Por Fiel Matola

A Acadêmicos de Santa Cruz entrou na Sapucaí para emocionar, com um samba-enredo aclamado positivamente pela crítica no período pré-carnavalesco, além de uma homenagem para ninguém botar defeito, com o enredo “Ruth Souza – Senhora Liberdade, abre asas sobre nós”. A escola teve muitos problemas em seu caminho, a maioria por conta da chuva que não parou durante todo o seu desfile, queda na Comissão de Frente, escorregão da Porta-Bandeira, lentidão no início, correria no fim, além de fechar seu desfile com 57 minutos. Pelo regulamento, a escola pode perder 0,2. O tempo de desfile máximo é de 55 minutos.
Antes da sirene tocar, a bateria fez sua entrada com uma faixa homenageando grandes mestres de bateria, com os dizeres “Paulão e Jorjão – mestres das paradinhas.” De início já era nítido que a escola conduziria o desfile pela emoção. Continuando em seu esquenta, o presidente Zezo falou da morte de sua esposa e fez um paralelo com o enredo sobre a Ruth, pois ele considera as duas como mulheres fortes, ainda deu recado que todo homem deve respeitar a mulher e que a homenageada é símbolo dessa resistência e luta. Porém, na pista, além dos momentos de emoção, o que se viu foi uma escola conturbada com diversos erros.
Comissão de Frente

Representando o início da história da vida da homenageada, sob título “Um Cortejo de Saudade” a Comissão de Frente trouxe uma criança apresentando Ruth na infância e uma mulher apresentando sua mãe, vale registrar a emoção passada em todo momento pelas duas integrantes, além das duas, existiam 11 componentes com um barco e que em certo momento saiam do barco e “abriam flores”, impressionante notar como toda a equipe de Marcelo Chocolate cantou do início ao fim o Samba da Escola. Mas, a emoção maior ainda estava por vir, em um elemento cenográfico de apoio representando um pé de frutas, a pequena Ruth come uma dessas frutas e se “transforma” (entrando no elemento cenográfico) na atriz já consagrada, quem representou Ruth quando adulta, foi a atriz Isabel Fillardis, que arrancou aplausos da plateia, porém na cabine 1, ao sair do elemento, Isabel tomou um tombo por conta do piso escorregadio, devido a isso a escola pode perder pontos, nas demais cabines a passagem foi conforme planejado.
Mestre-sala e porta-bandeira

O casal Carlos Eduardo, mais conhecido como “Muskito” e Roberta Freitas, reverenciou a grande atriz com a fantasia sob título “A Ruth com carinho”. Os dois com uma indumentária verde e dourado: ele com uma coroa, brasão da escola no peito além de pedrarias reluzentes, ela tal qual, com bastante plumas, e na sua saia também o brasão da escola, fantasia de belíssimo bom gosto, mas que foi castigada pela chuva, chegando no último módulo não tão volumoso quanto no primeiro. O casal estava envolto de guardiões vestidos com as cores da escola, representando guerreiros com um escudo na mão. A chuva foi o principal problema para os dois, na primeira cabine, as águas caíram mais que o que já estava o que fez o casal dar passos bem lentos, além disso Roberta escorregou no segundo Módulo e Moskito neste mesmo módulo não conseguiu pegar a bandeira, os problemas não pararam na terceira cabine, a bandeira tocou o mestre-sala, chegando a quase enrolar, já na última cabine, o casal passou bem, mostrando realmente seu bailado, e como deveria ter acontecido nos outros módulos.
Harmonia

A Harmonia foi um ponto bom da Santa-Cruz, porém, alguns clarões e a correria no final, podem tirar décimos da escola, isso porque como sabemos muitos jurados descontam pontos por não conseguir verificar o canto. A boa condução do carro de som da agremiação, pelo intérprete Roninho, foi o ponto ápice desse quesito. Alas como Refazenda, Copacabana, Ondas do Rádio, são dignas de aplausos pelo bom canto, porém a ala como a Bem na Fita não foi tão bem.
Enredo
O enredo sobre a atriz foi dividido em quatro setores, a abertura representou o teatro, com cores verde e dourado, apresentando o momento em que a homenageada começa a dar passos como atriz, no teatro experimental do negro, com Abdias do Nascimento, indo até a estreia dela no palco do Theatro Municipal. O segundo setor já destacou a estreia de Ruth no cinema, com cores mais vibrantes, representou sua paixão pela sétima arte na infância, fazendo um paralelo com ela já consagrada como uma atriz, assim como as emoções da rádio novela. O terceiro setor deu uma pincelada em personagens das novelas que a atriz participou, como por exemplo a novela “A Cabana de pai Tomás”, sob título de Estrela, esse setor também trouxa na fantasia da bateria o prêmio Kikito de melhor atriz, pela atuação no filme “ As filhas do Vento”. O último setor, mostrou outros artistas negros, assim como Ruth deixaram legados, fechando com o último carro que teve como título o próprio enredo: “Ruth de Souza – Senhoras Liberdade, abre as asas sobre nós.”
Evolução

Por conta de problemas iniciais no abre alas, que estava andando bem devagar, a escola ficou sem muito movimento demorando um grande tempo na passagem da sua “cabeça” da cabine 1 para cabine 2 de julgamento. Mas, não foi só isso, o início lento proporcionou o chamado efeito sanfona, com algumas alas com clarões, principalmente no final, quando a escola teve correr para não estourar o tempo. Além disso, problemas com o terceiro carro que foi todo torto e expeliu fumaça próximo ao recuo da bateria, fez a escola abrir mais um clarão no último módulo, e os problemas não terminaram, a bateria não fez seu recuo por conta do tempo, a Santa Cruz correu muito no final e ainda estourou o tempo em dois minutos, pelo regulamento ela pode perder dois décimos, que podem ser preciosos na contagem final das notas.
Samba
Um dos sambas mais bem falados pelos especialistas, dos compositores Samir Trindade, Elson Ramirez e Júnior Fionda, o samba forte proporcionou à escola emoção, o samba passou bem, é de se notar que realmente o samba foi um dos melhores quesitos da Santa Cruz, seu tom hora melódico hora com força, deu fluidez para o desfile, exceto quando os problemas inerentes ao samba e já falados ocorreram.
Fantasias

As fantasias da escola foram de fácil assimilação, você olhava para elas e via o que dizia, porém algumas como “Refazenda” e “Brincadeira de Criança” destoavam de outras como “Carolina de Jesus” na sua execução. Falta de sapato em alas como “Uma Aluna Nota 10” e “Assalto ao Trem Pagador”, e a fantasia da ala “Bem na Fita” se desfazendo, pode ser um fator complicador na apuração, assim como as últimas alas terem passado rápido. Ponto positivo para “Ala das Crianças” que estavam bem vestidos de Brincadeira de Crianças.
Alegorias

Com um conjunto alegórico aquém do esperado, a Santa Cruz teve problemas de iluminação no carro 3, além deste estar com falta de composição, próximo ao recuo da bateria ele parou e saiu muita fumaça do carro, e passou maior parte da avenida torto. No Abre-alas , onde veio a homenageada tinha uma coroa imponente, mas, a sombrinha que cobria Ruth de Souza não estava carnavalizado ficando fora do contexto do carro. O último carro, faltou composição, além de uma peça torta à frente. As Alegorias também eram de fácil assimilação como a fantasia.
Bateria
A Bateria do mestre Riquinho, passou bem, arrancando aplausos do público presente. O problema foi no setor final, onde ela passou sem entrar no recuo, o que não é uma obrigação, mas passou pelo módulo 4 na mesma rapidez.
Outros Destaques

Destaque para atriz mirim que fez a Ruth quando criança na Comissão de Frente, que cantou e fez belas expressões, atuando muito bem. A atriz Isabel Fillardis que mesmo na queda na primeira cabine levantou, mostrando força, ela que brilhou nas outras cabines;
Outro destaque foia a “A ala das Crianças” que esbanjou simpatia, elegância e muito canto. E lógico para a homenageada Ruth de Souza, que veio no abre alas e foi muito aplaudida pelo público presente.


Com o enredo “Ruth de Souza – Senhora Liberdade, Abre as Asas Sobre Nós”, a Acadêmicos de Santa Cruz levou para a avenida uma grande homenagem à atriz Ruth de Souza, um dos ícones da dramaturgia brasileira. A bateria da verde e branca da zona oeste carioca cruzou a Marquês de Sapucaí representando o prêmio Kikito de Ouro, um dos mais importantes no mundo do cinema e conquistado pela atriz em 2004, no Festival de Cinema de Gramado.
Uma apresentação onde a criatividade dos materiais e a fácil leitura plástica, principalmente das fantasias, triunfou. A Acadêmicos da Rocinha teve a difícil missão de encarar a pista molhada e iniciar seu desfile mesmo embaixo de uma chuva intensa. Com o enredo “Bananas para o Preconceito”, a tricolor de São Conrado foi a terceira escola da noite e realizou a sua apresentação em 55 minutos, o tempo máximo.













Aguardada como uma das grandes favoritas do ano no Grupo Especial de são Paulo, a Mancha Verde deixou a avenida esta noite certa de que apresentou um dos melhores conjuntos alegóricos da primeira noites de desfile no Sambódromo do Anhembi. Entretanto em alguns quesitos o propalado favoritismo foi sentido. A harmonia se apresentou de maneira fria e o conjunto de fantasias ficou aquém das excelentes alegorias apresentadas. O samba-enredo também não cativou o público. A verde e branca apresentou-se em 62 minutos com o enredo ‘ Oxalá, salve a princesa! A saga de uma guerreira negra’.
A comissão de frente trouxe Exu abrindo o caminho para a Mancha Verde passar. O Congo celebrava a chegada de sua princesa, concebida pelas bênçãos dos orixás Xangô e Oxum, a pequena herdeira foi recebida pelos guerreiros guardiões. A indumentária impressionou pelo belíssimo acabamento da fantasia, em vários tons de verde. Todos os integrantes possuíam uma maquiagem no rosto, dando ainda mais realidade à apresentação. A coreografia era impactante e marcante.
O casal de mestre-sala e porta-bandeira trouxe uma fantasia intitulada ‘Brilho das riquezas’. Marcelo Luiz e Adriana Gomes se apresentaram com uma fantasia muito bem feita, com uma profusão de faisões em diversos tons de verde. Eles não vieram logo atrás a comissão de frente e sim à frente do abre-alas da escola. A apresentação se deu de maneira perfeita.
A Mancha havia deixado excelente impressão nos ensaio técnicos, de que pisaria forte no Anhembi. Entretanto não foi isso que foi visto na passagem da escola pela avenida. As primeiras alas pouco cantaram o samba-enredo e o padrão de canto esperado, ao estilo das escolas de Jorge Freitas, só foi ser notado de fato no trecho final da escola, que terminou sua apresentação com grande comunicação com as arquibancadas.
A Mancha Verde se apresentou na avenida contando e cantando, por meio de uma história fictícia, a narrativa da saga de uma guerreira africana que representava também a trajetória de luta e resistência do povo negro – que trazido ao Brasil de forma brutal – foi escravizado, transformando o Brasil em seu solo. A proposta estética apresentada na avenida possibilitou o perfeito entendimento da concepção desejada por Jorge Freitas.
Passagem correta e técnica da Mancha pelo Anhembi, com alas bem organizadas e brincando bastante. Só não foi perfeita porquê aos 25 minutos de apresentação houve um excessivo tempo parada, logo após a entrada da bateria no recuo. Depois desse momento a escola fluiu corretamente pela pista, terminando seu desfile sem precisar correr, tanto que reduziu o passo e mesmo assim concluiu no tempo regulamentar sem dificuldades.
Apesar da boa condução de Freddy Viana e o carro de som, o samba da Mancha Verde não conseguiu cativar o público em sua apresentação, ao contrário do que vinha acontecendo nos ensaios técnicos. Os primeiros setores da arquibancada reagiram com indiferença ao início do desfile. Com a chegada da escola nos setores finais, onde se encontravam os torcedores da escola, o rendimento do samba cresceu e a harmonia também.
Um conjunto irregular. Algumas alas possuíam um grande volume de materiais interessantes, causando bonitos efeitos, como por exemplo a primeira ala da escola depois da comissão de frente, que possuía até cores diferentes dentro do mesmo agrupamento. Entretanto havia uma excessiva repetição de ‘tiras de plástico’ em uma quantidade enorme de alas, causando uma sensação de repetição do mesmo recurso. A saia da ala de baianas, para reproduzir um efeito de cesta de palha, apelou para a sublimação.
O conjunto alegórico foi um dos melhores apresentados na primeira noite de desfiles no Anhembi. os carros eram grandiosos e estavam muito bem acabados e iluminados arrancando aplausos do público. O abre-alas foi um dos mais imponentes desta sexta com dois acoplamentos e esculturas enormes de negras, que chegavam a brilhar, tamanha a qualidade do acabamento. Certamente o ponto alto de todo o desfile.
A bateria fez uma paradinha no momento em que o samba chegava no trecho ‘tambores vão ecoar’ e causava um grande canto na escola. A longa bossa ia até o trecho que falava ‘Ora iêiêô’. As terceiras desenhavam nesse momento. Uma julgadora de bateria cantou bastante o samba na torre de julgamento após o primeiro recuo.
Viviane Araújo como sempre foi um furacão na avenida. A fantasia chamou menos atenção que a peruca black-power que a beldade usava. Muitos cliques de fotógrafos e do público. O presidente da Mancha Paulo Serdan cobrou a comunidade antes do início do desfile. “Sete quesitos são com vocês. A parte da escola vocês podem ver que foi feita’. Ficou uma sensação de que a escola sentiu o peso de pisar no Anhembi apontada como uma das favoritas.