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União de Maricá renova com Zé Paulo Sierra para estreia no Grupo Especial em 2027

A União de Maricá já iniciou o planejamento para o Carnaval 2027 e confirmou um passo importante rumo à estreia no Grupo Especial. A escola anunciou, na manhã desta segunda-feira, a renovação com o intérprete Zé Paulo Sierra, que seguirá como voz oficial da agremiação no próximo desfile.

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Foto: Renata Xavier/Divulgação Maricá

Zé Paulo chegou à escola no último ano, visando o desfile de 2026, e rapidamente conquistou o carinho da comunidade. Com forte identificação com os componentes, tornou-se um dos principais nomes do ciclo que culminou com o título da Série Ouro. No último Carnaval, o intérprete também defendeu a Portela.

Ao celebrar a permanência na União de Maricá, agora na elite do Carnaval carioca, o cantor destacou a solidez do projeto e a confiança no futuro.

“Quando cheguei aqui há quase um ano, disse que o projeto me chamava a atenção por ser algo estruturado e que seria a médio e longo prazo. A União de Maricá me motiva porque é uma escola que pensa grande e, acima de tudo, nos dá estrutura para trabalhar. Vivemos um Carnaval 2026 lindo e, com certeza, 2027 será ainda melhor no Grupo Especial”, disse Zé Paulo.

O presidente Matheus Santos também ressaltou a importância da continuidade do intérprete neste novo momento da agremiação.

“Quando pensamos no Zé Paulo após o desfile de 2025, buscamos uma pessoa que pudesse criar uma relação próxima com a nossa comunidade e que fosse referência. Felizmente, ao longo desse tempo, ele conseguiu fazer isso e estamos muito satisfeitos com todo o trabalho realizado. A continuidade é natural porque foi provado que deu certo”, afirmou o dirigente.

Campeã da Série Ouro com o enredo “Berenguendéns e Balangandãs”, sobre a joalheria preta do Brasil, a União de Maricá se prepara agora para escrever um novo capítulo de sua história, desta vez no Grupo Especial, em 2027.

De volta ao ninho da águia, Paulo Barros é o novo carnavalesco da Portela

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Após quase uma década da conquista do último título, a Portela anunciou, na tarde desta segunda-feira, o retorno de Paulo Barros para o Carnaval de 2027. O reencontro marca um novo capítulo na trajetória da Azul e Branca de Oswaldo Cruz e Madureira, reafirmando o compromisso da agremiação com toda sua comunidade.

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Foto: Divulgação/Portela

Com a carreira iniciada na tradicional e quase centenária Vizinha Faladeira, Paulo Barros construiu um percurso marcado por inovação. Ganhou projeção nacional à frente da Unidos da Tijuca, onde despontou entre 2004 e 2006 com desfiles impactantes, como o emblemático carro do DNA. Ainda como Carnavalesco da escola, conquistou três títulos para a comunidade do Borel no Grupo Especial (2010, 2012 e 2014), consolidando seu nome entre os grandes carnavalescos da era moderna.

Além da Unidos da Tijuca, Paulo Barros teve passagem pela Unidos do Viradouro, Paraíso do Tuiuti e a Unidos de Vila Isabel.

Em 2016, chegou à Portela para desenvolver o enredo “No voo da águia, uma viagem sem fim…”, conquistando o terceiro lugar. No ano seguinte, assinou o enredo “Quem nunca sentiu o corpo arrepiar ao ver esse rio passar…”, que quebrou o jejum de 33 anos da Portela sem campeonatos no Grupo Especial.

Feliz no reencontro com a Águia, Paulo Barros ressaltou a emoção e o desafio de retornar à escola.

”Dez anos se passaram e é um sentimento único. Estou muito feliz por estar de volta. Eu e toda a minha equipe vamos trabalhar unidos, com dedicação e garra, para conduzir a Portela a um novo ciclo de sucesso, declara Paulo.

Para o presidente da Portela, Junior Escafura, a volta de Paulo Barros reforça o posicionamento da escola na busca do campeonato.

O Paulo é um profissional que conhece a grandeza da nossa comunidade, já contribuiu de forma decisiva para a nossa história e reúne experiência e capacidade de liderança para conduzir este novo ciclo com responsabilidade e dedicação, e é disso que a Portela precisa agora”, afirma Escafura.

Tradição aposta na alegria e vence imprevistos em desfile vibrante na Intendente

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A Tradição atravessou a Intendente Magalhães com leveza, grandiosidade e entusiasmo, trazendo a história da apresentadora Gardênia Cavalcanti. A tradicional escola da Zona Norte do Rio de Janeiro levou muita cor à sua apresentação e chegou à pista buscando levantar o público antes mesmo das alas oficiais. Os “Amigos da Gardênia” vieram logo à frente da escola, puxando o público e animando as arquibancadas.

Visualmente bonita e marcada por fantasias criativas, a escola sustentou uma apresentação animada, mesmo com oscilações no canto ao longo do percurso e questões envolvendo adereços.

COMISSÃO DE FRENTE

A comissão de frente trouxe um figurino representando o condor imperial, símbolo da escola, em uma roupagem colorida e volumosa que, com os movimentos da coreografia dos bailarinos, criava um impacto visual bonito e chamativo para quem assistia ao espetáculo.

Comandada pelo coreógrafo Tony Tara, a comissão apresentou um olhar lúdico da Gardênia criança na avenida, com uma atriz mirim representando a infância da homenageada e, em seguida, a transição para a fase adulta e o estrelato como apresentadora, exemplificada no momento em que a bailarina que representava Gardênia era coroada no trecho “Vem coroar Gardênia Cavalcanti”. Ao final, as duas versões — criança e adulta — se encontravam, fechando o ciclo da vida da homenageada.

No entanto, o quesito enfrentou imprevistos importantes. Na segunda cabine de jurados, a apresentação ocorreu sem a coroa que compunha o figurino, após o adereço cair. Na terceira cabine, não foi possível recolocar o item, que ficou preso à roupa do bailarino responsável por carregá-lo, o que impactou a leitura completa da proposta, que seguiu o restante do desfile sem o objeto. Ainda assim, o grupo manteve a execução coreográfica e buscou sustentar a narrativa diante do imprevisto.

MESTRE-SALA E PORTA-BANDEIRA

O primeiro casal de mestre-sala e porta-bandeira, Gabriel Galvão e Thaissa Soares, desfilou com figurino de base preta, com penas e pedras coloridas, seguindo a linha apresentada pela escola. O casal contou com a presença de oito guardiões ao seu redor, reforçando o simbolismo da proteção e a importância do pavilhão.

A apresentação foi energizada, com a dupla cantando alto o samba e dançando com passos firmes e bem desenhados. A rapidez dos movimentos de Gabriel chamava a atenção e dava brilho à performance.

Contudo, o casal enfrentou um contratempo quando o adereço de cabeça apresentou problema logo à frente dos jurados, caindo durante a apresentação. A dupla seguiu para a segunda cabine sem o item, mesmo tentando recolocá-lo ao longo do desfile, o que comprometeu parte do figurino originalmente proposto. Apesar disso, manteve postura e compromisso com a dança, defendendo o pavilhão com elegância dentro das possibilidades.

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ENREDO

A Tradição apostou em uma narrativa que dialogava com memória, identidade e trajetória da homenageada, trazendo elementos afetivos ligados à vida pessoal e profissional de Gardênia. A proposta buscou exaltar as raízes nordestinas e os laços familiares da apresentadora, que veio em destaque no primeiro carro da escola, interagindo com o público e cantando o samba.

A escola contou com a facilidade de ter a própria homenageada representada na avenida, com riqueza de detalhes e informações para compor a narrativa. Isso foi perceptível nas alas que carregavam significados e em componentes que fazem parte da vida da apresentadora. A leitura foi simples e emocional, priorizando exuberância e conexão afetiva.

EVOLUÇÃO

A escola desfilou de forma leve, brincando e sem grandes intercorrências ao avançar pela pista. O conjunto manteve fluidez e ocupação adequada dos espaços, ainda que o entusiasmo nem sempre tenha sido acompanhado por canto alto e uniforme dos desfilantes.

Sem dúvidas, a animação dos “Amigos da Gardênia” à frente ajudou a manter o ritmo e a energia durante o percurso.

HARMONIA

No desfile da Tradição, algumas alas se destacaram positivamente no canto, especialmente as posicionadas atrás do primeiro casal e aquelas que traziam fotos de família, evidenciando forte identificação com o enredo e maior envolvimento emocional com a história apresentada. Esses setores ajudaram a sustentar a energia da escola em momentos importantes do percurso.

No entanto, de maneira geral, o canto não foi um ponto forte da apresentação, já que boa parte dos componentes não acompanhava o samba com a mesma intensidade. O carro de som teve papel importante, contribuindo para dar mais corpo ao conjunto vocal e melhor entrosamento. Ainda assim, a voz do intérprete principal não se sobressaiu como esperado, o que impactou a projeção do samba ao longo da avenida.

SAMBA-ENREDO

O samba, escrito por Lico Monteiro, Leandro Thomas, João Perigo, Telmo Augusto, Gigi da Estiva, Filipe Zizou, João Neto, Rafael Gonçalves, Salgado Luz, Denis Moraes, Júlio César e Valtinho Botafogo, cumpriu seu papel ao levar a proposta afetiva da escola, mas encontrou dificuldades de projeção, mesmo sendo de fácil entendimento.

Com parte dos componentes cantando com menos intensidade — ou sequer cantando — a obra perdeu força em determinados trechos. Ainda assim, a bateria contribuiu para manter o clima animado e ajudou a sustentar o andamento.

FANTASIAS

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Fotos: S1 Comunicação/Divulgação

As fantasias foram um dos pontos altos do desfile. Desenvolvidas pelo carnavalesco Leandro Valente, os figurinos foram criativos e bem executados dentro da proposta apresentada, dando colorido e identidade ao conjunto.

As baianas merecem destaque especial pela criatividade nas vestimentas. Usando um contraste de azul e amarelo, traziam saias feitas de material semelhante a papel laminado azul, que enriqueceram visualmente o desfile e reforçaram o cuidado com o acabamento.

ALEGORIAS

As alegorias trouxeram muita cor e brilho, com acabamento que chamava a atenção e dialogava com o enredo, compondo um conjunto harmonioso, colorido, chamativo e visualmente agradável. A escolha das cores vibrantes e dos elementos decorativos reforçou a ideia apresentada pela escola.

Com tamanhos medianos, as alegorias contribuíram para manter a estética alegre e coerente da escola. O acabamento foi perceptível na pintura, na aplicação de materiais e na finalização dos detalhes, garantindo um resultado visual que valorizou os elementos alegóricos e fortaleceu a identidade apresentada pela Tradição.

OUTROS DESTAQUES

A bateria, por onde passava, contagiava o público com uma batida impactante, forte e envolvente, sendo um dos pilares da apresentação. Seu ritmo firme ajudou a sustentar a energia da escola do início ao fim.

Junto aos ritmistas, o rei de bateria, Bruno Pinheiro, chamou a atenção pela interação com o público. No geral, a Tradição apresentou um desfile bonito e alegre, superando imprevistos com espírito carnavalesco e fortalecendo sua ligação com a comunidade.

Independentes de Olaria leva Jackson do Pandeiro à Intendente em desfile vibrante, com oscilações na evolução

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A Zona da Leopoldina é uma fonte inesgotável de samba, território onde o ritmo ecoa entre ruas e praças, moldando identidades e fortalecendo comunidades. Vinda desse chão, a Independentes de Olaria levou para a passarela popular da Intendente Magalhães um enredo dedicado a um dos filhos dessa terra, Jackson do Pandeiro, que viveu durante muitos anos no bairro de onde a escola é oriunda e ali construiu parte de sua trajetória artística e afetiva. Ao transformar a memória em desfile, a azul e branca reafirmou sua ligação com o território e com as histórias que nasceram em seu entorno.

O homenageado, cantor, compositor e percussionista conhecido como “Rei do Ritmo”, imprimia sua identidade ao misturar estilos e gêneros musicais. Em sua obra, a ironia e as críticas sociais caminhavam juntas, consolidando um legado que atravessou gerações. Com isso, a escola apostou na força de um artista que fez da mistura seu principal instrumento e transformou o ritmo em assinatura.

COMISSÃO DE FRENTE

Abrindo o desfile, a comissão, sob o comando da coreógrafa Ranna Jalilahs, apostou na teatralidade para apresentar o universo de Jackson. Os dançarinos, vestidos com batas, compunham o cenário com elementos como uma bacia e um livro com os escritos “cabra da peste” e “não se avexe, não”, além de punhados de ervas. Com a bacia, encenavam uma lavagem de roupa; com o livro, a leitura; e, com as ervas, uma bênção.

A coreografia iniciava com movimentos sutis e lentos, e a mudança ocorria quando os bailarinos trocavam as batas por figurinos que representavam diferentes danças e estilos musicais, como samba, forró e frevo. A transição contava com o apoio de um elemento cenográfico — um baú onde eram guardadas as trocas de roupa — e a apresentação tinha como grande finalização um dos bailarinos representando o homenageado, que sambava com seu pandeiro no centro do grupo.

MESTRE-SALA E PORTA-BANDEIRA

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Fotos: S1 Comunicação/Divulgação

O primeiro casal trouxe em seu figurino o azul da escola mesclado a estampas que remetiam à cultura nordestina. Com muitos giros, Adryano Silva e Lays Menezes apresentaram uma coreografia predominantemente clássica, mantendo a tradição para garantir os pontos do quesito.

Com passos de forró inseridos nos momentos em que o samba entoava o verso “Olaria é forró, forró de paraibano / Traz o rei do pandeiro, remelexo insano!”, a dupla garantiu um toque de inovação e ajudou a levantar o público. No entanto, em determinado momento da apresentação para a segunda cabine de jurados, em meio aos giros, a porta-bandeira Lays Menezes se desequilibrou, e uma pequena parte da fantasia se soltou, atrapalhando o desempenho do casal, que, mesmo mantendo o sorriso e o ritmo, aparentou ter se abalado com o ocorrido.

ENREDO

Contar a trajetória de Jackson do Pandeiro de forma não literal, mas destacando fases que construíram sua história, foi a proposta dos carnavalescos Ariel Portes e Ester Domingos em “O balanço do cabra que embolou o som e, no compasso da mistura, fez um Brasil pandeiro”.

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Foram evidenciadas, em diversos momentos, sua origem paraibana e as referências nordestinas. O desfile mergulhou na infância do artista, passou por suas marcas e influências e chegou ao legado de brasilidade e criatividade deixado à música e à cultura brasileira. Merece destaque a conexão entre o samba-enredo e a narrativa apresentada, que seguiram a mesma linha e se fizeram compreender.

EVOLUÇÃO

Com espontaneidade dos componentes e bom ritmo no início, a escola apresentou oscilações do meio para o fim do percurso. A harmonia demonstrava preocupação com o tempo regulamentar e atenção redobrada para evitar buracos na pista.

A partir dos 35 minutos de desfile, houve aceleração perceptível, especialmente quando a bateria passava pela quarta cabine. O último carro, “Brasil Pandeiro”, intensificou ainda mais o ritmo nos dois minutos finais, exigindo esforço redobrado dos componentes para que a escola não ultrapassasse o tempo máximo, conseguindo finalizar nos últimos segundos.

HARMONIA

De volta à Independentes de Olaria, o intérprete Tuninho Júnior mostrou-se à vontade à frente do carro de som, comandando o canto da comunidade. Apesar de problemas no retorno de som na Intendente, a entrega ao vivo surpreendeu.

Mesmo com ajustes no andamento, os componentes demonstraram disposição e comprometimento. Duas alas posicionadas à frente do segundo casal contavam com diversos integrantes cantando o samba com entusiasmo, reforçando a presença sonora da escola. Em alguns setores, porém, a correria comprometeu a constância do canto e da evolução.

SAMBA-ENREDO

Com refrão marcante e melodia que remetia à cadência do pandeiro de Jackson, o samba de Claudio Russo, Marquinhos Beija-Flor, Gabriel Simões, Mateus Pranto, Raphael Gravino e Leandro Vicente conduziu e levantou a escola.

A obra valorizou a irreverência e a musicalidade do homenageado, trazendo misturas rítmicas. Ainda assim, alguns fatores podem ter prejudicado o canto, como componentes que não acompanharam integralmente o samba e o andamento acelerado na parte final, dificultando a sustentação em determinados trechos.

FANTASIAS E ALEGORIAS

A escola apresentou fantasias menos elaboradas em algumas alas, mas que proporcionaram conforto aos componentes para desfilar e brincar o carnaval. Destacaram-se as referências à cultura nordestina, além da mistura de estampas e cores que dialogavam com a originalidade da obra de Jackson.

Predominantemente bem acabadas, reforçaram a identidade do enredo e contribuíram para a narrativa visual.

Os carros alegóricos ilustraram passagens da vida e da obra do artista, com destaque para o último módulo, que representava o auge da carreira do “Rei do Ritmo”. No entanto, sentiu-se falta de elementos visuais mais impactantes na composição estrutural das alegorias.

OUTROS DESTAQUES

A bateria destacou-se pelo andamento firme e buscou traduzir as características do homenageado, como a mistura e a irreverência, incluindo toques de forró. A comunidade sustentou o desfile e brincou o carnaval durante os quarenta minutos de apresentação. Entre ajustes e acertos, a Independentes de Olaria fez da avenida um palco para reafirmar sua ligação com a música e com a história de um de seus filhos mais ilustres.

Unidos de Lucas reescreve revoltas sociais com desfile seguro na Intendente

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Nona escola a desfilar no primeiro dia de desfiles, a Unidos de Lucas veio para a Intendente contar a história das principais revoltas sociais que marcaram o Brasil, como a Revolta da Vacina, a Revolta da Chibata, entre outras. Foi um desfile marcado por recados fortes na comissão de frente e que passou com segurança pela avenida.

COMISSÃO DE FRENTE

A comissão, assinada pela coreógrafa Taty Amparo Bekl, retratou a Batalha de Uçurumim, quando os indígenas conseguiram expulsar os franceses das terras cariocas, no ano de 1567.

A dança mostrava os indígenas que viviam no Rio de Janeiro enfrentando o Império Francês, que tentava invadir a cidade. Ao final, quando conseguiam vencer os franceses e expulsá-los do território, a comissão apresentava um cartaz com a frase de que o Brasil, hoje, amanhã e sempre, será uma terra indígena — um recado forte e bastante significativo.

MESTRE-SALA E PORTA-BANDEIRA

O casal Ewerton Anchieta e Alana Couto utilizou figurinos em homenagem às tribos Tamoios e Temiminós, que participaram da Batalha de Uçurumim retratada pela comissão de frente. As fantasias, predominantemente vermelhas com detalhes em amarelo, formavam um conjunto visual muito bonito.

Na dança, a dupla preferiu a segurança, sem grandes ousadias. Houve ótima química entre os dois, e a sintonia com o samba rendeu aplausos do público presente, em um momento marcante do desfile.

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Fotos: S1 Comunicação/Divulgação

ENREDO

A proposta do carnavalesco Lucas Lopes, com o enredo intitulado “O povo escreve sua história em seu sublime pergaminho”, foi recontar a trajetória das principais revoltas sociais que aconteceram no Brasil, especialmente ao longo do século passado.

O que se viu na passarela foi fiel à proposta apresentada: uma nova versão de cada revolta estudada nos livros escolares, que tradicionalmente destacam figuras específicas. Desta vez, o desfile colocou outros personagens como protagonistas desses momentos tão importantes da nossa história.

EVOLUÇÃO

A escola evoluiu com tranquilidade, sem necessidade de correria. Fez um desfile seguro, administrando bem o tempo e encerrando sua apresentação em 40 minutos, com serenidade e sem sustos nos instantes finais.

HARMONIA

Além da boa sintonia entre o carro de som e a bateria, a comunidade de Parada de Lucas cantou bem o samba-enredo. Não foi um espetáculo extraordinário no quesito canto, mas houve entrega suficiente para agradar ao público presente.

FANTASIAS E ALEGORIAS

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Fotos: S1 Comunicação/Divulgação

As fantasias eram leves e representavam, em cada ala, diferentes batalhas e revoltas que marcaram a história do país. Destaque para as belas fantasias que retrataram o cangaço e o setor que trouxe a mensagem “O povo na rua e a rua é do povo”.

As alegorias estavam muito bonitas e bem detalhadas. O primeiro carro abordou a chamada revolta vermelha, representando os indígenas na luta por seus direitos, sem apresentar qualquer problema técnico. O segundo carro trouxe a campanha das Diretas Já, também muito bem executado e sem falhas.

SAMBA-ENREDO

O samba, composto por Rafael Gigante, Vinícius Ferreira, Charles Silva, Kaique Gigante, Lucas Martins, Guilherme Kauã, Jefferson Oliveira e João Vidal, mostrou-se bonito e bem estruturado, detalhando a proposta de reparação histórica apresentada ao longo do desfile.

OUTROS DESTAQUES

A bateria, comandada pelo mestre Átila Gomes, apresentou ritmo firme, seguro e com boas bossas. Os ritmistas estavam vestidos com trajes inspirados em pais de santo, dentro de uma proposta estética muito bonita. A rainha de bateria, Tânia Waleska, destacou-se pela beleza e pelo gingado, chamando a atenção do público.

Mar ancestral encanta, mas atraso compromete desfile da Vizinha Faladeira

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Oitava escola a desfilar no primeiro dia de apresentações, a Vizinha Faladeira contou a história do mar ancestral na Baía de Guanabara por meio de uma voz misteriosa, auxiliada pela sereia, símbolo da escola. O desfile da azul, vermelha e branca, que começou com dois minutos e meio de atraso, terminou com a agremiação ultrapassando o tempo limite regulamentar.

COMISSÃO DE FRENTE

A comissão, com coreografia de Naty Menezes, formada por uma equipe totalmente feminina, apresentou a ajuda da sereia na busca pelo mar ancestral. Durante as três apresentações diante das cabines de jurados, duas integrantes perderam um adereço azul e a peruca também azul, mas isso não comprometeu a execução da coreografia.

A dança destacou o brilho da sereia na condução dessa busca, contando ainda com a presença de Iemanjá para revelar de onde vinha a voz ancestral.

MESTRE-SALA E PORTA-BANDEIRA

O casal Luiz Felipe e Jéssica Barreto vestia fantasias em tons de azul, com referências ao mar detalhadas nas roupas. A dupla demonstrou elegância na dança e excelente química durante a apresentação.

Diante das cabines de jurados, optaram por uma performance segura, sem grandes ousadias, priorizando a precisão para evitar problemas. Não houve intercorrências no bailado.

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Fotos: S1 Comunicação/Divulgação

ENREDO

Intitulado “A voz que vem do mar é ancestral”, o enredo dos carnavalescos Leandro e Vitor Mourão apresentou uma proposta interessante para a Intendente ao abordar a ancestralidade ligada ao mar. A narrativa tratou da busca por raízes feridas na Baía de Guanabara, resgatando a memória e a espiritualidade associadas às águas.

EVOLUÇÃO

A evolução começou comprometida. Quando o cronômetro já marcava dois minutos e 30 segundos, a escola efetivamente iniciou seu desfile na pista da Intendente, o que impactou diretamente o planejamento.

Mesmo com cuidados ao longo do percurso e a percepção de que poderiam ultrapassar o tempo, a Vizinha Faladeira acelerou o andamento após a comissão de frente e o primeiro casal passarem pela última cabine de jurados. Ainda assim, a agremiação excedeu o limite de 40 minutos em dois minutos e 11 segundos, evidenciando falha no controle do tempo.

HARMONIA

Houve boa química entre o carro de som e a bateria, o que contribuiu para a harmonia musical. No entanto, muitos componentes não cantaram o samba-enredo, o que pode prejudicar a escola na avaliação do quesito. Embora poucos soubessem a letra integralmente, os que cantavam o faziam com intensidade, amenizando parcialmente o problema.

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FANTASIAS E ALEGORIAS

As fantasias estavam leves e confortáveis, permitindo que os componentes desfilassem com tranquilidade. Todas estavam bem caracterizadas de acordo com os temas propostos em cada setor.

As alegorias eram bonitas e alinhadas aos temas apresentados no enredo. Não houve problemas técnicos, inclusive na iluminação dos carros, que funcionou corretamente ao longo do desfile.

SAMBA-ENREDO

O samba-enredo se mostrou de fácil compreensão e bem estruturado. A sonoridade permitiu que o público acompanhasse a letra com clareza, reforçando a proposta temática da escola.

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OUTROS DESTAQUES

A bateria, comandada pelos mestres Lippe e Polinho, foi um dos destaques do desfile. Mesmo diante do problema na evolução, os ritmistas passaram com segurança, sem ousadias excessivas, apostando no simples e eficiente. A rainha de bateria Kamilla Cardoso mostrou muito gingado e encantou o público presente.

Chatuba homenageia Benedita, mas estoura o tempo e pode perder pontos

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Sétima escola a desfilar no primeiro dia de apresentações da Série Prata, a Chatuba de Mesquita homenageou a deputada Benedita da Silva. A verde e branca de Mesquita vinha realizando um desfile seguro, contando a história da menina criada na favela do Chapéu Mangueira até os dias atuais, passando pelos cargos de vereadora e de primeira mulher negra eleita senadora. No entanto, duas componentes da velha guarda precisaram ser carregadas por integrantes da escola no fim do percurso, e a agremiação ultrapassou o tempo limite em um minuto e seis segundos.

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Fotos: S1 Comunicação/Divulgação

COMISSÃO DE FRENTE

A comissão, assinada pela coreógrafa Luciana Xavier, mostrou a conexão entre a infância pobre e a trajetória da mulher Benedita da Silva, ressaltando suas origens africanas.

A coreografia começou com os dançarinos misturando a infância humilde na favela do Chapéu Mangueira com a cultura africana, representada pela presença dos orixás, destacando como essa base foi importante para que a menina Bené chegasse onde chegou. Ao final, um painel se abriu para revelar a mulher que se tornou e os feitos importantes realizados por ela como mulher negra no Brasil, o que arrancou aplausos do público presente.

MESTRE-SALA E PORTA-BANDEIRA

O casal Renato Madureira e Anna Beatriz vestia fantasias em tons de vermelho, com um globo mundial feito de palha africana, simbolizando a importância de Benedita não apenas na política, mas também na vida social.

Na dança, o casal demonstrou muita química durante a coreografia, evidenciando sintonia nos passos. Diante da cabine de jurados, optaram por uma apresentação segura, sem grandes ousadias. A dupla não teve intercorrências durante o bailado e manteve o gingado ao longo de todo o desfile.

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ENREDO

“Benedita do Povo”, desenvolvido pelo carnavalesco Thales, mostrou a trajetória de uma das mulheres mais importantes da política brasileira. Da infância na favela aos cargos de deputada, senadora, governadora de estado e ministra, o enredo destacou a luta, o trabalho e o período em que Benedita atuou como empregada doméstica. A escola conseguiu apresentar essas etapas, além de evidenciar conquistas importantes para o Brasil e para o povo brasileiro.

EVOLUÇÃO

A evolução seguia em ritmo tranquilo, com a escola desfilando bem e os componentes se divertindo. No entanto, no fim do percurso, a agremiação precisou acelerar para tentar não ultrapassar o tempo. Duas integrantes da velha guarda precisaram ser carregadas no colo para que o cronômetro fosse parado, gerando correria na dispersão. Ainda assim, a escola excedeu o tempo limite em um minuto e seis segundos.

Pelas regras da Superliga, caso a escola ultrapasse o tempo máximo de 40 minutos, perde 0,1 ponto para cada minuto excedido.

HARMONIA

Muitos componentes não cantaram o samba-enredo durante o desfile. O intérprete Gabriel Chocolate, porém, passou segurança à frente do carro de som, que transcorreu sem problemas e com boa projeção sonora. Houve excelente entrosamento entre o carro de som e a bateria, o que ajudou a abrilhantar a apresentação na Intendente.

FANTASIAS

As fantasias estavam leves e confortáveis para o desfile, retratando diferentes momentos da vida de Benedita da Silva. Destaque para as alas que representaram a vereadora eleita, a Constituição, da qual ela participou, o período como senadora e a PEC das Domésticas.

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ALEGORIAS

As alegorias se mostraram elegantes e atravessaram a Avenida sem intercorrências. O destaque foi o último carro, no qual uma atriz interpretando a deputada surgiu e encantou o público pela semelhança com Bené, que não esteve presente no desfile.

SAMBA-ENREDO

O samba-enredo é bonito e de fácil compreensão. Quando cantado, deixa clara a homenagem e reforça a importância da trajetória de Benedita, contribuindo positivamente para o conjunto do desfile.

OUTROS DESTAQUES

A bateria, comandada pelos mestres Luiz Guilherme e Hugo, mostrou ritmo seguro, com poucas inovações e bossas mais tradicionais, priorizando a estabilidade para evitar perdas de pontos. Os ritmistas usavam roupas rosas caracterizados como Benedita. A rainha de bateria Mulher Abacaxi também encantou o público com seu samba no pé.

Praça da Bandeira exalta ancestralidade negra, mas falha na evolução

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No último domingo, o “Grande Sertão Negro” chegou à Intendente Magalhães no desfile da Independente da Praça da Bandeira. A escola de São João de Meriti foi a sexta a se apresentar no dia de inauguração dos desfiles da Série Prata em 2026 e exaltou a ancestralidade e a herança deixada pelo povo preto africano no Nordeste brasileiro. A comunidade, contudo, poderia ter reconhecido com mais intensidade a força do enredo e cantado o samba com maior presença.

COMISSÃO DE FRENTE

A comissão de frente, do coreógrafo Alisson Coutinho, apostou em levar a essência do maculelê para a Avenida. Todos, incluindo ele, usavam vestimentas tradicionais da dança e tinham pinturas brancas espalhadas pelo corpo. O grupo demonstrava sua força no verso “É preto o Nordeste do meu país”, seguido por um grito de guerra. A expressão corporal, a sincronia entre os dançarinos e o bater de bastões em momentos estratégicos do enredo foram destaques da apresentação.

MESTRE-SALA E PORTA-BANDEIRA

O casal de mestre-sala e porta-bandeira, Douglas Valle e Priscila Costa, executou a performance com segurança em todos os módulos de julgamento. Excelente condução do pavilhão, que em nenhum momento se deixou enrolar. Douglas acompanhou os passos de Priscila com agilidade, sem ficar para trás.

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Fotos: S1 Comunicação/Divulgação

ENREDO

Desenvolvido pelos carnavalescos Ricardo Paulino e Robson Goulart, o enredo da Praça da Bandeira para o Carnaval 2026 colocou no holofote o protagonismo negro na formação da identidade nordestina. Da comissão de frente ao último carro alegórico, o “Grande Sertão Negro” mostrou que, além da ancestralidade cultuada no candomblé, a culinária, a música e a dança também possuem raízes nas manifestações culturais africanas, que, durante séculos, resistiram ao apagamento promovido pela colonização no Brasil.

EVOLUÇÃO

A agremiação chegou à dispersão e finalizou o desfile com tempo de sobra, faltando três minutos para o limite estabelecido. Em um breve momento, a distância entre a comissão de frente, o primeiro casal e o abre-alas se acentuou na Avenida. Menção honrosa ao trabalho da ala de passistas, que deu um show de samba e carisma ao longo da Passarela Popular do Samba.

HARMONIA

Apesar do trabalho consistente do intérprete Diego Nascimento à frente do carro de som, a resposta da comunidade deixou a desejar. Eram poucos os componentes que cantavam a plenos pulmões pela escola. Alguns passavam pelos módulos de julgamento até cabisbaixos, contrariando a proposta e a energia do samba-enredo. Vale atenção a esse quesito nos próximos desfiles.

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SAMBA-ENREDO

O samba-enredo da Praça da Bandeira contou com a assinatura do grupo formado por Marquinhos Beija-Flor, Claudia Rossa, Rafael Gravino, Gabriel Simões e Breno Santos Amaral. O refrão reforçava a proposta central da temática, reverenciar o legado deixado pelo povo preto: “E a minha Praça da Bandeira sai do gueto / Pra saudar o povo preto, Inaê Mojubá”.

FANTASIAS E ALEGORIAS

O abre-alas da Praça da Bandeira chegou poderoso ao ponto de largada, com o nome da escola em evidência. No entanto, a iluminação do carro falhou próximo à terceira cabine de jurados, permanecendo assim até a dispersão. Já a segunda alegoria, “Mesa farta das mães pretas”, apresentou a força ancestral do tempero da baiana em pratos típicos da culinária nordestina. Por fim, o terceiro carro, “Festanças e frevança com muita dança, aí”, concluiu a passagem da Praça da Bandeira pela Intendente com a totalidade da obra.

De modo geral, a história contada pela agremiação era de fácil compreensão por meio das alegorias, mas o acabamento poderia ter sido mais aprimorado.

A diversidade de cores reinou no conjunto de fantasias. As roupas do primeiro casal e das baianas, sobretudo, estavam luxuosas e muito bem acabadas.

OUTROS DESTAQUES

A bateria “Terremoto”, dos mestres Josué Lourenço e Jefferson, representou os “Filhos de Gandhy”, maior grupo de afoxé de Salvador, e implementou elementos rítmicos do jongo nas bossas. Destaque também para o muso Tarso Alessandro, que apresentou a terceira alegoria com muito samba no pé e sorriso no rosto.

Curicica emociona com tributo a Arlindo, mas falhas na evolução podem custar décimos

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Atual campeã da Série Bronze, a União do Parque Curicica convidou o público a embarcar na história de Arlindo Oliveira. O quinto enredo a atravessar a Intendente Magalhães no último domingo, “As Viagens de Arlindo – Minha Loucura é Ser Artista”, trouxe o legado do artista plástico, que faleceu em novembro de 2024, como símbolo de perseverança da luta antimanicomial. A escola carregava a felicidade de quem, em menos de um ano, havia conquistado uma vaga na Série Prata; no entanto, os pontos no quesito evolução podem estar comprometidos devido a alguns espaçamentos na Avenida.

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Fotos: S1 Comunicação/Divulgação

COMISSÃO DE FRENTE

Coreografada por Aline Kelly, a comissão de frente do Parque Curicica estava em um tom parecido com o restante da escola, apostando no simples, mas abraçando a energia e a criatividade. A dança inaugurou o desfile para o primeiro módulo, apresentando a ligação do homenageado com o bairro da Zona Sudoeste do Rio. Ainda na infância, Arlindo foi abandonado pela própria mãe na antiga Colônia Juliano Moreira — hoje Instituto Municipal de Assistência à Saúde Juliano Moreira — que, durante longas décadas, foi um dos maiores complexos manicomiais do Brasil.

No início da apresentação, os componentes seguravam uma mala na mão que, mais tarde, se revelaria em letras que formavam a palavra “Curicica”. Os objetos cenográficos se abriam involuntariamente em alguns momentos, o que atrapalhava a harmonia visual do conjunto. Entre a comissão, havia ainda a representação de Arlindo como um palhaço. Ele levou seu amor pela arte dentro da mala e o espalhou aos demais integrantes. Logo, em sintonia com a mensagem de sua famosa frase, “Minha loucura é ser artista”, todos se transformam em palhaços, e Curicica virou um verdadeiro carnaval.

MESTRE-SALA E PORTA-BANDEIRA

O mestre-sala Marvyn Souza e a porta-bandeira Marcela Tavares estão de volta em mais um ano representando a tricolor de Jacarepaguá. O casal estava seguro diante de todos os módulos de julgamento, executando a coreografia de forma limpa e transmitindo a empolgação do samba para todo o público. As fantasias, em tons de branco e prata, apresentavam boa mobilidade, marcando fluidez e boa sincronia na condução da bandeira e no tradicional bailado.

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ENREDO

O enredo “As Viagens de Arlindo – Minha Loucura é Ser Artista” foi trabalhado por Gleydson Castro, Bráulio Malheiro e pela parceria de Gamba Jr., professor da PUC-Rio que conhecia Arlindo e chegou a fazer uma exposição de suas obras na universidade.

O desfile mergulha na viagem pessoal de Arlindo à arte, onde se encontrou e fez dela sua força e identidade até os últimos dias de vida. A escola abriu o espetáculo abordando o começo do pintor no centro psiquiátrico e a influência de Bispo do Rosário, com quem dividiu o mesmo pavilhão, em sua trajetória. Depois, foi a vez da influência de Arlindo em Curicica e de suas obras criadas no Ateliê Gaia ganharem destaque na Avenida.

EVOLUÇÃO

A Curicica finalizou o desfile dentro do tempo limite, com 39 minutos e 4 segundos. O andamento aparentava seguir conforme o planejado ao longo do percurso, mas, chegando ao fim, a agremiação deixou um espaçamento visível em frente à quarta cabine de jurados, o que pode colocar os pontos deste quesito em risco.

HARMONIA

A condução do intérprete Bruno Nascimento no carro de som fez os componentes cantarem o verso “Bairro dos loucos / Você sabe onde fica: Curicica” com toda a voz. A comunidade estava animada, mas poderia ter mantido o mesmo tom nos demais versos. Destaque para a primeira ala da escola, que encorajava as apresentações da comissão de frente e do casal diante dos jurados com muita força.

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SAMBA-ENREDO

Este ano, o samba-enredo da tricolor ficou sob a responsabilidade de Dudu Nobre, Victor Rangel, Dinho PQD, Jonathan Tenório e Renne. A canção acompanhou a relação de Arlindo com a arte e a Colônia, seu impacto contra a estigmatização de doenças mentais, ao mesmo tempo em que Curicica leva a fama de “bairro dos loucos”. O samba é agradável e enaltece a lembrança de um artista que, durante muito tempo, foi incompreendido.

FANTASIAS

As fantasias traziam referências à história de Arlindo, como a famosa lenda do Boi de Curicica, além de personagens emblemáticos na luta antimanicomial, como a menção a Dona Ivone Lara na ala das baianas. Muito bem trabalhadas. O acabamento de algumas, como na ala de “palhaços”, no entanto, aparentava estar mais frágil.

ALEGORIAS

A primeira alegoria elaborou uma apresentação em torno da mente e da genialidade artística de Arlindo Oliveira. No centro superior, um de seus trabalhos mais emblemáticos, “BOPE”, aparecia em destaque.

Fechando o desfile, o último carro trazia a imagem do artista e o centenário da Colônia, completado em 2024. É sobre não deixar uma memória se apagar e eternizá-la no carnaval. Hoje, parte do local é ocupada pelo Museu Bispo do Rosário.

OUTROS DESTAQUES

Trabalho espetacular da bateria do mestre Yan Pac Man, com bossas que valorizavam os pontos altos do samba e sintonia total com o intérprete Bruno. A velha guarda da escola estava em harmonia com o enredo e bastante simpática.

Renascer de Jacarepaguá ousa em plástica e estética na busca do título da Série Prata na Intendente

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A Renascer de Jacarepaguá deixou os olhares arregalados nas arquibancadas assim que chegou à Passarela Popular do Samba, no último domingo. Com o enredo “A Divina Comédia Brasileira”, desenvolvido pelo carnavalesco Rodrigo Pacheco, a quarta escola da noite mostrou identidade e ousadia ao denunciar a injustiça do abandono social do povo brasileiro, a partir da obra original de Dante Alighieri. O alto investimento na plástica e na estética, a teatralidade da comissão de frente e a sintonia do primeiro casal, Luiz Felipe e Juliana, mostraram a garra da Vermelho e Branco para brigar pelo título da Série Prata este ano. No entanto, o canto da comunidade poderia ter sido um pouco mais alto, a fim de potencializar ainda mais a orquestra do desfile.

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Fotos: S1 Comunicação/Divulgação

COMISSÃO DE FRENTE

Composta por 12 componentes, a comissão de frente do esplêndido Carlos Fontinelle, em seu novo ano pela agremiação, foi um dos pontos mais altos do desfile. A coreografia fez um convite à história de uma criança que estava cercada por seres de um mundo sem esperança. O menino era perseguido por uma liderança do inferno, que depois viria a se transformar em uma figura angelical.

O verso “Meu anjo me guia pra longe do mal” simboliza a mudança na narrativa, com a vida do garoto sendo libertada após a chegada do anjo, que lhe concedeu o poder de ser transformado pela educação. O uso de elementos cenográficos e do vermelho e preto nas fantasias deixou a apresentação ainda mais imersiva e impactante. Excelente.

MESTRE-SALA E PORTA-BANDEIRA

Luiz Felipe Russier e Juliana Lázaro realizaram uma performance de excelência do início ao fim. O entrosamento do primeiro casal de mestre-sala e porta-bandeira era visível: transmitiram a força do enredo no bailado, no canto e com muito samba no pé. Juliana movimentou a bandeira da Renascer com maestria e sorriso no rosto, enquanto o companheiro Luiz Felipe conduziu seus passos com gingado e sintonia. Passaram pelo quarto módulo de jurados com o olhar de satisfação de que fizeram um bom trabalho. Menção honrosa ao momento em que os versos “Chegou ao paraíso / Libertado pela educação” entram em cena e os dois simulam passos de chegada ao paraíso. Em tons de vermelho e amarelo, as fantasias do casal reforçaram a imersão do primeiro setor na atmosfera da temática infernal.

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ENREDO

A aposta da Renascer para desfilar na Sapucaí no próximo carnaval, “A Divina Comédia Brasileira”, foi apresentada em três contextos diferentes, mas que, juntos, fazem sentido: o inferno, o purgatório e o paraíso. Alinhado à poesia de Dante, o primeiro setor do desfile procurou mostrar os males do inferno, trazendo a presença de criaturas assombrantes e alusões ao fogo ardente com o uso de cores quentes. Já no segundo, chegou a vez de a escola apresentar o purgatório, onde as almas perdidas lutam para encontrar esperança em meio ao caos, uma clara alusão ao Brasil que procura se manter firme diante das dificuldades.

Por fim, depois do segundo carro alegórico, o paraíso finalmente entra em cena, com a mensagem de que dias melhores chegam. É nele que as pessoas são libertadas do mal e conseguem, por meio da educação, prosperar no “país da ilusão”, sendo representadas pela ala de “formandos”.

EVOLUÇÃO

A Renascer estava leve e à vontade depois do ponto de largada na Intendente Magalhães, concluindo o desfile dentro do limite de 40 minutos. Não houve registros de buracos notáveis ao longo do percurso. A ala que representava um hospital, com os dizeres “Mais hospitais, menos filas. Vidas não esperam”, veio alegre e com emoção.

HARMONIA

O samba-enredo entrou com força na voz do intérprete Leonardo Bessa, que está à frente do carro de som da escola desde 2020. A condução estava para cima, sendo essencial, por exemplo, para a avaliação da comissão de frente e do casal pelos jurados. Mas a comunidade poderia ter colocado mais energia na voz, principalmente ao se aproximar da dispersão. Perto do quarto módulo, alguns componentes cantavam; outros aparentavam estar cansados, talvez devido à temperatura no interior das fantasias somada às condições climáticas na Intendente. De todo jeito, é uma situação que precisa de mais atenção nos próximos desfiles.

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SAMBA-ENREDO

A letra foi composta por Carlinhos do Cavaco, Cláudio Russo, Jefinho do Amaral e Julinho Cá. A sacada de trazer à tona a realidade que assombra o dia a dia de milhões de brasileiros, em paralelo a referências de “A Divina Comédia”, de Dante, foi um acerto e tanto. É um tema ousado, fora do comum e que, na Avenida, trouxe reflexão de fácil entendimento em forma de espetáculo.

Sem dúvida, o refrão “No país da ilusão é carnaval / Vai rolar um bafafá / O Renascer coloca a lenha na fogueira / Deixo a comédia brasileira me levar” foi o ponto mais alto do conjunto. Mas os versos “Chegou ao paraíso / Libertado pela educação / Quatro dias de festa me acabo / Ao povo o recado que há salvação” trouxeram emoção para o “gran finale” do desfile: “O Paraíso”.

FANTASIAS

O conjunto de fantasias da Renascer foi um charme que impulsionou a qualidade do desfile. Estavam luxuosas, chamativas e, talvez o mais fundamental, apresentavam coesão e linearidade à história contada pelo samba. Não é muito difícil perder isso de vista no desenvolvimento do desfile; no entanto, não foi o que aconteceu aqui.

No geral, os materiais transpareciam bom acabamento e ótima qualidade. A fantasia da ala de introdução à atmosfera do paraíso, que carregava roupas em tons metálicos e nuvens na cabeça, estava muito caprichada.

ALEGORIAS

Assim como as fantasias, as alegorias foram um verdadeiro show a céu aberto, dignas de uma escola que tem garra para conquistar uma vaga na Série Ouro. A impressão é que as dimensões geográficas da Intendente se encolheram no momento em que o carro abre-alas, “O Inferno”, chegou. Não há como uma caveira que solta fumaça pela boca, carregando uma imensidão de fogo atrás de si, passar despercebida.

A segunda alegoria, “O Purgatório”, mergulhou de cabeça no enredo. Os componentes aproveitaram o cenário e juntaram criatividade à atuação, incorporando almas que lutavam para sobreviver naquele espaço confuso entre o paraíso, representado por árvores avermelhadas, e o inferno, com seres sobrenaturais.

O último carro, “O Paraíso”, trouxe a personificação de um lugar puro, sem resquícios do mal presentes no purgatório e infestados no inferno. Para isso, a agremiação apresentou a figura do divino, abrindo as portas para o céu e rodeada de detalhes em branco e dourado.

OUTROS DESTAQUES

A musa Vivianne Vianna, que estava à frente do terceiro carro alegórico, deu um show de simpatia e samba no pé ao longo do percurso. Destaque também para a bateria “Guerreira”, comandada pelo mestre Felipe D’Lélis, que desenvolveu o desfile com maestria ao lado do carro de som.