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Furiosa rouba a cena em ensaio de rua do Salgueiro para o Carnaval 2020

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O Salgueiro realizou na noite desta quinta-feira, seu ensaio de rua na Maxwell, via que divide os bairros de Vila Isabel e Andaraí, na Grande Tijuca, coração salgueirense. O tradicional treino reuniu a comunidade e muitos admiradores da escola no condomínio Tijolinho. A grande atração deste primeiro ensaio ficou por conta da bateria Furiosa. Sob o comando dos jovens Guilherme e Gustavo, os ritmistas deram um verdadeiro show e impressionaram o público com bossas e convenções de tirar o fôlego. Por uma questão particular, o intérprete Emerson Dias não pode comparecer.

Bateria

No jargão carnavalesco costuma-se chamar de sacode uma apresentação irretocável. E foi exatamente isso que a bateria Furiosa. Sob o comando de Guilherme e Gustavo foi possível notar o inconfundível ritmo e balanço de uma das melhores baterias do carnaval. O ponto de destaque ficou para o momento em que o samba atingia o ponto ‘bravo, a esperança entre sinais e trampolins’ onde uma bossa remetia claramente ao circo.

“Fizemos um trabalho de pesquisa em cima de arranjos e trilhas circenses e trouxemos para o universo da bateria. O carro de som comprou a nossa ideia, pois é preciso estar atento sempre com harmonia para ficar tudo certinho. O restante a gente deixa pra avenida, pois é segredo”, explicou o mestre Gustavo ao site CARNAVALESCO.

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“O carnaval está perto mas temos um período confortável para corrigir alguns aspectos. É muito diferente ensaiar na rua e na quadra. Aqui trouxemos mais da metade da bateria. A Maxwell é mais estreita que a Sapucaí e a bateria ficou muito long. Gostei do andamento e da afinação, mas precisamos limpar ainda algumas convenções. Começamos o andamento em 147, 148 BPM. É um bom começo”, avaliou Guilherme.

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Samba-Enredo

Com o DNA salgueirense, a obra da Academia do Samba propiciou um bom ensaio. A composição parece ter sido cunhada para a interpretação da dupla Quinho e Emerson Dias, dois intérpretes à imagem e semelhança da alegria. Quinho conduziu muito bem a obra, fazendo os componentes brincarem e cantarem todo o tempo, entrando pelas alas e cumprindo o verdadeiro papel de um puxador.

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Harmonia

Um bom desempenho para um primeiro ensaio na rua. A escola pode observar alguns aspectos para os próximos treinos. Algumas alas formadas por composições de alegorias ainda não tem o domínio da obra, o que causa um hiato de canto em alguns trechos da escola. Quando chegam as alas de comunidade já se nota um canto muito forte para quem escolheu o samba há cerca de 45 dias.

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Evolução

Assim como o observado na harmonia, por ser um primeiro ensaio na rua o desempenho foi pra lá de satisfatório. Considerada uma das mais impressionantes evoluções do Grupo Especial, o Salgueiro ainda pode atingir o seu melhor padrão. Ainda é possível notar muitas pessoas andando e brincando pouco, algo que certamente será lapidado nos próximos treinos até o desfile oficial.

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“Brincamos e nos divertimos, como era a proposta, sem deixar de pensar que era um ensaio. Faltam 11 treinos para chegarmos na avenida a todo vapor, realizando um belo espetáculo. No fim do mês vamos divulgar a programação de dezembro, mas a ideia é fazer sempre na Maxwell, sempre que for possível. O encerramento será na Conde de Bonfim como já se tornou tradição”, detalhou o diretor de carnaval Alexandre Couto.

Comissão de Frente

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O grupo sob o comando de Sérgio Lobato deu um show de acrobacias para o público presente na rua Maxwell. À frente da escola eles estavam caracterizados como palhaços e realizaram movimentos sincronizados, com direito a lançamento de corpos e muito entrosamento nos movimentos.

Mestre-Sala e Porta-Bandeira

Sidclei e Marcella esbanjaram as atuais categoria e simpatia. Em determinados pontos da rua treinaram apresentação para o jurado. Em alguns intervalos oferecia o pavilhão ao público que estava nas calçadas para apreciar o ensaio do Salgueiro.

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‘Samba Didático’: Mocidade quer mostrar que ‘essa nega tem poder’

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Por Diogo Sampaio

Menina magrela, negra e pobre. Nascida em Padre Miguel, sonhava ser cantora desde a tenra infância. Viu em um programa de calouros no rádio, apresentado pelo compositor Ary Barroso, a sua grande oportunidade. Trajando um vestido de sua mãe, repleto de alfinetes para conter a sobra de pano, e com marias-chiquinhas no cabelo, lá foi a menina.

Ao subir no palco, o susto. Risos e gargalhadas. Sem pudores, e espantando com a figura da jovem parada em sua frente, Ary zombou: “De que planeta você veio, minha filha?”. Mais gargalhadas. Sem se intimidar, a garota rebateu: “Do mesmo planeta que o senhor, Seu Ary. Do planeta fome”. Silêncio. No estúdio, agora só se ouviu uma voz. E que voz… Através dos versos da música “Lama”, de Paulo Marques e Aylce Chaves, a menina calou e encantou a todos. Para Ary Barroso, restou apenas sacramentar que ali nascia uma estrela.

“Elza Deusa Soares” é o enredo que a Mocidade Independente de Padre Miguel levará para a Marquês de Sapucaí, no carnaval de 2020. Desenvolvido pelo carnavalesco Jack Vasconcelos, e com samba assinado por Sandra de Sá, Igor Vianna, Dr. Márcio, Solano Santos, Renan Diniz, Jefferson Oliveira, Professor Laranjo e Telmo Augusto, a verde e branco da Vila Vintém pretende emocionar com um tributo a uma de suas filhas mais ilustres, além de mostrar, mais uma vez, que “essa nega tem poder”.

O site CARNAVALESCO, dando continuidade à série de reportagens intitulada “Samba Didático”, entrevistou o compositor Igor Vianna e o jornalista Fabio Fabato, autor da sinopse da escola, para saber mais sobre os significados e as representações por trás de alguns versos e expressões presentes na obra independente para o carnaval de 2020.

Confira abaixo a análise feita pelos entrevistados de alguns versos e trechos do samba:

‘Laroyê e Mojubá’

“Esse verso trata-se de uma saudação ao povo de rua, para abrir os caminhos para Elza passar”, contou o jornalista Fábio Fabato.

“Assim como Exú, Elza é a porta-voz dos oprimidos, dos moradores de ruas e daqueles com menos oportunidades. Então, fazemos nesse verso uma reverência ao orixá mensageiro, para que ele possa abrir os caminhos da Mocidade e de Elza Soares na Avenida”, explicou o compositor Igor Vianna.

‘Onde a Água Santa foi saliva’

“Água Santa é um dos bairros onde Elza Soares morou. Certa vez, quando parecia que seria atacada por uma vaca que pastava perto de sua casa, recebeu uma lambida do animal. E ela entendeu aquilo como unção, batismo”, expôs o jornalista e autor da sinopse Fábio Fabato.

Já o compositor Igor Vianna destacou outra possível interpretação ao verso: “Em uma época onde Elza passou fome e sede, a única água que se encontrava era a saliva, para que a seca não fosse total”.

‘Para a preta não chorar’

“É um complemento ao que é dito anteriormente. É a voz da Elza que amordaça a opressão e que embala o irmão para a preta não chorar. A preta que cuida da criança, mas que tem que trabalhar em vários lugares pra complementar na renda da casa, a preta que passa necessidade na rua com seu filho, tantas pretas que vivem por aí”, alegou Igor Vianna.

“Elza é tratada no enredo como uma entidade que distribui liberdade a todas as pessoas historicamente oprimidas no Brasil”, frisou Fabato.

‘Da Lama nasce o amor’

“Elza começou a sua carreira no programa de calouros de Ary Barroso, cantando a música ‘Lama’, de Paulo Marques e Aylce Chaves”, relembrou o jornalista.

“Foi a partir daí que ela começou a ficar conhecida e espalhar o amor a todos em suas mensagens”, complementou o compositor.

‘Quebrar as agulhas que vestem a dor’

“Quando subiu ao palco do programa de calouros de Ary Barroso, Elza era uma menina de cerca de 20 anos, que pesava menos de 40 quilos. Para segurar o vestido no qual caberia três Elzas, ela encheu a vestimenta de alfinetes”, relatou Fábio Fabato.

“Usamos essas agulhas como um marco, que vestiu a dor de quem passava fome e abriu um mundo novo de esperança”, pontuou Vianna.

‘Sou eu que te falo em nome daquela’

“Esse é um verso da música ‘Malandro’, de Jorge Aragão, consagrada na voz de Elza Soares”, contou Fabato.

“Nesse contexto, o componente canta para Elza dizendo que sou eu que te falo em nome daquela, da batida mais quente, o som da favela. Canta em nome da Mocidade”, argumentou Igor.

‘Se acaso você chegar’

“É uma citação ao primeiro álbum de Elza Soares, que se chamava ‘Se acaso você chegasse’”, revelou Igor Vianna.

“‘Se acaso você chegasse’ é também uma referência à música de Lupicínio Rodrigues, consagrada na voz de Elza Soares”, apontou Fabato.

‘Deusa da Vila Vintém’

“Iniciamos a finalização da segunda parte do samba imaginando ela chegando como uma Deusa dos oprimidos, a porta-voz das ruas, espalhando toda sua mensagem do bem, despertando o mundo para o que precisa ser mudado, e matando a saudade do povo de Padre Miguel, que a muito tempo esperava e pedia por essa homenagem a Elza Soares”, declarou Igor Vianna.

“Filha legítima de Padre Miguel e da Vila Vintém, Elza será louvada na avenida como a deusa brasileira que fez de sua arte um libelo”, garantiu Fabato.

Mocidade 2020

A Mocidade Independente de Padre Miguel será a quinta escola a desfilar pela Marquês de Sapucaí, na segunda-feira de carnaval. A verde e branco da Vila Vintém irá na busca de seu sétimo título com enredo “Elza Deusa Soares”, assinado pelo carnavalesco Jack Vasconcelos, estreante na agremiação.

Tuiuti recebe Grande Rio e São Clemente nesta sexta-feira

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A quadra do Paraíso do Tuiuti recebe nesta sexta-feira o evento “Encontro no Paraíso” com atrações convidadas. Desta vez, a agremiação de São Cristóvão contará com shows completos da Grande Rio e São Clemente. A festa começa a partir das 21h.

No evento, haverá ainda apresentação de todos os principais segmentos do Tuiuti, como casais de mestre-sala e porta-bandeira, bateria, baianas, passistas, Velha Guarda, entre outros.

Em 2020, o Paraíso do Tuiuti será a quarta escola a desfilar no domingo de Carnaval. Mesma posição de desfile que garantiu o vice-campeonato para a agremiação em 2018. O enredo da agremiação é “O Santo e o Rei: Encantarias de Sebastião”, do carnavalesco João Vitor Araújo.

A quadra do Tuiuti fica no Campo de São Cristóvão, 33, no bairro de São Cristóvão.

Serviço:
Encontro no Paraíso com São Clemente e Grande Rio
Data: sexta-feira, 22 de novembro
Horário: a partir das 21h
Endereço: Campo de São Cristóvão, nº 33, em São Cristóvão – RJ
Ingresso: R$ 20
Mais informações: (21) 96643-2613
Classificação etária: 18 anos

Unidos da Tijuca transforma passista em musa para o Carnaval 2020

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A Unidos da Tijuca promoveu Vivian Plemont ao time de musas da azul e amarela do Borel. Nascida e criada na Tijuca, a loira que desfila desde 2009 na ala de passistas Encantos do Pavão foi convidada pelo presidente Fernando Horta para brilhar em posição de destaque no Carnaval 2020.

O primeiro passo da trajetória de Vivian no mundo do carnaval aconteceu por acaso. Em 2008 ela seu gingado acabou chamando a atenção dos diretores da ala de passistas. O convite para fazer um teste e integrar a escola foi prontamente aceito. Alguns meses depois, ela passou a fazer parte do grupo artístico da Unidos da Tijuca que faz espetáculos de samba pelo Brasil afora. Em 2016, passou a ser destaque de carro alegórico, mas não resistiu e voltou para a ala de passistas. A grande oportunidade só surgiu neste ano, para se tornar musa da sua escola do coração.

“Meu objetivo sempre foi somar com a escola. Unir o útil ao agradável. O amor pelo samba e por essa bandeira. E hoje me sinto mais do que realizada, me sinto em êxtase. Acho que a ficha ainda não caiu”.

De passista à musa da comunidade

Vivian garante ter deixado muito de seu suor para conquistar a colocação. “Foi independente da minha condição financeira. Chegar a ser musa é um sonho, mas é um sonho muito longe, porque infelizmente para ser musa geralmente você tem que ter condições financeiras”, explica ela, referindo-se aos altos investimentos nas fantasias e tratamentos estéticos. “Me sinto muito honrada. É um sonho realizado”, conta Vivian que é advogada.

A nova musa será apresentada oficialmente no novo posto no próximo sábado, quando a agremiação retoma seus ensaios comerciais, a partir das 20 horas em sua quadra localizada na Avenida Francisco Bicalho n° 47 – Leopoldina.

A Unidos da Tijuca desfilará na segunda-feira de carnaval, dia 24 de fevereiro, na Marquês de Sapucaí pelo Grupo Especial do carnaval carioca com o enredo “Onde Moram Os Sonhos” assinado pelo trio de carnavalescos Paulo Barros, Marcus Paulo e Hélcio Paim.

Domingo é dia de ensaio de rua da Beija-Flor em Nilópolis

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Neste domingo, dia 24 de novembro, a partir das 18h, a Deusa da Passarela realiza o seu primeiro grande ensaio de rua. Todos os componentes participam do treino que acontecerá na Avenida Mirandela de esquina com a rua João Evangelista de Carvalho, Centro de Nilópolis.

A agremiação levará para Avenida o enredo ”Se essa rua fosse minha’, desenvolvido pelos carnavalescos Alexandre Louzada e Cid Carvalho. Através da obra a escola contará o caminhar da humanidade através de rotas, caminhos, estradas, ruas reais e lúdicas, até chegarmos à rua de todos os sambistas, a Marquês de Sapucaí.

A Beija-Flor será a sexta e última agremiação a entrar na Avenida na segunda-feira de folia.

Serviço:
Ensaio de Rua da Beija-Flor de Nilópolis
Data: Dia 24 de novembro, domingo
Horário: A partir das 18h
Entrada Gratuita
Concentração na Avenida Mirandela esquina com João Evangelista de Carvalho, Nilópolis
Maiores Informações: (21) 3743-0340

Porto da Pedra oferece 120 vagas de emprego nesta sexta

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A Unidos do Porto da Pedra e a comunidade católica Gerando Vidas realizam nesta sexta-feira um balcão de empregos com 120 vagas, a partir das 11 horas, na quadra da escola de São Gonçalo.

O presidente da Unidos do Porto da Pedra, Fabio Montibelo explicou que o objetivo dessa ação será dar oportunidades as pessoas do município de São Gonçalo.

“Vai ser uma grande oportunidade para trabalhadores em busca de recolocação no mercado de trabalho. Não percam a chance de começar o ano de 2020 com um emprego.”, disse Fábio.

Os interessados devem levar cópias do RG, CPF e um currículo atualizado.

Sem alusivos, produtor explica mudanças no CD do Grupo Especial para o Carnaval 2020

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    Depois de passar por cada etapa em estúdio e abolir após 10 anos o formato ao vivo na Cidade do Samba, o produtor Mário Jorge Bruno falou ao CARNAVALESCO sobre os motivos da mudança no CD oficial das escolas de samba do Grupo Especial do Rio de Janeiro para o Carnaval 2020.

    “A decisão se deu por questões técnicas e humanas. Além do aspecto de orçamento. O mercado está muito difícil. Esse ano as Lojas Americanas não vão comprar o CD. É um novo momento, o disco físico vive seus últimos momentos. A Liesa vai mandar fabricar para presentear parceiros compradores de frisas e camarotes. A quantidade de venda a cada ano cai e a gravadora ficou um pouco enforcada. Economicamente o projeto ficou mais viável”, disse.

    Outra novidade relevante no álbum de 2020 é a exclusão dos alusivos nas faixas. Haverá uma rápida introdução e já entrará no grito de guerra do intérprete. Diferente do que foi divulgado, a primeira passada não será sem peso de bateria. Neste caso cada escola e mestre definiu por sua própria faixa, como explica Mário Jorge.

    “Optamos esse ano por não ter alusivos nas obras. Tem gente que gosta, é interessante no aspecto musical, mas as rádios não tocam por considerarem excessivamente longos. Vamos fazer uma pequena introdução para o grito de guerra dos cantores. Entrar com a bateria já na subida é uma decisão de cada mestre. Alguns optaram por uma passada mais ‘pagodinho’ e outros já quiseram o peso de ritmo logo de cara”, explicou.

    Segundo Mário Jorge, o CD deve chegar às lojas e plataformas digitais no final do mês de novembro.

    “O CD deve sair no fim de novembro. O lançamento vai acontecer próximo ao dia nacional do samba”, destacou.

    Morre a mãe do intérprete Tinga e Vila Isabel cancela ensaio

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    vila grava samba2020 13A Unidos de Vila Isabel informa que o ensaio previsto para acontecer a noite desta quinta-feira, 21 de novembro, está cancelado. O motivo é o falecimento de Arlete Cabral, mãe do intérprete Tinga. A agremiação declara estar em luto e presta as mais sinceras condolências aos familiares e amigos.

    Poder para o povo preto! Site CARNAVALESCO enaltece a arte e o protagonismo do negro no carnaval

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      O carnaval é uma festa que expõe a diversidade cultural do povo brasileiro para todo mundo. É muito bonito ouvir que fazemos o maior espetáculo da terra, ver nossos passistas sambando, sentir o rufar da bateria e deixar o coração disparar com o grito de guerra dos intérpretes. No Dia da Consciência Negra optamos por uma matéria repleta de simbolismos. Vamos mostrar que embora o preconceito velado ou revelado exista nas entranhas do Brasil nós sempre vamos combater e mostrar em nossas coberturas que o negro é sempre o protagonista e a figura fundamental para o sucesso do nosso carnaval.

      Para ilustrar a nossa matéria ouvimos o carnavalesco Wagner Gonçalves. Ele já foi campeão da Série A com a Inocentes de Belford Roxo (2012) e terceiro lugar com a Estação Primeira de Mangueira (2011). Aos 41 anos, Wagner é um dos principais artistas pensantes do carnaval do Rio de Janeiro. Para o Carnaval 2020, ele não acertou com nenhuma agremiação, mas segue trabalhando e levando sua arte para o mundo inteiro, inclusive, realizando um desfile de escola de samba nos Estados Unidos. Seus enredos sempre geram reflexão e apresentam figuras importantes para cultura brasileira, como Mercedes Baptista, Nelson Cavaquinho, e Joaquina Lapinha.

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      “É fato que as questões de racismo institucional existem. Sempre procurei me posicionar dentro da minha profissão. Quem julga por cor da pele não me conhece. Já fui vítima em 2012 quando a Inocentes foi campeã e a afiliada da TV Globo, de Campo Grande, veio fazer a cobertura e disse que queria falar com o carnavalesco Wagner Gonçalves. Eu estava de costas e quando virei a repórter não conseguiu controlar e externou uma expressão de decepção. Juntou preconceito pela minha idade na época e a minha cor. Naquele mesmo momento tentei reverter, dei uma entrevista sólida, concreta e respeitando o que foi construído esteticamente. Ela ficou um pouco sem graça, admitiu nas entrelinhas, mas a minha estratégia é a qualidade. O negro tem que fazer duas ou três mais porque será subjulgado. Eu sempre saio na frente, desconstruindo e coloco meu trabalho acima de tudo. O pré-julgamento ganha solidez e desconstrói isso. Se uma escola conversar com cinco carnavalescos e quatro forem brancos e um negro a possibilidade do escolhido ser branco é real, afinal, porque temos poucos negros desenvolvendo e acreditando que é possível. Entendo que o meu papel é servir de exemplo e preciso fazer cada vez mais para influenciar as pessoas”, disse Wagner Gonçalves.

      Perguntado sobre negros de destaque no mundo das artes, Wagner Gonçalves diz que é nesse ponto que o preconceito estruturado ganha espaço.

      “Temos o Heitor dos Prazeres, Abdias do Nascimento, mas as pessoas quase não tem conhecimento dessas figuras. É o preconceito estruturado e aí o racismo estrutural pega de forma cruel e latente. São artistas que desenvolvem ou desenvolveram trabalhos e não possuem a importância que merecem. É a violência simbólica. Temos poucos expoentes e com pouco espaço na mídia. Isso tem que ser combatido”.

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      Wagner Gonçalves revela que desde pequeno soube que teria que estudar mais e aproveitou oportunidades que surgiram em sua vida.

      “Não sou vítima, porque desde cedo sabia que queria trabalhar com arte e que o universo era muito cruel. Tive sorte, apesar de ser criança de origem pobre, mas pude estar envolvido com pessoas do alto escalão e ter acesso. Sempre tive a dimensão do quanto era cruel, difícil, e quanto eu precisava me qualificar. Fui buscar conhecimento. Eu não tinha acesso a cultura e isso pesou desde muito cedo”.

      O carnavalesco diz que o racismo e o preconceito são mesquinhos e que o opressor deve ter mais vergonha do que o oprimido.

      “No tempo de hoje querer diminuir uma pessoa pela cor da pele é mesquinho e de mentalidade atrasada. É muito lamentável por quem pratica esses atos. Fico com mais vergonha do opressor do que do oprimido. O Daniel Alves quando jogaram a banana para ele, teve sabedoria e maturidade para agir. Já passei por situações de preconceito e tenho pena de quem age dessa forma. É importante denunciar para não ser normal”, afirma Wagner.

      Wagner Gonçalves finaliza falando do Dia da Consciência Negra. “É uma data importante, porque o negro chegou aqui como escravo e sofreu vários tipos de retardo na história. Orgulhosamente, tudo no Brasil é negro, incluindo, cultura, música e culinária. Porém, o Brasil nega em alguns aspectos. O dia é importante porque traz a conscientização e sinto que tem autoestima do negro com mais força no ar”.

      Reta final das inscrições para o concurso da Corte Real do Carnaval Rio 2020

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        Últimos dias de inscrição para o concurso que irá eleger a Corte Real do Carnaval Rio 2020. Os candidatos têm até sexta-feira, 22 de novembro, para participar conforme regulamento publicado no último dia 21 de outubro, no Diário Oficial do Município do Rio. As inscrições podem ser feitas na sede da Riotur (Cidade das Artes – Av. das Américas, 5.300 / 3º andar – Barra da Tijuca), de segunda a sexta, das 10h às 17h, para realizar a inscrição gratuitamente. O regulamento completo e a ficha de inscrição poderão ser obtidos também por e-mail: [email protected].

        Os candidatos a Rei Momo precisam residir no Município do Rio de Janeiro; ter entre 18 e 60 anos; não ser servidor municipal, estadual ou federal e ter concluído o ensino fundamental. Desembaraço, sociabilidade, facilidade de expressão, simpatia, espírito carnavalesco e domínio da arte de sambar serão os quesitos avaliados. Já as candidatas a Rainha e Princesas devem ter de 18 a 45 anos, e atender às mesmas regras supracitadas. Beleza do rosto, harmonia de linhas físicas, sociabilidade, facilidade de expressão, simpatia e espírito carnavalesco, além de domínio da arte de sambar são os requisitos a serem cumpridos. Em ambos os casos, está vedada a participação dos vencedores da edição 2019 do concurso.

        No ato da inscrição, os candidatos precisam apresentar cópias autenticadas, ou acompanhadas dos originais, da carteira de identidade, CPF, comprovante de residência (próprio, pai, mãe ou contrato de aluguel), certificado ou declaração de escolaridade, uma fotografia de corpo inteiro, número de inscrição no INSS/PIS ou PASEP, declaração de próprio punho que reside no Município do Rio de Janeiro e de que não é servidor público municipal, nem ocupa cargo na estrutura do Município do Rio de Janeiro, além de um atestado de aptidão física com data recente ao Concurso, confirmando as ótimas condições de saúde do candidato.

        O candidato campeão ganhará o Título de “Rei Momo 1º e Único do Carnaval 2020”, uma coroa, uma faixa, um cetro e a quantia de R$ 30.000 (trinta mil reais). O segundo colocado leva R$ 3.500 (três mil e quinhentos reais) e uma faixa de vice-rei do carnaval 2019. A eleita “Rainha do Carnaval 2020” ganhará uma coroa, uma faixa e a quantia de R$ 30.000 (trinta mil reais). A segunda colocada leva o título de 1ª Princesa do Carnaval 2020, uma tiara, uma faixa e a quantia de R$ 22.500 (vinte e dois mil e quinhentos reais). A terceira colocada torna-se a 2ª Princesa do Carnaval 2020, conquistando também uma tiara, uma faixa e a mesma quantia de R$ 22.500 (vinte e dois mil e quinhentos reais).