
INÉDITO, MANCHA VERDE VENCE O GRUPO ESPECIAL DE SÃO PAULO
Por um décimo a Mancha Verde venceu de forma inédita o Grupo Especial de São Paulo no Carnaval 2019. Aguardada como uma das grandes favoritas do ano no Grupo Especial de são Paulo, a Mancha Verde deixou a avenida esta noite certa de que apresentou um dos melhores conjuntos alegóricos da primeira noites de desfile no Sambódromo do Anhembi.
De forma surpreendente, o Vai-Vai foi rebaixado para o Grupo de Acesso. O Tucuruvi também caiu em 2019.
A Mancha Verde se apresentou na avenida contando e cantando, por meio de uma história fictícia, a narrativa da saga de uma guerreira africana que representava também a trajetória de luta e resistência do povo negro – que trazido ao Brasil de forma brutal – foi escravizado, transformando o Brasil em seu solo. A proposta estética apresentada na avenida possibilitou o perfeito entendimento da concepção desejada por Jorge Freitas.
A comissão de frente trouxe Exu abrindo o caminho para a Mancha Verde passar. O Congo celebrava a chegada de sua princesa, concebida pelas bênçãos dos orixás Xangô e Oxum, a pequena herdeira foi recebida pelos guerreiros guardiões. A indumentária impressionou pelo belíssimo acabamento da fantasia, em vários tons de verde. Todos os integrantes possuíam uma maquiagem no rosto, dando ainda mais realidade à apresentação. A coreografia era impactante e marcante.
VIRADOURO GANHA O ESTRELA DO CARNAVAL DE DESFILE DO ANO DO GRUPO ESPECIAL DE 2019

Foi para Niterói a categoria máxima do prêmio Estrela do Carnaval 2019. A Viradouro e sua magnífica apresentação no domingo de carnaval conquistaram os jurados e receberam o título de Desfile do Ano do Grupo Especial em 2019. Além dessa categoria, a Viradouro ganhou como melhor conjunto de alegorias. A festa de premiação será no dia 14 de abril na quadra da Unidos da Tijuca.
A maior vencedora de 2019 foi a Vila Isabel juntamente com a Viradouro. A escola receberá três prêmios: melhor ala de baianas, melhor conjunto de fantasias e melhor comissão de frente.
A Unidos da Tijuca venceu em duas importantes categorias: melhor bateria para mestre Casagrande e seus ritmistas e melhor samba-enredo.

Em uma apresentação inesquecível Gilsinho conquistou na categoria melhor intérprete. A melhor harmonia foi para a Estação Primeira de Mangueira.
Phelipe Lemos e Dandara Ventapane ganharam o Estrela do Carnaval na categoria melhor casal de mestre-sala e porta-bandeira do Grupo Especial.

VEJA ABAIXO TODOS OS PREMIADOS DO GRUPO ESPECIAL
Desfile do Ano – VIRADOURO
Bateria – UNIDOS DA TIJUCA
Comissão de Frente – VILA ISABEL
Casal de Mestre-Sala e Porta-Bandeira – Phelipe Lemos e Dandara Ventapane (UNIÃO DA ILHA)
Enredo: SÃO CLEMENTE
Carnavalesco: PAULO BARROS (VIRADOURO)
Samba-Enredo – UNIDOS DA TIJUCA
Intérprete: Gilsinho (PORTELA)
Ala de Passistas: ESTAÇÃO PRIMEIRA DE MANGUEIRA
Conjunto de Alegorias: VIRADOURO
Conjunto de Fantasias: VILA ISABEL
Ala de Baianas: VILA ISABEL
Harmonia: MANGUEIRA
Apuração SP: acompanhe aqui a leitura das notas do Grupo Especial pela Sintonia SASP
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Mangueira ‘reescreve’ história do Brasil em desfile transgressor e entra na briga pelo título de 2019
Por Guilherme Ayupp. Fotos: Allan Duffes e Magaiver Fernandes
Com o lugar de fala de quem carrega uma comunidade de milhares de pessoas, a Estação Primeira de Mangueira escreveu na madrugada desta terça-feira de carnaval uma página fundamental na história dos desfiles de escola de samba e dela própria. Cumprindo o papel fundamental de gerar no público o senso crítico e contestador, a escola fez uma apresentação arrebatadora e entrou na disputa pelo título do carnaval. A partir deste 05 de março de 2019 não será mais possível contar a história da Mangueira sem passar pelo desfile de hoje. A verde e rosa precisou de 71 minutos para apresentar o enredo ‘História para ninar gente grande’. A Estação Primeira foi a sexta a desfilar na segunda noite de apresentações do Grupo Especial.
Comissão de Frente
Para recontar a história do Brasil a Mangueira iniciou seu desfile com uma apresentação de comissão de frente que foi capaz de sintetizar o enredo e causar no público a reação desejada com esse desfile: a contestação. Em um primeiro momento os heróis consagrados das páginas oficiais de história apareciam dentro de um tripé, emoldurados. No chão índios e negros realizavam uma coreografia.
Na segunda parte os personagens desconhecidos arrancam os heróis das molduras e estes são representados como anões. Os novos heróis então rasgam a página de um livro de história. Nesse momento surge a jovem Cacá Nascimento, cantora mirim que ganhou notoriedade ao gravar o samba da escola na versão concorrente. Ela ergueu uma faixa com escrita ‘Presente’ em clara alusão ao assassinato da vereadora Marielle Franco. Princesa Isabel, o bandeirante Domingos Jorge Velho, o Marechal Deodoro da Fonseca, o imperador D. Pedro I, o missionário José de Anchieta e o “descobridor” Pedro Álvares Cabral se “desmolduraram” para revelar o tamanho da grandeza de seus “feitos”. No “avesso deste lugar”, registrou-se a grandeza de negros e índios que ficaram à sombra destes, resguardando a importância deles para as futuras gerações.
Mestre-Sala e Porta-Bandeira
Matheus Olivério e Squel apresentaram-se de acordo com a estética indígena que dá o tom da abertura do desfile proposto pela agremiação. Ambos apresentaram versão carnavalesca que sugeriu a figura indígena em releitura adequada à tradicional indumentária dos casais que defendem os pavilhões das agremiações nos desfiles das escolas cariocas.
Estiveram inseridos em um contexto de valorização heroica e construção épica do índio brasileiro na fase anterior à chegada de Cabral ao território nacional. Como um xamã, num ritual mágico e sagrado, a porta-bandeira e seu pavilhão mantém um forte laço como se fosse um só. Cortejado, festejado e protegido pelo mestre-sala, que defende com maestria a altivez da ancestralidade “de sua tribo”, reluz o pavilhão da Estação Primeira em meio a abertura do desfile. O casal deve repetir na apuração o desempenho dos dois últimos carnavais e conseguir os 40 pontos, depois de mais uma apresentação muito marcante e sem falhas.
Harmonia
Se ainda havia alguém ressabiado com relação à harmonia da Mangueira, essa desconfiança foi triturada por um canto avassalador da comunidade verde e rosa. Alas que passaram berrando o samba em todos os setores da escola. Incluindo alguns componentes que não conseguiram conter a emoção com a história sendo escrita diante dos seus olhos.
Samba-Enredo
Um dos sambas mais aclamados do ano se provou na avenida capaz de ser o representante desse desfile da Mangueira. Nenhum outro poderia ser cantado nesse desfile. Só tinha esse. A obra conduziu excelentes harmonia e evolução e teve excelente auxílio luxuoso do intérprete Marquinhos Art’Samba.
Evolução
Técnica de desfile sem qualquer problema. Não deixou buracos, não precisou acelerar ou reduzir o andamento. Alas que passaram se movimentando muito, preenchendo toda a pista e sem embolar umas nas outras. Uma evolução perfeita no desfile da Mangueira.
Enredo
Leandro Vieira mais uma vez trouxe uma proposta transgressora e foi extremamente bem sucedido.O primeiro setor, intitulado ‘Mais invasão que descobrimento’ tratou de abrir a narrativa deixando claro o que todos já sabem, que o Brasil não foi descoberto por ninguém, mas sim invadido por europeus. No segundo setor, ‘Heróis de lutas inglórias’ a história indígena seguiu sendo contada, mostrando como os nativos sofreram um genocídio pelas mãos dos ditos heróis.
No terceiro setor, ‘Nem do céu, nem das mãos de Isabel’, a Mangueira desconstruiu o posto de heroína da princesa Isabel, que assinou a lei Áurea, mas que segundo o enredo não foi uma personagem fundamental na luta pelo fim da escravidão. No setor ‘A história que a história não conta’ o enredo satirizou herois da Monarquia. O desfile foi encerrado com o setor ‘Dos Brasis que se faz um país’ e jogou luz sobre a necessidade de se compreender a verdade do passado para construir o futuro.
Fantasias
Leandro apresentou um conjunto bastante diversificado. Os dois primeiros setores, de estética indígena, obviamente tinham fantasias com bastante penas e maquiagem para marcar os figurinos. Algo diferente do que o carnavalesco vinha fazendo desde sua chegada à Mangueira. O traço fundamental e característico de Leandro apareceu a partir do terceiro setor. Novamente um inspirado conjunto criado por Leandro.
Alegorias
Foi com as alegorias que o enredo de Leandro Vieira causou nas pessoas o sentimento contestador e de choque, algo pretendido claramente pelo enredo. O mais forte carro foi o segundo, que trouxe o conhecido monumento aos bandeirantes, localizado em São Paulo, pichado com os dizeres ‘Assassinos’ para designar a matança do povo indígena. Apesar de grande conjunto, o abre-alas passou apagado no primeiro módulo de julgamento. Na quinta alegoria mais heróis desconstruídos. Em uma imagem forte, eles apareceram pisando em esculturas de negros mortos.
Outros Destaques
A Mangueira iniciou seu desfile aos gritos de “É Campeã”. E foi dessa mesma forma que terminou sua apresentação. A rainha de bateria Evelyn Bastos veio representando a escrava Esperança Garcia, mulher que ousou registrar por escrito as violências que sofria em uma fazenda no Piauí. O tripé da comissão de frente foi tinha um sistema de som dentro da alegoria para orientar seu deslocamento pela avenida. Alvinho, ex-presidente da agremiação, veio no final da escola absolutamente extasiado.
Gaviões da Fiel fatura o Estrela do Carnaval de Desfile do Ano de SP
Em um desfile arrebatador os Gaviões da Fiel conquistaram o prêmio Estrela do Carnaval de São Paulo na categoria máxima. A escola foi eleita o Desfile do Ano do Grupo Especial paulistano. A festa de premiação será no dia 24 de março, no Hotel Holiday Inn Parque Anhembi, em São Paulo.
Mesmo com o dia amanhecendo, o público permaneceu em peso nas arquibancadas e interagiu com o canto constantemente proporcionado pela qualidade do samba. A escola de samba Gaviões da Fiel trouxe uma reedição de 1994, através do enredo: “a saliva do santo e o veneno da serpente”, porém com leitura nova e detalhes diferentes da original. Clima arrepiante da largada, interação da arquibancada, coreografia surpreendente da comissão de frente e ritmo da bateria foram os destaques positivos.
Confira a relação com todos os ganhadores
Desfile do Ano: Gaviões da Fiel
Melhor Bateria: Vila Maria
Melhor Intérprete: Igor Sorriso (Mocidade Alegre)
Melhor Casal de Mestre-Sala e Porta-Bandeira: Everson Sena e Laís (Vila Maria)
Melhor Samba-Enredo: Gaviões da Fiel
Melhor Comissão de Frente: Dragões da Real
Melhor Ala das Baianas: Mocidade Alegre
Melhor Conjunto de Alegorias: Império de Casa Verde
Melhor Conjunto de Fantasias: Tatuapé

