Por: Diogo Cesar Sampaio
Fazer a comissão de frente em um enredo em homenagem a Xangô, não é uma missão simples. Ainda mais, se tal homenagem estiver sendo feita por uma escola como Salgueiro, que tem forte ligação com o orixá. O coreógrafo Sérgio Lobato foi o designado a cumprir tal desafio. E em entrevista cedida ao site CARNAVALESCO, contou como está sendo a experiência:
“É muita responsabilidade. Mas se estou aqui, fazendo essa comissão nesse momento, é talvez porque Xangô quisesse, ou algum orixá quisesse também. Tenho muito respeito a esse tema. Não só pelo o que é o orixá, o que é uma religião, mas pelo o que é o Salgueiro também. No início, estava temeroso, mas no passar do tempo, as ideias fluíram. O carnavalesco Alex de Souza adorou, a direção também. Estão muito felizes com esse trabalho nosso. Agora é ir para Sapucaí, e lutar por esses 40 pontos.”
Sobre o que será apresentado por sua comissão no desfile oficial, Lobato faz mistério. Porém o coreógrafo adianta que não será nada relacionado à história em si do orixá. Mas sim, que terá algo haver com a relação de Xangô com a Academia.
“Aí é surpresa. Eu não posso falar mesmo, porque qualquer coisa que fale vai estragar. A única coisa que posso adiantar é que nós vamos trazer não uma história de Xangô, porque isso já foi muito narrado pela avenida, mas nós vamos trazer uma visão de Xangô e seu simbolismo para o Salgueiro.”
Com relação aos preparativos, o coreógrafo conta que os figurinos, que serão utilizados pela comissão, já se encontram praticamente todos prontos. Ele ainda revela que levará um tripé, que será de muita importância dentro da proposta que será levada.
“O ritmo de ensaios é todos os dias, desde 02 de janeiro, quando começamos. Os figurinos criados pelo Alex estão lindos, já estão na fase de acabamento, e já experimentamos. Usaremos um tripé, dentro da proporção necessária, e posso adiantar que é um tripé não motorizado. O trabalho que quis propor, até baseado no que eu queria para Xangô, , ele é todo artesanal. Até numa forma de economia do projeto. É um artesanal no sentido de todo dependente do trabalho humano.”
Em meio a grave crise que atravessa o carnaval, o Salgueiro teve de enfrentar também, em 2019, um conturbado cenário interno de instabilidade política e administrativa. Esses problemas nos bastidores estão levando a muitos a duvidar do que será apresentado pela agremiação na Sapucaí. No entanto, a escola quer dar a resposta na pista. Recém-chegado na Academia, o coreógrafo Sérgio Lobato comentou sobre como está sendo trabalhar mediante a isso tudo:
“É muito difícil esse momento. Esse último semestre passado, quando eu entrei na escola, os projetos foram muito engavetados por questões econômicas. A presidência apoiava, mas não tinha condições. E chegou um determinado momento, que até eu, honestamente, quis sair. Não por problemas com escola, mas achando que eu não teria condições de fazer. Mas depois do ingresso do presidente (André Vaz), ele fez não só um aporte econômico, mas emocional para todos nós. Ele tem nos apoiado e dado toda a estrutura possível. Com isso, conseguimos dar a volta por cima, e tenho certeza que faremos um grande carnaval. O salgueirense pode acreditar, nós vamos lutar.”
Lobato também falou como se deu o seu encontro com a Academia. Segundo o que o próprio coreógrafo conta, ele foi muito bem acolhido pela escola e manteve desde o inicio uma boa relação tanto com a administração anterior, comandada pela ex-presidente Regina Celi, quanto com a atual, de André Vaz.
“Fui muito bem recebido na minha chegada ao Salgueiro. Tanto pela primeira administração, da presidente Regina Celi, como pelo presidente atual André Vaz. Deram-me todo apoio. A direção de carnaval, o carnavalesco, o barracão, eu não tenho o que dizer de agradecimento a todos eles.”
O Salgueiro traz o enredo “Xangô”, desenvolvido pelo carnavalesco Alex de Souza, na busca de seu décimo título. A Academia do Samba será a quarta escola a desfilar na primeira noite do Grupo Especial.


O brilho no olhar voltou à comunidade vermelha e branca de Niterói. Depois de quatro anos, a Unidos do Viradouro fará o seu retorno ao Grupo Especial, em 2019. Ambicionando algo além da simples permanência na elite, a escola quer repetir o feito da Unidos da Tijuca em 2000, e conseguir, quem sabe, uma vaga no sábado das campeãs. E para isso, repatriou nomes de peso como o mestre Ciça e o carnavalesco Paulo Barros. Outra novidade se encontra na comissão de frente que, esse ano, contará com a assinatura do coreógrafo Alex Neoral.
“A comissão vem trazendo uma mensagem para que as pessoas leiam mais livros. A gente está muito conectado com o celular, e esquece o papel e a caneta. Muitas vezes não conseguimos nem escrever alguma coisa, porque só digitamos o tempo inteiro. A comissão vem um pouco com essa ideia de conto. A criança que tem que ler conto, que tem de ser criança. Criança que não lê história, que não cria história na cabeça, não é criança, e não vai ser um adulto saudável. Então, é um pouco dessa ideia, dessa mensagem, que vamos vir representando. Por incrível que pareça, nossa comissão tem tudo: ela é coreografada, ela tem efeito, ela é lúdica, ela é infantil, ela é adulta, ela é teatral, ela é dinâmica… Por isso estou bem feliz com ela e bem confiante.”
O desfile de 2019 vai segundo consecutivo da parceria entre Alex Neoral e Paulo Barros. Ela teve início poucas semanas antes do carnaval de 2018, quando Alex foi chamado às pressas para assumir a comissão de frente da Vila Isabel. Ao site CARNAVALESCO, o coreógrafo contou um pouco de como é essa relação dos dois.
Alex também falou acerca dos polêmicos tripés das comissões de frente. Uma prática que a cada dia se torna mais comum entre as escolas e os coreógrafos, mas nem por isso deixa de dividir opiniões.
O torcedor nilopolitano que foi a Marquês de Sapucaí esperando ouvir o tradicional “Olha a Beija-Flor aí gente”, na voz de Neguinho da Beija-Flor, se surpreendeu na arrancada do ensaio técnico da agremiação, mas certamente não teve motivos para ficar desapontado com a ausência do cantor. Isso porque, Bakaninha, intérprete de apoio da agremiação, assumiu a responsabilidade em substituir uma das lendas do carnaval brasileiro, e fez seu papel com brilhantismo. Junto às apresentações de Selminha Sorriso nos módulos de julgamento, o cantor foi um dos destaques do treino da Azul e Branca de Nilópolis, que encerrou o calendário de ensaios técnicos na Sapucaí, na noite deste domingo, 24 de fevereiro.
Selminha, aliás, deu um show a parte durante suas apresentações. Uma das identidades mais marcantes da Deusa da Passarela, a porta-bandeira mostrou um preparo físico invejável e um exemplo a ser seguido, realizando muito bem suas apresentações.
Coreografada por Marcelo Misailidis, a comissão de frente da escola nilopolitana fez apresentações que mesclaram teatralização com muito samba no pé. Com 15 componentes, o quesito fez por diversas vezes ao longo da apresentação frente a cabine de julgamento, menções ao beija-flor, pássaro que dá origem ao nome da agremiação.
O casal da Beija-Flor, Claudinho e Selminha Sorriso, mostrou porque é uma referência no quesito no carnaval brasileiro. Selminha deu um show a parte, com muito carisma e mostrando um preparo físico invejável, bailando com muita categoria em uma apresentação que, mais longa, exige muito da parte física. O casal, como de costume, mostrou sincronismo ao longo das apresentações diante das quatro cabines de julgamento.
“Foi 100%, nota 10. Eu amo esse samba, eu amo essa comunidade, eu amo essa história que eu vivo com o Claudinho na Beija-Flor há quase 24 anos. Esse ano é especial porque são 70 anos da escola e vão ser 30 anos de ‘Ratos e Urubus’ e 30 anos também da Selminha. Eu desfilei com gratidão. A nossa rotina de ensaios está bem puxada, nós não relaxamos e não nos acomodamos apesar de 27 anos juntos. A fantasia está totalmente dentro do enredo. É uma viagem essa roupa, ela sempre foi um sonho. Eu sonhava em vir com essas cores”, revelou Selminha Sorriso.
“Hoje a gente testou tudo que a gente ensaiou durante esse tempo todo e deu certo. Isso é sinal de que a gente está no caminho certo em busca da nota 10 para a nossa escola. Eu sou grato a Deus, aos meus orixás e à minha porta-bandeira Selminha. Esse ano completamos 27 anos juntos e 24 na Beija-Flor. A Beija-Flor é uma escola aguerrida, não é só uma escola de samba é uma escola de vida. O ensaio hoje foi positivo e estamos no caminho certo”, completou o mestre-sala.
A grande curiosidade do público e da crítica que acompanhou o ensaio técnico da Beija-Flor foi de analisar como a escola se comportaria em quesitos que anteriormente eram capitaneados por Laíla, hoje na Unidos da Tijuca. Em Harmonia, a escola mostrou canto contínuo ao longo do ensaio, mas em nenhum momento houve uma “explosão” do canto da comunidade. Atuação que, vale registro, atende ao que normalmente o regulamento pede, mas que ainda pode ter o canto ampliado até o carnaval.
Teve rendimento bem satisfatório, graças ao empenho e trabalho bem executado do carro de som da Beija-Flor. Neguinho, intérprete da escola há décadas, não esteve presente no treino da Deusa da Passarela na Sapucaí, mas foi muito bem substituído por Gilsinho Bakaninha, principal apoio da agremiação. O cantor assumiu a responsabilidade e foi muito bem durante os mais de 700 metros da Marquês. Bastante identificado com a agremiação, Bakaninha não conteve a emoção e foi às lágrimas ao fim do ensaio, certamente orgulhoso da primeira vez que defendeu a Beija-Flor como principal voz na Sapucaí.
“Foi uma emoção muito grande o que vivi hoje. Estar no carro de som do maior intérprete do carnaval de todos os tempos que é meu padrinho Neguinho da Beija-Flor pra mim é uma grande honra. É ele que me dá sempre os conselhos. Está com uma agenda muito corrida de trabalho, mas infelizmente ele pode estar presente. Já estava tudo preparado pra gente fazer o “feijão com arroz” caso ele não viesse. Hoje estou sem palavras pelo momento vivido. O canto da comunidade que representa tudo desse ensaio. A escola fez o que era pra ser feito: cantar com o coração. Estamos muito felizes mesmo”, comentou Bakaninha.
Comandada por Mestre Rodney, a bateria da Deusa da Passarela, mais uma vez, jogou com o samba-enredo e fez uma apresentação que arrancou aplausos do público presente na Sapucaí. Destaque para a bossa do fim da segunda parte do samba, que levantou o público que apreciava o ensaio nas arquibancadas e frisas do Sambódromo.
Outro quesito que havia muita expectativa sobre como iria se desenvolver com a saída de Laíla. Coordenado por Gabriel David, que puxou a escola em seu início de apresentação, o trabalho foi bem desenvolvido. Apenas uma leve oscilação no andamento da escola um pouco antes da chegada da bateria no terceiro módulo de julgamento, mas rapidamente ajustado. O movimento de entrada e saída da bateria no segundo recuo foi executado com perfeição.

Se depender do ensaio técnico realizado na noite deste domingo na Marquês de Sapucaí, o Paraíso do Tuiuti pretende mostrar na próxima segunda-feira de carnaval que o vice-campeonato conquistado em 2018 não foi obra do acaso. Se a comunicação com o público foi o ponto alto no ano passado ela se repetiu principalmente nos quesitos comissão de frente e samba-enredo. Solta, a escola evoluiu brincando e não se intimidou em uma noite onde teria de encara a poderosa Beija-Flor.
“Na parte que eu pude observar nossa escola cantou com bastante alegria, as alas brincaram bastante. Não temos isso de favoritismo, temos os pés no chão e sabemos que existem grandes escolas no Grupo Especial. Seguiremos fazendo nosso trabalho com bastante dedicação para chegarmos na segunda-feira e brindar o público com um grande espetáculo”, disse Rodrigo Soares, integrante da comissão de carnaval da escola.
A agremiação trouxe uma comissão de bastante interatividade e provocativa, como sugere o enredo. Metade dos integrantes eram homens de terno simulando políticos. A outra metade eram mulheres com perucas e roupa na cor laranja. Uma clara alusão aos recentes episódios políticos ocorridos no novo governo do Brasil. Na segunda parte da apresentação um bailarino vestindo apenas uma calça amarela entrava na coreografia, que terminava com os integrantes distribuindo laranjas para o público.
Marlon Flores e Daniele Nascimento, 40 pontos em 2018, realizaram uma apresentação correta na primeira cabine de julgamento. A dupla optou por uma dança tradicional, que trazia alguns passos de dança nordestina. A indumentária também fazia relação com o Ceará, onde o bode Iôiô viveu. Marlon trouxe passos ousados com o trançado das pernas e executou movimentos rápidos e sincronizados. Os dois sorriram todo o tempo e mostraram grande entrosamento.
“Conseguimos fazer hoje o que a gente já vem ensaiando durante a semana. Esse é o momento para testar alguns movimentos, e se tivermos que ajustar alguma coisa é hora para repetir os 40 pontos do ano passado. O nosso ritmo de ensaio tem sido muito intenso até aqui. Essa semana a gente vai tirar pra descansar. Deve fazer um ensaio de marcação até para se poupar para o desfile. A nossa fantasia está bem diferente e bem bonita, tenho certeza que o público vai adorar”, contou o mestre-sala.
A comunidade do Tuiuti repetiu na Marquês de Sapucaí o excelente rendimento que vem obtendo nos ensaios de rua no bairro de São Cristóvão. Os componentes cantaram muito forte o samba-enredo. O ponto a ser observado com atenção pela escola são algumas alas comerciais que claramente tiveram dificuldade no canto. O início da escola, nas duas alas iniciais, também cantou pouco. As alas finais foram as que mais se destacaram.
Depois de certa resistência inicial por uma injusta comparação com o samba de 2018, a obra do Tuiuti vem demonstrando sua qualidade e adaptação à proposta de desfile deste ano, que não é de lamento como foi no ano passado. A dupla Celsinho Mody e Grazzi Brasil provou por A + B que está no comando do carro de som por total mérito e conduziu com maestria a condução do samba.
A equipe da direção de carnaval da escola deixou as alas soltas, sem enfileiramentos ou regramentos rígidos. As pessoas brincaram carnaval e se movimentaram dentro das próprias alas, conferindo ao Tuiuti uma das melhores apresentações desta temporada no aspecto de espontaneidade do componente. A escola concluiu seu ensaio técnico após 67 minutos, oito a menos que o máximo permitido pelo regulamento do Grupo Especial.
O presidente Renato Thor deu início ao ensaio com um discurso agradecendo o empenho da Liga em realizar os ensaios e avisou que o carnaval passado do Tuiuti não foi uma obra do acaso. A escola demonstrou grande comunicação com o público que sabia cantar a obra. O esquenta com o samba de 2018 levou o Sambódromo ao delírio. A ala de passistas foi um dos pontos altos do treino com uma fantasia toda marrom e um verdadeiro show dos dançarinos. Foi perceptível notar uma escola com padrão de quem vai brigar nas primeiras colocações.
“O ensaio foi muito bom para nossa bateria. Deu tudo certo e não erramos nada hoje. Foi perfeito, estou muito feliz. Tudo o que eu esperava aconteceu e se hoje tivesse sido o desfile seria bom, os jurados iam ter que cortar um dobrado para tirar ponto da gente”, brincou mestre Ricardinho.