Por Matheus Mattos. Fotos: Magaiver Fernandes
Encerrando a noite de ensaios técnicos das escolas do Grupo Especial, o Império de Casa Verde demonstrou estar apta a disputar o título do Carnaval de 2019. O treino foi encarado pela agremiação como um verdadeiro desfile, componentes fantasiados, arrancada emocionante e empolgação influenciaram positivamente.
Harmonia
A agremiação cantou bastante o samba. O entrosamento das alas com o carro de som não teve falhas e, com a permanência do nível, pode alcançar a nota máxima no quesito.
“Eu acho que falar em perfeição é muito difícil, mas eu acho que a gente está muito próximo do que a gente tem como objetivo. Uma escola compacta, uma escola que canta, que dança, que transmite energia para o público e consegue receber essa energia de volta. A gente percebeu essa troca com a arquibancada. Estamos muito próximo dos nossos objetivos. Temos 23 alas e só 7 são coreografadas. No geral tem coreografias que interage a escola inteira, então da essa sensação de muito coreografada”, disse Serginho, diretor de harmonia.
Comissão de frente
Coreografada pelo André Almeida, o quesito trouxe todos os bailarinos fantasiados que demonstraram ótimo desempenho pelo tempo que resta para o desfile. A ala trouxe duas coreografias e interação constante com o tripé. Os bailarinos interagiram constantemente com as arquibancadas. Parte dos dançarinos voltaram para encerrar o ensaio.
“Nós trouxemos o nosso trabalho oficial. É um grande teste pra gente o desfile, então hoje trouxemos as duas coreografias pra justamente ver o que vai funcionar, o que não vai dar certo. A gente está com 90% do nosso trabalho concluído, temos algumas coisinhas pra melhorar”, afirmou o artista.
Mestre-Sala e Porta-Bandeira

A dupla mostrou uma boa performance. O Rodrigo Antônio e a Jessica Gioz optaram por uma roupa mais leve, terno para o mestre-sala e vestido para a porta-bandeira. Eles apresentaram o pavilhão para as torres que contém jurados do quesito. A dupla traz uma dança mais moderna, com passos diferenciados.
Bateria

Comandada pelo Mestre Zoinho, a bateria Barcelona do Samba trouxe uma proposta mais conservadora e valorizou o ritmo, dando a sustentação necessária para a agremiação.
Evolução
A escola demonstrou maturidade com o andar. Assim como foi falado na primeira crônica, muitas alas coreografadas estarão presentes no desfile, e a organização dos foliões no ensaio demonstra boa maturidade.
Samba-Enredo
Impulsionado pelo intérprete Carlos Júnior, a ala musical fez uma ótima passagem pelo Anhembi. Aberturas de vozes pontuais enriqueceram o samba.
“Hoje foi bem técnico mesmo, o primeiro ensaio a gente estava pura emoção. Conseguimos fazer uma mistura de emoção e técnica, eu não sou a pessoa certa pra falar da escola em geral, mas por onde eu tava, e pela energia da largada,, da ver que a gente vai vir pra disputar. A gente sabe que o horário do desfile é muito ruim para uma escola de samba, é meio que uma cultura das primeiras escolas serem prejudicadas com jurado que segura nota. Vou dar 9.9 porque estou esperando as outras escolas. Temos um certo receio com isso. Mas estamos buscando atingir o jurado através da emoção”, afirmou o cantor.
Destaque
Um ponto de destaque no desfile será o tamanho do abre-alas. Nos bastidores, o carnavalesco Flávio Campello revelou que a alegoria contém 80 metros, divididas em 3 bases. Destaque também para a ala que representa o filme dançando na chuva.

O Império de Casa Verde será a segunda escola a desfilar na sexta-feira de carnaval no Sambódromo do Anhembi. A escola vai apresentar o enredo ‘O Império contra-ataca’. O tema está a cargo do carnavalesco Flavio Campello.




Realizando o segundo ensaio técnico para carnaval de 2019, a Unidos de Vila Maria aumentou a quantidade de contingente, trouxe clima leve, porém falhou em alguns pontos no quesito de Harmonia. A escola passou no Sambódromo com 56 minutos.
Os componentes não acompanharam o andamento do samba proposto pela escola em alguns pontos. Durante a realização de determinadas bossas feitas pela bateria, houve falta de sincronismo. O primeiro setor teve bom desempenho no canto, porém ainda falta intimidade do restante da escola com a letra.
O casal oficial da Unidos de Vila Maria, Everson Sena e Laís Moreira, bailou com mais simpatia e segurança em comparação ao último treino. A dupla mostrou bom sincronismo e constantemente vibravam junto à arquibancada. A coreografia conversa diretamente com a letra do samba.
Comissão de Frente
“A gente trabalhou bastante a questão da execução, a gente preza pela clareza total, tanto na parte de equalização, afinação quanto na parte da execução rítmica. A gente vem com uma proposta de arranjos onde as caixas fazem muitas frases combinadas com as terceiras, cada instrumento tem a sua parte. A gente fez bastante ensaios específicos para poder melhorar, a gente vai trabalhar até o último instante pra ficar cada vez melhor”, explicou mestre Moleza.
Alguns pontos de desorganização foram vistos no primeiro setor. Os componentes das pontas andavam mais rápido que os outros, fazendo com que a frente não ficasse em linha reta. A ala da frente da bateria não esperou a entrada no recuo, fazendo com que criasse um buraco em frente à torre 14.
Samba-Enredo
A Tom Maior foi a terceira agremiação a ensaiar no Anhembi na noite deste sábado. A escola realizou seu segundo ensaio técnico na temporada e passou por novos problemas. A harmonia foi o principal quesito a melhorar para que a escola repita no desfile deste ano a histórica apresentação do ano passado. A Tom Maior prestou solidariedade à vítimas do acidente com a barragem da Vale em Brumadinho, Minas Gerais. Integrantes da harmonia e do carro de som desfilaram com uma tarja preta na roupa e o intérprete Bruno Ribas fez questão de se solidarizar com as famílias que perderam entes.
Desempenho regular da obra, que não tem pontos de explosão e por isso dificulta um rendimento linear. De positivo a atuação sempre firme do intérprete Bruno Ribas e o carro de som sob o seu comando.
Praticamente toda a escola passou coreografada pela avenida. Isso tirou a espontaneidade do componente, embora tenha causado um bonito efeito, uma vez que praticamente todas as alas levaram algum adereço e causavam algum tipo de efeito com a movimentação ensaiada. A escola conseguiu realizar um ensaio sem problemas mais sérios mas precisa estar atenta à falta de brincadeira de seus desfilantes.
Considerada uma das baterias que mais evoluiu nos últimos carnavais em São Paulo, a Tom 30 teve esta noite um desempenho irregular. Os ritmistas de mestre Carlão realizaram sete bossas. Em uma delas, os integrantes das alas ao final da escola perderam a referência rítmica e o canto saiu do lugar, causando prejuízo à harmonia.
“Evoluímos em relação ao primeiro ensaio. Fizemos alterações em arranjos e fizemos um treino mais voltado ao desfile. Os ritmistas estão de parabéns. Eu acho que no desfile o foco está sempre no alto, o ritmista se comporta de uma maneira diferente. O que falta ainda é o foco. Ele tem de ser crescente para chegar 100% no dia do desfile”, explicou mestre Carlão.
O grupo de dançarinos se apresentou com roupas coloridas e movimentos sincronizados no ponto em que a nossa reportagem pode observar. Um integrante isolado interagia com o restante do grupo em um segundo momento dos movimentos coreográficos.
De volta ao Grupo Especial depois de uma passagem pelo Grupo de Acesso I a Águia de Ouro provou esta noite em seu primeiro ensaio técnico no Anhembi que não perdeu o padrão de desfiles de uma agremiação que ficou entre as primeiras colocadas nos desfiles de 2013 a 2015. O treino da azul e branca da Pompéia deixou ótima impressão, com destaque para o rendimento do samba-enredo, impulsionando harmonia e evolução. A escola causou polêmica ao levar uma composição fantasiada de Adolf Hitler com uma faixa presidencial e um casseetete simulando uma arma.
Uma das grandes obras do carnaval de São Paulo em 2019 teve grande desempenho na avenida. A dupla de intérpretes Douglinhas e Tinga demonstrou entrosamento e ajudou na condução do ensaio. De melodia mais dolente e com letra reflexiva o samba-enredo não perdeu seu alto padrão quando executado ao vivo.
“É a primeira vez, desfilei na Peruche como apoio. Muito feliz em poder estar na escola, graças ao convite do Laíla e do presidente Sidney. A escola canta muito. Gostei bastante do ensaio e acho que não pode ser melhor”, afirmou Tinga.
Já é possível perceber o estilo do trabalho de Laíla, consagrado diretor de carnaval do carnaval carioca, contratado pela Águia para o carnaval deste ano. As alas além de cantarem bastante o samba-enredo o fazem nas divisões e tempos rítmicos corretos, criando um padrão de excelência quando as vozes são unidas ao longo da passagem do samba-enredo.
“Eu vim hoje para observar. Quadra é diferente de avenida. Fiz isso e passei aos companheiros de harmonia e ao presidente minha opinião. Ensaiamos tecnicamente dentro do regulamento. Achei que ainda falta um pouquinho de alegria. Com o som amplificado a tendência é isso acontecer. Hoje não vim para comandar”, disse Laíla, diretor de carnaval.
Correta, porém burocrática. As alas passaram organizadas, com a técnica de avenida sem erros ou percalços. Entretanto, os integrantes podem demonstrar mais espontaneidade e alegria, mesmo com um samba-enredo mais dolente. Os desfilantes devem se soltar mais, evoluir com mais liberdade, para alcançar a nota máxima no quesito.
Os ritmistas da Batucada da Pompeia passaram com correção. Sob o comando de mestre Juca houve a manutenção do ritmo em detrimento do excesso de bossas. A atuação se deu em perfeita harmonia com o carro de som e o canto da escola.
Vestidos com roupa de ensaio técnico, os dançarinos evoluíram com bastões como parte integrante da coreografia. Em um determinado momento eles atiravam os bastões ao chão e pisavam com firmeza na pista.

O intérprete Diego Nicolau, que também é um dos compositores do samba ao lado de Moacyr Luz e Claudio Russo, puxou o samba, acompanhado pelo Mestre da bateria Guerreira, Junior Sampaio, e alguns ritmistas que, hoje, tocaram atabaques, agogô e gã, em respeito à homenageada. Baianas, passistas, musas, os dois casais de mestre-sala e porta-bandeira e membros da comunidade entoavam o samba como prece e deixaram turistas e moradores da região encantados com a beleza do ritual.
A festa contou com as orientações espirituais do Babalorixá Flávio de Obaluaye, que montou o barco com as oferendas e conduziu o cortejo pelas areias da praia mais conhecida do Brasil. Emocionada, a vice-presidente e gestora da agremiação, fez um discurso breve e forte. “Apesar de todas as dificuldades, com a ajuda da nossa comunidade e com as bençãos de Iemanjá, nós vamos colocar essa escola na Avenida e vamos surpreender”, afirmou.


A equipe do site CARNAVALESCO registrou o vídeo do personagem na Avenida, que veio no meio do ensaio técnico. A imagem do integrante gerou impacto no público. O componente estava dentro do espaço que é marcado e simboliza o tamanho de um carro alegórico, o que pode identificar que a alegoria terá mensagem crítica da política e da sociedade brasileira. Veja abaixo o vídeo do ensaio.