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Viradouro 2020 – samba da parceria de Felipe Filósofo

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Compositores: Felipe Filósofo, Fabio Borges, Pereira, Porkinho, Paulo Salum, F. Coutinho, Devid Gonçalves, Bertolo

Intérpretes: Bruno Ribas e Nina Rosa

O CANTO DAS “GANHADERA”
O SANGUE QUE JÁ CHOREI
RESISTE A MULHER BRASILEIRA
À VIDA DE OPRESSÃO

MORRER SEM DIGNIDADE
SOFRER NA MÃO DO PATRÃO
CADÊ MINHA CARTA DE ALFORRIA?
RODA BAIANA, MARIA
AO SOM DO TAMBOR MALÊ

AUÊ AUÊ, CAVALEIRO OGUM BEIRA-MAR
AUÊ AUÊ, PATAKORI OGUNHÊ

SEQUEI A DOR NOS VENTOS DE IANSÃ

LAVEI MUITA ROUPA EM ITAPUÃ

FIZ QUITUTES PRA GANHAR O QUE JÁ ERA MEU
A PRETA POBRE NÃO SE CURVA PRO RACISMO
DESIGUALDADE PESA O PREÇO DESSE VIL METAL
FAROL DA PRAIA CLAREOU QUALQUER CINISMO

O TREZE DE MAIO NÃO CHEGOU
AS “LAVADERA” AGORA VÃO PREGAR
NOS VARAIS DO REPRIMIDO BRASIL
FLORES EM VIDA CALAM O FUZIL

VIRADOURO LAVA A ALMA NAS ÁGUAS DE IEMANJÁ
VIRADOURO LAVA A ALMA NAS ÁGUAS DE IEMANJÁ
ABRAÇA MAMÃE OXUM, REINA NESSE CONGA
ABRAÇA MAMÃE OXUM, REINA NESSE CONGÁ
JUSTIÇA DE XANGÔ KAO PEDRA ROLOU
JUSTIÇA DE XANGÔ KAO PEDRA ROLOU

Estudo da sinopse: Viradouro 2020

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Viradouro Direção

Nome do enredo: Viradouro de Alma Lavada
Nome do carnavalesco: Tarcísio Zanon e Marcus Ferreira

VIRADOURO DAS GANHADEIRAS, VIRADOURO DE MARIA DO XINDÓ. DE ALMA LAVADA NAS ÁGUAS DE ITAPUÃ

“Galo cantou, pé na estrada pra amanhecer / Na beirada do rio pra ver marear / Esperando a maré baixar” – Histórias das Ganhadeiras (Amadeu Alves)

Orgulhoso de si, o GRES Unidos do Viradouro inicia seus preparos para apresentar-se à Avenida.

A agremiação que “lavou a alma” no corrente ano conquistando o vice campeonato, retorna, à luz de sua história, a homenagear as mulheres que fazem parte da História e da Cultura do país. Mulheres como Dercy Gonçalves, Tereza de Benguela, Anita Garibaldi e
Bibi Ferreira pedem passagem para a memória ancestral de mulheres negras, às margens do Abaeté, que pretendem lavar a alma do carnaval na figura de Maria da Paixão dos Santos Anjos: são as Ganhadeiras de Itapuã.

Em sua divulgação do enredo, a Escola de Niterói apresenta seis artes correspondendo
trechos e entendimentos da produção textual feita pelos carnavalescos Marcus Ferreira e Tarcísio Zanon juntamente com Igor Ricardo. Essas artes revelam a devoção, o ritmo e o “calor” que as Ganhadeiras representam à cultura: a primeira representa a devoção à orixá da doçura, deusa das águas doces, representada por rosas amarelas e um grande laço dourado como o Sol; a segunda, a cor da comida, onde a pimenta é a base na alimentação típica dessas mulheres quituteiras; em seguida, representa os seus amuletos, artefatos e peças que balançam ao vento que quara a roupa; na quarta arte, o atabaque que dá o ritmo às danças e festejos religiosos; a quinta, são flores que perfumam e purificam, sacramentando seus filhos; e por fim, na sexta imagem, é possível visualizar a irmandade emoldurada, a escola vermelha e branca de alma lavada abraça as Ganhadeiras numa conexão entre Niterói e Itapuã.

Inicialmente, a sinopse evoca a memória ancestral que as mulheres lavadeiras representam e protagonizam na luta pela alforria de negras escravas, caboclas e crioulas. Evoca as “Marias” de Itapuã que vão à Lagoa do Abaeté para ganhar sua renda sob o Sol, onde se conectam ao que lhe é ancestral e profundo. A devoção sempre está presente na narrativa, como cantam essas mulheres na Lagoa ou no mar.

“Quando o marido dela chegava com o peixe, ela chegava com o arroz e o feijão”. Trecho de um depoimento do vídeo de divulgação do enredo. A sinopse reforça a subsistência dessas mulheres e suas famílias a partir do ganho.

Por meio de práticas como essas, a Bica de Itapuã se tornou ponto de encontro e culminou em uma das heranças mais importantes que a Bahia de Todos os Santos oferece ao Brasil. Com o balanço dos balangandãs e as saias rodadas, as Marias ocupam a cidade com sua cantoria, seus quitutes e danças; seu rito. É possível enxergar os pontos de localização dessas mulheres: o beira-rio, o farol, o mercado da cidade e o litoral soteropolitano, onde as ganhadeiras se encaminham para as escadarias com seus vasos e flores para lavar a alma da região, bem como lavar a alma e purificar seus filhos na fé, ao ritmo de danças e toques, festejos em procissão e rezas.

Essas localizações auxiliam na percepção de projeto que os carnavalescos pretendem levar para o Sambódromo, ou seja, são elementos que possuem certa materialidade para
carnavalizar em alegorias e fantasias. Poeticamente, o texto evidencia que esses locais não são simplesmente pontos turísticos, mas são encontros de devoção e purificação do corpo que reza, dança e, por fim, samba.

A Viradouro se encontra com as ganhadeiras, aprecia e agradece pela trajetória de sustento e luta por igualdade e liberdade. Maria da Paixão dos Santos Anjos – ou Maria do Xindó – está ligada a Escola que apresenta sua trajetória, onde a semelhança do ano de nascimento, da localização próxima a uma baía e da paixão pela vermelha e branca de Niterói serão os elos de representatividade, refletindo a figura da Ganhadeira histórica na própria comunidade do samba.

Com isso, a Unidos do Viradouro prepara a emoção para 2020, pede o canto forte de uma comunidade que aprecia uma história de lutas e vitórias, onde sua própria ancestralidade é encontrada. Abre-alas para a cultura, para o reconhecimento e aproxima da realidade das
escolas de samba, à figura da mãe que carrega consigo a força da mulher brasileira: Marias da Bahia, Marias do Rio de Janeiro, cantando de alma lavada sua própria essência.

Um feliz Carnaval com muito axé!

Autor: Rafael dos Santos Moreira – [email protected]
Gradiando em Ciências Sociais/UFRJ
Membro Efetivo OBCAR/UFRJ
Coordenador de Eventos e Memória/OBCAR/UFRJ
Leitor orientador: Max Oliveira
Doutorando em História/UFRRJ
Instagram: @observatoriodecarnaval_ufrj

Imperatriz acerta com Leandro Vieira e vai reeditar samba de 1981

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Mangueira Desfile2019 092

Na noite desta segunda-feira o presidente Luiz Pacheco Drumond confirmou Leandro Vieira como o carnavalesco da Imperatriz Leopoldinense para o carnaval de 2020, onde apresentará uma reedição do samba-enredo “Só dá Lalá”, desfile bicampeão do carnaval de 1981, em homenagem ao compositor Lamartine Babo.

Leandro Vieira pode ser considerado uma “prata da casa”. O artista atuou no departamento de carnaval da Imperatriz criando os figurinos para o carnaval de 2013, enredo em homenagem ao estado do Pará, e também na homenagem ao jogador Zico, em 2014.

Leandro fará jornada dupla em 2020 e, ao escolher o tema para 2020, optou por um dos desfiles mais emblemáticos da história gresilense.

São Clemente 2020 – Samba Da Parceria De Ricardo Góes

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Compositores: Ricardo Góes, Gusttavo Clarão, Bruno Ribas, W Gonçalves, Flavinho Segal, Naldo, Serginho Machado, Sérgio Gil, Orlando Vieira, Fabiano Paiva E Igor Marinho

Intérpretes: Bruno Ribas e Tinga

EM OURO PRETO ESSA IMAGEM PRECIOSA
DE ALEIJADINHO, DO BARROCO E CATEDRAIS
PRA NOS LIVRAR DESSA GENTE MALICIOSA
A MALANDRAGEM VEM DE OUTROS CARNAVAIS
QUEM QUER COMPRAR UMA TERRA LA NA LUA?
OH LUA! CLAREIA O INOCENTE SONHADOR
VAI PRA BATALHA POIS A LUTA CONTINUA
E TEM SÃO JORGE, SEU PROTETOR

TEM FEITIÇO, TEM MANDIGA PRA VIDA MUDAR
O MEU SAMBA TEM MAGIA PRA TE CONQUISTAR
SE É SÓ PLANTAR O BEM, PRA COLHER O AMOR
VEM NO COURO DO TAMBOR…

MAS TAMBÉM TEM MUITO SANTO FAZENDO ORAÇÃO
VEM NA PELE DE CORDEIRO, LEVAR MEU QUINHÃO
QUEM CONDUZ O MEU CAMINHO, MEU CÉU, MINHA FÉ
É A LUZ DE NAZARÉ

RELUZ, NA PÁTRIA MÃE NEM SEMPRE TÃO GENTIL
A ESPERANÇA DO BRASIL
NUM CANDIDATO A HERÓI
QUE PROMETEU OLHAR POR NÓS
E FEITO UM “BISPO” EM JOGO DE XADREZ
PULOU AS “PEÇAS” SEM NENHUM PUDOR
HOJE… A MALANDRAGEM ATUALIZA
A MENTIRA VIRALIZA
AGORA A ZORRA É GERAL

UM PARDIEIRO SEM MORAL, SEM LEI
NO MEU PAÍS, QUEM TEM BOM PAPO É REI

OLHA O CONTO DO VIGÁRIO! NOSSA SENHORA!!!
VAI NO LOMBO DO BURRICO, PRA IGREJA DO PILAR
PEÇO A SANTA QUE ALUMIE A NOSSA GENTE
E A MINHA SÃO CLEMENTE.. ABENÇOAR

São Clemente 2020 – samba da parceria de Carlinhos do Cavaco

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Compositores: Carlinhos do Cavaco, Paulo Martins, Suel Paiva, Professor Aluísio, Ro Barcellos, Tem Tem, Antonio Amaral, Guinho, Luiz C. D’Avenida, Luiz Caxias, Wellington Onirê, Vagner Rogério, Ita Ribeiro, Maurinho Gil, Sidinho Pinto, Dimas Mello e Toninho Professor

Ó PÁTRIA AMADA, O ENGANO É OFICIAL
TERRA INVENTADA… A MALANDRAGEM É PROFISSIONAL
DESDE PINDORAMA ÉS NAÇÃO SEM NOÇÃO
ONDE O CERTO VIROU EXCEÇÃO
VEM DA RICA OURO PRETO DO PASSADO
COM UM PADRE ESPERTO E SEU BURRO ADESTRADO
A VIGARICE COMO EXPRESSÃO POPULAR
DE CORRETOR LUNAR A “BILHETE PREMIADO”
TEM MALANDRO PRA PEGAR DESAVISADO
DE CONTO EM CONTO NO PAIS DA ENGANAÇÃO
VALE TUDO PRA ILUDIR O CIDADÃO

NESSA TERRA DE TRAPAÇAS… A TAÇA SUMIU
“CHOVEU” NOTAS FALSAS… ISSO É BRASIL
O VIGARISTA NÃO VALE UM VINTÉM
“GÊNIO NA ARTE” DE SE DAR BEM

O TEMPO PASSA A ILUSÃO VIROU DIGITAL
“DEUS ACIMA DE TUDO”
VENDEM MILAGRES NA REDE SOCIAL
TEM FAKE NEWS PRA TODO LADO
PROMESSAS PRO ELEITORADO
CHEGA DE CONVERSA PRA BOI DORMIR
ABRE OLHO POVO BRASILEIRO
TEM LOBO EM PELE DE CORDEIRO
A REGRA É CLARA, SALVE-SE QUEM PUDER
“MALANDRO É MALANDRO, MANÉ É MANÉ”

NO CONTO DO VIGÁRIO… POVO CAIU
PARA O BEM DA NAÇÃO… ACORDA BRASIL
A SÃO CLEMENTE… MANDA A REAL
NÃO TEM CAÔ, É PAPO RETO GERAL

São Clemente 2020 – samba da parceria de Edu Cuíca

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Compositores: Edu Cuíca, Renne Barbosa, Álvaro Maciel, Ique Gueira, Magalhães Do Sindicato, João Pedro e Roberto Serrão

Intérprete: Igor Vianna

NOSSA SENHORA
ATÉ A SENHORA DANÇOU NESSA HISTÓRIA
ESSE É O NOSSO PILAR CONTAR
O JEITINHO BRASILEIRO DE LEVAR VANTAGEM
NÃO IMPORTA A HORA, DIA OU LUGAR
BOBAGEM, FARINHA POUCA MEU IRMÃO
PRIMEIRO MEU PIRÃO
SE MARCAR TOUCA
VAI PINTAR UM ILUMINADO
PRA TROCAR O SEU DINHEIRO
POR “BILHETE PREMIADO”

MALANDRAGEM OFÍCIO OU ARTE
NA REDE, NA CIDADE
ESTÁ EM TODA PARTE

QUEM VAI QUERER? PODES CRER
O MALANDRO SE INSINUA
NA MINHA MÃO ESTÁ BARATO, ISSO É FATO
VENDO UM TERRENO PRA VOCÉ NA LUA
NA FÉ… A FÉ REMOVE MONTANHA
ASSIM VAI DIZIMANDO SEU SALÁRIO
NESSA MANHA, “TRAGO DE VOLTA O SEU AMOR
EM TRÊS” DIAS FINDA ESSE CALVÁRIO
FALSAS PROMESSAS DESATAM O NÓ
ILUDEM SEM DÓ… PAPO FURADO
CHEGA DE SER ENGANADO, É FAKE NEWS

O MEU VOTO É SAGRADO!

SÃO CLEMENTE ACORDA ESSE POVO
TEM GOLPE NA PRAÇA COM JEITO DE NOVO
NO MEU PAVILHÃO O CERTO É SOBERANO
PULSA FORTE CORAÇÃO CLEMENTIANO

São Clemente 2020 – samba da parceria de Rodrigo Índio

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Compositores: Rodrigo Índio, Alexandre Araújo, Gilberto Oliveira, Rodrigo Telles, Rodrigão, Amado Osman, Rodrigo Gauz e Andre Batata

NINGUÉM SABE COMO TUDO COMEÇOU
SE A HISTÓRIA É BEM CONTADA TODO MUNDO DIZ AMÉM
NOSSA SENHORA! DERAM VOLTA NA PARÓQUIA
QUEM DIRIA O SANTO HOMEM, NÃO VALIA UM VINTÉM
PRA CADA OTÁRIO, DEZ MALANDROS DE PLANTÃO
EM TODA ESQUINA TEM ALGUEM VIVENDO DE ARMAÇÃO
VENDE-SE UM BILHETE PREMIADO POR UM QUALQUER
A PILANTRAGEM CONTINUA
SONHA EM SER VIZINHO DE SÃO JORGE VAI NA FÉ
A CORRETAGEM CHEGOU A LUA

IRMÃO NÃO QUEBRE A CORRENTE
O BOLSO NÃO TE PERTENCE
MÃOS AO ALTO PRA DOAÇÃO
SEM CHORO NEM VELA,
É FALSO O MILAGRE NA TELA DA SALVAÇÃO

BRASIL, NESSA TERRA VI VANTAGEM
TEM ACERTO, PORCENTAGEM
DÁ LARANJA IGUAL CHUCHU
NO “PARTIDO ALTO” OS DOUTORES E ATÉ DESCOBRIDORES
PASSAM FÉRIAS EM BANGU
FAKE HOMOLOGADA, FACE-MARMELADA
GENTE QUE DÁ NO EM PINGO D’ÁGUA
E O POVO, VAI OUVIR O MEU ACORDE
CÃO QUE LADRA UM DIA MORDE
NESSA PÁTRIA-MÃE NEM TÃO GENTIL
E VAI DIZER: NOSSO CONTO É AO CONTRÁRIO
O ESPERTO É O GRANDE OTÁRIO
A CASA CAIU!

ENTRA ANO E SAI ANO, QUAL SERÁ O MEU LUGAR
SÃO CLEMENTE, SEMPRE LINDA!
QUANDO GIRA A BANDEIRA TUDO PODE ACONTECER
(O QUE QUE VALE PARA MIM, TAMBÉM VALE PRA VOCÊ)
(TEM DESCONTO PARA MIM E 10 PONTOS PARA VOCÊ)

São Clemente 2020 – samba da parceria de Thiago Martins

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Compositores: Thiago Martins, Bruno Falcão, Juninho Sambista, Rafinha Miranda, Robinho Bacalha, Rodrigo dos Santos, Cláudio Vagareza, Thati Cavanha, Edson Junior, Ali Naval, Flavinho São Clemente, Aldair Careca e Kaio Santos.

Intérpretes: Pixulé, Nino do Milênio e Roger Linhares

SONHEI…
COM IMENSO CÉU COR DE ANIL
DESSE POVO QUE REINVENTOU
ESSA TERRA CHAMADA BRASIL

PENSEI…
VIAJAR DO CRUZEIRO AO CRUZADO
A VERDADE DE UM FALSO REAL
OURO PRETO, UM SONHO DOURADO

SONHEI…
MENOS CULPA E MAIS INOCÊNCIA
AO INVÉS DE CORRER, PACIÊNCIA
AO CONTRÁRIO DO ÓDIO, O AMOR
A GUERRA DO BEM CONTRA O MAL
A SANTA QUE GUARDA OS MEUS
A FÉ NÃO TEM PREÇO, É IGUAL…
AOS OLHOS DE DEUS

TEM BILHETE PREMIADO DE LOTERIA
TRAGO SEU AMOR DE VOLTA EM POUCOS DIAS
QUER COMPRAR SUA MORADA NA LUA, OU NO CÉU?
VIZINHO AO GUERREIRO, SÃO JORGE FIEL

MAS SE PENSAR QUE ME ENGANA
DE TERNO E GRAVATA, ESSA GENTE SACANA
ROUBOU A ESPERANÇA E COBRIU DE PROMESSAS QUEM TANTO TE AMA
ENFIM…
A ERA DA MODERNIDADE
CHEGA DE MALANDRO LEVANDO VANTAGEM
VENDENDO A VERDADE QUE NUNCA EXISTIU
VIRALIZOU, É FAKE NEWS
CAIU NA REDE, SÃO CLEMENTE EXPLODIU

PODE APLAUDIR…
EU VOU CONTAR ESSA LOROTA POPULAR
CLEMENTIANO DE FÉ NÃO SOU VIGÁRIO
HOJE O MALANDRO PERDE A BANCA PRO OTÁRIO

Irmãos conquistam salgueirenses e mantém o padrão alto de qualidade da Furiosa do Salgueiro

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Por Daniela Safadi. Fotos: Magaiver Fernandes

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Estreantes em 2019 com três notas 10, tendo menos de dois meses de trabalho à frente da bateria do Salgueiro, mestres Guilherme e Gustavo Oliveira já se preparam para criar algo em cima do futuro samba da escola que será escolhido no dia 11 outubro, data da grande final da disputa de samba. Sem querer antecipar paradinhas e bossas, os comandantes da Furiosa vão direcionar suas atenções para conhecer as obras que durante as eliminatórias, que começam no dia 7 de setembro.

“A gente prefere pensar paradinhas e bossas só depois que já tiver o samba porque a gente gosta de construir as convenções em cima do samba. Não tem porque a gente começar a trabalhar alguma coisa agora e depois tentar encaixar no samba. É mais difícil e gasta mais tempo fazendo isso. A gente vai começar uma temporada de apresentação e a partir deste momento a gente já fica de olho naqueles sambas que começam a fluir na melodia. Tem melodias que são muitos marcantes e pedem alguma coisa” conta Guilherme.

Anunciados em dezembro de 2018, a dupla que até então fazia parte da Furiosa, teve pouco mais que dois meses para preparar a bateria para o desfile de 2019 substituindo mestre Marcão que já estava há 15 anos a frente dos ritmistas da Academia do Samba. Além de voltar no Desfile das Campeãs com um honroso quinto lugar no desfile sobre Xangô, Guilherme e Gustavo só receberam uma nota diferente de 10, um 9,9 prontamente descartado pelo corte da menor nota. Para muitos estrear no comando da bateria em uma escola tão tradicional como o Salgueiro pode trazer um nervosismo além do normal, mas segundo Guilherme, não houve tempo para que os irmão compartilhassem desse sentimento.

“Claro que foi algo muito especial, é difícil assumir essa responsabilidade próximo ao carnaval. Mas, sinceramente, nós não tivemos tempo de ficar nervosos. Pois havia muita coisa pra resolver. Além dos ensaios, havia muitos eventos da escola, e também tinha que reorganizar toda a dinâmica da bateria. Então, quando a gente piscou já estávamos no carnaval. Mas, é claro que na hora, no dia, deu aquela tensão normal”.

Para Gustavo, a proximidade da dupla, criada no Salgueiro, com passagens por diversos cargos na bateria, foi um diferencial para o sucesso no trabalho.

Salgueiro Campeas2019 127

“Pra mim, foi um momento especial pela gente ter sido criado aqui no Salgueiro, aqui na rua (Silva Teles) mesmo, e nosso pai trouxe a gente para o samba. Eu costumo dizer que eu zerei a fase da bateria, porque eu passei por todas as fases que você pode passar em uma bateria, contando escola mirim e principal. Eu fui ritmista, diretor,e agora mestre da escola principal. Não era o que a gente esperava agora, mas a gente aceitou de braços abertos, para trabalhar na nossa escola. Está sendo um momento mágico, estamos conseguindo expor nossas ideias e a galera está vindo com a gente. Gente criada com a gente aqui. Muita gente da comunidade voltando, galera da rua entrando na bateria. A gente vê a felicidade estampada na galera e isso nos dá muito ânimo para trabalhar”.

Durante o curto percurso de preparação para o desfile, os irmãos Guilherme e Gustavo, precisaram conviver com algumas críticas vindo principalmente por meio de redes sociais. Guilherme conta que o foco no trabalho foi fundamental para não se abater com críticas negativas.

“Na internet havia muito desconfiança (com o trabalho). A gente sabe que a internet é terra sem lei, então se você se deixar levar por isso, atrapalha muito. Mas, eu parei de ler comentários, e as críticas. Porque tem crítica positiva que ajuda, que constrói, mas há também muita coisa negativa, crítica que só serve para ofender, porque as pessoas não medem as palavras na internet. Eu falei pro Gustavo: ‘Cara, a gente não está acostumado com essa exposição’. Era o momento de agir com inteligência. A gente resolveu focar no trabalho”.

Renovação no carnaval carioca

Não é novidade que as escolas de Samba do Rio de Janeiro tem apostado em “crias” da casa para comandar seus setores. Em 2019, houve uma “enxurrada” de estreias no comando das baterias. Vila Isabel, Mangueira, Ilha, Grande Rio, além do Salgueiro estrearam mestres no Grupo Especial. Gustavo valoriza essa renovação para o desenvolvimento do carnaval do Rio de Janeiro.

Salgueiro desfile2019 047

“A renovação é muito importante pro samba, e é bom porque é uma galera formada dentro da escola, que tem um amor, tem o carinho da galera e essa renovação é muito importante para as escolas, para o futuro do samba. Não quer dizer que as pessoas param no tempo, mas todo mundo tem que se adequar também a modernidade. Olhando pros novos mestres e as boas notas que estão conseguindo, isso mostra que a renovação tem dado resultado”.

Parceria dos irmãos já vem de muito tempo

Dividir o comando da Furiosa não é a primeira atividade que os irmão Guilherme e Gustavo realizam juntos. Parceiros na noite carioca acompanhando músicos na percussão, os mestres de bateria contam que algumas brigas acontecem a frente da bateria do Salgueiro mas não interferem no trabalho.

“Além do Salgueiro, a gente sempre trabalhou com música, acompanhando músicos, e a gente sempre trabalhou junto, sempre. Principalmente porque a gente é irmão, e sempre que alguém me chamava pra alguma coisa e faltava outro percussionista, eu falava ’vou levar meu irmão’. E ele fazia a mesma coisa. A gente briga muito, muito! De se xingar mesmo! Ma,s as brigas duram 2 minutos, depois a gente se entende, e as pessoas entendem porque é briga de irmão” conta Guilherme.

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Gustavo também reforça o entendimento dos dois que vem mesmo com as brigas e ressalta a responsabilidade que o já falecido pai seu Toninho teve na entrada dos dois irmãos, criados a poucos metros da quadra do Salgueiro, no mundo do samba.

“A gente discute o tempo inteiro. Mas, é aquela discussão de 2 minutos. Já discutimos em cima do palco, na bateria, mas é uma parada de coração. Nunca gostaria de passar a frente dele e sei que ele também nunca quis passar por cima de mim. A gente tá sempre muito junto, temos mais uma irmã e na vida somos muito colados. Somos uma família muito unida. Nosso pai já é falecido, é por ele que estamos aqui e a gente brinca que se ele estivesse vivo ia estar ‘maluco’ com a gente aqui”.