Confira abaixo as notas e justificativas dos jurados
Jairo Rozen
Beija-Flor: 9,8 (O samba da Beija-Flor peca em alguns momentos na falta de sua riqueza poética. Rimas pobres, como por exemplo AMOR com BEIJA-FLOR duas vezes no samba, comprometem tecnicamente o julgamento de um samba que tinha tudo para ser agradável)
Tuiuti: 10
Salgueiro: 10
Portela: 10
Mangueira: 10
Mocidade: 9,9 (A letra do samba da Mocidade Independente de Padre Miguel me deixa com um pouco de dúvidas se o fio condutor do enredo é o tempo ou a própria escola. A melodia é extremamente agradável)
Unidos da Tijuca: 9,8 (O samba da Unidos da Tijuca tem algumas falhas, como no trecho “As migalhas do poder que o diabo amassou – Estão dentro de você – As mãos unidas vem pedindo o perdão – Gente sofrida com a paz no coração”, que dificultam o entendimento e até o modo de cantar)
Imperatriz: 9,8 (A melodia do samba foi construída com trechos muito longos, dando uma sensação de que o samba não acontece. Talvez isso tenha ocorrido pela preocupação excessiva em ter uma letra fiel à sinopse)
Vila Isabel: 9,9 (Refrões fortes e com variações inteligentes, mas algumas estrofes da primeira parte do samba deixam a sensação de que não fazem parte da mesma obra)
União da Ilha: 9,7 (O samba da União da Ilha tem uma melodia que se arrasta e algumas rimas pobres e forçada, abusando da linguagem típica do nordeste)
São Clemente: 10
Grande Rio: 9,8 (O samba da Grande Rio tem letra extremamente inteligente, mas peca muito em sua melodia, tendo apenas o seu final como um momento melódico comparável a letra)
Império Serrano: 9,2 (Uma linda música, que não tem nenhuma característica de um samba-enredo. Que pena)
Viradouro: 10
Fábio Fabato
Mangueira: 10
Mocidade: 10
Portela: 10
Salgueiro: 10
Unidos da Tijuca: 10
São Clemente: 10
Paraíso do Tuiuti: 9,9 (Um belo samba, que não chega a ter o completo brilho e tamanho do próprio enredo, mas cumpre seu papel com muita competência)
Beija-Flor: 9,8 (Um samba bonito, mas abaixo da história contada pela escola – sua própria saga vitoriosa e impressionante)
Viradouro: 9,8 (Samba que surpreende diante de um enredo que parecia de difícil tradução em hino)
Vila Isabel: 9,8 (Samba que alterna partes inspiradas com outras nem tanto, sem chegar a empolgar)
Grande Rio: 9,7 (O samba apresenta melodia muito gostosa e que pode fazer grande sucesso. A letra, em alguns momentos, tem pecados e vacilos)
Imperatriz: 9,7 (Não é um samba brilhante e nem dialoga com a identidade da escola, mas tem a capacidade de empolgar a avenida. Contrato de risco da Imperatriz – neste sentido até bem adequado ao tema sobre dinheiro)
União da Ilha: 9,7 (De novo, a Ilha traz um samba sem a sua principal característica histórica: ser sexy)
Império Serrano: 9,6 (Canção de MPB que sempre será um monumento civilizatório do Brasil grande. Ou seja, nota 11, 12, 15. Mas… Não se trata de um samba-enredo [o que atrapalha o próprio gênero que embala a festa da Avenida]. Temo pela aceleração e pela forma como quatro mil componentes serão conduzidos por uma música que não é, essencialmente, para cortejo de escola de samba)
Rica Perrone
Beija-Flor: 9,8 (Não é ruim. Nem ótimo. É um samba pra cumprir tabela, algo que a Beija-Flor faz bem e que eu detesto que faça. A bateria que não arrisca, o samba que todo ano tem um ritmo parecido e uma escola que erra pouco. Ela não está errada. Errado está o carnaval em premiar quem não erra e não quem acerta mais)
Tuiuti: 9,9 (Em 2018 o samba era épico. Tal qual a Beija Flor é difícil manter algo tão bom no ano seguinte, então embora o samba seja muito bom, parece uma “queda” de qualidade. Não dá pra ser brilhante sempre. É “apenas” muito bom)
Salgueiro: 10
Portela: 10
Mangueira: 10
Mocidade: 10
Unidos da Tijuca: 10
Imperatriz: 9,9 (Leve, pra cima. Com enredo difícil de virar sambão. Gostei. Acho que o refrão vai levar a Sapucaí fácil com a escola)
Vila Isabel: 9,8 (O samba é ok. Eu particularmente não gosto muito de nada “ok”. Carnaval é entretenimento e tem que buscar brilhantismo. Burocrático demais eu diria. É ok)
União da Ilha: 9,8 (Achei o refrão difícil e o samba em si impopular. Samba pra jurado, o que convenhamos, não é um padrão da Ilha)
Grande Rio: 9,7 (O enredo é difícil virar samba. Não esperava nada demais, nem de menos. Saiu na medida. Um samba “ok”. O menos bom do Grupo Especial, acho eu)
Viradouro: 9,8 (Esperava mais em virtude do alto nível da própria escola nos últimos anos. O samba é bom)
São Clemente: 10
Império Serrano: 9,9 (Polêmico. Mas eu achei legal. É uma reedição que não reedita um samba enredo. Talvez a escola pudesse fazer um samba e meter o refrão da música original na integra. Sei la. Mas gosto da ideia de testar)
Leonardo Antan
Mangueira: 10
Portela: 10
Tuiuti: 9,9 (Samba emocionante que cresce a cada ouvida, sua força melódica e a linha descritiva do enredo na letra são alguns dos pontos altos. Possuí belíssimas passagens, mas perde força num refrão principal sem tanto impacto e que deixa a desejar. Mas pode chegar na avenida com um dos grandes sambas do ano)
Salgueiro: 9,9 (Um samba com a pegada necessária para o Salgueiro fazer um grande desfile, passeia muito bem sobre por expressões da cultura afro-brasileira e as insere muito bem durante a letra. A segunda passada dá uma pequena caída no início, mas finaliza com uma passagem explosiva para o impactante refrão principal)
Mocidade: 9,8 (O samba da Mocidade, assim como nos outros anos, cresce mais uma vez ao reinterpretar o enredo inicial e apresenta novos contornos possíveis. A letra constrói uma narrativa linear e que passa por momentos emocionantes sem cair em grandes clichês. A última estrofe, entretanto, deixa a desejar numa construção mais objetiva. Numa questão meramente comparativa, ele também perde mais alguns décimos, mas tem potencial para chegar na Avenida com um dos grandes sambas do ano)
Tijuca: 9,7 (Uma grande surpresa no aspecto melódico e no tom da letra, o samba da Unidos da Tijuca não me remete a um estilo de samba que cumpra algumas funções. Uma dela é dar conta de um narrativa que apresente bem o enredo, a letra caí em “louvações” e frases feitas que procuram emocionar, mas muitas vezes parecem apenas perdidas no todo, apesar de alguns bons momentos. Por algumas dessas características, o samba se torna uma grande dúvida de como se comportará na Avenida, apesar da boa interpretação do grande Wantuir)
São Clemente: 9,8 (Um grande samba da São Clemente que ganha nova roupagem atual e necessária dialogando absolutamente com o cenário atual da folia. Apesar da atualidade, o samba tem uma roupagem e tom diferente do estilo dos atuais, sofrendo ainda por uma gravação que peca no excesso pelos números de interpretes. Apesar de três talentos da música, a união deles provoca um desarmonia no todo. A regravação acerta ainda ao não acelerar demais a cadência do samba)
Imperatriz: 9,7 (Uma deliciosa farofa, nos deparamos com um samba com estilo pouco usual pela bandas da Leopoldina. Apesar de problemas na letra passear por vários lugares comuns e passagens que flertam com o cafona, tudo funciona no todo ao contar bem o enredo proposto, desde os dois refrões empolgantes e a melodia marcheada. É o famoso trash que funciona)
Beija-Flor: 9,6 (Os reflexos de uma junção mal realizada são visíveis no samba-enredo da azul e branco de Nilópolis. O samba apresenta problemas nas mudanças de melodia e na diferença entre o tom da letra em diversos momentos. Sem entregar grandes momentos e frases fortes, a obra passeia apenas por clichês já conhecidos do universo poético ao exaltar a escola, sem trazer grandes novidades. A segunda estrofe e o refrão principal são algumas das passagens que mais deixam a desejar)
Vila Isabel: 9,6 (Desconsiderando a desnecessária introdução do samba da azul e branco de Noel (até quando Brasil?), o samba-enredo da Vila Isabel apresenta altos e baixos, entregando uma obra apenas regular. Apesar de algumas bonitas passagens melódicas, o samba apresenta uma quebra de ritmo em várias passagens e numa grande alternância de tom nos versos. A letra também passeia por momentos poucos inspirados e apesar de dar conta do enredo, não apresenta grandes momentos)
Ilha: 9,4 (Uma obra com a simpatia da União da Ilha, mas que peca pela falta de originalidade. Numa visão geral, a obra passeia por grandes clichês do universo nordestino sem justificá-los em sua letra e sem apresentar o que propõe o enredo numa narrativa bem conduzida, com uma melodia que chega a ser arrastada em vários momentos, o que começa no segundo refrão e segue na estrofe final, passando apenas burocrático e sem grande atrativos)
Grande Rio: 9,5 (Um samba-enredo construído de maneira inteligente por compositores gabaritados da folia, mas que conta com passagens burocráticas e poucos inspirados, atreladas a um enredo problemático socialmente e que se reflete na letra. Analisando a obra artisticamente como um todo, não podemos menosprezar passagens complicadas e problemáticas. Somado ainda a um samba com passagens um pouco arrastadas e empolgantes em alguns momentos. Um dos pontos positivos é a inteligência melodicamente da obra e a chamada para o refrão principal que funcionam muito bem)
Viradouro: 9,3 (Buscando emocionar, o samba da Viradouro tenta passear por frases feitas e clichês motivacionais que surgem pouco efeito, reciclando inclusive versos de outros sambas-enredos de temática motivacional. Tentando dar conta de um enredo confuso e pouco claro, a letra também se perde em referências mal amarradas e que não companhem bem no todo da obra. A melodia tão pouco emociona como pretende, resultando apenas num samba piegas e pouco inspirado)
Império Serrano: 9,2 (Com todas as dificuldades e problemas de adaptar uma obra musical para o gênero do samba-enredo, o Império tem uma aposta com todos os seus prós e contras. Apesar de um dos grandes clássicos do repertório da música nacional e com um refrão marcante e emocionante, como samba-enredo, a obra deixa a desejar em vários aspectos, com passagens muito aceleradas e poucos funcionais para um tipo de música repetida a exaustão por um coro em cortejo de milhares de pessoas. Ao pontuar então a obra, se busca colocar na balança a problemática entre os pontos desfavoráveis na adaptação da canção a um gênero que não é o seu originalmente e que resulta uma obra que não agrada dentro do campo de “samba-enredo” e reflete uma série de discussões a cerca da produção e veiculação do gênero no universo das agremiações)
Aydano André Motta
Salgueiro: 9,9 (Samba visceral, emocionante, que ainda melhorou na estreia inspirada de Emerson Dias)
Mangueira: 9,9 (O melhor enredo do ano produziu hino excelente, que conjuga história, crítica e poesia na medida exata. Impossível não se emocionar com a citação de Marielle Franco)
Mocidade: 9,8 (Ótimo samba, para confirmar a fase inspirada da Estrela Guia no quesito)
Tuiuti: 9,8 (Ainda que não seja como a obra-prima de 2018, a escola tem outro hino de qualidade)
Unidos da Tijuca: 9,8 (Bastou Laíla chegar para a turma do Borel conseguir seu melhor samba em muitos anos)
Portela: 9,7 (O aguardado enredo-homenagem a Clara Nunes deu numa composição correta. Mas os corações portelenses vão se emocionar)
São Clemente: 9,7 (A reedição agrada aos ouvidos, por ser crítica e divertida)
Beija-Flor: 9,6 (Colecionadora de sambas magistrais, a comparação da Deusa da Passarela com ela mesma prejudica o hino de 2019. E ainda ficou pior com a junção pós-escolha. Mas a mítica comunidade nilopolitana desfilará confortável cantando sua história)
Vila Isabel: 9,6 (A coleção espetacular (e numerosa) de sambas dos herdeiros de Noel não incluirá 2019. Obra apenas razoável, que melhora com o maravilhoso Tinga)
Viradouro: 9,5 (Samba regular, que dá pistas sobre o tema das viradas sem entregar muito do desfile. O intérprete Zé Paulo, como de hábito, brilha com desempenho visceral)
Grande Rio: 9,5 (O enredo necessário, difícil de transformar em música, rendeu composição mediana, na reconstrução da tricolor depois do acidentado 2018)
Imperatriz: 9,5 (Usar crítica e ironia para falar da relação da humanidade com o dinheiro deu num samba abaixo da média excelente da verde e branco de Ramos)
Ilha: 9,5 (A proposta que une Rachel de Queiroz e José de Alencar aparece num hino com batidas referências ao Ceará e ao Nordeste. Ito Melodia, como sempre, brilha)
Império Serrano: 9,4 (O maior colecionador de obras-primas da folia, logo ele, vai com um não-samba em 2019. Os ritmistas da Sinfônica e os cantores Leléu e Anderson Paz se esforçam, mas não conseguem resolver o problema. Uma lástima)
Rafael Galdo
Beija-Flor: 9,7 (Para comemorar os 70 anos da Beija-Flor, a expectativa era de mais um samba brilhante na discografia da azul e branca. Fica devendo. Melodicamente, não emociona e passa reto quase por completo – uma das poucas exceções está no refrão do meio. Já a letra não escapa de uma previsível coleção de lembranças de desfiles do passado, que às vezes parecem desconexas, talvez pela junção de dois sambas)
Tuiuti: 9,9 (É um samba de ritmo envolvente e excelentes soluções na letra, como todo o miolo da primeira parte. Cresceu enormemente na gravação oficial, com potencial de levar a escola a um desfile descontraído e alegre. O único senão, porém, é o refrão final, com saídas mais simples que o restante da composição, como no verso final “Vou bodejar, lá iá lá iá”)
Salgueiro: 10
Portela: 10
Mangueira: 10
Mocidade: 10
Unidos da Tijuca: 10
Imperatriz: 9,5 (Uma samba divertido para o desfile. Mas que reflete os caminhos confusos escolhidos para o desenvolvimento do enredo. Em alguns momentos, parece uma colcha de retalhos para fazer caber dezenas de referências citadas na sinopse. Há passagens que soam forçadas, como “hashtag no infinito”. O uso de duplos sentidos, como “quero renda na baiana e nota 10 na bateria”, é interessante. Mas parece repetido em excesso. A melodia leve dos refrões é simpática. Mas o miolo do samba não sustenta a mesma qualidade)
Viradouro: 9,6 (Esperava-se muito mais do retorno da Viradouro ao Grupo Especial, com ambições de alçar altos voos. Um samba que diz muito pouco, tanto na letra quanto na melodia. Depois de ouvi-lo, é difícil definir o que é o enredo. Fábulas infantis? O retorno da própria Viradouro ao grupo das grandes escolas? Nada fica muito claro. Uma das poucas exceções no samba é o trecho “Das cinzas voltar, nas Cinzas vencer”. A competente harmonia da Viradouro, no entanto, pode reverter qualquer dificuldade)
Vila Isabel: 9,8 (Uma escola que, talvez devido à expectativa de grandes sambas, deixa um sentimento de certa frustração quando o resultado não é espetacular. A marca de seus compositores está aparente, sobretudo em nuances da melodia, como no refrão do meio. Mas, principalmente na letra, não se sobressai, com passagens déjà vu, como “raro esplendor”, “fonte de tanta nobreza” e “uma cidade divina”)
União da Ilha: 9,7 (As referências ao palavreado e os ritmos nordestinos dão o tom do samba. Mas não é o suficiente para traduzir um enredo que parece tão poético e interessante, que propõe um encontro da obra de Rachel de Queiroz com a de José de Alencar. Na segunda parte do samba, há trechos que parecem não caber na melodia. Exemplo: “Eu de chapéu de couro e gibão / Enfeitei o meu coração / E a moda desfilou ao seu lado”. Mas passa longe de ser um samba que possa comprometer o desfile)
São Clemente: 9,9 (O samba que resultou na melhor posição da São Clemente no Grupo Especial é, certamente, marcante. Mas, na própria discografia da preto e amarelo, não é o melhor. Não é datado, tendo em vista que muito do que é narrado continua atual. Mas, ao optar pela reedição, perde-se a oportunidade de atualizar a autocrítica feita ao carnaval)
Grande Rio: 9,5 (Samba com passagens interessantes melodicamente, como o refrão do meio e o final da segunda parte. Mas, talvez o enredo, uma mistura de auto-ajuda com uma série de lições morais, seja o maior problema. Difícil misturar numa mesma letra consciência ecológica com alertas sobre o comportamento ao celular. Os compositores conseguiram até escapar de um samba enfadonho. Mas não foi o bastante para salvar o enredo)
Império Serrano: 9,7 (É preciso ressaltar que esta não é uma avaliação sobre a música de Gonzaguinha, já consagrada. Mas sobre a transformação dela num “samba-enredo”. Em certa medida, o temor de que se acelerasse muito o compasso diminui na audição do CD oficial. Porém, continuam alguns problemas. Difícil cantar, por exemplo, o trecho “Você diz que é luta e prazer / Ele diz que a vida é viver / Ela diz que melhor é morrer / Pois amada não é / E o verbo é sofrer”. Apenas um dos desafios para a harmonia da agremiação da Serrinha. Se vencidos, pode ser uma explosão na Avenida)
Leonardo Bruno
Mangueira: 10
Tuiuti: 10
Salgueiro: 9,9 (Samba fortíssimo, com a explosão pedida pelo tema, num estilo tradicional, reforçando o samba-enredo como obra épica. É uma espécie de chamado ao orixá, abusando de palavras fortes, como “trovejar”, “poder”, “fúria”, “sacrifício”, “queimar”, “purificar”, “machado”)
Portela: 9,8 (Num meio do caminho entre o samba guerreiro e uma obra mais poética, a canção é vestida com a força de Clara Nunes, usando expressões que ajudam a visualizar a cantora, como “de pé descalço”, “no meio da rua”, “procissão”, “é rosa, é renda”, “ficar feliz da vida quando a Velha Guarda passar”. Merecia mais força nos refrãos)
Império Serrano: 9,8 (Usando o expediente de trazer um samba alheio ao carnaval (o que deveria ser terminantemente proibido pela organização do desfile), o Império apresenta uma letra fantástica, com qualidade poética e momentos de explosão. A melodia, atropelada pela aceleração comum às baterias atuais, torna a letra incompreensível em alguns trechos)
Unidos da Tijuca: 9,7 (O samba não entrega a irreverência prometida pelo nome do enredo, “Cada macaco no seu galho(…)” – a promessa não se cumpre, uma coisa não conversa com a outra. A canção é uma profissão de fé, conduzida pela linda e envolvente melodia. A letra segue a mesma linha, mas não consegue transmitir a mensagem do enredo de forma satisfatória)
São Clemente: 9,6 (Um caso de reedição em que o desfile é que consagrou o samba. A obra não é um clássico do samba-enredo, ficando mais na memória pela grande apresentação da escola e pelo contexto da época. Apesar disso, traz uma mensagem ainda atual e contada de forma criativa, com letra e melodia corretas)
Mocidade: 9,5 (A letra faz uma bonita correlação do tema (o tempo) com a história da escola, como se a Mocidade visse o tempo passar ao longo de sua história. Letra e melodia são agradáveis, mas pouco inspirados)
Imperatriz: 9,5 (A letra traz uma irreverência adequada ao tema, carregada por melodia sem grandes atrativos. O samba vai melhor quando fala de tempos mais distantes. No trecho que trata da atualidade, tem dificuldade de extrair boa poesia (como em “Se é pra poupar, o porquinho pode até ser virtual”…)
Beija-Flor: 9,4 (Uma linda história como a dos 70 anos da Beija-Flor acabou restrita a meia dúzia de carnavais nem tão marcantes assim. Fala-se do título de 2018, mas não há referência aos míticos desfiles de 1976/77/78. Personagens importantes também são esquecidos, o que empobrece a letra. O refrão do meio é um dos melhores do ano: “Abre a senzala! Abre a senzala! Nesse terreiro o samba é a voz que não cala”)
Viradouro: 9,4 (A letra não consegue explicar o enredo, que mistura elementos desconexos entre si. A segunda parte, por exemplo, enfileira setores que não constroem um sentido: “E quem ousou desafiar a ira divina vagou no mar / Cego pela sede da ambição / Carregando a sina dessa maldição / Seres da sombria madrugada / O medo caminhou na escuridão / Mas a coragem que me faz lutar / É a esperança, razão de sonhar”. A melodia tem bons momentos em “Invade o meu coração pra cantar” e “Das cinzas voltar, nas cinzas vencer”)
Vila Isabel: 9,3 (A melodia não apresenta grande criatividade, com dificuldades de métrica no verso “Petrópolis nasce com ar de Versalhes”. A letra acontece a maior parte do tempo em primeira pessoa, mas no refrão se transforma: “Viva a princesa (…) / Na Passarela os herdeiros de Isabel”)
Ilha: 9,3 (Um enredo hermético que não conseguiu ser traduzido na letra do samba. A melodia também não apresenta trechos que empolguem o componente ou que ajudem o canto)
Grande Rio: 9,2 (A letra mostra dificuldades para fazer poesia num enredo complicado, com uma melodia pouco criativa. Em alguns momentos, o samba parece desconectado de seu tempo, como em “Quem nunca sorriu da desgraça alheia” (?). Já nos trechos em que é atual, a temática é árida e pouco carnavalesca: “E a cisma de atender o celular pra curtir, compartilhar / Zombar do perigo, largar o amigo, perder o pudor”)
Guilherme Alves
Beija-Flor: 9,6 (A proposta do enredo é interessante, mas, infelizmente, não rendeu um samba à altura das tradições da escola. A letra tem algumas passagens interessantes, mas a obra acaba se tornando cansativa ao longo das audições. A interpretação de Neguinho da Beija-Flor é a melhor parte do samba)
Tuiuti: 9,9 (Bom samba que conta uma história muito interessante de forma crítica e ácida. Os dois refrãos são o ponto alto. Outro destaque é a dupla de intérpretes Celsinho Moddy e Grazi Brasil)
Salgueiro: 10
Portela: 10
Mangueira: 10
Mocidade: 9,8 (Bom samba da escola de Padre Miguel, mas um pouco aquém das belíssimas obras de 2017 e 2018. O samba têm passagens emocionantes com referências à identidade da escola, o que deve tocar o Independente, mas a melodia se torna cansativa em alguns momentos)
Unidos da Tijuca: 9,8 (O samba é bom, com passagens inteligentes, mas a letra possui um tom de lamento excessivo, deixando certa melancolia pra quem ouve)
Imperatriz: 9,4 (A ideia da escola em investir em um samba irreverente para falar do dinheiro é bem oportuna, mas a obra é simples, com momentos de pouca inspiração e uma letra longa e pouco criativa, tornando a passagem do samba um pouco cansativa)
Viradouro: 9,8 (No seu retorno ao Especial, a escola de Niterói apostou em um samba valente, que conta com um refrão principal fortíssimo e a letra no geral bem lúdica e poética. A interpretação de Zé Paulo Sierra valorizou a obra)
União da Ilha: 9,6 (O samba insulano têm bons momentos, mas também tem trechos que não possuem uma originalidade, um ponto alto, para classifica-lo como um dos destaques da safra do carnaval 2018. É correto, mas não empolga)
Vila Isabel: 9,6 (A escola do bairro de Noel tem um samba apenas razoável. Pela qualidade dos compositores e pelo bom enredo, esperava-se um samba melhor. Não é ruim, mas também não empolga. Destaque para a interpretação de Tinga)
São Clemente: 9,9 (A reedição da representante da Zona Sul no Grupo Especial é propícia para o atual momento do carnaval. Apesar de ter quase 30 anos de existência, a obra presta um grande papel crítico aos rumos da folia. Letra inteligente e muito bem humorada!)
Grande Rio: 9,2 (O enredo é muito complicado e os compositores não conseguiram fazer muita coisa. O samba é recheado de passagens simples e pouco inspiradas)
Império Serrano: 9,4 (A “inovação” da escola da Morro da Serrinha soa um pouco estranha, pois a música escolhida (apesar de belíssima) não é um samba-enredo. Além disso, o trecho a partir de “você diz que é luta e prazer” até o “sempre desejada” é de difícil canto e entendimento)
Pedro Ivo
São Clemente: 9,8 (Apesar de ser uma reedição, o samba não se tornou “velho”. Bastante atual. Letra criativa, melodia gostosa. Marca mais pela lembrança do que pela obra em si, ainda que boa. Ainda que seja algo marcante na história da Escola, não chega a estar na galeria dos melhores do Carnaval)
Vila Isabel: 9,8 (Samba apenas regular. Rimas pobres, melodia não tão marcante e letra limitada. No entanto, é preciso destacar a atuação de Tinga em seu retorno à Vila Isabel. E como o desempenho do intérprete – muito bom – eleva a obra, sobe um pouco na avaliação)
Portela: 9,9 (Se não chega a ser excelente como poderia pelo grande enredo, cumpre bem a missão de homenagear Clara Nunes. Boas sacadas, como ter Clara em 1ª pessoa. Falha em não ter o nome da artista. Forte, boa letra e boa melodia. O intérprete Gilsinho também conseguiu elevar sua qualidade)
União da Ilha: 9,7 (Melodia agradável na voz de Ito Melodia e nos arranjos da gravação, mas letra que não conta exatamente o enredo. Grandes nomes a serem homenageados, mas a Escola não conseguiu uma homenagem à altura. Poucas passagens agradáveis e muitos clichês na referência ao Nordeste)
Paraíso do Tuiuti: 9,9 (Se não tem o brilho de 2018, se mostra muito bom. Potencializado pelas vozes de Grazzi e Celsinho, conta bem o original e crítico enredo de Jack Vasconcelos. Boas sacadas e quebras na melodia)
Mangueira: 10
Mocidade: 9,9 (Um samba que, através da história da Mocidade, salva um tema clichê e uma sinopse confusa. Citações interessantes em diversas partes, melodia muito agradável e letra boa, ainda que pudesse ser mais inspirada)
Império Serrano: 9.5 (Uma boa obra, mas longe de ser um samba-enredo. Andamento complica bastante. Foi feito para se cantar de uma maneira e está sendo interpretada de outra. Não casou bem “O que é, o que é” para levar um desfile)
Viradouro: 9,8 (Uma obra que não fala tanto sobre o enredo e que não chega a ser brilhante em letra. Tem valor em melodia e precisa ser valorizado pela força que tem para a Escola. Um samba que vem crescendo nos ensaios de Niterói. Destaque para as partes “Das cinzas voltar, nas cinzas vender” e “O brilho no olhar”, mexem com o componente)
Grande Rio: 9,6 (“Quem nunca sorriu da desgraça alheia?” já começa de maneira infeliz. O enredo confuso dificultou até mesmo para compositores excelentes. Letra fraca, melodia apenas mediana. Obra que não seguirá na memória de ninguém após o desfile)
Salgueiro: 9,8 (Um samba bom, porém abaixo do que poderia ser produzido para um enredo tão sonhado para a Escola. Xangô e qualquer outro orixá costumam gerar obras superiores ao que foi feito pela turma de Demá Chagas e Marcelo Motta. Começa com um refrão fortíssimo, mas vai caindo. Boa melodia, especialmente nos refrões, mas letra simples. (Apesar do 9,8 dado, creio que a avaliação pode melhorar até o desfile. Me impressionou a forma como Quinho e Emerson Dias casaram. Diante de um gênero em mutação, pode crescer até março)
Beija-Flor: 9,6 (Bem como no caso do Salgueiro, uma obra abaixo para um enredo que poderia ser bem maior para a Beija-Flor. A Escola optou por passar sua história através dos títulos, mas o samba “ignora” alguns títulos marcantes. A junção prejudicou, a meu ver, o samba original – vencedor na disputa. Samba confuso, não se sabe “quem fala”, recheado de clichês. Longe das tradições nilopolitanas)
Imperatriz: 9,6 (Ainda que o enredo seja animado, tentando levar o dinheiro como algo lúdico, e o samba tente seguir esse caminho, o conjunto é confuso. Letra e melodia pobres. Faltou identidade à obra que não sabia se seguia uma linha “anos 80”, como no refrão do meio, ou se falava em termos como hashtag e bitcoin)
Tijuca: 9,7 (Apesar de um enredo confuso, temos boa letra e melodia interessante. Ainda assim, a obra se arrasta e nos coloca um ponto de interrogação sobre um desempenho no desfile – para o que ele é feito)



“Uma vitória como essa muito nos orgulho e nos honra. São pessoas que vivem o carnaval todos os dias, entendem os problemas que o carnaval passa, as necessidades, pessoas especializadas e analisam de forma diferente. É um júri técnico. Um samba diferente e como o samba é analisa é uma conquista vencer como o melhor samba em um site tão importante, fundamental e que defende a bandeira do samba como é o site CARNAVALESCO“, disse o compositor Deivid Domêncio, que assina a obra da Mangueira com os compositores Tomaz Miranda, Mama, Marcio Bola, Ronie Oliveira e Danilo Firmino.
“O disco das escolas de samba apresenta, como sempre, destaques em diferentes prismas. Há obras para todos os gostos – epopeicas, afetivas, alegóricas, divertidas. Tem até canção consagrada o que, a meu ver, entra em choque com o próprio gênero samba-enredo. De nota triste, mais uma vez, a capa – bem longe da alteza e do tamanho de uma festa que se autoproclama “Maior Espetáculo da Terra” – sem preocupação estética e como peça de marketing. O poder público está vacilando muito com o carnaval, mas as escolas de samba e entidades representativas se encontram completamente paradas no tempo. É preciso estar atento e forte aos contextos e abraçar uma imperativa reinvenção geral, antes que a festa acabe”, disse Fabato.
Rica Perrone deu notas 10 para seis escolas e, além de enaltecer a obra da Mangueira, citou destaques para Salgueiro, Portela, Mocidade, Tijuca e a reedição da São Clemente.
Para o jornalista Leonardo Bruno, os sambas da Mangueira e do Tuiuti foram os únicos que mereceram a nota máxima.
“A letra mostra dificuldades para fazer poesia num enredo complicado, com uma melodia pouco criativa. Em alguns momentos, o samba parece desconectado de seu tempo, como em “Quem nunca sorriu da desgraça alheia” (?). Já nos trechos em que é atual, a temática é árida e pouco carnavalesca: “E a cisma de atender o celular pra curtir, compartilhar / Zombar do perigo, largar o amigo, perder o pudor”, comentou Leonardo Bruno.
Vice-campeã no ranking do CARNAVALESCO, a obra do Salgueiro foi muito elogiada pelos jurados.
“Com todas as dificuldades e problemas de adaptar uma obra musical para o gênero do samba-enredo, o Império tem uma aposta com todos os seus prós e contras. Apesar de um dos grandes clássicos do repertório da música nacional e com um refrão marcante e emocionante, como samba-enredo, a obra deixa a desejar em vários aspectos, com passagens muito aceleradas e poucos funcionais para um tipo de música repetida a exaustão por um coro em cortejo de milhares de pessoas. Ao pontuar então a obra, se busca colocar na balança a problemática entre os pontos desfavoráveis na adaptação da canção a um gênero que não é o seu originalmente e que resulta uma obra que não agrada dentro do campo de “samba-enredo” e reflete uma série de discussões a cerca da produção e veiculação do gênero no universo das agremiações”, comentou o pesquisador Leonardo Antan.
Fechamos 2018. Um ano em que parece que se passaram muito mais etapas do que pensávamos. Um trator passou pelos sambistas. A crise de identidade e também de administração colocou o carnaval em colapso. A batalha contra a Prefeitura do Rio atingiu níveis insuportáveis e as escolas de samba sangram com a falta de recursos. Atividades canceladas, funcionários e fornecedores sem receber. Agremiações da Série A sem barracão.
Criados no início dos anos 2000 os ensaios técnicos se transformaram na verdadeira meca para os amantes do carnaval. Totalmente gratuitos foram o grande case de sucesso da Liesa nos últimos anos. Avenida entupida nos ensaios das grandes escolas. Mas em 2018 o palco sagrado dos desfiles ficou melancolicamente mudo em janeiro. Anunciado ainda em 2017 o cancelamento dos ensaios após 15 anos se deu devido à falta de verba. Nenhuma empresa se interessou em patrocinar. Alguns sambistas nutriam uma última esperança, que acabou sendo frustrada. Apenas o teste de som e luz com Portela e Mocidade aconteceu uma semana antes dos desfiles.
Um dos desfiles mais incertos dos últimos anos acabou se revelando. A Beija-Flor botou o dedo na ferida, expôs as mazelas do país de forma explícita. Chocou, emocionou, ganhou seu 14º título do Grupo Especial. Mas nada se compara à apresentação do Tuiuti. Histórica, a comissão de frente levou todo mundo à lágrimas. A crítica ao presidente Michel Temer no final do desfile catapultou a escola nas redes sociais. Virou assunto mais comentado no Twitter. Partidos e páginas alinhadas à esquerda abraçaram a escola e transmitiram ao vivo a concentração no desfile das campeãs.
No último dia de fevereiro a Liesa decidiu não rebaixar ninguém, contrariando o que estava previsto no regulamento pelo segundo ano seguido. Mais um abalo na credibilidade do carnaval. Depois de um desfile onde seu último carro quebrou e não desfilou, a Grande Rio acabou rebaixada junto com o Império Serrano. A plenária que salvou as duas escolas terminou com uma célebre frase de um dos presidente de honra da Grande Rio, Helinho, que soltou a pérola: “Quem tem padrinho não morre pagão”. Soberana, a plenária da Liesa se meteu no resultado da pista pela terceira vez em dois anos.
No palco da festa de premiação do Estrela do Carnaval, na quadra do Salgueiro, o editor executivo do veículo, Alberto João, anunciou que o site CARNAVALESCO interromperia suas atividades por tempo indeterminado. Foram seis meses sem a cobertura referência do site. Em editorial alertamos para os rumos do carnaval e evidenciamos que a falta de apoio pode significar o fim dos veículos especializados.
No quinto mês de 2018, o presidente da Lierj, Déo Pessoa, jogou a toalha. Sem reconhecimento, sem apoio e com escolas da Série A despejadas de seus barracões, o então presidente da entidade que organiza os desfiles do Acesso renunciou ao cargo. Imediatamente, o vice-presidente, Renato Thor, assumiu as funções de presidente.
A dança das cadeiras iniciada logo após o carnaval começou quente. Paulo Barros retornou à Viradouro depois de dez anos. O Salgueiro, envolvido na disputa pelo comando da escola, perdeu o coreógrafo Hélio Bejani e dispensou o casal Sidclei e Marcella. A direção de carnaval também mudou. Na Mangueira, contratações de peso: chegaram Marquinhos Art’Samba e os coreógrafos Rodrigo Negri e Priscilla Motta. Na Tijuca, Wantuir retornou ao posto de intérprete oficial, ocupando a vaga deixada por Tinga, que voltara à Vila Isabel.
No dia 17 de julho, logo após o término da Copa do Mundo, a Liesa realizou o sorteio dos desfile do Carnaval 2019. A fórmula do sorteio mudou, sem os pares instituídos nos últimos anos. A Viradouro, campeã da Série A, não abriria o domingo, posição que ficou com o Império Serrano. A vermelha e branca ficou com a segunda posição, seguida da Grande Rio. Como foi a 11ª colocada, a São Clemente abrirá a segunda.
Uma das primeiras a iniciar sua disputa de sambas no Grupo Especial, a Mocidade realizou todo o seu concurso na sua antiga quadra localizada na Vila Vintém. O espaço, deteriorado por anos desde a mudança para a nova quadra da Avenida Brasil, foi totalmente revitalizado e a reinauguração contou com uma grande festa, que emocionou integrantes de hoje e ontem da Estrela Guia de Padre Miguel. Os domingos na quadra foram um enorme sucesso, sempre com a presença de uma escola convidada.
No primeiro dia do mês de setembro o mundo do samba recebeu uma grande notícia. No dia de seus 11 anos de fundação, o site CARNAVALESCO anunciava o retorno de suas atividades depois de seis meses inativo. Uma grande festa que contou com a presença das pessoas mais importantes do carnaval celebrou o regresso do veículo.
Apesar de algumas agremiações realizarem escolhas de samba já no mês de setembro, a tradição de finais de samba do Grupo Especial foi mantida em outubro. Sete escolas fizeram suas escolhas no décimo mês do ano. Algumas em finais marcantes, como a Mangueira que entupiu sua quadra em uma final antológica, opondo duas grandes obras em um anúncio de fazer qualquer mangueirense chorar. A Portela foi outra que escolheu um samba que arrebatou a quadra, já por volta das 07h da manhã do dia seguinte à grande final. Contra tudo e contra todos o carnaval se aproxima.
No dia 08 uma bomba caiu no mundo do carnaval. O presidente Chiquinho da Mangueira foi preso por policiais federais, na Operação ‘Furna da Onça’, no Rio de Janeiro. O deputado do PSC é acusado de participar do esquema de compra de votos com dinheiro de propina na Alerj. Chiquinho era corregedor parlamentar na Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro.
A crise atingiu o ápice no último mês de 2018. Sem qualquer definição de quando o repasse da prefeitura para as escolas sairia, a Mocidade foi a primeira a anunciar a paralisação de suas atividades. Mangueira e São Clemente também pararam seus ensaios. A Beija-Flor e a Vila Isabel posteriormente também aderiram à uma paralisação parcial. Sem o apoio público, a Liesb também cancelou a festa do CD da entidade.
A quadra da Estação Primeira de Mangueira recebeu no ensaio de Réveillon, na noite deste sábado, os alunos do Colégio São Vicente de Paulo, localizado no Cosme Velho, Zona Sul do Rio de Janeiro. Os jovens fazem parte do coral da escola e emocionaram os mangueirenses em um vídeo publicado recentemente cantando o samba-enredo para o Carnaval 2019. A turma foi convidada pela Verde e Rosa e fez uma apresentação especial no último ensaio mangueirense do ano. Veja abaixo o vídeo.


A Mangueira vai realizar o seu tradicional Pré-Réveillon, no Palácio do Samba, neste sábado, a partir das 22h, com a Bateria “Tem Que Respeitar Meu Tamborim”, sob o comando do mestre Wesley.
A Lei do ISS, da Prefeitura do Rio, e a Lei do ICMS, do Estado, são apostas dos dirigentes do carnaval para o apoio aos desfiles das escolas de samba do Grupo Especial. Na edição desta sexta-feira, do jornal O Globo, a coluna do jornalista Ancelmo Gois, citou que o prefeito Crivella e o governador Dornelles estão correndo em busca de empresas para entrarem com patrocínios e receberem os incentivos fiscais.
A história do samba e do carnaval se reuniu na noite desta quinta na Academia do Samba. Rodeado por amigos do quilate de Nelson Sargento, Aluizio Machado, Rubem Confete, Adelzon Alves e Haroldo Costa, o compositor Djalma Sabiá foi empossado Presidente de Honra do Acadêmicos do Salgueiro em um evento simbólico, mas recheado de tradição.
A homenagem ao novo Presidente de Honra da Academia foi celebrada pelos amigos. Nelson Sargento exaltou o momento como marcante para a história do samba.
Se fosse uma competição de incentivo a cultura dos desfiles das escolas de samba, a Prefeitura de São Paulo venceria com o pé nas costas a Prefeitura do Rio de Janeiro. O poder público, comandado por Bruno Covas (PSDB), possui grande sinergia com as escolas de samba e seus representantes. Prova é a presença do prefeito na Fábrica do Samba, no início de dezembro, para a festa de lançamento dos sambas de 2019. No Rio de Janeiro, o prefeito Marcelo Crivella (PRB) é totalmente ausente dos eventos carnavalescos. Não visita a Cidade do Samba, quadras, não entregou as chaves da cidade para o Rei Momo em seu primeiro ano de mandato, e muito menos pensa em ir ao Sambódromo assistir aos desfiles.
O ponto do massacre de Bruno Covas em Marcelo Crivella está no incentivo do paulistano aos desfiles de São Paulo. Em publicação no Diário Oficial, a Secretaria Municipal de Turismo de São Paulo informa que cada escola de samba do Grupo Especial (são 14) vai receber R$ R$ 1.181.546,88 contra R$ 500 mil no Rio. No Grupo de Acesso, as escolas paulistanas (são oito) vão ganhar R$ 783.358,86 cada uma e na Série A do Rio o valor é de apenas R$ 250 mil.
Marcelo Crivella trava batalhas com as escolas de samba no Rio de Janeiro. Para o Carnaval 2018, o prefeito da Cidade Maravilhosa disse que o corte de 50% da verba era para aumentar a verba da merenda nas creches. Para 2019, o secretário da Casa Civil, Paulo Messina, homem forte de Crivella, disse em entrevista ao jornal O Dia que “a prefeitura não é babá de evento comercial. A prioridade da prefeitura é usar dinheiro público para saúde e educação”.
O site CARNAVALESCO perguntou aos seus leitores se eles pudessem escolher o que prefeririam: ensaios técnicos, ensaios de quadra, mais tempo de desfile oficial ou a festa de lançamento do CD aberta para o público. Com 69% dos votos, a realização dos ensaios técnicos no Sambódromo para o Carnaval 2019 foi a opção preferida.