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Dream Factory abre dia 9 de dezembro inscrições de vendedores autônomos para o Carnaval de Rua 2020 do Rio de Janeiro

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A Dream Factory, empresa ganhadora do Caderno de Encargos da Riotur para operacionalizar a infraestrutura do Carnaval de Rua 2020 do Rio de Janeiro, abre no dia 9 de dezembro as inscrições para os vendedores autônomos autorizados trabalharem nos blocos de rua oficiais, autorizados pela Riotur. Os interessados devem ser brasileiros, maiores de 18 anos, possuir RG e CPF, além de comprovante de residência no município do Rio de Janeiro em seu nome. As inscrições serão realizadas exclusivamente via internet, entre os dias 09 de dezembro de 2019 e 09 de janeiro de 2020, através do site carnavalderua2020.com.br. O sorteio eletrônico acontece no dia 10 de janeiro de 2020 e os 10 mil contemplados serão convocados por meio de SMS e e-mail.

Apenas as pessoas que forem sorteadas deverão agendar através do site de inscrição e comparecer no local (a ser divulgado) para a comprovação documental dos requisitos exigidos pelo regulamento, além da retirada do kit (Colete, Isopor e Credencial).

A etapa presencial será realizada em um único dia, ou seja, não será necessário que cada pessoa vá duas vezes até o local indicado para finalizar o cadastro.

SERVIÇO

Inscrições de vendedores autônomos para o Carnaval de Rua 2020

Período das Inscrições: De 09/12/19 até 09/01/20

Data do sorteio: 10/01/2020

Inscrição exclusivamente pelo site: www.carnavalderua2020.com.br

O candidato sorteado deverá atender aos seguintes requisitos:

– Ser brasileiro;

– Maior de 18 anos;

– Possuir célula de identidade e CPF;

– Possuir comprovante de residência (luz, gás, água ou telefone) no município do Rio de Janeiro em seu nome.

Estudo do enredo: Inocentes de Belford Roxo 2020

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Marta nordestina, mata o preconceito e mostra seu talento: o dom de jogar e vencer no futebol

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Nome do enredo: Marta do Brasil – Chorar no começo para sorrir no fim
Nome do carnavalesco:  Jorge Caribé

O Grêmio Recreativo Escola de Samba Inocentes de Belford Roxo traz para o carnaval de 2020 um enredo em homenagem a atleta Marta Vieira da Silva, a Marta. Em sua proposta a agremiação da baixada fluminense abordará mais uma de nossas notáveis nordestinas. Não posso deixar de mensurar que esta narrativa fala de lutas. Muitas.

A primeira luta é de resistir na infância sofrida. Vinda de Dois Riachos cidade do interior do Alagoas, fronteira com Pernambuco, pobre e sofredora como a maior parte do nosso povo. Dona Teresa, a mãe, viu através de toda àquela poeira do chão de barro do sertão sua menina jogar bola como ninguém, ali já nascia a primeira quebra de paradigma dessa mulher, uma menina jogando bola entre meninos no fim dos anos 1980.

A segunda luta é contra o preconceito de gênero. A menina Marta nos leva a reflexão sobre o machismo existente dentro do futebol, um esporte que desde sua origem, possui um espaço sobressaído masculino. Onde as ordens embutidas em valores machistas ultrapassam não somente o lado esportivo, mas também o sociocultural.

O cenário que a homenageada ainda criança encontra ao desbravar uma área totalmente dominada por homens, mostra o quanto o esporte torna tácitas questões que muitas vezes estão no subconsciente dos brasileiros onde a mulher é visualizada como frágil, delicada, submissa, fraca, fútil dentre tantos adjetivos que irão permear a vida das mulheres que ousam lançar-se em universos genuinamente masculinos.

Marta chega à adolescência apaixonada pelo CSA (Centro Sportivo Alagoano), clube de coração e de sua juventude, lá ela inicia sua carreira, mas o baixíssimo investimento e interesse dos líderes futebolísticos brasileiros a levam até a Suécia país que a acolhe como filha, a valoriza, naturaliza e apresenta ao mundo.

O preconceito e falta de compreensão de que o futebol é para todos, leva uma filha deste chão “trocar” sua nação por outra que reconhece e valoriza o futebol feminino. A jovem Marta nos traz a reflexão da nação inóspita que o Brasil é para mulheres que se atrevem, e ainda apresenta uma ditadura de padronização não explicitamente declarada sobre o ser homem e o ser mulher.

Tal padronização nos apresenta outro paradigma de luta da homenageada que é ter sua orientação sexual diretamente vinculada pelas pessoas como fator relevante de seu sucesso ou fracasso profissional.

Marta a rainha do futebol, de batom, a jogadora que faz questão de mostrar que o feminino pode estar no gramado, de cabeça erguida, levando nas suas costas uma nação apaixonada em vê-la jogar, seis prêmios de melhor jogadora do mundo sendo cinco consecutivos, (marca jamais alcançada por um homem), e uma população inteira de mulheres que lutam dia-a-dia. Uma verdadeira estrela do futebol.

Marta escancara a porta para as meninas do Brasil e do mundo entrarem e se apoderarem do querer ser e fazer, não só no futebol, mas em todos os campos da vida. A sua luta contra o preconceito à mulher, por direitos iguais, salários iguais, valorização do futebol feminino e das mulheres foram sintetizadas em sua frase após a eliminação da seleção na copa do mundo de 2019:

“Não vai ter uma Formiga para sempre, uma Marta, uma Cristiane. Pensem nisso, valorizem mais. Chorem no começo para sorrir no fim” (Entrevista da jogadora para a Rede Globo – 23/06/2019).

Mais uma vez, nossa estrela nos leva a reflexão de que a luta das mulheres não pode parar e por mais que hoje possa estar doído e talvez não pareça haver uma saída, que as meninas não desistam, chorem no começo para sorrir no fim. Essa frase sintetiza muito o momento que o carnaval está passando, especialmente as escolas da série A. Assim como a homenageada Marta, superou tantos obstáculos até a sua consagração, que o carnaval e a Inocentes possam superar todos os obstáculos deste ano vindouro.

Inocentes de Belford Roxo, parabéns por homenagear em vida um símbolo feminista que é motivo de grande orgulho para todos os brasileiros. Força, garra, persistência e união. Chorem no começo para sorrir no fim! Sorte e bom carnaval!

Autor: Lucas Miranda
Administração/UFF
Membro efetivo do OBCAR/UFRJ
Leitor orientador: Tiago Freitas
Doutorando em História da Arte/UERJ e Doutorando em Linguística/UFRJ
Instagram: @observatoriodecarnaval_ufrj

‘Rei da ralé’. Cerimônia de casamento de Marquinhos Art’Samba emociona sambistas

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Foto: reprodução da internet

Como diz um antológico samba da verde e rosa, o intérprete da Mangueira, Marquinhos Art’Samba se casou nesta quarta-feira como um autêntico ‘rei da ralé’. Ao invés da tradicional pompa de matrimônios de figuras conhecidas, o cantor da velha Manga optou por uma cerimônia afro ao oficializar sua união com a passista da Unidos da Tijuca, Cinthya Pereira.

O evento aconteceu na paróquia Paróquia Nossa Senhora das Graças na cidade de Mesquita, Baixada Fluminense. Como não poderia deixar de ser, diversas personalidades do mundo do samba marcaram presença e prestigiaram esse importante momento da vida de Marquinhos. Assim como os noivos, os convidados também adotaram figurinos com alguma temática africana.

Antes da festa houve uma cerimônia candomblecista. Após as obrigações religiosas é claro que todos caíram no samba ao som da inconfundível bateria Tem Que Respeitar Meu Tamborim.

Thiago Monteiro diz que projeto do Carnaval 2020 é de resgate: ‘Grande Rio dos anos 90 era uma escola raiz’

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O diretor de carnaval Thiago Monteiro atendeu a imprensa na quadra e falou das dificuldades previstas para o desfile de 2020 no aspecto financeiro. Ainda sem previsão de subvenção, o dirigente revela que a escola readequou seu projeto no início e usou o termo ‘responsabilidade fiscal’ para designar o carnaval do ano que vem.

“O desafio é muito grande. Se no ano passado o cobertor era curto, esse ano nem cobertor existe. O segredo é não contar com nada que não está previsto. É um projeto muito responsável. Lá atrás fizemos adequações orçamentárias para fazer um desfile competitivo, com responsabilidade fiscal”.

Em entrevista concedida ao site CARNAVALESCO, Thiago ressalta que a principal proposta da Grande Rio é resgatar aquela escola dos anos 90, que apostava em temáticas com densidade cultural.

“A Grande Rio dos anos 90 era uma escola raiz, que cantou em samba que dava um banho de cultura. Identificamos que resgatar isso era um anseio da comunidade e de todo o mundo do carnaval. Nosso enredo foi muito bem aceito, nossa equipe só recebe elogios. Estamos trazendo de volta a Grande Rio que sempre foi querida pelos seus antigos carnavais”.

Thiago Monteiro rasga elogios à dupla de carnavalescos Leonardo Bora e Gabriel Haddad. Segundo o dirigente, eles não são uma aposta, mas uma realidade e confessa que se não fosse na Grande Rio estariam em outra agremiação do Especial.

“Na minha visão eles são uma realidade já. Não coloco o Gabriel e o Léo na categoria de apostas. Eu os acompanho há muito tempo. Sempre olhei para eles. Se não viessem para a Grande Rio receberiam a oportunidade em outra escola do Especial”.

Embora o novo regulamento do Grupo Especial preveja uma redução no tamanho dos desfiles, a Grande Rio não pretende fazer cortes em seu projeto. Thiago explica que a agremiação vai desfilar com seis alegorias, mais um acoplamento e os três tripés previstos pelo regulamento.

“Nossa ideia é não fazer nenhum tipo de redução. Serão seis alegorias e três tripés. Tecnicamente a redução de cinco minutos com três paradas vai dar no mesmo. São 30, 40 metros de escola só a bateria. Mas também não dá para passar batido. É preciso ter muita responsabilidade com isso. O Fafá precisa apresentar o seu trabalho”.

Responsabilidade na escolha do samba

O diretor de carnaval revela que pretende fazer na Grande Rio ensaios setorizados de alas, além dos já tradicionais ensaios gerais. Thiago deixou claro que a escolha da escola cumpre parâmetros técnicos e que um samba-enredo não possui as mesmas características de outras obras musicais, uma vez que é uma composição que precisa atender a um julgamento. O dirigente ressalta a qualidade da safra que a escola recebeu.

“A gente esteve o tempo todo atento a tudo que poderia acontecer. A escolha foi feita com muita responsabilidade, através de várias mãos. Demos um grande passo hoje para o nosso carnaval. Tivemos a tranquilidade e o cuidado necessários .Nunca passou pela nossa mente a possibilidade de junção. A safra tinha muita qualidade. O samba campeão está atrelado ao enredo. A música de um desfile é diferente daquela que escolhemos para ouvir em casa. Nosso samba é bonito, atraente melodicamente e possui uma letra adequada ao nosso tema. Escolhemos um quesito”.

Presidente da Vila Maria comenta sobre carinho da comunidade e garante metade do carnaval pronto

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Com mais de cinco anos na presidência da Unidos de Vila Maria, Adilson José consolida cargo através dos resultados da agremiação e carinho da comunidade. Desde o descenso em 2013, a comunidade evolui a cada ano, fortalecendo imagem forte presente desde a fundação. O presidente Adilson conversou com o site CARNAVALESCO sobre processo do carnaval 2020, e afirma que tratamento da escola com os desfilantes influencia na força da comunidade.

“A Vila Maria é uma escola que tem uma base muito sólida, o pessoal tem definido o que eles querem. Hoje eles cantam com alegria porque querem defender o pavilhão, da mesma forma que a escola defende seus componentes. O resultado dessa troca traz pessoas apaixonadas”.

Um dos fatores que fortalece também o comprometimento da comunidade é o projeto social Vila Maria Um Caso de Amor, que disponibiliza aulas de jiu-jitsu, ballet, karatê, capoeira, futebol. Além disso, cursos profissionais também são encontrados, como; Cabeleireiro, fotografia, costura, maquiagem, teatro, cavaco, violão e profissionais disponíveis da área da saúde, como fisioterapeutas, psicólogos, dentistas, etc.

Adilson garante que ideologia da escola está presente em toda a história e revela paixão passada de pai para filho.

“A escola foi formada desse jeito, isso está presente desde a fundação. Mesmo quando subiu para o especial, a escola manteve essa ideia de retribuir para o povo todo carinho depositado, e temos o reflexo. Hoje temos até três gerações de uma mesma família presentes nos ensaios. Pra nós que fazemos parte do trabalho, temos essa certeza de que estamos fazendo as coisas certas”.

Para o carnaval de 2020, a Unidos de Vila Maria traz o enredo: “China: O sonho de um povo embala o samba e faz a vila sonhar”, desenvolvido pelo carnavalesco Cristiano Bara. Sobre o processo de finalização, o presidente garante que mais da metade do carnaval está pronto para ir pra avenida.

“O carnaval da Vila Maria é um carnaval grande, até pelo tema, não poderia ser diferente. A China é imensa, tem detalhes ricos, coisas bonitas. É um carnaval que já estamos trabalhando há seis meses direto, e mais de 60% do carnaval está pronto pra ir pra avenida”.

A Unidos de Vila Maria será a sexta escola de samba a desfilar na noite de sábado, dia 22.

Em casa, Preto Jóia elogia parceiro Arthur Franco e diz: ‘chão da Imperatriz vai emocionar’

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Anunciado de volta para Imperatriz Leopoldinense, Preto Jóia já trouxe de volta seus bordões levando a torcida a loucura. Os foliões na quadra repetem felizes o “Ih gente” , e o “Vamos chegando”. O intérprete conversou com o site CARNAVALESCO e falou da emoção de voltar a escola em que passou grandes momentos e se arriscou a dar sugestões para a volta da agremiação ao caminho dos grandes desfiles.

“O sentimento de voltar a Imperatriz é de muita alegria, muita felicidade. Coração transbordando. E agora é trabalhar para chegar na Marquês de Sapucaí com tudo certo, fazer um grande desfile e esperar o resultado melhor que é a vitória. Não tem segredo para ganhar, o segredo não existe, para uma escola fazer grande desfile existe uma comunidade, um chão e esse chão aqui está retornando e com certeza vocês já vão ver esse ano o chão da Imperatriz emocionando e para o carnaval de 2021, se Deus quiser, já vai ser no Especial”.

O companheiro de Preto Jóia, Arthur Franco demonstrou no palco entrosamento com ícone, e sem vaidade, apontou que Preto era o que estava faltando para completar o time de voz da Imperatriz

“O Preto Jóia é um ícone da escola, participou do auge da Imperatriz, é um cara querido, vai levantar muito a moral de nosso carro de som, vai somar, é um molho a mais que estava faltando para a nossa macarronada. Já tivemos a primeira reunião, agora a gente está se conhecendo, começando um trabalho e eu tenho certeza que vai dar tudo certo, até porque ele é profissional e eu também sou, nós vamos somar as experiências”.

Lolo quer bateria focada como no Especial

Com prêmios conquistados tanto no Especial como na série A, mestre Lolo falou à reportagem do CARNAVALESCO de como tem motivado a bateria e sobre a recepção à cantora Iza.

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“A bateria está ensaiando como se estivesse no grupo Especial. A bateria não perdeu o foco não. A gente quer retornar ao Grupo Especial o mais rápido possível. Então, a gente está ensaiando firme mesmo. Sobre a Iza, é legal ter uma rainha que é daqui da comunidade, que samba, que é reconhecida, a rapaziada está gostando. Para 2020, vamos com 230 componentes. A fantasia será leve. A gente caiu um pouco o andamento porque o samba é antigo para não perder muito a características do samba, mas só isso. E temos umas bossas mais simples do que eu estava usando porque o samba também não pede nada mirabolante”.

Tuiuti recebe Mocidade e Salgueiro nesta sexta-feira

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A quadra do Paraíso do Tuiuti recebe nesta sexta-feira o evento “Encontro no Paraíso” com atrações convidadas. Desta vez, a agremiação de São Cristóvão contará com shows completos da Mocidade Independente de Padre Miguel e do Salgueiro. A festa começa a partir das 21h.

No evento, haverá ainda apresentação de todos os principais segmentos do Tuiuti, como casais de mestre-sala e porta-bandeira, bateria, baianas, passistas, Velha Guarda, entre outros.

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Em 2020, o Paraíso do Tuiuti será a quarta escola a desfilar no domingo de Carnaval. Mesma posição de desfile que garantiu o vice-campeonato para a agremiação em 2018. O enredo da agremiação é “O Santo e o Rei: Encantarias de Sebastião”, do carnavalesco João Vitor Araújo.

A quadra do Tuiuti fica no Campo de São Cristóvão, 33, no bairro de São Cristóvão.

Serviço:
Encontro no Paraíso com Mocidade e Salgueiro
Data: sexta-feira, 06 de dezembro
Horário: a partir das 21h
Endereço: Campo de São Cristóvão, nº 33, em São Cristóvão – RJ
Ingresso: R$ 20
Mais informações: (21) 96643-2613
Classificação etária: 18 anos

Estudo do enredo: Santa Cruz 2020

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As estórias e cores do Cariri Cearense pelo olhar da Santa Cruz 2020

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Nome do enredo: Santa Cruz de Barbalha: Um Conto Popular no Cariri Cearense
Nome do carnavalesco: Cahê Rodrigues

Para o carnaval de 2020, a GRES Acadêmicos de Santa Cruz entoa o enredo “Santa Cruz de Barbalha: Um Conto Popular no Cariri Cearense”, assinado por Cahê Rodrigues e Claudio Vieira. A agremiação narra os feitos, personagens, estórias e a cultura da cidade cearense Barbalha, na qual se confunde com o ideário do nordeste brasileiro.

Inicialmente, o título da sinopse nos contextualiza dois pontos principais a serem tratados no enredo: a religiosidade, atestada na primeira parte da inscrição, “Santa Cruz de Barbalha”, em que se baralha à identidade, tanto da escola quanto da cidade; e o “conto popular no Cariri Cearense”, que valida o tipo de narrativa tratada, localizando-a, mas, ao mesmo tempo remete à maior festa popular , o carnaval.

O conto apresentado possui o aspecto formal e o narrador, pertencente às terras da região do Cariri, linguagem da variante local. Seu olhar, nos primeiros versos, reporta-nos às linhas de Gonçalves Dias, em “Canção do Exílio”:

“Meus olhos arranha o céu
Desse império que ajudei a construir
Mas o coração dói de saudade
Da minha Barbalha…
Lá no meu Cariri…”

A saudade retratada nesta ótica é de alguém pertencente àquela vida que ama este chão, sendo materializado e concretizado no samba enredo: “Saudade tenho do meu Cariri/ Minha terra onde nasci”.

E este padrão se repete em alguns instantes ao longo do texto: “Sabe quem já andou por lá/ Até o Rei do Baião passou por lá…/ Erguida pelo povo de lá/ E vai levar ocê pra lá!”. No entanto, o intuito do nosso narrador é exaltar e nos convidar para conhecer essa cidade, a partir da perspectiva de sua história, trajetória e atualidade.

A lida histórica é remontada a começar dos seus moradores nativos, os Cariris, que com a presença e catequese do homem branco, por meio das Entradas e da Igreja, formaram imaginário fantástico da localidade, tendo por entidades:

“Do papafigo, pai-da-mata,
Rasga-mortalha e
Assombração…”

Na narrativa há alusão à primeira moradora que batizou o lugar, que como uma “medalha”, forjada em metal para uma pessoa ilustre, esta ilustre desconhecida que ninguém sabia o nome, apenas conhecida por sua importância aos que chegavam. Principalmente, aos que viam de longe e suas vidas célebres a terra do interior conhecia como Lampião, Padre Cícero e o Príncipe Regente.

A religiosidade e a devoção a Santo Antônio, partes indispensáveis para compreender e viajar nesta narrativa. Padroeiro do lugar, este é requisitado para todas as dores e males, prosperando a fé do lugar. Sua festa transpõe a barreira da religião e cultura, quinze dias de diversão e crença!

“Você precisa ver
A festa do padroeiro
São duas semanas inteiras
De muita fé e brincadeira
Noite das Solteironas
Cantigas de roda
Dança de coco
Versos de feira
Romeiros e carpideiras
Aos pés do pau da bandeira
Erguida pelo povo de lá…”

As cores de Barbalha, descritas como as linhas do autor romano Vírgilio em “As Bucólicas”, em que os verdes pastos e o ambiente pastoril, quebram o imaginário que temos ao das cores áridas do sertão nordestino, na quais podem ser constatadas em versos como “Dos verde Canaviá” terra boa das águas medicinais…”. E se complementam pelas imagens das bandeirinhas das festas e do seu povo.

Em comparação ao samba enredo, este olhar torna-se do narrado, permitindo que a narrativa fique mais orgânica, e propõe aos espectadores uma experiência de ter o mesmo olhar e de estar caminhando junto com o narrador pelas ruas e campos de Barbalha.

Nas últimas estrofes, a cultura de forró, dos repentes e de suas festas mais próprias é associada ao carnaval carioca, fechando assim o conto popular de fé e alegria com um convite para conhecer Barbalha.

Apesar de ser uma narrativa construída de forma simples – e com muita qualidade – o aspecto formal é a chave para o efeito que se propõe causar e dá a partida para a viagem só de ida para Barbalha. A análise dos trechos e das palavras é algo fundamental para compreender a jornada e a fé da cidade de Barbalha, pois estas formam uma rede, um maravilhoso cordel com cores e sonhos.

Que façamos uma incrível viagem com a Santa Cruz de Barbalha.

Autora: Thais Montenegro
Letras/UFRJ
Membro efetivo do OBCAR/UFRJ
Leitor orientador: Mauro Cordeiro
Doutorando em Antropologia e Sociologia/UFRJ
Instagram: @observatoriodecarnaval_ufrj

Império da Tijuca terá musa médica em seu desfile

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749729BC CBC4 4A64 9BBB 55ECDBAD4655A Império da Tijuca terá o Carnaval 2020 recheado de musas. A verde e branca do Morro da Formiga anuncia mais uma beldade para o seu time do próximo carnaval: Cristiane Hikiji é médica anestesiologista especialista em anestesia oftalmológica e anestesia ambulatorial da USP de Ribeirão Preto, formada pela Universidade de Vassouras, parceira do carnaval da agremiação.

Sétima escola a se apresentar no segundo dia de desfiles da Série A com o enredo que abordará a Educação, a musa estará à frente da Ala 7 – “A Imprensa Régia”, representando Marília de Dirceu, primeiro livro confeccionado após a vinda da corte e a formação da Biblioteca Real no Brasil.

– Fui rainha do Carnaval na minha cidade natal, Adamantina (SP), depois fui estudar no Rio e nunca mais parei. Eu adoro o carnaval, espero o ano todo para este momento chegar. Já desfilei no carro abre- alas do Salgueiro e do Império Serrano e fui musa da Alegria da zona Sul. Estrear no Império da Tijuca é uma responsabilidade muito grande. Já estudei sobre o enredo e principalmente sobre a imprensa régia.  No preparo físico treino na academia, corro 4 km por dia, pratico pole dance e Krav Magá e danço tango e Bellydance – avisa a musa.

Buscando o título e acesso à elite do carnaval, a Império da Tijuca apresentará em 2020 o enredo “Quimeras de um eterno aprendiz” de desenvolvimento do carnavalesco Guilherme Estevão.

Sem medo de acreditar: carro de som da São Clemente levanta comunidade

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Por Guilherme Ayupp e Victor Amâncio

Depois de amargar injustamente a décima segunda posição no carnaval de 2019, a São Clemente mostrou em seu ensaio, nesta terça-feira, vontade de buscar uma posição melhor em 2020. Com um samba para cima, a bateria do mestre Caliquinho e o carro de som comandado por Bruno Ribas, Grazzi Brasil e Leozinho Nunes apresentou muito entrosamento e qualidade durante todo o tempo de ensaio. Abaixo, você confere a análise do site CARNAVALESCO.

Samba-Enredo

O samba, com um tom crítico, aparenta ser o grande trunfo do clementiano para 2020. A obra teve ótimo rendimento no ensaio de comunidade. Os intérpretes estão levando muito bem o samba, com um andamento primoroso. Apesar de serem três cantores oficiais não há qualquer conflito na hora de conduzir a obra. São diversas passagens de muita interação com os componentes, que se divertiam cantando a composição como indica o objetivo da composição.

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Harmonia

Desempenho satisfatório do canto, mas há alguns pontos a melhorar. Há ainda muitas pessoas necessitando ler a letra no celular ou prospecto. Com o carnaval ainda distante há tempo para todos se familiarizarem com a canção, porém há clara quebra de conjunto quando alguém para e lê o samba. De positivo o fato de o início do ensaio ser realizado só com o canto dos componentes para só depois entrar o peso da bateria. Dessa forma os integrantes ensaiam melhor. O samba explode nos refrões e em alguns momentos o canto cai, mas ainda assim, a escola teve um aproveitamento positivo durante o ensaio.

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“O mais importante nesse tipo de ensaio é compreender que não estamos ensaiando bateria e carro de som, mas a escola. Por isso peço os cantores para cantarem cerca de dez passadas sem o peso da bateria, numa levada mais lenta, para que o componente vá se acostumando com a obra, pois quando sobe a bateria ela engole o canto. Graças a Deus conto com a parceria dos ritmistas e de nossos três cantores”, afirmou o diretor Marquinho Harmonia.

Evolução

É preciso observar com atenção este quesito. Primeiro no aspecto do número de componentes. São poucas pessoas ensaiando, o que pode ser um complicador no dia do desfile, como já ocorreu em anos recentes na São Clemente, em 2018 por exemplo. Os integrantes ficam fixos em um local o que não facilita que brinquem e evoluam. O intérprete Bruno Ribas, inclusive, cobrou mais dança dos desfilantes, que depois ficaram de fato mais soltos. Ficou em evidência a animação com coreografias em alguns trechos do samba, principalmente durante os refrões.

Mestre-Sala e Porta-Bandeira

Fabrício e Giovanna fizeram uma evolução rápida na quadra, mas o suficiente para perceber alguns detalhes. Como, por exemplo, marcação de jurado. Durante uma passada do samba, entre um momento e outro da coreografia, olhavam para o alto, simulando a presença de jurados durante a apresentação. Destaque para o mestre-sala, Fabrício, que dançou muito bem durante o ensaio, sem tirar os olhos da sua porta-bandeira. Giovana, por sua vez, precisou acertar um problema com seu talabarte. O casal está bem entrosado e dançou com alegria, fazendo coreografia simples, mas muito bem executada.

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Bateria

Caliquinho vem mostrando a cada ano porque deixou de ser uma promessa para se tornar uma realidade. A bateria novamente parece ser um dos principais quesitos da São Clemente. A Fiel Bateria ensaiou com poucas bossas o que da a entender que deve optar por uma apresentação mais conservadora no desfile. Execução sem erros.

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“A nossa bateria vem ensaiando de 3 a 4 bossas e eu acho mais que suficiente para o nosso desfile. No momento que o samba fala da laranja teremos uma paradinha mais ousada no desfile, mas eu não posso revelar nada ainda, pois nem os ritmistas sabem como será. Nosso andamento ficará entre 144 e 145. Não adianta iniciar lá no alto e depois cair. Embora não sejamos obrigados a parar, vamos parar, claro se não tiver nenhum problema no desfile, mas se Deus quiser não vai ter”, explicou o mestre.