A segunda noite de desfiles da Série A promete um grande duelo de escolas candidatas ao acesso neste sábado no Sambódromo. Depois de uma sexta muito conturbada, com a chuva atrasando o início do desfile e escolas cometendo erros decisivos, as escolas deste sábado tem a chance de terminar o carnaval deste ano em vantagem no duelo pelo caneco da Série A.
A noite, diferente da primeira, terá a apresentação de seis escolas. A Unidos de Bangu abre e será sucedida pela Renascer de Jacarepaguá. A partir daí o que se verá, ao menos em teoria, é um duelo ferrenho pelo título do grupo. Se apresentam em sequência a Estácio de Sá, apontada como a mais forte candidata ao acesso esse ano, a Unidos do Porto da Pedra, terceira colocada em 2018 e também favorita, o Império da Tijuca, que promete o melhor desfile seu no grupo desde o controverso rebaixamento do Especial em 2014 e a Cubango, que depois de muito tempo é também uma das cotadas, devido ao talento da sua jovem dupla de carnavalescos e o aporte financeiro recebido do poder público de Niterói.
BANGU: Pode ser doce, baroa ou inglesa, não importa o tipo ou a forma, ela é uma unanimidade. Um dos alimentos mais consumidos no mundo, mas nem sempre foi assim. Antes renegada, a batata reúne inúmeras histórias e curiosidades. E é justamente isso que a Unidos de Bangu irá levar para Marquês de Sapucaí em 2019. Dando continuidade à série de visitas aos barracões da Série A, a reportagem do site CARNAVALESCO entrevistou o carnavalesco da agremiação, Alex de Oliveira, sobre o enredo da vermelha e branca para 2019. * SAIBA AQUI MAIS SOBRE O DESFILE
RENASCER: Após viver momentos dramáticos para conseguir por o carnaval de 2018 na rua, o ano de 2019 tem tudo para representar uma virada de página na história da escola. Apesar de todas as dificuldades enfrentadas no atual pré-carnaval, a Renascer de Jacarepaguá investiu em seu barracão, e irá apostar em um desfile grandioso e volumoso plasticamente. Com outros dois trabalhos assinados na agremiação em 2017 e 2018, os carnavalescos Alexandre Rangel e Raphael Torres acreditam que o atual trabalho será o com resultado mais impactante e surpreendente deles. * SAIBA AQUI MAIS SOBRE O DESFILE
ESTÁCIO: O chapéu panamá é um acessório quase obrigatório a todo sambista. O que poucos sabem, entretanto, é que o acessório nunca foi fabricado no Panamá, mas na Colômbia. A alcunha ganhou notoriedade mundial quando o presidente americano, Franklin Roosevelt, ao visitar o Canal do Panamá posou com o chapéu e ele foi assim chamado. Essa é uma das história que a Estácio de Sá abordará em seu desfile ‘A fé que emerge das águas’. A curiosa passagem estará retratada na fantasia da bateria Medalha de Ouro no segundo setor do desfile. Tarcísio Zanon, carnavalesco da agremiação, em entrevista concedida no barracão conta um pouco de como surgiu a ideia de desenvolver um enredo internacional com forte característica latina. * SAIBA AQUI MAIS SOBRE O DESFILE
PORTO DA PEDRA: Para buscar o sonho de voltar ao Grupo Especial, a Unidos do Porto da Pedra segue uma fórmula que vem dando certo desde 2016: a exaltação à cultura nacional. No carnaval deste ano o ator Antônio Pitanga será homenageado pelo Tigre de São Gonçalo. Porém engana-se quem pensa que a agremiação irá na contramão das temáticas de cunho social que permeiam a safra da Série A em 2019. Ao receber o CARNAVALESCO no barracão, o carnavalesco Jaime Cezário exalta a figura de Antônio Pitanga e diz que ele abriu portas para os atores negros no cinema nacional. * SAIBA AQUI MAIS SOBRE O DESFILE
IMPÉRIO DA TIJUCA: Localizado na região Sul Fluminense do estado do Rio de Janeiro, o Vale do Café corresponde a um conjunto de 15 municípios que, durante o século XIX, foram responsáveis por 75% da produção de café consumido no mundo. E até os dias de hoje, as fazendas e lavouras do grão, mesmo que de forma indireta, são grandes fontes de renda para região, através do turismo. Mas engana-se quem pensa que o Vale do Café vive apenas das glórias de seu passado. Atualmente, a região tem no agronegócio a sua válvula propulsora. É esse Vale do Café, antigo e atual, que o Império da Tijuca promete trazer para Sapucaí em 2019. * SAIBA AQUI MAIS SOBRE O DESFILE
CUBANGO: Depois de encantar a Sapucaí no desfile de 2018 e ser apontada como uma das mais fortes postulantes ao título da Série A neste ano, o Cubango tem no talento dos carnavalescos Leonardo Bora e Gabriel Haddad um de seus grandes trunfos para realizar o sonho de desfilar no Grupo Especial do carnaval carioca pela primeira vez na história. * SAIBA AQUI MAIS SOBRE O DESFILE


O Sambódromo do Anhembi recebe neste sábado de carnaval a segunda noite de apresentações das escolas de samba do Grupo Especial de São Paulo. Depois de uma noite em que escolas apontadas como favoritas ao caneco deslizaram, as sete agremiações que passarão pela pista hoje têm a oportunidade de largar na frente nos quesitos e tentar interromper a hegemonia do Acadêmicos do Tatuapé, que sonha com o tricampeonato na apuração da terça de carnaval.
ÁGUIA DE OURO: Diante de um cenário onde escolas de samba comercializam enredos, a Águia de Ouro vem na contramão, aborda em seu desfile um tema que crítica as situações de abuso de poder e se posiciona sobre as corrupções presentes no Brasil. A agremiação conta com nomes influentes para o desenvolvimento do enredo: “Brasil, Eu Quero Falar de Você!”. São eles: Laíla, Fran Sérgio, Sérgio Caputto Gall e Beth Trindade. Dando sequência ao especial que visita os barracões das escolas do Grupo Especial de São Paulo, a reportagem do CARNAVALESCO conversou com o Fran Sérgio, que explicou detalhes sobre o carnaval de 2019. *
DRAGÕES DA REAL: Vice-campeã do carnaval de 2017 e uma das favoritas para 2019, a Dragões da Real recebeu a reportagem do CARNAVALESCO no barracão para contar mais detalhes sobre o enredo: “A Invenção do Tempo. Uma Odisseia em 65 Minutos”. O experiente carnavalesco Mauro Quintaes afirma que o tema trabalhado proporciona uma estética nova para agremiação. *
MOCIDADE ALEGRE: Vice-campeã do carnaval de 2018, a Mocidade Alegre entra pra avenida em busca do 11° título. A carnavalesca Neide Lopes, que integra a comissão de carnaval, é uma das responsáveis pelo enredo: “Ayakamaé – As Águas Sagradas do Sol e da Lua”, uma homenagem ao Rio Amazonas. *
VAI-VAI: A reportagem do site CARNAVALESCO visitou o barracão da maior detentora de títulos do carnaval paulistano. Almejando o 16° campeonato, a escola de samba Vai-Vai traz para o Sambódromo do Anhembi o enredo: “O Quilombo do Futuro”, um tema que busca contar a história do povo negro através de uma narrativa ficcional. O carnavalesco responsável por desenvolver a parte teórica do carnaval, Roberto Monteiro, explica detalhes. *
ROSAS DE OURO: Dando continuidade ao especial que visita os barracões das escolas de samba para o carnaval de 2019, o site CARNAVALESCO entrevistou o profissional da escola de samba Sociedade Rosas de Ouro. Responsável por todo o desenvolvimento do enredo, o carnavalesco André Machado segue para o seu terceiro carnaval na agremiação com o enredo autoral: “Viva Hayastan”, uma grande homenagem ao país europeu Armênia. *
VILA MARIA: Sonhando com o título inédito da elite do carnaval paulistano, a Unidos de Vila Maria caminha para realizar uma grande homenagem à nação Peruana. A reportagem do CARNAVALESCO inicia a série de visitas aos 14 barracões das escolas do Grupo Especial de São Paulo com a agremiação do bairro do Japão. O desfile da entidade é montado todo na própria Fábrica do Samba. Criação das alegorias, confecções das fantasias e até a própria roupa do casal de mestre sala e porta-bandeira são produzidas no barracão. *
GAVIÕES: A Gaviões da Fiel traz um enredo reeditado de 1994. Sidnei França é o responsável pelo desenvolvimento do tema: “A saliva do santo e o Veneno da serpente”. O carnavalesco diz que poucos elementos do desfile original será usado e revela nova linguagem, principalmente no último setor. *
A Marquês de Sapucaí é o local onde o Brasil se enxerga de forma mais nítida, e a primeira noite de desfiles da Série A, na sexta-feira de carnaval, foi uma espécie de reencontro do povo com sua brasilidade – no que ela tem de melhor e de pior. A festa começou e terminou com duas porta-bandeiras que simbolizam bem o que está representado naquela Avenida colorida. A abertura da Unidos da Ponte trouxe Camylinha Nascimento defendendo o pavilhão azul e branco. Camyla é neta de Vilma Nascimento, a maior de todas as porta-bandeiras, e representa uma característica muito cara ao carnaval: a ancestralidade, a transmissão de conhecimento pelas gerações, a herança da arte através do sangue. Quando ela pisou na Passarela, representando o Oráculo de Ifá, os deuses do carnaval se agitaram ao reconhecer décadas de sabedoria dedicada à festa – e, claro, abençoaram a estreia da menina. Se a abertura da noite foi assim, o encerramento também foi simbólico. No último setor da última escola, a Acadêmicos do Sossego, outra porta-bandeira chamou a atenção: Anderson Morango, que com o mestre-sala Wladimir Bulhões formou pela primeira vez um casal de dois homens na Sapucaí. Com a fantasia “Filhos de Deus perseguidos pela intolerância”, os rodopios de Anderson nos lembravam a todo momento quem somos: ao mesmo tempo, o país que mais mata LGBTs e o país que produz a festa mais tolerante do planeta, o carnaval. Incoerente? Pois o Sambódromo nos deu repetidas lições do paraíso e do inferno que é ser brasileiro.
O melhor do Brasil passou na abertura da Santa Cruz, trazendo a grande homenageada do enredo, Ruth de Souza, uma das glórias de nossa cultura, primeira atriz negra a pisar no Municipal, a ganhar o Kikito em Gramado, a ser indicada a um prêmio internacional. A emoção de ver dona Ruth, aos 97 anos, receber os aplausos de seu povo, sentadinha em seu trono de rainha, fez os pingos de chuva ganharem toques salgados em nossos rostos, misturados às lágrimas que rolavam para a Grande Dama, num encontro das águas que lavava corpo e espírito.
O tom religioso foi fortíssimo nos enredos da primeira noite, que teve ainda a umbanda da Alegria e o Jesus Malverde da Sossego – metade dos desfiles da Série A fala de devoção. Seria difícil imaginar isso no carnaval há 30 anos, quando temas desse tipo eram episódicos. Agora, festejamos a entrada da fé com força na Avenida, mas olhamos fora dela e vemos os casos de intolerância religiosa proliferarem por todo o país. Quem te pediu coerência, meu Brasil?
A Sapucaí é o Brasil inteiro porque as escolas passaram sem destaques nos queijos, com alegorias pobres e fantasias despencando não só por causa da chuva, mas porque não receberam o minguado dinheiro que a Prefeitura prometeu, depois de sucessivos cortes. Pior do que reduzir à míngua a subvenção para as agremiações é não marcar uma data de pagamento, é adiar a assinatura de contrato indefinidamente, é tratar as escolas de samba como assunto secundário numa cidade que deve seu protagonismo internacional a esta festa. Ter no comando da cidade do carnaval alguém que despreza o carnaval: existe algo mais brasileiro do que isso?