Apontado como um dos melhores sambas da safra de 2019 o samba-enredo da Mocidade não rendeu o esperado na avenida, segundo os jurados do quesito. A escola não tirou nenhuma nota 10 e os principais argumentos adotados pelos julgadores foram relacionados às rimas da letra e à melodia do samba.
Clayton Fábio alega em sua justificativa que não houve comunicação com o público, o que não é uma prerrogativa do julgador do quesito, que deve se ater à análise da letra e melodia da obra apresentada.
“Apesar da bela letra, as estrofes ficam frágeis entre três refrões que se repetem e o tema abstrato não conquistou o público. Na segunda estrofe, no trecho que vai de ‘guarda minha identidade’ até ‘vamos lá, a hora é essa’ a melodia cria desconexão entre as rimas”, justificou.
Para Alfredo Del Penho o problema do samba da Mocidade foi uma diferença entre a frase textual na letra do samba e a melódica, conforme justificou.
“Apesar da belíssima ideia de se falar da passagem do tempo pelo olhar de um apaixonado pela escola, o trecho ‘tempo que faz a vida virar (saudade)’ é quebrado na diferença entre a frase do texto e a frase melódica e tem trecho menos inspirado como ‘do meu destino compositor’, explicou.
Eri Galvão, um dos mais longevos jurados do quesito, aponta em sua nota dificuldade no canto.
“A melodia da primeira estrofe do samba poderia ter sido um pouco mais fácil de ser cantada, inclusive para valorizar o ataque do primeiro refrão (sem ôôô e o lálá)”, avaliou.
Outro julgador que considerou o samba da Mocidade inconsistente foi Felipe Trotta. O jurado aborda em sua justificativa o excesso de terminações repetitivas na letra do samba-enredo.
“O excesso de rimas em -ar compromete a qualidade da letra. Os dois refrões são construídos com verbos no infinitivo. Marcar, caminhar, coltar, amar, passar. Tal procedimento indica pouca criatividade e gera pouco interesse”, destaca.


O público presente na festa do Estrela do Carnaval 2019, dia 14 de abril, na quadra da Unidos da Tijuca, poderá sentir de perto a potente voz do intérprete Daniel Silva, do Império da Tijuca, que foi eleito o melhor cantor da Série A em 2019.
O Paraíso do Tuiuti é a primeira escola de samba do Grupo Especial a anunciar seu enredo para o Carnaval 2020. A escola de São Cristóvão escolheu “Encantarias de Sebastião” e o carnavalesco João Vitor, que estava na Unidos de Padre Miguel será o responsável pelo desenvolvimento.
A Mangueira foi campeã do carnaval obtendo a nota máxima possível no julgamento. Com 33 notas 10 em 36 aplicadas, só foi despontuada por três jurados de três quesitos diferentes, o que garantiu que as notas fosse descartadas. Com a divulgação das justificativas pela Liesa foi possível contatar os aspectos do desfile que desagradaram ao corpo de jurados.
A Beija-Flor de Nilópolis não recebeu nenhuma nota 10 no quesito Enredo em 2019. E não foi a escolha do tema, os 70 anos da agremiação, o grande vilão. A escola foi penalizada pela opção de transformar em fábulas sua proposta.
No complicado desfile do Império Serrano no Carnaval 2019 um dos momentos de maior discussão foi a apresentação do casal de mestre-sala e porta-bandeira. Ao inovarem e dançarem sob o tripé da comissão de frente, Diogo e Verônica acabaram despertando um debate sobre a inovação. Com a divulgação das justificativas pela Liesa ficou claro que os jurados rejeitaram a novidade.
Considerado uma das grandes obras do Carnaval 2019, o samba-enredo da Unidos da Tijuca surpreendeu a todos ao concluir a apuração sem a obtenção de nenhuma nota 10 no quesito. A desconfiança de muitos se confirmou com a divulgação das justificativas. Um dos julgadores tirou décimo da escola pela característica sacra da obra.
A Liesa organiza anualmente um curso com os jurados dos nove quesitos do Grupo Especial. O encontro é ministrado pelo presidente Jorge Castanheira e tem a participação de dirigentes das agremiações da elite do carnaval. Muitos analistas da folia alegam que os cursos podem ser mais duradouros e consistentes, para evitar erros básicos de julgamento.
Um julgador do quesito bateria puniu a Portela com um 9,9 alegando queda muito acentuada no andamento da Tabajara do Samba. Ocorre que em sua própria justificativa, o julgador Jorge Gomes alega que no segundo recuo, “onde está dentro do meu campo de visão e audição”, detectou a falha. Pelo manual do julgador da Liesa o jurado só pode julgar aquilo que vê e ouve na sua cabine de julgamento.