Responsável pela premiadíssima ala de passistas e também diretor artístico da Mocidade Independente de Padre Miguel, George Louzada contou em entrevista ao CARNAVALESCO sobre o sucesso e o recorde de inscritos na última seletiva de passistas, as projeções para o grupo, que promete ser o maior do segmento em 2026, além de fazer um balanço da apresentação da escola na Noite dos Enredos. Vencedora do prêmio Estrela do Carnaval 2025 como melhor ala de passistas, a Mocidade reforçou o time com novas integrantes para 2026. A seletiva, realizada no dia 15 de agosto, contou com um número expressivo de inscrições e foi muito proveitosa para a escola da Zona Oeste.
“Nós tivemos 85 pessoas inscritas e um pouco mais de 60 presentes. Foi muito bacana vermos a variedade de ritmos e estilos de samba, porque tudo isso é avaliado. Eu sempre tive o costume de fazer o ingresso para a ala de passistas a partir do projeto que nós temos aqui, chamado Passos da Zona Oeste, cujo intuito é dar oportunidade a todos. No projeto você consegue aprender, tendo contato com uma pessoa que já é passista. Mas, quando se realiza uma audição, uma seletiva, surgem diante de você pessoas de vários ritmos, de outras escolas, e isso é bem diferente. Foi exatamente o que aconteceu aqui”, contou o diretor da ala.
Agora com a ala turbinada, George projeta a “Passista Independente” como grande destaque, e talvez a maior do carnaval.
“A direção da escola apresentou a proposta de aumentar em mais de 20 passistas, e eu achei conveniente abrir uma seletiva. Foi muito legal, porque vieram pessoas que eu nunca imaginei que estariam aqui. Ultrapassou minhas expectativas. Foram aprovadas 16 mulheres e 4 homens. Para o Carnaval de 2026, nós teremos, ao todo, 120 passistas. Eu acredito que seja a maior ala de passistas do carnaval”, disse George.
Para o Carnaval de 2026, George não quis revelar planos ou projeções artísticas, apenas adiantou que o público pode esperar o espetáculo de sempre.
“Todo ano eu levo algum segredo. Eu sempre pesquiso algumas coisas. Tenho formação em moda. Então, todos os nossos figurinos são muito bem pensados em tom, cor, material usado, e eu já estou começando a desenvolver um projeto que a escola está amando. Vocês podem esperar algo bem diferente, bem psicodélico, eu posso dizer”, contou George.
Além de comandar a ala de passistas, George também é responsável pela direção artística da escola, função em que teve destaque recentemente na Noite dos Enredos, com a apresentação sobre Rita Lee.
“Eu estava inicialmente com uma expectativa muito grande de como montar e de como relatar a Rita Lee naquele palco. Na direção artística, eu tenho uma equipe de seis pessoas, e nós pensamos bastante em como desenvolver isso de forma legal e leve. Acho que, no contexto geral, todas as escolas apresentaram o seu melhor. Notoriamente, todas ensaiaram muito, investiram em figurinos e efeitos, e isso engrandeceu a festa do carnaval. Este ano decidimos levar, de fato, o nosso tema bem descrito no espetáculo, e foi muito bem apresentado. Saí muito satisfeito e feliz dali”, finalizou George.
A Unidos da Tijuca anunciou, na última quarta-feira, uma iniciativa histórica para o mundo do carnaval. A escola do Borel abriu, em seu barracão na Cidade do Samba, um setor de psicologia dedicado a cuidar da saúde mental de todos os profissionais e agentes envolvidos no processo de carnaval. A iniciativa partiu da recém-chegada diretora de carnaval da Unidos da Tijuca, Elisa Fernandes. Em entrevista ao CARNAVALESCO, Elisa revelou que a ideia surgiu a partir de experiências vivenciadas por ela no mundo corporativo.
,Raí Chaves Mariana Velloso e Vitor Coelho com a diretora Elisa FernandesFoto: Divulgação/Tijuca
“Eu venho do mundo empresarial, sou empresária e sei o quanto a saúde mental faz diferença na vida da pessoa, da sociedade, de todo mundo. É um debate que está em voga e acho que o carnaval tem um papel importante, a gente tem que entrar para essa conversa, é um espaço de muita visibilidade. É importante que a sociedade saiba que uma escola de samba se preocupa com seus funcionários, com seus artistas e com as pessoas que estão no dia a dia do barracão, na quadra, fazendo o carnaval da escola”, contou Elisa.
De acordo com a diretora de carnaval, uma boa parte da equipe da Unidos da Tijuca já está fazendo atendimentos com os psicólogos e outros profissionais do projeto. A escola não obriga que as pessoas façam, mas ela orienta que as pessoas façam e as pessoas estão fazendo”.
“Tem muita gente que ainda tem um preconceito com essa ideia de você fazer uma terapia, de ter um psicólogo, ter um momento de autocuidado. Muita gente não se permite ter um autocuidado. É um carinho que a Tijuca está fazendo para a sua equipe, para os seus funcionários e para os seus artistas. Fico muito feliz que a Tijuca seja pioneira nesse aspecto e espero que esse modelo seja replicado nas coirmãs”, completou Elisa Fernandes.
‘Psicólogos podem ajudar para que quesitos entreguem melhor resultado’
A diretora de carnaval da Unidos da Tijuca, Elisa Fernandes, também comentou sobre a pressão que é colocada sobre os quesitos no mundo do carnaval. Um casal de mestre-sala e porta-bandeira, por exemplo, é responsável diretamente por um quesito da escola na apuração.
“É uma responsabilidade muito grande. A gente também tem que entender que esses profissionais precisam desse suporte, eles tecnicamente estão preparados para essa responsabilidade, mas se o emocional estiver comprometido, a coisa pode desandar”, explicou.
Elisa definiu o acompanhamento psicológico como “determinante para que eles se sintam menos pressionados e mais confiantes da sua capacidade”. “Tenho certeza que só pode agregar para que eles cheguem na avenida e entreguem o melhor resultado”.
Impacto das redes sociais
Elisa Fernandes também falou sobre o impacto das redes sociais no trabalho e na saúde mental dos quesitos e departamentos das escolas de samba. A gente sabe que, no Carnaval, existem fóruns, grupos de WhatsApp, em que as pessoas às vezes ficam muito à vontade para criticar os profissionais, sem tanto conhecimento do dia a dia, sem entender de fato como é a rotina de um barracão”.
“Com certeza, a rede social e a internet como um todo acabam abalando os profissionais porque os prints circulam, as críticas, às vezes os profissionais se apegam nas críticas, na falta de tato das pessoas ou na certeza da impunidade, de perfis fakes. O papel da terapia é contribuir para que eles entendam que muitos desses comentários falam mais sobre quem faz o comentário do que sobre o profissional”, completou.
A Unidos da Tijuca será á quarta escola a desfilar na segunda-feira de carnaval em 2026, com o enredo “Carolina Maria de Jesus”, do carnavalesco Edson Pereira.
O Império Serrano divulgou nesta segunda-feira o calendário e os sambas concorrentes da disputa para o Carnaval 2026, quando apresentará o enredo “Ponciá Evaristo Flor do Mulungu”, uma homenagem à escritora Conceição Evaristo através de suas obras. Ao todo, nove composições se inscreveram na última sexta-feira, passaram por uma avaliação interna da diretoria. Em 2026, o Império Serrano será a quarta escola a desfilar no dia 14 de fevereiro, sábado, pela Série Ouro, na Marquês de Sapucaí. O concurso de samba-enredo do Reizinho de Madureira terá início no dia 20 de setembro, durante a Feijoada Imperial. A grande final acontece em 18 de outubro, somando cinco datas de disputa. Entre os inscritos, a ausência mais sentida é a de Aluísio Machado, maior vencedor de disputas no Império Serrano. Ele dará nome ao troféu da obra campeã. Um destaque é a parceria do Samba 6, composto exclusivamente por mulheres.
Em mais uma etapa de sua disputa de samba, quando recebeu a Unidos de Vila Isabel em sua quadra histórica, a Mocidade Independente de Padre Miguel realizou dois cortes em uma noite de dez apresentações de alto nível. Os sambas de Rogerinho e Beto Corrêa se despediram neste domingo. Assim, a Estrela-Guia da Zona Oeste segue para mais uma semana em busca da obra que vai cantar Rita Lee, na homenagem desenvolvida através do enredo “Rita Lee – A padroeira da liberdade”, do carnavalesco Renato Lage, com o qual abrirá a segunda-feira de carnaval.
Parceria de Jefinho Rodrigues: A obra de Jefinho Rodrigues, Diego Nicolau, Xande de Pilares, Marquinho Índio, Richard Valença, Orlando Ambrósio, Renan Diniz, Lauro Silva, Cleiton Roberto e Cabeça do Ajax abriu a noite na quadra da Vintém. Wander Pires foi o cantor principal, acompanhado por Tem-Tem Jr., Charles Silva, seu filho Wandinho e outros intérpretes de apoio. O samba teve apresentação animada e potente, sendo um dos destaques da noite. A obra apresenta boas nuances, com melodias de fácil identificação ligadas a Rita Lee. O público cantou junto, em especial o refrão final, mostrando ótima aceitação. Outro ponto que merece destaque é a subida marcada pelos versos: “Vem, seja Pagu, se entrega/Quem foge ao padrão, vence a regra/A voz feminina, plural/Assim a estrela do meu carnaval”.
Parceria de Paulo Cesar Feital: O samba de Paulo Cesar Feital, Dudu Nobre, Claudio Russo, Alex Saraiça, Denilson do Rozario, Carlinhos da Chácara, Júlio Alves, Marcelo Casa Nossa, Anderson Lemos e Leo Peres contou com uma apresentação impecável de Tinga, acompanhado por Millena Wainer, Igor Pitta e demais cantores de apoio. A letra traz poesia marcante, especialmente na primeira parte, ao retratar o início da carreira de Rita na Tropicália, em plena Ditadura Militar: “Ela zombou do falso moralismo/Quando à beira do abismo o país tava nublado/E a Tropicália foi o sol da resistência/Era ruiva a resistência de um tempo amordaçado”. A obra foi cantada com entusiasmo por diversos componentes. Também se destacam as referências a outras cantoras que já foram enredo da Mocidade, como Elis Regina e Elza Soares, além do refrão final, que apresenta Rita como inspiração e símbolo de liberdade para as meninas da Vila Vintém.
Parceria de Rafael Drumond: A quarta obra da noite foi assinada por Rafael Drumond, Gilberto Paizão, Gil Paiva, Giovane Paiva, Vinicius Ramaldes, Pinóquio do Cavaco, Roberto Sade, Emerson Zona Sul, Luiz Antônio Santista e Thainá do Tan Tan. Millena Wainer foi a voz principal e dominou muito bem a apresentação. A letra aborda poeticamente a trajetória de Rita, como no início: “Em liberdade, oh! Padroeira/O verbo se fez rebeldia”. Trechos como o refrão do meio também empolgaram o público: “A mais completa tradução de um ideal/Guerreira, mutante, sacana, letal/Sassaricando nos Jardins da Babilônia/É Tropicália Rock in Roll no carnaval”. O samba ainda cita figuras como Elza Soares e Tia Nilda, sendo um dos destaques do domingo.
Parceria de Paulinho Mocidade: Tinguinha e Paulinho Mocidade conduziram muito bem o samba assinado por Paulinho Mocidade, Sandra Sá, Gabriel Teixeira, Lico Monteiro, Gabriel Simões, Rodrigo Feiju, Tamyres Ayres, Christiane e Trivella. A obra traz boas interpretações sobre a vida e a música de Rita Lee, com momentos marcantes como: “Mocinha, me dá o prazer de ter prazer comigo?/Não tem mistério” e o refrão: “Eu não sou puta, nem sou freira/Santa Profana, a padroeira/Desculpe o auê, ardente é querer/Agora só falta você”. O público também vibrou com o falso refrão que cita “Erva Venenosa”, comparando os chocalhos da Mocidade ao som das cascavéis.
Parceria de Franco Cava: A parceria de Franco Cava, André Baiacu, J. Giovanni, Gulle, Almir, Flavinho Avellar, Renato Duarte e Fabinho teve Leozinho Nunes como intérprete principal. O samba buscou trazer, além da animação, o deboche e a irreverência característicos de Rita Lee. Destacam-se os versos: “Tem sabor de tutti frutti/Esse fruto proibido/Defensora dos malacos e ‘comprimidos’”. Os cantores se apresentaram caracterizados com perucas em alusão à homenageada, reforçando a irreverência da obra.
Parceria de Santana: Santana, Paulo Senna Poeta, Valdeci Moreno, Carlos Augusto, Gustavinho Souza, Edvaldo Lucas e Everaldo Silva apresentaram o oitavo samba da noite, interpretado por Leonardo Bessa, Serginho do Porto e Igor Pitta. Bessa interagiu bastante com o público, que respondeu com entusiasmo. Entre os destaques, o refrão do meio: “Eu quero ver a pele arrepiar/Sentindo o corpo queimar de amor/Em cada gesto encontrei identidade/Em cada verso entoei minha verdade”. A citação à ditadura e a subida para o refrão final também marcaram a apresentação.
Parceria de Zélia Duncan: Zé Paulo, acompanhado por Millena Wainer e Rodrigo Tinoco, comandou a apresentação da parceria de Zélia Duncan, Frejat, Arlindinho Cruz, Zé Paulo Sierra, André, Prof. Renato Cunha, Rafael Falanga, Diego Estrela e Igor Leal. A obra possui diversas melodias interessantes, com referências à trajetória de Rita Lee. Versos como “Íntima de todos nós/Sexo e carnaval/Amor e Bossa Nova/Joana D’Arc musical” abriram a primeira parte, que culmina em uma invocação de mulheres marcantes da história da escola. Outro momento de destaque foi: “Vem cá meu bem/Que a gênia venenosa/Da Vila Vintém tem cheiro de coisa maluca”, preparando a subida para o refrão principal. O samba, leve e poético, empolgou o público e foi um dos destaques da noite.
Parceria de Jaci Campo Grande: Victor Cunha conduziu com firmeza a apresentação da obra composta por Jaci Campo Grande, Paulo Ferraz, Dr. Marcelo, Alex Cruz, Elian Dias, Marcinha Mocidade, Lucio Flávio, Paulo Bachini, Aurélio Brito e Lê da Vila. O ponto alto foi o refrão principal: “Rogai Rita Lee, oh padroeira!/Ninguém apaga a nossa estrela/‘Deus me ampare’ do mal/Perdoe o ‘veneno cruel’/De quem não é Padre Miguel”. A primeira parte também chamou atenção, ao utilizar trechos de músicas da homenageada: “No amor e na canção, compõe ‘Mania de Você’/‘Rosa choque’ provocante, bruxa da ‘erva’ tenaz/‘É ovelha negra’, o melindre de mil generais”. O falso refrão do meio reforçou a irreverência de Rita, animando bastante o público da quadra.
O deputado estadual Dionísio Lins (Progressistas) reforçou nesta segunda-feira a defesa de sua proposta para que 15 escolas de samba desfilem na Marquês de Sapucaí a partir do resultado de 2026. Após a manifestação de João Drumond, diretor financeiro da Liesa, o parlamentar afirmou estar aberto ao diálogo, mas garantiu que não abrirá mão do projeto. Ao mesmo tempo, anunciou que apresentará na Alerj um projeto de lei que reconhece a Liesa e as demais ligas carnavalescas como Patrimônio Cultural do Rio de Janeiro.
“Recebi com naturalidade as colocações, mas volto a reafirmar: não abro mão de que os próximos desfiles da Marquês de Sapucaí contem com 15 escolas. Dizer que os barracões que estão vazios servem apenas para guardar material das agremiações é, no mínimo, imprudente. Se precisam de mais espaço, que façam como sempre foi feito: construam um puxadinho na frente de seus barracões, o que em nada atrapalhará”, declarou Dionísio.
O parlamentar também destacou que apresentará nesta terça-feira, na Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj), um projeto de lei para reconhecer como Patrimônio Cultural a Liesa e as ligas que representam as escolas da Série Ouro, Prata e a Superliga RJ. Segundo ele, a medida busca reforçar o caráter democrático do Carnaval.
“Queremos cada vez mais preservar o Carnaval. Ele precisa deixar de ser voltado somente para a elite e turistas do mundo inteiro. O Carnaval nasceu do povo e para ele deve ser direcionado, valorizando escolas tradicionais e garantindo oportunidades para que todas tenham chance de desfilar no Templo do Samba, a Sapucaí”, afirmou.
A Unidos do Porto da Pedra prepara um desfile histórico para o Carnaval 2026. Com o enredo “Das Mais Antigas da Vida, o Doce e Amargo Beijo da Noite”, desenvolvido pelo carnavalesco Mauro Quintaes e o enredista Diego Araujo, a escola de São Gonçalo levará para a Marquês de Sapucaí uma homenagem às profissionais do sexo, destacando suas histórias de resistência, protagonismo e humanidade. Entre as presenças confirmadas no desfile está a atriz e influenciadora Elisa Sanches, que virá em um dos carros alegóricos da vermelho e branco. Reconhecida nacionalmente, ela soma nove anos de carreira na cena adulta e oito troféus Sex Hot. Fora das telas, já participou de projetos como Mansão Maromba, da série Arcanjo Renegado (Globoplay), além de clipes de artistas como MC Ryan SP e Anderson Neiff. Atualmente, atua também como digital influencer, criadora de conteúdo e performer de shows de stripper.
Elisa ressaltou a importância de estar em um enredo que discute um tema social de forma tão direta. “Pra mim é uma honra desfilar numa escola que abraça um tema de tanta força. Meretrizes são mulheres de garra, de luta, de independência, muitas vezes mães. São histórias reais que mostram que, por trás de qualquer personagem, existe uma mulher comum, dona de casa, trabalhadora, com sonhos e fragilidades. O desfile é uma oportunidade de mostrar essa verdade e levar dignidade a muitas histórias. Pra mim é uma conquista poder fazer parte desse momento e agradeço à escola por me dar essa chance tão especial”, declarou.
Aos 44 anos, Elisa celebra uma nova fase da carreira, em que também se consolida como criadora do Privacy e figura influente nas redes sociais. Sua presença no desfile reforça a proposta da Porto da Pedra de dar visibilidade e reconhecimento a trajetórias que, muitas vezes, permanecem à margem da sociedade.
João Drumond, diretor financeiro da Liga. Foto: Reprodução de internet
Diante da polêmica sobre a possível existência de dois barracões vagos na Cidade do Samba, João Drumond se pronunciou em vídeo para esclarecer a situação e defender a gestão da Liesa. Segundo ele, todos os 14 barracões estão atualmente em uso, e a discussão sobre o tema precisa levar em conta a evolução do carnaval carioca.
Drumond argumenta que o carnaval de hoje não é o mesmo de 2005, ano em que a Cidade do Samba foi entregue. “O carnaval cresceu muito e as escolas não têm mais espaço dentro dos seus barracões”, explicou. Ele afirma que os espaços tidos como “vagos” foram, na verdade, ocupados pelas próprias agremiações para viabilizar a continuidade do crescimento do espetáculo. “Isso não tem relação nenhuma com o número de escolas”.
O debate sobre o regulamento: mais escolas, menos qualidade?
A discussão sobre a ocupação dos barracões está diretamente ligada ao debate sobre a quantidade de escolas no Grupo Especial. Atualmente, o regulamento prevê 12 agremiações, mas a proposta é para aumentar esse número. Drumond é enfático ao afirmar que uma mudança como essa exige mais do que discursos. “Para mudar isso, gente, é preciso estrutura e recurso. Não adianta ter só discurso”, declarou.
Para o diretor, um aumento no número de escolas sem o devido investimento pode levar a um cenário preocupante, segundo o diretor financeiro da Liesa: “A gente vai ter um grupo maior em quantidade de escolas, mas com uma qualidade artística inferior”.
Um motor econômico de R$ 5 bilhões
O diretor financeiro da Liesa rebateu a ideia de que o carnaval é um “gasto”, defendendo-o como um “investimento” de grande retorno para a cidade e o estado. Ele citou dados expressivos para corroborar sua afirmação: “Só esse ano, na nossa cidade, durante o período do carnaval, foram movimentados 5 bilhões de reais”.
Drumond também destacou o impacto no setor de turismo, mencionando uma ocupação de 99% na rede hoteleira e a venda de ingressos para 160 países. “Repito, não é gasto, é investimento. E o poder público pode e deve contribuir ainda mais com o nosso espetáculo”, disse.
Apelo por dignidade e um olhar para o acesso
Ao final de sua fala, João Drumond fez um apelo emocionado por mais atenção e carinho com os grupos de acesso do carnaval. Ele pediu que o poder público olhe com mais cuidado para a “Cidade do Samba 2” e para as escolas que desfilam na Intendente Magalhães.
“Cenas como a desse ano (incêndio na fábrica que afetou Império Serrano, Ponte e Bangu) não podem voltar a se repetir. É preciso dar dignidade para aqueles que trabalham, que fazem a nossa festa acontecer”, clamou o diretor. Ele finalizou reforçando o desejo da Liesa por um espetáculo cada vez maior e mais bonito, com a valorização do sambista, mas ressaltou que para isso “não bastam palavras bonitas, tem que ter conhecimento de causa”.
Das temáticas mais celebradas do carnaval de São Paulo em 2026, “A Bruxa Está Solta – Senhoras do Saber Renascem na Colorado”, enredo assinado pelo carnavalesco David Eslavick e pelo enredista Thiago Morganti, ganhou, oficialmente, o samba-enredo para desfilar na Colorado do Brás. Segunda escola a desfilar na primeira noite do Grupo Especial (não por acaso, uma sexta-feira 13), a canção da escola foi apresentada à comunidade e ao mundo do samba pela primeira vez neste domingo (24 de agosto), na Associação Portuguesa de Desportos, no bairro do Canindé, e tem assinatura de Léo do Cavaco, Thiago Meiners, Cláudio Mattos, Sukata, André Valencio, Vitor Roblanco e Tubino. Com muito investimento em dança, arte e teatralização, o evento teve a presença do CARNAVALESCO, que traz a palavra de importantes nomes da escola do Centro de São Paulo.
Desde quando foi anunciado, o enredo da Colorado do Brás para 2026 chamou atenção pela originalidade. Tal característica foi, à priori, um desafio para os compositores – mas, depois, eles identificaram o quanto as bruxas engrandeceram a canção. Léo do Cavaco, um dos compositores da obra e intérprete da instituição, explica: “Confesso que para gente foi um desafio, mas no bom sentido. Na minha concepção é um grande enredo, completamente diferente de tudo que a gente vinha experimentando aqui na escola”, comentou.
A internet, novamente, foi uma grande aliada dos compositores, de acordo com Léo: “Foi um processo tranquilo, é a mesma parceria do ano passado. Entraram mais dois parceiros esse e fizemos os sambas em duas, três reuniões online, porque uma parte da parceria mora no Rio, eu estou em São Paulo e tem o Tubino que é de Porto Alegre. A escola deu todo o respaldo e acho que o resultado ficou maravilhoso”, destacou, aproveitando já para falar da dinâmica de criação da composição.
André Valêncio, outro compositor da parceria, celebrou o resultado final e a confiança da escola nos autores: “É uma parceria grande, graças a Deus! A gente fica feliz de a escola acreditar nas nossas composições. É um trabalho que vem sendo feito há um tempo. Nós fazemos os sambas da Colorado há alguns anos, também já disputamos e tivemos derrotas e vitórias. A escola confiou na nossa capacidade e deu essa oportunidade para a gente. É uma obra linda que todos saíram felizes”, comentou.
O desafio de escrever um samba-enredo sobre bruxas também foi descrito por André: “Já teve outros temas de terror no Rio de Janeiro – que foram aclamados, inclusive. Quando você foge um pouco dos temas afro dos temas ou mais religiosos, é um desafio maior – mas a gente se identificou bastante e conseguimos fazer uma obra bem bacana”, comemorou.
Preferências e ajustes
Para Léo do Cavaco, estar na composição e no microfone principal da agremiação ajuda o carro de som da Colorado do Brás: “Ser um dos compositores ajuda muito na questão de poder já construir o samba para a minha voz. Não que se tivessem eliminatórias não daria certo, porque também aparecem grandes sambas. Mas, nesse caso, a gente faz pensando não só na escola, mas para eu cantar em uma região que seja confortável e para não ter que mudar muito o jeito de trabalhar a obra”, comentou.
O compositor e intérprete aproveitou para falar qual a parte favorita dele do samba-enredo: “Eu gosto do samba inteiro, acho que é um samba muito forte, mas eu tenho certeza que o refrão vai pegar bastante. ‘Vem ver, vai ferver o caldeirão, tem magia nesse chão, onde a bruxa é rainha, Rio Vermelho é fogo de enfeitiçar pra Colorado afastar as armadilhas’. Acho que isso vai grudar na comunidade e no povo do samba”, comentou.
Mais que satisfação
Nada mais natural que a encomenda do samba-enredo traga felicidade para a escola que efetuou tal ação. Em relação à canção da Colorado do Brás para 2026, porém, os compositores foram além. Jairo Roizen, um dos diretores de carnaval da agremiação, explica: Esse é meu décimo carnaval na Colorado e eu sempre fiquei feliz com os nossos sambas. Mas esse é diferente e especial. Ontem, quando o Léo me mandou a versão final da gravação, aconteceu algo que não ocorria comigo há muito tempo: eu chorei ouvindo”, emocionou-se o dirigente.
De acordo com o diretor, inclusive, há uma semelhança entre a temática e a agremiação: “Estou com uma expectativa muito alta para esse carnaval, e para o que esse samba vai proporcionar para a história da Colorado do Brás. É uma agremiação tradicional de 50 anos, mas que passou por momentos não muito bons. Já teve momentos de ser injustiçada e ser caçada, como se fosse uma bruxa. Já ouvi pessoas perguntando como a Colorado chegou em tal colocação ou até mesmo quem era a escola, mas esse samba vai proporcionar algo diferente para a história dessa escola de 50 anos”, refletiu.
Sintonia
Antônio Carlos Borges, popularmente conhecido como Ká, presidente da Colorado do Brás, destacou o compositor que também faz parte do corpo da agremiação para elogiar a obra: “Eu gostei muito desse samba, o Léo teve a delicadeza de, mais uma vez (porque no ano passado já tinha sido assim), ter a percepção, o cuidado, o carinho e me ouviu. Os erros pontuais que eu destaquei foram abraçados e respeitados. Por mais que eu não seja compositor, eu sou sambista, tenho ouvido e ele respeita muito esse meu lado”, revelou.
Como não poderia deixar de ser, o principal mandatário da escola aposta na obra: “É um samba que vai crescer muito. Esse pontapé foi dado e pode esperar que vai ser muito funcional e vai ter uma repercussão muito legal. Eu tenho certeza absoluta”, destacou.
Mais elogios
Outros nomes importantes da agremiação elogiaram a obra da escola. David Eslavick, carnavalesco da instituição, tinha altas expectativas – e todas elas foram cumpridas: “Eu estava muito ansioso pelo samba. Acho que deveria ser uma obra que me arrepiasse, que mexesse comigo e que eu pudesse realmente identificar que estava passando tudo que eu queria contar na avenida. Graças a Deus eles conseguiram alcançar tudo com uma riqueza de detalhes. Os compositores tiveram a felicidade de retratar fielmente como será a nossa história. Eu estou curtindo demais. É um samba que vai mexer com todo mundo, assim como mexeu comigo”, comemorou.
Responsável pela Ritmo Resposta, bateria da agremiação, mestre Acerola de Angola destacou as vantagens que a ausência de eliminatórias traz para a escola de samba: “Mais um ano com o samba muito bom. Parece que a escola aderiu ao processo de fazer o samba fechado – que a gente chama de encomendado. Ficou muito legal, é o que a gente gosta e é o que a gente quer. Faz de novo, mexe na letra para ficar cada vez melhor… o samba ficou do jeito que a gente queria! Pode esperar que a Colorado do Brás vai ter uma das melhores obras do carnaval”, finalizou.
Atrações diversas
Com almoço servido entre 13h (horário em que os portões na Portuguesa foram abertos) e 16h, o evento teve dois shows para esquentar a comunidade. Primeiro, o cantor sertanejo Cícero Lima; depois, o grupo de pagode Amigos da Colorado – com Ká, presidente da agremiação, no vocal e no tantã.
O show da bateria começou logo na sequência, com o esquenta da Ritmo Responsa – bateria da agremiação. Alguns novos nomes de impacto na agremiação também foram apresentados: Fabi Frota, nova musa e destaque da escola, foi uma delas. Depois, a nova corte da bateria, com Talita Guastelli como rainha e Bruna Costa como madrinha, também foi apresentada. Ao som de grandes sambas da agremiação, segmentos como o quadro de casais de mestre-sala e porta-bandeira e passistas se apresentaram.
Ao longo de todo o evento, chamou atenção a quantidade de momentos em que a Colorado do Brás apostou na arte para entreter e se fazer compreendida. O ponto alto de tal ato foi o anúncio do samba-enredo – que teve, de maneira integrada, uma apresentação na temática da agremiação, repleta de bruxas, inteiramente concebida por Paula Gasparini, coreógrafa da comissão-de-frente da agremiação.
A encruzilhada da Ipiranga com a Avenida São João fez bater mais forte o coração da Nenê de Vila Matilde, que realizou uma final de samba-enredo memorável no último domingo, em preparação para o Carnaval de 2026. A obra que apresentará o enredo “Encruzas: Nenê de Corpo e Alma no Coração de São Paulo” foi composta pelos autores Leandro Neguinho, Victor Rangel, Guerra, Deco, Herval, Daniel Paixão, Jonathan Tenório, Gigi da Estiva e Rene Barbosa. A final aconteceu exatamente no local que inspira o enredo, em um palco montado em frente ao clássico Bar Brahma, que teve participação ativa na organização do evento. A parceria da Nenê de Vila Matilde com o bar busca contar a história do “coração” de São Paulo no Anhembi.
A comunidade da Zona Leste marcou presença no centro da capital e vibrou essa união como se estivesse em sua própria quadra. A escola apresentou seu tradicional repertório, com a participação de seus segmentos e a presença especial do lendário intérprete Baby. A festa da Azul e Branco também contou com a participação da coirmã Vai-Vai, que abriu a noite em uma demonstração de harmonia entre dois dos mais tradicionais pavilhões da folia paulistana. As três parcerias finalistas se apresentaram por meia hora cada, diante não apenas de suas torcidas, mas também de um público que foi se juntando para viver uma experiência única no coração de São Paulo. O CARNAVALESCO conversou com representantes do projeto da Nenê de Vila Matilde para 2026, trazendo um panorama sobre o hino escolhido e o que o mundo do samba pode esperar neste ciclo.
Homenagem a São Paulo na caneta carioca
A parceria vencedora, de número 77 no concurso, é inédita no carnaval de São Paulo. Os compositores cariocas ousaram ao criar uma obra que homenageia a capital do outro lado da Via Dutra. Um dos responsáveis pela construção da obra, Jonathan Tenório, celebrou a vitória: “É uma felicidade enorme ter ganhado essa disputa, principalmente por ser meu primeiro ano como compositor e o primeiro ano dessa parceria no carnaval de São Paulo”.
Herval Neto, outro integrante do grupo, destacou o trabalho coletivo e dedicou a conquista à mãe: “Cada integrante da parceria colaborou um pouco. Nós temos um grupo que faz samba para algumas escolas e é a primeira vez que estou colocando samba aqui na Nenê, na verdade é a nossa primeira vez em São Paulo. É uma felicidade incrível e eu queria dedicar essa conquista para minha mãe, que sofreu um acidente nesta quinta-feira. Essa vitória é para ela”.
Maior rigor em busca da nota máxima
Considerando as notas do último carnaval, o carnavalesco Danilo Dantas ressaltou a importância do processo de escolha do hino que embalará a Águia da Zona Leste em 2026:
“Com o critério de julgamento cada vez mais rígido em São Paulo, não temos muita escolha senão encontrar o samba que mais se adequa ao enredo, tanto na melodia quanto, principalmente, na letra. Ano passado fomos penalizados nesse quesito, então tivemos muito cuidado. Das pessoas que analisaram, todas ligadas à direção da escola, esse foi o samba mais escolhido. Como carnavalesco, tenho que respeitar a decisão da escola”.
Ele também destacou como a obra se encaixa no processo de montagem do desfile: “Acho que esse samba já captou de imediato o espírito do enredo. Quando fala da mais famosa esquina do país, quando cita a Sampa, quando exalta São Paulo, a maior cidade do país, ele se conecta diretamente com o meu desfile. Na verdade, é um complemento: samba e enredo caminham juntos para dar certo”.
Para 2026, a Nenê aposta em uma nova voz para liderar o time de canto. O intérprete oficial Alessandro Tiganá comentou sobre sua estreia e o contentamento com o hino escolhido:
“Eu só tenho a agradecer e dizer à comunidade que não vai faltar empenho e dedicação. Se tiver que dar cambalhota na Avenida, eu vou dar para que tenhamos sucesso e o resultado desejado. Quanto ao samba para 2026, podem ter certeza de que darei o máximo. O samba 77 foi o campeão e é o que a comunidade escolheu. Não podemos entregar menos do que ela exige. A obra conta lindamente o enredo proposto pelo nosso carnavalesco e vamos com tudo para o Anhembi”.
Sonho de voltar ao Grupo Especial
O presidente Rinaldo Andrade, o Mantega, falou sobre a importância do quesito samba-enredo e a esperança da Nenê de Vila Matilde em retornar à elite do carnaval paulistano:
“A Nenê tem feito carnavais incontestáveis e, no último, fomos mal julgados justamente no samba-enredo. Se não fosse isso, estaríamos no Grupo Especial. Mas estamos lutando. O que faremos? Um grande carnaval novamente. Vamos apresentar um desfile bem defendido, dentro dos critérios de julgamento, e torcer para não errar. As escolas entram com nota 10 e vão perdendo ao longo do desfile. Nossa meta é não errar, fazer um grande espetáculo e sermos campeões, respeitando as demais escolas. O carnaval de São Paulo está em alto nível, muito competitivo, e esperamos alcançar a vitória”.
O dirigente também explicou a dinâmica da escolha do hino: “Nós temos um grupo de diretores que entende os critérios de julgamento. Em um concurso de samba-enredo, letra e melodia precisam estar adequadas ao enredo. Esse samba se mostrou mais alinhado, na minha opinião e na da maioria da diretoria. Não houve acordo, foi direto: pega a pasta, vê o resultado e acabou. Todas as alas e setores da escola estiveram representados. Foi o samba que escolhemos, e é com ele que vamos para a Avenida”.
Uma história que se confunde com a própria escola. Assim pode ser definida a trajetória de Amanda Omin, de 23 anos, anunciada como a nova musa da comunidade do Acadêmicos do Salgueiro. Em uma conversa emocionante com o CARNAVALESCO, a estudante de Direito, que está no sétimo período da faculdade, revelou que o convite, recebido pessoalmente na última segunda-feira, foi uma “grande surpresa”. Cria na escola mirim “Aprendizes do Salgueiro”, Amanda fincou suas raízes na vermelho e branco aos 10 anos de idade, em 2011. Ela credita sua formação como sambista ao coreógrafo Carlinhos, a quem se refere com imenso carinho. “Foi o mestre que me lapidou, me montou. Ele me ensinou a gostar de mim, da minha personalidade”, relembrou.
A paixão pelo carnaval, no entanto, vem de berço. Embora sua família não seja de sambistas, a grande inspiração veio da avó, Solange Barcelos da Silva. “Minha avó sim, foi a única. Ela sempre priorizou, sempre levou a gente para o Salgueiro. Eu era a neta que morava com ela, ela começou a perceber essa sensibilidade. Foi ela quem me apresentou o Aprendizes”, contou Amanda, citando a avó como sua primeira referência de “mulher sambista”.
Questionada sobre o que define uma verdadeira musa da comunidade, Amanda foi enfática ao destacar qualidades que vão além da beleza e do samba no pé. “Eu acho que além de humildade e amor à escola, eu acredito que tem que ter personalidade. O que eu posso oferecer? Eu quero me doar, quero ser útil para a minha escola. Quero ajudar minha comunidade de alguma forma, seja com as crianças, para quem já dei aula, seja de outra forma. Acima de tudo, eu quero servir”, afirmou.
Estar em uma escola conhecida por atrair muitas celebridades não a intimida. Pelo contrário, Amanda se sente em casa, literalmente. “A ficha não caiu, confesso! Mas aqui é a minha casa, eu digo que é meu quintal. Eu passo muito tempo aqui, faço parte do projeto, eu treino. Eu fico com os pés no chão. Acredito que será só alegria, como sempre foi em todos esses anos”, garantiu.
A nova musa reforçou a tradição do Salgueiro como um verdadeiro formador de talentos no mundo do samba. “Eu sou suspeita para falar do meu mestre, das meninas que são referências. Mas o Salgueiro, sim, ele forma mulheres maravilhosas, musas, rainhas. E eu vim parar aqui desde 2011, e só tenho que agradecer”, concluiu. Com a força de sua história e a benção de seus ancestrais, Amanda assume o posto para mostrar que o maior brilho de uma estrela salgueirense vem de dentro da própria comunidade.