Por: Diogo Cesar Sampaio.
Depois de quase uma década a frente das comissões do Salgueiro, o coreógrafo Hélio Bejani está de casa nova. Agora pela Grande Rio, ele promete uma apresentação que misture crítica com humor, e que traga também alguma conscientização para o público que assiste. É o que revela Bejani, em entrevista concedida ao site CARNAVALESCO.
“A comissão vem muito alegre e bem carnavalesca. A gente vem falando um pouco também da falta de educação, dando uns alertas. Trazemos toda uma linguagem, além da linguagem de dança. O que a gente apresentou no ensaio técnico foi apenas um pouco. Nossa comissão vai ser uma coisa que todos vão se identificar, e que está no dia a dia de todo mundo. Vamos fazer uma crítica bem-humorada, na verdade. Uma coisa irreverente, que no final é uma grande brincadeira.”
Segundo Bejani, os preparativos para comissão de frente estão em dia e acordo com o cronograma pré estabelecido. Entretanto, o próprio coreógrafo não descarta haver mudanças de última hora.
“Está tudo bem encaminhado e dentro do cronograma. Como costumo dizer, comissão se transforma até o momento de entrar na avenida. Está tudo dentro dos conformes. Começamos o projeto em maio e ele está chegando, está amadurecendo, os figurinos estão muito bacanas. Estamos trazendo algumas surpresas ainda, e eu acho que o público vai curtir.”
O coreógrafo contou como se deu a sua chegada à Grande Rio. Bejani declara ter sido muito bem acolhido na escola de Caxias, além de garantir que recebeu todo suporte necessário para desenvolver seu trabalho da melhor maneira possível.
“Estou me sentindo muito bem, fui muito bem recebido. É uma escola profissional, que atende a todas as nossas necessidades com a comissão de frente. O projeto está sendo realizando da forma como foi imaginado, pensado. Estou fazendo o trabalho como sempre fiz. Aliás, eles pediram que eu fizesse assim, justamente para manter as mesmas características. Não pediram para se adaptar a nada. Estou trabalhando com o Renato Lage, com quem já tive nove anos de parceria no Salgueiro. A gente vai fazer o melhor que pudermos, como a gente sempre faz, para atender o público que vem assistir o nosso carnaval.”
Sobre o seu reencontro com os carnavalescos Renato e Márcia Lage, Hélio Bejani se mostra muito contente em restabelecer a parceria profissional com o casal. Uma parceria que vai além do carnaval, e contempla a vida pessoal.
“Acima do carnaval, eu e o Lage temos uma amizade muito grande. Não só minha com o Renato, mas com a Márcia também. Nossas famílias se conhecem, frequentam as casas uma das outras. A gente se entende muito bem. Comungo com os mesmos pensamentos dele, de uma cabeça de escola bem colocada, com um visual e uma estética muita arrumada, muito bonita. Então, te garanto que nos entendemos muito bem tanto no trabalho, quanto na amizade.”
Durante a entrevista cedida, Hélio Bejani também comentou sobre a sua opinião a respeito do uso de tripés pelas comissões de frente. O coreógrafo, um dos mais experientes do Grupo Especial, nunca foi adepto de elementos cenográficos de tamanho muito grande, e sempre priorizou por utilizar tripés de menor porte.
“Eu acho que coreógrafo faz aquilo que o seu trabalho pede, aquilo em que acredita. Eu realmente gosto de uma coisa mais limpa. Eu sempre digo e repito que, o maior efeito especial que eu posso ter, são os componentes da comissão, é o ser humano. E esse ano, eu consegui reduzir mais ainda o tripé, se comparado aos meus últimos trabalhos. É uma ‘poeirinha’ nosso elemento cenográfico.”
A Grande Rio será a terceira escola a desfilar no domingo de carnaval. Com o enredo “Quem nunca…? Que atire a primeira pedra.”, assinado pelos carnavalescos Renato e Márcia Lage, a agremiação de Duque de Caxias vai à busca do seu primeiro título no Grupo Especial.


‘E a vida, o que é diga lá meu irmão? Ela é a batida de um coração?’. O verso é conhecido por todos e está na canção ‘O que é o que é?’ de Gonzaguinha, que o Império Serrano cantará na avenida no desfile deste ano. A bateria Sinfônica do Samba pretende levantar a Sapucaí com uma paradinha bem no momento que o samba chegar nesses versos.
A escola de samba Mancha Verde foi a última escola de samba a realizar o ensaio técnico para o carnaval de 2019. A torcida compareceu numa quantidade considerável. Nova postura do intérprete Freddy Vianna e casal de mestre-sala e porta-bandeira se destacaram na noite.
Mestre-Sala e Porta-Bandeira
Comissão de frente
Com presença maior do público nas arquibancadas e ausência total de qualquer chances de chuva, a Acadêmicos do Tatuapé entrou na avenida pra realizar o seu último ensaio técnico antes do desfile oficial. Assim como nas últimas passagens pelo Anhembi, a agremiação demonstrou domínio no quesito de harmonia, evolução, mestre-sala e porta-bandeira e comissão de frente.
Mestre-Sala e Porta-Bandeira
Ainda no esquenta, a Águia de Ouro sofreu bastante com a chuva que atingiu a cidade de São Paulo, e isso fez com que a agremiação apresentasse um número menor de componentes do que o proposto. Clima alegre da bateria e canto forte da comunidade se destacaram na noite.
Mestre-Sala e Porta-Bandeira
Bateria
A escola de samba Mancha Verde foi a última escola de samba a realizar o ensaio técnico para o carnaval de 2019. A torcida compareceu numa quantidade considerável. Nova postura do intérprete Freddy Vianna e casal de mestre-sala e porta-bandeira se destacaram na noite.
A direção da escola segue uma ideologia de deixar a escola mais solta, onde os componentes desfilam livres e sem demarcar espaços. O ato da uma sensação de desorganização dentro das alas, e o reconhecimento pra diferenciar cada folião dificulta também. O dia chuvoso afetou a ida de alguns componentes para o ensaio, fazendo com que a agremiação entrasse na avenida com um número inferior ao proposto.
O casal oficial, Marcelo e Adriana, mais uma vez, demonstrou bom entrosamento e chamou a atenção pela simpatia que transmitem. A porta-bandeira traz consigo um domínio preciso do pavilhão no momento do bailado e transmite diferentes sentimentos através das reações do rosto.
A Puro Balanço, do mestre Maradona, manteve a mesma postura em comparação ao segundo ensaio, bossas em partes determinadas e valorização do canto da agremiação. Presente também no segundo técnico, a direção da bateria trouxe três grandes palanques enquanto estão no recuo. Os ritmistas terminaram o desfile com muita animação.
Um dos grandes destaques para o desfile da Mancha Verde será a comissão de frente. A ala surpreende críticos e sambistas desde o início da maratona de ensaios técnico. Na última noite os bailarinos trouxeram os corpos e rostos pintados, junto com o figurino de temática africana. As danças, a expressão facial, domínio da avenida e os gritos dão a sensação de uma cena de teatro à céu aberto.
Outros destaques
Com presença maior do público nas arquibancadas e ausência total de qualquer chances de chuva, a Acadêmicos do Tatuapé entrou na avenida pra realizar o seu último ensaio técnico antes do desfile oficial. Assim como nas últimas passagens pelo Anhembi, a agremiação demonstrou domínio no quesito de harmonia, evolução, mestre-sala e porta-bandeira e comissão de frente.
O que causava dores de cabeça para os dirigentes da escola foi resolvido com maestria na noite. A entrada da bateria no recuo beirou a perfeição e não gerou problemas pra escola. A escola traz um andar padrão e uniforme do começo ao fim do desfile, e com preenchimento total das laterais. Assim como a agremiação anterior, a Tatuapé também separa suas alas com camisetas específicas e com o nome do que representa. Os integrantes da harmonia se destacam, todos demonstram estar ligados e atentos a cada eventual erro que possa ocorrer dentro das alas. Facilmente é encontrado eles no canto corrigindo e alertando os foliões. A postura de atenção é tão presente na comunidade, que até os próprios colegas de ala se corrigem.
O desempenho do intérprete Celsinho Mody mais uma vez beirou a perfeição e empolgou o ensaio. O cantor mantém sua característica de valorizar o canto da escola. O time de cordas também continua com arranjos ousados, porém foi notado uma cautela maior e uso em trechos específicos. Os cavacos e violões seguiram dando sustentação.
O primeiro casal da Acadêmicos do Tatuapé, Diego e Jussara, mais uma vez, cativou pela simplicidade e pelo carisma. Ambos optaram por um traje amarelo e mais leve. A dança tem pontos que casam com a bateria. Diego e Jussaram demonstraram ótimo sincronismo, principalmente em frente à torre 04.
A bateria Qualidade Especial, do mestre Higor, deu boa sustentação pra escola sem abdicar das bossas e apagões. Um destaque positivo ficou por conta dos (as) ritmistas do naipe de chocalhos. Todos trouxeram diferentes fantasias que representavam guerreiros, como médicos, doutores, policiais, professores, faxineiras, entre outros. Durante o maior apagão, todos os ritmistas levantam o braço direito com o punho fechado. Na passagem em frente à torre do último jurado do quesito, a bateria valorizou a sustentação.
Harmonia
A primeira ala traz dois grupos diferentes, um com roupas brancas e passos indígenas, e outros com vestimentas pretas e rosto sujo. A coreografia da comissão remete à uma batalha e exige bom sincronismo, ato notado no decorrer da passagem pelo sambódromo.
O casal oficial, João Carlos e Ana Paula, traz em sua coreografia muita leveza e simpatia. Ambos mostraram ótimo domínio do pavilhão principal em frente à segunda cabine de jurados do quesito. O mestre-sala cativa pela destreza nos detalhes dos passos, com ligeira imitação de uma águia durante o cortejo.
A escola traz uma boa divisão de alas, cada uma com sua camiseta específica. O andar foi padrão e seus componentes evoluem soltos, porém com coreografias em pontos específicos. Muitos movimentos de mãos são notados, ato que influencia positivamente a visão de cima. A entrada no recuo da agremiação não comprometeu. Os dirigentes da entidade optaram por não usar a linha que demarca as alegorias.
A Batucada do Pompéia, do mestre Juca, utilizou cerca de 5 apagões durante o ensaio técnico. Um ponto de destaque ficou por conta do naipe de tamborim, desenhos simples e que valorizam o carreteiro. A empolgação dos ritmistas da ala de cuíca chamou a atenção, principalmente pela sintonia entre eles. Juca fez questão de cruzar a linha final abraçado com seus diretores.
Samba-Enredo
Noel Rosa, Pixinguinha, Donga, Sinhô, Cartola, Nelson Cavaquinho, Candeia, Ismael Silva, Natal, Mestre Fuleiro, Tia Ciata, Clara Nunes, Clementina de Jesus e Carmen Miranda. Uma seleção de sambistas que reunidos fariam qualquer um fazer reverência a tantos mestres. Pois há 20 anos atrás no desfile da Mangueira o coreógrafo Carlinhos de Jesus ousou reunir todos eles, em uma caracterização impressionante. Para muitos a maior comissão de frente da história dos desfiles, que a série ‘Aconteceu na Sapucaí’ relembra nesta reportagem.
“Talvez para o visual qualquer apiteira ou óculos que eu usasse não faria a menor diferença. Mas para o simbólico e espiritual foi de suma importância. Os bailarinos fizeram um trabalho de caracterização teatral, assistiram vídeos. O rapaz que viveu o Candeia passou meses usando uma cadeira de rodas, pois ele (Candeia) havia ficado sem andar depois de levar um tiro”, revela.
Rainha de bateria da Porto da Pedra, Kamila Reis deu as boas-vindas à cantora trans angolana Titica, no ensaio de quadra da escola de São Gonçalo. Titica, que foi a primeira artista de Angola a assumir sua transexualidade, considerada ícone da música pop do pais e rainha do kuduro, será destaque de uma das alegorias da vermelho e branco, que disputa o título da Série A, e vai desfilar na Marquês de Sapucaí.