A Viradouro ganhou um novo reforço de peso para o seu time de musas em 2026. A paulista Madu Fraga, rainha de bateria do Vai-Vai, foi anunciada pela Vermelha e Branca de Niterói e não escondeu a emoção em estrear no desfile da atual campeã do carnaval carioca. O convite oficial aconteceu em reunião com o diretor executivo da escola, Marcelinho Calil. Ao CARNAVALESCO, ela destacou que sua ligação com a Viradouro começou no ano passado, quando conheceu um ensaio e, desde então, ficou encantada com a energia da comunidade.
Fotos: Vinícius Ximenes/Divulgação Viradouro
“O ano passado eu vim conhecer o ensaio da Viradouro e aí eu me apaixonei, mas esse convite só aconteceu agora em 2025, no dia 18 de junho. Foi pelo Marcelinho Calil. A gente fez uma reunião e ele me chamou como sambista para estar aqui brilhando ainda mais no time de musas da Viradouro”, contou.
Responsabilidade de representar no Rio sendo paulista
Reconhecida no carnaval de São Paulo, onde reina pelo tradicional Vai-Vai, Madu reforçou que encara o posto de musa da Viradouro como um marco especial em sua trajetória, principalmente por quebrar preconceitos entre sambistas dos dois estados.
“Eu me sinto muito honrada, principalmente, por eu ser paulista. Existe esse preconceito entre Rio e São Paulo, principalmente de quem não é do samba. E como eu fui convidada como sambista, friso muito isso, porque em São Paulo eu sou muito respeitada, sou rainha e sou cria de uma escola que vai completar 100 anos. Entrar no time de musas da Viradouro, que é o melhor time do carnaval do Brasil, é motivo de muita felicidade”, afirmou.
Rio x São Paulo: diferenças e semelhanças
Questionada sobre as diferenças entre os carnavais do Rio e de São Paulo, Madu fez questão de valorizar a vivência comunitária e o respeito que cercam as escolas, mas reconheceu a visibilidade midiática do desfile carioca.
“O carnaval é muito parecido em tudo, mas a visibilidade que o Rio traz é maior pela mídia e pelo dinheiro. Aqui é muito visto, a mídia está aqui. Mas em experiência, comunidade, responsabilidade e respeito, não muda nada. O pavilhão é sempre maior do que qualquer pessoa”, destacou.
Conciliando Vai-Vai e Viradouro
Madu também comentou sobre como pretende conciliar os compromissos em São Paulo e no Rio de Janeiro. Segundo ela, tudo foi conversado previamente com as duas escolas, e a agenda, apesar de corrida, está organizada.
“Isso foi muito conversado na reunião. O meu ensaio em São Paulo é de domingo e aqui tem ensaio de rua na Amaral Peixoto. Vou me dividir, vai ser correria, mas faz parte. É uma nova experiência e eu estou pronta para viver isso”.
Com a chegada de Madu Fraga, a Viradouro reforça ainda mais o seu time de musas, conhecido por reunir grandes nomes e por ser um dos mais fortes do carnaval brasileiro.
O vice-presidente da Imperatriz, João Drumond, falou sobre a disputa de samba-enredo da escola, que terá a grande final no dia 19 de setembro. Três parcerias estão classificadas: Hélio Porto (Samba 05), Jeferson Lima (Samba 10) e Gabriel Coelho (Samba 13).
“Falta pouco para a nossa decisão. E temos três sambas excelentes na briga. A cada semana, as apresentações ficam melhores e mostram aquilo que a Imperatriz quer apresentar na Sapucaí em seu desfile: a liberdade que Ney (Matogrosso) exalta, sua alegria e o poder transformador de sua música. Tenho certeza que o samba escolhido vai estar à altura do nosso homenageado. Desejo sucesso aos finalistas”, afirmou o vice-presidente da verde, branco e dourado, João Drumond.
Em busca do 10º campeonato de sua trajetória, a Imperatriz será a segunda escola a desfilar no domingo de Carnaval (15/02) e levará para a avenida o enredo “Camaleônico”, do carnavalesco Leandro Vieira, que vai para o seu quarto desfile consecutivo na escola. A agremiação celebrará o artista, a obra e a virtuosidade performática de Ney Matogrosso, intérprete de sucessos como “Sangue Latino”, “Rosa de Hiroshima”, “O Vira”, “Homem com H” e “Metamorfose Ambulante”.
O feriado da Independência foi comemorado na escola paulistana que tem no próprio hino o orgulho de ter as cores do Brasil. Neste domingo (07 de setembro), a Unidos do Peruche consagrou o Samba 7, da parceria formada por Dennis Patolino, Parcio Anselmo, Victor 7 e Jamelão Netto para embalar o desfile de “Oi… esse Peruche lindo e trigueiro… terra de samba e pandeiro”, enredo assinado pelo carnavalesco Chico Spinosa que será o sexto a desfilar no Grupo de Acesso II – que se apresenta uma semana antes do carnaval, no dia 07 de fevereiro de 2026. Presente em data tão importante para a Filial do Samba, o CARNAVALESCO entrevistou personagens importantes a respeito da escolha da canção na eliminatória interna.
Fotos: Will Ferreira/CARNAVALESCO
Emoção, modernidade e naturalidade
Um dos compositores campeões, Victor 7 não escondeu o quanto está feliz pela vitória antes de citar como a composição foi feita: “Eu estou muito emocionado. O processo foi muito bacana e muito rápido também. A gente se encontrou ao vivo, finalizou a reunião e arrematou os finalmentes do samba no WhatsApp. Nós fizemos duas reuniões presenciais: na primeira, nós fechamos o refrão; na segunda, foi até o começo do refrão do meio. Aí, do refrão do meio até o fim, nós fomos em videochamada”, destacou.
O famoso aplicativo de mensagens instantâneas também se fez presente na vitória: “Nós usamos o WhatsApp para isso, e o grand finale, aos 45 do segundo tempo, a gente releu a sinopse e ficou marcado o lance de ‘Aquarela Brasileira ‘como o segundo hino nacional. A gente trouxe esse final pensando nisso, para coroar e fechar esse samba fechar daquele jeito, fechar lá em cima para chegar no refrão com tudo”, destacou.
O mesmo aplicativo foi citado por Dennis Patolino, outro compositor campeão: “Primeiro, a gente tentou se encontrar. Pintaram algumas ideias, e outras partes vieram mais com a ajuda da tecnologia – sobretudo os grupos no WhatsApp. Mas o mais importante foi o movimento do universo, que fez com que tudo se encaixasse perfeitamente. Quando a gente veio entregar o samba aqui, antes da disputa, nós já estávamos felizes com a obra que a gente fez. Isso já foi um grande aditivo para a gente conseguir fazer o trabalho, estar feliz com a obra. O resultado veio agora, mas a felicidade é mais antiga”, declarou.
Dennis, por sinal, insistiu no quanto a inspiração para a criação do samba foi especial: “A gente pensou em um monte de coisa, só que o samba foi se apresentando para a gente. Fomos vendo o que ia encaixando e o que era bacana, fomos ajustando e a gente só foi colocando as coisas no lugar. Por isso que deu certo a parada”, comemorou.
Ancestralidade em alta
Os campeões, de maneira indiscutível, já têm certa tradição na Filial do Samba: “Teve tudo que o samba nos proporcionou e teve um encontro com esse cara aqui, que é neto do Jamelão, na única escola em São Paulo que o Jamelão cantou. O samba fez com que a gente se encontrasse, e fazia muito sentido fazer um samba no Peruche, numa escola que tem uma ancestralidade especial. O Vitor já é campeão em outras escolas, eu também já sou campeão aqui no Peruche – já tenho três sambas aqui na casa. Todo esse movimento bacana do universo, já que a gente foi recebendo as paradas psicografada, conspiraram pra essa vitória. A união com esse cara que veio para somar, ser o nosso canário, ajudar na composição e colocar a cerejinha do bolo que já estava acontecendo de uma forma bonita”, comentou.
Dennis foi campeão nas eliminatórias do Peruche em 2013 (“O povo da floresta está em festa. A tribo da Peruche vai passar”) e 2014 (“A beleza é imperfeita e a loucura é genial”), e o avô do outro nome citado foi o intérprete perucheano em 1988 (ao lado de Eliana de Lima), 1989, 1994 e 1998.
O avô da lenda
Tomaz José dos Santos guarda a ancestralidade no último nome próprio: da segunda geração na árvore genealógica de José Bispo Clementino dos Santos, Jamelão Netto é outro dos compositores da obra campeã no Peruche. Ele próprio, que além de escrever foi o intérprete da obra na eliminatória perucheana, destacou a força que nomes que não costumam aparecer na lista de vencedores em escolas de samba com frequência possuem: “Quando a gente junta ancestralidade com sabedoria e pessoas campeãs do carnaval de São Paulo, é isso que acontece. Assim como o Peruche, está tentando voltar para o carnaval, tem muitos compositores que não tinham oportunidade de chegar e ser finalista. Essa competição escolheu um samba que encaixa com as premissas da escola – e eu aproveito para parabenizar o presidente Zóio e toda a diretoria da escola”, apontou.
Mesmo vindo do Rio de Janeiro, Jamelão Netto já possui o verde, amarelo e azul no coração – e já vislumbra o futuro ao lado da Filial do Samba: “A gente veio, mas não veio de passagem: veio para ficar. A gente veio para construir um trabalho para levar o Peruche de volta para o lugar merecido dela, que é o Grupo Especial. Sei o trabalho árduo, a gente vai sentar com o presidente, fazer algumas parcerias, trazer gente para a quadra. Não adianta só o samba ser gravado, ser campeã e colocar dentro da gaveta. É isso que essa parceria quer: ninguém está aqui pelo dia de hoje, estamos aqui para ajudar a escola e para colocar cada vez mais o Peruche de volta ao maior lugar do palco que é o carnaval da cidade de São Paulo”, comentou.
O compositor não deixou de elogiar os demais parceiros na obra campeã: “O Peruche é ancestralidade, garra, resistência. Quando a gente uniu forças para pensar na estratégia de como apresentar isso, veio um samba totalmente psicografada. Refrãos e primeiras partes foram todas encaixadas. O Vitor é um craque da Harmonia, o Patolino é um craque da letra, eu e o Párcio também fomos encaixando algumas coisas”, apontou.
Como não poderia deixar de ser, Jamelão Netto também citou o histórico parente: “Meu avô foi hors concours nesse lugar de colocar a ajeitar os sambas para a avenida. Se eu fizer um terço do que ele fez, eu sou o sucessor do legado. Ele passa o bastão para mim e eu venho no Peruche de coração, a convite do Patolino e do Victor para a gente criar uma nova história”, prometeu.
Preferências
Perguntados sobre o trecho favorito da canção que eles próprios criaram, os compositores mostraram um pensamento semelhante. Victor 7 foi sucinto: “Minha parte favorita é o ‘fecha’ do samba, o ‘quando o repicar dos tamborins anunciar que a Filial em aquarela vai passar, é um pouquinho de Brasil iaiá’. É o fecho do samba”, pontuou.
Jamelão Netto concordou, mas foi além: “Uma melodia maravilhosa essa preparação para o refrão, melodia de sambas campeões do carnaval do Brasil. Depois disso, a gente explode. Tem o primeiro refrão de cima, com a capoeira para dar um molho no samba, isso tudo foi pensado para tirar a composição engessada da monotonia reta. Nós vamos brincar, vamos botar um molho, trazer a brincadeira para o Carnaval. Esse samba vai acontecer na avenida. Não é à toa que a Harmonia escolheu esse samba. Vamos para cima! No carnaval de 2026, vamos tirar o Peruche desse lugar e voltar para onde ela merece”, explicou.
Irreverente, Dennis escolheu outro ponto: “A minha parte favorita no samba depende do dia! Mas, hoje, é ‘o caldeirão vai ferver, minha Peruche chegou, são 70 anos de amor’”, cantou.
Obras elogiadas
Foram três finalistas na quadra perucheana, na Zona Norte de São Paulo. O Samba 7, vencedor, foi o último deles. O primeiro a se apresentar foi o 56 (com torcida maciça no local), seguido pelo 13.
Todas as canções, entretanto, ganharam menção dos entrevistados pela reportagem. Alessandro Lopes, popularmente conhecido como Zóio, trouxe uma versão mais macro da eliminatória como um todo: “Ficamos bastante felizes com as eliminatórias. Chegaram 13 obras para nós, foi uma boa surpresa – até pelo pouco tempo que nós tivemos após o lançamento do enredo para a entrega dos sambas, nesse ano nós tivemos um tempo mais curto. E, das 13 obras, ficamos felizes com a qualidade de tudo que chegou: chegaram pelo menos uns seis sambas com condições de estar na final. Tivemos que escolher três, e o que se consagrou campeão eu tenho certeza que vai representar bem a nossa Filial do Samba no carnaval tão especial de 70 anos”, comemorou.
Dois nomes experientíssimos no carnaval paulistano e novatos na Unidos do Peruche também gostaram do que ouvira. Agnaldo Amaral, histórico intérprete do carnaval de São Paulo, foi um deles: “Tinham treze sambas concorrentes, mas esses três sambas que ficaram são os que chegaram mais perto da proposta do carnavalesco – e o vencedor, obviamente, está ainda mais perto do que o Chico quer. A gente realmente queria sentir a pulsação aqui na quadra junto com a bateria e estamos felizes com o que vimos. Vai dar bom, estamos contentes com o que vimos. Qualquer um dos três que desse a gente faria um trabalho legal, e com o vencedor não vai ser diferente. Vamos ver se a gente consegue levar a Unidos do Peruche para o grupo de cima. Ou melhor: conseguir não, nós vamos levar o Peruche para os grupos de cima – até chegar no Especial. Com as bênçãos do papai”.
Chico Spinosa, também começando trajetória na Filial do Samba, gostou da diversidade que encontrou entre os poetas perucheanos: “Eu fiquei bem surpreso com a Unidos do Peruche. Gostei muito do que eu encontrei em relação aos compositores. A gente encontrou compositores mais raiz, outros mais modernos… vários deles são muito talentosos e vão fazer carreira, não tenho dúvida. Eu estou muito contente com o resultado. Nós tínhamos três grandes sambas para este carnaval – e é claro que o vencedor é um deles. É um carnaval que eu quero uma brincadeira em cima do pandeiro, acho muito importante destacar isso. E queremos que o público goste, que a escola vá junto. Eu estou chegando na escola, mas eu sou pé quente. Cheguei com sambas interessantes”, destacou.
Desde a tarde
Como tradicionalmente acontece em escolas, a final de samba enredo foi a cereja do bolo de um dia repleto de atividades. Na Zona Norte paulistana, os trabalhos foram abertos com o Pagode da Bateria. O Grupo Filial do Samba, com históricos nomes da escola, também se apresentou.
Após o esquenta da Rolo Compressor, bateria da agremiação comandada por mestre Azeitona, os segmentos também tiveram vez: apresentaram-se os casais de mestre-sala e porta-bandeira, a comissão de frente, a Ala das Baianas e a Velha Guarda.
Um dos momentos mais emocionantes da noite, entretanto, foi uma série de coroações. Não apenas para a corte da bateria, mas de toda a escola. Tatá Soares, nova rainha da Rolo Compressor, estava nitidamente emocionada – e, em mais de um momento, seja no palco ou no chão da quadra, foi vista às lágrimas. Na corte da Rolo Compressor, também estão a rainha juvenil Dandara Natália, a imperatriz Carmen Reis, a madrinha Cristiane Miyazaki e o Passista de Ouro Emerson Fernandes. Não foram só elas, entretanto, que receberam distinções: Paulinha Rodrigues é a madrinha da Ala Musical e Lena Ishii é a musa da escola.
A Mocidade Independente de Padre Miguel realizou, no último domingo, mais uma etapa de sua disputa de samba-enredo para o Carnaval 2026. Seis obras se apresentaram, todas sob o comando do intérprete oficial da escola, Igor Vianna, o que resultou em um maior equilíbrio entre as apresentações. Apesar da força já demonstrada desde o início pela parceria de Jeffinho Rodrigues, outros dois sambas alcançaram desempenho próximo. A parceria eliminada foi a de Zélia Duncan, enquanto as demais seguem para a semifinal. Confira abaixo a análise do CARNAVALESCO sobre o desempenho de cada samba classificado.
Parceria de Jeffinho Rodrigues: O samba de Jeffinho Rodrigues, Diego Nicolau, Xande de Pilares, Marquinho Índio, Richard Valença, Orlando Ambrósio, Renan Diniz, Lauro Silva, Cleiton Roberto e Cabeça do Ajax abriu a disputa confirmando suas credenciais. Foi uma apresentação quente, de muita força, com a adesão de segmentos da escola. O refrão de cabeça “Mocidade êêê…” está na boca da quadra, mas é o refrão central que se destaca pela construção melódica e impulsiona o rendimento da obra: “sou independente, fácil de amar, livre de qualquer censura, vem, baila comigo, só de te olhar, posso imaginar loucuras”. Três passadas com desempenho consistente e em alto nível.
Parceria de Paulinho Mocidade: O samba de Paulinho Mocidade, Sandra Sá, Gabriel Teixeira, Lico Monteiro, Gabriel Simões, Rodrigo Feiju, Tamyres Alves, Christiane e Trivella obteve ótimo rendimento em suas três passadas. A primeira parte apresenta uma linha melódica interessante, com versos como “da liberdade imaculada, identidade escandalizada”. O refrão de cabeça “eu não sou puta, nem sou freira, Santa profana, a padroeira, desculpe o auê, ardente o querer, agora só falta você” foi cantado com força por boa parte da quadra. Outra apresentação de destaque.
Parceria de Santana: A obra de Santana, Paulo Senna Poeta, Valdeci Moreno, Carlos Augusto, Gustavinho Souza, Edvaldo Lucas e Everaldo Silva apresenta uma sonoridade mais dolente, com narrativa bem amarrada. Os dois refrães não são explosivos, mas o de cabeça é bonito e eficiente: “eu sou a massa luz, o movimento, chama viva que reluz no firmamento, sou Rita Lee padroeira e liberdade, estrela guia inspiração da Mocidade”. Um samba melodioso que teve excelente apresentação.
Parceria de Franco Cava: O samba de Franco Cava, André Baiacu, J. Giovanni, Gulle, Almir, Flavinho Avellar, Renato Duarte e Fabinho contou com os compositores fazendo performances à frente do palco. A obra é alegre, com letra e melodia de fácil canto, especialmente no refrão de cabeça: “que tal nós dois na banheira de espuma, lança, lança, perfume no Carnaval, independente tem corpo caliente, o importante é gozar no final”. Apesar de correto, o desempenho ficou abaixo dos sambas anteriores.
Parceria de Paulo César Feital: A composição de Paulo César Feital, Dudu Nobre, Claudio Russo, Alex Saraiça, Denilson do Rozário, Carlinhos da Chácara, Julio Alves, Marcelo Casa Nossa, Anderson Lemos e Leo Peres mostrou qualidade desde a primeira parte, com versos inspirados como “é som obsceno que beira a loucura, um tanto divino, metade animal, num frasco pequeno: veneno e doçura, beber bossa nova é viver carnaval”. A melodia é bem construída, com boas variações. O refrão de cabeça “canta Mocidade, a voz feminina, por toda menina da Vila Vintém, na luta pela liberdade, independente não teme ninguém” é criativo e funcional na quadra. Um desempenho de respeito da obra.
A feijoada da Imperatriz Leopoldinense, realizada no último sábado reservou um outro grande momento para o público presente. Além da semifinal de samba-enredo, a Rainha de Ramos promoveu a grande final do concurso de intérprete oficial de sua escola mirim. A “Crias da Imperatriz”, que fará sua estreia na Marquês de Sapucaí em 2026, terá uma dupla de intérpretes oficiais: os jovens David Lucas e Anna Carolina Ramos foram os escolhidos e serão as vozes do desfile que celebrará o legado da carnavalesca Rosa Magalhães. A escola reeditará o enredo “Uma Delirante Confusão Fabulística”, de 2005, que entrou para história da verde, branco e dourado.
“Foram meses de concurso, onde vários talentos se apresentaram. Tivemos uma competição, mas principalmente um momento de celebração, onde falamos de sonhos e de crianças que amam o Carnaval e representam o futuro dessa que é a maior manifestação cultural do nosso país. Vai ser um desfile lindo e todas as nossas ‘crias’ vão estar conosco”, afirmou a presidente da escola mirim, Rafaela Theodoro.
Além de David Lucas e Anna Carolina, o carro de som da Crias da Imperatriz será composto por Ayrton, Yuner, Kaylane e Gabriel, que também participaram do concurso e tiveram o apoio do Diretor Musical Pedro Miguel.
Os presidentes de Honra da escola, Cátia e João Drumond, festejaram o momento especial:
“A idealização da ‘Crias’, sem dúvidas, é um dos momentos mais bonitos da nossa gestão. É um braço fundamental do nosso Instituto, que promove oportunidade, dignidade e qualidade de vida a tantas crianças do Complexo do Alemão e de outras comunidades da região. Estamos ansiosos para ver tantos sorrisos na Marquês de Sapucaí”, concluiu João.
No ano que vem, a ‘Crias da Imperatriz’ desfilará na sexta-feira de Carnaval, após os desfiles das escolas do Grupo Especial. Além de Rafaela Theodoro, Mestre Lolo é o vice-presidente e Leandro Vieira, o responsável pela criação do desfile das crianças.
O Acadêmicos do Salgueiro realizou, na noite do último sábado, mais uma etapa das eliminatórias de samba-enredo para o Carnaval 2026. Sete obras concorrentes se apresentaram no palco da escola, com destaque para as parcerias de Moisés Santiago e Rafa Hecht. O enredo “A delirante jornada carnavalesca da Professora que não tinha medo de bruxa, de bacalhau e nem do pirata da perna-de-pau”, assinado pelo enredista Leonardo Antan e pelo carnavalesco Jorge Silveira, homenageia a carnavalesca Rosa Magalhães. O resultado desta etapa será divulgado na próxima segunda-feira pelas redes sociais da escola. A final acontecerá no dia 27 de setembro. Confira abaixo a análise do CARNAVALESCO.
Parceria de Xande de Pilares: Abrindo a noite, a parceria de Xande de Pilares, Fred Camacho, Betinho de Pilares, Renato Galante, Miguel Dibo, Jorginho Via 13, Jefferson Oliveira, Jessa, João Diniz e W. Corrêa contou com uma numerosa torcida, que marcou presença com balões infláveis em formato de rosa. Evandro Malandro e Charles Silva, intérpretes da parceria, performaram a obra de maneiras completamente distintas. Enquanto Charles buscou diferentes pontos da quadra para mostrar o samba, Evandro permaneceu atrás dos cantores de apoio. Apesar das diferenças, as vozes dos dois ecoaram com força no último refrão: “À Rosa imortal, a poesia / É teu o carnaval da academia / Não há argumento que negue o fato / Eu sou Salgueiro e fim de papo”. Versos que mexeram com o brio do salgueirense. Também se destacou o trecho “Sob os encantos, cheio de brasilidade / Me fiz amante, pra contar toda beleza / Da natureza qual desabrocha rosa / Coletânea de vitória e sutileza”, que evidencia, na poesia da obra, o reconhecimento do legado da Professora.
Parceria de Paulo Cesar Feital: A parceria de Paulo Cesar Feital, Ian Ruas, Benjamin Figueiredo, Luiz Fernando, Márcio Pessi, Zé Carlos, Vagner Alegria, Dredi, Bruno Papão e Igor Leal trouxe os intérpretes Emerson Dias e Dowglas Diniz para defender a obra. Apesar da entrega, o samba não empolgou, de maneira geral, a quadra. Nem mesmo os torcedores da parceria, presentes em número razoável, cantaram a obra do início ao fim. A exceção foi o refrão final, cujos versos contagiaram: “Vermelho e branco juntei deu rosa / No sassarico da Marquês deu Rosa / Plantei no meu coração o sonho vai florescer / Felicidade no amanhecer”. Outro ponto de destaque é o verso “A natureza de um país que se reconheceu”, síntese da contribuição da homenageada ao carnaval.
Parceria de Bernardo Nobre: Com a voz inconfundível de Igor Vianna, que dividiu o microfone com Chicão, a parceria de Bernardo Nobre, João Moreira, John Bahiense, André de Souza, Jorge Silva, Alfredo Poeta e Vitor Lajas foi a terceira a se apresentar. Destaque para a performance dos intérpretes, que cantaram de forma clara e articulada, permitindo a fácil compreensão da letra na quadra. O trecho que antecede o refrão — “Salgueiro / A herdeira da evolução / Presta sua homenagem / Filha desse chão / Salgueiro / Sob as bênçãos de seu guardião / Eterniza teu legado / Mestra desse chão” — evidencia que o Salgueiro não apenas revelou Rosa Magalhães como artista do carnaval, mas também, por meio dessa homenagem, reconhece a Professora como força viva da festa.
Parceria de Moisés Santiago: A parceria de Moisés Santiago, que assina o samba com Pedrinho da Flor, Gilmar L. Silva, Leonardo Gallo, Orlando Ambrósio, Zeca do Cavaco, Alexandre Cabeça, Bruno Dallari, Marquinho Bombeiro e D’Miranda, foi um dos grandes destaques da noite pela força e explosão. A obra convocou toda a torcida a incendiar a quadra com o refrão: “Balança a roseira! Ferve o caldeirão! / Avenida inteira marejada de emoção / Lá vem Salgueiro no perfume das manhãs / Raiz de Rosa Magalhães”. O desempenho dos intérpretes Ito Melodia e Tem Tem Jr., aliado ao apoio da torcida, credenciou o samba como um dos favoritos.
Parceria de Marcelo Adnet: Quinto samba a se apresentar, a parceria de Marcelo Adnet, Gustavo Albuquerque, Babby do Cavaco, André Capá, Bruno Zullo, Marcelinho Simon, Rafael Castilho, Luizinho do Méier, Igor Marinho e Fabiano Paiva teve Wander Pires à frente do microfone. O cantor brilhou principalmente ao interpretar a estrofe “Aplausos! Desfilo pra eterna professora / De novas tropicálias, criadora / Sonha é forma de revolução / Entre Pamplona e Arlindo / Rainha da noite da coroação / Desata o nó da garganta do nosso Torrão”. O último verso, inclusive, apareceu em um cartaz erguido por artistas em pernas-de-pau fantasiados de pirata e bruxa. A interação entre cantor e torcida foi fundamental para a boa apresentação.
Parceria de Marcelo Motta: A parceria de Marcelo Motta, Dudu Nobre, Julio Alves, Manolo, Daniel Paixão, Jonathan Tenório, Kadu Gomes, Zé Moraes, Jorge Arthur e Fadico também fez uma boa apresentação. Tinga, junto com os cantores de apoio, elevou o nível da performance. Os refrões se destacaram: o primeiro com os versos “Teu perfume de amor vira inspiração / E faz do erudito canção popular / Viaja em contos, faz revolução / Te ensinei a colher pra te ver semear”, e o segundo com “O lêlê! Eis a flor dos amanhãs / A décima estrela brilha em Rosa Magalhães / Onde o samba é primavera, que floresce em fevereiro / Nem melhor, nem pior, Salgueiro!”. Ambos foram bem cantados pela torcida.
Parceria de Rafa Hecht: Fechando a noite, a parceria de Rafa Hecht, Samir Trindade, Thiago Daniel, Clairton Fonseca, Fabrício Sena, Deiny Jeffer, Felipe Sena, Ricardo Castanheira, JP Figueira e Deco surpreendeu positivamente. Os intérpretes Marquinho Art’Samba e Leonardo Bessa deixaram a primeira passada totalmente na voz da torcida, que correspondeu com intensidade. Ao longo da noite foi a torcida que mais cantou. O destaque ficou para os versos apaixonados: “Mestra, você me fez amar a festa / E eu virei carnavalesco / Sonhei ser Rosa, te faço enredo / Mestra, você me fez amar a festa / Tantos alunos por aqui / Segue o legado na Sapucaí!”, que soaram como uma das mais belas declarações de amor da disputa.
Neste sábado, a grande campeã do carnaval apresentou suas fantasias para o Carnaval 2026. O evento da Rosas de Ouro, realizado na quadra da escola, localizada na Freguesia do Ó, contou com uma organização de caráter teatral. Foi mais do que uma simples apresentação de indumentárias. À medida que o tempo avançava, uma personagem intitulada Luna Celeste ocupava o centro da passarela com uma bola de cristal, narrando e convocando os modelos para exibir as fantasias, tudo com um texto criativo e muito bem elaborado. O espetáculo foi uma fusão de astronomia, astrologia e zodíaco, abordando temas ligados ao céu, às crenças e aos signos do cotidiano. Atual campeã do carnaval, a agremiação da Brasilândia será a quinta escola a desfilar na sexta-feira, com o enredo “Escrito nas Estrelas”. O CARNAVALESCO acompanhou o evento e conversou com Fábio Ricardo, que assina o desfile da Rosas de Ouro pelo segundo ano consecutivo.
Clique em cada imagem para ampliar. Fotos de Woody Henrique @woody_henrique/@sambanapista
1 de 19
Inovando no carnaval paulistano
De acordo com Fábio Ricardo, a meta é sempre inovar, sem abrir mão da essência da escola.
“O enredo proporciona cores, mas na medida certa, com equilíbrio. Procurei buscar uma nova estética para a Rosas de Ouro, sair da caixinha, sempre respeitando os padrões da escola e, principalmente, o que é o carnaval de São Paulo. Está sendo um grande desafio, mas também um aprendizado muito importante para mim”, afirmou.
Fantasias que merecem destaque
Entre os figurinos, Fábio destacou a dificuldade em definir a paleta de cores de algumas alas, como a que representa o astrônomo Nicolau Copérnico — fundamental para a ciência ao colocar o Sol como centro do universo. Copérnico e o Sol, inclusive, foram exaltados durante a encenação da apresentação.
“Eu gosto muito da fantasia de Nicolau Copérnico, me vejo nela. É uma fantasia linda. Optei por um caminho diferente, porque no ano passado já havia muitas indumentárias de época. Por isso pensei em fugir desse estilo e busquei algo mais ‘veneziano’ dentro dos meus estudos”, explicou.
Outra referência importante é a primeira ala, comandada pelo diretor de carnaval Evandro Souza, que aborda o nascimento das estrelas.
“É uma ala impressionante, que merece a atenção do público. Foi pensada para abrir o desfile de forma impactante”, disse.
Samba-enredo não influencia no projeto estético
O carnavalesco também comentou a escolha do samba-enredo da Roseira, destacando que a decisão foi tomada de acordo com o planejamento da escola.
“O samba foi muito bem escolhido. O nosso intérprete vai dar um ‘up’ geral. Tem tudo para dar certo, e a escola está cada vez mais unida e organizada em sua gestão. Porém, isso não influencia na estética das fantasias”, ressaltou.
Importância dos protótipos
Na preparação para o desfile, a Festa dos Pilotos, momento em que as fantasias são apresentadas em tamanho real, foi apontada por Fábio como essencial para ajustes cruciais.
“O piloto serve justamente para identificarmos os erros e acertos do que vai acontecer na avenida. O que vemos hoje nos dá a noção do que realmente funcionará no Anhembi. Temos esse tempo de ajuste para acrescentar, diminuir ou alterar algo. A Festa dos Pilotos tem esse objetivo de visualizar e acertar”, detalhou.
Foco no projeto de alegorias: trabalho em equipe
Sobre os carros alegóricos, Fábio Ricardo ressaltou que o projeto segue a mesma linha inovadora das fantasias e está sendo desenvolvido em parceria com Yago Duarte, projetista e integrante de sua equipe.
“Estamos muito focados. Tenho o maior carinho por ele, é uma pessoa íntegra, sensata e concentrada. A forma de trabalho está dando certo e a escola compra a ideia. Não é fácil fazer carnaval sem patrocínio, mas a Rosas de Ouro sempre cumpre com o que promete, e isso me deixa confortável”, concluiu.