Por Matheus Mattos. Fotos: Felipe Araújo

Finalizando a noite de ensaios técnicos da sexta-feria, a escola de samba Vai-Vai levou para avenida cerca de 2.500 componentes. Coreografia representativa da comissão de frente e simpatia do casal oficial se destacaram na noite.
“A chuva atrapalhou um pouco mas a gente veio bem. A escola evoluiu bem, agora é esperar o dia e vir tecnicamente do mesmo jeito. Eu gostei, estamos analisando algumas coisas que eu não gostei, mas no geral foi satisfatório”, afirmou o presidente Neguitão.
Comissão de frente
Coreografada pelo Chris Brasil, a comissão de frente tem coreografia com alto teor
representativo e interação constante com a plateia, e por isso, o quesito promete ser um
grande ponto de emoção no desfile. Em comparação aos últimos ensaios, todos os integrantes vieram com roupas africanas.
“Foi um ensaio importante. Choveu e a chuva muda tudo, muda a forma eu a gente
pisa no chão, a forma que a roupa funciona no corpo. Deu pra gente vê que a equipe está
preparada, condicionamento físico está em dia, é continuar no foco. O Vai-Vai tem essa energia, parece que quando vem na chuva a escola vem mais forte, a chuva desperta um guerreiro mais forte”, contou Chris Brasil.
Mestre-Sala e Porta-Bandeira
O casal oficial, Pingo e Paula, esbanjou simpatia e sincronismo. A dupla optou por ensaiar com a fantasia do desfile de 2018, toda dourada onde a porta-bandeira traz um coração na fantasia e o mestre-sala com uma pomba, simbolizando Paz e Amor. O estilo de dança de
ambos é com passos mais clássicos e com muita alegria.
“Sempre temos que melhorar, mas fizemos um desfile compacto. Se Deus quiser no desfile
vamos superar as nossas dificuldades e trazer o campeonato pra Bela Vista”, comentou o mestre-sala.

“Foi ótimo, a gente passou no tempo esperado, as apresentações das cabines foram perfeitas. Foi melhor do que os últimos que a gente, e na avenida vai ser ainda melhor”, completou a porta-bandeira.
Evolução
A escola conta com muitas bem alas coreografadas, e o efeito quando junta todas é bem
positivo para a entidade da Saracura. A direção de harmonia optou por um andamento mais cadenciado, constante e sem aceleração.
“A escola mais uma vez mostra o seu poder de superação, muita chuva, muita dificuldade para o componente chegar. Mas estou muito contente com o resultado, ainda tem 10 dias para o carnaval e a escola está ficando pronta. O ápice é no dia e a gente está aguardo pro desfile, o melhor está por vir. A escola está no estágio que ela queria. Passamos na avenida no 57 minutos”, frisou Lourival, diretor de carnaval.

Bateria
A bateria Pegada de Macaco, comandada pelos mestres Tadeu e Beto, entra no recuo de uma forma diferenciada. Os ritmistas ficam de frente à torre 04, e se movimentam de costas. A batucada foi mais cautelosa em relação as bossas, realizando poucos apagões e paradinhas.
Samba-Enredo
O samba-enredo do Vai-Vai carrega uma importância para o povo negro, facilmente encontrada ao ver a evolução dos sambistas. O refrão é explosivo e gera um pico no cantar do folião, influenciando também no próprio quesito de harmonia. A intérprete Grazzi Brasil demonstrou bom sincronismo com a ala musical durante o tempo em que ficou no recuo.
Harmonia
Os componente do Vai-Vai mostram boa uniformidade e empolgação durante a passagem da escola. O cantar da agremiação é constante e nivelado, quesito que não aparenta ser uma dificuldade para o desfile.
Outros Destaques
Dentro de um cenário onde as escolas colocam a ala das crianças presas em alegorias, a agremiação alvinegra vai na contramão e reserva um espaço no chão aos jovens sambistas. O número de crianças e a felicidade deles fizeram com que se destacassem no último ensaio técnico.





A forte chuva que atingiu a escola anterior amenizou no ensaio da Tom Maior, porém alguns componentes continuaram sofrendo com a pista molhada. No último técnico, a agremiação ainda mostra que existem erros a serem corrigidos, principalmente no quesito de evolução. Com um andamento seguro e bossas estratégicas, a bateria Tom 30 foi o destaque da noite.
A ala trouxe bailarinos com diversidade de cores. Foi notado, principalmente em frente ao
Evolução
Bateria
Harmonia
Outros Destaques
O Império de Casa Verde entrou na avenida pra realizar o seu último ensaio técnico com a chuva em menor intensidade. A escola trouxe um bom número de contingente, demonstrou perfeição em praticamente todos os quesitos e manteve clima de desfile ocasionado no segundo técnico.
A ala mais uma vez se destacou com entrosamento, passos rápidos e com bastante informação. Todos os bailarinos estavam com o rosto pintados de tigre. Com duas
Elogiado por críticos do quesito, o casal Rodrigo Antonio e Jéssica Gioz, esbanjou simpatia e bom sincronismo, mantendo o alto nível das duas últimas passagens. Assim como outras
O intérprete Carlos Júnior, junto à ala musical, parou de cantar em trechos do samba e durante a realização das bossas. Método que usam pra destacar o canto da comunidade. Os arranjos do time de corda também se destacaram.
Comandada por mestre Zoinho, a bateria Barcelona do Samba tocou de ponta a ponta no mesmo andamento e valorizando a sustentação do canto da comunidade. Zoinho fez questão de deixar mestre Marcão, ex-Salgueiro, a frente da batucada em grande parte da passagem. Notou-se também a nova pele dos instrumentos com imagem do Darth Vader, personagem do filme Star Wars.
Evolução
A parte de harmonia não comprometeu. A escola cantou o samba de forma satisfatória e
Outros Destaques
A escola de samba Gaviões da Fiel entrou na avenida pra realizar o terceiro e último ensaio técnico. A largada contou com uma queima de fogos de praticamente 10 minutos de duração. A agremiação alvinegra sofreu bastante com a forte chuva que atingiu a cidade de São Paulo, principalmente, o casal de mestre-sala e porta-bandeira. Os quesitos que julgam diretamente os componentes, harmonia e evolução, não sofreram tantos prejuízos.
A comissão mostrou bom sincronismo durante a passagem apesar da chuva. De diferença dos últimos ensaios técnicos, os bailarinos trouxeram adereços nos braços que representavam uma espécie de asa. Interação com o tripé é bastante constante na coreografia.
O entrosamento entre arquibancada e componentes enfraqueceu em comparação aos dois últimos técnico, fato ocasionado também pela menor quantidade do público. O apagão da bateria levantou o canto, porém houve descompasso dos componentes com o carro de som.
Por toda adversidade de chuva e trânsito por toda a grande São Paulo, o número de contingente foi bastante satisfatório. A organização dentro das alas e o andar da escola não comprometeu o ensaio, inclusive, foliões de alas traziam balões com cores diferentes e que visualmente proporcionavam um efeito positivo. Sinalizada por integrantes da harmonia, os Gaviões da Fiel desfilam com 24 alas.
Samba-enredo
O site CARNAVALESCO ouviu os dirigentes das três agremiações envolvidas nos ensaios deste sábado, onde cada um conta os preparativos para deixarem a Marquês de Sapucaí aclamados pelo público e pela sempre atenta imprensa de carnaval.
“A ansiedade está a mil. O Salgueiro todo está bastante ansioso. O nosso samba explodiu. Em três meses de divulgação a obra tem muitas audições. Esperamos um ensaio forte. A escola é sempre muito esperada, independente de onde ele vá se apresentar. Acredito que sairemos do ensaio técnico com uma mídia muito positiva. O caldeirão vai ferver”, promete o intérprete Emerson Dias, do Salgueiro.
“O povo está animado, a expectativa é excelente. Mas não vamos perder o foco de que aquilo é um ensaio. O momento de errar é ali mesmo. Voltar a ensaiar no Sambódromo depois de um ano é espetacular. Agora, precisaremos dar atenção à técnica, que é o que importa. Vamos com 60 ônibus de Caxias para fazer bonito. Não podemos deixar de fazer um lindo espetáculo”, garante o diretor de carnaval da Grande Rio, Thiago Monteiro.
“A gente, mais ou menos, tem uma fórmula em nossas comissões, de usar uma temática, e de fazer algo que tenta surpreender. Uma comissão de frente com figurino, com tudo muito completo. A gente sempre traz uma história com começo, meio e fim. Tentamos, num avanço, vir contando a história do início até chegar ao jurado e ter um ápice. Então a gente tem realmente essa preocupação com o andamento da escola. Posso garantir que o trabalho desse ano está bem interessante, e tem tudo para repetir o sucesso dos dois anteriores também”, declarou Saulo Finelon para a reportagem do site CARNAVALESCO.
“É uma responsabilidade muito grande desenvolver uma comissão depois de trabalhos tão bem sucedidos. As cobranças são maiores, a expectativa do público sempre fica maior também. É uma responsabilidade não só em questão de jurado, mas principalmente em relação ao público e a comunidade. Eles ficam esperando que a gente venha, mais uma vez, trazendo alguma coisa inusitada, alguma coisa que inove. E o nosso caminho é exatamente esse, é de buscar sempre essa inovação, essa criatividade. É poder levantar não só a Sapucaí, mas dar esse ânimo para a torcida da Mocidade, fazer com que a escola entre com vigor. É difícil, porque a cada ano são novas expectativas, novas descobertas, um novo enredo… Todo ano a gente tem uma superação muito grande para conseguir repetir um trabalho de excelência, como foi feito esses dois últimos anos”.
“Em 2017, fomos mais falados de avenida, mas ano passado que nós fomos 40 pontos. Então tem essa coisa, nem sempre o mais falado são os que gabaritam. A gente está sempre buscando, sabendo que o reconhecimento do público é diferente do reconhecimento de jurado”.
“Eu acho que um dos segredos do sucesso é uma equipe harmônica, junta… E a gente fez um casamento muito bem feito. O Louzada é uma pessoa muito inteligente e culta, que a gente se instrui junto, conversa, trocas às ideias. Realmente, é o casamento perfeito”.
“A comissão de frente tem sido um verdadeiro show, um espetáculo a parte, ao longo últimos anos. Quando você pensa que um espetáculo, normalmente, está em um palco, você precisa de bastidores. O tripé ele é justamente utilizado dessa forma, como um bastidor. Contando com que ele, como o Saulo falou, esteja dentro do enredo e não seja aleatório e nem desnecessário. Eu acho que ele hoje compõe. Muitas comissões de frente já passaram, muita coisa já foi criada, eu acho muito difícil inventar algo dentro do que o jurado hoje nos cobra que não precise de um recurso de apoio para essa comissão. Então acho bem difícil que hoje se venha a voltar a fazer sem o tripé. Agora quanto ao tamanho dele, vai depender da necessidade de cada um. Mas eu pessoalmente sou a favor do tripé, acho que fica lindo quando entra na Sapucaí”.