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Império Serrano celebra São Jorge com a 55ª edição da tradicional carreata em Madureira

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Foto: Pedro Siqueira/Divulgação Império Serrano

No próximo domingo, o Império Serrano realiza a 55ª edição da sua tradicional carreata em homenagem a São Jorge, padroeiro e padrinho da escola. O evento acontece sempre no primeiro domingo após o dia dedicado ao santo, celebrado em 23 de abril, sendo uma das mais importantes manifestações religiosas e culturais da Zona Norte do Rio de Janeiro.

A concentração está marcada para 9h, na quadra do Império Serrano, em Madureira. De lá, a carreata percorrerá diversas ruas e bairros, levando devoção, música e força cultural por regiões como Quintino, Engenho de Dentro, Cascadura, Ramos, Penha, Cordovil, Irajá e adjacências, reunindo componentes, torcedores e moradores ao longo de todo o trajeto.

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O percurso tem início na Avenida Ministro Edgard Romero e segue com paradas tradicionais que marcam o roteiro da celebração. A primeira delas acontece na Igreja Matriz de São Jorge, em Quintino. Em seguida, o cortejo segue para o Engenho de Dentro, com novas paradas no Bar Clube da Esquina, no cruzamento da Rua São Brás com a Rua Conselheiro Agostinho, e no Centro Espírita Caminheiros da Verdade.

O trajeto continua pela Rua Piauí, Avenida Dom Hélder Câmara, Viaduto de Pilares, Linha Amarela e Estrada do Itararé até Ramos, onde ocorre mais uma parada, marcada pelo encontro de bandeiras com a Imperatriz Leopoldinense.

No retorno à Madureira, a carreata passa por bairros como Penha, Brás de Pina, Cordovil, Vista Alegre e Irajá, até chegar à Serrinha, berço do Império Serrano, onde acontece a última parada. No local, são realizadas homenagens ao padroeiro junto à comunidade, reforçando o elo entre a escola e suas raízes.

Após as celebrações, o cortejo retorna ao ponto de partida, na sede da escola, encerrando mais uma edição de um evento que atravessa gerações e mantém viva a devoção a São Jorge.

Claudinho e Selminha recebem homenagem na Alerj

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Foto: CARNAVALESCO

Os 30 anos dedicados à Beija-Flor de Nilópolis renderam títulos e, recentemente, moção de aplausos e congratulações à porta-bandeira Selminha Sorriso e ao mestre-sala Claudinho. A homenagem da Assembleia Legislativa do Rio (Alerj) foi apresentada pelo deputado estadual Carlinhos BNH (PP).

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O parlamentar destaca que o talento, a elegância e a dedicação da dupla contribuem significativamente para as incontáveis conquistas e reconhecimento ao pavilhão azul e branco de Nilópolis.

“Selminha e Claudinho são exemplos de talento, compromisso e amor ao samba, perpetuando a grandeza da nossa cultura popular”, elogia Carlinhos BNH.

Sidney França projeta centenário da Mangueira e aposta no impacto de Oyá no Carnaval 2027

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Foto: Matheus Morais/CARNAVALESCO

No sorteio que definiu a Estação Primeira de Mangueira como a escola a encerrar o Carnaval 2027, o carnavalesco Sidney França tinha mais que a posição de desfile para comemorar. Recém-anunciado pela presidente Guanayra Firmino como o responsável pelo centenário da agremiação em 2028, o paulistano, indo para o seu terceiro carnaval à frente da Verde e Rosa, enxerga a confirmação com o peso de um título.

“É como ser campeão do carnaval, porque daqui a 100 anos vão perguntar quem fez o centenário e meu nome vai estar lá”, afirmou. “É muito satisfatório, mas também um momento de muita responsabilidade”, disse Sidney.

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Com a visualidade bastante elogiada do desfile que homenageou mestre Sacaca em 2026, Sidney avalia o ciclo como positivo. “É muito bom saber que o trabalho agradou o mundo do samba, principalmente a comunidade da Mangueira, para quem dedico o meu trabalho”, declarou. E completou: “Foi a consolidação de uma trajetória que está apenas começando e tenho certeza que (o Carnaval) 2027 vai ser melhor ainda”.

Oyá, senhora dos ventos, fecha o Carnaval 2027

Em 2027, a Estação Primeira de Mangueira dedicará, pela primeira vez, um desfile inteiro a uma Orixá: Oyá, divindade feminina ligada ao vento, às tempestades e aos raios. O enredo, segundo Sidney, já estava nos planos antes mesmo do último carnaval. “Inclusive seria um enredo no lugar de mestre Sacaca, que acabou protagonizando o 2026 e a gente deixou para o 2027”, revelou.

O tema dialoga diretamente com o que o carnavalesco identifica como a essência da escola: a figura feminina e o matriarcado como forças fundadoras da identidade mangueirense. “É um enredo que responde muito à identidade ou alteridade da Mangueira”, afirmou. Quando questionado se o enredo funcionaria como um retorno ao fundamento para chegar ao centenário, Sidney concordou: “A ideia é chegar no centenário, uma escola quente, uma escola aguerrida e uma escola sempre tão pulsante”.

‘Oyá não é Bethânia’: Sidney rebate críticas

Nas redes sociais, parte do público apontou semelhança com o desfile de 2016, quando a Mangueira se sagrou campeã com o enredo “Maria Bethânia — A menina dos olhos de Oyá”. “As pessoas têm uma ideia muito errada a respeito desse assunto. Primeiro porque é Bethânia, o enredo era Bretanha. Oyá era a comissão de frente e o chassis do Abre-Alas. Não era um desfile para Oyá”, argumentou.

O carnavalesco sinalizou que prefere deixar o trabalho falar por si. “Eu tenho muita preguiça de ficar nesse bate-boca. Vamos liberar o samba, os espetáculos, o filme, e aí as pessoas vão ter a real dimensão que é o enredo para Oyá”.

Um olho em 2027, outro no centenário

Com 2027 ainda em desenvolvimento, Sidney admitiu que o centenário de 2028 já ocupa espaço em seu planejamento. “É impossível não pensar”, disse. “Eu estou projetando o carnaval de 2027, mas já pensando em possibilidades narrativas e construções argumentativas para que amadureça cada vez mais, porque é uma grande responsabilidade. É muita história para caber no desfile”, finalizou.

Confiante, Portela aposta em estratégia e celebra lugar na terça-feira

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Foto: Eduardo Hollanda/Rio Carnaval

A Portela já projeta o Carnaval 2027 com planejamento antecipado e confiança na estratégia definida após o sorteio da ordem dos desfiles do Grupo Especial. A escola será a responsável por abrir a terça-feira de apresentações na Marquês de Sapucaí, posição que, segundo a direção, traz vantagens importantes para o desenvolvimento do trabalho. Diretor de carnaval da azul e branco, Dudu Falcão destacou que o posicionamento já vinha sendo estudado internamente. De acordo com ele, a definição prévia do dia, horário e lado de desfile permite uma preparação mais detalhada em comparação às demais agremiações.

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“É uma situação que a gente já estuda há algum tempo, porque já sabíamos da posição. A Portela entende que é um dia interessante. O trabalho do Paulo Barros exige muito que algumas questões sejam bem pré-definidas, e desfilar do lado dos Correios pra gente hoje tem essa vantagem. Estamos preparados, planejando já um varnaval antecipadamente”, afirmou.

Dudu ainda ressaltou que a leitura da escola é de que o encerramento do ciclo de desfiles favorece a avaliação do espetáculo apresentado. “É um dia bom para desfilar, onde oito escolas já terão passado. É mais interessante”, completou.

Vice-presidente da agremiação, Nilce Fran também celebrou a posição na terça-feira e reforçou o momento de reconstrução e fortalecimento da escola rumo ao próximo desfile.

“Sensacional. Estamos nos reinventando, preparando uma Portela mais forte, mais potente. Estar na terça-feira, para todos nós, é ter mais tempo e entrar mais tranquilos”, declarou.

A dirigente ainda destacou a preferência da azul e branco pelo lado dos Correios na concentração, fator considerado estratégico pela escola.

“A Portela gosta disso. Está ótimo, vamos lá fazer o trabalho que a Portela sabe, que a Portela merece e que mestre Monarco e nossa ancestralidade estejam de pé”, disse.

Nilce relembrou que a escola voltou a desfilar pelo lado em 2026 e acredita que a experiência recente contribuirá para um desempenho ainda mais consistente.

“A Portela há muitos anos não desfilava do lado dos Correios. Deu um probleminha? Deu, mas a Portela sabe sair do lado do Correios e nós estamos felizes com nosso dia e nossa posição”, concluiu.

Jack Vasconcelos celebra posição da Mocidade e vê responsabilidade em abrir desfiles do Grupo Especial na segunda

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Foto: Divulgação/Mocidade

A definição da ordem dos desfiles do Grupo Especial do Rio de Janeiro, realizada na última quinta-feira, na Cidade do Samba, trouxe um sentimento de orgulho e responsabilidade para a Mocidade Independente de Padre Miguel. A Verde e Branco será a responsável por abrir as apresentações na segunda-feira, e o carnavalesco Jack Vasconcelos comemorou o resultado do sorteio. Em entrevista ao CARNAVALESCO após o evento, Jack destacou a importância do momento e o nível crescente do espetáculo na Marquês de Sapucaí.

“Estou muito feliz, é uma honra abrir os desfiles. E o espetáculo, ele está cada vez melhor, está cada vez mais competitivo. Abrir o desfile hoje em dia, com a configuração que está, é uma responsabilidade e é incrível”, afirmou.

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O carnavalesco também ressaltou um aspecto técnico que, segundo ele, favorece o desenvolvimento do trabalho na avenida. “E eu, particularmente, gosto do lado que a gente arma a escola, que é bem mais tranquilo para o carnavalesco”, completou.

Abrir a primeira noite do Grupo Especial já não é mais visto como desvantagem, como em outros tempos. Com mudanças no regulamento, maior equilíbrio entre as agremiações e um nível artístico cada vez mais elevado, a posição passou a ser encarada como estratégica, e, sobretudo, de grande visibilidade.

A Mocidade aposta na experiência de Jack Vasconcelos para transformar a responsabilidade em impacto logo na largada da segunda-feira, dando o tom de um desfile que promete alto nível desde o primeiro minuto.

Mocidade Unida da Mooca apresenta samba para 2027 e Pixulé em aniversário com show do Pérola Negra

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Fotos: Will Ferreira/CARNAVALESCO

O aniversário da Mocidade Unida da Mooca, escola do Grupo Especial do Carnaval de São Paulo, foi comemorado neste sábado. A agremiação, fundada em dia 18 de março, teve a festa em uma data mais próxima adiada por conta do falecimento de Carlos Falanga, popularmente conhecido como Bidi, fundador da instituição que faleceu no último mês. A MUM aproveitou a ocasião para lançar o samba-enredo de “Modupé, Cardeais!”, enredo assinado pelo carnavalesco Renan Ribeiro que será apresentado no desfile de 2027 e tem a canção escrita por Santaninha, Rubens Gordinho, Gui Cruz, Lucas Donato, Aquiles da Vila, Fabiano Sorriso, Vitor Gabriel, Mateus Pranto, Willian Tadeu e Biel. A festa também teve a apresentação de Pixulé (que comandará o carro de som mooquense ao lado de Gui Cruz), show da coirmã Pérola Negra e a final da audição que definiu a nova segunda porta-bandeira da equipe, vencida por Talita Garrote. Sempre presente em eventos importantes para escolas de samba paulistanas, o CARNAVALESCO traz todos os detalhes do aniversário de 39 anos da Mocidade Unida da Mooca.

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Antes do samba, o enredo

A Mocidade Unida da Mooca anunciou o enredo sobre os Cardeais do samba paulistano pelas redes sociais. E, antes de falar sobre a canção que embalará o desfile, é importante falar sobre a temática que norteará a apresentação. Renan Ribeiro destacou que tal história é pensada há algum tempo pela escola.

“Esse enredo estava na gaveta, ele já estava no nosso radar. É um enredo que eu tinha pesquisado no ano do Krenak: quando a gente começou a conversar naquele período, a gente falou que esse enredo era grande demais para o Grupo de Acesso – não que o Krenak não fosse também, era gigantesco. Mas essa homenagem merecia o palco principal do Carnaval – e deixamos na gaveta. Para 2026 a gente voltou a falar sobre ele. E aí, para 2027, eu e o Rafael estávamos indo para o Rio de Janeiro no domingo de Carnaval. E, dentro do carro, na estrada, ele perguntou se eu tinha alguma ideia de enredo e eu relembrei dos Cardeais. Começamos a amadurecer a ideia e foi isso. Ele já tinha esse desejo de fazer um Carnaval sobre Carnaval. A Mooca vinha nos últimos anos, desde a passagem do Caio Araújo, com enredos de discursos muito fortes, com questões políticas e raciais muito fortes – mesmo quando saiu dessa característica mais africana que a escola sempre carregou. Nesse ano, a gente vem com discurso forte, mas leve ao mesmo tempo: ele é tratado de uma outra forma, de um jeito mais folião, mais carnavalesco. Tem todo um discurso intrínseco nas entrelinhas do tema, mas é um carnaval mais nostálgico, mais para aquela galera que sente falta – principalmente do Carnaval dos anos 1990, dos anos 1980 de São Paulo. O samba buscou esse caminho. E, a partir do samba, a gente começou a construir um samba que potencializou essa atmosfera. Todo mundo que escutou esse samba falou que ele tem essa cara de samba mais antigo. E, aí, a gente começou a construir, a partir dessa atmosfera que o samba propõe, essa estética, essa ambientalização plástica, para poder levar o público para isso. Uma das coisas que em 2026 aconteceu é que a Mooca desfilou muito solta, dançando muito, pulando muito – o que remetia bastante a esse Carnaval mais antigo, da escola não estar tão militarizada, tão enfileirada e tal. Esse enredo, na verdade, propõe essa potencialização dessa característica que a gente fez no ano passado”, comentou.

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Vitor Gabriel, diretor de Carnaval da escola, relembrou sobre como a temática surgiu: “O presidente contou para a gente que foi uma ideia por meio de um vídeo que o próprio Gui Cruz fez algum tempo atrás falando sobre os Cardeais do Samba. Essa proposta foi levantada entre o presidente e o carnavalesco. E, quando chegou para a gente da direção de Carnaval, já foi uma coisa que chegou meio certa que era esse. Não teve nenhuma objeção de nenhum diretor ou de nenhum departamento. Foi uma coisa que bateu e foi unanimidade. Era um enredo extremamente necessário para o Carnaval de São Paulo e é um momento oportuno para a gente estar falando disso. O samba é resistência. A gente está indo para mais um ano de eleição, no qual tudo se divide e opiniões divergem. É um enredo que ele junta o povo do samba, o povo do Carnaval de São Paulo. Foi uma unanimidade: na hora que o presidente trouxe a ideia, não teve um voto contra”, destacou.

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Presidente da agremiação, Rafael Falanga foi sucinto ao falar sobre a temática: “É um enredo necessário, é um enredo incrível, é um enredo que vai orgulhar São Paulo. É um resgate, um farol, e que vai ser feito com muito carinho e cuidado. Nós estamos conversando com todas as famílias dos Cardeais individualmente e está todo mundo muito boa”, sintetizou.

Novatos e balizas

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O grupo de compositores que compõe o samba-enredo da Mocidade Unida da Mooca, embora seja tradicional na agremiação, sempre costuma ter algumas alterações pontuais. Dentro desse conjunto, dois desses novos nomes foram muito citados por quem já costuma estar à frente da composição. Vitor Gabriel, explicou: “Tanto o Rubens Gordinho quanto o Santaninha são uma referência da composição por sambas históricos na Nenê de Vila Matilde e outras coirmãs. Eu tenho samba de 2013 aqui na Mooca, se eu não me engano, no ano do gás. Depois, de 2017 para cá, eu participei de todas as composições – exceto o Krenak. E, a cada ano, sempre entra alguém novo na parceria e agrega algo. A gente teve uma época que era com os Gêmeos, o André Ricardo, o Dom Marcos participou de composição no ano do Xangô. E, dessa vez, o Rubens Gordinho e o Santaninha. Foi uma experiência única. O Rubens Gordinho tem um pensamento muito rápido, foi uma experiência que eu vou guardar para o resto da minha vida. Hoje eu falo para você que eu sou um cara extremamente realizado na minha vida como compositor. Já tive samba campeão do Carnaval de São Paulo, já tive sambas premiados, e, agora, consegui compor com as pessoas que foram meus ídolos. Eu sou um cara realizado como compositor – e, dessa vez, graças à Mooca”, alegrou-se.

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Fotos: Will Ferreira/CARNAVALESCO

O presidente endossou: “O Santaninha é um ícone, é um deus da composição de samba-enredo, é um cara que deveria estar todo ano compondo sambas. Ele ficou um tempo fora das disputas, e ele é um outro grande resgate – é um mestre da caneta. Rubens Gordinho idem, é outro monstro. Foi um privilégio poder sentar e compor samba com eles, uma coisa de ancestralidade”, disse Falanga.
Intérprete e compositor da agremiação, Gui Cruz foi pela mesma linha: “O caminho e o direcionamento foram dados, principalmente, pelo Rubens Gordinho e pelo Santaninha, que são espetaculares. Os caras me pareceram muito gratos: o Rubens se perguntou se a caneta deles não tinha mais tinta, querendo dizer o motivo pelo qual eles estavam esquecidos. Eles são os grandes ídolos de muita gente. Ouvindo o samba da Mooca, sem dúvida nenhuma, bate um saudosismo de melodias. Eu tenho um vídeo que eu vou postar nas minhas redes sociais, que o Mestre Dennys gravou: o Santaninha chegando na primeira reunião já com a melodia da segunda do samba. É uma coisa que tem essa raiz, esse lance. O Rubens Gordinho já trazendo uma letra com toda a história do samba de São Paulo, toda a história de Pirapora. Já tínhamos o refrão desde sempre: quando ele cantou, a gente já afirmou – e aí foi indo, foi construindo. O Renan participou também, nas primeiras reuniões. A gente vai co-construindo, vamos assim dizer. E deu certo, porque a história do samba de São Paulo vai ser contada”, afirmou.

Lucas Donato, outro dos compositores da obra, concordou: “O processo criativo foi um desafio muito grande nesse ano. Na minha vida, eu tive a oportunidade de compor com grandes compositores. Tive a oportunidade de compor com Arlindo, Lequinho, Fionda, Claudio Russo… essa rapaziada do Rio de Janeiro. Mas, para mim, compor com enredos vivos, que são o Santaninha e o Rubens Gordinho, que fazem parte desse processo do início do samba de São Paulo, é especial. Para mim, compor com eles, que viveram com e conheceram seo Nenê, seo Carlão, Madrinha Eunice, que conhecia os cardeais, para mim, foi gratificante. Foi mais uma emoção vivida na minha vida. Foi muito fácil, porque é uma verdadeira aula de como eles compõem. É um jeito diferente, porque, hoje em dia, com todas essas sinopses engessadas, acabam nos deixando presos. Eles não: eles são sambistas e a alma do enredo”, exaltou.

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Momento especial

Falanga relembrou um momento, em específico, que o marcou ao compor o samba-enredo: “Vou contar até uma curiosidade: nós tínhamos uma trava no processo da composição: quando chegamos no refrão do meio, não encontrávamos a segunda melodia e nem a letra. A gente naquela discussão livre em umas dez pessoas na minha sala na Fábrica do Samba, e o Santaninha, sentado num canto da mesa, começou a assobiar. Ele assobiou a melodia da segunda inteira. Ele estava num outro mundo, ele estava num outro plano naquele momento, ele estava num outro lugar. O clima estava tão maluco, e nenhuma pessoa assobiaria ali qualquer coisa naquele momento. Era um momento de encontro, de festa, tinha comida, tinha bebida, tinha compositor, cavaco tocando… e o cara do outro lado da sala começou a assobiar a melodia como se ele estivesse cantando aquela parte do samba, uma coisa sublime. Falar do Santaninha e desse processo é emocionante porque nós vivemos algo único na presença desses mestres. O Rubens idem: é um cara que tem muitas referências e muita bagagem, é um cara de uma malandragem pura, de rua, de beira de campo. É um cara que tem uma essência, que contribui muito para a construção de samba-enredo – em especial num enredo como esse, que também é um enredo de luta, de samba, de raiz, de rua”, disse.

Como nos velhos tempos

O fato da Mocidade Unida da Mooca construir primeiro o samba-enredo para depois finalizar a temática a ser trabalhada no desfile foi exaltada por Lucas Donato: “Essa forma deixa a gente mais livre. Nesse caso, como o presidente Rafael Falanga faz samba com a gente, isso já ajuda muito – ele já põe para a gente tudo o que eles têm em mente no desfile, a ideia cronológica do que eles querem. O que eles não dão para a gente é um texto para deixar a gente preso. O Renan faz um texto-base – que, na maioria das vezes, não entra. Nesse ano ele fez dois, a gente escolheu um que estava mais sucinto. Para mim, dá mais liberdade para a gente produzir”, comemorou.

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O caráter construtivista da escola como um todo para a produção do desfile também foi elogiado pelo compositor: “O Renan é tão sambista quanto a gente, também. É é um cara que tem um gosto de samba muito bom. Isso já é bom, já facilita. Mas, também, não adianta ter um carnavalesco numa escola em que o presidente não deixa o cara com liberdade para dar opinião. Quem tem que escolher o samba é a escola – e, no caso da Mooca, como é uma encomenda, são muitas mãos. É reunião nossa, é compositor, presidente, carnavalesco, Diretores de Harmonia, amigos… é muita gente. Muitas pessoas da escola acabam nos ajudando”, afirmou.

De volta a São Paulo

Entre 2018 e 2023, Roosevelt Martins Gomes da Cunha, popularmente conhecido como Pixulé, marcou época na coirmã Barroca Zona Sul. Em 2027, ele retorna à maior cidade da América Latina – mas, agora, na Mocidade Unida da Mooca. Apresentado de maneira oficial no último sábado, o intérprete relembrou as diversas tentativas que Rafael Falanga teve para contratá-lo: “Foi engraçado que esse namoro comigo e com a Mooca já vinha de muitos anos. Desde 2023 ele entrou em contato comigo falando que me queria na MUM. Todo ano ele falava, até que deu mais. A gente furou a bolha: ele conseguiu me trazer para São Paulo, porque eu tenho uma exclusividade com o Tuiuti. Eu não posso cantar em lugar nenhum devido à exclusividade que eu tenho com o Tuiuti. Mas o Falanga, malandro, entrou em contato com o meu presidente, Renato Thor. Foi um papo de presidente com presidente, e o Renato Thor abriu essa brechinha e me deixou vir cantar no Carnaval de São Paulo”, brincou.

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O cantor destacou que a temática é um imenso aprendizado para ele: “Eu não conheço bem a raiz do samba de São Paulo, mas esse samba toca na essência, de quando o samba começou aqui. Toca nos nomes essenciais da raiz do samba de São Paulo, do Carnaval de São Paulo. Tocou na ferida de muita gente e vai trazer o Carnaval de outrora de volta. A MUM acertou no enredo e acertou no samba. Deu liga: o samba, o enredo e o Pixulé”, divertiu-se.

Obra elogiada

Desde 2018 na Mocidade Unida da Mooca, Gui Cruz elogiou a qualidade do samba-enredo de 2027 da escola: “É especial, é diferente e é uma responsabilidade maior ainda cantar um samba como esse. A gente fez a gravação, e o mestre Dennys é de uma sensibilidade absurda: é um músico fantástico, que eu sou fã demais e foi ele quem falou para resgatarmos essa essência mais nostálgica. A gente fez uma passagem só do samba com cacos. As outras passagens do samba nós fizemos sem cacos, limpa, melodiando o samba, contando a história. Vai ser um ano mais interpretativo para a gente resgatar os antigos carnavais. E, sem dúvida nenhuma, a força dessa comunidade cantando, que já é natural, vai fazer essa obra virar uma grande história”, exaltou.

Partes favoritas

Cada um dos ouvidos pela reportagem destacou um trecho do samba-enredo apresentado no último domingo à comunidade. Lucas Donato começou: “Minha parte favorita é o refrão de meio. É um refrão de meio com muita característica de samba dos anos 1980, 1990, 1970. A dada década o samba vai mudando de linhagem. É um samba muito marcante, é uma melodia muito marcante, que deu muito certo nas cinco escolas pioneiras, nos cinco pilares do Carnaval de São Paulo”, disse.
Falanga veio na sequência: “A minha parte favorita é a parte que fala dos Cardeais. Para mim, aquilo deveria ser um refrão do samba – e ele era, mas aí nós encontramos o refrão, ele era um refrão, e aí nós encontramos o refrão do ogã. Em especial, quando a gente traz eles do Orum, através da mãe Manaundê, que é a primeira mãe de santo de São Paulo, do terreiro de Santa Bárbara, da Brasilândia: ela traz os cardeais do Orum – e aí, nesse trecho do samba, ela evoca a presença deles. Isso, para mim, é sublime, é muito lindo”, suspirou.

Vitor Gabriel citou o presidente para responder: “Eu estava aqui aguardando a minha vez de ser entrevistado e ouvi o presidente falando do trecho dos Cardeais – e é justamente o meu trecho preferido, também. A parte mais relevante no samba é quando a gente chama os Cardeais, então é algo emblemático. Mas, como o presidente já falou essa parte, eu vou falar uma outra: é a ideia do refrão de meio do samba. É uma construção meio de partido alto e com uma letra mais corridinha, coisa que é difícil de você ver hoje no Carnaval de São Paulo. É aquela coisa de partido alto, raiz, essência, malandragem. É um refrão do próprio Rubens Gordinho, é uma ideia original dele ali, e que é a segunda parte preferida – depois dos Cardeais”, comentou.

Gui Cruz também falou sobre a obra composta e cantada por ele: “As minhas partes favoritas são o refrão do meio e a segunda do samba. Eu sou muito saudosista e nostálgico. Aprendi a gostar de samba-enredo com esses caras: com Rubens Gordinho, Santaninha, Fabiano Sorriso, vendo esses caras disputar a samba na Nenê de Vila Matilde. Quando a gente canta refrão e a segunda do samba, é uma coisa que bate fundo. Da primeira, do refrão do meio para a segunda do samba é a minha parte predileta”, explicou.

Próximos passos

Responsável por consolidar a pesquisa que já tem o samba-enredo pronto, Renan detalhou como ser[a o trabalho daqui em diante: “Eu e o Departamento Criativo estamos, há algumas semanas, trabalhando na parte de pesquisa estética, fundamentando a parte de arquitetura. Uma boa parte do desfile se passa ali nos anos 1910, 1920, 1930, nos períodos dos cordões e dos corsos – mais dos cordões, do início do Carnaval. Depois, como a gente se adianta um pouco esteticamente até esse carnaval dos anos 1960 e 1970, de São João Tiradentes. O que eu vou propor esteticamente nessa divisão inteira, nessa divisão de apresentação da escola, é uma viagem no tempo: fazer com que pessoas que assistam o desfile possam conhecer estéticas de fantasia e de alegoria que já se perderam por questões de critério de julgamento, moda e por várias questões que se perderam no tempo. Quero algo sem a espetacularização do show do desfile da escola de samba, mas propondo mais a beleza que o Carnaval propõe com cara de escola de samba. Esses são os pontos em que eu alicerço o desenvolvimento dessa pesquisa para um desfile mais clássico. Para aqueles que assistiram os carnavais da inauguração do Anhembi, da avenida Tiradentes e na São João, é olhar e identificar características de escola de samba que eram comuns naquela época e se perderam no tempo – uma delas é o samba, o estilo do samba-enredo que vinha se propondo e a gente propôs hoje. A gente tinha aqui na quadra representantes da família da Madrinha Eunice e da família do seo Nenê e que falaram a mesma coisa. Esse samba leva a gente para uma viagem no tempo. É como se você matasse a saudade de um tipo de samba que a gente não vê há muito tempo, o que é excelente. A minha geração, entre trinta e quarenta anos, viveu e assistiu muita coisa pelo YouTube e a gente sente falta de algo que a gente nem viveu muitas vezes. O que eu proponho é a gente dar a oportunidade desses desfilantes que têm saudade desse Carnaval que nunca viveu, matar a ‘saudade’ desfilando agora”, finalizou.

Inocentes de Belford Roxo contrata intérprete Charles Silva para o Carnaval 2027

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O jovem cantor Charles Silva é o novo intérprete da Inocentes de Belford Roxo para o desfile no Sambódromo, em 2027. O contrato foi firmado na tarde desta sexta-feira pela presidência da agremiação, que elogiou a dedicação, o talento e a responsabilidade do jovem cantor, nascido na Baixada Fluminense.

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“Está sendo uma honra grandiosa a oportunidade de cantar na Inocentes, escola pela qual sempre tive carinho e acompanho há muito tempo. Sempre participei de concursos de samba-enredo na quadra; inclusive, cantei o samba campeão de 2014, sobre a cantora lírica Joaquina Lapinha, e tive a oportunidade de ser um dos compositores do último carnaval, que homenageia o frevo do Recife. Ser a voz da Caçulinha da Baixada é mais um desafio em minha vida. E, junto com essa comunidade guerreira, elevarei o nome da nossa escola ao lugar mais alto do pódio. Muito obrigado, Reginaldo Gomes, Rodrigo Gomes e toda a diretoria pela confiança. Prometo dar o meu sangue pela camisa tricolor. Vamos com tudo!”, disse o novo intérprete da Inocentes, Charles Silva.

O grito de guerra “O nosso tempo é agora” é a marca pessoal de Charles, que já teve passagem pelas seguintes agremiações: Camisa Verde e Branco (SP), Em Cima da Hora, Unidos da Ponte, Estácio de Sá, Império da Uva e Unidos de Lucas, entre outras. Também faz parte do carro de som do Acadêmicos do Salgueiro.

A apresentação oficial para a comunidade será em julho, na festa de aniversário da agremiação belforroxense.

Melhores do Carnaval SP 2026 serão celebrados domingo em grande festa no Tatuapé

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A quadra da Acadêmicos do Tatuapé será palco, neste domingo, de uma grande celebração do samba paulistano. A partir das 14h, o espaço recebe a festa de premiação do Estrela do Carnaval SP 2026 e do Prêmio Destaques do Ano, reunindo segmentos, comunidades e apaixonados pelo Carnaval em um evento que promete emoção, reconhecimento e muita música. A iniciativa é uma parceria entre o CARNAVALESCO, os Doentes da Sapucaí e o Instituto do Samba, reforçando o compromisso de valorizar os protagonistas da folia e manter viva a cultura carnavalesca. A entrada será solidária: 1kg de alimento não perecível, que será destinado a ações sociais.

A programação vai muito além da entrega dos troféus. O público presente poderá acompanhar apresentações especiais das escolas premiadas, levando para o palco toda a energia que marcou os desfiles do último carnaval. Será uma oportunidade única de reviver momentos marcantes da avenida, agora em clima de confraternização.

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Outro ponto alto da festa será a entrega do Prêmio Destaques do Ano, cujos vencedores só serão revelados ao longo do evento, aumentando a expectativa e a emoção da tarde. Além disso, a cerimônia contará com homenagens especiais ao presidente da Liga-SP, Renato Remondini (Tomate), em reconhecimento ao trabalho realizado no Carnaval 2026, e também a importantes personalidades do samba in memoriam, reverenciando legados que ajudaram a construir a história da festa.

A premiação do Estrela do Carnaval SP 2026 consagra os grandes nomes e segmentos que se destacaram nos desfiles, refletindo o olhar especializado e apaixonado pelo universo das escolas de samba.

Vencedores – Estrela do Carnaval SP 2026

Grupo Especial SP
Desfile do Ano: Mocidade Alegre
Samba-Enredo: Camisa Verde e Branco
Bateria: Império de Casa Verde
Casal de Mestre-Sala e Porta-Bandeira: Arthur Santos e Waleska Gomes (Estrela do Milênio)
Comissão de Frente: Império de Casa Verde
Intérprete: Celsinho Mody (Tatuapé)
Baianas: Mocidade Unida da Mooca
Alegorias: Mocidade Alegre
Fantasias: Gaviões da Fiel
Carnavalesco: Caio Araújo (Mocidade Alegre)

Grupo de Acesso 1 SP
Desfile do Ano: Pérola Negra
Samba-Enredo: Camisa 12
Bateria: Camisa 12
Casal de Mestre-Sala e Porta-Bandeira: Edgar Carobina e Graci Araújo (Nenê de Vila Matilde)
Comissão de Frente: Dom Bosco de Itaquera
Intérprete: Acadêmicos do Tucuruvi
Baianas: Dom Bosco de Itaquera
Conjunto de Alegorias: Mancha Verde
Conjunto de Fantasias: Mancha Verde
Carnavalesco: Pérola Negra

Grupo de Acesso 2 SP
Desfile do Ano: Morro da Casa Verde
Comissão de Frente: Imperador do Ipiranga ou Cidade Líder
Casal de Mestre-Sala e Porta-Bandeira: Gabriel Vullen e Joice Prado (Torcida Jovem)
Bateria: Morro da Casa Verde ou São Lucas
Samba-Enredo: Morro da Casa Verde

‘O Carnaval é a prova viva de que a união faz a força’, diz Gabriel David sobre expansão do Grupo Especial, reforma do Sambódromo e os planos da Liesa para 2027

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gabriel david
Foto: Eduardo Hollanda/Rio Carnaval

O sorteio já definiu a ordem. As escolas sabem quando vão desfilar em 2027, e as movimentações para o carnaval do próximo ano começam com toda a força. É nesse momento que Gabriel David, presidente da Liesa, em entrevista ao CARNAVALESCO, falou sobre políticas públicas, obras e acordos de um projeto que, se depender de sua gestão, vai mudar a cara do Grupo Especial antes do fim da década.

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15 escolas até 2030: sonho ou realidade?

A proposta de ampliar o Grupo Especial para 15 escolas ganhou força com o apoio da Prefeitura do Rio. Para Gabriel David, a ampliação é uma meta que exigirá união entre as escolas de samba e o poder público. “É super possível. Vai demandar muito trabalho e muita união entre todas as escolas de samba, entre o poder público e não só a prefeitura, mas todas as escalas do poder público”, afirmou.

O presidente da Liesa tem clareza de que o aumento precisa ser gradual e bem planejado para se tornar uma realidade positiva. “O Carnaval é a prova viva de que a união faz a força. A gente precisa seguir trabalhando para que esse sonho realmente se transforme numa realidade positivapara que esse aumento de escolas gere somente benefícios para o Carnaval e, principalmente, para quem vive de carnaval”, declarou.

Sambódromo que o sambista merece

Se a expansão do Grupo Especial é um projeto de médio prazo, a reforma do Sambódromo é uma urgência imediata. Gabriel David não esconde a expectativa: para ele, essa é “a melhor oportunidade que o carnaval tem, nesses mais de 40 anos de Sambódromo, de ter uma evolução muito significativa”.

A relação com o poder público municipal é descrita como colaborativa. “O prefeito Cavaliere e o ex-prefeito Eduardo Paes sempre trocamos ideias, estamos todos alinhados para a evolução do Sambódromo”, disse. E fez questão de deixar claro um ponto de virada: “Chegou a vez do sambista ser ouvido”.

O que isso significa na prática? Que as melhorias precisam ir além do visual. “Que essas melhorias possam impactar não só quem vai assistir à festa, mas principalmente quem faz a festa, o pessoal que se concentra, o pessoal que sai na dispersão. Em todos esses sentidos, a gente quer evoluir”, afirmou.

Para 2027, a palavra-chave é processo. David reconhece que são “vários pontos de melhoria, anos de revitalização daquele equipamento” e que a prefeitura está “tentando da melhor maneira possível fazer o máximo”.

Uma nova Cidade do Samba? Possível, mas não simples

Segundo o jornal O Globo, a derrubada do Elevado 31 de Março e a construção de dois mergulhões na região do Sambódromo, previstos no projeto “Praça XI Maravilha”, abrem caminho para uma nova cidade do samba para as escolas do Grupo Especial. Gabriel David confirmou que já conversou com a Prefeitura sobre a possibilidade, mas ponderou que é preciso entender como o Carnaval pode se posicionar nessa proposta.

“Não é fácil, mas possível é. Tem muita coisa para acontecer ainda no meio do caminho. É um complexo de obras muito grandioso”, disse.

Ensaios técnicos, manual de julgador e os detalhes que fazem a diferença

No campo operacional, duas questões entram na pauta para 2027: os ensaios técnicos e o manual do julgador. Sobre os ensaios, David indicou que a manutenção dos dois dias não é decisão dele, mas das escolas. “No ano passado era extremamente necessário para testar o som. Nesse próximo ano é mais uma questão do que as escolas vão entender ser o melhor”, explicou.

Quanto às mudanças no manual do julgador, a resposta é direta: por hora, nada. As discussões entram no calendário após os simpósios, seguindo o mesmo processo do ano anterior.

Ingressos: acessibilidade como compromisso

A venda de ingressos para o Carnaval 2027 seguirá um modelo escalonado, com abertura gradual ao longo do ano. A prioridade são as arquibancadas antes de liberar as frisas. “Estamos lutando para que haja mais vendas acessíveis ao público”, disse. O processo inclui checagens para coibir fraudes, um problema recorrente que faz com que ingressos voltem à venda em novas chamadas.

E a reeleição?

Questionado sobre uma possível reeleição à presidência da Liesa, Gabriel David afirmou que só vai pensar nessa questão após o Carnaval 2027. “Meu foco 100% agora é entregar o melhor Carnaval das nossas vidas no próximo ano”, finalizou.

Unidos da Tijuca festeja segunda-feira e projeta ‘grande carnaval’ na Sapucaí

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Foto: Eduardo Hollanda/ Rio Carnaval

A Unidos da Tijuca avaliou de forma positiva o sorteio da ordem dos desfiles do Grupo Especial do Rio para o Carnaval 2027. A escola será a segunda a desfilar na segunda-feira, posição que agradou à equipe responsável pelo desenvolvimento do projeto para a avenida. Carnavalesco da agremiação, Lucas Milato destacou que, apesar de não se apegar tanto à ordem, tinha o desejo de desfilar no dia e acredita em um caminho promissor para o próximo desfile.

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“Eu não costumo me atentar muito a isso, eu deixo a vida levar, mas gostei da segunda. Eu estava com esse desejo de desfilar segunda-feira, acho que vai dar tudo certo, está tudo caminhando para um grande carnaval. Eu prefiro Correios, mas nada que vá afetar o projeto”.

Diretor de carnaval da escola, André Gonçalves também celebrou o resultado do sorteio e reforçou a importância da segunda-feira para a construção de um desfile competitivo.

“Vou ser bem sincero: estou superfeliz! Estávamos nessa expectativa de segundo e terceiro lugar. A segunda-feira é muito boa para se trabalhar um desfile, para se trabalhar um espetáculo naquela avenida. Foi o que a gente esperou”.

Com satisfação pelo posicionamento e confiança no desenvolvimento do projeto, a Unidos da Tijuca aposta na segunda-feira como palco ideal para apresentar um desfile forte e competitivo no Carnaval 2027.