositores: Igor Leall, Arlindinho Cruz, Paulo Cesar Feital, Romeu D’Malandro a e Gustavo Clarão
Ouçam…
O silêncio que vem lá do manguezal
Da lama nasce a força que nos resta
Não mais uma fresta, pro seu carnaval
Revive em cada Francisco
Os gritos mestiços
Filhos protegidos pelo sangue ancestral
Queimamos no sol e no sal
Vivemos a margem social
O Capibaribe reinventa
E o novo Recife, é MangueTown
Maré encheu… Maré vazou…
De longe, bem longe, ela me espelhara Minh’alma e minha flecha, aponta para frente
Sou do Congo, minha alfaia é resistente
Maré encheu… E maré vazou…
De ionge, bem ionge eia me espeinará
Nas ruas, faço festa, até o galo gargalhar Na madrugada, sou a gira a rodopiar
Não! O tempo não para e a cidade ascende No peito a coragem de quem não se rende
Herança Daurê de Mestre Salu, ritos de Meia-Noite…
Em samba e Maracatu
Se redemoinham pra se misturar
Reencarna Dandara em tode seu poder
À luz de Palmares no alvorecer
Verde, vermelha e branca a se rebelar Quilombo Caxias, enfim renascer
Erês da baixada vão nos conceber Um canto de alforria no AR
LINDO… O show da avenida a continuar
Saluba Nanã! Nanã Buruquê!
Agô pra entrar pra pisar no seu llê
Respeite quem é de fato direito
Nação Zumbi Grande Rio no peito
Compositores: Derê, Licinho Jr. Moratelli, Julio Alves e Fabio Gomes
É tempo de revolução!!!
O mangue vai se libertar
Convoco a minha nação, pra emergir deste chão
Reocupar o meu lugar
Meu povo vai brotar da lama
Findar esta trama, desatar os nós
Eu quero meninos sem fome,
Caboclos com nome bradando a voz
Nas águas do Capiberibe… o poder
Da matriarca ancestral… o ritual É sabedoria do axé manguezal
Beberibe, Beberibe, meu destino caranguejo
Feito alfaias em teu cortejo, ressoando o amanhecer
Beberibe, Beberibe, veste o manto do folguedo
Daruê, lamento negro … ergue a lança pra vencer!!!
Gonguê, ganza, girar, girou
O maioral incorporou!!!
Foi na roda de ciranda
Entre o galo e a lua cheia
Na encruza sem demanda
Pés descalços na areia
O movimento é manifesto
Ao desalento e ao desperdício capital
E Manguebeat à Beira Mar… maracatu atemporal
Nos Afogados, palafitas em barracos
Somos nós no mesmo barco e ele não pode virar
Eu sou Herdeiro de Zumbi e Josué
O meu som é minha fé… Mundo livre S/A
Maré Maré … Salve Chico! Salve o mangue!
Herdo a luta no meu sangue, onde a arte é o caos
Maré Maré… que toda periferia
Seja Duque de Caxias
Que devora homens maus
Manamauê ah êh êh, Manamauê ah êh ah
Sou Grande Rio, a Nação dos insurgidos!!
Não me dou como vencido!!
Porque sei do meu lugar
COMPOSITORES: DINHO ARTIGLIRL, ALEX PRIMO, RICARDO CONSTRUÇÃO, VINY MELODIA HUGO DA GRANDE RIO
SALUBA!
NANÃ A SENHORA DAS ÁGUAS
É BEJO DOCE DO RIO NO SAL DO MAR
FILHOS DA MESMA LAMA
AXE PRA NOS GUIAR
UM LAMENTO NEGRO COMO INSPIRAÇÃO
BROTA O MUNDO LIVRE EM TRASNFORMAÇÃO
PERIFERIA SE LIBERTA
DARUÊ MALUNGO, MANGUEBEAT É RESISTÊNCIA
AOS OLHOS TORTOS DA SOCIEDADE
SOU A INVISIBILIDADE, QUEM ENXERGA NÃO ME VÊ
O COLETIVO ARDE EM BRASAS
DE MÃOS DADAS POR UM NOVO AMANHECER
Ô CHAMA OS BATUQUEIROS
EU JÁ VOU ME CHEGANDO
MARACATU ATÔMICO
JÁ TÔ INCORPORANDO
TRAZ NO PEITO A CORAGEM DOS NOSSOS ANCESTRAIS
É LANÇA CERTEIRA QUE NÃO VOLTA ATRÁS
CABOCLO, EMBOLADA E CAPOEIRA RAÍZES SAGRADAS CONECTOU
ANTROMANGUE A NOSSA BANDEIRA
CHICO O POETA ETERNIZOU
CAPIBARIBE A BAIXADA
HISTORIAS CONTADAS
DU PEIXE, CABRAL,JOSUÉ, MENTES NA REVOLUÇÃO EM MELODIAS E VERSOS, MEU PROTESTO E MAFIFESTO GESTO DE AMOR COMO SALVAÇÃO
GRANDE RIO ARRETADA, IRMANADA A NAÇAO DO MANGUE NINGUÉM SOLTA A MAO DE NINGUEM OXENTE, SOU CRIA TAMBÉM
TRAGO ESSA LUTA NO MEU SANGUE
SALUBA NANÃ! COM LICENÇA, ESTOU AQUI CANTO ALTO A MINHA DOR CHICO SCIENCE CHAMOU HÁ TERRA EM MINHAS MÃOS NO PEITO, HÁ REVOLUÇÃO E CIPO É FOLHA, É FOLHA E CIPÓ É O SANGUE, E O MANGUE A LUTA, O SUOR…
À BEIRA DO LIXO, AS MARGENS DA VIDA CURELAS FERIDAS, CARANGUEJO VOA…
DO LODO NASCER, DA FOME RENASCER É MARE CHEIA… VAI, MINHA CANOA!
DOS MARACATUS E DE PALMARES
MESTRE SALU E DARUÊ
EU SOU A VOZ DA LIBERDADE O CAOS, O FUZUÊ CIRANDEIRO É, CIRANDEIRO Á!
LAMENTO NEGRO, MALUNGO A CANTAR…
CIRANDEIRO Á! OKÊ, CABOCLO, OKE!
DO SOM EMERGIR, DA LAMA VENCER!
AUSÊNCIA VIROU FREQUÊNCIA, ACORDA A CIDADE E A ELOQUÊNCIA EXPÕE A VERDADE O IDEAL DESPERTA, NÃO ESTAMOS SÓS!
BATUQUE MARGINAL, NOS SOMOS NOS MEU POVO É NAÇÃO UNIDO NA CANÇÃO…
EM CAXIAS, BATIDA ECOOU É BAIXADA E RECIFE A LUTAR DOIS MUNDOS, O MESMO CLAMOR MANGUEBEAT, UM PAÍS, MEU LUGAR!
UM DIA, UM NOVO BRASIL NASCERÁ DO MANGUE UM SONHO, UMA NOVA CHANCE ESSA UTOPIA FLORESCERA!
MANAMAUỆ, AUỆIA, AÊ MANAMAUÊ, AUÊIA
ESCUTE DESSA VEZ O MEU TAMBOR
RESPEITE MEU CHÃO! GRANDE RIO EU SOU!