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Vila Isabel abre audições para a comissão de frente do Carnaval 2026

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A Unidos de Vila Isabel realizará, na segunda-feira, 8 de setembro, as audições para compor a comissão de frente do Carnaval 2026. O processo seletivo acontecerá na Focus – Espaço de Criação (Praça Tiradentes, 87 – 3º andar, Centro – RJ) e será conduzido pelos coreógrafos Alex Neoral e Marcio Jahú.

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Foto: Divulgação/Vila Isabel

As audições são voltadas exclusivamente para homens e mulheres negros(as) com mais de 18 anos. As inscrições devem ser realizadas antecipadamente por meio do perfil oficial da comissão no Instagram: @comissaodefrente_neoral.jahu, onde o link para cadastro já está disponível.

“Nosso objetivo é montar uma comissão de frente que una talento, presença cênica e conexão com a mensagem que a Vila levará para a Avenida. Queremos artistas que tragam verdade para a nossa história e que sejam parte viva desse enredo tão potente”, afirma o coreógrafo Marcio Jahú.

Em 2026, a Vila Isabel apresentará o enredo “Macumbembê, Samborembá: Sonhei que um sambista sonhou a África”, desenvolvido pelos carnavalescos Gabriel Haddad e Leonardo Bora, com pesquisa de Vinicius Natal. O desfile celebrará a arte, a ancestralidade e o samba, em diálogo com o legado de Heitor dos Prazeres, um dos grandes nomes da cultura popular brasileira.

Serviço
• Data: Segunda-feira, 8 de setembro de 2025
• Local: Focus – Espaço de Criação (Praça Tiradentes, 87 – 3º andar, Centro – RJ)
• Requisitos: Homens e mulheres negros(as), maiores de 18 anos
• Inscrições: Exclusivamente via Instagram @comissaodefrente_neoral.jahu

Acadêmicos do Engenho da Rainha homenageará Tomás Santa Rosa no Carnaval 2026

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O Acadêmicos do Engenho da Rainha anunciou o enredo que levará para a avenida no Carnaval 2026: “Santa Rosa – Negro, moderno, plural”, uma homenagem a Tomás Santa Rosa, conhecido como o “pai do livro moderno”. A vermelho e branco do Engenho da Rainha apresentará a trajetória e o legado do multiartista paraibano, que atuou como pintor, ilustrador, designer, cenógrafo, professor, decorador e figurinista. O enredo pretende destacar a importância de Santa Rosa para a arte e a cultura brasileiras.

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Nascido em João Pessoa (PB), em 1909, Tomás Santa Rosa demonstrou talento artístico ainda na infância. Aos nove anos, participou de sua primeira exposição com a pintura de um docel de São Francisco de Assis, inspirada em sua religiosidade. Na capital paraibana, formou-se em Ciências e Letras.

Aos 23 anos, deixou o emprego em repartições públicas e mudou-se para o Rio de Janeiro, onde aprofundou seu contato com a pintura, a ilustração, a diagramação, a cenografia e o figurino, além de se dedicar ao ensino das artes. Inovador no campo gráfico, destacou-se pelo planejamento visual de livros e pelas ilustrações que produzia, conquistando reconhecimento e estabilidade financeira.

Santa Rosa também foi um crítico contundente do teatro comercial, que, segundo ele, priorizava o entretenimento em detrimento da estética e do conteúdo. Além de artista, exerceu papel ativo na militância cultural em cargos públicos.

Em 1956, representou o Brasil na Conferência Internacional de Teatro, em Bombaim, na Índia. Durante a viagem, adoeceu, foi hospitalizado e faleceu em 27 de novembro do mesmo ano, em Nova Déli.

O presidente da escola, PH, destacou a relevância do enredo: “Falar de Santa Rosa é um desafio, pois estamos falando de um homem negro, um gênio das artes que nunca desistiu do seu sonho. Mesmo diante de tantas barreiras, conquistou o seu lugar. Vamos pra cima!”.

O carnavalesco Leo Jesus também celebrou a escolha: “Exaltar a história desse gênio das artes é uma honra. Santa Rosa nos deixou um legado de força, criatividade e ensinamento. Espero que, como ele, nós também consigamos conquistar o nosso espaço”.

Fátima Fogão é a nova coordenadora da ala de baianas da Em Cima da Hora

Maria Fátima, mais conhecida como Fátima Fogão, iniciou sua carreira no mundo do samba aos 15 anos, na Estação Primeira de Mangueira, onde desfilou como passista. Desde então desempenhou diversos cargos em algumas agremiações.

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Desfila como baiana há mais de 15 anos e tem passagens por escolas como União da Ilha, Grande Rio, Portela e Imperatriz Leopoldinense. Ela leva a história, a garra e a devoção das baianas por onde passa e agora assume a coordenação da ala das baianas da Em Cima da Hora.

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Foto: Divulgação/Em Cima da Hora

Unidos do Cabuçu promove apresentação dos sambas concorrentes para o Carnaval 2026 neste domingo

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A Unidos do Cabuçu realiza neste domingo, a apresentação oficial dos sambas concorrentes que disputam o hino da escola para o Carnaval 2026. O evento começa às 16h, tem entrada gratuita e acontece na quadra da agremiação, localizada na Rua Araújo Leitão, 925, Engenho Novo. Ao todo, seis obras estão na disputa pelo título.

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A programação será aberta com um show especial da cantora Gabby Moura, que sobe ao palco acompanhada de sua banda, prometendo muita animação ao público. Na sequência, duas escolas convidadas reforçam o clima de integração entre comunidades do samba: a tradicional Estácio de Sá, o “Berço do Samba”, e a Acadêmicos de Araçatiba, vinda diretamente de Maricá para abrilhantar a festa.

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Encerrando a noite, a Unidos do Cabuçu apresentará oficialmente os seis sambas concorrentes:
Samba 1 – Iba Nunes e Cia.
Samba 2 – Wallace Flabuçu e Cia.
Samba 3 – Eduardo Henrique e Cia.
Samba 4 – Carlos Júnior e Cia.
Samba 5 – Edson Pelé e Cia.
Samba 6 – Gabriel Leal e Cia.

Primeira campeã do Grupo de Acesso da Passarela em 1984, a Unidos do Cabuçu abre as portas de sua quadra para mais uma grande festa, reunindo compositores, sambistas e apaixonados pelo carnaval em uma tarde de celebração cultural.

A entrada é gratuita, mas quem desejar mais conforto pode reservar mesas antecipadamente pelo telefone (21) 99655-6488. A escola também convida o público a acompanhar todas as novidades através do Instagram oficial @SeresUnidosDoCabucuOficial.

Serviço
Data e hora: Domingo, 7 de setembro, a partir das 16h
Local: Quadra da Unidos do Cabuçu – Rua Araújo Leitão, 925, Engenho Novo
Atrações: Show de Gabby Moura e banda, participação das escolas Estácio de Sá e Acadêmicos de Araçatiba, e apresentação dos seis sambas concorrentes
Entrada: Gratuita
Mesas antecipadas e informações: (21) 99655-6488

Império de Nova Iguaçu terá o terreiro ‘Kupapa Unsaba’ como enredo do Carnaval 2026

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Em busca do título da Série Prata em 2026, o Império de Nova Iguaçu levará para a Intendente Magalhães o legado do terreiro de candomblé “Kupapa Unsaba”, localizado no Rio de Janeiro. O espaço é uma ramificação do Terreiro Bate Folha, de Salvador. O enredo “Kupapa Unsaba – Morada Ancestral” será desenvolvido pelos carnavalescos Larissa Pereira e Marco Antonio Falleiros, junto com o enredista John Bahiense.

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A azul e branca da Baixada contará uma diáspora de além-mar! Uma semente africana que recebeu todo o axé na Bahia, criou raízes profundas na Baixada Fluminense, floresceu e refloresce pelas zelosas mãos de Floripes, o coração dessa dinastia. Desde 1972, o terreiro está sob a liderança de Mam’etu Mabeji (Floripes Correia da Silva Gomes), sobrinha de Lessengue. Iniciada em 1947, liderou com requinte e assegurou a continuidade da tradição Congo-Angola. Ao lado do esposo, Tata Nguzu José Milagre, manteve viva essa herança até sua morte, em 1999.

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O título “Kupapa Unsaba – Morada Ancestral” sugere uma celebração das raízes africanas, evocando ancestralidade, memória e pertencimento. A expressão Kupapa Unsaba (mantida no idioma original) transmite intensidade e espiritualidade, reforçada pelo complemento “Morada Ancestral”, que convida a uma viagem às origens e à cultura de matriz africana.

A escola desfilará como a 6ª agremiação da Série Prata (Superliga), no domingo, 15 de fevereiro de 2026, na Estrada Intendente Magalhães. Os interessados em adquirir a camisa do enredo podem entrar em contato pelo telefone (21) 96471-1035.

Unidos de Bangu aposta em parceria de peso para embalar samba em homenagem para Leci Brandão

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A Unidos de Bangu já tem data marcada para um dos momentos mais aguardados do seu Carnaval: o lançamento oficial do samba-enredo para 2026 acontece no dia 3 de outubro, na tradicional Ceres de Bangu. Com o enredo “As coisas que mamãe me ensinou”, a escola da Zona Oeste presta uma poderosa homenagem à cantora, compositora e deputada estadual Leci Brandão, ícone da cultura popular brasileira e referência na luta por justiça social, igualdade e resistência. O samba que embalará a homenagem tem assinatura de peso: Dudu Nobre, Junior Fionda e o grupo Vou Pro Sereno são os responsáveis pela obra, que será apresentada ao público em uma grande festa aberta à comunidade e aos amantes do carnaval.

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Foto: Divulgação/Unidos de Bangu

“Estamos muito felizes com esse enredo e com o samba que nasceu dele. Tivemos a honra de apresentar a proposta pessoalmente à Leci, que ficou emocionada e muito grata. Esse momento do lançamento é especial, quando a nossa história começa a ganhar voz e ritmo. Vamos fazer uma grande festa para celebrar essa mulher tão importante para o Brasil”, declarou Marcelo do Rap, diretor de carnaval da agremiação.

Com um desfile que promete unir conteúdo social e musicalidade, a Unidos de Bangu reforça sua identidade cultural. A escola será a quarta a desfilar na sexta-feira de carnaval, pela Série Ouro.

Mestre Fafá mantém base de trabalho da bateria da Grande Rio para o Carnaval 2026 e espera recuperar a nota máxima

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Em sua primeira década como mestre de bateria, Fafá se consolidou como um dos pilares da Grande Rio, realizando um trabalho de excelência e conduzindo uma bateria cuja cadência e educação musical são marcas reconhecidas. Mesmo após a perda de um décimo na apuração de 2025, a confiança em seu trabalho permanece ampla, e a base será mantida, tanto em características quanto em relação aos ritmistas.

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“Mantivemos praticamente a mesma base, a galera do ano passado continuou. A cada ano, a Grande Rio vem frisando a importância de ter mais ritmistas da casa. Um naipe ou outro acaba rolando de o cara querer desfilar na escola do coração, que vai desfilar colada com a nossa, a gente entende. Mas a maioria continua, e estamos trabalhando firme para recuperar nossos pontos perdidos”, garante o mestre.

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Foto: Ewerton Pereira/Divulgação Grande Rio

A escola de Duque de Caxias levará para a avenida o enredo “A Nação do Mangue”, uma homenagem ao movimento Manguebeat, que mais uma vez permite acrescentar elementos de uma cultura regional à bateria. “O Manguebeat é um enredo extremamente musical. Acabei de vir de Recife, conheci mais sobre a história do movimento, não conhecia muito, para ser sincero, mas tenho me aprofundado bastante. Agora é esperar a escolha do samba para, com o samba definido, começarmos a fazer inserções, ver o que podemos colocar da musicalidade de Chico Science dentro da bateria, da parte de cordas, junto com o Evandro Malandro também”, declarou Fafá.

O mestre também comentou sobre a mudança no sistema de som da Sapucaí, que não contará mais com o carro de som percorrendo a pista durante o desfile. Ele disse que ainda não recebeu informações mais detalhadas, mas espera uma melhora na qualidade, uma reclamação antiga de intérpretes e mestres de bateria.

“Eu não tive contato nenhum com esse novo som. Ficamos sabendo pela internet e estamos esperando para ver como vai ficar. Se for uma mudança boa para o carnaval, vamos abraçar. Eu espero que ajude muito o espetáculo, pois o som é um problema que vem de muito tempo. Ano passado, o Gabriel David nos ouviu e tentou ajudar de alguma forma. Acredito que, mais para frente, devem realizar outros testes, chamar mestres de bateria, intérpretes… a gente precisa ver para poder opinar, para que seja o melhor som possível e, assim, desempenharmos muito bem o nosso trabalho”, ressaltou.

É na manutenção de uma base bastante azeitada e na pitada de musicalidade do maracatu pop eletrônico do Manguebeat que a Grande Rio aposta em mais um excelente desempenho da bateria de mestre Fafá.

Parceria de Lico Monteiro toma dianteira em semifinal de alto nível na Tijuca

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A Unidos da Tijuca realizou, na última quinta-feira, a semifinal de sua eliminatória de sambas-enredo para o Carnaval 2026. Quatro obras se apresentaram em busca de uma vaga na final, que acontecerá no dia 13 de setembro, um sábado. Os três sambas finalistas serão anunciados até segunda-feira. As apresentações mostraram bastante qualidade, mas um samba se destacou com desempenho superior. O CARNAVALESCO analisa o desempenho de cada obra abaixo.

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Parceria de Lico Monteiro: A parceria de Lico Monteiro, Samir Trindade, Leandro Thomaz, Marcelo Adnet, Marcelo Lepiane, Telmo Augusto, Gigi da Estiva e Juca abriu a noite, com Wander Pires à frente do samba no palco. Foi uma apresentação que credenciou a obra como fortíssima candidata ao hino da Tijuca em 2026. O samba manteve sua força do início ao fim, sem queda de rendimento. O refrão de cabeça emociona e mexe com os brios do componente, sem comprometer a poesia, seguido de uma belíssima primeira parte, com versos como: “me chamo Carolina de Jesus, dele herdei também a cruz, olhem em mim, eu tenho as marcas, me impuseram sobreviver, por ser livre nas palavras, condenaram meu saber, fui a caneta que não reproduziu, a sina da mulher preta no Brasil”.
O refrão central traz melancolia lírica em belos versos: “os olhos da fome eram os meus, justiça dos homens não é maior que a de Deus, meu quarto foi despejo de agonia, a palavra é arma contra a tirania”. A segunda parte apresenta variações melódicas de grande beleza, como no trecho “meu barraco é de madeira, barracões são do Borel”. Trata-se de um samba extremamente melódico e sentimental, que também se mostrou funcional e potente em sua excelente exibição na semifinal.

Parceria de Gabriel Machado: Charles Silva e Zé Paulo defenderam o samba de Gabriel Machado, Julio Pagé, Robson Bastos, Miguel Dibo, Serginho Motta, Orlando Ambrósio, Jefferson Oliveira e Lucas Macedo, segunda parceria a se apresentar. A obra manteve o alto nível da noite, com um refrão de cabeça sublime: “é verbo que sangra na carne da rua, clarão da justiça onde a noite é crua, a dor e a glória que a Tijuca traduz, em poesia… Carolina de Jesus”. Na repetição, a melodia do último verso já emenda com os iniciais da cabeça do samba, um recurso de grande efeito. A primeira parte tem menos variações melódicas, mas é extremamente inspirada em seus versos, como no trecho: “hoje a reparação tem minha exclamação, inspiração retinta, Bitita frente aos ecos do açoite, quem assina a autoria é Maria cor da Noite”. O refrão central mantém a qualidade: “em versos eu falei com Deus, ensinei aos filhos meus, o alfabeto da alforria, é o povo quem dita o vocabulário, conduz o meu dicionário, a ‘casa de Alvenaria’”. Nas duas últimas passadas, o samba sofreu leve queda de rendimento e a torcida acompanhou com menor ímpeto, mas, no geral, foi uma bela apresentação de uma obra de grande qualidade.

Parceria de Leandro Gaúcho: O samba de Leandro Gaúcho, Anderson Benson, Maia Cordeiro, Clairton Fonseca, Manoel Alemão, Paulo Marrocos, Davison Jaime e Fogaça Picanço teve Wantuir no comando com Wic Tavares no palco. O intérprete teve desempenho visceral, elevando e sustentando a apresentação de uma obra cujo refrão de cabeça é mais aguerrido, com melodia que projeta o samba para cima: “eu sou a voz dos invisíveis da calçada, no fim dessa praça, à sombra da cruz, se existe samba, existe luta, canta Tijuca, Carolina de Jesus (Carolina Maria de Jesus)”. No geral, a melodia apresenta poucos trechos em tom menor, o que reforçou a pegada do samba. A letra, embora menos marcante, tem versos inspirados, como no refrão central: “um quarto de despejo pra quem é Maria, não está na prateleira de nossas memórias, me diga, quando a gente pode ser artista? A tinta preta é que escreve a história”. O samba não alcançou o pico de rendimento dos dois primeiros, mas manteve firmeza até a última passada, ao contrário da parceria anterior, que oscilou.

Parceria de Arlindinho: Igor Sorriso comandou o samba de Arlindinho, Babi Cruz, Diego Nicolau, Adolfo Konder, Felipe Petrini, Luiz Pavarotti, Michel Portugal e Fred Camacho, última obra da noite. A apresentação contou com forte apoio da torcida, que cantou o refrão de cabeça a plenos pulmões nas duas primeiras passadas, sem o auxílio dos intérpretes, aquecendo a quadra e impulsionando a performance. O refrão teve ótimo funcionamento: “levanta a cabeça, preta!, ergue o punho, rasga o véu, tua luta é exemplo pras mulheres do Borel, no prefácio da história a Tijuca é a luz, assina: Carolina Maria de Jesus”. Embora o rendimento não tenha sido tão impressionante quanto nas primeiras passadas, manteve força e levantou componentes até do camarote. Os últimos versos da segunda parte possuem bonita melodia e preparam bem o retorno ao refrão principal: “daqui pra frente todo o mundo vai saber, que o livro é porta aberta para quem quer vencer, rainha, hoje o Carnaval tem a missão, ninguém solta mais a sua mão, e a gloriosa pretitude vai vencer”. É um samba mais funcional, com menos arroubos poéticos, em linha diferente das duas primeiras obras da noite, mas que obteve excelente desempenho na semifinal.

Parceria de Julio Assis faz apresentação apoteótica em noite de disputa de samba acirrada na Beija-Flor

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Em mais uma quinta-feira de eliminatória, a Beija-Flor de Nilópolis levou seis sambas para a próxima fase da disputa, com a eliminação da parceria de Junior Trindade. Com o enredo “Bembé”, do carnavalesco João Vitor Araújo, a Azul e Branca da Baixada será a segunda escola a desfilar na segunda-feira de carnaval em 2026. Veja abaixo a análise do CARNAVALESCO.

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Parceria de Julio Assis: Uma apresentação apoteótica da parceria. Estilo “rolo compromessor” do nível A nilopolitano. Muita força da parceria. O palco, com Tinga no comando, parecia estar endiabrado. O samba de Julio Assis, Diego Oliveira, Diogo Rosa, Manolo, Julio Alves e Léo do Piso possui totais condições de impulsionar o desfile da Beija-Flor para a conquista do bicampeonato em 2026. O refrão principal com “Isso aqui vai virar macumba” gera uma catarse.

Parceria de Sidney de Pilares: Um dos belos sambas da disputa, mas não teve explosão, que é típica do nilopolitano. Wander Pires conduziu com sua habilidade. A obra de Sidney de Pilares, Marquinhos Beija-Flor, Chacal do Sax, Cláudio Gladiador, Marcelo Lepiane e Salgado João Conga é muito bem construída em letra e melodia, gostosa de ouvir. Porém, a decisão estará muito baseada no que a direção da Beija-Flor deseja fazer no desfile de 2026. Algo mais explosivo ou algo mais técnico.

Parceria de Júnior PQD: O ponto alto foi o refrão do meio. Conseguiu mexer com a torcida com a força do intérprete Pitty de Menezes. A primeira parte do samba é bem superior a primeira. A parceria de Júnior PQD, Ailson Picanço, Nando Billy Mandy, Marcelo Moraes, Geraldo M. Felício e Robson Carlos a cada ano que passa vem evoluindo mais nas disputas nilopolitanas. Tem chance de ir longe na etapa para 2026.

Parceria de Kirrazinho: O samba tem uma consistência muito bom melódica. Passou muito forte na quadra. O refrão principal ajuda demais e o refrão do meio mexe com o público. A obra de Kirrazinho, Gui Karraz, Moisés Santiago, Miguel Dibo, Dr. André Lima e Denilson Sodré tem totais condições de estar na final da Beiaja-Flor. O palco também é potente com Igor Vianna, Tem-Tem Jr e Igor Pitta.

Parceria de Romulo Massacesi: A letra chama a comunidade para cantar. O refrão do meio é bem superior ao refrão principal. A obra dos compositores Romulo Massacesi, Lucas Gringo, André Jr., Nurynho Almawi, Doguinho e Ali Jabr contou com os intérpretes Marquinho Art Samba e Leozinho Nunes. A participação da torcida foi fundamental para o desenvolvimento da obra na quadra. Os versos “O jogo alafiou o meu legado/Respeita pra ser respeitado” mexem com os componentes. Pode brigar para estar na final.

Parceria de Marcelo Guimarães: Encerrou a noite em Nilópolis. Com toda categoria, o intérprete Pixulé conduziu a apresentação. Não era fácil passar após o samba das parcerias 01 e 39. Porém, a obra dos compositores Marcelo Guimarães, Cesar Neguinho, Wander Timbalada, Rogério Damata, Maicon Lazarim e Vander Sinval conseguiu cumprir bem o papel e garantiu classificação para próxima fase.

Carnaval em reflexão: Museu do Samba e CARNAVALESCO promovem ciclo de encontros

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Na última segunda-feira, 1º de setembro, o Museu do Samba, localizado na Rua Visconde de Niterói, em Mangueira, recebeu o primeiro encontro do ciclo de debates promovido em parceria com o CARNAVALESCO, em comemoração aos 18 anos do portal. O evento marcou o início de uma série de mesas-redondas que seguirá até dezembro, reunindo sambistas, jornalistas, pesquisadores, dirigentes e apaixonados pela festa para refletir sobre memória, patrimônio e os desafios do futuro do carnaval.

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nilcemar samba

Além da participação de representantes do mundo do samba, o encontro contou com veículos de comunicação que cobrem o carnaval durante todo o ano, convidados pelo CARNAVALESCO para fortalecer o diálogo e ampliar a pluralidade de vozes nesse debate tão necessário.

A presidente do Museu do Samba, Nilcemar Nogueira, destacou que a parceria com o CARNAVALESCO nasce da necessidade de unir forças para proteger tradições e promover uma reflexão coletiva sobre o atual cenário da maior manifestação cultural do país:

“Alberto é um amigo de longa data, e a ideia de unir esforços vem do que temos em comum: chamar o público e os envolvidos na construção do carnaval para a reflexão. Já em 2007, quando conduzimos o processo de patrimonialização do samba, todas as ameaças estavam listadas. Hoje, o carnaval está sob forte risco. Esta casa existe para proteger nossos corpos, saberes e tradições e para manter viva a memória de quem carrega essa cultura”, afirmou.

Nilcemar ressaltou que o samba, enquanto patrimônio imaterial do Brasil, precisa ser tratado com mais cuidado e valorização:

“O samba é um grande aquilombamento, uma forma de expressão e de afirmação do povo preto, historicamente excluído. Quando o samba se torna excludente ou não compartilhado com quem é o esteio dele, corremos um risco enorme. Quem sustenta o tronco é a raiz. Se começarmos a cortar essa raiz, a árvore tomba. A parceria com o CARNAVALESCO presta um serviço essencial ao patrimônio nacional, levando essa discussão para um público mais amplo.”

Outro ponto debatido foi a importância de pluralizar narrativas sobre o carnaval. Nilcemar alertou para os perigos de uma única versão da história, principalmente diante do crescimento dos canais de transmissão próprios das escolas e da Liga:

“Quando uma escola ou a própria Liga cria o seu canal, corremos o risco de termos apenas uma forma de contar a história. Já vimos isso antes, com a narrativa do nosso país sendo moldada por um único olhar. Isso ameaça a democracia. A imprensa, como o CARNAVALESCO, cumpre um papel fundamental para que o samba seja contado de forma plural e sensível”.

A presidente também destacou que os encontros oferecem um espaço de acolhimento e escuta para quem dedica a vida ao samba:

“Aqui estão reunidas pessoas que amam o samba, mas também especialistas que acompanham sua evolução há décadas. É essencial que sejam ouvidos e que os debates sejam feitos com sensibilidade. Hoje, por exemplo, ouvimos críticas sobre como o carnaval vem sendo transmitido ‘como se estivéssemos no vestiário’, o que revela uma falta de cuidado e valorização do sambista. Precisamos rever essa relação para envolver mais gente na preservação e no respeito à festa”.

Para Nilcemar, além de ampliar o debate, a parceria tem um papel importante para o próprio Museu do Samba:

“Queremos que mais pessoas conheçam o museu e entendam nossa missão de contar a história social do samba e preservar suas práticas tradicionais. Essa parceria abre espaço para mesas pensantes que discutem não só a memória, mas também as mudanças necessárias para garantir o futuro do carnaval. O samba é patrimônio imaterial do Brasil, e isso exige pensar desenvolvimento humano e social, não apenas o viés econômico ou o uso dos corpos dos guardiões dessa cultura”.

O ciclo de encontros seguirá até dezembro, sempre no Museu do Samba, com mesas que abordarão temas como patrimônio cultural, sustentabilidade do carnaval, preservação da memória e valorização dos sambistas. A proposta é fortalecer o elo entre quem faz a festa e quem a consome, garantindo que o carnaval seja discutido, compreendido e vivido como um bem coletivo.