Por Felipe Araújo
Império de Casa Verde se destaca e vê o sonho de título mais perto
Por Matheus Mattos. Fotos: Felipe Araújo

O Império de Casa Verde entrou na avenida pra realizar o seu último ensaio técnico com a chuva em menor intensidade. A escola trouxe um bom número de contingente, demonstrou perfeição em praticamente todos os quesitos e manteve clima de desfile ocasionado no segundo técnico.
Comissão de frente
A ala mais uma vez se destacou com entrosamento, passos rápidos e com bastante informação. Todos os bailarinos estavam com o rosto pintados de tigre. Com duas
coreografias, cada grupo era diferenciado pela cor da roupa e da maquiagem, separados entre azul e laranja. Todos os integrantes voltaram no final da escola e enceraram juntos.
“Hoje foi praticamente a nossa pré-estreia. Fizemos a coreografia oficial do jeito que ela deve ser, e foi tudo perfeito, tudo deu certo. Eu estou muito feliz com o resultado de hoje e espero fazer uma grande espetáculo”, afirmou o coreógrafo André Almeida.
Mestre-Sala e Porta-Bandeira
Elogiado por críticos do quesito, o casal Rodrigo Antonio e Jéssica Gioz, esbanjou simpatia e bom sincronismo, mantendo o alto nível das duas últimas passagens. Assim como outras
mulheres, a porta-bandeira também optou por bailar de tênis. O casal é cercado por
guardiões coreografados.
“Foi um ótimo ensaio, a escola toda veio cantando. Nós fizemos alguns ajustes, temos ainda 15 dias pra ajustar mas até o dia do desfile vai estar nota 10”, disse a porta-bandeira.
Samba-enredo
O intérprete Carlos Júnior, junto à ala musical, parou de cantar em trechos do samba e durante a realização das bossas. Método que usam pra destacar o canto da comunidade. Os arranjos do time de corda também se destacaram.
“O chão da escola está bem ensaiado, a direção da escola ensaiou bem para chegar nesse dia e a gente poder ter uma certeza do que podemos fazer na sexta-feira do desfile. Hoje, o nosso carro teve problemas com o som, parece que a equipe mudou, e aí não conseguimos acertar detalhes”, disse o intérprete Carlos Júnior.
Bateria
Comandada por mestre Zoinho, a bateria Barcelona do Samba tocou de ponta a ponta no mesmo andamento e valorizando a sustentação do canto da comunidade. Zoinho fez questão de deixar mestre Marcão, ex-Salgueiro, a frente da batucada em grande parte da passagem. Notou-se também a nova pele dos instrumentos com imagem do Darth Vader, personagem do filme Star Wars.

“Eu faço uma análise muito boa desse ensaio. Produtivo, a gente vem de uma maneira
crescente, o primeiro tivemos um bom resultado, o segundo demos uma melhorada e nesse terceiro chegou ainda queria. Agora é esperar o desfile, está tudo pronto”, explicou mestre Zoinho.
Evolução
As regras do quesito foram respeitadas rigorosamente pela escola. A uniformidade ao andar foi igual desde a largada. O momento da entrada da bateria no recuo beirou a perfeição na ala
que aguarda. A entidade traz uma proposta mais coreografada, até pelo conteúdo do enredo.
Harmonia
A parte de harmonia não comprometeu. A escola cantou o samba de forma satisfatória e
uniforme. O primeiro setor promete ser bem impactante, principalmente pelos famosos
personagens coreografando no abre-alas.
“Eu venho aqui no final, puxando ala por ala, é difícil falar se foi muito bom. Mas aí que você começa a ver seus componentes chegando cantando, seu time de harmonia dizendo que está tudo bem, eles são os meus olhos, não como dizer outra coisa. Tudo que a gente planejou conseguimos fazer tudo. Nosso ensaio durou 58 minutos”, afirmou Serginho, diretor de harmonia.
Outros Destaques
A primeira ala teve diversos componentes caracterizados com personagens de filme de terror, assim como no gigante abre-alas, com presença de muitos heróis. Outro destaque que chamou atenção foi a ala coreografada do filme “Os Incríveis”.
Mesmo com chuva, Gaviões da Fiel realiza último ensaio técnico com grande presença dos componentes
Por Matheus Mattos. Fotos: Felipe Araújo

A escola de samba Gaviões da Fiel entrou na avenida pra realizar o terceiro e último ensaio técnico. A largada contou com uma queima de fogos de praticamente 10 minutos de duração. A agremiação alvinegra sofreu bastante com a forte chuva que atingiu a cidade de São Paulo, principalmente, o casal de mestre-sala e porta-bandeira. Os quesitos que julgam diretamente os componentes, harmonia e evolução, não sofreram tantos prejuízos.
Comissão de frente
A comissão mostrou bom sincronismo durante a passagem apesar da chuva. De diferença dos últimos ensaios técnicos, os bailarinos trouxeram adereços nos braços que representavam uma espécie de asa. Interação com o tripé é bastante constante na coreografia.
Mestre-Sala e Porta-Bandeira
Por conta da forte chuva, a porta-bandeira optou por bailar com tênis. A dupla usou a mesma fantasia dos técnicos, com luzes de LED que contornam a Adriana Mondijan. O mestre-sala, Wagner Lima, sofreu com o piso escorregadio em algumas partes da avenida.

Harmonia
O entrosamento entre arquibancada e componentes enfraqueceu em comparação aos dois últimos técnico, fato ocasionado também pela menor quantidade do público. O apagão da bateria levantou o canto, porém houve descompasso dos componentes com o carro de som.
Bateria

Coordenada pelo Mestre Ciro, a bateria economizou nas bossas e apagões. A chuva afetou a afinação dos surdos de marcação, corrigido pelos diretores da batucada.
Evolução
Por toda adversidade de chuva e trânsito por toda a grande São Paulo, o número de contingente foi bastante satisfatório. A organização dentro das alas e o andar da escola não comprometeu o ensaio, inclusive, foliões de alas traziam balões com cores diferentes e que visualmente proporcionavam um efeito positivo. Sinalizada por integrantes da harmonia, os Gaviões da Fiel desfilam com 24 alas.
Samba-enredo
O intérprete Ernesto Teixeira trouxe uma postura mais segura, com cacos em determinadas
partes do samba. A canção continua funcionando na avenida, proporcionando emoção nos
sambistas.
Outros Destaques
A emoção da Velha-Guarda, ocasionado pela reedição do Carnaval, se destacou na noite. Era visível o sentimento de felicidade ao cantar e desfilar.
Galeria de fotos: ensaio técnico do Império de Casa Verde
Por Felipe Araújo
Galeria de fotos: ensaio técnico dos Gaviões da Fiel
Por Felipe Araújo
Salgueiro, Viradouro e Grande Rio agitam o Sambódromo no segundo fim de semana de ensaios técnicos
Três grandes comunidades vão atrair a atenção dos sambistas neste sábado no Sambódromo da Marquês de Sapucaí. É o segundo final de semana dos ensaios técnicos, que começaram na semana anterior. O Salgueiro abre a noite às 19h30 com sua homenagem a Xangô. Na sequência vem a vibrante Viradouro, às 21h, de volta ao Grupo Especial. Encerrando a grande noite a Grande Rio, às 22h, que sempre arrasta uma multidão de Duque de Caxias, promete fechar com chave de Ouro.
O site CARNAVALESCO ouviu os dirigentes das três agremiações envolvidas nos ensaios deste sábado, onde cada um conta os preparativos para deixarem a Marquês de Sapucaí aclamados pelo público e pela sempre atenta imprensa de carnaval.
“Existe uma expectativa toda voltada ao ensaio técnico. Embora tenha sido marcado com dias de antecedência, ganhamos tempo para caprichar ainda mais. O componente com vivência, vai sentir o palco do espetáculo, onde acontece o grande show. Até mesmo aquele já experiente sente algo diferente. Estaremos atentos ao canto, evolução e o andamento de desfile. O ensaio técnico é importantíssimo. É um cartão de visitas para o que será exibido em nosso desfile. Erros serão corrigidos se acontecerem e aprimorar o que der certo. A minha expectativa é a melhor possível”, destaca Dudu Falcão, um dos diretores de carnaval da Unidos do Viradouro.
“A ansiedade está a mil. O Salgueiro todo está bastante ansioso. O nosso samba explodiu. Em três meses de divulgação a obra tem muitas audições. Esperamos um ensaio forte. A escola é sempre muito esperada, independente de onde ele vá se apresentar. Acredito que sairemos do ensaio técnico com uma mídia muito positiva. O caldeirão vai ferver”, promete o intérprete Emerson Dias, do Salgueiro.
“O povo está animado, a expectativa é excelente. Mas não vamos perder o foco de que aquilo é um ensaio. O momento de errar é ali mesmo. Voltar a ensaiar no Sambódromo depois de um ano é espetacular. Agora, precisaremos dar atenção à técnica, que é o que importa. Vamos com 60 ônibus de Caxias para fazer bonito. Não podemos deixar de fazer um lindo espetáculo”, garante o diretor de carnaval da Grande Rio, Thiago Monteiro.
SERVIÇO:
Ensaios Técnicos no Sambódromo
Salgueiro, Viradouro e Grande Rio
Horário: a partir das 19h30
Entrada Franca
Como chegar: As estações de metrô Central do Brasil e Praça Onze atendem ao Sambódromo. Além disso, linhas de ônibus municipais e intermunicipais circulam na Avenida Presidente Vargas, na altura da Marquês de Sapucaí.
Dupla de coreógrafos da Mocidade promete surpreender mais uma vez
Por Diogo Cesar Sampaio
Indo para o quinto carnaval à frente das comissões da Mocidade Independente, Saulo Finelon e Jorge Teixeira vivem um dos seus melhores momentos na carreira. Após uma sequência de trabalhos elogiados e reconhecidos pelo público, pela crítica e pelos jurados, a dupla pretende apostar em mais uma inovação para 2019, com o objetivo de conseguir, novamente, cravar os 40 pontos obtidos no ano anterior.
“A gente, mais ou menos, tem uma fórmula em nossas comissões, de usar uma temática, e de fazer algo que tenta surpreender. Uma comissão de frente com figurino, com tudo muito completo. A gente sempre traz uma história com começo, meio e fim. Tentamos, num avanço, vir contando a história do início até chegar ao jurado e ter um ápice. Então a gente tem realmente essa preocupação com o andamento da escola. Posso garantir que o trabalho desse ano está bem interessante, e tem tudo para repetir o sucesso dos dois anteriores também”, declarou Saulo Finelon para a reportagem do site CARNAVALESCO.
Parceiro de Saulo na criação e desenvolvimento das comissões, Jorge Teixeira também falou da importância e do cuidado que a dupla tem em trazer sempre algo novo e específico para cada ano, adequando-se a cada enredo. Não só nos efeitos, mas principalmente nas danças e coreografias.
“Existe também a nossa preocupação com a qualidade daquilo que a gente vai apresentar. Não só na temática e no efeito, mas também na vestimenta e na roupa que a gente traz, nas peças que vem com eles, que acompanham toda a comissão. Existe uma preocupação muito grande com a movimentação, para que gente nunca a perder. Além da preocupação com a criação de coreografias específicas, pois se olhar para cada comissão nossa, a movimentação é diferenciada. A gente busca uma movimentação dentro daquele enredo, dentro da proposta que nós queremos passar. Isso é fundamental. A gente não quer perder nunca e quer manter isso sempre, é nossa característica”.
Durante a conversa, Jorge Teixeira contou sobre como lidam com as expectativas em torno de seus trabalhos. Além de falar se a dupla encara hoje, como obrigação, trazer algum tipo de efeito em suas apresentações.
“É uma responsabilidade muito grande desenvolver uma comissão depois de trabalhos tão bem sucedidos. As cobranças são maiores, a expectativa do público sempre fica maior também. É uma responsabilidade não só em questão de jurado, mas principalmente em relação ao público e a comunidade. Eles ficam esperando que a gente venha, mais uma vez, trazendo alguma coisa inusitada, alguma coisa que inove. E o nosso caminho é exatamente esse, é de buscar sempre essa inovação, essa criatividade. É poder levantar não só a Sapucaí, mas dar esse ânimo para a torcida da Mocidade, fazer com que a escola entre com vigor. É difícil, porque a cada ano são novas expectativas, novas descobertas, um novo enredo… Todo ano a gente tem uma superação muito grande para conseguir repetir um trabalho de excelência, como foi feito esses dois últimos anos”.
O atual momento de sucesso da dupla teve início em 2017, com a comissão de frente do Aladdin. Nela, durante o ápice da apresentação, era simulado um voo do Aladdin no tapete mágico. Voo esse que era realizado por um drone com uma réplica tridimensional do bailarino, e que sobrevoava o público da Marquês de Sapucaí. Saulo Finelon relembrou esse trabalho, e comentou da importância dele para a carreira da dupla.
“É difícil falar do nosso trabalho. Mas é inegável que a repercussão foi incrível, e todos falam até hoje que foi um termômetro para o restante da escola. A escola veio muito bem e a comissão ocasionou e proporcionou essa energia positiva. E o público falou, e fala até hoje dessa comissão. Ela imortalizou. O Aladdin foi a imagem daquele carnaval. Para gente, realmente, foi uma grande vitória, uma conquista”.
Já Jorge Teixeira comparou o trabalho de 2017, com o que foi realizado ano passado. E frisou que, mesmo com toda a repercussão do primeiro, somente o segundo conseguiu atingir os 40 pontos de todos os jurados.
“Em 2017, fomos mais falados de avenida, mas ano passado que nós fomos 40 pontos. Então tem essa coisa, nem sempre o mais falado são os que gabaritam. A gente está sempre buscando, sabendo que o reconhecimento do público é diferente do reconhecimento de jurado”.
A dupla também conversou sobre a relação deles com o carnavalesco da Mocidade, Alexandre Louzada. Ambos teceram elogios ao artista, sendo que Jorge Teixeira ainda ressaltou a liberdade dada pelo carnavalesco para os coreógrafos conceberem as comissões de frente sem interferências.
“O Louzada (Alexandre, carnavalesco da Mocidade) é maravilhoso. É uma pessoa que nos deixa, que nos dá liberdade de criação. Ele não interfere. Na verdade, ele só interfere quando a gente apresenta o nosso trabalho para ele, e ele diz se tem alguma ideia para complementar e vem junto. É uma pessoa que a gente tem muito que agradecer pelo carinho dele e por ele nos dar liberdade de trabalho.”
Saulo Finelon exaltou a capacidade e o conhecimento de Alexandre Louzada. Fator, que segundo Saulo, enriquece a troca entre carnavalesco e coreógrafos.
“Eu acho que um dos segredos do sucesso é uma equipe harmônica, junta… E a gente fez um casamento muito bem feito. O Louzada é uma pessoa muito inteligente e culta, que a gente se instrui junto, conversa, trocas às ideias. Realmente, é o casamento perfeito”.
Os coreógrafos ainda declararam suas opiniões sobre os usos de tripés pelas comissões de frente. Um recurso que se popularizou nos últimos anos, mas que ainda divide opiniões.
“A gente não é a favor e nem contra o tripé. Eu acho que ele tem de ter uma função. A comissão de frente está cada vez indo muito além, e isso demanda de um ‘backstage’, de alguma coisa para guardar. Isso na criatividade influencia muito, porque você pode ir um pouco mais além. Se você tiver uma ideia incrível, sem tripé, eu acho fantástico. Mas hoje em dia, é complicado. Mas eu não sou contra não. Seria um sonho não trabalhar com tripé. Eu acho que o tripé ele tem de estar de acordo com o que você está fazendo, com a sua temática. Se ele está sendo bem usado… O porquê dele, eu bato nisso. Não ser uma coisa aleatória”.
Um dos precursores na utilização de elementos cenográficos gigantescos, Jorge Teixeira corroborou com discurso do parceiro. Porém, foi ainda mais além ao declarar gostar dos tripés, não só por sua necessidade.
“A comissão de frente tem sido um verdadeiro show, um espetáculo a parte, ao longo últimos anos. Quando você pensa que um espetáculo, normalmente, está em um palco, você precisa de bastidores. O tripé ele é justamente utilizado dessa forma, como um bastidor. Contando com que ele, como o Saulo falou, esteja dentro do enredo e não seja aleatório e nem desnecessário. Eu acho que ele hoje compõe. Muitas comissões de frente já passaram, muita coisa já foi criada, eu acho muito difícil inventar algo dentro do que o jurado hoje nos cobra que não precise de um recurso de apoio para essa comissão. Então acho bem difícil que hoje se venha a voltar a fazer sem o tripé. Agora quanto ao tamanho dele, vai depender da necessidade de cada um. Mas eu pessoalmente sou a favor do tripé, acho que fica lindo quando entra na Sapucaí”.
Com o enredo “Eu sou o tempo. Tempo é vida”, do carnavalesco Alexandre Louzada, a Mocidade Independente de Padre Miguel encerra os desfiles do Grupo Especial, já na manhã da terça-feira de carnaval.
Coreógrafo da Tijuca diz que comissão de frente é histórica e poética com segredos e surpresas
Por Diogo Cesar Sampaio
Destaque por seus trabalhos na Série A, o coreógrafo Jardel Augusto Lemos recebeu em 2019 a oportunidade de debutar no Grupo Especial. Com passagens apenas como bailarino nas comissões de frente da elite do carnaval carioca, Jardel terá a missão de estrear assinando a azul e amarela do morro do Borel.
Em conversa com a reportagem do site CARNAVALESCO após o ensaio técnico realizado pela escola, no último domingo, na Marquês de Sapucaí, ele se mostrou seguro com o desafio. Porém, não escondeu que sente um frio na barriga com a aproximação do desfile oficial.
“Sempre tem um frio na barriga, ainda mais sendo estreia. Mas o Especial é como os desfiles da Série A, é a mesma coisa. Eu todo ano choro, me dá dor de barriga, tanto faz se é Série A, Série B, Três Rios ou Vitória. O importante é a gente ter a certeza que fez o melhor trabalho, o melhor possível pela nossa comunidade. E saber que a nossa comunidade está muito feliz com o nosso trabalho”.
Tendo arrancado aplausos do público presente na Sapucaí durante o ensaio técnico, Jardel declarou estar contente com o trabalho realizado por ele e seus bailarinos na escola.
“O ensaio foi maravilhoso, deu tudo certo para gente, e não tem como explicar a energia. A comissão passando, sendo aplaudida, fazendo um bom ensaio, passando bem a coreografia. A expectativa é essa, de 40 pontos, nada menos do que isso”.
Mas engana-se quem pensa que o que foi visto na Sapucaí domingo entrega o que prepara o coreógrafo. Jardel faz questão de fazer mistério sobre o que a comissão de frente da Unidos da Tijuca reserva para o público em 2019. Até mesmo o que os integrantes vão vir representando é segredo. No entanto, ele deixa uma pista do que se pode esperar da apresentação.
“É segredo, não conto para ninguém (risos)! O que posso falar é que a comissão de frente da Tijuca ela é histórica, ela é poética e tem muito segredo e surpresas por aí…”
O coreógrafo garantiu que o trabalho já está pronto, e que já foi aprovado pela direção e outros segmentos da escola.
“Nós estamos com o trabalho completamente pronto. Há cerca de 20 dias para o carnaval, a nossa comissão de frente já está aprovada por todos da comissão, incluindo o Laíla, pelo presidente Fernando Horta, pela direção de harmonia. Nosso tripé já está pronto, o figurino está sendo feito e confeccionado, já fizemos alguns testes com o sapato. Agora é aprimorar para o carnaval”.
Jardel também comentou sobre a experiência de trabalho que vem vivenciando na Unidos da Tijuca. Ele contou como é a relação dele com a comissão de carnaval que desenvolve o desfile da escola. Além de falar da participação dos integrantes, na elaboração do que será apresentado pela comissão de frente.
“Esse era o meu maior receio quando vim para a Tijuca. Na Série A, eu estava acostumado a lidar com um carnavalesco. E aqui no Especial, eu estou tendo a oportunidade de trabalhar com cinco. E está sendo muito bacana porque eles são cinco pessoas, cinco artistas, cada um com o seu olhar e a sua visão, e todos eles acrescentaram muito ao meu trabalho. Eles me deixaram livre para criar o que eu quisesse. As duas propostas que eu apresentei para a escola eram minhas, e eles acrescentaram e ajudaram. O que vocês vão ver na avenida, no dia do desfile oficial, é um pouco do que eu trouxe para vocês com a junção das ideias dos carnavalescos”.
Segundo o coreógrafo, exceto pela restrição do uso de tripés no Acesso, o processo de montagem e elaboração de uma comissão é o mesmo.
“Não existe nenhuma mudança dentro da concepção artística entre o trabalho que vinha fazendo no acesso, para esse agora no Especial. É claro que nós temos a entrada do tripé, e isso faz toda uma diferença. Mas no meu caso, que já fui bailarino por anos no Grupo Especial, e tenho toda uma vivência com tripés, não houve problema nenhum. Mas em concepção e criação, não existe diferença”.
O coreógrafo ainda deu sua opinião sobre o uso dos tripés, também chamados de elementos cenográficos, nas comissões de frente do Grupo Especial. Uma prática que vem sendo feita em larga escala pelas escolas que, porém, divide opiniões.
“Eu não acho que o tripé seja fundamental. Eu acho que ele tem de estar dentro da coreografia, inserido nela e a comissão de frente possa usá-lo. Que ele não venha só para esconder alguma coisa. E é isso que vocês vão ver na minha comissão de frente. A comissão da Tijuca esse ano, vai usar muito o tripé”.
A Unidos da Tijuca será a sétima e última escola a desfilar no domingo de carnaval. A agremiação do morro do Borel levará para a avenida o enredo “Cada macaco no seu galho. Ó, meu pai, me dê o pão que eu não morro de fome!” assinado pela comissão de carnaval formada por Laila, Annik Salmon, Marcus Paulo, Hélcio Paim e Fran Sérgio.
Especial Barracão: X-9 Paulistana conta história de Arlindo Cruz e espera presença do sambista
A X-9 Paulistana prepara uma grande homenagem para um dos maiores nomes do samba nacional. O poeta, músico, compositor e cantor, Arlindo Cruz, terá sua vida contada através de um enredo não linear, focado nas principais características e maiores paixões do artista, tanto no gênero quanto na vida pessoal. A reportagem do site CARNAVALESCO conversou com o responsável pelo desenvolvimento do tema: “O Show Tem Que Continuar! Meu Lugar é Cercado de Luta e Suor, Esperança Num Mundo Melhor”. Amarildo de Melo, carnavalesco da agremiação da Zona Norte de São Paulo, não esconde o choro quando comenta a relação da escola com a família do Arlindo Cruz.
“Excepcional. Dede o começo do enredo tivemos uma reunião pra conversar, a família tem uma participação contínua na escola. O Arlindinho já fez três shows na quadra, eles estão acompanhando tudo. Sempre achei que esse enredo fosse a cara do samba, simplório, não uma Hollywood, o samba tem uma estética simples. Eu fico muito emocionado quando a Babi chega no barracão e diz que as alegorias tem a simplicidade e a grandiosidade de Arlindo Cruz, essa era a intenção”, diz com voz embargada.
O carnavalesco revela que a ideia do enredo era presente desde quando estava em outra agremiação, e por causa de fatores em comum, resolveu contar a história do poeta.
“Foi uma repetição de coincidências enlouquecedoras. Há quatro anos eu fiz um carnaval na Águia de Ouro sobre o Caymmi e ficamos em terceiro lugar. Quando sai do desfile das campeãs surgiu a ideia de fazer um enredo sobre Arlindo Cruz. Estava voltando pra casa, quando sento no banco do avião e ao meu lado senta o Arlindo Cruz. Fiquei meio emocionado, falei sobre a vontade e ele me passou o contato do escritório dele. Cinco dias depois da última apuração, fizemos uma reunião com o diretor de carnaval e ele falou sobre a vontade de fazer um enredo sobre Arlindo Cruz. Naquele momento ficou claro que era hora, foi um jogo de coincidência”.
A história do músico Arlindo Cruz é extensa, são mais de 500 músicas gravadas, diversas indicações para prêmios e muitos conquistados. Compôs grandes sambas-enredo em diferentes escolas, sendo o Império Serrano como a principal detentora de obras assinadas por ele. Amarildo revela que diante de toda história, o que mais impressionou foi a forma em que o Arlindo enxergava questões sociais e as denunciavas em suas canções.
“Quando vemos uma pessoa negra cantando samba ou pagode, passa a impressão que a pessoa tem talento, mas não tem conhecimento, não tem formação e nem informação, é um resumo do que a sociedade brasileira faz. Pesquisando Arlindo Cruz eu vi que ele é uma pessoa que com 16 anos tava na escola de aeronáutica, fez três cursos superiores, trabalhou dez anos na Caixa Econômica e fala quatro idiomas fluentemente. O Arlindo é muito inteligente, e até falo que fiquei surpreso, porque a gente olha o sambista com o olhar preconceituoso. Outra coisa que eu percebi que toda obra do Arlindo tem algo político, sem dizer partido. Ele é muito político em sua natureza, um visionário descritivo, linguagem jornalística poética”.
Presença de Arlindo Cruz depende de respostas médicas
Arlindo Cruz sofreu um acidente vascular cerebral (AVC) hemorrágico no lado esquerdo do cérebro, ficando internado por mais de um ano. Em casa, o artista responde a estímulos motores e emocionais, e recentemente seu filho postou um vídeo em que ele tenta se alimentar sozinho. Por essa razão, muitos apreciadores e fãs do sambista não tem a certeza de que ele esteja no desfile da X-9 Paulistana. Amarildo demonstra desejo e garante que resposta só depende dos médicos.
“É uma vontade de toda família que ele esteja presente. A Babi e o Arlindinho falam que a festa foi feita pra ele, e não teria razão dessa festa acontecer sem a presença dele. Estamos fazendo todos os esforços pra que esteja, mas não sabemos de questões médicas, mas a verdade é que o desejo da família é esse. Seria o maior acontecimento do Anhembi a volta do Arlindo para o público”.
Sobre o ponto emocionante do carnaval da entidade, Amarildo de Melo revela: “A humanidade está muito ligada ao objeto. O ponto alto da X-9 é exatamente o conteúdo da história do Arlindo transformada em samba-enredo. É uma obra com a cara do povo brasileiro”.
Conheça o desfile
1° SETOR – Casa de Ogum recebe o filho de Xangô
“A escola X-9 Paulistana é uma instituição consagrada a Ogum. O enredo não tem historiografia a seguir, é uma análise do homem, artista e poeta Arlindo Cruz diante da sociedade brasileira. A gente começa falando da fé e crença de Arlindo com origens nas matrizes africanas. A casa de Ogum recebe o filho de Xangô”.
2° SETOR – Vida Musical
“Segunda parte falaremos da sua vida musical. Muitas pessoas não sabem mas Arlindo Cruz é formada numa escola aeronáutica do interior de Minas Gerais, com 12 anos começou a tocar cavaquinho tendo como padrinho o Candeia, e na época já estudava Cartola, Pixiguinha e outros grandes nomes. Vai ser uma parte que foca no começo de sua carreira. Ainda muito jovem, o pai de Arlindo se envolve num problema policial e é preso, e ai ele compõe a primeira melodia ‘malandragem’, que é referente a história de vida do pai dele. Ele vai ao Fundo de Quintal, conhece o banjo através do Almir Guineto, mas quem popularizou e inseriu no sambas de raiz foi o Arlindo. Ele encurtou o braço do instrumento pra se adequar ao estilo da roda de samba. De imediato todo mundo se apaixona por ele no Cacique de Ramos, ele começa a participar do Fundo de Quintal, a Beth Carvalho começa a gravar sambas dele e aí que começa a ter essa grandiosidade como compositor”.
3° SETOR – Escola do Coração
“Arlindo Cruz foi portelense e hoje é Império Serrano. Até pelo Candeia ele começou sendo portelense, visitou a quadra do Império e deixou de ser Portela. Falo que uma Águia pousou em seu quintal, e aí ele passa a ser imperiano. Arlindo acredita que um sambista de verdade tem que gostar de samba-enredo e ele começa a fazer sambas-enredo. Depois vai pra uma parte que fala da escola do coração, até brinquei nessa parte sobre a escola dele porque é um carro sobre o Império Serrano que traz uma coroa com sete metros de altura, e fala sobre os vários sambas que ganhou, mas nesse carro paira sobre ele uma Águia da Portela, escola na qual ele teve o primeiro contato”.
4° SETOR – Favela
“A gente fala um pouco da antropologia, da sociologia e da política. O Arlindo tem um discurso político correto do que é o Brasil, é uma descrição do que é comunidade, do que é favela, do que é periferia, valorizando essa gente. O Arlindo Cruz é um emponderador de periferias, porque há 20 anos as pessoas que moravam na favela sentiam vergonha, e quando ia pedir emprego davam o endereço do amigo que morava no asfalto. Quando canta “Sou Favela’, ‘Meu nome é Favela’, quando ele descreve Madureira como se fosse uma Nova Iorque, ele encoraja a gente humilde a dizer ‘meu nome é favela’, que mesmo sendo de comunidade pode ser um grande artista, um jogador de futebol. Tem muitas coisas boas na comunidade, então ele cumpre um papel de ser sociólogo do povo. Nesse momento eu mostro esse lado, polícia e ladrão, falo do amor pela favela, da justiça, do desequilíbrio social. Fechando esse setor eu tenho o carro da favela, uma grande cenografia, e pessoas que representam moradores e do nada se transformam em artistas”.
5° SETOR – O Show Tem Que Continuar
“As obras do Arlindo falam de amor, seja uma pagode, samba de roda ou com característica política, tem sempre a palavra ‘amor’. Nessa parte do enredo a gente fala dessa questão, das músicas dele embalar o bem e acabando falamos que ‘O Show Tem Que Continuar’, nós iremos até Paris. Independente de quem esteja no nosso governo, na política, independente das críticas, o show tem que continuar. Essa música representa muito o Arlindo, porque ele reverteu uma situação totalmente adversa, saiu de um grande problema de saúde e nós iremos até Olímpia, junto com a X-9, porque o show do Arlindo tem que continuar. Ele é mais do que é uma pessoa, Arlindo é uma entidade”.
Ficha Técnica
5 alegorias
1 tripé
2.700 componentes
220 ritmistas
80 baianas
História do Amarildo de Mello
“Eu comecei no grupo de base do Rio de Janeiro. Passei por Acadêmicos da Ilha, Dendê, Caprichosos do Pilares, Beija-Flor, Portela, Cubango, eu tenho uma trajetória dos grupos de base até chegar no Especial. Estou em São Paulo há dez anos já, fiz carnaval pela Águia de Ouro, Peruche e agora na X-9 Paulistana. No total tenho 68 enredos desenvolvidos em 30 anos de carnaval”.



