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Estudo do enredo: Portela 2020

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“O voo da águia sobre a terra sem males, o guajupiá de Madureira!”

O enredo da Portela em 2020 vem com uma roupagem de conscientização. Como pano de fundo está a cidade natal do povo carioca. Os carnavalescos Renato Lage e Márcia Lage assumem o compromisso de resgatar a história indígena, tomando como foco, aqueles que foram os verdadeiros pioneiros na cidade do rio de Janeiro, muito antes do “descobrimento” do Brasil pelos portugueses, mais precisamente, da formação desses povos até sua supressão pelo Homem.

Baseado nesse ciclo, o título do enredo “Guájupia: terras sem males” (Yvymarãe’ỹ, em tupi) traz como referencia o mito de uma terra onde não haveria fome, guerras ou doenças. Indo mais além, seria a terra em que há o bom convívio e o altruísmo, logo, tudo que se faz e pelo bem estar do povo e para a organização social.

Por meio do texto base, observa-se que os carnavalescos pretendem subdividir o enredo em cinco etapas que ilustram uma cronologia histórica e social, uma verdadeira aula de história na avenida. A Portela irá ilustrar de forma carnavalizada o cenário primitivo e natural das organizações das tribos tupinambás, expondo de maneira bastante enobrecedora como se ordenavam socialmente esses povos indígenas, expondo assim suas formas de sobrevivência e evolução cultural. Como desfecho, a Portela propõe uma reflexão de como o Homem de hoje tem a aprender com os princípios e práticas dos grandes pioneiros e fundadores da cidade “maravilhosa”.

A viagem portelense começa contando a história de Irin-Magé, uma grande figura da mitologia tupinambá, que após a uma grande destruição divina na terra, foi o único escolhido por Moná (Deus tupinambá) para retornar a terra, a fim de que ele a repovoasse de homens melhores. É nesse momento que surge, o personagem fundamental para essa narrativa: Maíramûana. Filho de Irin – Magé, é o grande profeta transformador, dotado de poderes sobrenaturais, o grande educador da “nova terra”, responsável por todos os costumes e regras de organização social. Maíramûana! Maíramûana! O grande criador do Guajupiá, a terra sem meles e do bem-viver.

A partir disso, a escola assume o compromisso de exaltar a natureza, resgatando os tempos em que o povo do Rio tinha maior consciência na preservação do meio ambiente. A terra sem males é a terra em que não há queimadas, desmatamento e apropriação das riquezas naturais a fim de obter-se lucro pra uma pequena camada social, é aterra em que todas as ações têm por finalidade o bem comum.

social, é aterra em que todas as ações têm por finalidade o bem comum. O grande azul da Portela se erradica nos céus e águas da baía de Guanabara, representando a natureza sagrada do Guajupiá. A representação da baía é feita de forma saudosa, de modo a embarcar na nostálgica beleza daquela que outrora era o rio sagrado, rico em peixes e mariscos; a mesma que, nos dias atuais, em virtude da intervenção do Homem está carente de vida e exala poluição.

Com isso, a indagação final que a agremiação traz a seu público, é: GUAJUPIÁ, O QUE FIZEMOS DE TI? Nos últimos pontos trazidos pela sinopse, percebe-se o intuito de estabelecer uma relação entre Baia de Guanabara versus Rio de janeiro, em que a baía é o microcosmo da cidade do Rio de Janeiro, a qual na época dos tradicionais Tupinambás era preservada, até a intervenção do Homem branco. Essa associação é feita a fim de que gere uma reflexão acerca de como as coisas nessa terra poderiam tomar outros rumos se a nossa diversidade étnico-cultural não fosse apagada de forma tão brutal pela humanidade. Além disso, é notório o grito de alerta portelense a todo o povo, para com a preservação do meio-ambiente, e também, para aqueles que ocupam o lugar de Maíramûana e governam o Guajupiá Tupinambá, aonde ano após ano vem sendo agredido de forma brutal. Esse alerta se desdobra não só pela terra, mas pelo apagamento constante dos povos indígenas, os verdadeiros donos desse chão.

Desta forma, a Portela em 2020, volta ao passado e veste sua narrativa de indígenas que clamam por um lugar de sustentabilidade no presente e no futuro.

É hora de saudar Irin-Magé, os céus de Monã, a bravura de Maíramûana e o povo da majestosa Karioká. Na Marquês de Sapucaí irá ecoar um grande brado e clamor a todo o poder e importância que a natureza emana pelos ares da Guanabara e por todas as vidas tupinambás que resistiram e resistem até hoje. Saudemos a terra sem males!

Autora: Alissa de Sá
Letras/UFRJ
Coordenadora de qualidade acadêmica/OBCAR/UFRJ
Leitor orientador: Tiago Freitas
Doutorando em Linguística/UFRJ
Doutorando em História da Arte/UERJ
Coordenador Geral/OBCAR/UFRJ
Instagram: @observatoriodecarnaval_ufrj

Liesa lança sambas-enredo do Grupo Especial no Dia Nacional do Samba

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    A Liga Independente das Escolas de Samba (Liesa) realiza no dia 2 de dezembro, data que é comemorado o Dia Nacional do Samba, a festa de lançamento dos sambas-enredo do Grupo Especial para o Carnaval 2020. O local escolhido é a quadra do Salgueiro.

    A previsão é que até o fim de novembro os sambas já estejam disponíveis nas plataformas de áudio. A festa na quadra do Salgueiro deve ser apenas para os convidados da Liesa e das treze escolas do Grupo Especial.

    São Clemente inicia venda de fantasias para o Carnaval 2020

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    A São Clemente deu início a mais uma etapa do processo de trabalho para o Carnaval 2020. A escola da Zona Sul iniciou a venda das fantasias comerciais disponibilizadas para mais um ano no Maior Espetáculo da Terra.

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    Cinco alas estão disponíveis para os foliões que quiserem desfilar. As fantasias custam R$ 800,00 e o pagamento pode ser feito em até duas parcelas, sem juros. Os modelos disponíveis estão a disposição através do site oficial da escola e do e-mail [email protected].

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    Em 2020, a São Clemente será a primeira escola a desfilar na segunda-feira de Carnaval. A agremiação levará para a Sapucaí o enredo “O Conto do Vigário”, desenvolvido pelo carnavalesco Jorge Silveira.

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    Salgueiro recebe Império Serrano no ensaio deste sábado

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    O sábado será de festa em verde e branco na quadra do Salgueiro. Em mais uma edição do “Salgueiro Convida”, a escola receberá o Império Serrano para uma noite de muito samba.

    A festa começa às 20h30 com show do grupo Pegada Brasileira. Em seguida, a Bateria Furiosa dita o ritmo para a apresentação dos segmentos da vermelha e branca, embalados pelos sambas de enredo que marcaram a trajetória da Academia do Samba. Liderados por Emerson Dias e Quinho, o carro de som passeia por composições inesquecíveis da escola. Em seguida, o elenco show do Império Serrano se apresenta mostrando a história vitoriosa que a comunidade do Morro da Serrinha construiu ao longo de seus 72 anos de existência.

    A entrada custa R$40 (www.ingressocerto.com.br) e a comunidade, apresentando a carteirinha atualizada, não paga; o público feminino também tem passe livre até 22h30. Camarotes podem ser adquiridos pelo telefone (21) 2238 9226.

    Ensaio de rua está confirmado nesta quinta

    Preparando-se para o desfile que acontecerá no dia 24 de fevereiro, a escola nove vezes campeã do Carnaval carioca ensaia na rua pela primeira vez nesta quinta, 21 de novembro, às 20h. O ponto de encontro para os segmentos e toda a comunidade é o condomínio Tijolinho, já conhecida referência para os treinos abertos na rua Maxwell.

    Em 2020, os Acadêmicos do Salgueiro tentarão seu décimo campeonato com o enredo “O Rei Negro do Picadeiro”, que aborda os 150 anos de Benjamin de Oliveira, o primeiro palhaço negro do Brasil. O tema tem a assinatura do carnavalesco Alex de Souza e será o terceiro a passar na Marquês de Sapucaí na segunda-feira de carnaval, dia 24 de fevereiro.

    Serviço: Salgueiro Convida Império Serrano
    Data: 23 de novembro, sábado
    Horário: a partir das 20h30
    Valor: R$ 40 (comunidade com carteirinha não paga)
    Classificação: 18 anos
    Informações e vendas de camarote: (21) 2238 9226

    Arlindinho convida Dudu Nobre para samba de aniversário

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      O cantor Arlindinho reúne os amigos para festejar seu aniversário com roda de samba e feijoada: dia 24 de novembro, domingo, na tradicional casa de samba Beco do Rato, na Lapa. Entre as participações especiais, Dudu Nobre, grupo Dose Certa, Inácio Rios, Marcelinho Moreira e Nego Álvaro estão confirmados para abrilhantar ainda mais o evento.

      No repertório grandes sucessos de Arlindo Cruz, como ‘Bom aprendiz’, ‘O meu lugar’ e, claro, a emblemática ‘O show tem que continuar’. E de outros grandes nomes do samba, como Dona Ivone Lara e Zeca Pagodinho. Na plateia, os amigos que chegarem prometem dar canjas e reverenciar Arlindinho com um ‘Parabéns pra você’ especial.

      BECO DO RATO

      Num charmoso cantinho da Joaquim Silva, na Lapa, funciona desde 2005 o Beco do Rato, tradicional reduto dos cariocas e turistas: lugar de música boa, cultura, gente bonita, personalidades, cerveja gelada e ótimos petiscos. Concorrido bar de samba, a casa é grande e conta com três ambientes interligados: área interna climatizada onde abriga a roda de samba e uma confortável área externa, totalmente cobertas, com bar de bebidas e mesas, ambas se conectam a um espaço a céu aberto. Ao circular pelo Beco do Rato, os frequentadores podem apreciar painéis com desenhos que fazem alusão à cultura popular brasileira: retratam mestres do samba e reproduzem pontos do Rio de Janeiro!

      A casa tem um rico roteiro de atrações, com opção musical de terça a domingo. Nomes importantes do ritmo estão sempre rodopiando por entre as mesas, que concentra bambas consagrados e novos talentos com programação variada. O Beco já foi palco para o gogó de mestres como Luiz Melodia, Toninho Geraes, Wilson Moreira, Moacyr Luz, Tia Surica, Beth Carvalho, Ubirani (do Fundo de Quintal), Wanderley Monteiro, Iracema Monteiro, Zé Luiz do Império, Paulão Sete Cordas, o saudoso Walter Alfaiate, entre muitos outros.

      Beco do Rato – Roda de Samba Arlindinho e convidados
      24 de novembro, domingo
      Rua Joaquim Silva, 11 – Lapa
      (21) 2508-5600
      Horário: 13h
      Valor: R$ 20
      https://www.sympla.com.br/aniversario-do-arlindinho__723062?fbclid=IwAR1GSVo6dlrqICw6yJrnqtNW6RY-bX0d9eS0-f2abG4BfhYqkNTkCmqxZLg
      Classificação: Livre

      Lore Improta reassume posto de musa na Viradouro

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      A apresentadora e dançarina Lore Improta estará na quadra da Viradouro na noite da próxima terça-feira. Ela será reapresentada como musa da agremiação. A baiana ocupou o mesmo posto na escola no Carnaval 2018. No desfile de 2019, por conta de seu projeto infantil que esteve presente na folia de Salvador, ela não participou com a Viradouro do espetáculo que deu o vice-campeonato à vermelho e branco. Lore comemora o retorno.

      “Estou feliz demais em poder estar novamente com a Viradouro, e de volta ao carnaval do Rio. O enredo tem tudo a ver comigo, porque as Ganhadeiras de Itapuã são ícones culturais e fazem parte da história da Bahia, estado que eu nasci e moro. Poder voltar a participar do desfile da escola, e ainda mais com esse enredo, é muito gratificante”, comenta a beldade.

      A reapresentação de Lore será antes do ensaio de terça, a partir de 19h, com a presença de todos os segmentos, além de componentes das alas da comunidade. A entrada é gratuita. A quadra fica na Avenida do Contorno, 16, no Barreto, em Niterói.

      A Viradouro será a segunda escola a desfilar no Sambódromo do Rio no Domingo de Carnaval. Vai disputar o título com o enredo “Viradouro de alma lavada”, inspirado nos cânticos seculares das Ganhadeiras de Itapuã. O desfile está sendo preparado pelos carnavalescos Tarcísio Zanon e Marcus Ferreira.

      Furiosa rouba a cena em ensaio de rua do Salgueiro para o Carnaval 2020

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      O Salgueiro realizou na noite desta quinta-feira, seu ensaio de rua na Maxwell, via que divide os bairros de Vila Isabel e Andaraí, na Grande Tijuca, coração salgueirense. O tradicional treino reuniu a comunidade e muitos admiradores da escola no condomínio Tijolinho. A grande atração deste primeiro ensaio ficou por conta da bateria Furiosa. Sob o comando dos jovens Guilherme e Gustavo, os ritmistas deram um verdadeiro show e impressionaram o público com bossas e convenções de tirar o fôlego. Por uma questão particular, o intérprete Emerson Dias não pode comparecer.

      Bateria

      No jargão carnavalesco costuma-se chamar de sacode uma apresentação irretocável. E foi exatamente isso que a bateria Furiosa. Sob o comando de Guilherme e Gustavo foi possível notar o inconfundível ritmo e balanço de uma das melhores baterias do carnaval. O ponto de destaque ficou para o momento em que o samba atingia o ponto ‘bravo, a esperança entre sinais e trampolins’ onde uma bossa remetia claramente ao circo.

      “Fizemos um trabalho de pesquisa em cima de arranjos e trilhas circenses e trouxemos para o universo da bateria. O carro de som comprou a nossa ideia, pois é preciso estar atento sempre com harmonia para ficar tudo certinho. O restante a gente deixa pra avenida, pois é segredo”, explicou o mestre Gustavo ao site CARNAVALESCO.

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      “O carnaval está perto mas temos um período confortável para corrigir alguns aspectos. É muito diferente ensaiar na rua e na quadra. Aqui trouxemos mais da metade da bateria. A Maxwell é mais estreita que a Sapucaí e a bateria ficou muito long. Gostei do andamento e da afinação, mas precisamos limpar ainda algumas convenções. Começamos o andamento em 147, 148 BPM. É um bom começo”, avaliou Guilherme.

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      Samba-Enredo

      Com o DNA salgueirense, a obra da Academia do Samba propiciou um bom ensaio. A composição parece ter sido cunhada para a interpretação da dupla Quinho e Emerson Dias, dois intérpretes à imagem e semelhança da alegria. Quinho conduziu muito bem a obra, fazendo os componentes brincarem e cantarem todo o tempo, entrando pelas alas e cumprindo o verdadeiro papel de um puxador.

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      Harmonia

      Um bom desempenho para um primeiro ensaio na rua. A escola pode observar alguns aspectos para os próximos treinos. Algumas alas formadas por composições de alegorias ainda não tem o domínio da obra, o que causa um hiato de canto em alguns trechos da escola. Quando chegam as alas de comunidade já se nota um canto muito forte para quem escolheu o samba há cerca de 45 dias.

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      Evolução

      Assim como o observado na harmonia, por ser um primeiro ensaio na rua o desempenho foi pra lá de satisfatório. Considerada uma das mais impressionantes evoluções do Grupo Especial, o Salgueiro ainda pode atingir o seu melhor padrão. Ainda é possível notar muitas pessoas andando e brincando pouco, algo que certamente será lapidado nos próximos treinos até o desfile oficial.

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      “Brincamos e nos divertimos, como era a proposta, sem deixar de pensar que era um ensaio. Faltam 11 treinos para chegarmos na avenida a todo vapor, realizando um belo espetáculo. No fim do mês vamos divulgar a programação de dezembro, mas a ideia é fazer sempre na Maxwell, sempre que for possível. O encerramento será na Conde de Bonfim como já se tornou tradição”, detalhou o diretor de carnaval Alexandre Couto.

      Comissão de Frente

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      O grupo sob o comando de Sérgio Lobato deu um show de acrobacias para o público presente na rua Maxwell. À frente da escola eles estavam caracterizados como palhaços e realizaram movimentos sincronizados, com direito a lançamento de corpos e muito entrosamento nos movimentos.

      Mestre-Sala e Porta-Bandeira

      Sidclei e Marcella esbanjaram as atuais categoria e simpatia. Em determinados pontos da rua treinaram apresentação para o jurado. Em alguns intervalos oferecia o pavilhão ao público que estava nas calçadas para apreciar o ensaio do Salgueiro.

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      ‘Samba Didático’: Mocidade quer mostrar que ‘essa nega tem poder’

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      Por Diogo Sampaio

      Menina magrela, negra e pobre. Nascida em Padre Miguel, sonhava ser cantora desde a tenra infância. Viu em um programa de calouros no rádio, apresentado pelo compositor Ary Barroso, a sua grande oportunidade. Trajando um vestido de sua mãe, repleto de alfinetes para conter a sobra de pano, e com marias-chiquinhas no cabelo, lá foi a menina.

      Ao subir no palco, o susto. Risos e gargalhadas. Sem pudores, e espantando com a figura da jovem parada em sua frente, Ary zombou: “De que planeta você veio, minha filha?”. Mais gargalhadas. Sem se intimidar, a garota rebateu: “Do mesmo planeta que o senhor, Seu Ary. Do planeta fome”. Silêncio. No estúdio, agora só se ouviu uma voz. E que voz… Através dos versos da música “Lama”, de Paulo Marques e Aylce Chaves, a menina calou e encantou a todos. Para Ary Barroso, restou apenas sacramentar que ali nascia uma estrela.

      “Elza Deusa Soares” é o enredo que a Mocidade Independente de Padre Miguel levará para a Marquês de Sapucaí, no carnaval de 2020. Desenvolvido pelo carnavalesco Jack Vasconcelos, e com samba assinado por Sandra de Sá, Igor Vianna, Dr. Márcio, Solano Santos, Renan Diniz, Jefferson Oliveira, Professor Laranjo e Telmo Augusto, a verde e branco da Vila Vintém pretende emocionar com um tributo a uma de suas filhas mais ilustres, além de mostrar, mais uma vez, que “essa nega tem poder”.

      O site CARNAVALESCO, dando continuidade à série de reportagens intitulada “Samba Didático”, entrevistou o compositor Igor Vianna e o jornalista Fabio Fabato, autor da sinopse da escola, para saber mais sobre os significados e as representações por trás de alguns versos e expressões presentes na obra independente para o carnaval de 2020.

      Confira abaixo a análise feita pelos entrevistados de alguns versos e trechos do samba:

      ‘Laroyê e Mojubá’

      “Esse verso trata-se de uma saudação ao povo de rua, para abrir os caminhos para Elza passar”, contou o jornalista Fábio Fabato.

      “Assim como Exú, Elza é a porta-voz dos oprimidos, dos moradores de ruas e daqueles com menos oportunidades. Então, fazemos nesse verso uma reverência ao orixá mensageiro, para que ele possa abrir os caminhos da Mocidade e de Elza Soares na Avenida”, explicou o compositor Igor Vianna.

      ‘Onde a Água Santa foi saliva’

      “Água Santa é um dos bairros onde Elza Soares morou. Certa vez, quando parecia que seria atacada por uma vaca que pastava perto de sua casa, recebeu uma lambida do animal. E ela entendeu aquilo como unção, batismo”, expôs o jornalista e autor da sinopse Fábio Fabato.

      Já o compositor Igor Vianna destacou outra possível interpretação ao verso: “Em uma época onde Elza passou fome e sede, a única água que se encontrava era a saliva, para que a seca não fosse total”.

      ‘Para a preta não chorar’

      “É um complemento ao que é dito anteriormente. É a voz da Elza que amordaça a opressão e que embala o irmão para a preta não chorar. A preta que cuida da criança, mas que tem que trabalhar em vários lugares pra complementar na renda da casa, a preta que passa necessidade na rua com seu filho, tantas pretas que vivem por aí”, alegou Igor Vianna.

      “Elza é tratada no enredo como uma entidade que distribui liberdade a todas as pessoas historicamente oprimidas no Brasil”, frisou Fabato.

      ‘Da Lama nasce o amor’

      “Elza começou a sua carreira no programa de calouros de Ary Barroso, cantando a música ‘Lama’, de Paulo Marques e Aylce Chaves”, relembrou o jornalista.

      “Foi a partir daí que ela começou a ficar conhecida e espalhar o amor a todos em suas mensagens”, complementou o compositor.

      ‘Quebrar as agulhas que vestem a dor’

      “Quando subiu ao palco do programa de calouros de Ary Barroso, Elza era uma menina de cerca de 20 anos, que pesava menos de 40 quilos. Para segurar o vestido no qual caberia três Elzas, ela encheu a vestimenta de alfinetes”, relatou Fábio Fabato.

      “Usamos essas agulhas como um marco, que vestiu a dor de quem passava fome e abriu um mundo novo de esperança”, pontuou Vianna.

      ‘Sou eu que te falo em nome daquela’

      “Esse é um verso da música ‘Malandro’, de Jorge Aragão, consagrada na voz de Elza Soares”, contou Fabato.

      “Nesse contexto, o componente canta para Elza dizendo que sou eu que te falo em nome daquela, da batida mais quente, o som da favela. Canta em nome da Mocidade”, argumentou Igor.

      ‘Se acaso você chegar’

      “É uma citação ao primeiro álbum de Elza Soares, que se chamava ‘Se acaso você chegasse’”, revelou Igor Vianna.

      “‘Se acaso você chegasse’ é também uma referência à música de Lupicínio Rodrigues, consagrada na voz de Elza Soares”, apontou Fabato.

      ‘Deusa da Vila Vintém’

      “Iniciamos a finalização da segunda parte do samba imaginando ela chegando como uma Deusa dos oprimidos, a porta-voz das ruas, espalhando toda sua mensagem do bem, despertando o mundo para o que precisa ser mudado, e matando a saudade do povo de Padre Miguel, que a muito tempo esperava e pedia por essa homenagem a Elza Soares”, declarou Igor Vianna.

      “Filha legítima de Padre Miguel e da Vila Vintém, Elza será louvada na avenida como a deusa brasileira que fez de sua arte um libelo”, garantiu Fabato.

      Mocidade 2020

      A Mocidade Independente de Padre Miguel será a quinta escola a desfilar pela Marquês de Sapucaí, na segunda-feira de carnaval. A verde e branco da Vila Vintém irá na busca de seu sétimo título com enredo “Elza Deusa Soares”, assinado pelo carnavalesco Jack Vasconcelos, estreante na agremiação.

      Tuiuti recebe Grande Rio e São Clemente nesta sexta-feira

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      A quadra do Paraíso do Tuiuti recebe nesta sexta-feira o evento “Encontro no Paraíso” com atrações convidadas. Desta vez, a agremiação de São Cristóvão contará com shows completos da Grande Rio e São Clemente. A festa começa a partir das 21h.

      No evento, haverá ainda apresentação de todos os principais segmentos do Tuiuti, como casais de mestre-sala e porta-bandeira, bateria, baianas, passistas, Velha Guarda, entre outros.

      Em 2020, o Paraíso do Tuiuti será a quarta escola a desfilar no domingo de Carnaval. Mesma posição de desfile que garantiu o vice-campeonato para a agremiação em 2018. O enredo da agremiação é “O Santo e o Rei: Encantarias de Sebastião”, do carnavalesco João Vitor Araújo.

      A quadra do Tuiuti fica no Campo de São Cristóvão, 33, no bairro de São Cristóvão.

      Serviço:
      Encontro no Paraíso com São Clemente e Grande Rio
      Data: sexta-feira, 22 de novembro
      Horário: a partir das 21h
      Endereço: Campo de São Cristóvão, nº 33, em São Cristóvão – RJ
      Ingresso: R$ 20
      Mais informações: (21) 96643-2613
      Classificação etária: 18 anos

      Unidos da Tijuca transforma passista em musa para o Carnaval 2020

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      A Unidos da Tijuca promoveu Vivian Plemont ao time de musas da azul e amarela do Borel. Nascida e criada na Tijuca, a loira que desfila desde 2009 na ala de passistas Encantos do Pavão foi convidada pelo presidente Fernando Horta para brilhar em posição de destaque no Carnaval 2020.

      O primeiro passo da trajetória de Vivian no mundo do carnaval aconteceu por acaso. Em 2008 ela seu gingado acabou chamando a atenção dos diretores da ala de passistas. O convite para fazer um teste e integrar a escola foi prontamente aceito. Alguns meses depois, ela passou a fazer parte do grupo artístico da Unidos da Tijuca que faz espetáculos de samba pelo Brasil afora. Em 2016, passou a ser destaque de carro alegórico, mas não resistiu e voltou para a ala de passistas. A grande oportunidade só surgiu neste ano, para se tornar musa da sua escola do coração.

      “Meu objetivo sempre foi somar com a escola. Unir o útil ao agradável. O amor pelo samba e por essa bandeira. E hoje me sinto mais do que realizada, me sinto em êxtase. Acho que a ficha ainda não caiu”.

      De passista à musa da comunidade

      Vivian garante ter deixado muito de seu suor para conquistar a colocação. “Foi independente da minha condição financeira. Chegar a ser musa é um sonho, mas é um sonho muito longe, porque infelizmente para ser musa geralmente você tem que ter condições financeiras”, explica ela, referindo-se aos altos investimentos nas fantasias e tratamentos estéticos. “Me sinto muito honrada. É um sonho realizado”, conta Vivian que é advogada.

      A nova musa será apresentada oficialmente no novo posto no próximo sábado, quando a agremiação retoma seus ensaios comerciais, a partir das 20 horas em sua quadra localizada na Avenida Francisco Bicalho n° 47 – Leopoldina.

      A Unidos da Tijuca desfilará na segunda-feira de carnaval, dia 24 de fevereiro, na Marquês de Sapucaí pelo Grupo Especial do carnaval carioca com o enredo “Onde Moram Os Sonhos” assinado pelo trio de carnavalescos Paulo Barros, Marcus Paulo e Hélcio Paim.