Por Guilherme Ayupp
O Vai-Vai encerrou a noite de ensaios técnicos deste sábado no Anhembi com um treino nos padrões que somente a Saracura é capaz de fazer. Com um enredo de identidade negra, como é o DNA da escola, a comunidade da Bella Vista passou como um verdadeiro arrastão no Sambódromo, tendo ensaiado boa parte debaixo de chuva e com uma multidão acompanhando o fim do ensaio, dando certo trabalho à direção de harmonia.
Harmonia
Embora já tenha realizado ensaios técnicos com o canto mais forte, o padrão elevado de ensaios da Bella Vista foi constatado na pista do Anhembi. A comunidade lavou a alma debaixo de chuva cantando o tempo todo. A falta de sonorização total na Avenida não foi empecilho para uma harmonia quase perfeita.
Evolução
Alguns aspectos podem melhorar no quesito, tomando por base o regulamento do carnaval. A escola passou com um andamento de desfile irregular, ora mais acelerado, ora mais lento. De positivo a se destacar foi que a chuva não atrapalhou o ensaio. Forjado nas ruas, o Vai-Vai mostrou que não tem medo das condições climáticas.
Samba-Enredo
Um dos mais emblemáticos sambas da safra de 2019, a obra cumpriu um excelente papel esta madrugada no Anhembi. Um samba de DNA negro, defendido com muita garra por uma cantora negra. Grazzi Brasil segue provando porque se tornou intérprete oficial da escola do povo.
Bateria
Os comandados dos mestres Tadeu e Beto sacudiram o Anhembi com muitas bossas e o ritmo característico da Pegada de Macaco. Apesar de muita gente nas laterais da bateria, o desempenho dos ritmistas não foi afetado e eles encerraram o ensaio ovacionados pelo público do Anhembi.
Mestre-Sala e Porta-Bandeira
O casal Pingo e Paulinha, que tem a enorme responsabilidade de conduzir o pavilhão mais importante do carnaval de São Paulo, passou bem pela pista com uma evolução tranquila e sem maiores falhas. Eles vieram depois de uma ala e não logo atrás da comissão como virou praxe nos últimos carnavais.

Comissão de Frente
Formada por homens negros paramentados com uma fantasia também totalmente negra, os dançarinos foram ovacionados ao se apresentar com uma criança a tira colo, representando um molequinho, que é um dos principais símbolos do Vai-Vai.




Cotada como uma das mais fortes candidatas ao título do Grupo Especial do Carnaval 2019, a Mancha Verde mostrou na noite deste sábado, no Sambódromo do Anhembi, todas as suas credenciais para finalmente realizar o sonho de ganhar o carnaval paulistano. No ensaio técnico a escola já demonstrou a assinatura do trabalho do multi campeão Jorge Freitas. Para coroar o grande ensaio uma forte chuva caiu no final, aumentando ainda mais a garra dos componentes da verde e branca.
Duelando em uma noite com gigantes do carnaval de São Paulo, a Mancha não ficou devendo nada às coirmãs. A comunidade cantou muito forte o samba-enredo. Em diversos pontos da escola, até mesmo naqueles longe da zona de influência da bateria, se ouvia um canto coeso e com força. A chuva impulsionou ainda mais o canto no final do ensaio.
Quesito importante nos projetos vencedores de Jorge Freitas, a evolução já tem a assinatura do artista. Com alas organizadas e que passam enfileiradas, sem comprometer as premissas básicas que o quesito exige, a Mancha esteve próxima da perfeição esta noite no Anhembi no quesito. A escola cruzou a faixa final de desfile após 63 minutos de treino.
Muito bem defendido pelo intérprete Freddy Viana o samba-enredo impulsionou o ensaio da verde e branca. Os refrões tiveram um excelente desempenho no Anhembi, principalmente, depois que começou a chover e ao invés de as pessoas desanimarem o que se viu foi uma escola pulsante e aguerrida, cantando com bastante força o samba-enredo.
Passou com correção o time de ritmistas comandado por mestre Maradona. As bossas tiveram boa execução e o andamento adotado permitiu com que o samba tivesse um bom desempenho no ensaio, entrosado com o intérprete oficial Freddy Viana. Viviane Araújo, rainha da bateria, estava deslumbrante, sempre com muita simpatia e samba no pé.
A Mancha Verde não economizou na apresentação de sua comissão. O grupo foi muito bem fantasiado. Entre eles dois representavam os orixás Xangô e Oxum. A apresentação foi impactante e arrancou muitos aplausos do público presente no Sambódromo do Anhembi, principalmente, no setor destinado à torcida da escola.
A bateria Ritmo Puro da Mocidade Alegre reviveu seus áureos tempos na noite deste sábado no Sambódromo do Anhembi. A agremiação foi a primeira do Grupo Especial a realizar seu treino em uma noite estrelada, que ainda teve Tom Maior, Mancha Verde, Rosas de Ouro e Vai-Vai. Com uma ousada coreografia, marca registrada do trabalho de mestre Sombra, a Morada do Samba enlouqueceu as arquibancadas. Mestre Marcão também participou do treino.
Foi o grande destaque da apresentação. Além do inconfundível Ritmo Puro, os ritmistas levantaram o Anhembi com duas ousadas coreografias. A primeira delas foi o tradicional caracol, quando os ritmistas trocam de posição girando em círculo. A segunda foi uma espécie de encaixe onde metade bateria se deslocava para um lado e a outra metade para o outro, invertendo as posições em sequência. Um show que levou o público nas arquibancadas ao delírio.
Um bom papel desempenhado pelo samba da escola. Graças muito ao belo desempenho do intérprete Igor Sorriso, que na Mocidade Alegre está em casa, agremiação que voltou a defender a partir do carnaval deste ano. Seguro e com as divisões corretas, contribuiu para o bom andamento do ensaio técnico, interagindo bastante com o público e os componentes.
A comunidade da Mocidade Alegre demonstrou que está com os ensaios em dia ao cantar bastante o samba-enredo na avenida. A obra passou em um andamento bastante confortável para o canto e a comunidade demonstrou grande entrosamento com o intérprete Igor Sorriso. Até mesmo as alas que estavam distantes do carro de som, com a sonorização ainda não completa para a avenida, cantaram junto com toda a escola o samba-enredo no tempo certo.
Uma das evoluções mais competentes do carnaval de São Paulo, a Mocidade Alegre fez um ensaio sem maiores problemas no quesito. Até mesmo as coreografias da bateria não atrapalharam o quesito. A escola realizou o treino em cerca de uma hora, o que está dentro do regulamento no dia do desfile. Ao cruzar a faixa de final de desfile a bateria ainda fez uma evolução voltando à pista e mesmo assim a agremiação concluiu seu treino de maneira confortável.
A comissão de frente da Mocidade trouxe bailarinos fantasiados e maquiados que desenvolveram uma coreografia com muito sincronismo, abrindo com muita beleza o ensaio técnico da Mocidade Alegre. Ao longo de toda a pista executaram uma coreografia com um sincronismo que chamou a atenção do público.
Emerson Ramires e Karina Zamparolli cruzaram a pista do Anhembi com as fantasias do desfile de 2018, causando grande admiração no público. A dupla passou com garbo e elegância e premiou o público presente com a exibição do pavilhão em diversos momentos do ensaio.
O intérprete Chitão Martins foi o grande destaque do primeiro ensaio técnico da Colorado do Brás, no Anhembi, na noite desta sexta-feira. O cantor conduziu muito bem a obra da agremiação, que ainda precisa melhorar seu canto e evolução se quiser se mostrar uma forte candidata à permanência no Grupo Especial da Liga SP. A agremiação do Brás foi a única da elite do carnaval paulistano a ensaiar esta noite no Anhembi.
A obra possui passagens interessantes e uma melodia valente. O grande destaque vai para o refrão principal, com o termo Hakuna Matata, que é muito popularizado. Chitão Martins foi o grande destaque da noite com uma brilhante condução da obra na avenida. Cumpriu o requisito principal que se espera de um puxador de samba-enredo: alegria e canto em harmonia com a escola.
O quesito pode evoluir até o desfile. Algumas alas não cantaram a contento e precisarão melhorar seu desempenho para a escola alcançar boas notas no desfile. Grupamentos de composições de alegorias pouco cantaram o samba. Ouve ainda desencontro de canto entre algumas alas e o carro de som, devido à falta de sonorização total na avenida.
Outro quesito onde a Colorado do Brás precisa estar atenta para os próximos ensaios e o seu próprio desfile. Não houve falhas graves, como buracos ou correria, mas faltou mais espontaneidade e brincadeira entre as alas. Muitos componentes passaram andando pela avenida, o que certamente faria com que a escola fosse penalizada no quesito se acontecesse no desfile o mesmo problema. A Colorado realizou seu ensaio com 1 hora de duração.
Boa condução do ensaio pela bateria, que usou e abusou de bossas e convenções pelo Anhembi. Destaque para o naipe de agogôs de quatro bocas, que realizou um desenho em cima da melodia do samba, dando um suingue diferenciado à apresentação dos ritmistas.
Embora tenha vindo caracterizado, o grupo de dançarinos realizou uma coreografia de marcação que não deve ser a oficial de desfile. A fantasia utilizada era toda preta, com calças de detalhes dourados. Quando realizavam movimentos causavam um interessante efeito visual na pista de desfiles.
Ruhanan Pontes e Ana Paula demonstraram respeito ao público ao passarem pelo Anhembi fantasiados. A dupla realizou uma evolução com muita garra e valentia, apresentando de maneira correta o pavilhão, com a bandeira desfraldada. Houve também uma interação entre eles, como pede o manual do julgador.