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Galeria de fotos: final de samba da Beija-Flor para o Carnaval 2026

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Por Marielli Patrocínio, Marcos Marinho e Luiz Gustavo

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Laroyê, Alafiá! Beija-Flor define samba para o Carnaval 2026 com junção de parcerias e promete rolo compressor na Sapucaí

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Por Marielli Patrocínio, Marcos Marinho e Luiz Gustavo

A Beija-Flor de Nilópolis anunciou, na madrugada desta sexta-feira, por volta de 2h45, o resultado oficial do seu concurso de samba-enredo para o Carnaval 2026. A direção da escola optou por unir duas obras: os sambas das parcerias de Júlio Assis e Sidney de Pilares, que agora se tornam um só hino para embalar a comunidade na Marquês de Sapucaí. Assim, a obra é assinada por Sidney de Pilares, Marquinhos Beija-Flor, Chacal do Sax, Cláudio Gladiador, Marcelo Lepiane, João Conga, Diego Oliveira, Diogo Rosa, Manolo, Julio Alves e Léo do Piso. O enredo de 2026, “Bembé”, presta homenagem à celebração centenária de matriz afro-brasileira realizada em Santo Amaro (BA), símbolo de resistência, fé e cultura. Atual campeã do Grupo Especial, a Beija-Flor vai em busca de mais uma conquista com a força de sua comunidade e o peso de seu “rolo compressor” no desfile de domingo, na Sapucaí. * OUÇA AQUI O SAMBA APÓS A JUNÇÃO

Segundo a presidência da escola, a fusão das duas composições busca valorizar a força poética e melódica de cada obra, resultando em um samba ainda mais completo e representativo para o desfile.

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“Fizemos um estudo minucioso, avaliando o melhor de cada uma das duas obras, entendendo a necessidade do projeto e também ouvindo a voz da nossa comunidade. A junção é um gesto de respeito ao talento dos compositores e um presente à Beija-Flor, que vai cantar na avenida com a força multiplicada dessa união”, destacou o presidente Almir Reis.

‘Esse samba vai virar macumba e deixa girar’

Um dos nomes de uma das parcerias vencedoras, Diego Oliveira não escondeu a emoção com a escolha.

“Primeiramente, antes de tudo, eu quero agradecer os meus apoiadores, da minha comunidade que estava junto nessa disputa tão acirrada. Mas a gente está numa disputa no qual a nossa diretoria e nossa presidência escolhem o que é o melhor pra escola. O importante é a gente abraçar a escola e, se Deus quiser, arrumar o bicampeonato. Essa é minha quarta vitória na Beija-Flor. Pra mim, o samba é um conjunto. Isso aqui vai virar macumba e deixa girar, deixa girar que o bi vem aí”.

Após nove anos sem vencer na Beija-Flor, Sidney de Pilares comemorou com entusiasmo o resultado da junção de sambas para o Carnaval 2026. “Depois de nove anos eu me sinto assim, sabe, muito radiante com essa vitória porque os dois sambas realmente foram os melhores e tanto é que juntou, eles estavam aí. Ficou um sambaço. Vamos para avenida com um puta samba. A comunidade ficou satisfeita, nós compositores também ficamos satisfeitos. Porque da outra parte são grandes compositores também. Vamos trazer o bicampeonato com certeza”.

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Sidney destacou ainda o trecho de sua preferência na obra: “Eu gosto muito do trecho da segunda parte: ‘Yemanjá, Alodê no mar (no mar), é D’oxum toda beleza no ibá’”.

O compositor também recordou sua trajetória de vitórias na escola: “É minha quinta vitória aqui. E duas junções. Em 2005, conquistamos o tricampeonato para a escola, tlevamos todos os prêmios. E agora, vamos ver no que vai dar”.

O compositor João Conga contou como se deu o processo criativo e a escolha das partes que formaram o hino oficial. “Quem fez a fusão sabe o que faz e realmente ficou bonito. Juntou uma parte com a outra, o que tinha que ser. Inclusive, eu estava em casa e falei: ‘se unir o samba assim com a parte tal do outro samba…’ liguei para o Sidney e perguntei se ele achava que poderia ter junção. Justamente a parte que eu achava, ficou do outro samba, e ficou legal”.

‘Não pensamos no bi, mas em fazer um grande desfile’

Marquinho Marino, diretor de carnaval, fez um balanço da temporada de 2025 e tratou de colocar os pés no chão para 2026.

“Foi um título especial, um desfile marcante, e a escola está muito feliz e unida. A escolha do samba hoje mostrou isso, porque tínhamos duas grandes obras e qualquer uma poderia representar a Beija-Flor. Mas aqui dentro nós não pensamos em bicampeonato, pensamos em fazer um grande trabalho. A consequência pode ser o título, mas a pressão não existe. A gente zera todo ano”.

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O diretor destacou ainda que a escola deverá repetir o número de componentes do último desfile, algo em torno de 3.200. Com a retirada de uma cabine de julgamento, acredita em mais fluidez e ousadia na apresentação. Sobre o calendário, confirmou que os ensaios de rua começam em 6 de dezembro, na Mirandela, e que o “Encontro de Quilombos” já tem presenças confirmadas de Viradouro, Salgueiro e Vila Isabel.

‘O samba é uma nova sinopse’

O carnavalesco João Vitor, que levou a Beija-Flor ao título em 2025, se emocionou ao comentar sua trajetória na escola.

“A sensação é indescritível. Quando cheguei há três anos, me senti pequeno diante do gigante que é a Beija-Flor. Mas essa comunidade me abraçou, e hoje posso dizer que faço parte dessa família. É uma honra enorme”.

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Sobre o processo criativo, explicou a importância da equipe de enredistas: “Todos viajamos para Santo Amaro, cada um em um espaço, vivendo o enredo. No fim do dia, reuníamos tudo. Isso gerou uma safra maravilhosa de sambas. O samba-enredo é uma sinopse musicada. Ele precisa ser claro, direto, para que o povo entenda o enredo”.

O carnavalesco também reforçou sua filosofia de trabalho em silêncio: “Não fazemos festa de protótipos. O segredo é trabalhar quieto. Todas as escolas querem vencer e é décimo a décimo. O silêncio é fundamental”.

‘Esperem mais uma vez um rolo compressor’

O presidente Almir Reis demonstrou confiança no trabalho. “A gente vai entregar uma boa plástica, como no último Carnaval. João Vitor e o barracão têm mostrado competência, e a comunidade pode esperar um grande desfile no estilo Beija-Flor. O rolo compressor vai estar de volta mais uma vez”.

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Sobre o bicampeonato, Almir reforçou a humildade: “Não gosto dessa palavra bi, porque pode dar a ideia de soberba. O nosso lema é sempre pensar no próximo campeonato. Acabou 2025, vamos para 2026”.

‘Enredo é muito rico, vamos trazer o Candomblé para a bateria’

Responsável pela “Soberana”, ao lado de mestre Plínio, mestre Rodney projetou a sonoridade da bateria para 2026.

“Tivemos uma bateria comprometida, que ajudou muito a conquistar o título. Para 2026, tudo que tem dentro do Candomblé pode ter certeza que vamos usar. O atabaque, por exemplo, vai ter um papel importante. Mas bateria é um conjunto, uma orquestra, todos os instrumentos têm valor”.

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Sobre os intérpretes, elogiou a sintonia com o carro de som: “Nino e Jéssica já faziam parte da equipe, estão indo muito bem. Vão marcar o nome na história da Beija-Flor. Aqui o trabalho é coletivo”.

‘São 30 anos de amor e devoção’

A porta-bandeira, Selminha Sorriso, celebrou a noite especial e a busca pelo bicampeonato. “Hoje é uma noite muito especial. A disputa foi acirrada e os dois sambas eram maravilhosos. Qualquer um que vencesse, eu e Claudinho daríamos o nosso melhor. São 30 anos consecutivos defendendo o pavilhão, e em 10 títulos estivemos à frente. É uma emoção única”.

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O mestre-sala Claudinho, que também é compositor, destacou a ligação com o enredo e o carnavalesco: “O João Vitor é mágico, amado pela comunidade. Nossa fantasia está dentro do universo do Bembé e vai emocionar. Além disso, o samba traz nossa ancestralidade, nossa fé. Eu sou ogã desde pequeno e é muito especial poder levar essa energia para a avenida”.

‘Beija-Flor até o fim’

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Mesmo sem ocupar mais o posto de intérprete oficial, Neguinho da Beija-Flor fez questão de ressaltar sua ligação eterna com a escola. “Passei o microfone, mas eu sou da escola. Só não sou mais o cantor, já passei para nova geração, mas um Beija-Flor até o fim. Agora estou com mais tempo de dar atenção a um novo segmento, tenho a música que é o samba de mediano, as viagens, estou com mais tempo para compor. É por isso que passei o microfone, para me dedicar a essa nova fase, dar a minha outra face pra bater. Ainda não sei o local que vou desfilar, mas até empurrando o carro estarei lá”.

‘É um sentimento inexplicável’

Estreando oficialmente como voz principal da Beija-Flor no Carnaval 2026, Jéssica Martin descreveu a emoção de anunciar o samba que defenderá a escola na Sapucaí. “Eu estou sentindo um misto de emoção, coração a mil. E, hoje, tendo a missão de anunciar o samba que vamos levar para a Avenida em 2026, eu vou falar para vocês: é um sentimento inexplicável. De carinho, de amor, de gratidão sempre. Hoje foi uma mistura de tudo, de todos os sentimentos bons que o ser humano possa sentir”.

Ciente da grande responsabilidade de suceder o ícone Neguinho da Beija-Flor, ela ressaltou o peso histórico desse momento.

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“O nível é altíssimo. A gente sabe da responsabilidade que carrega. Suceder o nosso mestre Neguinho após 50 anos de um legado maravilhoso que ele nos deixou, eu sei que isso é uma coisa muito gigante, ainda mais eu sendo uma mulher. Mas a gente está tendo muito apoio. Eu estou tendo muito apoio do Nino, que é o meu parceiraço, está me ensinando bastante, tendo o maior carinho comigo. E a família Beija-Flor também está tendo esse apoio, esse acolhimento, esse carinho. Está sendo maravilhoso, tá sendo incrível esse trabalho”.

Com a alegria de ser um dos intérpretes da Beija-Flor no Carnaval 2026, Nino do Milênio falou sobre a emoção de viver seu sonho e representar a escola.

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“Hoje, além de feliz, me sinto muito realizado. De fato estou realizando um sonho. Tenho uma história muito bonita aqui; cada canto dessa quadra tem uma história. Tenho grandes amigos aqui e estou vivendo o sonho de ser uma voz dessa escola maravilhosa. Não tenho palavras para expressar minha emoção. Só tenho a agradecer a Deus, ao mestre Anísio, ao presidente Almir Reis pela oportunidade e também ao Gabriel”.

‘Foi uma consagração falar de Laíla’

Um dos responsáveis pela comissão de frente da Beija-Flor, Saulo Finelon destacou a emoção de coreografar um enredo em homenagem a Laíla no ano do título.

“Olha, foi super emocionante falar de Laíla, para gente foi uma honra enorme. Acho que foi um momento muito histórico pra escola e nós estarmos participando desse momento. Foi super importante também pra nossa carreira. Aí veio o campeonato, que é o que todo mundo trabalha pra alcançar. Realmente, foi a consagração. Para nós, foi inexplicável”.

O parceiro de Saulo, o coreógrafo Jorge Teixeira, lembrou o peso do campeonato após alguns anos de jejum. “Já tinha uns anos que a escola vinha sem campeonato, então fazer parte dessa equipe que trouxe o título pra Nilópolis foi super importante. Foi muito emocionante. E, se Deus quiser, estamos partindo agora pra 2026 em busca do bi. Esse é o nosso sonho agora”.

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Saulo ressaltou a parceria com o carnavalesco João Vitor: “O João é maravilhoso. Muito parceiro. Foi muito fácil trabalhar com ele. Temos uma ligação forte, porque ele é muito aberto, escuta muito”.

Jorge, por sua vez, destacou a força do samba-enredo como guia da comissão: “O samba é super importante, porque é ele que dá o ritmo, a movimentação, traz a história. Ele ajuda a gente a construir o percurso e o desenvolvimento da comissão”.

Saulo complementou: “Acho que as escolas cresceram muito, hoje é quesito por quesito. Isso é muito importante porque emociona. Esse ano tivemos esse fator emoção muito forte, graças ao samba. E em 2026 também estamos tranquilos, porque os dois sambas finalistas eram maravilhosos”.

Debate sobre a cabine espelhada

Saulo aprovou a ideia de oficializar o novo formato de julgamento: “Olha, eu acho que todo projeto é válido. É importante pensar no público. Esse ano, a gente já tinha uma comissão 360. Então, oficializar isso é válido e que bom que tivemos tempo pra nos preparar. Agora, a gente já projeta visando a cabine espelhada, e acho que vai ser bom”.

Já Jorge apresentou uma visão mais cautelosa: “Eu só acho que ficou no meio termo. Não gosto muito da ideia de ter só uma cabine espelhada. Se fosse pra ser, que fossem as três. Assim fica complicado. Acho que isso vai exigir muito amadurecimento da parte dos jurados, porque em uma cabine vão avaliar dos dois lados, mas na outra só de um. Isso pode dar a impressão de que a comissão dança para um espaço vazio. Não é uma ideia ruim, mas precisa ser muito bem trabalhada, tanto por nós quanto pela cabeça dos julgadores”.

Como passaram os sambas na final

Parceria de Júlio Assis: O samba 01, da parceria de Júlio Assis, Diego Oliveira, Léo do Piso, Diogo Rosa, Manolo e Julio Alves, abriu a final com Tinga, Nêgo, Dodô e Thiago Acácio nos microfones principais. A torcida já entoava os versos do samba antes da apresentação começar, principalmente o trecho “isso aqui vai virar macumba”. A temperatura esquentou para a arrancada da obra, com fortes primeiras passadas. Além dos explosivos versos finais e do refrão de cabeça, o refrão central — “bota dendê, baiana! Ginga o capoeira, abre a porteira que Exú me libertou, o povo preto ergue a sua bandeira, nego fugido não tem senhor” — passou muito bem e segurou o samba lá em cima. O já citado refrão principal — “deixa girar que a rua virou Bembé, deixa girar que a rua virou Bembé, o meu Egbé faz valer o seu lugar, erô erô Beija-Flor, Alafiá” — mais uma vez teve excelente rendimento e levantou a quadra. Na passagem apenas com o canto da torcida, o samba não alcançou tanta explosão; porém, os torcedores seguraram todo o samba no gogó, sem trechos mais fracos. No retorno para os intérpretes no palco, o samba se manteve firme, com os trechos mais fortes sendo cantados pela torcida, em ótima sintonia. Uma apresentação explosiva no início e consistente em todas as passadas, com o samba passando em nível muito bom.

Samba de Sidney de Pilares: O samba 39, da parceria de Sidney de Pilares, Marquinhos Beija-Flor, Chacal do Sax, Cláudio Gladiador, Marcelo Lepiane e João Conga, teve Bruno Ribas, Rafael Tinguinha e Tuninho Júnior nos microfones principais. A apresentação realçou toda a beleza das variações e da linha melódica da obra, como no trecho “Yemanjá, Alodê no mar (no mar), é D’Oxum toda beleza do Ibá, é reza no corpo, é dança na alma, a rosa, a palma no meu baticum”. O trecho “A curimba de baiana faz Nilópolis cantar, Aiê Yê, Odoyá” explodiu e preparou, em grande estilo, para o refrão de cabeça, que seguiu o alto nível da apresentação. Na passada sob o canto dos torcedores, o canto foi consistente, porém o ápice veio a partir da segunda parte até o refrão principal. As duas passadas finais foram fortíssimas e mexeram com componentes que não faziam parte da torcida do samba. Uma apresentação de excelência.

Beija-Flor: ouça como ficou a junção dos sambas para o Carnaval 2026

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Compositores: Sidney de Pilares, Marquinhos Beija-Flor, Chacal do Sax, Cláudio Gladiador, Marcelo Lepiane, João Conga, Diego Oliveira, Diogo Rosa, Manolo, Julio Alves e Léo do Piso

NÃO ME PEÇA PRA CALAR MINHA VERDADE
POIS A NOSSA LIBERDADE, NÃO DEPENDE DE PAPEL
EM SANTO AMARO, TODO TREZE DE MAIO
NOSSA ANCESTRALIDADE É FESTEJADA À LUZ DO CÉU

Ê Ê… JOÃO DE OBÁ, GRIÔ SAGRADO
Ê Ê… HERANÇA VIVA NO MERCADO
CANTANDO, SAUDAMOS A NOSSA FÉ
ÀS NAÇÕES DO CANDOMBLÉ

É SAGRADO O RESPEITO!
RESSOA NO CORO O AXÉ FUNFUN
NÃO TEMEMOS ATAQUE ALGUM
A RUA OCUPAMOS POR DIREITO

PÕE ERVA PRA DEFUMAR
UM EBÓ PRA PROTEGER
SARAIÉIÉ BOKUNAN, SARAIÉIÉ!
NOSSO POVO É DA ENCRUZA
ARTE PRETA DE TERREIRO
É MISTURA DE CULTURA
MULTIDÃO DE MACUMBEIRO

O POVO GIRA NO XIRÊ, A CELEBRAR…
O AXÉ SE ESPALHA EM CADA CANTO, EM CADA OLHAR
TRANSBORDA MAGIA NO TOQUE DO TAMBOR
ÀS YABÁS, O BALAIO E O AMOR…

YEMANJÁ ALODÊ NO MAR (NO MAR)
É D’OXUM TODA BELEZA DO IBÁ
É REZA NO CORPO, É DANÇA NA ALMA
A ROSA, A PALMA, O OMOLUCUM…
É DONA CANÔ DE TODO RECANTO
EVOCO A BAIXADA DE TODOS OS SANTOS!

ATABAQUE ECOOU, LIBERDADE QUE RETUMBA
ISSO AQUI VAI VIRAR MACUMBA!
DEIXA GIRAR QUE A RUA VIROU BEMBÉ
DEIXA GIRAR QUE A RUA VIROU BEMBÉ
O MEU EGBÉ FAZ VALER O SEU LUGAR
LAROYÊ, BEIJA-FLOR, ALAFIÁ!

Vote: Qual parceria é favorita para vencer a disputa de samba da Mangueira para o Carnaval 2026?

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A Estação Primeira de Mangueira chega neste sábado à etapa final das eliminatórias de samba-enredo para seu Carnaval 2026. A partir das 22h, no Palácio do Samba, os sambistas vão poder conferir o show inédito “Mangueira porta-voz da cultura popular” e, em seguida, a disputa que vai determinar qual será o Hino da agremiação na Marquês de Sapucaí. Abaixo, você pode ouvir os sambas finalistas e apontar a parceria favorita para vencer. Vamos divulgar o resultado durante o sábado.

Vai parar Niterói! Viradouro escolhe samba nesta sexta-feira para homenagear Ciça no Carnaval 2026

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A Viradouro promove nesta sexta-feira, às 21h, a final do concurso que vai escolher o samba da escola para o próximo carnaval. Três parcerias estão na decisão. Em enquete com os leitores do CARNAVALESCO, a parceria de Claudio Mattos, Renan Gêmeo, Rodrigo Gêmeo, Lucas Neves, Rodrigo Rolla, Ronaldo Maiatto, Bertolo, Silvio Mesquita, Marcelo Adnet e Thiago Meiners foi escolhida por 89,4% dos votos como favorita para vencer. A parceria de Mocotó, PC Portugal, Arlindinho Cruz, J. Lambreta, André Quintanilha, Rodrigo Deja, Ronilson Fernandes, Renato Pacote, Reinaldo Guimarães e Bira Fernandes recebeu 9,6% e a parceria de Lucas Macedo, Diego Nicolau, Jefferson Oliveira, Vinicius Ferreira, Richard Valença, Miguel Dibo, Orlando Ambrosio, Hélio Porto, Aldir Senna e Wilson Mineira teve 1%.

A escola vai disputar o título do ano que vem com o enredo “Pra cima, Ciça!”, uma homenagem ao consagrado mestre de bateria da agremiação, que marca a história do carnaval carioca. A quadra da Viradouro fica na Av. do Contorno, 16, no Barreto, em Niterói. A entrada custa R$ 50. Informações sobre mesas e camarotes: (21) 2828-0658.

FINAL DA DISPUTA DE SAMBA-ENREDO
🗓️ 26/09/2025 (sexta-feira)
⏰ 21h
📍 Av. do Contorno, 16 – Barreto, Niterói
🎟️ Entrada: R$ 50,00
✨ Thiago Martins, segmentos da Viradouro e disputa de samba
📞 Ingressos, mesas, camarotes e mais informações: (21) 2828-0658

Portelão vai estremecer! Majestade do Samba escolhe samba para o Carnaval 2026

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Nesta sexta-feira, a Portela vai realizar, em sua quadra, a escolha do hino que irá embalar seu desfile no Carnaval de 2026. A parceria de Daiane Molet, Anderson Xilico, Chico Professor, Fagner Presidente, Fred Feijó, Maninho Veiga e Marcéle Sálles foi escolhida por 36,5% dos leitores do CARNAVALESCO como favorita para vencer a disputa. A parceria de Toninho Geraes, Eli Penteado, Paulo Cesar Feital, Alexandre Fernandes, Victor do Chapéu, Juca e Juninho Luang recebeu 30,6%. A parceria de Cecília Cruz, Claudio Cruz, Luciano Fogaça, Fabinho Gomes, Gêmeos, Osmar Fernandes e Júlio Pagé ficou com 17,8% e a parceria de Valtinho Botafogo, Raphael Gravino, Gabriel Simões, Braga, Cacau Oliveira, Miguel Cunha e Dona Madalena terminou com 15,1%.

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Foto: Gil Lira/Divulgação Portela

Com o enredo “O Mistério do Príncipe do Bará — A oração do negrinho e a ressurreição de sua coroa sob o céu aberto do Rio Grande”, a Ala de Compositores Ary do Cavaco e os compositores gaúchos, movimentaram a safra deste ano com 36 sambas inscritos. Desse quantitativo, quatro obras chegaram à grande final e seguem firmes na disputa para virar o hino da Portela para o próximo Carnaval.

Prometendo um espetáculo à altura da tradição portelense, repleto de emoção e surpresas para o público, o presidente Junior Escafura destacou a importância do momento e compartilhou a expectativa da final.

“A disputa está acirrada e o nível das obras é altíssimo, me arrisco a dizer que foi a melhor safra do Grupo Especial. É muito bom ver a dedicação dos compositores para esse momento. Temos certeza de que o samba escolhido vai honrar esse enredo e marcar a história da nossa escola. Aguardem um show incrível e emocionante, do jeito que a Portela merece!”, declara Escafura.

Além do show da escola e da apresentação dos sambas concorrentes, a noite será ainda mais especial com o batismo oficial da escola de samba Bambas da Orgia, de Porto Alegre, como afilhada da Portela.

SERVIÇO
Grande Final de Samba-Enredo Portela Carnaval 2026
Enredo: O Mistério do Príncipe do Bará — A oração do negrinho e a ressurreição de sua coroa sob o céu aberto do Rio Grande
Data: 26/09/2025 (sexta-feira)
Horário: A partir das 22h
Local: Quadra da Portela – Rua Clara Nunes, 81 – Madureira.

Diretor musical e Pitty de Menezes comemoram junção de sambas da Imperatriz: ‘Vai pegar o coração do público’

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A Imperatriz Leopoldinense aposta novamente na união de talentos para o Carnaval 2026. A escola de Ramos decidiu juntar as obras das parcerias de Hélio Porto e Gabriel Coelho, criando um samba-enredo único que, segundo a direção, supera o que cada composição apresentava individualmente. O intérprete Pitty de Menezes destacou a força da junção.

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Foto: Matheus Morais/CARNAVALESCO

“Unimos duas obras maravilhosas que, separadas, já poderiam representar a escola, mas juntas construímos um samba imbatível, que vai pegar o coração do público. A comunidade abraçou o samba desde o lançamento, e posso dizer que estou apaixonado por ele, talvez, até mais do que pela Cigana. Graças a Deus, a Imperatriz tem uma ala musical muito competente”.

Sobre as nuances musicais, Pitty explicou como a junção manteve a fluidez e evitou quebras melódicas: “Quando falamos ‘Se joga na festa’, por exemplo, a transição se encaixa perfeitamente na melodia. As partes dos dois sambas se completam, como se tivessem nascido um para o outro. Foi uma junção maravilhosa e tranquila de fazer”.

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Pedro Miguel, o Pedrão, diretor musical da Imperatriz, detalhou o processo técnico por trás da junção: “A ideia partiu da cúpula da escola. Ajustamos cada parte, decidindo quais trechos de cada samba seriam utilizados, sempre com cuidado para que a música permanecesse fluida. Foi um trabalho de esmero e lapidação, para que a divisão das partes não criasse embolações e respeitasse a melodia e a voz do cantor”.

Ele explicou ainda como foram solucionadas questões musicais complexas, como tonalidade e quebra melódica: “Trabalhamos estudando escalas, sonoridade e limites da voz humana. Escolhemos a tonalidade ideal e ajustamos as melodias para que o samba ficasse agradável de cantar, sem notas muito altas ou muito baixas. No final, conseguimos um samba que certamente vai alegrar muita gente no ensaio e na avenida”.

Raio cai duas vezes na Imperatriz! Como em 2024, escola junta duas parcerias e define samba para celebrar Ney Matogrosso no Carnaval 2026

Para André Bonatte, diretor de carnaval da agremiação, a junção é um exercício natural. “Depois de um resultado muito bom com a Cigana, sempre fazemos o questionamento: a junção é melhor do que o que temos? Se for melhor, podemos continuar a debater. A ideia é pegar os melhores pontos de cada samba e fazer com que se encaixem, sem confrontar a proposta do enredo. O resultado é algo que percebemos ser melhor do que aquilo que se apresentava individualmente”.

Bonatte ainda destacou que a junção gerou menos estranhamento do que ocorrera no caso da Cigana e avaliou o resultado como promissor: “No primeiro momento, as pessoas podem estranhar, mas esse samba tem tudo para dar certo. As letras conversaram de maneira mais tranquila e a escola acredita que temos nas mãos o samba do carnaval”.

Disputa sensacional! Parceria de Júlio Assis é eleita pelos leitores do CARNAVALESCO favorita para vencer na Beija-Flor com 1% de vantagem

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A Beija-Flor de Nilópolis, atual campeã do Grupo Especial do Rio de Janeiro, promove, nesta quinta-feira, a grande final do concurso de samba-enredo que vai escolher o hino oficial da escola para o Carnaval 2026. O evento acontece a partir das 22h, na quadra da agremiação, em Nilópolis, e promete reunir a comunidade azul e branca em uma noite histórica. Em enquete com os leitores do CARNAVALESCO, a parceria de Julio Assis, Diego Oliveira, Diogo Rosa, Manolo, Julio Alves e Léo do Piso foi eleita favorita para vencer por 50,5% e a parceria de Sidney de Pilares, Marquinhos Beija-Flor, Chacal do Sax, Cláudio Gladiador, Marcelo Lepiane e João Conga recebeu 49,5%.

Será um verdadeiro duelo de gigantes, no qual a força poética e melódica das obras se encontra com a vibração da comunidade para definir o samba que embalará a atual campeã do carnaval no desfile de 2026. Neste ano, a Beija-Flor levará à Sapucaí o enredo “Bembé”, desenvolvido pelo carnavalesco João Vitor Araújo, que homenageia uma das mais importantes celebrações de matriz africana do Recôncavo baiano, reconhecida como patrimônio cultural brasileiro.

Na ocasião, além da apresentação dos segmentos da escola — bateria, passistas, baianas, velha guarda, casais de mestre-sala e porta-bandeira — será exibido o último episódio do reality “A Voz do Carnaval”, programa que acompanha de perto o processo de escolha do novo intérprete da Beija-Flor, posição de destaque ocupada há décadas por Neguinho da Beija-Flor.

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Foto: Eduardo Hollanda/Rio Carnaval

Para quem não estiver no Rio de Janeiro, a final também será transmitida ao vivo pelo canal oficial da Beija-Flor no YouTube, levando a emoção da disputa até os torcedores e admiradores da escola em todo o mundo.

Serviço
Final de Samba-Enredo da Beija-Flor de Nilópolis
Data: Quinta-feira, 25 de setembro de 2025
Horário: 22h
Local: Quadra da Beija-Flor – Rua Pracinha Wallace Paes Leme, 1025 – Nilópolis/RJ
Ingressos: a partir de R$ 50,00
Transmissão: Canal oficial da Beija-Flor no YouTube

Qual parceria é favorita para vencer a disputa do Salgueiro para o Carnaval 2026?

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Foto: @yrgusmao/Divulgação Salgueiro

O sábado, 27 de setembro, promete ser histórico para o Salgueiro. A escola vermelha e branca do Andaraí realiza a grande final de samba-enredo que definirá o hino oficial para o Carnaval 2026. Após uma disputa intensa, três parcerias chegaram à finalíssima: Samba 8 – Marcelo Motta, Dudu Nobre e parceiros, Samba 11 – Rafa Hecht, Samir Trindade e parceiros e Samba 15 – Marcelo Adnet e parceiros. Abaixo, você pode ouvir os sambas finalistas e votar para apontar a parceria favorita para vencer a disputa.

De Santo Amaro a Nilópolis! Liberdade fincada pelo povo negro faz o 13 de maio ter outros sentidos no Bembé e na Beija-Flor

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O 13 de Maio em Santo Amaro nunca começa na própria data. Dias antes, os preparativos do Bembé antecedem a alvorada: o Padê de Exu, a organização dos presentes que serão oferecidos ao mar, a saudação a João de Obá, aquele que, em 1889, fincou o mastro no mercado municipal para celebrar a liberdade. Quando os fogos de artifício enfim anunciam a alvorada, a rua já se transforma em barracão, o mercado sacralizado acolhe cantos, danças e tambores, e o Bembé, com seus 136 anos de existência, reafirma que a abolição também foi obra da resistência negra. Em 2026, essa celebração atravessa o país: do Largo do Mercado de Santo Amaro à Marquês de Sapucaí. No enredo da Beija-Flor de Nilópolis, o Xirê se transforma em desfile e a avenida em extensão da memória ancestral.

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Fotos: Divulgação/Beija-Flor

Quando viu a Beija-Flor cantar em Nilópolis, a historiadora e pesquisadora do Bembé, Ana Rita Machado, não conteve a emoção: “foi um encontro ancestral”. Para ela, a escolha do enredo, assinado pelo carnavalesco João Vitor Araújo, não é apenas uma homenagem, mas a realização de uma promessa: o abraço de duas populações negras que compartilham memória, luta e fé. De Santo Amaro a Nilópolis, o 13 de Maio ganha outros sentidos. Não o oficial, da Princesa Isabel ou dos movimentos abolicionistas, mas o da liberdade fincada pelo povo negro.

Da explosão ao axé: as repressões que marcaram o Bembé

Filha de um topógrafo e de uma cabeleireira, Ana Rita Machado nasceu em Santo Amaro, mas cresceu em diferentes cidades da Bahia, acompanhando as transferências do trabalho do pai como funcionário público. Foi em 1997 que a historiadora teve seu primeiro encontro com o Bembé do Mercado. A festa, tão presente em sua cidade natal, revelou-se marcada por uma lacuna de registros e de compreensão, percepção que guiou sua investigação dali em diante.

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Ana Rita Machado. Foto: Divulgação/Beija-Flor

O ponto de virada veio numa conversa com Nicinha do Samba, matriarca do samba de roda santo-amarense. Foi ela quem, ao rememorar o 13 de Maio do Bembé, ligou a festa a um dos episódios mais traumáticos da cidade: a explosão do mercado nos anos 1950. “Quando perguntei sobre essa relação, entendi o tamanho da história que estava diante de mim”, recordou Ana Rita.

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A explosão ocorreu em 1958, na véspera de São João, quando duas barracas de fogos no Largo do Mercado explodiram e provocaram uma tragédia com mortos e feridos. O impacto se prolongou no cotidiano da cidade: a festa do Bembé foi proibida. Na memória popular, porém, não se tratava de um episódio isolado. Dois anos antes, um delegado havia proibido a celebração por associá-la ao acidente automobilístico sofrido por ele e sua família.

Brigas, enchentes, perseguições policiais e a explosão se acumularam como sinais de um tempo de repressão religiosa. No imaginário popular, a proibição da festa era a causa das catástrofes da cidade. Foi nesse clima que as comunidades de terreiro e grupos de capoeira e maculelê ergueram a voz: o Bembé era uma celebração imprescindível na cidade de Santo Amaro.

“O Bembé não era uma festa sincrética como outras festas populares. A população que fazia essa festa eram populações pretas, pessoas do candomblé, pescadores, marisqueiras, vendedores de cachaça e peixe”, explicou Ana Rita. Para ela, o candomblé é um princípio civilizatório das populações negras: “sempre estruturou as populações negras no pós-abolição”.

Mastro e a cidade-terreiro

João de Obá, em 1889, um ano após a abolição, foi quem fincou o primeiro mastro, acreditando que poderia viver uma experiência de liberdade. A partir dali, o mercado de Santo Amaro se tornava sagrado, transformado em barracão pela força do candomblé.

O mastro é o centro do Bembé. No topo está a comeeira, consagrada a Xangô, orixá de João de Obá e patrono da festa, que simboliza a força da justiça e da alegria. O gesto de fincar e erguer o mastro estabelece a ligação entre dois mundos: a comeeira, no alto, representa o Òrum (mundo espiritual), e o intótu, na base cravada no chão, representa o Àiyé (mundo material). Essa ponte torna o espaço público sagrado.

“É como se aquelas populações negras transformassem a cidade em um terreiro, em um espaço de identidade, pertencimento e poder. O território está ligado a isto: estabelecer um lugar político”, afirmou a pesquisadora.

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O levantamento do mastro, no Largo do Mercado, só acontece depois da conclusão dos ritos restritos, que são realizados dias antes do 13 de maio no terreiro do babalorixá ou da yalorixá responsável pela condução ritual. Nesses ritos, são saudados os ancestrais (Eguns), e se oferece o Padê de Exu, Senhor dos Caminhos, para afastar problemas e garantir a segurança da comunidade santo-amarense durante a celebração.

Também se consagram oferendas a Iemanjá e Oxum, as donas da festa, orixás ligadas às águas doce e salgada, de onde a população pesqueira e marisqueira retira o seu sustento. “Essas pessoas que agradecem ao rio e ao mar são pessoas que dependem deles para sobreviver. A água salgada está ligada à nossa trajetória do processo de diáspora e é a energia que nos mantém vivos porque nos dá o que comer, que é a pesca. E o rio, além da pesca, é o que a gente bebe para sobreviver. Não estamos só falando de um princípio religioso, mas de um princípio espiritual”, afirmou Ana Rita. Na celebração do Bembé, há ainda rituais que envolvem a preparação e arrumação dos presentes que serão oferecidos ao mar.

Na alvorada, os fogos de artifício anunciam a chegada dos presentes ao Barracão do Mercado. Logo de manhã inicia-se o Xirê do Mercado do 13 de maio com a presença de babalorixás, ialorixás, ogãs, equedes, ebomins, iaôs e abiãs de 45 comunidades de terreiro da região. O Bembé só termina após todos os presentes serem oferecidos ao mar.

Para Ana Rita Machado, o Bembé estabelece um lugar político porque reorganiza Santo Amaro a partir das experiências da população negra do candomblé. “Essas populações transformaram silenciosamente a rua em espaço de suas próprias experiências e dizem: esse é um lugar de prestígio, importância e poder. Eles reorganizam a cidade nesses dias, eles plantam axés, eles dançam na cidade. Imagine uma cidade extremamente racista, que esconde a festa e faz todo um movimento para a festa deixar de existir”, declarou.

Ao redor do mastro, a cidade se reorganiza. O espaço público passa a ser território de prestígio, de axé, de resistência. É nesse chão demarcado pelo gesto de João de Obá que o Bembé reafirma, ano após ano, que a liberdade não foi concedida, mas conquistada.

O 13 de Maio em disputa

Se para a história oficial o 13 de Maio é data da princesa redentora, que com uma assinatura fez a abolição da escravatura no Brasil, no Bembé ele assume outro sentido: a experiência da própria comunidade negra afirmando sua liberdade. “Durante muito tempo, o 13 de maio foi visto como a história da Princesa Isabel e das elites abolicionistas, como se as populações escravizadas não tivessem suas próprias experiências. O Bembé não diz isso”, afirmou Ana Rita.

Essa outra memória foi sustentada por lideranças religiosas que transformaram a festa em ato de disputa do 13 de maio. Pai Tidu, que conduziu o Bembé entre as décadas de 1950 e 1990, enfrentou o período de proibição e perseguição, garantindo que a celebração não desaparecesse. Depois dele, Pai Pote ampliou a luta: além de zelar pela liturgia, passou a articular o reconhecimento do Bembé como patrimônio, no Brasil e no mundo.

Na visão da pesquisadora, o movimento negro muitas vezes recusou a data, vista como conservadora. Mas o Bembé reorganiza essa memória: não é a tutela branca, é a celebração de uma liberdade conquistada com luta. “Quando João de Obá pega a comunidade dele e finca uma bandeira branca, está fincando o candomblé da liberdade”, resume Ana Rita.

Patrimônio e salvaguarda

O esforço para garantir a continuidade do Bembé não se dá apenas no campo ritual, mas também no político. Pai Pote, herdeiro da festa, foi quem liderou a articulação para que o Bembé conquistasse reconhecimento institucional. Em 2012, a celebração foi registrada como Patrimônio Imaterial da Bahia, em processo que teve como referência a pesquisa de Ana Rita Machado. Em 2019, nova mobilização de comunidades e lideranças ampliou o reconhecimento: o Bembé se tornou Patrimônio Imaterial do Brasil pelo IPHAN. Desde 2020, Pai Pote pleiteia junto à UNESCO o título de Patrimônio Imaterial da Humanidade.

“Nunca imaginava que esse trabalho se tornaria um ponto de referência, um ponto de diálogo com o Poder Público para buscar políticas para o Bembé”, disse a pesquisadora.

Em 2024, essa trajetória se consolidou com a criação do Centro de Referência do Bembé, sediado em uma casa cedida pela prefeitura e vinculado à Universidade do Estado da Bahia (UNEB). Coordenado por Ana Rita, o espaço tem como missão preservar a memória da festa e articular políticas públicas em torno dela.

Além de pesquisadora do bembé, Ana Rita Machado também é reconhecida como Iyá Egbé por 45 comunidades de terreiro ligadas ao Bembé, o que lhe confere o papel de conselheira: “Eu sou Iyá Egbé por conta de um cargo, mas preciso respeitar aqueles que vêm antes de mim e que conhecem a liturgia. O Bembé é uma coisa muito séria sob o ponto de vista litúrgico e da história das populações negras”.

Encontro com a Beija-Flor

A possibilidade de virar enredo de escola de samba sempre rondou a festa. Pai Pote chegou a receber propostas de cinco agremiações de fora do Rio, mas recusou. Intuía que caberia a uma agremiação carioca levar o Bembé para à avenida. O convite da Beija-Flor confirmou essa intuição.

Em Santo Amaro, a notícia foi recebida com festa pela comunidade: “Santo Amaro está numa felicidade só, que não é uma felicidade eufórica. As pessoas da cidade receberam isso da melhor maneira que você possa imaginar”, revelou Ana Rita. Quando a equipe da escola visitou a cidade, os moradores brincavam: “Olha a Beija-Flor aí, gente!”.

Em Nilópolis, durante o início da disputa de samba para o Carnaval 2026, Ana Rita viveu a emoção que chamou de encontro ancestral: “Quando eu vi aquelas pessoas cantando daquela maneira, foi um encontro ancestral. Sabe aquele encontro que estava marcado pela ancestralidade para que dois irmãos se abraçassem com amor e carinho e entendessem o que é essa trajetória histórica. Nilópolis me emocionou profundamente”.

Para ela, o desfile não pode deixar de trazer João de Obá, Iemanjá, Oxum e Xangô, guardiões da festa. E o que mais impressionou Ana Rita Machado foi o entendimento da equipe. “Pelos sambas que tenho ouvido e pela seriedade da equipe que veio pesquisar, acho que a mensagem maior seja de alegria e de amor. É contar a história de quem somos nós, as contribuições que damos a esse país e a importância que essas populações têm para transformá-lo em algo melhor”, declarou.