Entre sete escolas que se apresentaram na segunda-feira de carnaval na Marquês de Sapucaí duas fizeram desfiles que credenciam para disputa forte do título do Grupo Especial: Vila Isabel e Mangueira. A primeira em um estilo clássico e com muito luxo. A segunda no tom contestador, colocando o dedo na ferida, e mexendo com o público.
A Mocidade, que encerrou o Carnaval 2019, também fez um ótimo desfile e deve estar nas primeiras colocações na classificação final.
Abaixo, você pode conferir a análise de cada desfile.
SÃO CLEMENTE – Na abertura da segunda noite de desfiles do Grupo Especial, o público presente ao Sambódromo pode presenciar o reencontro da São Clemente consigo mesma. A preta e amarela de Botafogo voltou a passar pela avenida com sua reconhecida irreverência, em um desfile extremamente divertido, um chão forte e uma apresentação de enredo que até o desfile da escola foi o melhor visto no Grupo Especial até então. Credenciais que permitem afirmar que foi o melhor desfile da São Clemente desde 2015. Problemas em evolução e alegorias podem fazer a escola sofrer punição. A escola apresentou o enredo ‘E o samba sambou’. * CLIQUE AQUI E SAIBA COMO FOI O DESFILE
VILA ISABEL – Segunda escola a desfilar na Sapucaí, a Unidos de Vila correspondeu a expectativa gerada no período pré-carnavalesco e apresentou um desfile arrebatador, deixando para trás os anos com posições coadjuvantes e carnavais com baixa qualidade. Afastada nos últimos cinco anos dos desfiles de sábado, a agremiação não só certamente estará nas campeãs, como brigará pelo campeonato. O ponto alto foi a plástica perfeita assinada pelo carnavalesco Edson Pereira para ilustrar o enredo “Em nome do pai, do filho e dos santos – a Vila canta a cidade de Pedro”. Uma homenagem para cidade de Petrópolis. * SAIBA AQUI COMO FOI O DESFILE
PORTELA – No enredo que todo o portelense queria, a comunidade mostrou-se presente e entoou com força o samba-enredo em homenagem a Clara Nunes. Com as emoções à flor da pele, o componente da Azul e Branca teve o canto impulsionado pela bela atuação do intérprete Gilsinho, comprovando o previsto no pré-carnaval e fazendo o samba da Portela render muito bem na Avenida. * CLIQUE AQUI E SAIBA COMO FOI O DESFILE
ILHA – A União da Ilha do Governador deixou a Marquês de Sapucaí nos braços do povo depois de um desfile absolutamente arrebatador. Com a melhor apresentação desde a última vez que voltou às Campeãs, em 2014, a escola arrepiou o Sambódromo com a comissão de frente, que trazia o Padre Cícero voando. O trabalho de plástico de Severo Luzardo foi o melhor de sua carreira no Grupo Especial. Com tantas virtudes a escola, antes apontada como candidata ao rebaixamento, agora pode sonhar com uma vaga no Sábado das Campeãs. A Ilha concluiu seu desfile em 73 minutos e apresentou o enredo ‘A peleja poética de Rachel e Alencar no avarandado do céu’. * CLIQUE AQUI E SAIBA COMO FOI O DESFILE
TUIUTI – O Paraíso do Tuiuti veio para o carnaval de 2019 com a missão de superar o vice de 2018. Graças ao seu último desfile, onde impactou a todos os presentes com sua beleza plástica somada a crítica social, os holofotes desse ano se voltaram para a escola de São Cristóvão, que abordou novamente um enredo politizado. “O Salvador da Pátria” trazia a história do bode Ioiô com alusão a um certo político brasileiro “nordestino, barbudo, baixinho, de origem pobre, amado pelos humildes e por intelectuais”, como bem diz a sinopse. E ainda fazia uma crítica ao atual governante do país dizendo que o povo “iria conhecer um mito de verdade”. O bode, que viveu em Fortaleza no século passado, se tornou uma figura histórica da cultura cearense. A história conta que o protagonista e fio condutor do enredo foi eleito vereador em 1922 como forma de protesto a política local. O bode que hoje está empalhado num museu, virou um tema muito bem contado e conquistou os presentes na Marquês de Sapucaí. * CLIQUE AQUI E SAIBA COMO FOI O DESFILE
MANGUEIRA – Com o lugar de fala de quem carrega uma comunidade de milhares de pessoas, a Estação Primeira de Mangueira escreveu na madrugada desta terça-feira de carnaval uma página fundamental na história dos desfiles de escola de samba e dela própria. Cumprindo o papel fundamental de gerar no público o senso crítico e contestador, a escola fez uma apresentação arrebatadora e entrou na disputa pelo título do carnaval. A partir deste 05 de março de 2019 não será mais possível contar a história da Mangueira sem passar pelo desfile de hoje. A verde e rosa precisou de 71 minutos para apresentar o enredo ‘História para ninar gente grande’. A Estação Primeira foi a sexta a desfilar na segunda noite de apresentações do Grupo Especial. * SAIBA AQUI COMO FOI O DESFILE
MOCIDADE – Fechando o carnaval 2019, a Mocidade Independente de Padre Miguel certamente colocou uma pulguinha atrás da orelha de quem está na disputa pelo título. Ainda que tenha apresentado um conjunto alegórico com algumas falhas de acabamento, a Verde e Branca da Zona Oeste fez um desfile que mostrou a força de seus quesitos “de chão”, com o samba rendendo muito bem e mostrando competência em outros quesitos, como: comissão de frente, mestre-sala e porta-bandeira e bateria da agremiação. * CLIQUE AQUI E SAIBA COMO FOI O DESFILE


A equipe do site CARNAVALESCO acompanhou todos os desfiles da Série B, que aconteceram na noite de terça-feira e madrugada de quarta, na Intendente Magalhães. A apuração será na quinta-feira. Abaixo, você pode conferir como passou cada agremiação.
Com o enredo “De Catulo à Lampião: Bem vindos a terra do cão”, a Vizinha Faladeira foi a sétima escola a passar pela Estrada Intendente de Magalhães, na terça feira de carnaval. Na busca do campeonato da Série B e do direito de desfilar na Marquês de Sapucaí em 2020, a tricolor de Santo Cristo realizou um desfile acima das expectativas, e quem sabe, pode sonhar com o campeonato.
A comissão de frente coreografada Adilson Lourenço simbolizava a violência e o descaso de “poderosos” com o povo nordestino. Os componentes vinham com figurinos divididos, na parte da frente simbolizavam os “poderosos” que seriam os governantes que mandam executar as atrocidades. Nas costas, eram policiais que exercitavam as ordens. O figurino também contemplava duas máscaras brancas neutras, também na frente e na parte de trás deles.
A coreografia envolvia dança e teatralização, e era pertinente a proposta do enredo. Além dos componentes um lado políticos e o outro policiais, a comissão tinha no seu corpo de integrantes um cangaceiro, que era o alvo das atrocidades idealizadas por um e executadas pelo outro. O ápice da apresentação acontecia justamente quando os policiais matavam o cangaceiro por ordem dos “poderosos”. Um momento impactante e forte.
O casal de mestre-sala e porta-bandeira Jorge Vinícius e Laís Lúcia, mostrou bailado e muita cumplicidade, em sua passagem, defendo o pavilhão da Vizinha. O jovem casal veio com um figurino honesto, sem requinte, porém belo, em tons próximos ao verde e amarelo claros.
A evolução da escola de Santo Cristo foi mediana. Como ponto positivo, os componentes evoluíam soltos pelas alas e se divertiam. Mas deve perder pontos por um buraco aberto no terceiro módulo de jurados entre a primeira ala e o abre-alas. Um clarão que ocupou toda frente da cabine.
A harmonia da Vizinha Faladeira veio em um crescente ao longo de todo o desfile. As alas iniciais apresentavam um canto satisfatório, até culminar nas últimas, que praticamente gritavam o samba durante a apresentação.
O conjunto de fantasias idealizado por Jean Rodrigues era simples, com materiais alternativo e concepções bastante criativas. A fácil leitura também foi um grande trunfo. Como destaque é possível citar a ala que representava o cordel, no último setor. A fantasia trazia uma cabeça toda feita com pregadores de madeira. Uma solução que surtiu efeito e deu certo.
As alegorias da Vizinha, assim como as fantasias, eram simples no material utilizado e não apresentavam erros de acabamento. Além, de conversarem com o enredo e terem boa leitura, também assim como as fantasias.
E apesar da constante reincidência do tema, é sempre possível abordá-lo de uma nova e diferenciada perspectiva. Essa foi a proposta da Vizinha Faladeira com o enredo “De Catulo à Lampião: Bem vindos a terra do cão”.
O samba-enredo funcionou durante a passagem da escola. Seus versos exploravam em vários momentos o regionalismo linguístico nordestino, através de gírias e expressões típicas. A melodia que remetia a ritmos locais ajudava a entrar no clima do enredo, e dava um clima alegre a obra. A performance do intérprete Tuninho Júnior também foi fundamental para o funcionamento do samba no desfile.
A bateria da Vizinha Faladeira contou com um retorno especial ao seu comando. Em 2019, a escola repatriou Mestre Jorginho, que em seu desfile de volta teve um bom desempenho apostando, entre outras coisas, em convenções e bossas que faziam referência a ritmos tipicamente nordestinos, como o forró.
Outros destaques
O Engenho da Rainha entrou na Intendente Magalhães por volta das 2h35 da madrugada entre terça e quarta-feira de carnaval. Sendo a oitava escola a desfilar, levou para a passarela o enredo “Matamba, o sonho de uma rainha”. O tema criado pelo carnavalesco Léo Jesus contava a história de Matamba, ainda no momento que chega no Rio de Janeiro, assiste pela primeira vez os negros comemorando carnaval e se apaixona pela cidade.
Apesar do chão da escola ter se destacado faltou capricho na direção de carnaval na elaboração das fantasias. Nenhuma das alas apresentavam luxo e algumas eram apenas segunda pele realçada com alguns detalhes nas pontas das mangas. O luxo não é obrigatório, mas sempre se espera fantasias criativas com materiais alternativos. É em meio as adversidades da falta de verba que alguns carnavalescos se destacam, e isso não aconteceu com o Engenho.
O jovem intérprete Lucas Donato estava incorporado e conduziu de maneira categórica o samba da escola. Com seus padrinhos Marquinho Art Samba, da Mangueira, e Leozinho Nunes, da São Clemente, ao seu lado, o cantor mostrou toda sua potência vocal numa noite inspirada. A obra que já apresentava qualidade nos refrões principais ganhou ainda mais qualidade nas demais partes muito graças ao rapaz.
Os 11 componentes se dividiam entre 10 serviçais e a rainha. A coreografia aconteceu de forma entrosada nas cabines de julgamento com destaque para os gritos dados pelos bailarinos dando ênfase a alguns trechos da apresentação. Os gritos causavam impacto passando mais veracidade ao momento. Caminhando com a rainha, os serviçais apresentavam a ela o reino e ainda pegavam ela no colo deixando a mesma ainda mais apaixonada. Se faltava luxo na fantasia, sobrava no capricho feito na maquiagem de cada dançarino.
A escola optou por um pede passagem de tamanho mediano e uma alegoria que veio ao final do desfile. Fechando a apresentação o carro era imponente com palhas na base e iluminação dourada. Possuía acabamento regular e destaques com fantasias de impacto nas laterais.
O uso da segunda pele dominou praticamente todo o desfile do Engenho da Rainha. A bateria, por exemplo, vestia apenas calça e blusa na cor vermelha tendo nas pontas detalhes zebrados. A ausência de criatividade no quesito pode gerar grande perda de pontos para a escola.
Trajando uma fantasia com tons de azul, vieram logo atrás da comissão de frente e executaram a coreografia de maneira correta. A troca de olhares entre os dois evidenciou o entrosamento. Sem tirar os olhos da parceira, o mestre-sala soube riscar o chão e segurar o pavilhão de maneira precisa. A porta-bandeira precisou se esforçar devido o vento que passava no momento de sua apresentação na segunda cabine e conseguiu com maestria. Durante todos os rodopios dela a bandeira se manteve esticada.
O rendimento do samba entre os componentes foi bastante satisfatório. Como de costume, havia mais explosão nos refrões principais. Os demais trechos da composição também não ficavam esquecidos e tinham canto mediano entre as cabines. A ala atrás do tripé que vinha logo no início se destacou por cantar forte a plenos pulmões com o samba na ponta da língua.
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