Neto de Manacéa, sobrinho de Áurea Maria, da ilustre galeria da Velha-Guarda da Portela, Bruno Ribas está em casa novamente. O intérprete volta à escola em que estreou no Grupo Especial há 21 anos. Bruno assume o carro de som “É Tudo Nosso” para o Carnaval 2027 e foi apresentado oficialmente na comemoração dos 103 anos da Portela.
“Representa o resgate da minha ancestralidade, das coisas que eu aprendi na minha vida toda, com meu avô, com minha avó. Apesar de eu ter uma divisão na minha vida, que é a Mangueira e a Portela, minha avó, Miúda, era fundadora da Mangueira. Meu avô, fundador daqui. E isso aqui tem uma representatividade muito forte na minha vida”, compartilhou, emocionado.
Após a passagem pela Portela em 2005, passou por outras grandes agremiações, como Mocidade, Imperatriz e Unidos de Padre Miguel, até sua saída em 2026. O intérprete foi o primeiro nome cogitado para assumir o posto após a morte de Gilsinho, que defendeu a Portela com garra por 20 anos, até sua morte repentina em setembro de 2025. Por conta dos contratos com a UPM e a Tom Maior, de São Paulo, não foi chamado para o Carnaval 2026. Na ocasião, a missão foi cumprida por Zé Paulo Sierra, que defendeu a canção escolhida na disputa de sambas-enredo. Bruno vê o momento como uma continuação do legado, com as bênçãos do parceiro Gilsinho.
Foto: Mariana Santos/CARNAVALESCO
“Gilsinho, em primeiro lugar, é um grande irmão, que sempre esteve na minha vida. Gilsinho chegou depois de mim aqui na Portela, em 2006, cheguei aqui em 2005, e, ele fez um legado aqui, e agora é continuar. O Gilsinho não morre nunca, o Gilsinho sempre será aquele que estará junto com todos nós, nos fortalecendo, porque eu acredito que isso não é só uma questão pessoal, mas também espiritual. A minha ancestralidade está ligada a isso, porque aquele que foi iniciado em algo não morre, ele vai para a casa do mistério, ele vê o mistério de perto, mas ele volta para abençoar. E o Gilsinho é um deles, eu tenho certeza”, declarou.
O cantor se destacou nos últimos anos pelas interpretações potentes dos sambas da UPM e, neste ano, promete trazer a mesma força para a Portela, com união e entrega no carro de som. Bruno adianta que o samba que será mais marcante ao interpretar será “Portela na Avenida”.
“A Portela é detentora de grandes sambas, mas, se eu fosse citar um, eu diria que ‘Portela na Avenida’ é um samba que me toca muito e me deixa muito feliz e deixa o portelense feliz também”, disse.
A União de Maricá segue ampliando suas fronteiras e desembarcou novamente na França, agora para uma apresentação especial no encerramento do Festival de Cinema Brasileiro em Paris. A escola sobe ao palco do Cinema L’Arlequin, nesta terça-feira, levando a força do samba e da cultura popular brasileira ao público europeu.
A apresentação contará com uma delegação representativa da agremiação, formada pelo casal de mestre-sala e porta-bandeira Julinho Nascimento e Rute Alves, o carnavalesco Edson Pereira, ritmistas, a rainha de bateria Rayane Dumont, o intérprete Zé Paulo Sierra, além de musas e passistas da escola.
A participação internacional acontece pouco mais de um mês após a presença da União de Maricá no MIPIM, realizado em Cannes, na Riviera Francesa, reforçando o processo de internacionalização da marca da escola e da cultura de Maricá.
Para o carnavalesco Edson Pereira, o momento representa um passo importante na valorização do carnaval como expressão artística global.
“A União de Maricá vem cumprindo um papel fundamental ao romper fronteiras. Levar a nossa identidade cultural para fora do Brasil é também uma forma de popularizar a arte produzida em Maricá e mostrar a grandiosidade do Carnaval como manifestação artística completa, que envolve música, dança, artes visuais e narrativa”, disse Edson.
Com mais essa apresentação internacional, a União de Maricá segue com o compromisso da difusão da cultura carnavalesca. Em menos de um ano, a escola esteve em Cuba e duas vezes na França, participando de feiras e promovendo um verdadeiro intercâmbio cultural.
O Carnaval 2027 já está a todo vapor pela Silva Teles. O Salgueiro já tem enredo em fase de pesquisa para o próximo ano e, segundo o presidente André Vaz, o anúncio oficial da escolha pode sair até o fim de abril. Vindo de um ano que evocou a nostalgia dos salgueirenses e levou a escola de volta ao Sábado das Campeãs, o carnavalesco Jorge Silveira afirma que a escola virá ainda maior em 2027 e alegrará o coração dos torcedores.
“A gente já está mergulhado nas pesquisas do próximo ano. Salgueirense pode ficar tranquilo e feliz, porque a gente vai fazer um trabalho ainda maior. O presidente está muito motivado e ficou muito feliz com o último carnaval, e está me dando liberdade para poder fazer um trabalho ainda maior. A gente está numa fase de estudo, de buscar aperfeiçoar a infraestrutura do Salgueiro para fazer um carnaval ainda melhor. E, em breve, a gente vai ter novidades boas para o salgueirense”, disse.
O carnavalesco também despista rumores de que o próximo ano trará outra homenagem. Os sambistas mais ansiosos especulavam que a escola falaria de salgueirenses ilustres, como Haroldo Costa ou Aldir Blanc. Brincando se a “fofoca” está no “quente ou frio”, Jorge define como meio-termo, mas revela o fato: o próximo enredo também será direcionado ao coração dos salgueirenses.
“Está tanto no quente quanto no frio. Pode esperar com o coração com bastante expectativa. Vem, com certeza, um enredo muito bom, muito quente, muito caloroso, com as cores do Salgueiro, sem dúvida. Eu creio que não será uma homenagem, mas vai ser um enredo que vai ter uma direção para o coração do Salgueiro”, contou.
No Carnaval 2026, a escola estudava outros cinco enredos antes da escolha da emblemática homenagem à carnavalesca Rosa Magalhães. E o carnavalesco esclarece que, para 2027, o enredo escolhido não veio dos cinco enredos que foram descartados.
“Tem coisas novas, tem bastante coisa nova. Eu já estou explorando outras ideias. Acho que cada ano é um ano, e a escola é uma nova escola a cada ano. E eu também sou um novo profissional a cada ano. Eu estou investigando outras coisas, olhando com carinho para outras questões, mas sempre pensando no que for melhor para o Salgueiro”, afirmou.
Relembrando o último carnaval, o carnavalesco compartilha o saldo positivo da homenagem afetuosa a Rosa Magalhães e a esperança renovada para o próximo ano na agremiação.
“Esse ano foi um ano muito especial. Ter levado a Rosa Magalhães para a avenida foi um desafio muito grande para nós. A gente ficou muito feliz com o desfile. Acho que o nosso sentimento maior era honrar a memória da Rosa e levar para o público esse carinho e esse afeto que a gente tem pelo trabalho dela. E acho que a Sapucaí nos devolveu esse sentimento. Eu estou muito feliz, muito realizado por ter conseguido trazer o Salgueiro de volta ao desfile das campeãs. Foi realmente muito especial. Eu estou muito feliz e com o coração cheio de esperança para 2027”, compartilhou.
Mesmo algumas semanas após a festa que tomou as ruas de Niterói, a conquista da Unidos do Viradouro ainda reverbera na comunidade e nos bastidores da escola. Em entrevista concedida após o desfile comemorativo do título, realizado em março, o diretor executivo Marcelinho Calil destacou o peso de mais uma conquista histórica, comentou a renovação no primeiro casal e indicou os primeiros movimentos rumo ao Carnaval 2027.
“Sendo campeão, mais uma vez. Estou duplamente feliz. Escola conseguindo o êxito mais uma vez, carnaval, desfile arrebatador, avassalador, como o CARNAVALESCO gosta de usar. Desfile campeão realmente do início ao fim, histórico, antológico”, afirmou.
Para o dirigente, a conquista reforça a força do trabalho coletivo e a consistência da agremiação nos últimos carnavais. “É um sentimento claro de dever cumprido e hoje é um sentimento de gratidão. Devolver pra cidade todo o carinho, todo o amor que a cidade nos dá durante o ano”.
Calil não poupou elogios para o novo casal de mestre-sala e porta-bandeira da escola, Phelipe e Marcella: “Um casal que eu acho que dispensa comentários e apresentações sobre a qualidade e o nível e pode ter certeza que a gente está com muita vontade de fazer esse casal voar. A Marcella está muito feliz de estar aqui. Eu estou muito feliz que ela esteja aqui também. E o Phelipe é a mesma coisa. A vontade de também defender o pavilhão da Viradouro”.
A chegada dos novos integrantes acontece após a saída de Julinho e Rute, nomes históricos do segmento na escola. Segundo o diretor, o processo ocorreu de forma natural e respeitosa.
“A saída da Rute e Julinho foi tranquila. Eles comunicaram a saída de forma bem tranquila, grata, e a gente ao mesmo tempo devolvendo esse carinho. Agradecidos por tantos anos. As escolhas envolvem projetos pessoais, momentos de cada um. Assim como é direito do profissional optar por defender outra agremiação”, explicou.
Já em relação ao enredo para o Carnaval 2027, o dirigente adotou cautela e não confirmou nenhuma informação. “Nada, nada. Estamos conversando ainda”, disse. Questionado sobre a possibilidade do tema “Alabê de Jerusalém”, desconversou: “Não descarto nada, nem confirmo nada”.
O Coletivo Babatunde, formado por quatro coreógrafos com raízes na dança afro, balé clássico e contemporâneo, chegou ao time da Imperatriz Leopoldinense para comandar a comissão de frente do próximo carnaval, reafirmando a pele camaleônica da agremiação. O anúncio oficial foi realizado no dia 28 de março, em um evento na quadra, com a presença da comunidade leopoldinense. A proposta veio do carnavalesco Leandro Vieira, com o objetivo de se reinventar no quesito e abrir mais espaço para artistas negros no maior espetáculo da Terra. Os coreógrafos (Ana Gregório, Fagner Santos, Márcio Dellawegah e Sabrina Sant’Ana) afirmaram que foram surpreendidos com o convite. Sabrina diz que, além de surpresa, se sentiu valorizada e reconhecida pela agremiação. Ana Gregório contou como recebeu o convite.
“Eu cheguei para a reunião pensando que era alguma coisa relacionada a projeto social. Quando eu cheguei no dia e vi o Leandro sentado à mesa, eu falei: ‘Ih, a coisa é bem pior’ [risos]. Quando ele falou, eu não acreditei de primeira, fiquei uns cinco segundos parada, olhei para a Sabrina, olhei para o Márcio, olhei para o Wagner, e falei: ‘É isso mesmo, galera?’. Aí eles: ‘É!’. Aí eu: ‘Então tá!’. Foi muito assim, porque a ficha ainda está caindo”.
O Coletivo Babatunde é marcado pela pluralidade daqueles que o compõem. Cada artista tem sua área de domínio e o que seria um desafio se torna o trunfo.
“O maior desafio talvez seja exatamente a maior facilidade, que vai ser exatamente esses pensamentos que nós quatro temos, por sermos de áreas distintas, confluírem no resultado da comissão de frente. Talvez seja exatamente o grande trunfo: as experiências que já temos no quesito comissão de frente, tornar isso palpável e concreto na produção da próxima comissão”, disse o coreógrafo Fagner Santos.
As referências se formam por meio do respeito que cada coreógrafo tem pelos artistas que vieram antes deles e abriram as portas pelas quais, hoje, eles estão entrando.
“Nossas referências, profissionalmente e tecnicamente falando, vêm da dança afro, vêm do balé clássico, vêm do contemporâneo, vêm dos nossos mestres que estão também no carnaval. As nossas referências são pessoas que, antes de nós, vieram e teceram esse chão, fizeram com que ficasse mais fácil para nós pisarmos e, através desse trabalho, a gente quer também referenciar e reverenciar as nossas referências”, contou Sabrina Sant’Ana.
Os coreógrafos não deixaram de elogiar o trabalho e a parceria do carnavalesco Leandro Vieira. Para Ana, o trabalho deles será marcado por um respeito mútuo, em que as ideias serão alinhadas para que eles cheguem a um denominador comum. Já Márcio Dellawegah afirmou que Leandro é um artista completo e que garantiu participar e dar apoio ao quarteto.
“Ele é o próprio enredista, cria os próprios enredos e, inclusive, é muito participativo também nos segmentos. E uma coisa que ele deixou bem clara para o coletivo é que vai estar acompanhando esse processo de criação de figurino e de alegoria. A gente está muito feliz por essa parceria. Não é a comissão de frente da Imperatriz, é a comissão de frente do coletivo, no qual o Leandro está inserido, porque essa ideia é dele. Esse sucesso que virá, se o Orixá quiser, e já quer, vai ser também com o nome do Leandro”, contou Márcio.
A mudança no sistema de julgamento dos desfiles do Grupo Especial em 2026 provocou reações diversas entre o público que acompanhou as apresentações na Marquês de Sapucaí. Com a adoção de cabines espelhadas e a redução do número de paradas para apresentação, o novo formato buscou dar mais fluidez ao desfile e ampliar a visibilidade das performances para quem estava nas arquibancadas. Entre os espectadores ouvidos pelo CARNAVALESCO, a avaliação sobre o modelo foi majoritariamente positiva, embora as notas anunciadas na apuração ainda tenham gerado críticas.
Torcedora do Salgueiro há 40 anos e integrante da torcida oficial Amigos do Salgueiro, Elizinha, 52 anos, considerou que o novo sistema é válido, mas acredita que os resultados da apuração não refletiram plenamente alguns desfiles.
“Eu achei válido, achei bom esse novo sistema. Só que pelo carnaval que o Salgueiro apresentou na avenida, sem falhas, era desfile para segundo lugar. A gente colocou um carnaval campeão na rua e ficamos em quarto”, afirmou.
Mesmo com a frustração pela colocação final, ela destacou que a comunidade segue celebrando o desempenho da escola. “Claro que estamos felizes por voltar ao G6, mas a gente acredita que poderia estar mais à frente”.
Já Júlia Silva Pedro, 23 anos, fisioterapeuta e torcedora da Portela, avaliou que o resultado da escola em 2026 refletiu o momento vivido pela agremiação.
“Acho que a Portela até deu sorte por não cair. Na minha opinião, a escola recebeu a pontuação que merecia”, disse.
Para ela, o desempenho pode servir como alerta para mudanças internas na escola: “Já faz alguns anos que a Portela vem vacilando. Uma escola do tamanho da Portela não pode ficar tanto tempo sem ganhar”.
Entre os torcedores da Mocidade Independente de Padre Miguel, o sentimento foi de inconformismo com o resultado. Thiago Maia, 42 anos, engenheiro civil, afirmou que a colocação final não correspondeu ao desfile apresentado pela escola.
“Assim como toda a nação independente, a gente ficou muito sentido com a posição da Mocidade. Pelo que foi apresentado na avenida, a escola merecia estar pelo menos entre as seis primeiras”, afirmou.
Ele também disse esperar uma manifestação da organização do carnaval sobre o julgamento. “Na nossa visão foi injusto. Mas a Mocidade não desiste nunca. Em 2027 a gente volta mais forte para buscar o campeonato”.
Já Lucas, intérprete do bloco Amiguinhos da Caprichosos, acredita que o novo modelo de cabines pode trazer benefícios para o ritmo do desfile.
“Analisando, acho que é positivo para o andamento. As apresentações ficam voltadas para os dois lados e o desfile não fica tão parado. Pode ficar mais movimentado e melhor de assistir”, avaliou.
Apesar disso, ele também demonstrou estranhamento com algumas notas da apuração: “Algumas notas da Imperatriz eu não entendi, principalmente em samba-enredo e em mestre-sala e porta-bandeira”.
Entre aprovação ao novo formato e críticas às avaliações dos jurados, a reação do público mostra que as mudanças no sistema de julgamento começam a ser assimiladas, mas o debate sobre os critérios e as notas do carnaval continua tão presente quanto sempre esteve nas arquibancadas da Sapucaí.
O Acadêmicos do Salgueiro anunciou a chegada de Jéssica Ferreira como sua nova 3ª porta-bandeira, completando assim seu quadro de casais de mestre-sala e porta-bandeira para o carnaval de 2027. Com uma trajetória marcada pela excelência e dedicação ao samba, Jéssica iniciou sua história ainda na infância, sendo descoberta aos 6 anos dançando em casa. Desde então, construiu um caminho de destaque, passando por escolas como Unidos do Anil e Renascer de Jacarepaguá, onde estreou no Grupo Especial em 2011. Na Unidos de Padre Miguel, firmou uma parceria de 12 anos com Vinícius Antunes, colecionando notas máximas e premiações.
No último carnaval, brilhou como 1ª porta-bandeira da Unidos da Ponte, na Série Ouro, reafirmando sua experiência e talento na condução do pavilhão.
Salgueirense de coração, Jéssica chega realizando um sonho antigo ao vestir o vermelho e branco. A nova 3ª porta-bandeira revelou ainda que o convite para integrar o elenco partiu de Sidclei Santos, primeiro mestre-sala da escola.
Agora, Jéssica se junta a Leonam Santos, 3º mestre-sala do Salgueiro, reforçando o elenco que defende com garra e tradição o pavilhão da Academia do Samba. “É a realização de um grande sonho. O Salgueiro é uma escola gigante, de muita tradição e história, e poder representar esse pavilhão tão forte é uma emoção indescritível. Chego com muito respeito, entrega e vontade de honrar muito essa agremiação”, destaca Jéssica.
A explanação do enredo de 2027 da Estrela do Terceiro Milênio para os compositores foi surpreendente para todos os presentes. Intitulado “Incrível, Fantástico, Extraordinário!”, a agremiação surpreendeu revelando a temática poucas horas antes do encontro com o carnavalesco Paulo Barros por meio das redes sociais da Coruja. Ao chegar no barracão da escola na Fábrica do Samba, entretanto, diversas surpresas impactaram os presentes. Para saber tudo sobre o evento que marcou quem esteve na Fábrica do Samba na véspera da Sexta-Feira Santa, o CARNAVALESCO entrevistou os apontados como autores da ideia imersiva.
Apontados como idealizadores da experiência na explanação, os diretores de Harmonia e Carnaval da Estrela do Terceiro Milênio, Vinícius Freitas e Wilson Costa, popularmente conhecido como Japa, revelaram como a ideia surgiu: “O Japonês e eu sentamos nessa semana para verificar o que estávamos produzindo para essa explanação de enredo – estamos nessa correria há três semanas. Nós conseguimos fechar todas as pessoas, nessa correria de trabalho, ontem. Pelo que eu pude ouvir e perceber, elas ficaram tão felizes, foi um privilégio participar. E, para a gente, foi uma honra”, destacou o profissional que chegou à Coruja para o Carnaval 2027.
Comunidade privilegiada
Vinícius destacou que, para os compositores se sentirem dentro da temática abordada pela escola em 2027, profissionais da própria agremiação fizeram questão de participar do evento: “As meninas são todas da comissão de frente da escola e são atrizes profissionais. Isso, claro, além da produção cênica. Na nossa opinião, o Carnaval é muito além o desfile. Lógico que é no palco principal o local em que o grande espetáculo acontece; mas, durante o ano, a gente tem que apresentar vários espetáculos: a comunidade da escola merece”, comentou.
Dentre as atrizes citadas por Vinícius, estavam, por exemplo, Tayná Moura, em cartaz com o espetáculo “Abracadabra”, no teatro do West Plaza Shopping e ex-atleta da Seleção Brasileira de Ginástica Acrobática; e Kelyane Carvalho, bailarina com passagem pelo Show dos Famosos, talent show do Domingão do Faustão/Domingão com Huck.
Inspiração para compor
Na visão de Vinícius, um autor de sambas-enredo pode ter a criatividade aflorada por conta da experiência imersiva proporcionada pela Milênio: “A gente achava que, por exemplo, o compositor chegar, pegar a sinopse, ouvir a bela explanação do nosso carnavalesco, tirar as dúvidas e vai embora… será que ele não pode participar mais dessa explanação? Se sentir dentro do evento? Se sentir dentro do enredo? Fizemos questão que o compositor se sentisse no enredo. Ele já vai começar a criar desde o portão do barracão graças ao cenário que a gente conseguiu montar junto com a estrutura disponibilizada pela diretoria, com a ideia que o Japonês e eu tivemos”, destacou.
Japa deu detalhes mais concretos sobre o trabalho de cenografia realizado: “Montamos essa estrutura de montar da porta do barracão até o sistema de elevador, corredor, salas com as atrizes e essa luz toda cênica para abrilhantar cada vez mais todos os profissionais que participam do Carnaval. E hoje, graças a Deus, foi a vez dos compositores sentirem tudo isso”, comemorou.
Para colocar toda a ideia dos diretores em prática, era necessário que um profissional de altíssimo gabarito comandasse quem estivesse disposto e tivesse disponibilidade para se apresentar. Régis Santos, coreógrafo da comissão de Frente da Estrela do Terceiro Milênio e bicampeão do Estrela do Carnaval, organizado e concedido pelo CARNAVALESCO, tirou de letra – e contou à reportagem como executou tudo que foi pensado.
Para entrar no clima do enredo, Régis fez menção ao título da temática: “Foi uma forma de fazer tudo ficar incrível, fantástico e extraordinário. Foi só isso. Nesse carnaval lúdico, mágico e místico, é importante para o compositor já chegar na atmosfera, com elfas, fadas, faunos, gnomos e por aí vai. É uma inspiração, já. Claro que isso é uma brincadeira, é uma recepção, é um acolhimento; mas criar o túnel, trazer a luz, trazer os personagens caracterizados e maquiados é uma junção. O Vinícius, nosso Diretor de Carnaval, veio com a ideia de fazer uma decoração – e, aí, eu já vim com a parte teatral, o Japonês já trouxe a luz… Talvez isso seja um sinal de que, junto, a gente sempre é mais forte. O Carnaval é isso”, finalizou.
Onze vezes campeã do Grupo Especial de São Paulo, a Nenê de Vila Matilde anunciou, em duas publicações nas redes sociais, boa parte dos nomes que integrarão o staff da escola no Carnaval de 2027. Na primeira delas, as renovações de quadros; nos seguintes, os novos nomes que passarão a contar a história da Águia Guerreira da Zona Leste. Seguem na Nenê de Vila Matilde para 2027.
– Alessandro Tiganá, intérprete
– Mestre Matheus Machado, Diretor da Bateria de Bamba
– Bruna Moreira, popularmente conhecida como Babalu, Diretora de Carnaval
– Rodney Elias, diretor Artístico
– Rodrigo Oliveira, que era Diretor de Harmonia, agora é o Diretor Geral da escola
– Cristiano Paixão, Diretor de Barracão
Chegam na Nenê de Vila Matilde para 2027
– Douglas Neto, Diretor de Harmonia
– Sérgio Cardoso, Diretor Artístico da Comissão de Frente
– Jonathan Paulino, coreógrafo da Comissão de Frente
– Chico Ângelo, carnavalesco
A Independente Tricolor anunciou, na última sexta-feira, o enredo para o desfile de 2027. Trata-se de “Os Três Obás do Rei: Na Bahia da Poesia, dos Traços e das Canções”, assinado pelos carnavalescos Yuri Aguiar e Luiz Marques. A temática trará a ligação de três grandes artistas muito identificados com a Bahia reconhecidos como filhos de Xangô (o rei citado no título): o escritor Jorge Amado, o músico Dorival Caymmi e o artista plástico Hector Carybé.
O trio, por sinal, foi tema do documentário “3 Obás de Xangô”, dirigido por Sérgio Machado e vencedor de uma série de prêmios – como o de Melhor Longa-Metragem Documentário do Prêmio Grande Otelo do Cinema Brasileiro; o Melhor Documentário do Festival do Rio 2024, o Melhor Filme pelo Júri Popular na Mostra de Cinema Tiradentes de 2024; e o Melhor Documentário do Ano de 2024 pela Associação Paulista de Críticos de Arte (APCA).
Em 2026, com o desfile de “Ngoma, A primeira festa na manhã do mundo”, assinado por Yuri Aguiar e Léo Cabral, a Independente Tricolor ficou na quarta colocação do Grupo de Acesso I.
Saiba mais sobre o enredo
Por meio das redes sociais, a Independente Tricolor publicou um breve descritivo sobre a temática:
“A Independente Tricolor pede licença a Exu e saúda o Rei de Oyó para levar à avenida uma ode à amizade, à espiritualidade e à identidade nacional. Ao escolher como enredo a interseção cultural entre Jorge Amado, Hector Carybé e Dorival Caymmi, a escola não apenas celebra três gênios da arte, mas mergulha no âmago do que define o ser brasileiro: a resistência ancestral e o sincretismo que transborda em axé. A justificativa para este enredo reside na necessidade de resgatar as raízes que sustentam a nossa cultura popular. Jorge, Carybé e Caymmi não foram apenas observadores da Bahia. Eles foram seus arquitetos espirituais. Através da literatura, das artes plásticas e da música, eles transformaram o Candomblé, as ladeiras de Salvador e a vida do povo simples em um patrimônio universal.
Levar esse tema para o Carnaval é reafirmar que a arte é uma ferramenta de luta e preservação. A Independente Tricolor escolhe exaltar a trajetória desses três amigos que, iniciados sob as bençãos dos orixás, dedicaram suas vidas a dar voz e cor aos deuses africanos e ao povo negro. Ao cruzar a linha de chegada, a Independente Tricolor não terá apenas realizado um desfile. Terá erguido um altar em plena avenida, provando que a amizade de Jorge, Carybé e Caymmi é a chama eterna que ilumina a alma do Brasil”.