Entre as metas de médio prazo da Liga Independente das Escolas de Samba do Rio de Janeiro (Liesa) está o desejo de assumir a gestão do Sambódromo da Marquês de Sapucaí. O tema é constantemente debatido com a Prefeitura do Rio, mas o desafio financeiro é o principal obstáculo. Em entrevista ao vídeocast “Deixa Falar”, da Rádio Tupi, o presidente da Liesa, Gabriel David, comentou a ideia.
“Temos sim a intenção de, em algum momento, ser de fato a gestora do Sambódromo. É uma conversa que tenho com o prefeito Eduardo Paes desde minha entrada na Liesa. Não tirando a importância da Riotur. Porém, existe uma série de desafios. O primeiro seria o custo para obras estruturais no Sambódromo. Mas a Liesa teria que desembolsar um valor que não tem em caixa. Estudos preliminares apontam que o custo pode chegar a cerca de R$ 200 milhões”, disse Gabriel.
O presidente da Liesa citou que a possibilidade futura é que a administração do Sambódromo passe para Liga, através de uma Parceria Público-Privada (PPP).
“A gente tem conversado com a Prefeitura do Rio e a ideia das obras do entorno do Sambódromo é serem financiadas com recursos privados. Fazendo o Boulevard do Samba, melhorando chegada e saída, além das reformas estruturais. Acredito que isso vai acontecer ao longo dos próximos anos. Aí, a gente depois poderia fazer uma Parceria Público-Privada (PPP) para Liesa administrar o Sambódromo”.
O carnavalesco Leandro Vieira fez um balanço otimista do trabalho à frente da União de Maricá, que se prepara para o Carnaval 2026 após um desfile marcante neste ano. Em entrevista ao CARNAVALESCO, o artista ressaltou a evolução da agremiação e o fortalecimento da identidade da escola, que, segundo ele, começa a se consolidar entre as potências do grupo.
“A Maricá tem apresentado grandes carnavais. 2025 também foi assim e, se Deus quiser, 2026 será. Acho que é uma escola que está se reconhecendo entre as grandes do grupo, apresentando um trabalho de construção de futuro: de comunidade, de identidade”, afirmou.
Leandro, que estreou na agremiação no último carnaval, acredita que o novo ciclo marca um momento de maior entrosamento e entendimento mútuo.
“Ano passado foi meu primeiro ano, e naturalmente, no primeiro ano em qualquer lugar, você chega sabendo menos do que vai saber no segundo. No segundo, você já tem a bagagem do primeiro. Acredito que, neste segundo desfile, eu tenha mais entendimento do que a escola pode render, de como pode se afirmar na sua vocação”.
O carnavalesco contou que o enredo de 2026 nasce justamente desse olhar mais atento à identidade e às potências simbólicas da União de Maricá.
“Identifiquei uma escola com uma força feminina muito grande, com uma construção territorial ligada à ancestralidade. Acho que o enredo também reflete esse aprofundamento. Eu costumo dizer que estou em um ‘namoro’ com a Maricá. É um namoro novo, estamos nos conhecendo, com expectativa de dar certo”.
Questionado se esse “namoro” tende a se estender pelos próximos carnavais, Leandro respondeu com o bom humor de sempre:
“A gente vai namorando enquanto for possível, enquanto for bom. Eu estou descobrindo a União de Maricá da mesma forma que a União de Maricá está descobrindo o seu atual carnavalesco. Espero que eu consiga continuar nesse namoro e que ela também queira (risos)”.
Barracão organizado e enredo em ritmo avançado
O artista revelou que a fase atual do trabalho é de intensa atividade no barracão, com todas as etapas caminhando dentro do cronograma.
“Estamos no processo de construção de protótipos. É sempre uma fase muito elaborada, porque eu gosto muito desse processo. Já entreguei o projeto completo de alegorias, e a escola está na fase de construção de ferragens, carpintaria, além do andamento das esculturas”.
Segundo Leandro, o barracão da União de Maricá segue em ritmo exemplar: “O barracão caminha dentro da normalidade, dentro de uma construção efetiva e organizada. As fantasias estão na fase de protótipo e compra de materiais para reprodução. Tudo segue dentro de um organograma muito bem estruturado. Isso facilita o trabalho e é muito gostoso de acompanhar”.
Harmonia entre samba e enredo
A disputa pelo samba-enredo 2026 também foi comentada por Leandro, que destacou o alinhamento entre as obras finalistas e o conceito do enredo.
“Os três sambas finalistas eram bem alinhados no discurso. Isso é muito importante, porque o samba-enredo tem a característica de contar uma história que será apresentada também visualmente. Quando os sambas se alinham no discurso, significa que houve entendimento do enredo”.
Entre a empolgação com a inovação e a cautela diante de um cenário ainda cheio de incertezas, coreógrafos da Comissão de Frente de dez escolas do Grupo Especial compartilharam com o CARNAVALESCO suas expectativas e preocupações sobre o novo modelo de julgamento do carnaval. A novidade é vista como uma oportunidade para dinamizar o desfile e ampliar a experiência do público, mas, para que as adaptações coreográficas e cenográficas sejam efetivas, os artistas destacam a importância de ter maior clareza nos critérios de avaliação.
Definida em plenária da Liesa pelos presidentes das agremiações, a mudança estabelece que, no Carnaval 2026, as escolas terão três paradas diante dos jurados, em vez das atuais quatro, e passarão a contar com uma cabine espelhada no Setor 7, que avaliará as apresentações simultaneamente à do Setor 6. A alteração busca melhorar a fluidez dos desfiles e a experiência do público na Sapucaí, trazendo impactos diretos na concepção artística das apresentações.
Entusiasmo com a novidade
Com uma visão otimista, Patrick Carvalho, coreógrafo da Imperatriz, acredita que a cabine espelhada pode abrir novos caminhos para o quesito. “Todo mundo fala que a Comissão de Frente se perdeu. Talvez seja isso que venha para a gente encontrar um novo caminho. Acho que vamos ter um trabalho de fazer mais de duas coreografias na avenida; vai ser mais do que fazer uma coreografia espelhada, uma hora pra um lado, outra hora para o outro. Agora vamos ter que impactar duas pessoas ao mesmo tempo. É um desafio gostoso”, disse.
Patrick Carvalho, coreógrafo da Imperatriz
Na Mocidade, Marcelo Misaílidis também vê a mudança como um avanço. Para ele, o formato democratiza o espetáculo, priorizando o público. “A ideia é muito boa porque democratiza o espetáculo para o público, que é a parte mais interessada, quem paga o ingresso, quem vive o Carnaval, de fato, o ano todo. E o espetáculo está voltado mais pro sentido do cortejo mesmo, como deve ser. É uma iniciativa superacertada da Liesa”, afirmou o coreógrafo. Misaílidis destacou ainda que a dinâmica 360 amplia a perspectiva visual e permite que todos na Sapucaí contemplem as apresentações. “O importante é que o espetáculo aconteça para frente. Acontecendo para frente, ele atende a todos os lados da avenida”, completou.
Marcelo Misaílidis
David Lima, do Tuiuti, vê a alteração como parte do processo evolutivo do Carnaval e acredita que ela pode dar mais tranquilidade ao desfile. “Com essa mudança, nós vamos parar três vezes. Acho que vamos conseguir fazer um Carnaval um pouco mais esticado, sem aquela correria, aquele desespero. Acredito que o Carnaval está evoluindo e, a cada ano, trazendo uma nova contribuição para a melhora do espetáculo”, declarou o coreógrafo.
David Lima, do Tuiuti
Na Unidos da Tijuca, as coreógrafas Bruna Lopes e Ariadne Lax também enxergam na cabine espelhada uma oportunidade de renovação. Elas explicaram que irão trabalhar com diferentes possibilidades para o desfile — desde apresentações em 360 graus até coreografias que alternem o foco entre os lados da Sapucaí, adaptando movimentos conforme o efeito desejado. A dupla acredita que, ao oferecer novas formas de interação, o formato pode ampliar o alcance do espetáculo e tornar a experiência mais democrática para quem assiste na avenida. “Engrandece para o público em geral. Quem está pagando e muitas vezes não consegue assistir, agora terá a chance de ver”, disse Bruna.
Bruna Lopes e Ariadne Lax, da Tijuca
Incertezas e critérios de avaliação
Apesar das avaliações positivas, há dúvidas sobre como o novo formato será julgado. Claudia Mota, da Portela, manifesta receio sobre a adaptação dos jurados. “Eu fiquei bem receosa no sentido: ‘será que vai dar certo?’. Até para o jurado poder analisar bem e ter a consciência de que realmente a gente está usando os dois lados. Eles precisam entender isso, porque não é uma missão fácil para a gente, e acredito que, para eles, também não vai ser”, afirmou a coreógrafa, que trabalha em parceria com Edifranc Alves.
Edifranc Alves e Claudia Mota, da Portela
Na Viradouro, Priscila Mota alerta para o impacto da mudança na experiência do julgador. “É uma mudança importante, do ponto de vista do julgamento. Eu e Rodrigo, há mais de cinco anos, estamos atentos à questão da bilateralidade da apresentação, isso é uma premissa do nosso trabalho. Agora, quando estamos na frente da cabine, nós estamos nos apresentando para uma pessoa que está nos julgando. Então, se você divide essa frente, você diminui a experiência do julgador. Quem conseguir driblar essa nova mudança vai se dar bem”, avaliou a artista, que está à frente da comissão da vermelho e branco junto com Rodrigo Negri.
Priscila Mota e Rodrigo Negri, da Viradouro
Ela também rebate a visão de que basta ‘fazer de frente’. “Não é bem assim. Quem é julgado é quem sabe a melhor maneira de se apresentar. Para quem não é responsável pelo quesito falar isso, é fácil, mas quem tem que ir lá, botar a mão na massa e resolver esse tipo de mudança que impacta tanto na apresentação somos nós. Estamos prontos e vamos trabalhar para fazer o melhor, para não diminuir nem um pouco a experiência do jurado e do público também”, acrescentou.
Para Márcio Jahú, da Vila Isabel, clareza nos critérios é fundamental para que as propostas sejam melhor planejadas. “As coisas têm que ficar mais alinhadas para a gente conseguir desenvolver a coreografia. É entender que, se tiver alguma cabine que não seja espelhada, vamos fazer como se ela fosse espelhada”, adiantou o coreógrafo, que trabalha na azul e branco em parceria com Alex Neoral.
Uso do tripé no novo formato
Jorge Teixeira, da Beija-Flor
Embora não seja obrigatório, o tripé se consolidou nos últimos anos como um dos elementos mais presentes na Comissão de Frente, marcando desfiles com soluções cenográficas e efeitos especiais. No novo modelo de julgamento, coreógrafos projetam adaptações para que a estrutura dialogue com os dois lados da avenida.
Handerson Big, da Acadêmicos de Niterói, vê no cenário atual a consolidação de uma tendência já presente no Grupo Especial: a transformação do tripé em palco. “São poucas as comissões que optam hoje por tripés megalomaníacos. Acho que já é uma tendência ele ser um palco para que as apresentações ocorram em cima dele. Então, agora é pensar esse palco em 360. Talvez a solução seja o tripé todo girando… mas não vou ficar dando spoiler”, brincou.
Marlon Cruz e Handerson Big, da Acadêmicos de Niterói
Na Beija-Flor, os coreógrafos Saulo Finelon e Jorge Teixeira defendem que o impacto visual não seja reduzido. “O show não pode diminuir. Acho que um tripé bem usado, por uma questão cenográfica, independe do tamanho. Nós trouxemos um tripé de 32 metros porque havia um canhão de 11 metros, então havia um porquê para aquele tamanho. Agora, uma visão mais ampla tende a permanecer. Menor ou maior, vai de acordo com o projeto de cada um”, explicou Saulo.
Saulo Finelon, da Beija-Flor
Para Márcio Jahú, a tendência é de estruturas mais baixas, que permitam ampla visibilidade. “Se você bota um tripé alto, bloqueia a visão de um lado para o outro. No ano passado, fizemos um palco bem grande na frente, mas com uma altura que o público conseguia assistir de todos os lados. A tendência vai ser essa, facilitando a visão ampla em 360”, avaliou.
Márcio Jahú, da Vila Isabel
Olhar para o futuro
O momento é de estudo, diálogo e experimentação. Paulo Pinna, do Salgueiro, recebeu a proposta com surpresa e defende que é preciso cuidado para que os jurados mantenham uma boa avaliação. “Eu adoro inovação, mas a gente tem que ir devagar para poder entender esse modelo novo. A gente vai conseguir conversar com a diretoria da Liesa para entender como vai ser esse julgamento de uma cabine espelhada”, declarou o artista, reforçando que, diante de qualquer mudança, o fundamental é não perder de vista o sentido do espetáculo. “O Carnaval é para o público, não só para um julgamento”, finalizou.
O desfile mirim da Liga-SP, realizado pela primeira vez no ano de 2025 no Dia das Crianças (12 de outubro), foi um marco para o samba paulistano. Quem diz isso não são apenas os impressionantes números que o evento teve logo no ano de estreia: personalidades das escolas de samba paulistanas celebraram tudo que aconteceu na Fábrica do Samba. Para entender o impacto do desfile mirim e o quanto tal festividade inaugura uma nova era na folia de Momo na cidade, o CARNAVALESCO conversou com personalidades de escolas de samba de São Paulo.
Todos os ouvidos pela reportagem valorizaram a iniciativa da Liga-SP em realizar um desfile mirim. Como principal mandatário de uma agremiação, Camilo Augusto Neto, presidente do Amizade Zona Leste, destacou não apenas a formação de novos sambistas; mas, também, a organização da entidade: “É um projeto maravilhoso da Liga-SP! Além de tudo, a Logística é tranquila porque a Liga-SP está cada vez mais à frente nas questões operacionais. O desfile é maravilhoso, a Logística é maravilhosa. E agora, nesse desfile mirim, está acontecendo a mesma coisa que acontece nos desfiles oficiais. É uma organização muito grande – até os ônibus estão chegando no horário. Está tudo muito perfeito”, elogiou.
Espaço para formação
Sérgio Henrique Cândido, popularmente como Serginho, mestre da Bateria do Zaca – grupo de ritmistas da Acadêmicos do Tucuruvi, foi um dos entrevistados a destacar o quanto a iniciativa da Liga-SP foi bem vista por todos do universo carnavalesco: “É incrível isso que está acontecendo aqui hoje. Era impensável pensar que as escolas de samba iriam se reunir para fazer um desfile mirim até outro dia. Vi muitas baterias fazendo bossa, por exemplo… os moleques são demais! Que isso continue e que seja a primeira de muitas e muitas vezes”, destacou, aproveitando para exaltar ainda mais os pequenos ritmistas.
Rei Momo da Corte do Carnaval 2025 e passista do Vai-Vai, Sandro Camargo preferiu falar sobre o quanto a festividade pode gerar resultados no futuro – sem esquecer da geração dele próprio: “A festa está linda! Esse desfile que está acontecendo aqui hoje é muito importante. É um legado que está sendo construído. Hoje, nós estamos aqui – e, amanhã, serão eles. É importante a gente saber de onde a gente está vindo e quem veio antes para que a gente possa estar aqui hoje e perpetuar esse legado. Tudo isso é muito importante para nós e ainda mais para eles”, destacou.
Hoje inspirando o amanhã
Rogério Figueira, popularmente conhecido como Tiguês, diretor de carnaval do Império de Casa Verde, utilizou grandes personalidades da própria escola para pensar no amanhã: “A Liga-SP está de parabéns, é uma iniciativa que planta algumas sementes lá para frente. Eu falei lá na nossa escola-mirim, no Império do Amanhã, que amanhã o Tiguês não vai estar, o Zoinho não vai estar, a Theba não vai estar, o Serginho não vai estar. Quem estará são os frutos das sementes que estamos plantando nesse momento – e tem hoje como o auge. É de extrema importância deixar esse legado, fazer com que as escolas e o carnaval cresçam. Que a gente não perca essa cultura nunca! Foi uma festa muito bonita, a gente viu um número enorme de crianças e de pais empolgados. A gente espera que seja o primeiro de muitos e eternos eventos carnavalescos que a gente vai ter”, nomeou.
Além da autocitação, é importante destacar que Zoinho é o mestre de bateria da Barcelona do Samba (bateria imperiana); Theba Pitylla é a rainha dos ritmistas; e Serginho é Sérgio Luís, diretor de Harmonia da agremiação.
Gestão elogiada
Rubens de Castro, mestre-sala da Dragões da Real, também teve uma visão macro sobre o desfile mirim: “Eu já acompanhei várias gestões, e o que estão fazendo com a Liga-SP nessas últimas gestões, do Sidnei Carrioulo para frente, é algo surreal. Eles não estão preocupados apenas com o crescimento per capita do carnaval, mas também com a semente do carnaval, com o bem-estar do sambista, fazendo com que a Prefeitura fizesse reforma que há anos não faz no Anhembi – tratando os banheiros, respondendo perguntas e críticas sem medo, pôr a cara à tapa. Os presidentes dessa última geração que estão em atividade, ao meu ver, estão de parabéns. Eles estão preocupados não só com o sambista enquanto clientes ou turistas: eles estão fechando todas as amarras do nosso Carnaval. São Paulo vem para ser um dos maiores carnavais do mundo”, vislumbrou.
Eleito pela primeira vez à presidência da Liga-SP em 1999, Sidnei Carrioulo Antônio, presidente do Águia de Ouro, teve três períodos à frente da instituição. Além dele, Robson de Oliveira, Alexandre Marcelino Ferreira e Paulo Sérgio Ferreira comandaram a entidade.
Atualmente, organizadora do carnaval de São Paulo é Renato Remondini, popularmente conhecido como Tomate – que também falou sobre o desfile mirim.
Inícios
A reportagem também perguntou a cada um dos entrevistados qual foi o começo de cada um deles no mundo do carnaval. Tal questão traz uma pluralidade imensa que traz a reflexão sobre os diversos caminhos que um sambista pode seguir.
Sandro, por exemplo, é um abnegado do samba desde pequeno: “Eu comecei com seis anos de idade, ganhei uma medalha em um concurso de samba na cidade onde eu morava, em Embu das Artes. Desde então, eu não parei mais. E, por incrível que pareça, não tem ninguém que me levou para o carnaval em relação a acompanhar os desfiles. Eu tive um pouco de persuasão, digamos assim, do meu irmão. Ele assistia os desfiles do Vai-Vai e acabou me levando uma vez na escola. Ele me ensinava os enredos e tocava cavaquinho, também. Eu acabei acompanhando-o nessa questão do aprendizado dele enquanto músico – e eu, por consequência, comecei a acompanhar. Foi assim que eu comecei, assistindo na televisão, até eu falar que queria desfilar – e, desde quando que eu comecei, há quinze anos atrás, não parei mais”, lembrou.
Embu das Artes é uma cidade da Grande São Paulo que fica à sudoeste da capital paulista. Mesmo sendo vizinha do maior município da América do Sul, a cidade está mais de trinta quilômetros distante da Praça da Sé, marco-zero de SP.
O encanto de Rubens pelo carnaval começou por conta de um dos melhores sambas da história do carnaval paulistano: “O meu início no carnaval foi com a minha família, na Mocidade Alegre – que, hoje, é Velha Guarda de lá. Foi em 1979, ainda como criança. Enquanto todo mundo cantava “dunga tará sinherê”, eu estava lá vendo o último ensaio deles. ‘Desmaiei’ – e, quando voltei, amei o carnaval. Vim conhecer o Carnaval como quesito já aos 23 anos, em uma brincadeira de imitar o primeiro mestre-sala da época. E, a partir dali, eu virei mestre-sala de carnaval”, relembrou.
O samba citado é “Embaixada de Bambas e Samba – A Festa do Povo”, de 1980, tido por muitos como o melhor da história da Mocidade Alegre – e sempre cantado e relembrado pela agremiação.
Fundado em 1995, o Amizade Zona Leste ainda não existia quando Camilo começou no mundo da folia em uma tradicionalíssima coirmã: “O ‘Camilinho’ começou com oito anos de idade, na Bateria de Bamba [bateria da Nenê de Vila Matilde]. Comecei criança lá e até hoje estou no samba”, destacou.
Beira do campo
Chamou atenção da reportagem uma expressão que dois dos entrevistados utilizaram: batucada de beira do campo. Basicamente, tal expressão denomina os ritmistas que acompanham times de futebol de várzea – origem de escolas de samba tradicionalíssimas Brasil afora, como Mocidade Independente de Padre Miguel, Águia de Ouro e Colorado do Brás.
Um dos entrevistados que citou tal origem no samba foi Serginho: “Minha família já é de escola de samba – já está na quarta ou quinta geração. A gente já nasceu dentro do samba direto. Diferentemente de hoje, em que a gente tem escolinhas e que a gente tem o próprio desfile, a gente aprendia na beira de campo. Quando a gente ia para a bateria adulta, já tinha que chegar sabendo. Era bem diferente do que é hoje. A gente está velho, já”, brincou.
Tiguês citou a mesma expressão popular: “A gente já estava acostumado com batucada de beirada de campo, essas coisas. Depois acompanhava pela televisão, com a família e tal, que não era no carnaval. E aí vinham aqueles encartes no jornal pra você poder dar nota e etc. Sempre acompanhei essa movimentação, até que quando eu completei 18 anos eu acabei vindo parar no carnaval”, finalizou.
No próximo domingo, 19 de outubro, a União do Parque Acari abrirá as portas de sua quadra para uma grande celebração que marcará o lançamento oficial do samba-enredo 2026. O tema que a escola levará para a Avenida no próximo Carnaval é “Brasiliana”, desenvolvido pelo carnavalesco Guilherme Estevão, que vem trabalhando intensamente na construção do enredo.
Além da apresentação do samba, o evento será marcado por um momento especial: a coroação da nova rainha de bateria, Luciana Picorelli, que chega para abrilhantar ainda mais a bateria Fora de Série, um dos maiores orgulhos da agremiação.
Durante a festa, o público poderá acompanhar as apresentações de todos os segmentos da escola, incluindo a estreia da nova porta-bandeira Amanda Poblete, que irá dividir o pavilhão com o mestre-sala Renan Oliveira.
A direção da União do Parque Acari convida a comunidade e os amantes do samba a participarem deste encontro repleto de música, alegria e tradição.
Serviço:
Data: Domingo, 19 de outubro
Horário: A partir das 15h
Entrada: Franca
Local: Quadra do G.R.E.S. União do Parque Acari – Rua Piracambu, 604, Acari
No primeiro ensaio aberto da Acadêmicos de Niterói, a rainha de bateria Vanessa Rangeli escolheu um look dourado e ousado, deixando à mostra seu abdômen trincado e seu corpo superdefinido. Aos 44 anos de idade, a consultora fitness fará a sua estreia no Grupo Especial junto à agremiação no carnaval de 2026, na Marquês de Sapucaí.
Vanessa, referência em saúde, beleza e bem-estar, contou o segredo por trás de tanta definição. “Sigo à risca o meu programa Barriga Zero, que acelera e intensifica os resultados, principalmente na região abdominal. Além disso, meu treino está cada vez mais focado em força e definição, o que faz toda diferença na minha performance e no meu corpo”, revelou a rainha.
Vanessa é empresária e fundadora de um programa de emagrecimento. Em suas redes, onde acumula mais de 750 mil seguidores, compartilha suas rotinas de treino, receitas fitness e dicas de bem-estar.
O domingo, 19 de outubro, será de festa e celebração na quadra da Unidos de Padre Miguel. Além de muito samba e gastronomia, a tradicional Feijoada do Boi Vermelho marcará oficialmente a apresentação das novas musas da escola, Lorena Maria e Mari Mola, que receberão suas faixas durante o evento, em um momento especial de emoção e reconhecimento.
A cerimônia de entrega das faixas promete ser um dos pontos altos da tarde, simbolizando a força feminina, a beleza e o carisma que representam a alma da Vila Vintém. As novas musas chegam para somar brilho, energia e representatividade ao elenco da vermelho e branco rumo ao Carnaval 2026.
A influenciadora digital e empresária, Lorena Maria estreia no universo do samba em grande estilo. Conhecida por sua presença marcante nas redes sociais, ela aceitou o convite da presidente Lara Mara para integrar o desfile oficial da escola. Aos 24 anos, Lorena conquistou rapidamente o carinho da comunidade, e promete encantar a Sapucaí com sua simpatia e elegância no próximo carnaval.
Foto: Wallace Ximenes
Já Mariana Ribeiro, a mais conhecida como Mari Mola, chega consolidando uma trajetória de destaque no samba. No Carnaval de 2025, ela brilhou na Unidos de Padre Miguel como destaque performático de alegoria, impressionando o público com sua presença cênica. Agora, em 2026, Mari assume o posto de musa da escola, levando toda sua paixão pela arte de sambar para a avenida.
Além da coroação das novas musas, a Feijoada da Unidos de Padre Miguel contará com uma programação especial: a Estação Primeira de Mangueira será uma das atrações da tarde, dividindo o palco com a União de Maricá e o cantor Lelê Carlos. O público também vai acompanhar a apresentação oficial do samba-enredo 2026, interpretado por Bruno Ribas e embalado pela Bateria Guerreiros da Unidos, comandada pelo Mestre Laion.
A entrada é gratuita, com o prato de feijoada servido a R$ 15,00. Mesas e camarotes já estão esgotados.
No próximo domingo, entre 9h e 12h – ou até esgotarem -, acontece a venda de frisas. Cada pessoa física poderá solicitar um espaço, que contém seis lugares, por dia de desfile competitivo ou dois para o Sábado das Campeãs. Para a compra, é necessário acessar o site oficial da Liesa – www.liesa.com.br – e clicar no banner que estará disponível no topo da página. Os valores variam entre R$ 1.800 e R$ 10.000 (veja abaixo).
1- No dia 19/10, entre 9h e 12h, acessar o site www.liesa.com.br e clicar no banner que estará no topo da página;
2- Entrar na fila virtual;
3- Quando liberado o acesso, preencher o formulário;
4- Após colocar o CPF / CNPJ, escolher o dia de desfile, o setor, a fila e o número da frisa disponível;
5- Aparecerá a tela de confirmação com os dados da compra e a opção para impressão do número de protocolo e do boleto para pagamento;
6- Importante: caso não seja possível imprimir o boleto na hora (que é gerado automaticamente), ele poderá ser impresso posteriormente pela tela “consulta de protocolo”. O boleto possui data de vencimento para o dia 22/10.
Sonhos de adolescentes e crianças são sempre virtuosos de serem ouvidos. Meninos e meninas dentro das escolas de samba já carregam a responsabilidade de ensinar os amigos, com o objetivo de transmitir as lições às próximas gerações. O desfile mirim, realizado na Fábrica do Samba no último domingo, reuniu tudo isso: diversas agremiações e crianças puderam mostrar o resultado dos projetos desenvolvidos por suas escolas. O fato é que ontem foi a prova de que o futuro do carnaval de São Paulo vive e está em boas mãos. O CARNAVALESCO ouviu alguns mestres e casais de mestre-sala e porta-bandeira mirins, que falaram sobre o sentimento de representar suas respectivas escolas e o que almejam para o futuro.
O mestre Davi, da Unidos de Vila Maria, falou sobre a responsabilidade de liderar a “Cadência da Vila” mirim no evento. De acordo com ele, a ansiedade foi grande, mas tudo passou quando o desfile começou.
Fotos: Gustavo Lima/CARNAVALESCO
“É muito bom! Dá muito nervoso, mas, quando chega a hora, passa o frio na barriga, com aquela sensação de que vai dar tudo certo. Eu toco repique, é bem difícil, mas é um instrumento que, para quem aprende, facilita tocar os outros”, disse.
Planejando o futuro, o pequeno almeja ser mestre oficial da escola. “Eu sonho muito em ser mestre da Vila Maria um dia, e minhas maiores inspirações são o Felipe, que nos ensina na ‘Mulekada da Vila’, e o mestre Moleza”, afirmou.
Agradecimento aos envolvidos e um sonho a ser realizado
De forma sucinta, Juan Lucas (13 anos), mestre mirim da Rosas de Ouro, agradeceu a oportunidade de representar a escola no evento.
“Foi muito bom! Legal demais ver a vontade das crianças em aprender. Fico muito feliz pelo Ricardo Tripa ter confiado em mim. Estou na escola desde os três anos de idade”, contou.
Matheus Henrique, responsável pela “Ritmo que Incendeia”, da Dragões da Real, agradeceu a todos os envolvidos no projeto Dragões do Futuro.
“É uma sensação incrível. Foi muito legal e emocionante. Gostei demais do projeto, quero agradecer a todos os envolvidos e à diretoria. A bateria, no começo, estava um pouco para baixo, mas foi evoluindo e, graças a Deus, deu tudo certo. Vamos pra cima!”, celebrou.
Seguindo a linha dos amigos mirins, Matheus diz que seu sonho é se tornar mestre oficial e revelou suas inspirações.
“Meu desejo, futuramente, é ser mestre dentro de uma escola de samba, e minhas grandes inspirações são o nosso Klemen e o Sombrinha”, declarou.
Recepção carinhosa e o orgulho de representar o pavilhão
O mestre-sala Guilherme Atuy, de 13 anos, exaltou a satisfação de representar a bandeira maior da Estrela do Terceiro Milênio.
“Estou muito orgulhoso em desfilar por uma escola tão especial. É o meu primeiro ano aqui e é uma honra representar o pavilhão da Estrela do Terceiro Milênio no Desfile Mirim. Não tenho palavras para descrever”, declarou.
Com 14 anos, a porta-bandeira Júlia Carvalho está na escola desde bebê. Segundo ela, o amor pela Milênio vem de berço, e é um orgulho carregar o pavilhão da agremiação.
“Eu frequento a Milênio desde bebê e lá tem várias crianças. Meu pai é presidente da torcida e minha mãe é chefe de ala. É uma escola com muita garra, força e alegria. Foi uma trajetória de muito trabalho e vários ensaios. É uma honra trabalhar com o Guilherme e representar a minha escola”, comentou.
Guilherme chegou recentemente à escola e contou como foi abraçado pela comunidade da “Coruja”.
“Foram muitos ensaios aos domingos lá no Grajaú. Todos os sábados também a gente se encontrava. Foi muito prazeroso esse processo de entrega pela escola. Cheguei sem conhecer ninguém, depois conheci a Júlia, a Lara, a Waleska e o Arthur. Lá tem muitas crianças que sonham em ser passistas, mestres-salas, porta-bandeiras, ritmistas, rainhas de bateria… Eles recebem com o coração”, destacou.
Amor pelo pavilhão e o desejo de ser reconhecido
Enaltecendo as muitas crianças do Grajaú, Júlia diz que é necessário mostrar todo esse projeto e revelou o sonho de ser porta-bandeira oficial. “A gente precisa mostrar o espaço que a nossa escola dá às crianças. Eu quero muito, um dia, representar oficialmente, lá no futuro. Hoje foi demais representar a minha escola”, completou.
A porta-bandeira Isabela Aleixo, de 15 anos, esbanjou seu amor pelo pavilhão corintiano. “É um sentimento de muita gratidão. Eu amo os Gaviões demais. Tenho um amor imenso pela escola. Representar o pavilhão é muito gratificante. Sinceramente, não tenho palavras para descrever o que é esse sentimento”, disse.
Seguindo sua parceira, o mestre-sala Pedro Tavares, de 14 anos, afirmou que é prazeroso representar os Gaviões da Fiel.
“É a realização de um sonho. Cresci na quadra indo aos ensaios, e representar essa torcida maravilhosa e essa escola, que sempre encanta quando passa no Anhembi, é gratificante”, ressaltou.
O casal falou sobre o sonho que compartilham e o entrosamento que conquistaram em apenas três meses. “Estamos ensaiando há três meses e foi algo de conexão. A gente nunca tinha dançado juntos, mas, na primeira vez que dançamos, já deu liga e foi incrível. O maior sonho é ser reconhecida ainda mais e mostrar para as pessoas o amor que eu sinto pelos Gaviões da Fiel”, comentou Isabela.
“Fica fácil com uma parceira que se esforça todos os dias. Ela tem a mesma vontade, e a conexão foi muito rápida. Ainda mais porque eu comecei a dançar este ano. Acho que, de escola, a gente já chegou ao nosso sonho, mas também queremos conquistar reconhecimento do público. É a paixão por essa arte maravilhosa”, concluiu o mestre-sala.