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União da Ilha apresenta sinopse do seu enredo dando a voz e vez para comunidade insulana

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União da Ilha apresenta o seu enredo, nascido no ventre da comunidade

INTRODUÇÃO

Um novo processo de criação

Ao desembarcar na Ilha, Laíla, diretor de carnaval, harmonia e evolução da União da Ilha do Governador, trouxe novas ideias. Acreditava que, em vez de uma sinopse com palavras grifadas, ou versos pré-fabricados, os compositores teriam maior liberdade para produzir se tomassem a própria experiência de vida como linha condutora de sua obra.

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Foi de uma troca de ideias com os integrantes da Comissão de Carnaval sobre o cotidiano das comunidades que nasceu o embrião do argumento. O resumo do encontro foi transformado num roteiro básico e transmitido aos compositores, com uma recomendação expressa: “Escrevam com o sentimento, ouçam a voz do coração” – esta prática, aliás, remonta aos grandes carnavais da União da Ilha.

Escolhido na quadra pela voz da comunidade, o samba-enredo passou a ser matriz para a criação de alegorias, fantasias e situações cênicas, que terão a favela como pano de fundo. Desde então, a experiência de diretores, componentes e torcedores em suas respectivas comunidades tornou-se matéria-prima para os arremates de um trabalho cada vez mais coletivo. Estas pessoas acabaram se acostumando a doar móveis, utensílios, roupas e acessórios descartados que, depois de um tratamento artístico, passaram a compor os mais diversos cenários desta opereta carioca.

JUSTIFICATIVA

A voz e a vez da Comunidade

Acostumada a falar a linguagem do povo, a União da Ilha do Governador dedicará o desfile no Carnaval de 2020 a uma reflexão sobre os principais problemas que afetam a sociedade, notadamente a camada mais pobre da população, instalada nas comunidades da periferia – e outras que estão se formando nos espaços públicos, sejam parques, praças e prédios abandonados ou invadidos.

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Não se trata de uma questão exclusiva do Rio de Janeiro, pois os problemas enfrentados pelas comunidades cariocas não são diferentes dos que também afetam as de São Paulo, Belo Horizonte, Salvador e de outras grandes cidades onde, teoricamente, parques industriais poderiam sinalizar como esperança de trabalho e sobrevivência para milhões de brasileiros.

Paralelamente a um desfile que se propõe a registrar um esquecimento cada vez maior dos compromissos assumidos pelo Estado (no mais amplo sentido da palavra) diante de obrigações básicas, a União da Ilha do Governador convida o público a fazer um passeio pelos becos, ruas e vielas dessas comunidades.

Apesar de as encruzilhadas concentrarem problemas comuns a toda a sociedade, é ali na comunidade que os reflexos são mais nítidos e impactantes.

Mesmo assim, essa brava gente aprendeu a superá-los de forma exemplar, através da solidariedade, da amizade, da força de vontade, determinação e de um contagiante mutirão de amor, capaz de superar os efeitos devastadores de um temporal; dos mais diferentes tipos de confrontos; e dos impactos causados pela impiedosa desigualdade social deflagrada por um sistema econômico.

Apesar de tantos pesares, essa gente, a nossa gente, a brava gente brasileira aprendeu a ser feliz. É capaz de transformar pequenos momentos de alegria em grandes eventos, que descem a ladeira, invadem a cidade e abraçam o mundo com a euforia de um intenso Carnaval.

Se a comunidade tanto fez pela União da Ilha do Governador, chegou o momento de a Escola retribuir, e fazer um pouco por ela.

Estamos juntos!

ENREDO

Nas encruzilhadas da Vida, entre becos, ruas e vielas; A sorte está lançada: Salve-se quem puder!

Para contar essa história, elegemos uma jovem mãe, negra, pobre, que pensa no futuro que poderá oferecer ao bebê que está sendo gerado em seu ventre. É uma brasileira como milhões de outras mulheres que vivem em situação semelhante. Ela acredita que a Escola de Samba também tem compromisso com a cidadania e que o Samba, com a sua magia, é capaz de operar verdadeiros milagres.

Torcemos para que este desfile desperte a nossa atenção para a necessidade de sermos mais amigos, solidários e que tenhamos mais respeito e amor aos nossos semelhantes. Sejam eles brasileiros ou não.

Ouçamos o que ela tem a dizer.

Nas encruzilhadas da vida

“Daqui de cima me encanto com as luzes da cidade. São pequenas contas que enfeitam ruas e avenidas, formando linhas retas e curvas, contornando um espaço que não é nosso.

Às vezes me pergunto: será que, lá de baixo, eles também se encantam com as luzes aqui do morro? Ou será que ainda não repararam nas coisas bonitas que também existem do lado de cá?

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Quando era pequena, meu pai costumava dizer que aqui em cima, nessa lua redonda que ilumina a todos nós, mora São Jorge, o nosso padroeiro. É ele quem nos protege das injustiças, da indiferença e que, com a sua lança, espeta o dragão do mal, para que os pequenos possam dormir sem medo e tenham paz para sonhar com o dia de amanhã.

Ai, Senhor, mas é esse tal dia de amanhã que me deixa angustiada!
Quando penso na criança que está em meu ventre, tento imaginar o que o destino reservou para ela.

Haverá uma escola para ensinar a ela a acreditar em si mesma e lutar para, um dia, ser alguém? Será que haverá um médico para cuidar dela no dia em que ficar doente? Será que conseguirá um bom lugar no mercado de trabalho? Será que poderá constituir uma família com dignidade?

Ou será que uma bala perdida vai atravessar o caminho dela?

Não, meu Senhor! São Jorge há de protegê-la e com a Sua bênção ela há de crescer sadia, inteligente, honesta e trabalhadora. Há de ser outra guerreira, como tantas que aqui nasceram e hoje, de alguma forma, são felizes – mas continuam lutando contra tantas desigualdades!

Senhor, protegei minha criança, e faça dela um instrumento para semear o Bem”.

Entre becos, ruas e vielas

“As dificuldades ensinam que a comunidade forma uma grande família. Vizinhos se ajudam, as tias aconselham, as crianças se entendem e todos acabam se dando as mãos porque os problemas geralmente são os mesmos, em todas os lares.

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Pode faltar arroz, feijão, leite, mas a amizade fala mais alto. Existe sempre um jeitinho de ajudar e ser ajudado. Um sorriso, uma palavra amiga, um olhar de ternura. Aqui em cima, as imposições da vida nos obrigam a ser solidários, seja num temporal ou no fogo cruzado. No fundo, somos todos irmãos.

Se a comunidade pensa duas vezes em descer até o comércio, este é mais rápido e vai à comunidade. É um entra-e-sai de ambulantes oferecendo as mais diferentes mercadorias: roupas, comestíveis, panelas, produtos de limpeza, artigos de higiene, óculos escuros, óleo de bronzear, protetor solar, capas de celulares, cigarros a varejo e CDs para todos os gostos. Substituíram os ambulantes de antigamente, que vendiam aves, carne de porco, cestarias e fogareiros a querosene. São cenas que se misturam na memória, misturando passado e presente, sem que a gente dê conta de
como o tempo voa.

Aqui, existem vizinhos que são do Santo, os que pregam as Sagradas Escrituras, os que louvam o Senhor sobre todas as coisas. Se falta de tudo um pouco, sobra fé. Graças a Deus!

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É interessante quando a gente vê, bem cedinho, com o céu ainda escuro, os primeiros trabalhadores descerem para o batente. Quase todos fazem o sinal da cruz. Fico me perguntando: por que será? Talvez precisem de proteção para garantirem o sustento da família; ou, então, careçam de proteção especial para retornarem, no final do dia. A gente nunca sabe o que pode acontecer.

É uma gente muito valente. Além das angústias que envolvem a comunidade, eles ainda enfrentam transportes lotados, horas de engarrafamento e quando chegam no trabalho se submetem a exigências que não são muito diferentes daquelas do tempo da escravidão. Sejam eles operários da construção civil, garis, diaristas, e empregadas domésticas, enfim. A distância entre o pão nosso de cada dia e o pão que o diabo amassou é muito curta. Mas o povo engole, digere e toca em frente. Segue o jogo!, como diz o outro.

Nosso povo é tão bom que deixa as injustiças de lado, os esquecimentos e as promessas não cumpridas, mas continua acreditando no Brasil do futuro: forte, independente, próspero e amigo de sua gente. Renova as esperanças, arregaça as mangas e continua se empenhando para ajudar o Gigante a seguir o seu caminho”.

A sorte está lançada

“Quando meus olhos tentam enxergar mais longe que os limites da cidade, fico triste. Penso em outros brasileiros espalhados por este país a fora. Assim como nós, eles também não têm motivos para acreditar em novas promessas.

De vez em quando, recebemos visitas de gente que se diz bem-intencionada, preocupada com os problemas da comunidade. Falam da necessidade de diversas obras: rede de esgoto sanitário, abastecimento de água, contenção de encostas, e por aí vai. Prometem até bondinho, para poupar as pernas de nossos velhos. Deixam cartazes de campanha e santinhos de lembrança, sempre sorridentes e otimistas. Mas, afinal, eles estão rindo de quê? Ou de quem? Será da gente?

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Basta conseguirem o seu objetivo para esquecer de tudo o que prometeram. E de todos que lhes abriram as portas. E o pior: deixam de cuidar até do que é essencial. Não temos mais hospitais, nem postos de saúde que nos atendam. Nossas escolas estão fechando, uma a uma. O desemprego aumenta. A violência cresce como uma bola de neve, arrastando a todos que estão em seu caminho.

Os problemas são tão graves que já não afetam apenas as camadas mais pobres da sociedade. Agora, corroem os calcanhares da classe média também. A tal pirâmide social está ruindo e os pedaços caem sobre nós.

(Sempre que o bebê chuta a minha barriga chego a pensar que, mesmo lá dentro, ele consegue captar os meus pensamentos. Parece uma forma de protestar. Tento me distrair com outra coisa, mas é difícil. Tadinho”.

Salve-se quem puder!

“Não é preciso ser muito inteligente para perceber que a maioria desses problemas que afetam os pobres, quase pobres e futuros pobres é provocado pela má divisão da economia. Quanto maiores a ganância e o egoísmo de uns, maiores serão também a miséria, a fome e o total abandono de outros. Isso é próprio do ser humano e a casta dos brasileiros também está se especializando nisso. Não tá nem aí…

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Essa gente privilegiada construiu um mundo particular para si. São milionários, moram em mansões, viajam para o mundo inteiro, são tratados por médicos renomados, enviam seus filhos para os melhores colégios e universidades, com a promessa de que, no futuro, serão eles que cuidarão do país. Fala sério, ô!

Enquanto isso, o outro prato da balança da justiça social mergulha no abismo. Não há meio termo entre Paraíso e Inferno. São dois pesos e duas medidas, destruindo todos os valores que aprendemos na escola.

“Criança, ama com fé e orgulho a terra em que nasceste!” – ainda me lembro do poema de Olavo Bilac, que a professora obrigava a gente a decorar, na ponta da língua.

“Criança, não verás nenhum país como este!” – e nós decorávamos tudo. Mais por respeito à professora do que pelas palavras de poeta.

Tempos em que os professores eram considerados os nossos segundos pais, tratados como verdadeiros mestres. Hoje, coitados… São humilhados de todas as formas, dentro e fora das salas de aula. Assim como os médicos do serviço público, que não recebem salários e são obrigados a tirar do próprio bolso para tentar salvar os pacientes, abandonados pelos corredores.

Os valores foram todos destruídos por quem deveria dar o exemplo. Perdemos a confiança, mas não a fé. Se não acreditarmos num futuro melhor, quem poderá?

No entanto, meu Senhor, como conseguirei ensinar esta criança a sonhar?”

O Dia da Comunidade

“O que nos leva a ser tão solidários e procurar sempre uma forma de festejar alguma coisa? São batizados, aniversários, noivados, casamentos e, de vez em quando, rola até um pagode no velório de alguém – é um tal de “gurufim”, como fiquei sabendo.

Se não existe um motivo oficial, procura-se outro. É a vitória no futebol, no samba, enfim, o importante é que a comunidade tenha a oportunidade de exercitar um convívio que é cada vez mais raro lá em baixo, naquele espaço que não nos pertence.

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Aqui, tudo é difícil, mas existe sempre uma solução. Se a praia é longe, inventou-se a laje, onde as meninas se bronzeiam com uma formosura digna de Ipanema. Se o clube é distante, o funk arma o batidão em qualquer viela, espalhando o som de suas caixas pelas redondezas. É música o dia inteiro… Assim como o cheirinho de churrasco, que invade portas e janelas, trazendo gente de todos os lados.

A comunidade se pertence e acaba virando uma irmandade. E é exatamente isso que eu preciso ensinar a esta criança que carrego aqui dentro: mesmo com todos os revezes que povoam o nosso cotidiano, carregamos uma obrigação – que, assim como o Samba, não se aprende no colégio:

“Amarás o próximo como a ti mesmo”

É por isso, Senhor, que viemos festejar: Na paz da criança, no amor da mulher, de gente humilde, que pede com fé.

Senhor, eu sou a Ilha!”

Rio de Janeiro, dezembro de 2019
Comissão de Carnaval:
Coordenador: Luiz Fernando Ribeiro do Carmo, Laíla
Carnavalescos: Fran Sérgio e Cahê Rodrigues
Membros: Larissa Pereira, Allan Barbosa, Anderson Neto e Felipe Costa

Intérprete Carlos Junior fala em ser referência e diz que pensa em trabalhar também no Rio de Janeiro

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Vídeos: arrancada, canto da comunidade e paradinha da bateria no ensaio de rua da Mocidade

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Tuiuti volta com ensaios de rua nesta segunda-feira

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O ano começou e o Paraíso do Tuiuti retoma nesta segunda-feira, a partir das 20h, os ensaios de rua. Os treinos têm concentração em frente ao Colégio Pedro II, em São Cristóvão, na Zona Norte do Rio, e reúnem todos os principais segmentos do Tuiuti, como comissão de frente, casais de mestre-sala e porta-bandeira, bateria, baianas, passistas, Velha Guarda, entre outros.

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Em 2020, o Paraíso do Tuiuti será a quarta escola a desfilar no domingo de Carnaval. Mesma posição de desfile que garantiu o vice-campeonato para a agremiação em 2018. O enredo da agremiação é “O Santo e o Rei: Encantarias de Sebastião”, do carnavalesco João Vitor Araújo.

Inscrições para alas de comunidade

A partir das 19h, os interessados em desfilar nas alas de comunidade do Tuiuti podem realizar a inscrição na quadra da agremiação (Campo de São Cristóvão, número 33). Os interessados devem levar documentos básicos, como RG, CPF, comprovante de residência e uma foto 3×4. A taxa da matrícula será de R$ 80 (com direito a camisa do enredo).

Serviço:
Ensaios de rua Paraíso do Tuiuti
Data: toda segunda-feira
Horário: a partir das 20h
Endereço: concentração em frente ao Colégio Pedro II, no Campo de São Cristóvão, em São Cristóvão – RJ

Carnaval 2020: Prefeitura abre inscrições para comércio ambulante na Sapucaí

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    A Coordenadoria de Controle Urbano (CCU) inicia, a partir desta segunda as inscrições para o sorteio público que autoriza o exercício de comércio ambulante na Sapucaí durante o Carnaval 2020. Estão disponíveis 100 pontos fixos localizados no entorno do Sambódromo, mas ao todo 300 CPF’s serão sorteados – 200 deles para eventual preenchimento do cadastro de reserva.

    As inscrições devem ser feitas pela internet, no site da Secretaria Municipal de Fazenda, das 11h desta segunda-feira (06/01) até as 15h de quarta-feira (08/01). As vagas são permitidas para maiores de 18 anos residentes no município do Rio de Janeiro. Será aceita apenas uma inscrição por pessoa física, e o titular pode incluir um único auxiliar no exercício da atividade.

    O sorteio das vagas será realizado de forma eletrônica na sexta-feira, dia 10/01, e nesta mesma data, a lista dos sorteados estará disponível no site da SMF. Os candidatos podem entrar com recurso no dia 15/01. Os contemplados no sorteio deverão comparecer à sede da Coordenadoria de Controle Urbano (Rua Hélio Beltrão, n° 50, Cidade Nova), portando original e cópia de identidade, CPF, comprovante de residência, comprovante de inscrição e uma foto colorida 5×7 do titular e se for o caso, de seu auxiliar.

    Os candidatos sorteados do número 1 a 100 serão recebidos no dia 21/01, às 10h. Os que ficaram entre os números 101 e 200 devem chegar ao local no dia 22/01, e os sorteados de 201 a 300 estão reservados para o dia 23/01, ambos no mesmo horário, às 10h. O não comparecimento dentro do horário previsto acarretará na eliminação do candidato.

    Após a entrega dos documentos, o candidato será convocado a participar de palestras educativas e receberá na ocasião a guia para pagamento da Taxa de Uso de Área Pública (TUAP) e demais documentos necessários. O pagamento da taxa deve ser comprovado nos dias 3 e 4/2, das 10h às 16h, na sede da Coordenadoria de Controle Urbano.

    Há 46 dias dos desfiles, Guto deixa o carro de som do Acadêmicos do Sossego

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    Os desfiles se aproximam, mas isso não impede que algumas agremiações permaneçam mudando suas equipes há quase 45 dias do carnaval. Na manhã desta segunda-feira, 06, o intérprete oficial do Acadêmicos do Sossego, Guto, anunciou que está deixando o carro de som da agremiação. A azul e branca contratou recentemente para formar dupla com Guto, o experiente Nego. Sem dar detalhes do motivo de sua saída, Guto agradeceu à escola e desejou sorte no próximo desfile.

    Guto Despedida

    Com um clamor de resistência, Portela critica Crivella e Bolsonaro

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    Por Victor Amancio

    Não tem Bispo e nem se curva a Capitão. Criticando de forma sutil e indireta o prefeito Marcelo Crivella e o presidente Jair Bolsonaro, o samba da Portela cresce cada vez mais e caiu nas graças do povo. A obra que chegou a ser chamado de toada durante a disputa hoje é dada como um das melhores da safra de 2020. O enredo que aborda o Rio de Janeiro, os índios Tupinambás que aqui viviam antes da chegada dos portugueses e retrata um paraíso onde a natureza era respeitada e a vida era de paz e tranquilidade. A Portela é a sétima escola a desfilar no domingo de carnaval e seu samba é um clamor de uma cidade que vive no caos da violência e na crise da saúde pública.

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    Marlon e Lucinha Nobre na festa do CD do Grupo Especial para o Carnaval 2020. Foto: Magaiver Fernandes

    O componentes da agremiação abraçaram o samba e cantam com mais força os trechos que seriam uma indireta para os governantes. Índio pede paz, mas é de guerra. É como se estivessem prontos para a guerra, e a comunidade azul e branca de Madureira mostra que vai para o combate e promete dar o sangue durante o desfile. Os componentes afirmam que a crítica, para eles, presente no samba dá mais força para escola, seria um grito de socorro de um povo sofrido que não aguenta mais os desmandos e os ataques feitos por políticos.

    “Eu vejo como um ponto positivo para o samba, na disputa mesmo fez o samba crescer, e a crítica é necessária, não só para Portela mas para todo o carnaval, que vem sendo minado por políticos como o Prefeito. Todas as escolas deveriam passar mensagens de resistência, seja no Grupo Especial, no Acesso ou na Intendente Magalhães”, afirma Mário Jorge, um dos componentes da escola.

    O membro da comissão de carnaval da escola, Junior Escafura, prefere se manter isento e afirma que o samba e o enredo não contém nenhum tipo de crítica. Ele diz que a pretensão da escola é contar a história dos índios que aqui viviam e o Guajupiá, o paraíso para os tupinambás.

    “A Portela não tem nada a ver com crítica, nem no enredo e nem no samba. Se pegar o samba, podemos ver que está bem claro que ‘nossa aldeia é sem partido ou facção’, a Portela não tem briga com nada. Nossa ideia não é essa, queremos contar a história do nosso enredo, do índio Tupinambá e tudo aquilo do Guajupiá, do paraíso que era o Rio de Janeiro, esse é o foco da escola. Não estamos envolvidos em polêmicas e críticas”.

    Discordando com a comunidade que acredita existir uma crítica no enredo, o membro da comissão diz que todos tem a liberdade e o direito de pensar como quiserem e que a Portela está preocupada em passar a mensagem do enredo e deixar feliz tanto quem estará assistindo quanto o componente.

    “É indiferente para nós, cada um pensa da maneira que tem que acha melhor, a Portela está preocupada em passar sua mensagem e fazer um grande carnaval e deixar o público e a comunidade felizes com o carnaval que será apresentado na avenida”.

    Cristal Guedes, ritmista da azul e branco, acredita que a escola e o carnaval se fortalecem com a crítica, ainda que sutil, e enfatiza a importância do carnaval defender a luta do seu povo.

    “O samba da Portela, para mim, ganha mais força, mesmo fazendo uma crítica menos direta, mais sutil, mas com certeza isso fortalece o samba e a escola. Eu acredito que as escolas devem continuar seguindo essa linha para se fortalecer o carnaval. Criticar e defender a nossa luta é muito importante”.

    De volta aos braços da comunidade: São Clemente ensaia com alegria e emoção aos pés do Santa Marta

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    Por Victor Amancio

    Focada em voltar as suas origens e fortalecer sua comunidade, a São Clemente realizou seu primeiro ensaio de rua para o Carnaval 2020 aos pés do Morro Santa Marta. O presidente Renatinho enfatizou que pretende levar o ensaio para a praça Corumbá nos próximos domingos para aproximar e reconquistar a comunidade clementiana. Rebatendo as críticas do público que coloca a São Clemente como rebaixada, o dirigente prometeu brigar pela volta ao sábado das campeãs com um desfile que irá consagrar a escola no Grupo Especial.

    “Ninguém tem bola de cristal, com o carnaval que minha escola vai levar para Sapucaí não vai ter nem como roubar de tão bonita que a escola estará. Quero um desfile muito mais que arrebatador, quero estar entre as seis campeãs, é um carnaval mais luxuoso até que o carnaval de 2015. Dizem que a São Clemente vai descer há 10 anos e seguimos aqui”, finalizou o presidente.

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    Comissão de frente

    A comissão de frente da escola no último carnaval levantou a Sapucaí com uma crítica direta a virada de mesa no carnaval de 2018. Em busca da nota máxima, o quesito da São Clemente, comandada pelo coreógrafo Júnior Scapin, apresentou no primeiro ensaio de rua na comunidade uma coreografia alegre e irreverente, demonstrando um trabalho bem feito. Os bailarinos apresentaram passos bem marcados e muito bem entrosados durante o treino.

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    “É muito bacana a comunidade ver a comissão dançando, como a São Clemente não tem o costume de fazer ensaio na rua e agora o presidente está com essa proposta de aproximar a escola da comunidade. Eu faço questão de trazer a comissão, mesmo não tendo tanto espaço para dançar, vamos ensaiar para a comunidade conhecer e ver o desenvolvimento. Hoje apresentamos as duas coreografias de deslocamento e a do jurado começamos ensaiar amanhã no carro”, explicou Scapin.

    Samba-Enredo

    O samba composto por Marcelo Adnet, André Carvalho, Pedro Machado, Gustavo Albuquerque, Camilo Jorge, Luiz Carlos França, Gabriel Machado e Raphael Candela pegou o clementiano e conquistou o coração do torcedor. O samba com tom crítico, para cima e irreverente, a marca da São Clemente, conquistou a comunidade e os segmentos da escola. O carro de som da escola conseguiu aumentar o nível da obra.

    “No início eu fiquei meio desconfiado se o samba realmente cresceria, mas o presidente acreditou e com sua visão que foi além hoje podemos ver que temos um grande samba e a nossa expectativa é muito grande. O samba é irreverente, é a cara da escola.”, falou Leozinho Nunes.

    Harmonia

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    O carro de som, neste primeiro ensaio de rua, não teve a presença dos intérpretes Bruno Ribas e Grazzi Brasil, coube a Leozinho Nunes a missão de comandar sozinho o carro de som da escola. O intérprete demonstrou total segurança e levou muito bem o ensaio, sem deixar o samba cair em nenhum momento. A São Clemente sofre com o baixo número de desfilantes da comunidade, e busca através da iniciativa de ensaiar em Botafogo sanar esse déficit. Os segmentos presentes cantaram o samba durante todo o ensaio com
    muita alegria e empolgação, conseguindo contagiar até o público que estava presente assistindo ao treino.

    Evolução

    Com pouco espaço por conta de alguns carros parados na rua a escola não pôde evoluir de forma ideal mas os segmentos evoluíram bem e dançaram com empolgação. Durantes os refrãos do samba, a comunidade, faz coreografias com muita animação. O diretor de harmonia, Marquinhos, enfatizou que nos próximos domingos a escola com a ajuda da comunidade vai tentar liberar a rua para melhor evolução dos quesitos e dos componentes.

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    “O ensaio foi bacana, pudemos reunir novamente a comunidade, surpreendeu, superou nossa expectativa e vamos continuar nos aproximando da comunidade. Depois da ida da quadra pra Presidente Vargas ficamos um pouco distantes da comunidade e com esse ensaio conseguimos reaproximar muita gente que estava distante da escola e vamos levar para avenida 14 a 16 alas da comunidade”, comentou Thiaguinho Almeida.

    Mestre-Sala e Porta-Bandeira

    O casal segue em busca da nota máxima para o quesito e demonstra cada vez mais entrosamento e alegria na dança. Fabrício e Giovana fizeram uma coreografia leve fazendo algumas referências ao samba. O mestre sala conduz muito bem a porta-bandeira que com sua experiência dança com maestria e leveza.

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    “É incrível e super importante voltar a ensaiar na comunidade, voltar para cá tem tudo a ver com o momento atual da escola que é de resgate ao seu perfil crítico e nada mais correto do que se aproximar da comunidade. Hoje por conta da dificuldade do deslocamento é um ensaio mais para curtir e testar um pouco do fôlego”, explicou Fabrício.

    Bateria

    Mestre Caliquinho apresentou uma bateria sem erros pronta para conquistar nota máxima no quesito, a Fiel Bateria faz poucas bossas, mas se confirma um dos principais quesitos da escola na busca pelo tão sonhado campeonato.

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    “Foi um ensaio muito empolgante ensaiar na minha comunidade, a bateria está bem ensaiada, bossas bem elaboradas de acordo com a melodia do samba. Os ritmistas estão de parabéns, ala praticamente completa, muitos desacreditavam desse ensaio e podemos ver que a comunidade se fez presente. Nós vamos continuar ensaiando aqui e o samba vai ficar cada vez mais na boca do povo”, encerrou Caliquinho.

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    Mocidade faz o ensaio tão esperado pelo componente: com leveza e entrosamento entre todos os setores

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    Por Eduardo Fonseca e Gabriella Souza

    A Mocidade Independente de Padre Miguel realizou no início da noite deste domingo, na Praça de Guilherme da Silveira, seu terceiro ensaio de rua rumo ao Carnaval 2020. Com 1h5 de duração, os grandes destaques foram a bateria Não existe mais quente de mestre Dudu e o carro de som comandado por Wander Pires. Sincronia foi o ponto forte. A escola conseguiu estar quase que interligada, com bateria, carro de som, casais e componentes sem correria e com leveza.

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    “Vamos rasgar esse chão de Padre Miguel”. A fala do diretor de carnaval, Marquinho Marino, foi o impulso certo para os componentes se animarem com a arrancada do samba. Com uma fala imponente, Marino ressaltou a organização conquistada pela verde e branco. Afirmou aos componentes que os carros e fantasias já estavam sendo encaminhados para a finalização e que a agremiação já estará pronta duas semanas antes do desfile, tranquilizando os componentes que já vem preocupados com tais quesitos, deixados à desejar nos últimos anos de desfiles da verde e branco.

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    “Hoje, eu estou amando isso aqui, muito animado com esse ensaio”, iniciou Wander com brilho nos olhos e potência na voz. O carro de som é forte e entrosado, sem perder nível de qualidade ao sustentar o samba. O canto das alas foi firme e contínuo, com muita animação e explosão no refrão. Na cabeça da escola o canto foi tão forte que era difícil ouvir o carro de som. As alas mais distantes do carro e da bateria conseguiram acompanhar com o samba na ponta da língua quase como uma capela. Porém, poucos componentes da escola que ainda trocam o “esquece” ao invés do “enfrenta” atualizado na nova letra, no trecho “Brasil enfrenta o mal que te consome”. Mas nada que prejudique o produto final de canto da escola, que mostrou vivacidade e dedicação com samba.

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    Evolução

    O quesito parece estar no caminho correto. Mesmo com as paradas técnicas (casal e bateria) não foi notada a escola parada demasiadamente. As alas fluíram corretamente. Mesmo no momento mais tenso de qualquer ensaio ou desfile, que é a entrada da bateria no recuo. A verde e branco executou o movimento com precisão. O primeiro ensaio de rua em 2020 mostrou o profissionalismo e segurança da direção da escola em apresentar o equilíbrio ideal entre o trabalho sério e a diversão. O componente pode curtir, dançar e evoluir na medida certa e correta sob os comandos de uma diretoria que soube segurar bem cada passo. Muitas alas levaram adereços como balões, pompons e fitas que criaram um visual bonito e alegre na movimentação, animando o público a acompanhar os componentes. O independente está leve e feliz com o enredo e demonstrou que não irá poupar festa para este ano em seu desfile, seja na rua ou na Avenida.

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    “O primeiro ensaio era para tirar a ferrugem. Acho que hoje tirou né? Eu sou extremamente crítico. E isso ajuda a melhorar. O ensaio de hoje ajudou a elevar um pouco mais o nível do trabalho da escola. A minha intenção é que o nível cresça aos poucos. Temos de chegar no ápice na hora certa. Na verdade, não acho que seja ponto a ser melhorado. Mas, aprimorados. Ajustar a sintonia fina. Andamento, balanço dos componentes na frente do jurados, por exemplo. Eu não posso ter a escola parada na frente do jurado. Escola parada, é escola balançando. Agora vamos partir para esse ajuste”, explicou o diretor de carnaval Marquinho Marino.

    Samba-Enredo

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    Um início apoteótico de ensaio com o lendário samba “Sonhar não custa nada”, a pedido do diretor de carnaval, era o prenúncio do que estava por vir. Wander Pires conduziu a obra com sua famosa técnica e maestria. A vontade do componente de poder finalmente cantar um samba com este enredo tão esperado estava nítida nos olhos e cantos de cada um, assim como dos dirigentes. O samba é um dos mais bem cotados para este ano e parece ter encaixado perfeitamente com a identidade da escola. A animação e os braços e vozes gritadas no refrão “Laroyê e Mojubá” mostraram para Elza, que seu povo, fielmente, esperou tanto para revê-la e que não decepcionará no entusiasmo e dedicação ao pisar na Avenida.

    “Acho esse clima da escola maravilhoso. É um samba que já caiu nas graças do povo. A diretoria foi muito sábia na escolha, porque era um samba que já estava na mídia e na boca de todos. E eu tenho certeza que esse samba irá fazer a Mocidade conquistar esse título junto com o enredo da nossa grandiosa Elza”, disse Wander Pires.

    Mestre-sala e Porta-bandeira

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    O casal recém formado mostrou muita segurança na dança. O que se viu foi uma evolução clara dos dois, com a coreografia bem executada, densa e encaixada perfeitamente com os versos do samba. A leveza da dança veio com muita beleza e sutileza no manejo com o pavilhão. Diogo e Bruna mostraram na ponta do pé que ensaio e comprometimento não irão faltar entre eles para a conquista da nota máxima do quesito. Finalmente, o casal vem conquistando a confiança e o apoio completo do torcedor independente.

    Bateria

    A bateria contou com uma sequência impressionante de bossas e paradinhas. Consistente, manteve seu nível até o final. Bem no começo do ensaio perdeu um pouco o andamento, que segundo o relato de alguns ritmistas, foi devido ao carro de som estar muito alto perto da bateria. Após a arrancada e o avanço, tudo voltou ao normal. Naipes organizados e bem divididos. Com a novidade do naipe de timbales introduzidos na bateria para o desfile desse ano, ausentes no ano passado. Destaque para os tamborins, naipe mais seguro e bem executado.

    A “Não Existe Mais Quente” parece ter gostado das coreografias no interior da bateria, o que vem dando certo e animado o público. No trecho “abre os caminhos para Elza passar” é formado um corredor para o desfile da rainha, Giovanna Angélica, hoje marcando presença e mostrando samba no pé e muito entrosamento com os ritmistas ao utilizar de uma coreografia sincronizada com as paradinhas. Alguns pontos de organização ainda precisam ser acertados pela bateria, mas a sensação foi que os ritmistas estavam finalmente se sentindo em casa, no andamento e desenhos ideais para a identidade da bateria.

    “Fiquei muito feliz com esse primeiro ensaio do ano. Primeiro de tudo é que esse samba me contagia, estou muito feliz por essa escolha, foi um ensaio magnífico. Executei bastante bossa hoje para poder reparar e acertar algo que falta nelas e nas paradinhas. Fiquei muito contente também com o andamento”, explicou mestre Dudu.

    Vila Isabel retoma ensaios de rua na busca por aperfeiçoar seus quesitos

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    A Unidos de Vila Isabel retomou neste domingo os seus tradicionais ensaios de rua, que a partir de agora acontecerão duas vezes na semana. O Boulevard 28 de Setembro esteve lotado e a presença da agora rainha da escola Sabrina Sato causou frisson. Antes do início do treino, ela foi coroada pelo presidente Fernando Fernandes e por Milton Cunha no meio da bateria. O intérprete Tinga avisou à comunidade que ninguém ficou satisfeito com o terceiro lugar de 2019 e que a agremiação vai em busca do título esse ano.

    Samba-Enredo

    De característica um pouco diferente dos últimos sambas recentes da Vila, a obra ainda precisa crescer para estar no ponto ideal para o desfile. Tinga, como sempre, tem emprestado todo o seu talento para que a comunidade cante e a bateria tenha um bom desempenho. Porém, ainda falta um pouco para atingir o nível ideal.

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    Harmonia

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    Apresentação irregular. Algumas alas cantaram bastante. Porém, outras ainda estão com certa insegurança. É preciso atenção dos harmonias na hora de cobrar o canto. Tem muita gente que não está cantando e não está sendo cobrada. No trecho final da escola, algumas alas ainda precisavam da letra do samba para acompanhar a obra.

    “Sempre é muito emocionante cantar na minha escola de coração. Estava bastante emocionado no começo do nosso ensaio. A comunidade está feliz, cantando forte e com alegria. É o retorno de nossa comunidade. Se Deus quiser iremos em busca de nosso sonho”, afirmou Tinga.

    Evolução 

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    A se destacar o elevado número de alas coreografadas, que a maioria deve estar nas alegorias. Em todos os setores da escola, pelo menos uma ala. A Vila, que tirou 40 pontos no quesito em 2019, apresentou bom nível no ensaio desta noite. Foram cerca de 90 minutos de ensaio no Boulevard 28 de Setembro.

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    Bateria

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    Mais um show da Swingueira de Noel. As bossas muito bem executadas, afinação no ponto ideal e um grande entrosamento entre os ritmistas, mestre Macaco Branco e o intérprete Tinga. Sabrina Sato e Dandara vieram à frente da bateria, enlouquecendo o público com muita simpatia e samba no pé.

    “Nós estamos com três vossas é uma nuance. Na cabeça fazemos um ritmo indígena. No meio fazemos um ritmo regional. No final sacarinas criando uma bossa que chamamos de ‘vapo’, que é homenagem ao Flamengo, uma conversa de todos os instrumentos. Estamos prontos para o desfile. Poderíamos ir para a avenida amanhã”, disse o mestre.

    Mestre-Sala e Porta-Bandeira

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    Raphael Rodrigues e Denadir Garcia aproveitam o ensaio técnico para sentir o calor do público no Boulevard 28 de Setembro. A principal via do bairro tem dimensões muito diferentes daquelas encontradas na Sapucaí e possui muitas ondulações. Por isso, eles realizam uma dança mais voltada para apresentação.

    “O ensaio da Vila tem muita energia, embora a rua não seja o ideal tecnicamente para o casal, por ser muito desnivelada. Mas energia igual esse ensaio aqui é difícil encontrar”, contou Denadir.

    “Eu como sambista, independente da escola que estou, sempre falei que o ensaio de rua da Vila é incomparável. Aqui tem chão, o morro do Macaco. É uma energia maravilhosa, ficamos muito à vontade, parece que estamos brincando e não ensaiando”, completou Raphael.