A disputa de samba-enredo da Portela para o Carnaval 2026 ganhou sotaque gaúcho. A parceria de Daiane Molet, formada por compositores das cidades de Pelotas e São Lourenço do Sul, venceu a etapa regional, realizada no Rio Grande do Sul, e garantiu presença na etapa de chave única da disputa da Majestade do Samba no próximo domingo, quando se juntam as parcerias classificadas das chaves Azul e Branca.
A parceria vencedora é composta por Daiane Molet, Anderson Xilico, Chico Professor, Fagner Presidente, Fred Feijó, Maninho Veiga e Marcéle Sàlles, que assinam juntos o samba gaúcho para o enredo “Os Encantos do Príncipe do Bará – A oração do Negrinho e a ressurreição de sua coroa sob o céu aberto do Rio Grande”, assinado pelo carnavalesco André Rodrigues, tema que a Portela levará para a Marquês de Sapucaí no próximo desfile.
Para os compositores, a classificação representa a oportunidade de levar a força da criação do sul do país a uma das mais tradicionais disputas de samba do Rio de Janeiro. “É um prazer participar desse concurso e poder mostrar a força negra existente no Rio Grande do Sul para o restante do país. Esse enredo da Portela nos dá essa oportunidade e será uma honra estarmos na quadra da escola representando nosso estado e cantando o povo preto do Rio Grande do Sul, promovendo esse intercâmbio cultural”, destacou a compositora Marcèle Sàlles.
Além da vaga na disputa carioca, a parceria recebeu um gesto de reconhecimento da escola. O presidente da Portela, Júnior Scafura, por meio do diretor de Carnaval, Júnior Schall, convidou os compositores do samba campeão da etapa gaúcha a integrar a tradicional Ala de Compositores da agremiação. “O convite para integrar a Ala de Compositores da Portela foi uma surpresa que não esperávamos, estamos felizes e gratos à escola por esse presente”, afirmou Marcéle.
No próximo domingo, a parceria inicia sua trajetória na quadra da Portela, no Rio de Janeiro, após vencer a etapa gaúcha. A disputa segue até a escolha oficial do hino da escola, marcada para o dia 26 de setembro.
O canal Fala Galera promoveu uma live especial para analisar todas as safras de sambas das escolas do Grupo Especial do Rio de Janeiro para o Carnaval 2026. Durante a transmissão, os comentaristas Guilherme Campagnuci e Freddy Ferreira destrincharam os pontos fortes e as fragilidades de cada disputa, destacando favoritos, surpresas e tendências que podem influenciar diretamente nos desfiles da Marquês de Sapucaí. Apenas Niterói, que ainda vai apresentar a obra, e Tuiuti que fez encomenda só vão ser analisados futuramente.
Imperatriz Leopoldinense: Um duelo técnico e emocional
A Imperatriz Leopoldinense, que nos últimos anos acertou em cheio na escolha de seus sambas, gerava grande expectativa para sua safra de 2026. A disputa se encaminha para a final com os sambas 5 (Hélio Porto), 10 (Jefferson Lima) e 13 (Gabriel Coelho). O principal embate, na opinião dos apresentadores, está entre os sambas 5 e 13. Samba 5: Guilherme Campagnuci o vê como tecnicamente superior, elogiando a forma como as melodias de Ney Matogrosso foram inseridas sem atrapalhar a harmonia, além da inclusão da parte “Equador”. Freddy Ferreira também reconhece um “alinhamento musical muito acima da média” e uma “musicalidade bem trabalhada”. Samba 13: Ganhou destaque pela forte adesão da comunidade e pelas excelentes apresentações na quadra desde o início, com refrão marcante e uma ótima “subida pro refrão”. Freddy Ferreira o considera “mais poderoso, mais impactante, mais potente para desfile”, conectando-o às recentes “pancadas” da Imperatriz e à bateria Swing da Leopoldina.
Apesar de Guilherme Campagnuci ter predileção pelo samba 5, ele reconhece a força do 13 na quadra. Freddy Ferreira, por sua vez, se inclina para o samba 13 pela “pancada”. Ambos concordam que a Imperatriz, com sua equipe musical gabaritada, saberá ajustar o samba vencedor para que ele renda bastante na Avenida.
Portela: Uma safra rica e uma disputa aberta
Foto: Eduardo Hollanda/Rio Carnaval
A disputa da Portela foi classificada como uma das mais difíceis do Carnaval 2026, incluindo composições de fora do Rio, uma tendência crescente. Favoritos iniciais de Guilherme Campagnuci: O samba de Toninho Gerais o emocionou pela beleza e pelo forte refrão. O samba de Samir também o conquistou pela poesia e gingado. Destaques da quadra: Valtinho Botafogo surpreendeu, mostrando melodia fluida, letra excelente e “pegada”, tornando-se forte candidato. Freddy Ferreira, que inicialmente não deu tanta atenção ao samba de Valtinho, reconheceu nele uma “cara de avenida”. Outras obras que impressionaram foram o samba de Mariene de Castro, com chances de final, e o de Cecília Cruz, que se destacou pela letra e melodia diferenciadas, sendo a segunda melhor apresentação na última quadra.
Freddy Ferreira, que no início se encantou mais com o samba de Samir, ressalta que o nível musical da disputa está “muito elevado”. Para ele e Guilherme Campagnuci, a Portela possui um leque de opções que tocam a sentimentalidade, a potência musical e o conteúdo, tornando a disputa totalmente em aberto.
Estação Primeira de Mangueira: O renascimento de uma safra
Foto: Divulgação/Mangueira
Após críticas aos seus sambas nos dois últimos anos, a Mangueira promete um grande samba para 2026, com uma safra considerada “maravilhosa” e “excelente”. Verônica, do Amapá: Destacou-se pela representatividade do enredo (Amapá), melodia rica e boa letra. Freddy Ferreira ressaltou o “vínculo territorial” e a bagagem cultural única que o samba carrega, sendo “muito diferenciado” e “autêntico”. Beto Savana: Possui a “pegada de Mangueira”, arrebentando nas apresentações de quadra, com partes que viram “chiclete” e refrões muito fortes. Freddy Ferreira o considera o “samba mais contemporâneo” de todas as disputas, com “muita genialidade musical” e uma pulsação que “vai sacudir a Avenida”. Pedro Terra: Um samba “muito bonito”, rico melodicamente e poético, com uma “pegada totalmente diferente”. Para Freddy Ferreira, remete a uma “Mangueira na década de 70”, imponente e elegante.
A Mangueira terá o desafio de escolher entre sambas de qualidades distintas: um que remete ao enredo, outro com a “cara da Mangueira” e um mais poético. Tanto Guilherme Campagnuci quanto Freddy Ferreira exaltaram a qualidade geral da safra.
Mocidade Independente de Padre Miguel: Um favorito disparado
Foto: Luiz Gustavo/CARNAVALESCO
A Mocidade, potência que Guilherme Campagnuci deseja ver disputando novamente, parece ter um favorito claro. Jefinho e parceiros: É o “melhor samba da disputa disparado”, segundo Guilherme Campagnuci e Freddy Ferreira, desde o início. Ambos elogiam como a obra trabalhou bem a essência de Rita Lee, com refrões que a comunidade adora cantar, sendo um “samba pronto para a Mocidade desfilar”. Freddy Ferreira descreveu-o como “psicografado”, nascido para ser campeão e proporcionar um grande desfile musical. Outros sambas: Obras de Sandra Sá, Feital e Santana também se apresentam bem, mas o de Jefinho se mantém à frente.
Apesar de Guilherme Campagnuci considerar que a safra geral da Mocidade “não foi boa”, o samba do Jefinho se destaca. Ele acredita que ajustes na melodia podem ser necessários, mas Freddy Ferreira prevê que a obra crescerá muito ao longo do carnaval, impulsionada pela bateria e pela identidade “sensual” da escola.
Beija-Flor de Nilópolis: Um sacode na quadra
Fotos: Marielli Patrocínio/CARNAVALESCO
A Beija-Flor enfrenta uma decisão muito difícil, com embate entre dois sambas fortes. Freddy Ferreira descreveu a safra como “excelente”, com o enredo bem assimilado e conectado à matriz africana da escola. Samba 39: Guilherme Campagnuci elogiou a construção melódica e a letra forte. Freddy Ferreira o definiu como “muito lindo”, “denso” e de “fluidez musical”. Samba 1: Forte e com versos para a comunidade nilopolitana cantar. Na quadra, gerou um verdadeiro “sacode”. Freddy Ferreira foi conquistado desde o início, vendo nele “força para embalar o desfile” e “potência para brigar por bicampeonato”. Outros: O samba 23 apresentou proposta diferente, mas eficaz. O samba 2 (Júnior PQD) também foi citado como bom.
A disputa é considerada uma “grata dúvida”, com sambas de muita qualidade e refrões fortes ligados ao enredo de herança ancestral e religiosa.
Unidos da Viradouro: A emoção de uma homenagem
Foto: Renata Xavier/Divulgação Viradouro
A Viradouro tem um favorito claro, com homenagem que toca o coração. Cláudio Mattos e parceiros: Conquistou Guilherme Campagnuci de imediato e continua como seu favorito. O samba se destaca pela simplicidade poética, inteligência artificial como conceito, emoção e melodia bem conduzida. Freddy Ferreira o considera “sinceramente muito diferenciado” por sua “profunda sensibilidade” e “carga emocional muito grande”, conectando com a história de mestre Ciça. Outros sambas: O samba de Mocotó teve a melhor primeira parte da disputa; Deco é “muito bem interpretado”; Lucas Macedo também tem chances de chegar à final.
O favoritismo de Cláudio Mattos é amplamente reconhecido, e a homenagem a Mestre Ciça, com a participação da voz de Dominguinhos e consentimento da família, adiciona um “baita de um plus” à obra.
Unidos da Tijuca: A busca por uma nova história
Foto: Guibsom Romão/CARNAVALESCO
A Tijuca definiu seus três finalistas: Lico Monteiro, Arlindinho e Gabriel Machado. Lico Monteiro: Guilherme Campagnuci o apontou como favorito por capturar a proposta do enredo (o lamento de Carolina de Jesus), poesia e refrão forte “muda essa história Tijuca”. Freddy Ferreira considera a proposta “mais adequada” ao enredo, destacando a “carga sentimental” de luta e resistência. Arlindinho: Boa adesão na escola, mais leve e animado, com bom “balanço” no refrão de meio. Gabriel Machado: Considerado “regular”, bom tecnicamente, com letra e melodia de qualidade.
Ambos os analistas elogiaram o intérprete Charles Silva. Guilherme Campagnuci acredita que será surpresa se Lico Monteiro não vencer, e Freddy Ferreira concorda.
Unidos de Vila Isabel: O samba que ganhará a cidade
Foto: Divulgação/Vila Isabel
A Vila Isabel vive um momento de renascimento musical. André Diniz e Evandro Bocão: Guilherme Campagnuci classificou como espetacular e futuro hino da escola. Freddy Ferreira considera a obra “bola no ângulo”, “profundamente diferenciada” e inspirada. Outros sambas: Obras de Feital e Ricardo Mendonça também se destacaram, mas Diniz e Bocão se sobressaem.
O enredo, assinado por Vinicius Natal, Leonardo Bora e Gabriel Hadadd, gerou um “grande samba” que contribui para o orgulho e esperança da comunidade.
Acadêmicos do Grande Rio: Um enredo desafiador e disputa equilibrada
A Grande Rio, agora sob direção de Antonio Gonzaga, enfrenta um tema desafiador: cultura pernambucana e Manguebeat. Ailson Picanço: Favorito de Guilherme Campagnuci, considerado “mais denso” e que “costura melhor o enredo”. Freddy Ferreira concorda. Outros sambas: Derê e Samir apresentaram obras inspiradas, funcionais e sentimentais.
A disputa é equilibrada e em aberto, com tempo e quadra decisivos para o resultado.
Acadêmicos do Salgueiro: A rosa de uma disputa aberta
O Salgueiro homenageia Rosa Magalhães, com disputa intensa e em aberto. Favorito inicial de Guilherme Campagnuci: Samba de Marcelo Mota, inicialmente conquistou por melodia “maravilhosa”. Freddy Ferreira também estava apegado, mas o panorama mudou. Destaques da quadra de Guilherme Campagnuci: Rafa Hecht cresceu com apresentações consistentes, mantendo a “pegada” e referenciando a década de 1990 da Imperatriz. Destaques de Freddy Ferreira: Moisés Santiago e Adnet mostraram regularidade; Rafa Hecht lidera, mas a disputa é incerta.
A Viradouro ganhou um novo reforço de peso para o seu time de musas em 2026. A paulista Madu Fraga, rainha de bateria do Vai-Vai, foi anunciada pela Vermelha e Branca de Niterói e não escondeu a emoção em estrear no desfile da atual campeã do carnaval carioca. O convite oficial aconteceu em reunião com o diretor executivo da escola, Marcelinho Calil. Ao CARNAVALESCO, ela destacou que sua ligação com a Viradouro começou no ano passado, quando conheceu um ensaio e, desde então, ficou encantada com a energia da comunidade.
Fotos: Vinícius Ximenes/Divulgação Viradouro
“O ano passado eu vim conhecer o ensaio da Viradouro e aí eu me apaixonei, mas esse convite só aconteceu agora em 2025, no dia 18 de junho. Foi pelo Marcelinho Calil. A gente fez uma reunião e ele me chamou como sambista para estar aqui brilhando ainda mais no time de musas da Viradouro”, contou.
Responsabilidade de representar no Rio sendo paulista
Reconhecida no carnaval de São Paulo, onde reina pelo tradicional Vai-Vai, Madu reforçou que encara o posto de musa da Viradouro como um marco especial em sua trajetória, principalmente por quebrar preconceitos entre sambistas dos dois estados.
“Eu me sinto muito honrada, principalmente, por eu ser paulista. Existe esse preconceito entre Rio e São Paulo, principalmente de quem não é do samba. E como eu fui convidada como sambista, friso muito isso, porque em São Paulo eu sou muito respeitada, sou rainha e sou cria de uma escola que vai completar 100 anos. Entrar no time de musas da Viradouro, que é o melhor time do carnaval do Brasil, é motivo de muita felicidade”, afirmou.
Rio x São Paulo: diferenças e semelhanças
Questionada sobre as diferenças entre os carnavais do Rio e de São Paulo, Madu fez questão de valorizar a vivência comunitária e o respeito que cercam as escolas, mas reconheceu a visibilidade midiática do desfile carioca.
“O carnaval é muito parecido em tudo, mas a visibilidade que o Rio traz é maior pela mídia e pelo dinheiro. Aqui é muito visto, a mídia está aqui. Mas em experiência, comunidade, responsabilidade e respeito, não muda nada. O pavilhão é sempre maior do que qualquer pessoa”, destacou.
Conciliando Vai-Vai e Viradouro
Madu também comentou sobre como pretende conciliar os compromissos em São Paulo e no Rio de Janeiro. Segundo ela, tudo foi conversado previamente com as duas escolas, e a agenda, apesar de corrida, está organizada.
“Isso foi muito conversado na reunião. O meu ensaio em São Paulo é de domingo e aqui tem ensaio de rua na Amaral Peixoto. Vou me dividir, vai ser correria, mas faz parte. É uma nova experiência e eu estou pronta para viver isso”.
Com a chegada de Madu Fraga, a Viradouro reforça ainda mais o seu time de musas, conhecido por reunir grandes nomes e por ser um dos mais fortes do carnaval brasileiro.
O vice-presidente da Imperatriz, João Drumond, falou sobre a disputa de samba-enredo da escola, que terá a grande final no dia 19 de setembro. Três parcerias estão classificadas: Hélio Porto (Samba 05), Jeferson Lima (Samba 10) e Gabriel Coelho (Samba 13).
“Falta pouco para a nossa decisão. E temos três sambas excelentes na briga. A cada semana, as apresentações ficam melhores e mostram aquilo que a Imperatriz quer apresentar na Sapucaí em seu desfile: a liberdade que Ney (Matogrosso) exalta, sua alegria e o poder transformador de sua música. Tenho certeza que o samba escolhido vai estar à altura do nosso homenageado. Desejo sucesso aos finalistas”, afirmou o vice-presidente da verde, branco e dourado, João Drumond.
Em busca do 10º campeonato de sua trajetória, a Imperatriz será a segunda escola a desfilar no domingo de Carnaval (15/02) e levará para a avenida o enredo “Camaleônico”, do carnavalesco Leandro Vieira, que vai para o seu quarto desfile consecutivo na escola. A agremiação celebrará o artista, a obra e a virtuosidade performática de Ney Matogrosso, intérprete de sucessos como “Sangue Latino”, “Rosa de Hiroshima”, “O Vira”, “Homem com H” e “Metamorfose Ambulante”.
O feriado da Independência foi comemorado na escola paulistana que tem no próprio hino o orgulho de ter as cores do Brasil. Neste domingo (07 de setembro), a Unidos do Peruche consagrou o Samba 7, da parceria formada por Dennis Patolino, Parcio Anselmo, Victor 7 e Jamelão Netto para embalar o desfile de “Oi… esse Peruche lindo e trigueiro… terra de samba e pandeiro”, enredo assinado pelo carnavalesco Chico Spinosa que será o sexto a desfilar no Grupo de Acesso II – que se apresenta uma semana antes do carnaval, no dia 07 de fevereiro de 2026. Presente em data tão importante para a Filial do Samba, o CARNAVALESCO entrevistou personagens importantes a respeito da escolha da canção na eliminatória interna.
Fotos: Will Ferreira/CARNAVALESCO
Emoção, modernidade e naturalidade
Um dos compositores campeões, Victor 7 não escondeu o quanto está feliz pela vitória antes de citar como a composição foi feita: “Eu estou muito emocionado. O processo foi muito bacana e muito rápido também. A gente se encontrou ao vivo, finalizou a reunião e arrematou os finalmentes do samba no WhatsApp. Nós fizemos duas reuniões presenciais: na primeira, nós fechamos o refrão; na segunda, foi até o começo do refrão do meio. Aí, do refrão do meio até o fim, nós fomos em videochamada”, destacou.
O famoso aplicativo de mensagens instantâneas também se fez presente na vitória: “Nós usamos o WhatsApp para isso, e o grand finale, aos 45 do segundo tempo, a gente releu a sinopse e ficou marcado o lance de ‘Aquarela Brasileira ‘como o segundo hino nacional. A gente trouxe esse final pensando nisso, para coroar e fechar esse samba fechar daquele jeito, fechar lá em cima para chegar no refrão com tudo”, destacou.
O mesmo aplicativo foi citado por Dennis Patolino, outro compositor campeão: “Primeiro, a gente tentou se encontrar. Pintaram algumas ideias, e outras partes vieram mais com a ajuda da tecnologia – sobretudo os grupos no WhatsApp. Mas o mais importante foi o movimento do universo, que fez com que tudo se encaixasse perfeitamente. Quando a gente veio entregar o samba aqui, antes da disputa, nós já estávamos felizes com a obra que a gente fez. Isso já foi um grande aditivo para a gente conseguir fazer o trabalho, estar feliz com a obra. O resultado veio agora, mas a felicidade é mais antiga”, declarou.
Dennis, por sinal, insistiu no quanto a inspiração para a criação do samba foi especial: “A gente pensou em um monte de coisa, só que o samba foi se apresentando para a gente. Fomos vendo o que ia encaixando e o que era bacana, fomos ajustando e a gente só foi colocando as coisas no lugar. Por isso que deu certo a parada”, comemorou.
Ancestralidade em alta
Os campeões, de maneira indiscutível, já têm certa tradição na Filial do Samba: “Teve tudo que o samba nos proporcionou e teve um encontro com esse cara aqui, que é neto do Jamelão, na única escola em São Paulo que o Jamelão cantou. O samba fez com que a gente se encontrasse, e fazia muito sentido fazer um samba no Peruche, numa escola que tem uma ancestralidade especial. O Vitor já é campeão em outras escolas, eu também já sou campeão aqui no Peruche – já tenho três sambas aqui na casa. Todo esse movimento bacana do universo, já que a gente foi recebendo as paradas psicografada, conspiraram pra essa vitória. A união com esse cara que veio para somar, ser o nosso canário, ajudar na composição e colocar a cerejinha do bolo que já estava acontecendo de uma forma bonita”, comentou.
Dennis foi campeão nas eliminatórias do Peruche em 2013 (“O povo da floresta está em festa. A tribo da Peruche vai passar”) e 2014 (“A beleza é imperfeita e a loucura é genial”), e o avô do outro nome citado foi o intérprete perucheano em 1988 (ao lado de Eliana de Lima), 1989, 1994 e 1998.
O avô da lenda
Tomaz José dos Santos guarda a ancestralidade no último nome próprio: da segunda geração na árvore genealógica de José Bispo Clementino dos Santos, Jamelão Netto é outro dos compositores da obra campeã no Peruche. Ele próprio, que além de escrever foi o intérprete da obra na eliminatória perucheana, destacou a força que nomes que não costumam aparecer na lista de vencedores em escolas de samba com frequência possuem: “Quando a gente junta ancestralidade com sabedoria e pessoas campeãs do carnaval de São Paulo, é isso que acontece. Assim como o Peruche, está tentando voltar para o carnaval, tem muitos compositores que não tinham oportunidade de chegar e ser finalista. Essa competição escolheu um samba que encaixa com as premissas da escola – e eu aproveito para parabenizar o presidente Zóio e toda a diretoria da escola”, apontou.
Mesmo vindo do Rio de Janeiro, Jamelão Netto já possui o verde, amarelo e azul no coração – e já vislumbra o futuro ao lado da Filial do Samba: “A gente veio, mas não veio de passagem: veio para ficar. A gente veio para construir um trabalho para levar o Peruche de volta para o lugar merecido dela, que é o Grupo Especial. Sei o trabalho árduo, a gente vai sentar com o presidente, fazer algumas parcerias, trazer gente para a quadra. Não adianta só o samba ser gravado, ser campeã e colocar dentro da gaveta. É isso que essa parceria quer: ninguém está aqui pelo dia de hoje, estamos aqui para ajudar a escola e para colocar cada vez mais o Peruche de volta ao maior lugar do palco que é o carnaval da cidade de São Paulo”, comentou.
O compositor não deixou de elogiar os demais parceiros na obra campeã: “O Peruche é ancestralidade, garra, resistência. Quando a gente uniu forças para pensar na estratégia de como apresentar isso, veio um samba totalmente psicografada. Refrãos e primeiras partes foram todas encaixadas. O Vitor é um craque da Harmonia, o Patolino é um craque da letra, eu e o Párcio também fomos encaixando algumas coisas”, apontou.
Como não poderia deixar de ser, Jamelão Netto também citou o histórico parente: “Meu avô foi hors concours nesse lugar de colocar a ajeitar os sambas para a avenida. Se eu fizer um terço do que ele fez, eu sou o sucessor do legado. Ele passa o bastão para mim e eu venho no Peruche de coração, a convite do Patolino e do Victor para a gente criar uma nova história”, prometeu.
Preferências
Perguntados sobre o trecho favorito da canção que eles próprios criaram, os compositores mostraram um pensamento semelhante. Victor 7 foi sucinto: “Minha parte favorita é o ‘fecha’ do samba, o ‘quando o repicar dos tamborins anunciar que a Filial em aquarela vai passar, é um pouquinho de Brasil iaiá’. É o fecho do samba”, pontuou.
Jamelão Netto concordou, mas foi além: “Uma melodia maravilhosa essa preparação para o refrão, melodia de sambas campeões do carnaval do Brasil. Depois disso, a gente explode. Tem o primeiro refrão de cima, com a capoeira para dar um molho no samba, isso tudo foi pensado para tirar a composição engessada da monotonia reta. Nós vamos brincar, vamos botar um molho, trazer a brincadeira para o Carnaval. Esse samba vai acontecer na avenida. Não é à toa que a Harmonia escolheu esse samba. Vamos para cima! No carnaval de 2026, vamos tirar o Peruche desse lugar e voltar para onde ela merece”, explicou.
Irreverente, Dennis escolheu outro ponto: “A minha parte favorita no samba depende do dia! Mas, hoje, é ‘o caldeirão vai ferver, minha Peruche chegou, são 70 anos de amor’”, cantou.
Obras elogiadas
Foram três finalistas na quadra perucheana, na Zona Norte de São Paulo. O Samba 7, vencedor, foi o último deles. O primeiro a se apresentar foi o 56 (com torcida maciça no local), seguido pelo 13.
Todas as canções, entretanto, ganharam menção dos entrevistados pela reportagem. Alessandro Lopes, popularmente conhecido como Zóio, trouxe uma versão mais macro da eliminatória como um todo: “Ficamos bastante felizes com as eliminatórias. Chegaram 13 obras para nós, foi uma boa surpresa – até pelo pouco tempo que nós tivemos após o lançamento do enredo para a entrega dos sambas, nesse ano nós tivemos um tempo mais curto. E, das 13 obras, ficamos felizes com a qualidade de tudo que chegou: chegaram pelo menos uns seis sambas com condições de estar na final. Tivemos que escolher três, e o que se consagrou campeão eu tenho certeza que vai representar bem a nossa Filial do Samba no carnaval tão especial de 70 anos”, comemorou.
Dois nomes experientíssimos no carnaval paulistano e novatos na Unidos do Peruche também gostaram do que ouvira. Agnaldo Amaral, histórico intérprete do carnaval de São Paulo, foi um deles: “Tinham treze sambas concorrentes, mas esses três sambas que ficaram são os que chegaram mais perto da proposta do carnavalesco – e o vencedor, obviamente, está ainda mais perto do que o Chico quer. A gente realmente queria sentir a pulsação aqui na quadra junto com a bateria e estamos felizes com o que vimos. Vai dar bom, estamos contentes com o que vimos. Qualquer um dos três que desse a gente faria um trabalho legal, e com o vencedor não vai ser diferente. Vamos ver se a gente consegue levar a Unidos do Peruche para o grupo de cima. Ou melhor: conseguir não, nós vamos levar o Peruche para os grupos de cima – até chegar no Especial. Com as bênçãos do papai”.
Chico Spinosa, também começando trajetória na Filial do Samba, gostou da diversidade que encontrou entre os poetas perucheanos: “Eu fiquei bem surpreso com a Unidos do Peruche. Gostei muito do que eu encontrei em relação aos compositores. A gente encontrou compositores mais raiz, outros mais modernos… vários deles são muito talentosos e vão fazer carreira, não tenho dúvida. Eu estou muito contente com o resultado. Nós tínhamos três grandes sambas para este carnaval – e é claro que o vencedor é um deles. É um carnaval que eu quero uma brincadeira em cima do pandeiro, acho muito importante destacar isso. E queremos que o público goste, que a escola vá junto. Eu estou chegando na escola, mas eu sou pé quente. Cheguei com sambas interessantes”, destacou.
Desde a tarde
Como tradicionalmente acontece em escolas, a final de samba enredo foi a cereja do bolo de um dia repleto de atividades. Na Zona Norte paulistana, os trabalhos foram abertos com o Pagode da Bateria. O Grupo Filial do Samba, com históricos nomes da escola, também se apresentou.
Após o esquenta da Rolo Compressor, bateria da agremiação comandada por mestre Azeitona, os segmentos também tiveram vez: apresentaram-se os casais de mestre-sala e porta-bandeira, a comissão de frente, a Ala das Baianas e a Velha Guarda.
Um dos momentos mais emocionantes da noite, entretanto, foi uma série de coroações. Não apenas para a corte da bateria, mas de toda a escola. Tatá Soares, nova rainha da Rolo Compressor, estava nitidamente emocionada – e, em mais de um momento, seja no palco ou no chão da quadra, foi vista às lágrimas. Na corte da Rolo Compressor, também estão a rainha juvenil Dandara Natália, a imperatriz Carmen Reis, a madrinha Cristiane Miyazaki e o Passista de Ouro Emerson Fernandes. Não foram só elas, entretanto, que receberam distinções: Paulinha Rodrigues é a madrinha da Ala Musical e Lena Ishii é a musa da escola.
A Mocidade Independente de Padre Miguel realizou, no último domingo, mais uma etapa de sua disputa de samba-enredo para o Carnaval 2026. Seis obras se apresentaram, todas sob o comando do intérprete oficial da escola, Igor Vianna, o que resultou em um maior equilíbrio entre as apresentações. Apesar da força já demonstrada desde o início pela parceria de Jeffinho Rodrigues, outros dois sambas alcançaram desempenho próximo. A parceria eliminada foi a de Zélia Duncan, enquanto as demais seguem para a semifinal. Confira abaixo a análise do CARNAVALESCO sobre o desempenho de cada samba classificado.
Parceria de Jeffinho Rodrigues: O samba de Jeffinho Rodrigues, Diego Nicolau, Xande de Pilares, Marquinho Índio, Richard Valença, Orlando Ambrósio, Renan Diniz, Lauro Silva, Cleiton Roberto e Cabeça do Ajax abriu a disputa confirmando suas credenciais. Foi uma apresentação quente, de muita força, com a adesão de segmentos da escola. O refrão de cabeça “Mocidade êêê…” está na boca da quadra, mas é o refrão central que se destaca pela construção melódica e impulsiona o rendimento da obra: “sou independente, fácil de amar, livre de qualquer censura, vem, baila comigo, só de te olhar, posso imaginar loucuras”. Três passadas com desempenho consistente e em alto nível.
Parceria de Paulinho Mocidade: O samba de Paulinho Mocidade, Sandra Sá, Gabriel Teixeira, Lico Monteiro, Gabriel Simões, Rodrigo Feiju, Tamyres Alves, Christiane e Trivella obteve ótimo rendimento em suas três passadas. A primeira parte apresenta uma linha melódica interessante, com versos como “da liberdade imaculada, identidade escandalizada”. O refrão de cabeça “eu não sou puta, nem sou freira, Santa profana, a padroeira, desculpe o auê, ardente o querer, agora só falta você” foi cantado com força por boa parte da quadra. Outra apresentação de destaque.
Parceria de Santana: A obra de Santana, Paulo Senna Poeta, Valdeci Moreno, Carlos Augusto, Gustavinho Souza, Edvaldo Lucas e Everaldo Silva apresenta uma sonoridade mais dolente, com narrativa bem amarrada. Os dois refrães não são explosivos, mas o de cabeça é bonito e eficiente: “eu sou a massa luz, o movimento, chama viva que reluz no firmamento, sou Rita Lee padroeira e liberdade, estrela guia inspiração da Mocidade”. Um samba melodioso que teve excelente apresentação.
Parceria de Franco Cava: O samba de Franco Cava, André Baiacu, J. Giovanni, Gulle, Almir, Flavinho Avellar, Renato Duarte e Fabinho contou com os compositores fazendo performances à frente do palco. A obra é alegre, com letra e melodia de fácil canto, especialmente no refrão de cabeça: “que tal nós dois na banheira de espuma, lança, lança, perfume no Carnaval, independente tem corpo caliente, o importante é gozar no final”. Apesar de correto, o desempenho ficou abaixo dos sambas anteriores.
Parceria de Paulo César Feital: A composição de Paulo César Feital, Dudu Nobre, Claudio Russo, Alex Saraiça, Denilson do Rozário, Carlinhos da Chácara, Julio Alves, Marcelo Casa Nossa, Anderson Lemos e Leo Peres mostrou qualidade desde a primeira parte, com versos inspirados como “é som obsceno que beira a loucura, um tanto divino, metade animal, num frasco pequeno: veneno e doçura, beber bossa nova é viver carnaval”. A melodia é bem construída, com boas variações. O refrão de cabeça “canta Mocidade, a voz feminina, por toda menina da Vila Vintém, na luta pela liberdade, independente não teme ninguém” é criativo e funcional na quadra. Um desempenho de respeito da obra.
A feijoada da Imperatriz Leopoldinense, realizada no último sábado reservou um outro grande momento para o público presente. Além da semifinal de samba-enredo, a Rainha de Ramos promoveu a grande final do concurso de intérprete oficial de sua escola mirim. A “Crias da Imperatriz”, que fará sua estreia na Marquês de Sapucaí em 2026, terá uma dupla de intérpretes oficiais: os jovens David Lucas e Anna Carolina Ramos foram os escolhidos e serão as vozes do desfile que celebrará o legado da carnavalesca Rosa Magalhães. A escola reeditará o enredo “Uma Delirante Confusão Fabulística”, de 2005, que entrou para história da verde, branco e dourado.
“Foram meses de concurso, onde vários talentos se apresentaram. Tivemos uma competição, mas principalmente um momento de celebração, onde falamos de sonhos e de crianças que amam o Carnaval e representam o futuro dessa que é a maior manifestação cultural do nosso país. Vai ser um desfile lindo e todas as nossas ‘crias’ vão estar conosco”, afirmou a presidente da escola mirim, Rafaela Theodoro.
Além de David Lucas e Anna Carolina, o carro de som da Crias da Imperatriz será composto por Ayrton, Yuner, Kaylane e Gabriel, que também participaram do concurso e tiveram o apoio do Diretor Musical Pedro Miguel.
Os presidentes de Honra da escola, Cátia e João Drumond, festejaram o momento especial:
“A idealização da ‘Crias’, sem dúvidas, é um dos momentos mais bonitos da nossa gestão. É um braço fundamental do nosso Instituto, que promove oportunidade, dignidade e qualidade de vida a tantas crianças do Complexo do Alemão e de outras comunidades da região. Estamos ansiosos para ver tantos sorrisos na Marquês de Sapucaí”, concluiu João.
No ano que vem, a ‘Crias da Imperatriz’ desfilará na sexta-feira de Carnaval, após os desfiles das escolas do Grupo Especial. Além de Rafaela Theodoro, Mestre Lolo é o vice-presidente e Leandro Vieira, o responsável pela criação do desfile das crianças.