A São Clemente tem mais uma grande aposta rumo ao nono Carnaval consecutivo no Grupo Especial: a contratação da cantora Larissa Luz. Protagonista no espetáculo musical Elza, a cantora chega para integrar o time de canto da São Clemente ao lado de Leozinho Nunes e Bruno Ribas, também contratado pela agremiação para o Carnaval 2019, quando terá a reedição de “E o samba sambou”.
Foto: Diego Mendes
“A São Clemente vê esse Carnaval como uma grande sacada, uma grande aposta. E isso se dá muito tanto pela força desse enredo, pela importância dele, assim como o envolvimento que cada componente tem mostrado com a escola. A chegada da Larissa é mais um presente. Ela é uma cantora espetacular, de um talento indiscutível e que encantou nossa escola desde o primeiro contato. É a cereja do bolo para esse Carnaval, é mais um diferencial”, comentou o presidente.
Estrela no teatro com o musical que tem arrebatado os palcos, Larissa também integrou a banda Ara Ketu entre 2007 e 2012, quando o antigo vocalista, Tatau, voltou a fazer parte do grupo. A cantora foi indicada ao Grammy Latino de 2016 na categoria de Melhor Álbum Pop Contemporâneo em Língua Portuguesa com “Território Conquistado”.
Em 2019, a São Clemente será a primeira escola a desfilar na segunda-feira de Carnaval, dia 04 de março.
Por Guilherme Ayupp e Geissa Evaristo. Fotos: Allan Duffes
A tradicional Estácio de Sá foi a última agremiação da Série A a escolher o seu samba para o Carnaval 2019. A grande festa que definiu o hino oficial da agremiação para o próximo desfile aconteceu na madrugada deste domingo na quadra da escola, na Avenida Salvador de Sá. A parceria dos compositores Alexandre Naval, Edson Marinho, Tinga, Jorge Xavier, Luiz Sapatinho, Cláudio e Álvaro Roberto triunfou, superando outras três concorrentes. A Estácio apresenta em 2019 o enredo ‘A fé que emerge das águas’ de desenvolvimento do carnavalesco Tarcísio Zanon. O leão será a terceira escola a desfilar no sábado de carnaval, pela Série A.
Presidente da Aesm-Rio (a liga das escolas mirins) e figura notória na Estácio de Sá, o compositor Edson Marinho triunfa pela quarta vez na agremiação. Ele se uniu a Alexandre Naval, que foi um dos vencedores na disputa para o carnaval passado. O intérprete Tinga, Jorge Xavier e Luiz Sapatinho são tricampeões na Estácio de Sá.
“A disputa esse ano foi muito forte. Qualquer um dos quatro sambas que fosse para a Avenida, a Estácio estaria muito bem representada, foi muito difícil esse campeonato. Acredito que os refrões tenham sido o nosso diferencial. O samba toca o coração das pessoas, como uma oração. Minha parte favorita é ” A fé que me embala, a alma…”, disse Edson Marinho.
A obra foi defendida na quadra pelo intérprete da Vila Isabel e também compositor do samba, Tinga. Os compositores apostaram em uma grande festa com bandeiras nas cores da agremiação e muita coreografia. Bolas coloridas e até um pequeno tripé foi visto na apresentação. De melodia valente, porém mais cadenciada, o samba teve bom início com destaque para seus refrões fortes. O samba casou muito bem com a bateria Medalha de Ouro, com alguns ritmistas cantando bastante a composição durante os 30 minutos de passagem na quadra. Nas duas passadas sem bateria, entretanto, a torcida teve dificuldades no canto da primeira parte do samba, o que melhorou consideravelmente após o refrão do meio.
“Estou muito feliz pela Estácio. O samba é maravilhoso. É indescritível. A Estácio subiu para o Especial com um samba meu, espero que esse ano a gente tenha a mesma sorte. Nossa parceria é antiga, só juntamos alguns amigos. O forte do nosso samba na minha opinião é o refrão do meio”, diz Tinga, que em 2019 também terá outro samba de sua autoria cantado na Série A, no Império da Tijuca.
Enredo foi trazido pela rainha da escola
A rainha da Estácio de Sá, Jessica Maia, não se limitará a brilhar à frente da escola no Carnaval 2019. É que a beldade sugeriu o enredo da agremiação para o desfile do ano que vem. Quem confidenciou foi o presidente da Estácio, Leziário Nascimento. Ele ainda garantiu ao CARNAVALESCO que o leão vai brigar pelo campeonato da Série A.
“Nosso enredo foi trazido pela nossa rainha Jessica. Eu gostei muito da proposta e decidi fazer. A Estácio não terá nenhum tipo de patrocínio vindo do governo do Panamá. Faremos nosso carnaval na raça, somente com a subvenção que receberemos. Sei que nossa obrigação é sempre lutar pelo título do carnaval e não será diferente em 2019. Não sei se falta algo para alcançarmos esse objetivo, sinceramente. A Estácio tem feito carnavais competitivos. Só uma pode ganhar não é?”, desafiou.
Jéssica, que dá expediente diariamente na quadra, contou à nossa reportagem como teve a ideia de sugerir o enredo para o presidente Leziário.
“Acho que sou a primeira rainha de bateria da história do carnaval a propor um enredo e o presidente fazer né? Eu gosto de participar dos processos da escola, não sou de ficar só na parte da sensualidade e beleza da rainha não. É claro que é importante mas se tiver espaço gostaria de opinar também. O enredo eu sugeri pois foi uma situação que pude viver e achei que se encaixaria perfeitamente”, confidenciou.
Responsável pelo desfile da Estácio, o carnavalesco Tarcísio Zanon confidenciou que no início não gostou do enredo, mas que se enganou e citou o Panamá como um lugar antagônico.
“Quando recebi a proposta do enredo confesso que torci o nariz, pois considerava um enredo CEP, engano meu. A primeira preocupação foi achar um elo histórico ou cultural que pudesse nos dar as soluções que precisássemos para contar essa história e, assim descobri o Cristo Negro, o Nazareno. Automaticamente fiz uma associação com Nossa Senhora Aparecida que também é negra e emergiu das águas. Ele quem nos conduzirá a uma emocionante jornada de fé, devoção e amor no Sambódromo. Quando estive no Panamá o enredo já estava desenvolvido e me impressionei porque não precisei mudar nada, era como se eu já tivesse estado lá antes. Panamá é um lugar antagônico. É um enredo premiado por águas, acredito que estejamos abençoados”, diz Tarcísio Zanon.
A quadra do velho Estácio viveu uma gloriosa noite. Absolutamente lotada por sambistas e personalidades do carnaval, a vermelha e branca demonstrou toda a sua musculatura de escola de samba que está de passagem no Acesso do carnaval carioca. Uma apresentação de segmentos imponente embalada pela segurança de Serginho do Porto com a seleta safra de obras que marcam a história do Berço do Samba. O conjunto de ritmistas da própria bateria Medalha de Ouro iniciou a noite com clássicos do samba e do pagode. Em seguida começou o show com os segmentos. Como é tradicional em escolhas de samba na quadra da Estácio, foi uma verdadeira maratona de samba. Desde as 22h o público chegou em excelente número. A escola atendeu o anseio da comunidade e escolheu o samba que verdadeiramente pegou o coração dos estacianos.
“O ano de 2018 foi o ano do reencontro, do retorno. Minha vida tomou um novo caminho e eu fui feliz com a Estácio de Sá, a palavra daqui é união. A expectativa para o Carnaval 2019 é muito maior. Pela primeira vez a Estácio tem uma final com todos os sambas finalistas de qualidade. Tenho 12 anos de microfone oficial daqui e nunca havia presenciado isso. Se Deus quiser hoje será escolhido um excelente hino para a Estácio tentar o campeonato para o Grupo Especial no próximo carnaval”, comentou o intérprete Serginho do Porto.
De volta, Chuvisco vai mexer no andamento da bateria
Depois de um ano à frente da bateria da Vila Isabel, Chuvisco regressou à Estácio para o desfile de 2019. Revelado no Morro de São Carlos, o comandante destaca como válida a experiência, mas confessa que em uma próxima proposta para deixar a sua escola de coração, pretende pensar mais e não agir por impulso.
“Como diz o velho ditado, tive a felicidade de voltar para casa, estou muito feliz. Passei a minha vida inteira aqui na Estácio. A ida para a Vila Isabel foi válida como experiência. Tudo acontece de acordo com a vontade de Deus. Chegou o momento de eu respirar outros ares e sair um pouco da zona de conforto. Hoje se tiver que acontecer novamente irei pensar mais”, avalia.
Chuvisco ressalta que pretende rever o andamento da bateria da Estácio. Por característica histórica, a Medalha de Ouro possui um andamento mais à frente. Segundo o mestre, a tendência é que ano que vem a escola opte por algo um pouco mais cadenciado.
“Em 2019 vamos passar com 280 ritmistas. Nossa bateria é de massa, de comunidade. Nosso andamento é historicamente na frente. Tenho escutado muitas coisas até de jurados, acredito que nosso andamento terá de ser um pouco mais cauteloso ano que vem, mas vamos decidir ainda”, afirmou.
Perfeitamente entrosados, o casal de mestre-sala e porta-bandeira, José Roberto e Alcione, já está ensaiando pensando no desfile do ano que vem.
“Já estamos ensaiando há dois meses com as modificações que entendemos necessárias na dança a partir da nossa avaliação das justificativas dos jurados. Com a escolha do samba colocaremos mais em prática. Já vimos o nosso figurino, que é claro, é surpresa. Só podemos adiantar que viremos novamente à frente da escola”, citou Alcione.
O mestre-sala aproveitou para falar que a dupla trabalha em cima das justificativas dos jurados no desfile desse ano.
“Avaliamos as justificativas do Carnaval 2018 onde o jurado visualizou um excesso de velocidade e chegamos a conclusão de que nossa coreografia estava realmente um pouco acelerada. Não tivemos a nota máxima do primeiro ano juntos, mas estamos trabalhando em busca dela. Faremos uma coreografia mais pausada. O auxilio da Ariadna Lax, coreografa da comissão de frente e nossa também tem sido fundamental. Nossa mentalidade para 2019 mudou. Sigo praticando musculação e agora box, balé e contemporânea, tudo isso para dar movimento e leveza no corpo”.
Como foram apresentações dos outros sambas finalistas
Parceria de Wilsinho Paz – O samba foi defendido na quadra pelo intérprete da Alegria da Zona Sul, Igor Vianna. O desafio não era simples, pois o samba se apresentou depois do rolo compressor que foi a passagem da parceria de Alexandre Naval. Mesmo assim a torcida iniciou a apresentação com força no canto. A sequência da passagem do samba foi de um bom canto mas sem cativar segmentos e o restante da quadra.
Parceria de Daniel Gonzaga – Último samba a se apresentar a parceria não teve a presença de Diego Nicolau, um dos intérpretes da obra, pois o mesmo estava na semifinal de samba-enredo da Mocidade, onde também concorre. Parceiro de Nicolau no palco, Tem-Tem Jr. comandou a apresentação. A parceria acabou um pouco prejudicada por ter sido a última a se apresentar e pegou uma quadra mais cansada. Foi com isso a torcida que menos cantou, o que interferiu decisivamente na temperatura da quadra ao longo da passagem do samba.
Parceria de Jacy Inspiração – O samba foi defendido pelo intérprete oficial da Imperatriz Leopoldinense, Arthur Franco. A parceria apostou em uma numerosa torcida que cantou bastante o samba no início da apresentação. O samba apostou em uma melodia mais alegre e foi bem sucedida em sua proposta pois o samba conseguiu contagiar a torcida em seus refrões.
BENDITO SEJA SOU O FRUTO DO SENHOR
SANTIFICADO NAZARENO DO AMOR
OH PAI, OH VIRGEM MARIA
ABENÇOAI SEU PEREGRINO EM ROMARIA
DE JOELHOS NO ALTAR TE OFERTO
MEU PODEROSO LHE PEÇO GRAÇA DIVINA EM COMUNHÃO
PROCURO ESTAR EM SUA COMPANHIA
PRA CURAR MINHAS FERIDAS
CONFORTAR MEU CORAÇÃO
DO FOGO RESPLANDECE AVE SAGRADA
NEGRÓN DE TANTAS MORADAS
UM FIEL EM DEVOÇÃO
SENHOR, SENHOR É DIVINO O SEU PLANO
O CANAL DE AMOR PRA UNIR DOIS OCEANOS
UM PANAMENHO ESTACIANO FILHO SEU
A IMAGEM E SEMELHANÇA SOU EU
PAI NOSSO DA NEGRA TEZ
SAGRADO REI DOS REIS
OBATALÁ REGE O PALENQUE EM PROCISSÃO
DEVOTOS CLAMAM EM ORAÇÃO
PRA VITÓRIA CONQUISTAR
AMÉM, JESUS A TERRA VAI VOLTAR
E LEVAR A MINHA ESTÁCIO DE SÁ
SUA GLORIA ALCANÇAR
A FÉ QUE EMBALA A ALMA
EMERGE DAS ÁGUAS TRAZENDO ESPERANÇA
O CRISTO NEGRO PROTETOR DA CRUZ
SALVADOR DA HUMANIDADE CAMINHO DE LUZ
Compositores: Samir Trindade, Junior Fionda e Elson Ramires
Intérprete: Roninho
Dama, meu motivo de rara beleza
Acalanto a sua alteza
A estrela que brilha por nós
Oh, pérola negra!
Joia que emana a paz
Lapidada nas Minas Gerais
Seu destino: encantar corações
Canoas, um cortejo de saudade
A doce lembrança que ficou pra trás
No Rio, lindo mar de esperança
Refletindo a infância, acende os ideais
Talento é dom pra vencer
Preconceito não pôde calar
Foi preciso acreditar
Menina mostra a força da mulher
O negro pode ser o que quiser
Resplandeceu da humildade a sua glória
A emoção, pioneira no Municipal
E aprendeu, viveu a arte em sua história
Inspiração, no palco do meu carnaval
Divina musa, no esplendor se fez atriz
Um sorriso de uma raça não apaga a cicatriz
Voa, senhora mãe da liberdade
Em seu papel, a igualdade
De quem sentiu na pele a dor
Brilham Marias, Carolinas de Jesus
Você foi a resistência
E a resistência hoje é Santa Cruz
Ê Odara… ê, Odara… ê Odara…
Ê, oh, Sinhá Moça
Ê, Odara… ê, o samba
A reverenciar Ruth de Souza
A Santa Cruz apresentou na tarde de sábado, em sua quadra de ensaios, na Zona Oeste, o samba-enredo encomendado aos compositores Samir Trindade, Júnior Fionda e Elson Ramires para o Carnaval 2019, quando terá o enredo “Ruth de Souza, senhora liberdade abre as asas sob nós”, desenvolvido pelo carnavalesco Cahe Rodrigues. Em entrevista ao site CARNAVALESCO, o presidente Zezo explicou a opção pelo samba sem disputa. Ele ressaltou ser contra a encomenda, contudo, pelo tempo curto entre a apresentação do enredo e a gravação, a escola teve que recorrer a esta estratégia.
“Sou favorável a manter a ala de compositores. Mas, devido a demora a respeito da liberação ou não da Lei Rouanet, acabamos optando por esse caminho”, explicou.
Zezo se mostrou muito feliz com o retorno de Cahe Rodrigues e elogiou o enredo de 2019. “É um carnavalesco de ponta e que está voltando para casa. Já era uma intenção nossa fazer essa homenagem para Ruth de Souza”.
Sobre a subvenção da Prefeitura do Rio para Série A e a solução para os barracões, o presidente da Santa Cruz não esconde sua insatisfação com o momento.
“Sobre os barracões, muitas pessoas colocam a culpa no prefeito Crivella. Não é culpa só dele. Isso já é coisa antiga. Desde a revitalização do Porto. Todas as escolas vão perder seus barracões. Eu acho uma vergonha as alegorias da Alegria da Zona Sul estarem jogadas num terreno na Avenida Brasil. O carnaval voltou ao patamar da década de 90 em relação a estrutura da Série A. Retroagimos. É um absurdo diminuir em 50% o valor para as escolas e estarmos abandonados pelo poder público”, afirmou Zezo.
Para o compositor Samir Trindade, foi uma grata surpresa poder fazer o samba que homenageará Ruth de Souza.
“Eu não poderia negar o convite por ser uma mulher negra e uma atriz fantástica. Fizemos o samba em duas reuniões. A obra é emocionante. Será um dos melhores sambas do Acesso”, disse.
Responsável pelo desfile da Santa Cruz 2019, o carnavalesco Cahe Rodrigues está contente com a homenagem para Ruth de Souza.
“Já era uma vontade minha fazer uma homenagem a Dona Ruth desde “Axé Nkenda” (Imperatriz 2015). O enredo será dividido em 4 setores. O ponto de partida será o teatro. Passará pelos 97 anos da atriz e terá duas vertentes, o pioneirismo. Pelo fato de ser a primeira mulher negra pisar no palco do Theatro Municipal e protagonizar uma novela. A outra vertente é a luta de Ruth pelo espaço dos artistas negros na dramaturgia. Sempre lutou pelo registro do artista negro. Ela é um espelho para muita gente.”, contou o artista, que já está terminando a fase de desenho e na semana que vem começa os protótipos das fantasias.
Cahê também revelou que teve participação na construção do samba encomendado para o Carnaval de 2019.
“Não houve disputa pelo tempo. Tive que sentar com os compositores para explicar o enredo. O resultado é um samba lindo e verdadeiro”.
Mosquito e Roberta Freitas voltam a formar o par de mestre-sala e porta-bandeira da Santa Cruz. Em entrevista ao CARNAVALESCO, a dupla ressalta o entrosamento como ponto forte.
“Nos conhecemos não só pelo olhar, mas pelo cheiro. Somos irmãos de alma. Já começamos e vamos adequar a dança de acordo com samba”, disse a porta-bandeira.
Sem a presença de Quinho no carro de som em 2019, Roninho comandará sozinho o canto da Santa Cruz. Porém, o presidente Zezo não afasta a possibilidade de reforçar seu time de cantores.
“Não tenho vaidade de microfone principal. É sempre bom agregar experiência no carro de som. Temos uma bela obra para o carnaval do ano que vem”, disse Roninho.
Mestre Riquinho destacou ter ficado contente com o desempenho da bateria no carnaval de 2018 e avisou que não irá fazer mudanças drásticas para 2019.
“Serão 220 a 225 componentes. A bateria irá desfilar com andamento de o máximo 144 BPM (batidas por minuto). O desempenho em 2018 foi além do esperado”, comentou o comandante da bateria.
A Alegria da Zona Sul realizou sua final para a escolha de seu samba-enredo para o próximo carnaval esta madrugada em sua nova quadra, no Catumbi. Venceu o concurso a parceria formada pelos compositores Márcio André, Neizinho do Cavaco, Lopita 77, Ribeirinho, Elson Ramires, Beto Rocha, Telmo Augusto, Fábio Xavier, China, Girão e Samir Trindade. A Alegria desfilará em 2019 com o enredo ‘Saravá Umbanda’, de autoria do carnavalesco Marco Antonio Falleiros. A vermelha e branca do Pavão, Pavãozinho e Cantagalo será a segunda a desfilar na sexta-feira de carnaval pela Série A.
A parceria, embora formada por compositores acostumados a vencerem em outras agremiações, possui apenas três integrantes já campeões na Alegria. Samir Trindade, Girão e Telmo Augusto eram do time que fez o samba da escola em 2018, onde houve uma encomenda. Augusto assinou ainda o samba de 2014, ano de estreia da Alegria na Série A.
Márcio André, campeão em várias escolas, iniciou sua trajetória na União da Ilha, onde chegou a ocupar o posto de diretor de carnaval. Hoje com esta função na Cubango falou à reportagem do CARNAVALESCO sobre mais uma vitória em disputa de samba-enredo.
“A escolha foi justa pois o nosso samba em primeiro lugar cobria completamente a sinopse apresentada pelo carnavalesco. Acredito que o nosso refrão seja o grande destaque dessa obra, pois é forte, gruda na cabeça do componente. Tem a melodia forte e aguerrida”, comemora.
O samba foi defendido na quadra pelo intérprete da Inocentes de Belford Roxo, Nino do Milênio. Os torcedores abrilhantaram a apresentação com bandeiras em vermelho e branco e muitas bolas coloridas. Um grupo teatralizado representou símbolos da Umbanda, com direito a criança e brinquedos significando os Ibejis. De andamento mais à frente o samba teve dificuldades em cativar a quadra. Cabe ressaltar que o formato de apresentações foi diferente ao habitual em finais de samba. Cada parceria fez duas rodadas de passagem. A primeira, em apenas três passadas, antes do show dos segmentos. A segunda com 20 minutos para cada obra.
Sonho da quadra realizado. Barracão permanece um pesadelo
A Alegria da Zona Sul conseguiu finalmente realizar o seu sonho de contar com uma quadra estruturada para a realização de seus eventos. Há mais de um ano em obras o espaço, localizado na rua Frei Caneca, bem ao lado da Praça da Apoteose, foi reaberto para a grande final de samba-enredo. Se por um lado um antigo sonho foi realizado, um pesadelo passa a atormentar a agremiação na construção do desfile de 2019. A escola perdeu seu barracão e não tem onde realizar a confecção de suas alegorias e fantasias.
“Uma escola sem uma quadra não briga por nada. Hoje temos a nossa e podemos sonhar com algo melhor”, destacou o presidente Marquinhos Almeida.
Marquinhos falou à reportagem do CARNAVALESCO sobre a questão do barracão e depositou confiança no presidente da Lierj, Renato Thor. Segundo o presidente, a escola sonha com o pelotão da frente.
“O presidente Thor está lutando por nós e tenho certeza que vamos encontrar uma solução. Eu brinco com ele que depois do vice do Tuiuti no Especial, também sonho com um grande carnaval da Alegria na Série A”, afirmou.
Carnavalesco se preocupa com indefinição do barracão
Em entrevista concedida ao CARNAVALESCO, Marco Antônio Falleiros destacou que não se surpreendeu com a boa colocação obtida em 2018, a terceira melhor de toda a história da Alegria, mas revelou certa preocupação com a questão do barracão.
“Eu não me surpreendi com nosso carnaval. Eu sempre fiz desfile debaixo de muitas dificuldades. Considerei injustas nossas colocações em 2016 e 2017. A Alegria vem para tentar ficar entre as seis primeiras colocadas. Mas essa questão do barracão me deixa bastante preocupado, pois até o presente momento o que temos é que estamos sem um barracão, apesar de termos conquistado a nossa quadra”, desabafa.
Falleiros explicou o enredo de 2019, novamente voltado para a valorização das religiões de matriz africana, uma marca da Alegria.
“Vamos novamente apostar em uma temática que vem dando certo. Nosso enredo vai contar a história da Umbanda através do olhar de um preto velho. A partir daí vamos trazer todos os signos representativos dessa religião, que é a mais brasileira dentre todas, certamente”, explica.
Bateria pretende reproduzir terreiro na avenida
Com aproximadamente 240 ritmistas em sua equipe de trabalho para o desfile de 2019, mestre Claudinho confidenciou à reportagem do CARNAVALESCO que a intenção da apresentação em 2019 é criar um grande terreiro na pista de desfiles, já que a agremiação falará sobre a Umbanda.
“Crescemos um pouco em relação ao número de ritmistas em 2018, pois pretendo colocar instrumentos afro, para fazer um grande terreiro. A fantasia é segredo, mas podem ter certeza que todos vão gostar. Ainda não vi o figurino pronto, mas sei o que é. Vamos justificar na avenida o porque estaremos vestidos daquela forma”, garante.
Claudinho enalteceu a qualidade da obra escolhida esta madrugada, e adiantou que a bateria irá fazer batidas afro, sempre focando no ritmo, como explica o mestre à nossa reportagem.
“A qualidade do samba é altíssima. É um enredo bastante forte. A temática afro oferece obras de boa qualidade. Tivemos uma grande dificuldade nessa escolha. Agora é trabalhar. Nossa bateria vai fazer convenções com características que remetem aos ritmos de batida afro, eu gosto muito de focar no ritmo. Teremos uma bateria ousada”, disse.
Igor Vianna comemora ‘estreia’ com temática afro
O intérprete Igor Vianna caminha para o terceiro desfile seguido à frente do carro de som da Alegria da Zona Sul. O cantor, com passagem até pelo carnaval de São Paulo, busca a consolidação de seu nome no Rio de Janeiro. O filho do lendário Ney Vianna revelou ao CARNAVALESCO que pela primeira vez cantará na avenida um samba que falará de sua religião.
“A sensação principal é de gratidão com a Alegria de poder novamente mostrar o meu trabalho. Venho crescendo a cada ano. Que Deus permita que essa caminhada seja longa. Vai ser a minha primeira vez cantando o que eu prego enquanto religião. Sou do Candomblé, mas tenho meu pezinho na Umbanda. Vou cantar o que cresci amando amar e respeitar. O que minha mãe me ensinou foi respeitar o povo de aruanda”, destaca.
Vianna conta que estudou os três sambas finalistas para poder cantá-los antes mesmo do anúncio oficial, junto das parcerias finalistas. Ele destaca a obra escolhida e conta que manteve a base de seu carro de som para o Carnaval 2019.
“Eu vejo um grande samba mais uma vez na nossa escola na avenida. Tenho um leque enorme de possibilidades para o meu trabalho. Cantei aqui com as parcerias finalistas e já tenho a melodia dominada. Eu tive duas baixas em relação a este ano, uma de voz, outra de corda, mas a base eu mantive”, afirma.
Casal tem dúvidas com relação ao figurino
O casal Diego Machado e Alessandra Chagas tem uma parceria relativamente recente no carnaval. A dupla começou a dançar em 2017 na Viradouro e vai para o segundo desfile na Alegria. A porta-bandeira relata que a fantasia ainda está sendo debatida entre eles, pois há uma dúvida e confessa que não esperava um desfile como o de 2018 na escola.
“A gente foi surpreendido com um desfile belíssimo da escola. A Alegria tem nos feito acreditar que esse crescimento se dará em conjunto da gente com eles. Dançamos juntos em 2017 e 2018. A parceria deu super certo, nos tornamos amigos. Temos ainda duas opções de fantasia que não foi escolhida. Uma é mais ousada e a outra delicada. Eu também estou na dúvida”, disfarça.
Diego Machado contou ao CARNAVALESCO que a fase de preparação até o momento se baseou na parte física e que com a escolha do samba haverá o desenho coreográfico. Segundo o dançarino, a responsabilidade aumenta com o enredo que tratará da Umbanda.
“A nossa preparação nunca se encerra, mesmo após o carnaval possuímos atividades. Agora com o samba escolhido vamos montar a coreografia e até aqui estávamos na parte física. O desfile desse ano pegou a gente mesmo de surpresa, foi algo muito produtivo para a nossa parceria. E em 2019 vamos falar de ancestralidade. Aumenta nossa responsabilidade e ansiedade”, destaca.
Como foram apresentações dos outros sambas na final
Parceria de Pixulé – O samba foi defendido pela dupla de intérpretes Pixulé e Tiganá, ambos autores da obra. Com o início das apresentações depois das 03h da madrugada, a quadra já se encontrava vazia. A parceria não levou uma torcida muito numerosa. O samba teve dificuldades em sua apresentação, sendo muito pouco cantado.
Parceria de Meiners – Na quadra o samba foi defendido pelo mister final Tinga. Mais magro devido à cirurgia de redução de estômago, o intérprete da Vila Isabel segue demonstrando sua impressionante capacidade vocal. A torcida não tinha muita gente. Os que compareceram portavam bandeiras nas cores vermelha e branca. De refrão forte, o rendimento da apresentação foi o mais consistente da noite. A melodia muito bem trabalhada possibilita um canto linear o tempo todo. O samba fez a melhor apresentação da final.
Peço licença a Deus pai e Maria
Todos os santos e guias
Ao pisar no sagrado canzuá
Vejo o braseiro, iluminar o congá
Preto Véio chegou na roda
Vem de Aruanda, Pemba de Angola
Vovô falou da força das sete linhas
Também contou de mistérios e magias
Ê cabloco curandeiro, Ê caboclo
Laroyê rei da madrugada
Prepara o abô, marabô, na encruzilhada
Roda cigana, moça formosa
É tão bonita que parece uma rosa
Vem chegando a Ibeijada
O amanhã nos olhos da criançada
Água de lavar, benzer , purificar
Marinheiro, marinheiro Iemanjá
Seguindo pelas bandas, com muita fé
Nessa quimbanda, axé
Abre caminhos, samborê, sambo ro ko
Somos irmãos, Umbanda é amor
Olha gira girô, olha gira girar
Canta pra subir, vamos saudar
Saravá, Alegria Saravá
Saravá meu povo
Saravá pai Oxalá