Por Dandara Carmo
Anielle Franco, irmã da vereadora Marielle Franco, assassinada em março deste ano, participou da final de samba-enredo da Vila Isabel para o Carnaval 2018, com a sobrinha e filha de Marielle, Luyara Santos. A escola do bairro de Noel Rosa terá o enredo “Em nome do pai, do filho e dos santos – a Vila canta a cidade de Pedro” e o carnavalesco Edson Pereira vai homenagear a vereadora.
A proposta é que a homenagem seja em uma ala que abordará o poder da mulher negra e sua representação. Em entrevista ao site CARNAVALESCO, a irmã de Marielle Franco comentou a homenagem que a irmã receberá no carnaval.
“Eles não me deram nenhum detalhe da homenagem, mas estou super curiosa pra saber. Já perguntei ao pessoal, mas ninguém quis falar nada. Sei que nós estaremos lá na avenida desfilando. É difícil falar com a minha mãe e com o meu pai sobre isso até porque eles são os mais abatidos, mas toda homenagem acalenta a gente, faz bem. A Marielle adorava carnaval, a gente gostava de ir no Cacique de Ramos e sempre que dava a gente ia para Sapucaí assistir os ensaios. Sempre tivemos vontade de desfilar, mas sempre achamos que era muito caro”, disse Anielle.
A irmã de Marielle Franco explicou que ainda dói muito a perda da vereadora, mas que Marielle Franco era uma pessoa alegre e que curtia muito o carnaval.
“A ficha não caiu ainda em alguns momentos, mas Marielle era alegria, força, nossa garra da família. Eu me lembro que no primeiro enterro que a gente teve na família, o da nossa avó, a gente chorava muito e a Marielle foi a primeira a pegar todo mundo e acolher, a brincar com todo mundo, a dar risada e a lembrar que a vida continua. A Marielle era isso, ela era alegria. Toda vez que eu falo dela eu me arrepio. Eu fui criada com ela, tenho o sangue dela, era o nosso sangue que tava ali naquele chão e eu vou honrar, seja na avenida, seja na política, seja dando aula, seja onde for. Eles tentaram calar todas as mulheres pretas, faveladas, bissexuais e pobres mas não conseguiram”, afirmou.



Para o compositor Renan Gêmeo, da parceria de Bebeto Maneiro, Ludson Areia, Jr Filhão, Raphael Richaid, Ricardo Neves e Carlinhos Viradouro, ressaltou a turma ter sido criada dentro da escola. *
“No refrão que antecede o refrão do meio, a alteração foi mínima. Ao invés de ”fiz”, colocamos a palavra ”vi” por uma questão de adequação ao enredo. Já no refrão do meio substituímos a repetição da palavra do tempo para que não ultrapassássemos aquilo que se costuma penalizar nas notas. No refrão principal só tiramos o ”te” antes do amar também por uma questão de enredo. São mudanças bem sutis, que, somadas às adequações melódicas que vamos desenvolvendo, fazem o potencial do nosso lindo crescer ainda mais”, explicou o diretor de carnaval Marquinho Marino.
A apresentação dos figurinos mostrou um Salgueiro com influências de Arlindo Rodrigues, carnavalesco consagrado e campeão pela Academia em 1963, 1965, 1969 e 1971. O carnavalesco Alex de Souza homenageia o genial artista com um setor inteiro de seu desfile, em referência ao campeonato de 1969, quando o Salgueiro falou da Bahia.
O Salgueiro terá uma única ala em sua abertura, após a cabeça da escola e o abre-alas. O primeiro setor, intitulado ‘O rei de Oió’ abusa de materiais rústicos, marcas de enredos de matriz africana. Palhas se misturam com uma coloração preto e branca nas alas que compõem o setor.
Ala 07: O cágado
Ala 19: Muito antes do Império
“A primeira coisa desse ano que achei positiva foi o número de sambas inscritos, um número superior aos últimos anos. Recebemos 18 obras. Daremos uma premiação maior esse ano. A chegada de uma nova diretoria, tanto na escola quanto na ala, fez surgir uma safra bastante interessante. As obras que estão na final são diferentes entre si”, opina Wilsinho.
“A presidente não tem mais direito de ser graças à Justiça. Hoje eu mostrei que o Salgueiro não parou. É um desabafo para quem ficou comigo durante nove anos. Ser presidente é só um título. São vocês salgueirenses que vão colocar a escola na avenida. Eu cheguei no Salgueiro por mérito. Entrei aqui pela porta da frente e vou sair, se necessário for, pela porta da frente. Seguirei sendo a pessoa que fala. E eu falo. Agora eu poderei falar”, discursou Regina, que teve no palco as presenças do vice Jô Casemiro, mestre Marcão e a rainha de bateria Viviane Araújo.