
Carro da Mocidade que trouxe Elza Soares faz referência ao deus do tempo na Mitologia Grega
Por Larissa Rocha
Já amanhecia quando última escola entrava na Avenida. A Mocidade Independente de Padre Miguel apostou no enredo “Eu sou tempo, tempo é vida”, abordando a relação do homem com o tempo que revela histórias e memórias. Com Elza Soares no destaque, o abre-alas da escola fez referência ao deus do tempo na mitologia grega. Intitulado “Cronos, o Senhor da Razão e Sua fábrica do Tempo”, a alegoria lembra que Cronos, de acordo com as crenças da Grécia, é o responsável por criar estrelas, símbolo da Mocidade.
Para ilustrar que tudo tem prazo de validade, menos o tempo, infinito, o carro trouxe um grande Pégaso, símbolo da imortalidade, na parte de cima. Iluminada em verde e branco, a alegoria contava com dois carros acoplados e engrenagens por todos os lados.
Eduardo Vieira, uma das 80 pessoas que cruzaram o Sambódromo em cima do carro, completou o terceiro ano de desfile pela Verde e Branca de Padre Miguel. Apesar de ter se apresentado sentado em um balanço, garantiu não ter ficado parado.
“Representei anjo que participa da criação do tempo. Vim um carro lindo, com um efeito de iluminação incrível. Acho que surpreendemos na Avenida”, contou ele, confiante para o resultado da Apuração.
Alegoria do Tuiuti compara políticos com animais sujos e traz mascotes de partidos
Por Lucas Lunus

Depois do sucesso do carro dos vampiros de 2018, que criticava os políticos brasileiros os comparando a “chupas sangue”, o Tuiuti mais uma vez trouxe um carro para denunciar as ações dos parlamentares e o envolvimento com corrupção.
Dessa vez, aproveitando o enredo dedicado ao Bode Ioiô, a escola fez alusão a animais repulsivos como ratos e envolvidos com sujeira como os porcos, além de trazer algumas mascotes que tem relação com o símbolo de partidos políticos, como por exemplo o tucano, apelido do PSDB.
A alegoria “A fauna eleitoral”, quarta no desfile da Amarela e Azul de São Cristóvão, fazia referência ao que foi chamado de um zoológico presente nas eleições de 1992 em Fortaleza, o pleito que elegeu o bode. A ideia é criticar o fato de ter existido todo o tipo de animal dentro da política na República Velha e só o bode era impedido de entrar.
Sara Mishuti estava no último carro de 2018 que trazia os políticos como vampiros, o ex-presidente Michel Temer, inclusive. Este ano, compondo o carro da “Fauna eleitoral”, Sara acredita ser válida a crítica aos parlamentares.

“Acho ótimo porque mostra sempre o estado que o país está. Sempre foi assim e continua acontecendo. É o lado mais sujo da nossa sociedade”, aponta.
Outra foliã que desfilou no carro número quatro do Tuiuti, Cátia Oliveira, entende que a crítica bem-humorada feita pela escola pode levar as pessoas a refletirem sobre a situação atual do Brasil.
“Acho interessante essa crítica. Acredito que uma escola como o Tuiuti trazer este tema leva as pessoas a pensarem sobre a corrupção e tudo mais que acontece no país.”
Caos: Baianas da Mocidade representam momento em que a ordem ainda não havia sido imposta no universo
Por Larissa Rocha

“Eu sou tempo, tempo é vida”, foi o enredo escolhido pela Mocidade Independente de Padre Miguel para o Carnaval 2019. A última escola a entrar na Avenida abordou a relação do homem com o tempo, que revela histórias e memórias. Com fantasias nomeadas de “Evolução, no início, era caos”, as baianas da escola vieram na primeira ala, de forma surpreendente e ousada; com fantasia totalmente na cor preta.
A fantasia simbolizava o início de tudo, o momento em que a ordem ainda não havia sido imposta aos elementos do universo. Tudo era escuro, mas em evolução constante até a criação do mundo. O figurino era preto com detalhes em cinza, feito de acetato, barbante, ferro e conduíte. Segundo Mayran Melo, funcionário do ateliê da agremiação, esta fantasia pesa metade do que uma indumentária tradicional.
Zélia dos Santos Coelho, que desfila há 15 anos como baiana na Mocidade adorou a fantasia.

“A fantasia está um pouquinho pesada, mas vai dar para evoluir e aproveitar muito na Avenida. Todo mundo quer competir, mas todo mundo quer ganhar também, e a gente quer ganhar”, brincou a componente.
Marly Costa, que está no seu terceiro ano na Mocidade, mas que já desfilou em outras agremiações do Grupo de Acesso, conta que há diferenças entre as fantasias.
“A fantasia do Grupo Especial é diferente, costuma ser um pouco mais pesada. Mas em compensação costuma ter mais detalhes, adereços,por isso acaba pesando mais, mesmo. A gente reclama mas gosta de desfilar”, confessou a baiana antes de passar pela Sapucaí.
Homenageando Jerônimo da Portela, Arame de Ricardo faz desfile correto prejudicado
Por André Coelho. Fotos: Magaiver Fernandes
Sexta escola a desfilar na noite de terça-feira, o Arame de Ricardo trouxe para a avenida a trajetória de uma importante figura do carnaval: Jerônimo da Portela. A homenagem foi digna do sambista, exaltando vida e obra desse tão relevante personagem, porém teve altos, como a comissão de frente e baixos como a harmonia.
Comissão de frente
Com 11 integrantes, a comissão de frente do Arame de Ricardo trazia nove águias da Portela e um menino, simbolizando o primeiro contato de Jerônimo com a escola de Madureira, levado pelas mãos de Dona Dodô, também representada na encenação. Trazendo uma coreografia que remetia ao vôo da águia e a versos do samba, tinha o menino como espectador encantado que tentava imitar os movimentos das aves e ao final da dança encontrava Dona Dodô a quem dava uma faixa onde se lia “A Grande Dama”. Houve um ou outro desencontro na coreografia, mas nada grave, em compensação deve ser destacada a atuação do menino escolhido para representar Jerônimo na infância. O pequeno integrante incorporou verdadeiramente o personagem e emocionou quem assistiu a performance.
Mestre-Sala e Porta-bandeira
Com indumentária repleta de pedras representando o brilho da Portela Roberto Vinícius e Alana Couto fizeram uma bela apresentação. Ela mostrou muita graça e controle absoluto do pavilhão, executando bem os giros, um tanto lento, mas nada que comprometesse o desempenho, além de ter concentrado o olhar em seu par todo o tempo. Ele dançou com vigor, cortejando e protegendo a parceira. Ambos demostraram cumplicidade e sincronia. A se observar apenas que por vezes ele desviava o olhar da porta-bandeira. Coreografias no trecho do samba que cita Oxum e Xangô e no final com direito a passinho enriqueceram a apresentação.
Enredo
Uma belíssima escolha, porém de difícil apresentação, visto que, infelizmente, o homenageado não é tão conhecido. A relação com a Portela e a dança ficaram claras, entretanto outros aspectos da vida de Jerônimo não ficaram tão nítidos, o que deixou um tanto confuso o enredo. De maneira geral pode-se dizer o sambista foi bem apresentado no desfile, mas ficou a sensação de que poderia ser ainda melhor.
Fantasias
Um início de maioria simples e de leitura apenas razoável. Ocorreu considerável melhora no segundo setor onde eram mais volumosas e expressivas e caindo um pouco a qualidade no terceiro. Foi possível perceber soluções inteligentes de acordo com a proposta de reaproveitamento de materiais. Belíssima a fantasia das baianas de Nossa Senhora da Conceição.
Alegorias
Com um tripé em referência à Portela, logo após o casal de Mestre-Sala e Porta-bandeira e mais duas alegorias, o Arame de Ricardo, assim como nas fantasias, alternou bons momentos com outros nem tanto. A primeira alegoria trazia o leão símbolo da escola e não acompanhou a qualidade apresentada no tripé. Já a segunda alegoria, onde desfilaram o presidente da Portela, Luiz Carlos Magalhães e Carlinhos de Jesus retomou a qualidade e trouxe muito colorido nas fantasias das composições em meio ao azul predominante.
Samba-enredo
O samba escolhido pelo Arame de Ricardo para conduzir seu desfile teve um desempenho apenas mediano. Mesmo com a ótima performance do intérprete Zé Paulo, a obra ficou aquém do necessário para impulsionar a apresentação.
Evolução
Pequenos problemas podem custar alguns décimos para o Arame de Ricardo nesse quesito. O espaçamento entre as alas, em alguns momentos, era maior que o ideal houve um grave problema com a segunda alegoria em frente ao último módulo de jurados, abrindo um grande buraco. Componentes brincaram e evoluíram com liberdade e alegria.
Harmonia
Começou bem, com a ala 1 cantando bastante, porém foi caindo durante o desfile e alternou momentos de canto forte (ala 14) com outros mais fracos. No final o sistema de som que é cortado atrapalhou a escola e a agremiação passou a contar apenas com seus componentes que infelizmente não corresponderam.
Bateria
A Ritmo Malvado de Mestre Ronaldo Júnior foi um dos pontos altos do desfile. Destaque para os agogôs, verdadeiros protagonistas de uma das bossas que levantaram o público gerando aplausos entusiasmados.
Outros Destaques
A ala 5, coreografada, passou muito animada com casais dançando samba num dos momentos mais descontraídos do desfile. A emoção foi o principal durante a passagem da ala que trazia casais de Mestre-Sala e Porta-bandeira das escolas co-irmãs Santa Cruz, Jacarezinho e Arranco, além da Imperatriz Leopoldinense que levou não só seu casal principal, Thiaguinho e Rafaela como também o lendário Chiquinho e Maria Helena que levaram o público ao delírio.
Mocidade lembra filme de Chaplin e faz crítica às indústrias dos Tempos Modernos
Por Karina Figueiredo
A Mocidade Independente de Padre Miguel levou para a Avenida um enredo sobre o tempo da vida. Neste sentido, o quarto carro a cruzar o Sambódromo, intitulado “Tempos Modernos: O contratempo da Ilusão representa o tempo que nos aprisiona e nos consome” representou uma gaiola, remetendo à ideia de que o relógio pode ser um dos grandes inimigos quando o assunto é mercado de trabalho.
Cláudio Maia, integrante da Mocidade e desfilante desde 2002, explicou que a gaiola projetada no carro faz referência principalmente as pessoas submissas à rigidez do mercado de trabalho. Isso porque, nos tempos modernos, a indústria impiedosa visava apenas o lucro, fazendo deste setor uma caveira que sugava seus funcionários, que, submetidos a péssimas condições de trabalho, tinham uma única função: vencer o tempo e produzir cada vez mais.
“Nós representamos os operários da fábrica e os personagens desse sistema repetido realizado como se fosse uma robótica”, explicou Claudio Maia.
O componente do carro Tingo Palpo, que completou seu quinto ano desfilando pela Mocidade, também comentou sobre o carro e a fantasia usada.
“Eu venho representando o Charlie Chaplin. A minha fantasia foi inspirada no filme dele. Ela representa o homem da atualidade que chega ao mundo moderno, no estilo mudo, conforme o personagem de Chaplin. Cruzei a Avenida nesta máquina, enferrujada e com engrenagem. A ideia foi realmente demonstrar as indústrias que tentam driblar o tempo para lucrar cada vez mais, mas sem investir em condições de trabalho adequadas para seus funcionários”.
Com comissão de frente que interagia com o público, Tradição faz bom desfile em homenagem as baianas
Por Lucas Santos. Fotos: Magaiver Fernandes
Quarta escola da noite, a Tradição foi a primeira escola a levantar o público em desfile que contou com fantasias bonitas, bem trabalhadas e com a comissão de frente que mexia com as pessoas que estavam próximas a grade.
Com o enredo “Gira baiana, salve as mães de samba”, a Tradição cantou a história das mães do samba, as baianas e sua relação com o samba e o Rio de Janeiro. A escola terminou seu desfile com tranquilidade, em 43 minutos, ainda se dando ao luxo de mexer com o público que acenava e cantava samba na parte final da pista.
Comissão de Frente
Um dos pontos altos do desfile, a comissão de frente, coreografada por Jesse da Cruz e Victor de Oliveira, trouxe o conflito presente desde o início do século entre os sambistas e o poder público. Malandro e dançarinas eram repreendidos por quatro policiais, que repreendiam também o público que estava na grade. Atrás quem acompanhava, era uma baiana que no final da apresentação era erguida a frente dos jurados pelos agentes da lei.
Casal de mestre-sala e porta-bandeira
Pode até ser um pouco clichê trazer o casal de Pierrot e Colombina, mas que a fantasia de Johny Matos e Joana Falcão impressionava pela riqueza de detalhes, impressionava. Colorida, com as cores da escola e com muito brilho destacou ainda mais a bonita apresentação do casal, em performance coreografada, em que a Colombina recebia uma rosa do Pierrot e oferecia aos jurados. A parte do bailado tradicional também foi bem realizada.
Fantasias
A Tradição trouxe fantasias bonitas, luxuosas e com uma boa combinação de cores. Destaque para o azul da escola que esteve presente em detalhes com penas. Ainda assim, outras cores fizeram parte do desfile da escola. As baianas em sua cor original, o branco pedindo axé, estavam bem bonitas.
Alegorias
O carro que trazia nossa Senhora e os esplendores da Tradição passou muito bonito, com iluminação destacada. A nota triste foi para o fato da imagem da santa ter ficado presa em um fio de energia próxima a segunda cabine de jurados. Após o problema ter sido resolvido pelos componentes da escola, o carro não teve danos. Problema mesmo aconteceu no último tripé que trazia duas baianas e uma mão dourada, erguida em posição de luta. O adereço passou completamente apagado apesar da presença dos refletores apontados para as mães de samba
Bateria
A bateria comandada por mestre Beto Peçanha fez uma apresentação muito boa, realizando bossas em sintonia com o samba e voltando no momento correto quando realizava a maior paradinha que proporcionava o canto do samba à escola.
Samba-enredo
Vestido de baiana, o intérprete Leandro Santos empolgou a Intendente mostrando bom entrosamento no carro de som e deixando a escola cantar sozinha em alguns momentos, principalmente nos versos “Roda oyá que o mundo gira… / Roda oyá vem clarear”.
Harmonia
Empolgadas, as alas dançaram e cantaram o samba. Em alguns momentos o som sumia e os componentes seguravam no gogó o canto da escola mostrando entrosamento e empolgação.
Evolução
A escola passou sem problemas, evoluindo sem correr e sem ficar parada por muito tempo o que proporcionou que os componentes e a bateria encerrassem o desfile brincando na última parte da pista. Até no momento em que a imagem de nossa senhora ficou presa em um fio de energia, a escola agiu rápido, não deixando buracos e nem comprometendo o tempo d desfile que se encerrou em 43 minutos.
Enredo
A escola apresentou bem a proposta, mas algumas fantasias não possuíam uma leitura tão fácil. Ainda sim houve a valorização nos dias de hoje para as mães de santo com o tripé final que também citava a importância da luta.
Outros destaques
A participação do público foi importante para escola que desde o inicio contava com uma torcida considerável. Logo no início do desfile, o condor, símbolo da escola, apareceu em uma fantasia que abria uma ala muito colorida que trazia palavras relacionadas às baianas como “iorubá” e amor.
Mariposas do Salgueiro representam oferendas para pedir justiça a Xangô
Por Lucas Lunus

A tradicional ala das Mariposas do Salgueiro este ano veio retratando o Amalá, uma oferta para Xangô que leva como ingrediente principal o quiabo. O presente é oferecido para que se resolvam questões relacionadas à justiça para que o Orixá esteja sempre ao lado em momentos decisivos.
Além do quiabo, o alimento para Xangô também leva azeite de dendê, mel, cebola e camarão seco. Com uma fantasia leve, em sua maioria na cor laranja e trazendo alguns adereços na cor verde, representando o quiabo, a ala das Mariposas foi a sétima a desfilar.
A reportagem do CARNAVALESCO aproveitou o tema para perguntar aos componentes quais questões de justiça eles gostariam de resolver no Brasil e no Carnaval. A resposta mais ouvida tem relação com questões sociais. A componente Adriana Silva, com 15 anos de Salgueiro, citou a distribuição de renda como um problema a ser resolvido no país.

“As questões sociais principalmente no Brasil porque eu acho que a desigualdade social e geográfica e a distribuição de renda são coisas muito erradas e fortes aqui no Brasil”
Já para Tatiane Rosa que já desfila pela Academia do Samba desde os 13 anos, hoje com 41, a violência é o grande problema.
“A segurança, a saúde, ter mais policiais na rua, porque, esta é uma questão muito complicada no Brasil. E no carnaval que vença a melhor escola.”
Em relação ao carnaval, a foliã Monique Ferreira, em seu sexto desfile pela Vermelha e Branca do Andaraí, pediu um julgamento mais criterioso.
“Um julgamento justo. Não olhar apenas a bandeira da escola, mas fazer um julgamento justo. Não somente ver a questão financeira, olhar se foi apresentado tudo que devia e se passou bonito, e assim receber um justo julgamento. Que vença a escola merecedora”.
Curicica dá voz as mulheres negras e homenageia Marielle Franco em seu desfile
Por Vinicius Vasconcelos. Fotos: Magaiver Fernandes
A quinta escola a passar pela passarela popular Intendente Magalhães foi a União do Parque Curicica. Exatamente as 23h50min a pista foi liberada e a interprete Rose Barcellos entoou o samba-enredo. Lançando mão de enredos que não ficam marcados na memória, a agremiação confiou na criatividade de sua comissão de carnaval para produzir um enredo com um ar polêmico. E assim, poder voltar a desfilar na Marquês de Sapucaí. Com o título “Eu vi Deus, ela é negra”, a escola procurou trazer em seu desfile o enaltecimento feminino e transformou a figura masculina de Deus em uma mulher de pele preta.
Comissão de frente
Contando com onze componentes femininas e negras, a coreografia sob responsabilidade de Marcello Moragas e Marcelo Chocolate representou deusas femininas e realizou um parto na passarela gerando aplausos e comoção. As bailarinas executavam a coreografia de acordo com os movimentos de Orixás femininas como Iansã e Oxum.
Mestre-sala e porta-bandeira
O casal Ewerton Anchieta e Cássia Mara vestiam uma fantasia remetendo a savana africana. A base da fantasia dela possuía plumas de cor laranja que deram um bonito impacto visual com as cores mescladas do restante da roupa. Os dois utilizavam braceletes que traziam um luxo a mais na composição. A apresentação foi conduzida sem problemas pelos módulos e o pavilhão foi desfraldado corretamente quando necessário. Apesar de simples, a apresentação não passou por erros.
Fantasias
O tom laranja tomou conta da primeira parte da escola. Entre primeira ala, destaque e primeiro carro a cor chamou bastante atenção. As baianas vestiam uma bela fantasia com o manto de nossa Senhora Aparecida e em sua saia a mescla das três cores da escola foi bem utilizada. As fantasias serviam como voz das mulheres no decorrer do desfiles. A exemplo a da porta bandeira que possuía as frases “meu black é livre” e “feminismo negro”. A vereadora Marielle Franco teve uma ala em sua homenagem que estampava seu rosto em uma placa escrito “Marielle Presente”. O luxo tomou conta da ala da velha-guarda que vestia uma roupa social básica, com detalhes em dourado que lembrava os reis provenientes da África.
Alegorias
Abre-alas grande com dentes de sabre imponentes a frente e zebras ao lado lembrancinha savana africana. Apesar das falhas de acabamento na parte de trás do carro não perdeu a qualidade. O segundo carro era o grito feminino. Uma enorme escultura de mulher negra chamava atenção pedindo passagem. Nas laterais do carro havia a frase “lute como uma mulher”, dando voz ao feminismo.
Harmonia
Apesar do tema ser pertinente é importante nos tempos atuais, o canto da comunidade foi tímido tendo seus ápices apenas em alas pontuais, como a que homenageava Marielle Franco. Os componentes que estavam atrás da bateria também pareciam mais empolgados que os demais.
Evolução
A direção de harmonia soube conduzir os componentes e conseguiu preencher a avenida sem causar buracos entre uma ala e outra em frente as cabines. A Curicica não passou por problemas de buracos e nem de precisar retornar com alas para que espaços foram gerados. Mérito também dos componentes que policiavam uns aos outros.
Samba-enredo
O canto tímido da comunidade pode muito ter acontecido devido à falta de qualidade da obra. O refrão principal do samba não possuía explosão e passava de maneira despercebida. Já o refrão do meio causava mais impacto quando era cantado “eu vi Deus, ela é negra”. Única intérprete feminina na série B, fez bem a parte que lhe cabe apesar do volume dos microfones não estar regulado corretamente e por diversas vezes a voz dos apoios sobressaírem.
Bateria
Mestre Pacman contou com o apoio ilustre de Caliquinho, da São Clemente, ao seu lado. Com nossas foçadas nas caixas e tamborins, a bateria passou bem pela avenida. Em “ninguém vai calar a nossa gente”, que antecedia o refrão principal, convenções com o uso de atabaques em ritmo afro foram executadas de maneira perfeita.

