Aguardada como uma das grandes favoritas do ano no Grupo Especial de são Paulo, a Mancha Verde deixou a avenida esta noite certa de que apresentou um dos melhores conjuntos alegóricos da primeira noites de desfile no Sambódromo do Anhembi. Entretanto em alguns quesitos o propalado favoritismo foi sentido. A harmonia se apresentou de maneira fria e o conjunto de fantasias ficou aquém das excelentes alegorias apresentadas. O samba-enredo também não cativou o público. A verde e branca apresentou-se em 62 minutos com o enredo ‘ Oxalá, salve a princesa! A saga de uma guerreira negra’.
Comissão de Frente
A comissão de frente trouxe Exu abrindo o caminho para a Mancha Verde passar. O Congo celebrava a chegada de sua princesa, concebida pelas bênçãos dos orixás Xangô e Oxum, a pequena herdeira foi recebida pelos guerreiros guardiões. A indumentária impressionou pelo belíssimo acabamento da fantasia, em vários tons de verde. Todos os integrantes possuíam uma maquiagem no rosto, dando ainda mais realidade à apresentação. A coreografia era impactante e marcante.
Mestre-Sala e Porta-Bandeira
O casal de mestre-sala e porta-bandeira trouxe uma fantasia intitulada ‘Brilho das riquezas’. Marcelo Luiz e Adriana Gomes se apresentaram com uma fantasia muito bem feita, com uma profusão de faisões em diversos tons de verde. Eles não vieram logo atrás a comissão de frente e sim à frente do abre-alas da escola. A apresentação se deu de maneira perfeita.
Harmonia
A Mancha havia deixado excelente impressão nos ensaio técnicos, de que pisaria forte no Anhembi. Entretanto não foi isso que foi visto na passagem da escola pela avenida. As primeiras alas pouco cantaram o samba-enredo e o padrão de canto esperado, ao estilo das escolas de Jorge Freitas, só foi ser notado de fato no trecho final da escola, que terminou sua apresentação com grande comunicação com as arquibancadas.
Enredo
A Mancha Verde se apresentou na avenida contando e cantando, por meio de uma história fictícia, a narrativa da saga de uma guerreira africana que representava também a trajetória de luta e resistência do povo negro – que trazido ao Brasil de forma brutal – foi escravizado, transformando o Brasil em seu solo. A proposta estética apresentada na avenida possibilitou o perfeito entendimento da concepção desejada por Jorge Freitas.
Evolução
Passagem correta e técnica da Mancha pelo Anhembi, com alas bem organizadas e brincando bastante. Só não foi perfeita porquê aos 25 minutos de apresentação houve um excessivo tempo parada, logo após a entrada da bateria no recuo. Depois desse momento a escola fluiu corretamente pela pista, terminando seu desfile sem precisar correr, tanto que reduziu o passo e mesmo assim concluiu no tempo regulamentar sem dificuldades.
Samba-Enredo
Apesar da boa condução de Freddy Viana e o carro de som, o samba da Mancha Verde não conseguiu cativar o público em sua apresentação, ao contrário do que vinha acontecendo nos ensaios técnicos. Os primeiros setores da arquibancada reagiram com indiferença ao início do desfile. Com a chegada da escola nos setores finais, onde se encontravam os torcedores da escola, o rendimento do samba cresceu e a harmonia também.
Fantasias
Um conjunto irregular. Algumas alas possuíam um grande volume de materiais interessantes, causando bonitos efeitos, como por exemplo a primeira ala da escola depois da comissão de frente, que possuía até cores diferentes dentro do mesmo agrupamento. Entretanto havia uma excessiva repetição de ‘tiras de plástico’ em uma quantidade enorme de alas, causando uma sensação de repetição do mesmo recurso. A saia da ala de baianas, para reproduzir um efeito de cesta de palha, apelou para a sublimação.
Alegorias
O conjunto alegórico foi um dos melhores apresentados na primeira noite de desfiles no Anhembi. os carros eram grandiosos e estavam muito bem acabados e iluminados arrancando aplausos do público. O abre-alas foi um dos mais imponentes desta sexta com dois acoplamentos e esculturas enormes de negras, que chegavam a brilhar, tamanha a qualidade do acabamento. Certamente o ponto alto de todo o desfile.
Bateria
A bateria fez uma paradinha no momento em que o samba chegava no trecho ‘tambores vão ecoar’ e causava um grande canto na escola. A longa bossa ia até o trecho que falava ‘Ora iêiêô’. As terceiras desenhavam nesse momento. Uma julgadora de bateria cantou bastante o samba na torre de julgamento após o primeiro recuo.
Outros Destaques
Viviane Araújo como sempre foi um furacão na avenida. A fantasia chamou menos atenção que a peruca black-power que a beldade usava. Muitos cliques de fotógrafos e do público. O presidente da Mancha Paulo Serdan cobrou a comunidade antes do início do desfile. “Sete quesitos são com vocês. A parte da escola vocês podem ver que foi feita’. Ficou uma sensação de que a escola sentiu o peso de pisar no Anhembi apontada como uma das favoritas.





O canto da escola foi irregular. Duas alas, porém, se destacaram no aspecto canto. As baianas e a sétima ala do desfile (Caravana de Ciganos), Já as alas “Princípio Religioso-Amor’’ e ‘’Caboclo das 7 Encruzilhadas’’ passaram com pouquíssimos componentes cantando o samba. Em suma, o refrão principal era bastante cantado, mas o restante da obra não apresentou um nível de canto satisfatório por parte dos componentes. O carro de som comandado pelo intérprete Igor Vianna esteve bem e entoou o samba de forma correta.

Outro ponto irregular do desfile da Alegria da Zona Sul. Em algumas, como a da ala das baianas (Sabedoria da Vovó Maria Conga), da bateria (A Magia dos Pretos Velhos) e crianças(Alegria da Ibeijada) por exemplo, houve muita originalidade e execução a contento. Já outras, como Ondinas, Princípio Religioso: Amor, e Santo Antônio da Batalha, a execução deixou bastante a desejar no nível visto na Série A. As fantasias das alas que vieram logo após o carro abre-alas (Caboclos de Pena, Mandingas dos Baianos e Boiadeiros) tiveram realização bem parecida, mudando pequenos detalhes e as cores, deixando esta parte da escola monótona visualmente.
O samba da Alegria esteve longe dos mais comentados da Série A no período pré-carnaval, mas funcionou bem no desfile. O carro de som comandado por Igor Vianna cumpriu bem o seu papel, mantendo a tonalidade e dinâmica da melodia.
A Unidos da Ponte volta à Série A no Carnaval 2019 reeditando um de seus mais importantes enredos: “Oferendas”, de 1984 fazendo reverência aos ritos feitos para cada orixá nas religiões de origem africana, como a Umbanda e o Candomblé. A escola teve a missão de abrir os desfiles de sexta-feira de carnaval depois de um dos maiores temporais da história da Sapucaí com cerca de 30 minutos de atraso. O desfile teve duração de 54 minutos.




A bateria de mestre Vitinho veio vestida de Ogans num figurino simples e leve facilitando a execução dos ritmistas que durante as passagens frente as cabines de julgadores abaixavam-se. A rainha de bateria, Rosana Farias vestiu-se com uma das mais belas fantasias apresentadas no desfile.