A encruzilhada da Ipiranga com a Avenida São João fez bater mais forte o coração da Nenê de Vila Matilde, que realizou uma final de samba-enredo memorável no último domingo, em preparação para o Carnaval de 2026. A obra que apresentará o enredo “Encruzas: Nenê de Corpo e Alma no Coração de São Paulo” foi composta pelos autores Leandro Neguinho, Victor Rangel, Guerra, Deco, Herval, Daniel Paixão, Jonathan Tenório, Gigi da Estiva e Rene Barbosa. A final aconteceu exatamente no local que inspira o enredo, em um palco montado em frente ao clássico Bar Brahma, que teve participação ativa na organização do evento. A parceria da Nenê de Vila Matilde com o bar busca contar a história do “coração” de São Paulo no Anhembi.
A comunidade da Zona Leste marcou presença no centro da capital e vibrou essa união como se estivesse em sua própria quadra. A escola apresentou seu tradicional repertório, com a participação de seus segmentos e a presença especial do lendário intérprete Baby. A festa da Azul e Branco também contou com a participação da coirmã Vai-Vai, que abriu a noite em uma demonstração de harmonia entre dois dos mais tradicionais pavilhões da folia paulistana. As três parcerias finalistas se apresentaram por meia hora cada, diante não apenas de suas torcidas, mas também de um público que foi se juntando para viver uma experiência única no coração de São Paulo. O CARNAVALESCO conversou com representantes do projeto da Nenê de Vila Matilde para 2026, trazendo um panorama sobre o hino escolhido e o que o mundo do samba pode esperar neste ciclo.
Homenagem a São Paulo na caneta carioca
A parceria vencedora, de número 77 no concurso, é inédita no carnaval de São Paulo. Os compositores cariocas ousaram ao criar uma obra que homenageia a capital do outro lado da Via Dutra. Um dos responsáveis pela construção da obra, Jonathan Tenório, celebrou a vitória: “É uma felicidade enorme ter ganhado essa disputa, principalmente por ser meu primeiro ano como compositor e o primeiro ano dessa parceria no carnaval de São Paulo”.
Herval Neto, outro integrante do grupo, destacou o trabalho coletivo e dedicou a conquista à mãe: “Cada integrante da parceria colaborou um pouco. Nós temos um grupo que faz samba para algumas escolas e é a primeira vez que estou colocando samba aqui na Nenê, na verdade é a nossa primeira vez em São Paulo. É uma felicidade incrível e eu queria dedicar essa conquista para minha mãe, que sofreu um acidente nesta quinta-feira. Essa vitória é para ela”.
Maior rigor em busca da nota máxima
Considerando as notas do último carnaval, o carnavalesco Danilo Dantas ressaltou a importância do processo de escolha do hino que embalará a Águia da Zona Leste em 2026:
“Com o critério de julgamento cada vez mais rígido em São Paulo, não temos muita escolha senão encontrar o samba que mais se adequa ao enredo, tanto na melodia quanto, principalmente, na letra. Ano passado fomos penalizados nesse quesito, então tivemos muito cuidado. Das pessoas que analisaram, todas ligadas à direção da escola, esse foi o samba mais escolhido. Como carnavalesco, tenho que respeitar a decisão da escola”.
Ele também destacou como a obra se encaixa no processo de montagem do desfile: “Acho que esse samba já captou de imediato o espírito do enredo. Quando fala da mais famosa esquina do país, quando cita a Sampa, quando exalta São Paulo, a maior cidade do país, ele se conecta diretamente com o meu desfile. Na verdade, é um complemento: samba e enredo caminham juntos para dar certo”.
Para 2026, a Nenê aposta em uma nova voz para liderar o time de canto. O intérprete oficial Alessandro Tiganá comentou sobre sua estreia e o contentamento com o hino escolhido:
“Eu só tenho a agradecer e dizer à comunidade que não vai faltar empenho e dedicação. Se tiver que dar cambalhota na Avenida, eu vou dar para que tenhamos sucesso e o resultado desejado. Quanto ao samba para 2026, podem ter certeza de que darei o máximo. O samba 77 foi o campeão e é o que a comunidade escolheu. Não podemos entregar menos do que ela exige. A obra conta lindamente o enredo proposto pelo nosso carnavalesco e vamos com tudo para o Anhembi”.
Sonho de voltar ao Grupo Especial
O presidente Rinaldo Andrade, o Mantega, falou sobre a importância do quesito samba-enredo e a esperança da Nenê de Vila Matilde em retornar à elite do carnaval paulistano:
“A Nenê tem feito carnavais incontestáveis e, no último, fomos mal julgados justamente no samba-enredo. Se não fosse isso, estaríamos no Grupo Especial. Mas estamos lutando. O que faremos? Um grande carnaval novamente. Vamos apresentar um desfile bem defendido, dentro dos critérios de julgamento, e torcer para não errar. As escolas entram com nota 10 e vão perdendo ao longo do desfile. Nossa meta é não errar, fazer um grande espetáculo e sermos campeões, respeitando as demais escolas. O carnaval de São Paulo está em alto nível, muito competitivo, e esperamos alcançar a vitória”.
O dirigente também explicou a dinâmica da escolha do hino: “Nós temos um grupo de diretores que entende os critérios de julgamento. Em um concurso de samba-enredo, letra e melodia precisam estar adequadas ao enredo. Esse samba se mostrou mais alinhado, na minha opinião e na da maioria da diretoria. Não houve acordo, foi direto: pega a pasta, vê o resultado e acabou. Todas as alas e setores da escola estiveram representados. Foi o samba que escolhemos, e é com ele que vamos para a Avenida”.
Uma história que se confunde com a própria escola. Assim pode ser definida a trajetória de Amanda Omin, de 23 anos, anunciada como a nova musa da comunidade do Acadêmicos do Salgueiro. Em uma conversa emocionante com o CARNAVALESCO, a estudante de Direito, que está no sétimo período da faculdade, revelou que o convite, recebido pessoalmente na última segunda-feira, foi uma “grande surpresa”. Cria na escola mirim “Aprendizes do Salgueiro”, Amanda fincou suas raízes na vermelho e branco aos 10 anos de idade, em 2011. Ela credita sua formação como sambista ao coreógrafo Carlinhos, a quem se refere com imenso carinho. “Foi o mestre que me lapidou, me montou. Ele me ensinou a gostar de mim, da minha personalidade”, relembrou.
A paixão pelo carnaval, no entanto, vem de berço. Embora sua família não seja de sambistas, a grande inspiração veio da avó, Solange Barcelos da Silva. “Minha avó sim, foi a única. Ela sempre priorizou, sempre levou a gente para o Salgueiro. Eu era a neta que morava com ela, ela começou a perceber essa sensibilidade. Foi ela quem me apresentou o Aprendizes”, contou Amanda, citando a avó como sua primeira referência de “mulher sambista”.
Questionada sobre o que define uma verdadeira musa da comunidade, Amanda foi enfática ao destacar qualidades que vão além da beleza e do samba no pé. “Eu acho que além de humildade e amor à escola, eu acredito que tem que ter personalidade. O que eu posso oferecer? Eu quero me doar, quero ser útil para a minha escola. Quero ajudar minha comunidade de alguma forma, seja com as crianças, para quem já dei aula, seja de outra forma. Acima de tudo, eu quero servir”, afirmou.
Estar em uma escola conhecida por atrair muitas celebridades não a intimida. Pelo contrário, Amanda se sente em casa, literalmente. “A ficha não caiu, confesso! Mas aqui é a minha casa, eu digo que é meu quintal. Eu passo muito tempo aqui, faço parte do projeto, eu treino. Eu fico com os pés no chão. Acredito que será só alegria, como sempre foi em todos esses anos”, garantiu.
A nova musa reforçou a tradição do Salgueiro como um verdadeiro formador de talentos no mundo do samba. “Eu sou suspeita para falar do meu mestre, das meninas que são referências. Mas o Salgueiro, sim, ele forma mulheres maravilhosas, musas, rainhas. E eu vim parar aqui desde 2011, e só tenho que agradecer”, concluiu. Com a força de sua história e a benção de seus ancestrais, Amanda assume o posto para mostrar que o maior brilho de uma estrela salgueirense vem de dentro da própria comunidade.
A União do Parque Acari, escola de samba integrante da Liga RJ, acaba de anunciar um reforço de peso para a sua equipe no próximo carnaval. A agremiação terá como nova porta-bandeira o talento de Amanda Poblete, de 28 anos, que assumirá a missão de defender o pavilhão da escola na Avenida. Ela entra no lugar de Laís Lúcia.
Licenciada em Educação Física e especialista em Dança e Consciência Corporal, Amanda soma 16 anos de trajetória no carnaval carioca, marcados pela técnica refinada e pela dedicação ao ofício. Sua estreia na Marquês de Sapucaí aconteceu precocemente, aos 12 anos, como segunda porta-bandeira do Sereno de Campo Grande.
Desde então, construiu uma carreira sólida, passando por importantes agremiações, como Viradouro, Vila Isabel, Paraíso do Tuiuti, União da Ilha do Governador, São Clemente, Renascer de Jacarepaguá, Difícil é o Nome e Unidos de Padre Miguel.
Reconhecida pela elegância e pelo talento na condução do pavilhão, Amanda acumula uma extensa lista de premiações no Carnaval do Rio de Janeiro. Com a chegada de Amanda Poblete, a União do Parque Acari reforça sua equipe de destaques para a disputa de 2026 e renova as expectativas da comunidade para uma apresentação memorável na Sapucaí.
A paulista Maria Eduarda Fraga, de 27 anos, nascida e criada na periferia de São Paulo, formada em Direito, modelo e rainha de bateria do Vai-Vai, fará sua estreia no Carnaval carioca em 2026 como musa da Unidos do Viradouro. Madu Fraga, como é mais conhecida, é filha de Eduardo Damatta, que já presidiu a ala de compositores do Vai-Vai. A beldade é nascida e criada dentro da escola paulistana, já tendo brilhado no Sambódromo do Anhembi como componente de ala, composição e destaque de carro alegórico e como musa, antes de se tornar rainha dos ritmistas em 2024.
Apaixonada pelo Carnaval do Rio de Janeiro desde criança, Madu sempre acompanhou os desfiles pela televisão e, de uns anos pra cá, também pelas redes sociais. Em 2025, teve sua primeira experiência presencial na Marquês de Sapucaí, assistindo ao Desfile das Campeãs, que ela descreve como um momento mágico que confirmou ainda mais sua paixão pela festa carioca. Ela também fala sobre a sensação que teve quando pisou na escola pela primeira vez e recebeu o convite pro desfile.
“Em dezembro do ano passado, me encantei com a energia que senti quando estive na quadra pela primeira vez, num ensaio de comunidade. Recebi o convite pra fazer parte da escola, o que me deixou surpresa e bastante honrada. Senti que minha estreia no Carnaval carioca tinha que ser na Viradouro. Sei que, em alguns momentos, conciliar as agendas das duas escolas pode não ser fácil, mas a paixão que eu tenho pelo samba vai facilitar tudo”, garante ela.
A apresentação oficial de Madu Fraga à comunidade da Viradouro será no dia 6 de setembro, com direito a show do Vai-Vai na quadra da escola de Niterói.
O Salgueiro viveu mais uma noite de eliminatória de sambas-enredo para o Carnaval 2026, neste último sábado. Nove sambas se apresentaram retratando a homenagem à carnavalesca Rosa Magalhães, e a marca da noite foi o equilíbrio na disputa. Três obras tiveram desempenho mais destacado, com total nivelamento entre elas. O CARNAVALESCO analisa abaixo o desempenho de cada samba que passou pela quadra.
Parceria de Paulo César Feital: A parceria de Paulo César Feital, Ian Ruas, Benjamin Figueiredo, Luiz Fernando, Márcio Pessi, Zé Carlos, Vagner Alegria, Dredi, Bruno Papão e Igor Leal abriu a disputa da noite com Leonardo Bessa à frente do samba. A obra contou com uma torcida afiada, que cantou o samba com bastante garra em todas as passadas. O destaque da apresentação foi o refrão central: “No reino do faz de contas, impérios a descobrir, o nosso samba, minha gente, é isso aí. Bailam princesas em melodias no ar, giram louças e bailarinas, um leque de cores tão genial da professora do Carnaval”. A segunda parte é mais protocolar, mas o último verso, com o bis “Salgueiro, vai ser impossível não se emocionar”, impulsiona bem o refrão de cabeça. Uma apresentação competente.
Parceria de Gui Salgueiro: Guto defendeu o samba de Guilherme Salgueiro, Mônica de Aquino, Marcão Campos, Carlos Ferrão, Geraldo da Valda, Fábio Teixeira, Dennis Garcia, Julio James, Eugênio Leal e Nego Martins com categoria, valorizando a melodia que passeia em bonitas variações, principalmente na primeira parte, que acompanha versos bem construídos como “Seguindo com o vento vai menina flor, banquete de cultura e beleza, conquista a coroa da nobreza, fez brilhar a rainha, o reizinho e a princesa”. O refrão de cabeça, de fácil assimilação, explodiu no canto da torcida que compareceu à quadra, completando uma robusta apresentação.
Parceria de Bernardo Nobre: O samba de Bernardo Nobre, João Moreira, John Bahiense, André de Souza, Jorge Silva, Alfredo Poeta e Vitor Lajas foi cantado por Chicão e teve uma passagem regular, sem grandes quedas de desempenho, mas também sem causar maior impacto. O samba tem boas passagens, como o bis da segunda parte “Salgueiro, à herdeira da revolução, presta sua homenagem, filha desse chão”, mas peca em alguns trechos por versos genéricos, sem assimilação direta com a carreira de Rosa, como no refrão central “Um oceano de histórias desbravei, por mundos distantes naveguei, os mitos e lendas floreiam a vida no meu caminhar, e sigo a cantar”. A torcida da obra sustentou o canto durante a maior parte da apresentação.
Parceria de Serginho do Porto: Serginho do Porto defendeu o samba de sua parceria com Sereno, Maurício Dutth, Chacal do Sax, Leandro Thomaz, Mário Carvalho, Claudio Gladiador, Telmo Augusto, Josy Ferreira e Cleo Augusto William Ramos. A obra aposta em menos citações diretas aos carnavais criados por Rosa Magalhães, exceto no refrão central: “E nesse faz de conta, te levo a viajar, mas se o pirata apronta, não há moinho que eu não possa enfrentar. Eu visto a fantasia, realidade que ainda vive em mim. O samba me leva pra qualquer lugar, é só dizer pirlimpimpim”. Na segunda parte, é lembrada mais a Rosa idealista e revolucionária do que a artista. A apresentação não segurou o pique durante todas as passadas, tendo ligeira queda na final.
Parceria de Marcelo Adnet: A obra de Marcelo Adnet, Gustavo Albuquerque, Babby do Cavaco, André Capá, Bruno Zullo, Marcelinho Simon, Rafael Castilho, Luizinho do Méier, Igor Marinho e Fabiano Paiva teve Wander Pires no comando. Foi o primeiro samba da noite a esquentar mais a quadra, não apenas pela torcida da obra, que compareceu em bom número, mas também por integrantes de segmentos da escola, como a velha guarda. O refrão de cabeça passou com muita força: “Deixa meu povo festejar, lembra, sou eu… o seu Carnaval. No meu jardim quem te viu primeiro, ó linda Rosa, foi o morro do Salgueiro”. O refrão central, menos poético, juntou trechos de sambas presentes em grandes desfiles assinados pela homenageada. Uma melodia bem amarrada contribuiu para uma bela apresentação, apesar de alguns versos não traduzirem com exatidão a proposta do enredo, como “O seu samba é de maré, que abre caminhos, força de mulher. Encontra o destino em delírio profundo, no arrastão da esquina do mundo”.
Parceria de Marcelo Motta: Tinga e Pitty de Menezes comandaram o samba da parceria de Marcelo Motta, Dudu Nobre, Julio Alves, Manolo, Daniel Paixão, Jonathan Tenório, Kadu Gomes, Zé Moraes, Jorge Arthur e Fadico. O samba descreve o processo de surgimento do lado artístico de Rosa Magalhães e o legado de seu trabalho para a nova geração de carnavalescos, incluindo Jorge Silveira, autor do enredo, sem retratar diretamente o universo dos enredos criados por Rosa. Uma interpretação do enredo que resultou num samba bonito e com um refrão de cabeça nostálgico: “Olelê, eis a flor dos amanhãs, a décima estrela brilha em Rosa Magalhães. Onde o samba é primavera, que floresce em fevereiro, nem melhor, nem pior, Salgueiro”. Entretanto, causa estranheza em alguns momentos pela condução mais particular do enredo em relação aos demais sambas. A apresentação foi irregular, com ritmo forte nas duas primeiras passadas e queda nas duas últimas, mesmo com um palco de peso e uma torcida numerosa.
Parceria de Xande de Pilares: O samba da parceria de Xande de Pilares, Fred Camacho, Betinho de Pilares, Renato Galante, Miguel Dibo, Jorginho via 13, Jefferson Oliveira, Jessa, João Diniz e W Corrêa teve Evandro Malandro e Charles Silva nos microfones principais. O samba tem uma primeira parte bem construída sobre o enredo e o universo de criação da carnavalesca. Peca, entretanto, na segunda parte, pela melodia corrida em alguns versos, o que prejudica a fluidez. O refrão de cabeça faz mais alusão ao salgueirense do que à homenageada: “À Rosa imortal, a poesia, é teu o Carnaval da academia. Não há argumento que negue o fato: eu sou Salgueiro e fim de papo”. Funcionou, no entanto, para o canto da torcida e de outros presentes na quadra. No geral, foi uma boa apresentação, com rendimento estável e sem quedas, muito pelo ótimo desempenho dos intérpretes.
Parceria de Moisés Santiago: A parceria de Moisés Santiago, Pedrinho da Flor, Gilmar L. Silva, Leonardo Gallo, Orlando Ambrósio, Zeca do Cavaco, Alexandre Cabeça, Bruno Dallari, Marquinho Bombeiro e D’Miranda teve Ito Melodia e Tem Tem Jr. como intérpretes principais. O samba aposta em dois refrães de letra fácil, que renderam uma apresentação animada, principalmente o refrão de cabeça: “Balança a roseira, ferve o caldeirão, avenida inteira marejada de emoção. Lá vem Salgueiro no perfume das manhãs, raiz de Rosa Magalhães”. A segunda parte mantém essa estrutura mais alegre, com uma alusão ao desfile de 2005 da Imperatriz sobre Hans Christian Andersen, um dos trabalhos mais leves de Rosa Magalhães. O samba se sustentou muito bem em todas as passadas, inclusive no canto da torcida, deixando o palco como destaque da noite.
Parceria de Rafa Hecht: A parceria de Rafa Hecht, Samir Trindade, Thiago Daniel, Clairton Fonseca, Fabrício Sena, Deiny Jeffer, Felipe Sena, Ricardo Castanheira, JP Figueira e Deco apresentou um samba defendido por Marquinho Art Samba e Leonardo Bessa, que teve a maior sinergia entre palco e torcida na noite. A apresentação começou com o trecho “Mestra, você me fez amar a festa, e eu virei carnavalesco, sonhei ser Rosa, te faço enredo. Mestra, você me fez amar a festa, tantos alunos por aqui, segue o legado da Sapucaí”, cantado apenas pela torcida e depois acompanhado pelos intérpretes. A letra traz grande inspiração ao retratar o universo criado por Rosa Magalhães e o Brasil desbravado pela professora, tudo muito bem concatenado, como nos versos “Nas prateleiras do lado de cá do Equador, devorei a nação. Andar na Ouvidor virou caso de amor pro meu coração”. Um samba que captou a essência de Rosa Magalhães e apostou em soluções poéticas, resultando em uma apresentação menos explosiva, mas de muita qualidade, sendo outro destaque da noite e fechando a rodada em grande estilo.
A Estação Primeira de Mangueira escolheu, na madrugada deste sábado para domingo, no Amapá, o samba-enredo do estado que fará parte da final da disputa do hino da escola para o próximo Carnaval. A composição Verônica dos Tambores, Piedade Videira, Laura do Marabaixo, Antonio Neto, Clóvis Júnior e Marcelo Zona Sul levou a melhor entre os participantes. A disputa entre os seis sambas inscritos foi transmitida ao vivo pelo YouTube da Mangueira.
“É muito bonito e potente ver a entrega do povo do Amapá ao nosso enredo, ao carnaval, ao samba”, declarou a presidente Guanayra Firmino. “Penso que essa energia diferente que experimentamos aqui tem a ver com a ancestralidade”, declara ela, referindo-se à história do estado e à forte presença de negros escravizados na região.
Cada samba teve direito a três passadas, duas delas com a bateria formada inteiramente por ritmistas locais. Sob o comando dos mestres Taranta Neto e Rodrigo Explosão, cem ritmistas tiveram a oportunidade de compor a bateria Verde e Rosa durante alguns ensaios e uma noite. As parcerias vencedoras vão receber uma ajuda do governo do Estado para financiar os custos da disputa que será realizada no Palácio do Samba, na tradicional quadra da Mangueira.
Apresentações de grupos locais e um show da cantora Karinah, musa e madrinha do programa social da escola e da própria agremiação também fizeram parte da programação que parou a cidade de Macapá.
A Mangueira recebeu 22 sambas concorrentes, sendo 16 do Rio de Janeiro e 6 do Amapá. Todas as obras estão disponíveis no canal oficial da agremiação no YouTube, com as respectivas letras e compositores. O calendário completo e demais informações estão disponíveis nas redes sociais da Verde e Rosa.
A Estação Primeira de Mangueira levará para a Marquês de Sapucaí no Carnaval de 2026 o enredo “Mestre Sacaca do Encanto Tucuju – O Guardião da Amazônia Negra”, que mergulha na história afro-indígena do extremo Norte do país a partir das vivências de Mestre Sacaca. O desfile é desenvolvido pelo carnavalesco Sidnei França e dá início ao triênio do centenário da agremiação.
De origem negra e indígena, cernes da formação do Amapá, Raimundo dos Santos Souza, personagem central da Verde e Rosa, apresenta os encantos que viveu no seu território. Ao ser apelidado como Sacaca, uma titulação xamânica, ele navegou pelos rios que cruzam a região Norte do Brasil, entrando em contato com diferentes populações tradicionais.
Mestre Sacaca tornou-se um personagem brasileiro de profundos saberes sobre o manuseio de ervas, seivas, raízes e elementos que compõem a Amazônia Negra amapaense. Utilizava seus conhecimentos no tratamento de doenças e do cuidado comunitário por meio de garrafadas, chás, unguentos e simpatias. Por isso, também ficou conhecido como “doutor da floresta” em diferentes cidades das terras Tucujus – expressão oriunda de um grupo indígena que habitava essa região, e que atualmente é utilizada para se referir ao povo desse estado.
Seguem os sambas-enredo vencedores da etapa do Amapá
SAMBA nº103
Compositores: Verônica dos Tambores, Piedade Videira, Laura do Marabaixo, Antonio Neto, Clóvis Júnior, Marcelo Zona Sul
Intérpretes: Verônica dos Tambores, Nina Rosa, Juan Briggs
Sacaca escutei uma voz
Era você, no meio de nós
Eu sou mangueira, na magia da floresta
A sabedoria que respeita a terra
O vento sopra o transe do pajé
Rompe a meia-noite, é ritual turé
Fumaça de tawari, o xamã babalaô
Num gole de kaxixi encantos revelou
Maré me leva nas águas do curipi
De quem sempre esteve aqui, waiãpis e caripunas
Pelo jari, esperança em cada olhar
Ribeirinho nunca deixa de sonhar
Entre os furos e buritis
Risca o amapazeiro, põe a seiva na cachaça
Cura o corpo, curandeiro, benzedeira cura a alma!
Preto velho “engarrafou” riquezas naturais
“caboco” não se esqueça dos saberes ancestrais!
Bebericando gengibirra com o mestre
“mar abaixo” “mar acima”, a gente segue
Saia florida,”sá dona”, no curiaú
A fé “encruza” no “em canto” tucujú
“é de manhã, é de madrugada”
“é de manhã, é de madrugada”
Couro de sucuriju no batuque envolvente
Quilombola da amazônia jamais se rende!
Eu vi… Em cada oração o corpo arrepiar
Bandeiras vibrando à luz do luar
Tambores se encontram cantando em louvor
Senti os sabores, aromas e cores
Nas mãos que moldam nossos valores
“meu preto”, da mata és o griô!
Ajuremou, deixa ajuremar
O samba é verde e rosa e guia meu caminhar
Ajuremou, deixa ajuremar
Cuidado, chegou mangueira, na ginga do Amapá
SAMBA nº105
Compositores: Francisco Lino, Hickaro Silva, Camila Lopes, Silmara Lobato, Bruno Costa
Intérpretes: Bruno Costa, Silmara Lobato, Marcelo Stuart, Emerson Luise
Turé…
Quem invocou o ritual?
Eu trago a força ancestral Do Povo da floresta
Banzeiro de memórias
Navegam as histórias
Onde meu país começa
Remei, Remei a maré me levou
Pra revelar o que não vês a olho nu
Todo encanto Tucuju
Tem mandinga verde-rosa
Na Estação Primeira
Mangueira vem sambar
Benzi tua bandeira
Nesse “Rio” caudaloso de fé
Desce o morro banhada de axé
Contra todo o mal tem garrafada
Ervas e Flores pra dores curar
Tiro quebranto nas mãos sagradas
Lição de Preto Velho, Saravá!
Xamã, Doutor, Guardião, Babalaô
Saberes vibrando no tambor
Tem Marabaixo no “Encontro” ao luar…
Encantado folião na passarela
Coroado Rei do Laguinho à Favela
Mangueira chamou: “Sacaca!”
Minha voz ecoou na mata!
O meio do mundo é a nossa aldeia
Incorporou! A Amazônia é negra!
Na noite do último sábado, a Dragões da Real escolheu o samba-enredo que irá embalar o desfile do Carnaval 2026. A decisão aconteceu na “Caverna do Dragão”, sede da escola localizada na Vila Anastácio, Zona Oeste de São Paulo. A grande final reuniu duas parcerias: o samba 2, de autoria solo de Pedroca, e o samba 4. A disputa foi acirrada pela alta qualidade das obras, mas o samba abraçado pela quadra se consagrou campeão. A parceria de Renne Campos, Márcio Bijú e Alemão do Pandeiro foi a segunda a se apresentar e fez a festa da comunidade. No anúncio oficial, o presidente Tomate agradeceu a todos os concorrentes e ressaltou a importância dos concursos de samba-enredo no carnaval paulistano. Após o grito de guerra do intérprete Renê Sobral, a quadra explodiu ao som do samba vencedor. Com o tema “Guerreiras Icamiabas – Uma lendária história de força e resistência”, a Dragões da Real será a terceira escola a desfilar na sexta-feira de carnaval.
Nos dias de hoje, não é comum uma parceria vencedora contar com apenas três compositores. Curiosamente, a outra obra finalista também tinha autoria reduzida, com apenas um compositor. De acordo com Márcio Bijú, a força de vontade foi fundamental para o sucesso.
“O desafio é esse: pouca gente para fazer e três compositores que realmente se dedicam a escrever o samba, que se prontificam a confeccionar bandeira e a fazer absolutamente tudo. Foi um processo desafiador demais, mas feito com muito amor, entrega e emoção”, afirmou.
Renne Campos, agora oficialmente o maior campeão de sambas na história da Dragões, comemorou exaltando os companheiros:
“A parte de composição é até mais fácil, porque você tem ideias mais compactas. Além de compositores, somos três amigos do peito, e isso facilita muito o processo. Temos um propósito dividido em três pessoas. Ele não é feito em onze, dez ou oito. Essa foi a nossa premissa este ano na disputa da Dragões”, destacou.
Já Alemão do Pandeiro ressaltou o aspecto técnico: “Às vezes, é melhor ter poucas pessoas pensando – assim há menos debates e todos caminham para o mesmo rumo. Três boas cabeças bem-intencionadas conseguem ajeitar melhor as ideias e desenvolver um samba que, graças a Deus, alcançou tamanha qualidade”, declarou.
Uma obra valente
Pela primeira vez em sua história, a Dragões da Real levará um enredo indígena à avenida. O samba vencedor traz diversas palavras da língua tupi.
Renne Campos destacou alguns trechos: “É um samba esplêndido, muito completo. Eu sou apaixonado por várias partes. Quando ele fala de ‘Onça Silva’, por exemplo, é uma sacada superinteligente. A própria saída do samba, o refrão do meio, é muito valente. O ‘Aruê Angá’, que é um falso refrão, tem uma melodia interessante também. É um samba maduro, que muda o contexto do que a Dragões já fez”, refletiu.
Márcio Bijú elogiou a chegada de Alemão do Pandeiro à parceria: “Esse processo foi muito interessante. Ano passado estávamos em dois, e agora o Alemão chegou para somar. Um cara iluminado. Quando o enredo foi anunciado, o Renne já trouxe a ideia inicial do samba, que é o ‘cunhaê’. Depois desenvolvemos juntos e veio o ‘Juremê, Juremá’, que foi fortíssimo. Cada um contribuiu com uma parte importante, e o samba aconteceu”, contou.
Escolha correta e uma nova característica
O presidente Tomate exaltou a qualidade dos dois sambas finalistas e destacou a decisão da comunidade: “Sem demagogia nenhuma, tínhamos dois sambaços na final. De linhas diferentes, mas riquíssimos em letra e melodia. Este ano optamos por uma linha distinta do que a Dragões vinha apresentando nos últimos anos. Eu tenho certeza de que, com qualquer um dos dois, a escola estaria muito bem servida. Mas, quando demos o grito para o público e vimos a reação, tivemos certeza de que a escolha foi correta. A Dragões vai cantar e abraçar tudo o que esta diretoria e a comunidade fizerem. Se Deus quiser, em 2026 teremos um resultado ainda melhor”, afirmou.
Samba ideal para exaltar as Guerreiras Icamiabas
O carnavalesco Jorge Freitas também celebrou a escolha. Ele ressaltou a fidelidade da letra ao enredo e a força da mensagem:
“Temos a certeza de que escolhemos uma grande obra que vai empolgar nossa comunidade e o público. Esse samba será um grito de resistência pela preservação da Amazônia e pelo empoderamento feminino. As Guerreiras Icamiabas, através de sua ancestralidade, lutarão por essa preservação. Vamos transformar o Anhembi em palco de voz para nossas mulheres guerreiras”, destacou.
Como músico, Freitas analisou a melodia: “É uma melodia empolgante, com frases métricas que não caem em nenhum momento. Tem o descanso do respiro e volta com toda a energia. As palavras são muito bem colocadas e cumprem os critérios de julgamento. O fundamental é ter uma melodia pulsante que faça o componente transferir emoção para a arquibancada. Temos um samba com linha poética perfeita e narrativa bem contada”, completou.
Grande final com vencedor de alto nível
O intérprete Renê Sobral enalteceu a participação da comunidade: “A final foi grandiosa. Quando colocamos o público para cantar, vimos que eles cantaram muito bem os dois sambas, mas o vencedor tinha mais força. A comunidade cantou o samba inteiro, não só o refrão, e isso mostrou que o povo abraçou a obra”, ressaltou.
Sobral também destacou a riqueza do samba: “Não é um samba clichê, não tem oba-oba. É histórico, educativo e traz entrelinhas políticas, de empoderamento feminino e proteção da natureza. Quanto mais você canta, mais ele remete à Amazônia. Arrepia muito!”, afirmou.
Apresentações
Os finalistas se apresentaram na ordem dos números. O samba 2, de Pedroca, levou grande torcida com bexigões em preto e vermelho, além de uma encenação coreográfica indígena à frente dos apoiadores. O palco foi comandado pelo intérprete Luiz Felipe e contou com efeitos pirotécnicos.
O samba 4, campeão da noite, mobilizou ainda mais a quadra. Torcedores levaram bexigões laranjas e integrantes coreográficos. No palco, os intérpretes Fredy Vianna, Emerson Dias, Carlos Jr. e a cantora Keila Regina levantaram o público. O refrão principal é explosivo e já desponta como promessa para fazer história em 2026.
A Mancha Verde foi buscar na própria ancestralidade o enredo para o carnaval 2026. No desfile da temporada em questão, a agremiação será a quarta a desfilar no Grupo de Acesso I com “Pelas mãos do mensageiro do axé a lição de Odu Obará: a humildade”, tema manchista em 2012. Com samba-enredo assinado por Armênio Poesia, Chanel e Freddy Vianna, a exibição tinha como carnavalescos originais Pedro Alexandre (o “Magoo”(, Troy Oliveri, Thiago de Xangô e Paolo Bianchi, e será desenvolvido por uma Comissão de Carnaval – encabeçada por Rodrigo Meiners enquanto carnavalesco. Presente no Botequim dos Porcos, evento que teve uma série de atrações na quadra da Mancha Verde, na Zona Oeste de São Paulo, o CARNAVALESCO conversou com personagens que estiveram presentes no desfile original e marcarão presença na reedição.
O ano de 2012 foi marcante para a Mancha Verde. Encerrando a primeira noite de desfiles do Grupo Especial, a agremiação fez o que é, para muitos, o desfile mais inesquecível da história da agremiação – embalado por um samba que até hoje é cantado em diversos locais Brasil afora. Um dos autores da canção é Freddy Vianna – que estava estreando como intérprete da agremiação justamente naquele ano.
O compositor que também é intérprete destacou a parceria que teve com os outros nomes para criar canção tão marcante: “É uma composição de poucos compositores, mas de grandes compositores. Ao meu lado, tínhamos dois grandes compositores: Ricardo Rigolon, o Chanel, um dos maiores músicos de São Paulo, se não for o maior; e Armênio Poesia, uma lenda do samba – ele que começou e deu um boom nos anos 2000, ficou por muito tempo sendo vencedor”, destacou.
A cumplicidade e a união entre as habilidades entre os três foi um fator chave para o sucesso da composição, na visão de Freddy: “Eu sou muito parceiro dos dois e me lembro muito bem da composição, de como foi construído: a gente construiu na casa do Chanel. O Chanel sempre foi um cara muito sensível em relação à melodia, assim como eu. O Armênio era mais letrista. O Armênio veio construindo a letra, sempre com a nossa ajuda; eu e o Chanel ali na melodia, cadastrando tudo. E, de repente, se tornou esse sambão que todos escutam até hoje”, comemorou.
Lembranças de outros tempos
Freddy se lembrou de um momento marcante com os demais compositores do samba-enredo em questão: “Quando a gente foi construindo a melodia, era engraçado que, a cada momento que a gente construía uma estrofe, eu olhava para o braço do Chanel e ele ficava todo arrepiado. Só de lembrar eu também me arrepio. É uma melodia tocante, uma melodia dolente. Não tem como não se emocionar com ela. Foi um processo muito fácil e muito feliz da nossa parte”, destacou. Vale destacar que a reportagem pode atestar que o intérprete, de fato, ficava arrepiado ao lembrar de tais situações.
Se, conforme a comunicação por meio de smartphones foi evoluindo e se tornando uma realidade também para compositores, facilitando o processo de criação de um samba-enredo, o “jeito antigo” de compor desperta saudades em Freddy: “Era tudo presencial! A gente marcava em determinados dias e a gente ficava da parte da manhã até a parte da noite. A gente não via o tempo passar. É muito bom fazer composição e presencial é melhor ainda”, comentou.
Se não dispensa a modernização, Freddy destaca o quanto as composições antigas parecem ter um charme extra: Hoje o negócio se modernizou, mas ficou um pouco mais frio. A gente não vê, não fica tete-a-tete, não discute sobre aquela melodia, não discute sobre aquela letra. E, naquele tempo, era uma coisa saudável, gostosa. E, como eu falei para você, o processo foi arrepiante. Quando a gente terminou, a gente teve a certeza que aquele samba ia concorrer muito forte no Carnaval de 2012”, vaticinou.
Qualidade indiscutível
Enquanto compositor, Freddy mostra muita satisfação em ter participado da criação do samba-enredo em questão: “Independente dessas pequenas mudanças, o samba continua lindo. Eu escutei do Marcelo Casa Nossa agora mesmo que ele ganhou muitos sambas na Mancha, uns três ou quatro, mas o samba da escola é esse. O samba da escola é o de 2012. E, realmente, teve uma votação na internet em que ele ganhou disparado como o melhor samba da escola. E eu fico muito honrado por isso”, destacou, citando um dos grandes nome do carnaval paulistano a partir do final da década de 2000.
História com grandes histórias
Alguns outros nomes importantes da Mancha Verde também aprovaram a reedição. Presidente da agremiação, Paulo Rogério de Aquino, popularmente conhecido como Paulo Serdan, foi um deles: “Se você pegar os enredos da Mancha Verde, você vai ver que, Graças a Deus, a gente sempre tem enredo extremamente cultural, que são uma mensagem. A gente teve poucos Carnavais que a gente sentiu que, depois, não serviu muito. A gente tem enredos que a gente sente orgulho de ter feito”, exaltou.
Falando especificamente da reedição que virá em 2026, o presidente destacou que o carinho da comunidade por tal apresentação foi decisivo para a definição da temática: “Veio de fora para dentro querer reeditar 2012. Era uma questão que a nossa rapazeada vinha pedindo. Foi um desfile que marcou, seria o nosso primeiro terceiro lugar no Grupo Especial, seria um resultado sensacional. A gente sente que, nesse carnaval, ficou faltando alguma coisinha a mais em relação ao resultado. Por isso, para 2026, a gente só abraçou a vontade do nosso povo”, relembrou.
Na prática
Diretor de carnaval da Mancha Verde, Paolo Bianchi começou falando sobre o inesperado rebaixamento da agremiação para o Grupo de Acesso I para destacar um dos grandes motivos que fez com que a agremiação seguisse o caminho da reedição: “Todas as vezes que aconteceu alguma coisa com a gente, a gente foi lá, pegou o regulamento, cumpriu e vamos embora, vamos trabalhar. Vira a página e, no dia seguinte, a gente se pergunta como que a gente faz para recolher os cacos de um rebaixamento. É claro que reeditar o enredo é muito mais fácil do ponto de vista de trabalho do que você começar do zero. E, também, em relação a gastar uma ideia original, uma ideia de um enredo inovador, a gente prefere gastar, obviamente, no Grupo Especial”, ponderou.
Especificamente sobre o desfile de 2012, Paolo foi na linha dos demais entrevistados pela reportagem: “A gente tinha essa vontade há muito tempo. Esse carnaval que a gente vai reeditar é um carnaval que foi muito bom para nós, um carnaval em que a gente ficou muito bem colocado e a gente fez um desfile épico pelo horário e por tudo que a gente fez no ciclo – como ensaiar de madrugada. Esse samba é o samba que mexe com a comunidade. Naquele momento, o que a gente poderia fazer? Nos organizarmos, levantar a cabeça, como a Mancha sempre fez, e buscar algo que mexa com a nossa comunidade”, explicou.
A síntese de tudo isso foi o grande sucesso do Botequim dos Porcos: “Essa foi a decisão de, claro, fazer um caminho mais fácil – mas, também, que tocasse o coração da comunidade. E hoje, no lançamento, a forma como o evento foi vendido, tudo muito rápido, quadra lotada, o astral da quadra muito bom… é isso que a gente queria fazer: levantar a Mancha pelas nossas forças, pelo que a gente é, por aquilo que a gente já fez na nossa história, por tudo que foi vitorioso. E esse carnaval é vitorioso, mexe com o nosso coração”, vociferou o diretor de carnaval.
Superando obstáculos
Em 2012, o mundo era completamente diferente em relação a 2026 – e é claro que o desfile da Mancha Verde teve que passar por algumas situações que evidenciam isso. Contratado em março de 2026, Rodrigo Meiners, carnavalesco contratado que encabeçará a comissão de carnaval que cuida especificamente do desfile, destacou alguns dos assuntos precisaram ser trabalhados pela agremiação: “O principal desafio é ser um desfile muito conhecido no mundo do Carnaval e muito querido pela comunidade. Quando eu chego na escola, com a confirmação do rebaixamento, a Mancha decide seguir a linha de estratégia que a escola já usou em 2014 e em 2016, quando a escola também estava no Grupo de Acesso: uma reedição – e, aí, a gente entrou na questão do que a gente reeditaria”, destacou.
Apesar do desfile muito querido pela comunidade, havia, sim, outras alternativas: “A gente tinha uma outra opção, a Mancha tem uma safra de sambas e enredos muito bons, principalmente na década de 2010. A gente tinha bastante opção do que fazer, e optamos por reeditar esse. Muito pela questão do desfile em si: é um enredo que fala de princípios, que fala de valores, que fala principalmente sobre a humildade – e a gente achou legal trazer essa reflexão para dentro da escola, no momento em que a escola, infelizmente, cai novamente para o Grupo de Acesso I”, explicou o carnavalesco.
Outro grande obstáculo a ser superado é o gigantismo – que foi adequado em primeira ordem: “O principal desafio é explicar e convencer que o Carnaval mudou completamente. Em 2012, eu nem sonhava em vir trabalhar em São Paulo, por exemplo. Se passaram 13, 14 anos e o número de componentes mudou, o manual de julgador mudou, o regulamento mudou, o tamanho de desfile mudou – e, no acesso, muda mais ainda. A gente sai de um desfile de quase quatro mil pessoas, cinco carros e tripés liberado em 2012 para um desfile de três carros e 600 pessoas no chão como mínimo exigido pela Liga-SP. O tamanho muda drasticamente”, refletiu Meiners.
Outra barreira que também foi encontrada pelo carnavalesco é explicar que o desfile de 2012 terá algumas alterações: “Convencer as pessoas que têm um carinho muito especial por esse time de 2012, que a gente vai reeditar o samba com o enredo em uma outra linha, uma nova e outra história, e que os elementos de 2012 não estarão todos na pista em 2026 também foi um grande desafio. Quando a gente falou internamente que a gente reeditaria o desfile de 2012, todo mundo perguntou do peixe no abre-alas, o peixe no último carro… eu falei que não é bem assim. É a mesma história, é a lenda de Odu Obará, mas eu criei um novo desenvolvimento em cima da letra do samba – até mesmo para adaptar a história no tamanho que a gente pode fazer de desfile no Grupo de Acesso”, frisou.
Por que esse?
Com tantos obstáculos para se superar, a reportagem perguntou para Meiners porquê tal desfile foi o escolhido para ser reeditado. A resposta veio de bate-pronto: “Escolhemos esse desfile pela questão da mensagem da humildade e por ser um samba mais conhecido. Nos ensaios aqui da Mancha, o samba de 2012 é um dos mais cantados. É um dos sambas mais famosos da escola, dentro e fora da comunidade. Optar por uma reedição em algum samba tão conhecido é um encurtador de caminho pelo fato de a comunidade já saber o samba. A gente vai lançar o samba, mas a escola já sabe cantar. A gente já sai na frente em questão de Harmonia e Evolução, principalmente”, explicou.
Carnavalesco elogiado
Novo integrante da Comissão de Carnaval da Mancha Verde, Rodrigo Meiners foi muito elogiado por Paolo Bianchi. Primeiro pela rápida sintonia que o carnavalesco já demonstra com a Mancha Verde: “O Rodrigo, que é o carnavalesco que está com a gente nesse ano, tem sido muito feliz. Graças à competência dele, estamos pegando aquele astral, aquele samba, a energia daquele desfile e estamos fazendo tudo do zero, tudo completamente diferente. Reescrever aquela história, baseado no samba e no enredo, não é simples – e o que ele fez deixou a diretoria muito feliz. Pegar o samba e o astral, mas contar uma história de uma forma completamente diferente, tem sido um prazer, tem sido uma grata surpresa para a gente”, destacou.
Logo depois, o próprio diretor revelou que há tempos a Mancha Verde queria contar com o trabalho do novo contratado: “A gente já estava de olho no Rodrigo há muito tempo. Era um desejo meu e do Paulinho Filho. Um dia, a gente batendo papo, falamos que ambos tínhamos essa leitura super positiva do trabalho do Rodrigo – não só dos últimos anos, mas há muitos anos, quando ele estava só desenhando. Deu match ali. Eu e o Paulinho Filho trabalhamos muito próximos nesse carnaval passado e destacamos que tínhamos vontade de ter um carnavalesco, um cara que cria. E deu certo: o Rodrigo chegou, entendeu muito bem o momento da escola, absorveu isso e tem sido muito competente e feliz em redesenvolver esse enredo”, comentou.
Questões musicais
Quem também trouxe outros desafios para superar rumo ao desfile foi Freddy Vianna – seja como compositor, seja como intérprete da obra: “É um samba que vai ter uma nova roupagem. Devido às regras do quesito samba-enredo, a gente vai ter que mudar um pouco algumas divisões do samba. É pouca coisa, não é muita coisa, não – até mesmo para não perder a característica da melodia e da letra, que é muito linda. Quanto ao andamento, vai ser com os mestres. A gente vê com eles, a gente vai discutir com eles essa parte, vamos conversar e vamos entrar em um consenso para ver se a gente vai jogar um pouquinho mais para trás do que foi em 2012 ou se a gente vai manter o andamento de 2012. Aí é com eles, mas eles têm todo o meu aval, têm todo o meu apoio”, ratificou.
Números fechados
O carnavalesco revelou em primeira-mão para o CARNAVALESCO parte da ficha técnica da Mancha Verde para 2026: “A gente vem com doze alas, três carros alegóricos, tripé na comissão, e 1.200 componentes ao todo no desfile”, abriu.
Curiosidade
Conforme a reportagem foi entrevistando personagens da agremiação, algumas informações sobre o desfile de 2012 foram reveladas. Paulo Serdan destacou que o desfile deveria ser, à época, a melhor colocação da história da Mancha Verde no Grupo Especial, mas o famoso incidente das notas rasgadas e uma conversa com o presidente de uma coirmã impediram.
O próprio presidente cita o outro mandatário em questão: “Não foi o nosso primeiro terceiro lugar no Grupo Especial porque demoraram para pegar o rascunho da nota que rasgou. É até um fato interessante de bastidor: quando apareceram as notas que foram dadas, não mexia na campeã e nem na vice, mas mexia no terceiro lugar – que seria a gente e não o Vai-Vai, que cairia para sexto, salvo engano. Nisso eu marquei um almoço com o Neguitão, meu parceiro, e perguntei se reivindicar essa colocação ficaria ruim para ele. Ele me disse que estava em um momento ruim no Vai-Vai e eu não quis mexer, até porque já tinha desgastado muito o Carnaval de São Paulo naquela apuração”, descreveu.
Uma viagem da Mancha Verde até o outro lado da via Dutra também trouxe uma importante lembrança sobre a canção que será reeditada em 2026: “A primeira vez que a gente foi tocar no Rio de Janeiro, foi na quadra do Salgueiro. Quando começaram a tocar esse samba, eu olhei o povo da quadra cantando e pensei que esse samba, de fato, foi impressionante. A gente ultrapassou fronteiras e barreiras com esse samba. A gente conseguiu mostrar para o mundo do samba que a Mancha Verde é uma escola de samba”, pontuou.
Por fim, Freddy Vianna lembrou de outro fato que torna o desfile de 2012 bastante marcante para ele: “Uma curiosidade: foi o meu primeiro ano na escola. Eu tinha acabado de sair da Acadêmicos do Tucuruvi. O Zaca estava passando e eu ia entrar depois da Tucuruvi. Imagina como estava o meu coração! Era uma coisa nova, um misto de sentimentos. Mas aquilo me fortaleceu, foi impressionante. Quando eu entrei com esse samba na avenida, alguma coisa me iluminou, foi uma coisa diferenciada. Eu levo até hoje no meu coração essa estreia e esse samba na Mancha Verde”, finalizou.
Botequim dos Porcos
O evento que anunciou o anúncio do enredo e do samba para o carnaval 2026 foi marcante para toda a comunidade manchista. A tarde começou com feijoada, teve a revelação para a apresentação da escola em 2026 e foi encerrada com um show do Fundo de Quintal em um tributo a Bira Presidente, falecido em junho.
Promover um evento pode ser algo desafiador, especialmente quando estamos anunciando em redes sociais. O tempo médio de atenção da audiência não dura mais que alguns segundos, então sua propaganda precisa ser de alta qualidade e perfeita para aquele público, senão ela será ignorada.
O cenário se complica ainda mais quando consideramos o preço de divulgar nas maiores redes sociais, e elas são justamente o melhor lugar para promover um evento.
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Por que promover eventos se tornou um desafio
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A cantora Karinah está prestes a viver mais um momento marcante em sua trajetória com a Estação Primeira de Mangueira. Musa e madrinha do projeto social da Verde e Rosa, a artista foi convidada pela presidenta da escola, Guanayra Firmino, para ser um dos destaques da próxima etapa da escolha do samba-enredo oficial da agremiação para o Carnaval 2026, que será realizada neste sábado, em Macapá, capital do Amapá.
Na ocasião, Karinah subirá ao palco acompanhada pela bateria da Mangueira, prometendo levar ainda mais brilho e emoção à disputa. Conhecida por sua voz marcante no cenário do samba contemporâneo, a artista também traz na bagagem a experiência como compositora. Em 2023, foi finalista na competição que escolheu o samba-enredo de 2024 da escola, que homenageou Alcione e suas raízes maranhenses.
Apesar de não ter conquistado a vitória na época, Karinah guarda na memória a relevância cultural e simbólica desses momentos para compositores e sambistas. Por isso, fez questão de aceitar o convite da Mangueira e participar da etapa em Macapá, celebrando a força da criação musical do Amapá e revivendo a emoção que já experimentou nos concursos da Verde e Rosa.
“É uma honra cantar ao lado da bateria da Mangueira e compartilhar com o povo amapaense a emoção desse capítulo tão importante da nossa cultura. O samba é união e resistência, e ver o Amapá brilhar nessa disputa enche meu coração de alegria”, afirmou Karinah.
A relação de afeto entre a cantora e a escola é recíproca. A Mangueira esteve presente em momentos especiais de sua carreira, como no show de lançamento do álbum “Meu Samba”, apresentado em maio sob direção artística de Zeca Pagodinho.
Neste fim de semana, Karinah também estará acompanhada pelo marido e sócio na K2D, Diether Werninghaus, parceiro constante no apoio à escola e às ações sociais da agremiação.