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Carnaval 2020: Prefeitura abre inscrições para comércio ambulante na Sapucaí

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    A Coordenadoria de Controle Urbano (CCU) inicia, a partir desta segunda as inscrições para o sorteio público que autoriza o exercício de comércio ambulante na Sapucaí durante o Carnaval 2020. Estão disponíveis 100 pontos fixos localizados no entorno do Sambódromo, mas ao todo 300 CPF’s serão sorteados – 200 deles para eventual preenchimento do cadastro de reserva.

    As inscrições devem ser feitas pela internet, no site da Secretaria Municipal de Fazenda, das 11h desta segunda-feira (06/01) até as 15h de quarta-feira (08/01). As vagas são permitidas para maiores de 18 anos residentes no município do Rio de Janeiro. Será aceita apenas uma inscrição por pessoa física, e o titular pode incluir um único auxiliar no exercício da atividade.

    O sorteio das vagas será realizado de forma eletrônica na sexta-feira, dia 10/01, e nesta mesma data, a lista dos sorteados estará disponível no site da SMF. Os candidatos podem entrar com recurso no dia 15/01. Os contemplados no sorteio deverão comparecer à sede da Coordenadoria de Controle Urbano (Rua Hélio Beltrão, n° 50, Cidade Nova), portando original e cópia de identidade, CPF, comprovante de residência, comprovante de inscrição e uma foto colorida 5×7 do titular e se for o caso, de seu auxiliar.

    Os candidatos sorteados do número 1 a 100 serão recebidos no dia 21/01, às 10h. Os que ficaram entre os números 101 e 200 devem chegar ao local no dia 22/01, e os sorteados de 201 a 300 estão reservados para o dia 23/01, ambos no mesmo horário, às 10h. O não comparecimento dentro do horário previsto acarretará na eliminação do candidato.

    Após a entrega dos documentos, o candidato será convocado a participar de palestras educativas e receberá na ocasião a guia para pagamento da Taxa de Uso de Área Pública (TUAP) e demais documentos necessários. O pagamento da taxa deve ser comprovado nos dias 3 e 4/2, das 10h às 16h, na sede da Coordenadoria de Controle Urbano.

    Há 46 dias dos desfiles, Guto deixa o carro de som do Acadêmicos do Sossego

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    Os desfiles se aproximam, mas isso não impede que algumas agremiações permaneçam mudando suas equipes há quase 45 dias do carnaval. Na manhã desta segunda-feira, 06, o intérprete oficial do Acadêmicos do Sossego, Guto, anunciou que está deixando o carro de som da agremiação. A azul e branca contratou recentemente para formar dupla com Guto, o experiente Nego. Sem dar detalhes do motivo de sua saída, Guto agradeceu à escola e desejou sorte no próximo desfile.

    Guto Despedida

    Com um clamor de resistência, Portela critica Crivella e Bolsonaro

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    Por Victor Amancio

    Não tem Bispo e nem se curva a Capitão. Criticando de forma sutil e indireta o prefeito Marcelo Crivella e o presidente Jair Bolsonaro, o samba da Portela cresce cada vez mais e caiu nas graças do povo. A obra que chegou a ser chamado de toada durante a disputa hoje é dada como um das melhores da safra de 2020. O enredo que aborda o Rio de Janeiro, os índios Tupinambás que aqui viviam antes da chegada dos portugueses e retrata um paraíso onde a natureza era respeitada e a vida era de paz e tranquilidade. A Portela é a sétima escola a desfilar no domingo de carnaval e seu samba é um clamor de uma cidade que vive no caos da violência e na crise da saúde pública.

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    Marlon e Lucinha Nobre na festa do CD do Grupo Especial para o Carnaval 2020. Foto: Magaiver Fernandes

    O componentes da agremiação abraçaram o samba e cantam com mais força os trechos que seriam uma indireta para os governantes. Índio pede paz, mas é de guerra. É como se estivessem prontos para a guerra, e a comunidade azul e branca de Madureira mostra que vai para o combate e promete dar o sangue durante o desfile. Os componentes afirmam que a crítica, para eles, presente no samba dá mais força para escola, seria um grito de socorro de um povo sofrido que não aguenta mais os desmandos e os ataques feitos por políticos.

    “Eu vejo como um ponto positivo para o samba, na disputa mesmo fez o samba crescer, e a crítica é necessária, não só para Portela mas para todo o carnaval, que vem sendo minado por políticos como o Prefeito. Todas as escolas deveriam passar mensagens de resistência, seja no Grupo Especial, no Acesso ou na Intendente Magalhães”, afirma Mário Jorge, um dos componentes da escola.

    O membro da comissão de carnaval da escola, Junior Escafura, prefere se manter isento e afirma que o samba e o enredo não contém nenhum tipo de crítica. Ele diz que a pretensão da escola é contar a história dos índios que aqui viviam e o Guajupiá, o paraíso para os tupinambás.

    “A Portela não tem nada a ver com crítica, nem no enredo e nem no samba. Se pegar o samba, podemos ver que está bem claro que ‘nossa aldeia é sem partido ou facção’, a Portela não tem briga com nada. Nossa ideia não é essa, queremos contar a história do nosso enredo, do índio Tupinambá e tudo aquilo do Guajupiá, do paraíso que era o Rio de Janeiro, esse é o foco da escola. Não estamos envolvidos em polêmicas e críticas”.

    Discordando com a comunidade que acredita existir uma crítica no enredo, o membro da comissão diz que todos tem a liberdade e o direito de pensar como quiserem e que a Portela está preocupada em passar a mensagem do enredo e deixar feliz tanto quem estará assistindo quanto o componente.

    “É indiferente para nós, cada um pensa da maneira que tem que acha melhor, a Portela está preocupada em passar sua mensagem e fazer um grande carnaval e deixar o público e a comunidade felizes com o carnaval que será apresentado na avenida”.

    Cristal Guedes, ritmista da azul e branco, acredita que a escola e o carnaval se fortalecem com a crítica, ainda que sutil, e enfatiza a importância do carnaval defender a luta do seu povo.

    “O samba da Portela, para mim, ganha mais força, mesmo fazendo uma crítica menos direta, mais sutil, mas com certeza isso fortalece o samba e a escola. Eu acredito que as escolas devem continuar seguindo essa linha para se fortalecer o carnaval. Criticar e defender a nossa luta é muito importante”.

    De volta aos braços da comunidade: São Clemente ensaia com alegria e emoção aos pés do Santa Marta

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    Por Victor Amancio

    Focada em voltar as suas origens e fortalecer sua comunidade, a São Clemente realizou seu primeiro ensaio de rua para o Carnaval 2020 aos pés do Morro Santa Marta. O presidente Renatinho enfatizou que pretende levar o ensaio para a praça Corumbá nos próximos domingos para aproximar e reconquistar a comunidade clementiana. Rebatendo as críticas do público que coloca a São Clemente como rebaixada, o dirigente prometeu brigar pela volta ao sábado das campeãs com um desfile que irá consagrar a escola no Grupo Especial.

    “Ninguém tem bola de cristal, com o carnaval que minha escola vai levar para Sapucaí não vai ter nem como roubar de tão bonita que a escola estará. Quero um desfile muito mais que arrebatador, quero estar entre as seis campeãs, é um carnaval mais luxuoso até que o carnaval de 2015. Dizem que a São Clemente vai descer há 10 anos e seguimos aqui”, finalizou o presidente.

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    Comissão de frente

    A comissão de frente da escola no último carnaval levantou a Sapucaí com uma crítica direta a virada de mesa no carnaval de 2018. Em busca da nota máxima, o quesito da São Clemente, comandada pelo coreógrafo Júnior Scapin, apresentou no primeiro ensaio de rua na comunidade uma coreografia alegre e irreverente, demonstrando um trabalho bem feito. Os bailarinos apresentaram passos bem marcados e muito bem entrosados durante o treino.

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    “É muito bacana a comunidade ver a comissão dançando, como a São Clemente não tem o costume de fazer ensaio na rua e agora o presidente está com essa proposta de aproximar a escola da comunidade. Eu faço questão de trazer a comissão, mesmo não tendo tanto espaço para dançar, vamos ensaiar para a comunidade conhecer e ver o desenvolvimento. Hoje apresentamos as duas coreografias de deslocamento e a do jurado começamos ensaiar amanhã no carro”, explicou Scapin.

    Samba-Enredo

    O samba composto por Marcelo Adnet, André Carvalho, Pedro Machado, Gustavo Albuquerque, Camilo Jorge, Luiz Carlos França, Gabriel Machado e Raphael Candela pegou o clementiano e conquistou o coração do torcedor. O samba com tom crítico, para cima e irreverente, a marca da São Clemente, conquistou a comunidade e os segmentos da escola. O carro de som da escola conseguiu aumentar o nível da obra.

    “No início eu fiquei meio desconfiado se o samba realmente cresceria, mas o presidente acreditou e com sua visão que foi além hoje podemos ver que temos um grande samba e a nossa expectativa é muito grande. O samba é irreverente, é a cara da escola.”, falou Leozinho Nunes.

    Harmonia

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    O carro de som, neste primeiro ensaio de rua, não teve a presença dos intérpretes Bruno Ribas e Grazzi Brasil, coube a Leozinho Nunes a missão de comandar sozinho o carro de som da escola. O intérprete demonstrou total segurança e levou muito bem o ensaio, sem deixar o samba cair em nenhum momento. A São Clemente sofre com o baixo número de desfilantes da comunidade, e busca através da iniciativa de ensaiar em Botafogo sanar esse déficit. Os segmentos presentes cantaram o samba durante todo o ensaio com
    muita alegria e empolgação, conseguindo contagiar até o público que estava presente assistindo ao treino.

    Evolução

    Com pouco espaço por conta de alguns carros parados na rua a escola não pôde evoluir de forma ideal mas os segmentos evoluíram bem e dançaram com empolgação. Durantes os refrãos do samba, a comunidade, faz coreografias com muita animação. O diretor de harmonia, Marquinhos, enfatizou que nos próximos domingos a escola com a ajuda da comunidade vai tentar liberar a rua para melhor evolução dos quesitos e dos componentes.

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    “O ensaio foi bacana, pudemos reunir novamente a comunidade, surpreendeu, superou nossa expectativa e vamos continuar nos aproximando da comunidade. Depois da ida da quadra pra Presidente Vargas ficamos um pouco distantes da comunidade e com esse ensaio conseguimos reaproximar muita gente que estava distante da escola e vamos levar para avenida 14 a 16 alas da comunidade”, comentou Thiaguinho Almeida.

    Mestre-Sala e Porta-Bandeira

    O casal segue em busca da nota máxima para o quesito e demonstra cada vez mais entrosamento e alegria na dança. Fabrício e Giovana fizeram uma coreografia leve fazendo algumas referências ao samba. O mestre sala conduz muito bem a porta-bandeira que com sua experiência dança com maestria e leveza.

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    “É incrível e super importante voltar a ensaiar na comunidade, voltar para cá tem tudo a ver com o momento atual da escola que é de resgate ao seu perfil crítico e nada mais correto do que se aproximar da comunidade. Hoje por conta da dificuldade do deslocamento é um ensaio mais para curtir e testar um pouco do fôlego”, explicou Fabrício.

    Bateria

    Mestre Caliquinho apresentou uma bateria sem erros pronta para conquistar nota máxima no quesito, a Fiel Bateria faz poucas bossas, mas se confirma um dos principais quesitos da escola na busca pelo tão sonhado campeonato.

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    “Foi um ensaio muito empolgante ensaiar na minha comunidade, a bateria está bem ensaiada, bossas bem elaboradas de acordo com a melodia do samba. Os ritmistas estão de parabéns, ala praticamente completa, muitos desacreditavam desse ensaio e podemos ver que a comunidade se fez presente. Nós vamos continuar ensaiando aqui e o samba vai ficar cada vez mais na boca do povo”, encerrou Caliquinho.

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    Mocidade faz o ensaio tão esperado pelo componente: com leveza e entrosamento entre todos os setores

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    Por Eduardo Fonseca e Gabriella Souza

    A Mocidade Independente de Padre Miguel realizou no início da noite deste domingo, na Praça de Guilherme da Silveira, seu terceiro ensaio de rua rumo ao Carnaval 2020. Com 1h5 de duração, os grandes destaques foram a bateria Não existe mais quente de mestre Dudu e o carro de som comandado por Wander Pires. Sincronia foi o ponto forte. A escola conseguiu estar quase que interligada, com bateria, carro de som, casais e componentes sem correria e com leveza.

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    “Vamos rasgar esse chão de Padre Miguel”. A fala do diretor de carnaval, Marquinho Marino, foi o impulso certo para os componentes se animarem com a arrancada do samba. Com uma fala imponente, Marino ressaltou a organização conquistada pela verde e branco. Afirmou aos componentes que os carros e fantasias já estavam sendo encaminhados para a finalização e que a agremiação já estará pronta duas semanas antes do desfile, tranquilizando os componentes que já vem preocupados com tais quesitos, deixados à desejar nos últimos anos de desfiles da verde e branco.

    Harmonia

    “Hoje, eu estou amando isso aqui, muito animado com esse ensaio”, iniciou Wander com brilho nos olhos e potência na voz. O carro de som é forte e entrosado, sem perder nível de qualidade ao sustentar o samba. O canto das alas foi firme e contínuo, com muita animação e explosão no refrão. Na cabeça da escola o canto foi tão forte que era difícil ouvir o carro de som. As alas mais distantes do carro e da bateria conseguiram acompanhar com o samba na ponta da língua quase como uma capela. Porém, poucos componentes da escola que ainda trocam o “esquece” ao invés do “enfrenta” atualizado na nova letra, no trecho “Brasil enfrenta o mal que te consome”. Mas nada que prejudique o produto final de canto da escola, que mostrou vivacidade e dedicação com samba.

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    Evolução

    O quesito parece estar no caminho correto. Mesmo com as paradas técnicas (casal e bateria) não foi notada a escola parada demasiadamente. As alas fluíram corretamente. Mesmo no momento mais tenso de qualquer ensaio ou desfile, que é a entrada da bateria no recuo. A verde e branco executou o movimento com precisão. O primeiro ensaio de rua em 2020 mostrou o profissionalismo e segurança da direção da escola em apresentar o equilíbrio ideal entre o trabalho sério e a diversão. O componente pode curtir, dançar e evoluir na medida certa e correta sob os comandos de uma diretoria que soube segurar bem cada passo. Muitas alas levaram adereços como balões, pompons e fitas que criaram um visual bonito e alegre na movimentação, animando o público a acompanhar os componentes. O independente está leve e feliz com o enredo e demonstrou que não irá poupar festa para este ano em seu desfile, seja na rua ou na Avenida.

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    “O primeiro ensaio era para tirar a ferrugem. Acho que hoje tirou né? Eu sou extremamente crítico. E isso ajuda a melhorar. O ensaio de hoje ajudou a elevar um pouco mais o nível do trabalho da escola. A minha intenção é que o nível cresça aos poucos. Temos de chegar no ápice na hora certa. Na verdade, não acho que seja ponto a ser melhorado. Mas, aprimorados. Ajustar a sintonia fina. Andamento, balanço dos componentes na frente do jurados, por exemplo. Eu não posso ter a escola parada na frente do jurado. Escola parada, é escola balançando. Agora vamos partir para esse ajuste”, explicou o diretor de carnaval Marquinho Marino.

    Samba-Enredo

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    Um início apoteótico de ensaio com o lendário samba “Sonhar não custa nada”, a pedido do diretor de carnaval, era o prenúncio do que estava por vir. Wander Pires conduziu a obra com sua famosa técnica e maestria. A vontade do componente de poder finalmente cantar um samba com este enredo tão esperado estava nítida nos olhos e cantos de cada um, assim como dos dirigentes. O samba é um dos mais bem cotados para este ano e parece ter encaixado perfeitamente com a identidade da escola. A animação e os braços e vozes gritadas no refrão “Laroyê e Mojubá” mostraram para Elza, que seu povo, fielmente, esperou tanto para revê-la e que não decepcionará no entusiasmo e dedicação ao pisar na Avenida.

    “Acho esse clima da escola maravilhoso. É um samba que já caiu nas graças do povo. A diretoria foi muito sábia na escolha, porque era um samba que já estava na mídia e na boca de todos. E eu tenho certeza que esse samba irá fazer a Mocidade conquistar esse título junto com o enredo da nossa grandiosa Elza”, disse Wander Pires.

    Mestre-sala e Porta-bandeira

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    O casal recém formado mostrou muita segurança na dança. O que se viu foi uma evolução clara dos dois, com a coreografia bem executada, densa e encaixada perfeitamente com os versos do samba. A leveza da dança veio com muita beleza e sutileza no manejo com o pavilhão. Diogo e Bruna mostraram na ponta do pé que ensaio e comprometimento não irão faltar entre eles para a conquista da nota máxima do quesito. Finalmente, o casal vem conquistando a confiança e o apoio completo do torcedor independente.

    Bateria

    A bateria contou com uma sequência impressionante de bossas e paradinhas. Consistente, manteve seu nível até o final. Bem no começo do ensaio perdeu um pouco o andamento, que segundo o relato de alguns ritmistas, foi devido ao carro de som estar muito alto perto da bateria. Após a arrancada e o avanço, tudo voltou ao normal. Naipes organizados e bem divididos. Com a novidade do naipe de timbales introduzidos na bateria para o desfile desse ano, ausentes no ano passado. Destaque para os tamborins, naipe mais seguro e bem executado.

    A “Não Existe Mais Quente” parece ter gostado das coreografias no interior da bateria, o que vem dando certo e animado o público. No trecho “abre os caminhos para Elza passar” é formado um corredor para o desfile da rainha, Giovanna Angélica, hoje marcando presença e mostrando samba no pé e muito entrosamento com os ritmistas ao utilizar de uma coreografia sincronizada com as paradinhas. Alguns pontos de organização ainda precisam ser acertados pela bateria, mas a sensação foi que os ritmistas estavam finalmente se sentindo em casa, no andamento e desenhos ideais para a identidade da bateria.

    “Fiquei muito feliz com esse primeiro ensaio do ano. Primeiro de tudo é que esse samba me contagia, estou muito feliz por essa escolha, foi um ensaio magnífico. Executei bastante bossa hoje para poder reparar e acertar algo que falta nelas e nas paradinhas. Fiquei muito contente também com o andamento”, explicou mestre Dudu.

    Vila Isabel retoma ensaios de rua na busca por aperfeiçoar seus quesitos

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    A Unidos de Vila Isabel retomou neste domingo os seus tradicionais ensaios de rua, que a partir de agora acontecerão duas vezes na semana. O Boulevard 28 de Setembro esteve lotado e a presença da agora rainha da escola Sabrina Sato causou frisson. Antes do início do treino, ela foi coroada pelo presidente Fernando Fernandes e por Milton Cunha no meio da bateria. O intérprete Tinga avisou à comunidade que ninguém ficou satisfeito com o terceiro lugar de 2019 e que a agremiação vai em busca do título esse ano.

    Samba-Enredo

    De característica um pouco diferente dos últimos sambas recentes da Vila, a obra ainda precisa crescer para estar no ponto ideal para o desfile. Tinga, como sempre, tem emprestado todo o seu talento para que a comunidade cante e a bateria tenha um bom desempenho. Porém, ainda falta um pouco para atingir o nível ideal.

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    Harmonia

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    Apresentação irregular. Algumas alas cantaram bastante. Porém, outras ainda estão com certa insegurança. É preciso atenção dos harmonias na hora de cobrar o canto. Tem muita gente que não está cantando e não está sendo cobrada. No trecho final da escola, algumas alas ainda precisavam da letra do samba para acompanhar a obra.

    “Sempre é muito emocionante cantar na minha escola de coração. Estava bastante emocionado no começo do nosso ensaio. A comunidade está feliz, cantando forte e com alegria. É o retorno de nossa comunidade. Se Deus quiser iremos em busca de nosso sonho”, afirmou Tinga.

    Evolução 

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    A se destacar o elevado número de alas coreografadas, que a maioria deve estar nas alegorias. Em todos os setores da escola, pelo menos uma ala. A Vila, que tirou 40 pontos no quesito em 2019, apresentou bom nível no ensaio desta noite. Foram cerca de 90 minutos de ensaio no Boulevard 28 de Setembro.

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    Bateria

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    Mais um show da Swingueira de Noel. As bossas muito bem executadas, afinação no ponto ideal e um grande entrosamento entre os ritmistas, mestre Macaco Branco e o intérprete Tinga. Sabrina Sato e Dandara vieram à frente da bateria, enlouquecendo o público com muita simpatia e samba no pé.

    “Nós estamos com três vossas é uma nuance. Na cabeça fazemos um ritmo indígena. No meio fazemos um ritmo regional. No final sacarinas criando uma bossa que chamamos de ‘vapo’, que é homenagem ao Flamengo, uma conversa de todos os instrumentos. Estamos prontos para o desfile. Poderíamos ir para a avenida amanhã”, disse o mestre.

    Mestre-Sala e Porta-Bandeira

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    Raphael Rodrigues e Denadir Garcia aproveitam o ensaio técnico para sentir o calor do público no Boulevard 28 de Setembro. A principal via do bairro tem dimensões muito diferentes daquelas encontradas na Sapucaí e possui muitas ondulações. Por isso, eles realizam uma dança mais voltada para apresentação.

    “O ensaio da Vila tem muita energia, embora a rua não seja o ideal tecnicamente para o casal, por ser muito desnivelada. Mas energia igual esse ensaio aqui é difícil encontrar”, contou Denadir.

    “Eu como sambista, independente da escola que estou, sempre falei que o ensaio de rua da Vila é incomparável. Aqui tem chão, o morro do Macaco. É uma energia maravilhosa, ficamos muito à vontade, parece que estamos brincando e não ensaiando”, completou Raphael.

    Galeria de fotos: Sabrina Sato é coroada Rainha da Vila Isabel

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    Emocionada, Sabrina Sato chora ao ser coroada rainha da Vila Isabel e declara amor eterno para escola

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    Emocionada, Sabrina Sato chora ao ser coroada rainha da Vila Isabel e declara amor eterno para escola

    O primeiro ensaio de 2020 da Vila Isabel, na noite deste domingo, foi especial para a apresentadora Sabrina Sato. Ela que deixou o posto de rainha de bateria após o Carnaval 2019 compareceu no treino no Boulevard 28 de Setembro e recebeu das mãos de Milton Cunha e do presidente Fernando Fernandes a coroa de rainha da escola para o Carnaval 2020. A nova rainha de bateria, a modelo Aline Riscado, curte férias e não compareceu ao ensaio, mas vem participando normalmente das atividades da escola.

    Como sempre, Sabrina foi ovacionada pela comunidade. Pedidos de fotos e mais fotos, além do clamor popular para que a japa volte a reinar na frente dos ritmistas de mestre Macaco Branco.

    Milton Cunha foi o responsável por fazer a coroação e declarou: “A Sabrina Sato é uma legítima sambista e da maior qualidade. Ela representa a garra, alegria e suor de quem samba. A mulher tem borogodó ou não tem. Isso não se compra e não se vende”.

    Na hora de discursar para comunidade, Sabrina lembrou da época que chegou na Vila Isabel e o tratamento que recebeu de todos os componentes.

    “Aprendi desde cedo que a gente tem que cuidar de quem cuida da gente. A comunidade da Vila Isabel me adotou há mais de dez anos. Eu era uma caipira do interior de São Paulo, não pertencia ao samba, mas aprendi e aprendo a cada dia com vocês da Vila Isabel. Se estou aqui é graças a comunidade. Amo demais e sou eternamente grata. Viva a nossa Vila, porque sou da Vila e não tem jeito. Vocês moram no meu coração. A Vila Isabel é a comunidade forte e unida”.

    Festa em Caxias! Júri elege o samba-enredo da Grande Rio o melhor do Grupo Especial para o Carnaval 2020

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      O início do ano de 2020 marca a vitória do samba-enredo da Grande Rio no júri do site CARNAVALESCO para o Carnaval de 2020. A escola de Duque de Caixas, que nos últimos anos ficou do meio para o fim da classificação do júri, fez bonito e perdeu apenas dois décimos na avaliação dos sete integrantes do corpo de jurados. A Mocidade Independente de Padre Miguel ficou em segundo lugar, apenas um décimo atrás da Grande Rio. A Portela terminou em terceiro.

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      A avaliação, como em todos os anos, é feita em cima do CD oficial da Liesa para o Carnaval 2020. Não é levado em conta o desempenho dos sambas nos ensaios de quadra ou rua. O site CARNAVALESCO ressalta que a avaliação dos sambas é feita constantemente pela nossa equipe nos ensaios de rua, quadra, ensaios técnicos no Sambódromo, e, claro, a mais importante e oficial que é no dia do desfile.

      Participaram do júri esse ano os jornalistas Aydano André Motta (Rádio CBN), Leonardo Bruno, Guilherme Alves (Rádio Globo), Pedro Ivo (UOL e ESPN Brasil), Alexandre Lozetti (Globoesporte.com e Sportv), o pesquisador Leonardo Antan e o compositor e jornalista Jairo Rozen. A análise consistia em dar notas de 9 a 10 (valendo decimais) e justificativas para notas diferentes do 10, sendo facultativo quem desejar justificar o 10.

      VEJA ABAIXO ALGUNS TRECHOS DAS ANÁLISES PARA O SAMBA DA GRANDE RIO

      ‘O mais bonito samba do ano conta com beleza e empolgação a história de Joãozinho da Gomeia’, AYDANO ANDRÉ MOTTA

      ‘Uma obra que explora muito bem o aspecto da ancestralidade, conseguindo transformar expressões não tão simples em situações fáceis de serem cantadas’, Pedro IVO

      ‘Obra que conta com maestria o enredo proposto e tem no refrão principal um apelo emocionante e pertinente para os tempos de intolerância’, ALEXANDRE LOZETTI

      ‘Sambaço, oriundo de um enredo espetacular’, jairo rozen

      Como ficou a avaliação do Especial do Rio:

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      Grande Rio: 69,8 pontos
      Mocidade: 69,7 pontos
      Portela: 69,3 pontos
      Mangueira: 69 pontos
      Beija-Flor e Unidos da Tijuca: 68,8 pontos
      Paraíso do Tuiuti: 68,5 pontos
      Viradouro: 68,4 pontos
      São Clemente: 68,1 pontos
      Salgueiro e Vila Isabel: 67,5 pontos
      Estácio de Sá: 66,5 pontos
      União da Ilha: 66,3 pontos

      Justificativas da avaliação dos sambas do Grupo Especial do Rio

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        Notas e justificativas de Leonardo Bruno

        MANGUEIRA: 10. Letra com enorme qualidade, fazendo uma leitura poética do tema, com passagens interpretativas que expandem o significado do enredo, como “Rosto negro, sangue índio, corpo de mulher”, “Minha mãe é Maria das Dores Brasil” e “Eu tô que tô dependurado / Em cordéis e corcovados”. A melodia surpreende em vários trechos, como na transição do canto esticado em Sem saber que a esperança / Brilha mais na escuridão” para o impactante “Favela, pega a visão”.

        MOCIDADE: 10. Um samba que faz a aposta certa na emoção, casando de forma perfeita com o perfil da homenageada. A letra estimula a garra da escola ao relembrar a trajetória de Elza Soares, sem deixar a potência cair em momento algum, mas o grande trunfo está na melodia, especialmente na cabeça do samba e na repetição de “Para a preta não chorar”.

        GRANDE RIO: 9,9. Uma letra rica, que consegue contar com criatividade e imagens interessantes a trajetória de Joãozinho da Gomeia. A melodia vai por caminho difícil, procurando unir o embalo da escola a trechos mais líricos. E é bem-sucedida, como vemos no trecho “Bailam os seus pés / E pelo ar o bejoim / Giram presidentes, penitentes, yabás / Curva-se a rainha / E os ogans batuqueiros… pedem paz”.

        TIJUCA: 9,9. Samba inteligente, que subverte o enredo usando a visão particular do morador do Borel sobre tema tão denso como a arquitetura. A letra usa recursos criativos em todos os trechos, aproximando a temática do dia a dia do componente, com expressões como “quintal”, “bangalô”, “palha e sapê”, “capela”, etc. A melodia traz trechos que saltam aos ouvidos pela originalidade, com construções que não são muito comuns no gênero samba-enredo, como “Lágrima desce o morro / Serra que corta a mata / Mata…”, além da boa sacada na repetição do trecho que prepara para o refrão do meio: “Vem, é lindo o amanhecer…”

        TUIUTI: 9,8. Refrãos fortíssimos, favorecendo o desempenho do desfilante na Sapucaí. Nos trechos entre refrãos, a melodia fica mais dolente, permitindo o respiro que prepara o próximo momento de explosão. O refrão final, com a repetição em partes, é boa sacada: “No Morro do Tuiuti / No alto do Terreirão / O cortejo vai subir / Pra saudar Sebastião”. A letra é objetiva ao contar o enredo, mas não consegue deixar totalmente claro o enredo que une Dom Sebastião e São Sebastião.

        PORTELA: 9,8. Um samba forte, com melodia explosiva, que a todo momento parece emular os cânticos rituais indígenas e pode proporcionar bom desfile aos componentes. Os dois refrãos são muito felizes. A letra não se arrisca muito, procurando dar conta do enredo de forma direta, mas sem conseguir êxito na tarefa de deixar clara a narrativa. A repetição da expressão “a ira de Monã” não se justifica por nenhum recurso reiterativo, então soa gratuita.

        BEIJA-FLOR: 9,7. Boas sacadas nos refrãos, especialmente em “Nilopolitano em romaria / A fé me guia! A fé me guia!”. A letra não é bem-sucedida ao contar o enredo de forma clara. A melodia tem soluções ricas, mas se repete em muitos trechos, o que torna o samba pesado. A sequência de versos antes do refrão do meio, com passagens melódicas semelhantes, pode se tornar cansativa: “E nessas andanças, eu sigo teus passos / São tantas promessas de um peregrino / É crer no milagre, sagrados valores / Em tantos altares, em tantos andores / A vela que acende, a dor que se apaga / A mão que afaga se torna corrente”.

        VIRADOURO: 9,7. Um refrão fortíssimo antecedido pela ótima sacada do “Ó, mãe, ensaboa, mãe” prometem uma entrada vibrante para a Viradouro. A primeira parte traz uma bela letra, com versos como “E o balaio é do tamanho do suor do seu amor”. A segunda parte não mantém a mesma potência, caindo bruscamente, retomando apenas na volta dos refrãos iniciais.

        SÃO CLEMENTE: 9,7. Letra adequadíssima ao enredo e ao estilo da escola, contando de forma clara o enredo e com sacadas espirituosas. A melodia segue a proposta da letra, ao não trazer grandes novidades e seguir em seu “feijão com arroz” caprichado. No conjunto, é um samba que pode permitir um bom desfile à São Clemente. Na comparação com os demais sambas, perde um pouco na criatividade de letra e melodia.

        SALGUEIRO: 9.6. A letra procura trazer soluções criativas para contar o enredo, usando figuras como “Quando cair, no talento, saber levantar” e “Aqui o negro não sai de cartaz”, mas não consegue fugir dos lugares-comuns associados ao universo circense. A melodia é o ponto mais problemático da obra, trazendo nos dois refrãos sonoridades já ouvidas muitas vezes na Sapucaí.

        VILA ISABEL: 9,6. A letra busca caminhos criativos para contar um enredo denso. É difícil imaginar um componente em 2020 cantando versos como “Quando um cacique (JK!) inspirado / Olhou pro futuro / E mandou construir / Brasília, joia rara prometida”. Soa anacrônico, e os versos de uma obra devem dialogar com seu tempo. A melodia ainda salva alguns trechos, como o refrão do meio: “Ô, viola! / A sina de preto velho / É luta de quilombola / É pranto, é caridade”.

        ESTÁCIO: 9,5. É um samba duro, sem trocadilhos com o enredo “Pedra”. A letra ainda esboça alguma criatividade, com a rima interna em “O poder que emana do alto da pedreira / Tem alma justiceira, tem garra de leão” e a repetição do “peneirar, peneirar”, num falso refrão. De resto, se limita a descrever os setores do enredo numa leitura que não foge do óbvio. A melodia é insípida e não apresenta momentos de grande criatividade.

        UNIÃO DA ILHA: 9,5. A letra não tem sucesso ao explicar o enredo, que fica nebuloso do início ao fim, numa sequência de versos aparentemente sem conexão. Muitos trechos batem no lugar-comum da autoajuda: “Inocentes, culpados, são todos irmãos”, “Eu sei o seu discurso oportunista / É a ganância, hipocrisia / O seu abraço é minha dor, seu doutor”, “Eu sei que todo mal que vem do homem / Traz a miséria e causa fome”. A melodia não procura novos caminhos e se contenta em explorar uma sonoridade nada novidadeira.

        Notas e justificativas de Aydano André Motta

        Grande Rio: 9.9. O mais bonito samba do ano conta com beleza e empolgação a história de Joãozinho da Gomeia. O refrão “Eu respeito seu amém/ Você respeita meu axé” é o ponto alto.

        Mocidade: 9.9. Força e empolgação para celebrar Elza Soares na medida certa. E Vander Pires sem exageros. Um espetáculo.

        Portela: 9.8. Samba rico e emocionante para festejar o Rio antes de o Rio existir. A devida exaltação aos indígenas com críticas a quem merece.

        Viradouro: 9.8. Zé Paulo em grande forma canta obra de qualidade, que vai empolgar os componentes na avenida. O refrão “ensaboa” é apenas uma das valências do hino.

        Tijuca: 9.7. O samba mais criativo do ano canta a favela como obra (brilhante) de arquitetura. Golaço num enredo que não prometia muito.

        Mangueira: 9.6.  O Jesus renascido no morro da Mangueira desfila num samba de bom nível. Falta um pouco a cara da escola. Mas vai funcionar.

        Tuiuti: 9.6. A encomenda da escola deu numa obra mediana, com menos crítica do que propõe o enredo. Os bons refrãos são o ponto alto.

        Beija-Flor: 9.6. A mítica comunidade nilopolitana tem samba correto para o ano da reconstrução, após a tragédia de 2019. A segunda parte cai um pouco, mas o início é empolgante.

        São Clemente: 9.6. O alívio cômico da safra, lembra os marajás “puxando férias em Bangu” e o país que caiu na fake news. Pavimenta desfile divertido da escola de Botafogo.

        Vila Isabel: 9.5. O enredo deveria ser Brasília, mas a capital só aparece em dois versos. No mais, conta a história antes de a cidade ser construída. Estranho.

        Salgueiro: 9.5. A saga do primeiro palhaço negro do Brasil ganhou música apenas regular, de letra previsível.

        Estácio: 9.5. Samba mediano que tem dificuldades de explicar o enredo. Os refrãos são a melhor parte.

        Ilha: 9.5. O enredo de difícil compreensão inviabilizou a construção de obra melhor. “Chumbo trocado”, imagem de um refrão, não deveria estar no Carnaval.

        Notas e justificativas de Pedro Ivo

        Estácio de Sá: 9,7. Letra pobre, sem nada mais rebuscado. Compositores não conseguiram sair da frieza da sinopse para algo brilhante. Se preocuparam apenas em reproduzir o que está pedido e ponto. Enredo é bastante confuso, logo problematiza para quem precisa fazer um samba a partir daquilo. Uma melodia até certo ponto agradável, mas repetitiva. Uma ou outra boa variação melódica. Quando você estica uma sílaba (muda acentuação) ou outra para encaixar no samba, ok. Não vejo tanto problema. Mas Estácio faz isso com frequência. Tanta prosódia ratifica a falta de inspiração.

        Unidos do Viradouro: 9,8. Samba forte e que promete funcionar para o desfile da Viradouro. A definição de forte, no entanto, combina muito mais com as passagens interessantes da melodia (numa tentativa de repetir modelos recentes de sucesso), não com sua letra – fraca e sem tanta clareza em alguns momentos. Não chega a trazer algo novo e surpreendente em termos de qualidade. Não se pode, no entanto, negar o mérito da parte final combinando a subida para o refrão “Ó, mãe! Ensaboa, mãe!”.

        Estação Primeira de Mangueira: 9,9. Uma letra espetacular, mas com uma melodia que não acompanha no mesmo nível. A escola mexeu, tentou, ajustou, mas não parece ter encontrado o “casamento” ideal de letra-melodia.  Melodia não acompanha o brilho da letra. A diferença entre os dois aspectos – especialmente no refrão principal – acaba sendo determinante para descontar ponto de um samba que poderia ter avaliação máxima.

        Paraíso do Tuiuti: 9,9. Um bom samba. Se não chega a ser brilhante nas principais de avaliação (letra e melodia), cumpre bem o seu papel. E mostra potencial em outra vertente: a síncope. Boa e necessária para um samba-enredo. Destaque para os três refrãos, com boas melodias. Boa letra da primeira parte – sobre o Maranhão – não é acompanhada na segunda parte – sobre o Rio de Janeiro (de “Rio, do peito flechado” a “Salve o Rio de Janeiro”).

        Acadêmicos do Grande Rio: 10. Letra e melodia muito excelentes, entregando um samba à altura do que o grande enredo merecia. Samba que já foge do óbvio em sua cabeça – a condução a partir do caboclo Pedra Preta é uma grande sacada e dá peso à obra. Refrão principal forte, fácil – sem parecer “bobo” – e fechando com a ideia de recado/apelo por mais tolerância religiosa. Uma obra que explora muito bem o aspecto da ancestralidade, conseguindo transformar expressões não tão simples em situações fáceis de serem cantadas.

        União da Ilha do Governador: 9,6. Um (não) enredo que complicou a missão dos compositores. Diante do que me pareceu uma dúvida sobre a clareza do tema para o desfile, a letra esclarece menos ainda. Um samba que você ouve e não consegue identificar exatamente um tema sendo contado ali. Criança? Mulher? Negro? Pobre? Esperança de dias melhores? Coisas que já passaram pela Avenida, mas que o samba não explica exatamente como contará. Uma série de expressões clichês soltas, perdidas. Como o enredo, que tem uma logo, mas não uma sinopse a se seguir. São questões soltas que devem formar uma ideia no desfile. Porém não se sabe qual. Não há exatamente um encaixe para facilitar o entendimento. Por enquanto, é tudo uma incógnita. Até mesmo o desempenho de um samba muito abaixo do que a Escola merece. Uma melodia razoavelmente agradável em algumas partes evita uma avaliação ainda pior.

        Portela: 9,9. Samba forte e que consegue dar a cara/ideia do enredo à obra com citações e expressões bem encaixadas. Termos indígenas não apareceram de forma cansativa, mas sim de maneira necessária para expressar o ar da temática ali. Apenas a letra, no entanto, poderia ser mais bem trabalhada. Não brilha como a melodia.

        São Clemente: 9,9. Letra inspirada e com sacadas interessantes. Alcança de forma direta o que o enredo pede, mantendo a tradição da linha de obras da Escola. A extensa segunda parte, no entanto, acaba deixando a melodia levemente cansativa, comprometendo uma nota máxima.

        Vila Isabel: 9,8. Uma composição que, somada a ideia do enredo de ser pré-Brasília, consegue resolver um tema que soaria “clichê”, dado o número de vezes que a capital federal já passou pela Avenida. Melodia agradável, apesar das variações talvez exageradas. Destaque para o bonito refrão do meio e algumas boas passagens de letra do meio para a subida do refrão principal.

        Acadêmicos do Salgueiro: 9,8. Um samba regular para um enredo que poderia gerar obras mais interessantes. Primeira parte pouco inspirada. Com exceção da boa sacada do refrão do meio, a obra não mostra brilho em nenhum outro momento e tem até alguns clichês isolados. Refrão principal sem tanta força, diferente do que a Escola gosta de apresentar e cantar.

        Unidos da Tijuca: 10. Uma obra muito boa. Um samba que resolveu um enredo que, inicialmente, parecia não inspirar os compositores. Falar sobre arquitetura a partir da realidade do morro do Borel, da favela, do sonho do pobre, foi algo muito feliz. Desenho melódico excelente, poético, combinando uma letra inspirada.

        Mocidade Independente de Padre Miguel: 10. Letra muito boa e que conta com facilidade o forte enredo. Melodia acompanha a inspiração da letra. Obra que cumpre a expetativa de um enredo desejado pela comunidade de Padre Miguel. Excelente encaixe entre as partes do samba, além da boa preparação de cada parte para os refrões. 

        Beija-Flor de Nilópolis: 9,9. Um samba que retoma a característica de anos da Escola de Nilópolis. Forte, de boa melodia. Refrãos interessantes. Uma obra que prepara para pegar na veia na hora do refrão principal. Como ressalva, uma letra um pouco abaixo da melodia e que não chega a trazer a maior clareza do enredo – ainda que o mesmo possa ser percebido ao lado da composição.

        Notas e justificativas de Alexandre Lozetti

        MANGUEIRA: 9,7. Obra rebuscada e corajosa, mantém a linha de fortes críticas sociais, mas vê sua melodia provocar uma ou outra desarmonia. Faltou um caminho melhor para o refrão principal, mas a essência do samba pode funcionar novamente na avenida.

        VIRADOURO: 9,8. Pode não ter a letra mais poética ou as soluções mais brilhantes, mas o mérito de invadir e criar raízes no cérebro de quem ouve também é grande. Dá vontade de cantar, de brincar, de curtir a festa. E o “ensaboa mãe” pode arrastar a Sapucaí para o refrão principal.

        VILA ISABEL: 9,6. O enredo não empolga e as soluções encontradas parecem de outros carnavais. Há bons momentos, como a cabeça do samba e o refrão central.

        PORTELA – 9,9. Depois de uma sequência de obras em que a Portela falava mais de si mesma que dos enredos, quaisquer que fossem, o samba de 2020 acerta em cheio na abordagem, nos refrães, na vibração melódica e, principalmente, ao não ter bispo e nem se curvar a capitão.

        SALGUEIRO: 9,5. Para um enredo tão bom e com potencial de emocionar, o samba soa blasé, sem a pegada do salgueirense, carece de sentimento. A letra em primeira pessoa é bonita em alguns momentos. A harmonia terá que resistir ao insólito dueto de Emerson Dias e Quinho.

        MOCIDADE: 9,9. Elza Soares certamente está feliz com a bela obra, valente e exitosa na missão de materializar a relevância da homenageada para a música brasileira. O verso “Essa nega tem poder, é luz que clareia” resume a mensagem ao país onde o racismo volta a se assanhar.

        UNIDOS DA TIJUCA: 9,8.É possível identificar Jorge Aragão, um dos compositores, em trechos do samba – bangalôs têm muito a sua cara. Isso não faz da obra impecável. Ela parece se estender um pouco além da conta e a melodia com isso se arrasta, mas há mais bons momentos, como o refrão central.

        PARAÍSO DO TUIUTI: 9,7.Parece que ouvi o samba pela primeira vez em 2018, tamanha a precocidade da divulgação. Os refrães são fortes, marcantes, podem embalar mais um desfile valente da escola que, a cada ano, se consolida no Grupo Especial.

        GRANDE RIO: 10.Obra que conta com maestria o enredo proposto e tem no refrão principal um apelo emocionante e pertinente para os tempos de intolerância. A melodia também parece ter sido criada especialmente para musicar a vida de Joãozinho da Gomeia. O melhor samba do ano.

        UNIÃO DA ILHA: 9,3.Não se vê nada de União da Ilha nesta composição enfadonha. Não há coesão e nem se percebe o enredo na leitura do samba. A comunidade aguerrida terá um desafio e tanto pela frente. Salve-se quem puder!

        BEIJA-FLOR: 9,9.Carrega a identidade da escola na melodia forte que estimula o canto da comunidade, e na letra que não apela a recursos fáceis. A junção do refrão do meio e a segunda parte, mais curta, chama o nilopolitano pelos brios, e isso costuma dar resultado.

        SÃO CLEMENTE: 9,5. A letra é divertidíssima e faz jus à genialidade de Marcelo Adnet, agora compositor de samba-enredo. Mas a melodia por vezes soa básica demais, como se dedicada a paródias. É o desequilíbrio da obra, mas o traço de deboche é importante para a história da São Clemente.

        ESTÁCIO DE SÁ: 9,4.Obra mal resolvida, no meio do caminho entre a leveza e a complexidade, não alcança qualquer um dos resultados. O refrão central desafoga, permite a brincadeira, mas não atenua os problemas melódicos.

        Notas e justificativas de Jairo Rozen

        MANGUEIRA. Nota: 9,9. O samba da Mangueira é sem dúvidas muito forte, com letra de extrema inteligência. Mas a melodia deixar a desejar. Sem pontos explosivos, o samba passa bem, mas sem um grande trecho de destaque. Poderia ser um samba sensacional mas algumas passagens dificultam, como por exemplo o refrão: “Mangueira / Samba, teu samba é uma reza / Pela força que ele tem…”.

        VIRADOURO. Nota: 9,6. “Ensaboa mãe” pode parecer um pouco apelativo, mas após ouvir o samba algumas vezes é impossível não ficar com essa parte na cabeça. A letra é correta e os refrões são fáceis, apesar de algumas rimas, que aqui em São Paulo chamamos de pobres. Cumpre o seu papel, porém, o enredo pedia mais, soa um pouco genérico em alguns momentos.

        VILA ISABEL. Nota: 9,5. Um samba funcional, sem novidades com algumas estrofes que não fazem muito sentido de imediato. Também falta explosão. O samba não compromete, mas certamente não será um dos hits de 2020.

        PORTELA. Nota: 10. Certamente, é um dos melhores sambas do ano no RJ. O refrão de cabeça é lindo e a melodia melhor ainda. Um sambaço.

        SALGUEIRO. Nota: 9,6. O samba começa alegre e pra cima, mas se torna bastante burocrático e com a melodia sem grandes variações. “Fazer sorrir quando a tinta insiste em manchar” é sensacional e a letra no geral é boa, bastante superior a melodia que deixa muito a desejar.

        MOCIDADE. Nota: 10. O samba da Mocidade é o samba do Carnaval 2020.

        TIJUCA. Nota: 9,8. A qualidade da letra e melodia desse samba são inquestionáveis e fogem do lugar comum de outros sambas. Minha única ressalva é a falta de um grande momento de explosão, que faça o componente bater o peito.

        TUIUTI. Nota: 9,8. O samba é muito bem construído de frases curtas e diretas e uma melodia diferente, mas, comete um pecado que para um paulista é difícil não descontar pontos: Muitas rimas terminadas em “ado” em toda a letra.

        GRANDE RIO. Nota: 10. Sambaço, oriundo de um enredo espetacular. Apesar de abusar de palavras difíceis é arrebatador.

        UNIÃO DA ILHA. Nota: 9,3. Não entendi o enredo através da letra do samba. Não encontrei momentos contagiantes e a melodia se arrasta.

        BEIJA-FLOR. Nota: 9,9. O samba começa com muita energia, melodia pesada e vibrante, com uma letra muito bem construída. Só não leva a nota máxima, pois pareceu ser muito longo, isso pode comprometer.

        SÃO CLEMENTE. Nota: 9,7. A melodia pra cima, a letra crítica e bem humorada fazem o samba ser contagiante e simpático. Ao mesmo tempo que tem todas essas características, peca pela simplicidade e pela falta do algo mais. Algumas esticadas em vários versos fazem o samba perder um pouco de dinâmica.

        ESTÁCIO DE SÁ. Nota: 9,4. A primeira impressão do samba é que a palavra “Poder” está lá de maneira totalmente equivocada. Melodia pesada e letra pouco inspirada proporcionam poucos momentos de vibração.

        Notas e justificativas de Leonardo Antan

        Mangueira: 9,9. Com uma das mais bonitas e inspiradas letras do ano, o samba da verde e rosa possui algumas variações melódicas bruscas e versos mais alongados que podem prejudicar seu melhor desempenho.

        Vila Isabel: 9,7. A construção de um enredo confuso reflete na letra do samba da Vila Isabel. Apesar de tentar evocar belas passagens e algumas se destacarem pela qualidade melódica, o samba da azul e branco passa uma sensação apenas burocrática, explodindo num refrão cheio de lugares comuns.

        Viradouro: 9,8. Um dos sambas que mais cresceu desde a disputa, o samba da Viradouro evoca o enredo com boas passagens e ganha ainda maior força com a boa interpretação de Zé Paulo Sierra.

        Portela: 9,9. Forte e com bastante pegada, o samba da azul e branco é uma das grandes obras do ano. Com um refrão explosivo e passagens valentes, o único senão fica por frases muito reducionistas e pouco elaboradas, que acabam por simplificar demasiadamente um enredo com grande potencial.

        Salgueiro: 9,8. Apesar de criticado, o samba-enredo do Salgueiro cumpre seu papel ao evocar um imaginário circense. A letra constrói pelas imagens e versos inspirados que explodem num refrão animado, mesmo que clichê. A melodia peca em alguns sentidos, mas funciona bem no contexto.

        Mocidade: 9,9. Ao materializar a esperada homenagem a Elza Soares, os compositores do samba da verde e branco da Zona Oeste apostaram num samba explosivo, deixando um pouco de lado a linha mais melódica que a agremiação vinha seguindo. O samba reflete de maneira valente a história da homenageada numa bonita crescente, apesar de construções mais óbvias e com poucos momentos realmente inspirados.

        Tijuca: 10

        Tuiuti: 9,9. Um excelente acerto, o samba da Tuiuti pode não chamar atenção na primeira ouvida, mas a cada nova audição, o samba cresce e pode chegar na Avenida com sua potência máxima. O samba constrói belas imagens e costura de maneira competente o enredo da azul e amarela, um dos seus únicos senões é alguns versos muitos alongados que dificultam o canto.

        Grande Rio: 10

        Ilha: 9,5. A proposta da comissão de carnaval da União da Ilha de não escrever uma sinopse que guiasse a criação dos seus compositores parece ter influenciado diretamente na qualidade da obra insulana. Com um amontoado de imagens clichês que não parecem se conectar, a obra faz uma crítica rasa e sem foco, apesar de tentar evocar grandes carnavais da tricolor, como É hoje e O Amanhã.

        Beija-Flor: 9,8. Com a força característica nilopolitana, o samba tem um refrão explosivo e forte, que é certamente um dos melhores do ano. Entretanto, apesar de sua força, a obra de se perde em alguns versos e acaba por exaltar demais a agremiação e fugir o intuito de contar o enredo.

        São Clemente: 9,8. Com passagens bem-humoradas e inspiradas, o samba da preta e amarela conduz bem o tema desenvolvido e traz belas imagens ao enredo, servindo bem a proposta da escola. O único senão da obra parece uma segunda parte mais longa do que o necessário, numa sequência de versos que poderia ser facilmente dispensada dando mais agilidade a obra.

        Estácio: 9,6. Uma obra valente, o samba da Estácio tem altos e baixos ao tentar dar conta do enredo, se utilizando de muitos lugares comuns e versos poucos inspirados.

        Notas e justificativas de Guilherme Alves

        Viradouro: 9,9. O samba é valente e tem um refrão que pode pegar na Avenida (“Oh, mãe, ensaboa, mãe”). A primeira parte do samba parece um pouco abaixo do restante da obra em termos de qualidade.

        São Clemente: 9,9. Samba inteligente, com boas sacadas e soluções, não fica preso à fórmulas ou modelos comuns do gênero. Falta um algo a mais, um diferencial, pra conseguir a nota máxima.

        Vila Isabel: 9,8. O samba possui uma melodia valente e a interpretação do Tinga valoriza a obra. O uso de alguns recursos já usados em sambas de carnavais anteriores, como o “sou da Vila não tem jeito”, acaba desvalorizando um pouco a obra.

        Tuiuti: 9,8. Samba interessante por possuir um formato diferenciado na construção de versos e refrões. A principal dificuldade do samba parece ser a melodia, que exige um esforço maior no canto.

        Grande Rio: 10

        Portela: 10

        Mangueira: 10

        Beija-Flor: 10

        Mocidade: 10

        Salgueiro: 9,7. Um samba que fica abaixo da expectativa devido à qualidade do enredo, além da tradição do Salgueiro em ter grandes sambas e do próprio grupo de compositores, que já fez obras inspiradíssimas para a escola. A obra possui algumas boas sacadas, mas parece cansar em alguns momentos.

        Ilha: 9,6. Um samba extremamente subjetivo, tem poesia, mas não dá uma noção exata do que se trata o enredo. E também causa estranheza o estilo de samba, a proposta foge um pouco das características da escola.

        Tijuca: 9,6. O samba é um tanto quanto irregular. Possui passagens inspiradas, como no refrão central, mas também algumas soluções incômodas, como o “eu sou favela” do refrão principal, em que há extensão nas duas últimas sílabas da palavra “favela” durante o canto e acaba soando mal.

        Estácio: 9,4. A proposta do enredo da escola parece interessante, mas infelizmente não rendeu um samba dos mais inspirados. A obra poderia ser melhor lapidada, a impressão que fica é que falta mais poesia, lirismo à letra.

        Como ficou a avaliação do Especial do Rio:

        Grande Rio: 69,8 pontos
        Mocidade: 69,7 pontos
        Portela: 69,3 pontos
        Mangueira: 69 pontos
        Beija-Flor e Unidos da Tijuca: 68,8 pontos
        Paraíso do Tuiuti: 68,5 pontos
        Viradouro: 68,4 pontos
        São Clemente: 68,1 pontos
        Salgueiro e Vila Isabel: 67,5 pontos
        Estácio de Sá: 66,5 pontos
        União da Ilha: 66,3 pontos

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