Representatividade! É isso que Camila Silva pretende com o posto de Rainha do Carnaval 2020. Já em sua primeira participação no concurso, a paulista conquistou o coração do júri carioca e o posto máximo da corte na folia deste ano.
“Me sinto privilegiada de estar aqui sendo rainha do Rio, sendo representatividade de muitas meninas negras, de comunidades, que um dia, como eu teve o sonho de estar aqui e, hoje, estou realizando. E, espero que um dia, essas meninas também realizem esse sonho”, disse a majestade ao ser coroada, na tarde de domingo perante um público de 300 mil pessoas, na Praia de Copacabana.
Por falar em representatividade, a corte para o Carnaval 2020 composta pela rainha Camila Silva, Djeferson Mendes da Silva, eleito Rei Momo, e, Deisiane Jesus e Cinthia Aparecida Martins de Oliveira, como Primeira e Segunda Princesas do Carnaval, respectivamente, formam uma corte 100% negra, o que no cenário atual, em que a sociedade brasileira luta por direitos iguais, faz toda a diferença.
Desde a primeira fase da disputa, Camila Aparecida da Silva já despontava como uma das favoritas. Apesar de almejar o posto, a beldade contou que esse foi um sonho recente, que foi crescendo com o carinho dos cariocas.
“Nunca me imaginei sendo rainha de bateria no Rio. Em 2013 fui convidada e vim. Amei! Fui muito bem recebida e almejei, sim, ser rainha do carnaval, batalhei para estar aqui. Algumas pessoas falavam ‘você já foi rainha do carnaval de São Paulo, rainha de bateria no Rio, precisa ser Rainha do Carnaval do Rio? E eu disse; precisa, sim”, brincou a majestade, que não esconde a emoção de ter alcançado o sonho.
“Muitas pessoas não sabem, mas não cheguei no Rio agora, cheguei em 2013, fui rainha de bateria, em 2017 também, 2018 e 2019, na Mocidade Independente de Padre Miguel. Cheguei respeitando todos os sambistas e como eu falo; sambista conhece sambista, cheguei devagarinho e fui mostrando que eu também fazia parte desse mundo e hoje me sinto privilegiada de estar aqui sendo rainha do Rio, sendo representatividade de muitas meninas negras, de comunidades, que um dia, como eu teve o sonho de estar aqui e hoje, estou realizando”, desabafa Camila com olhos marejados. Após uma pausa ela continua.
“Espero que um dia, essas meninas também realizem esse sonho. Pra mim está sendo maravilhoso, incrível ser rainha da maior festa cultural e popular do Brasil”, disse Camila que já deu o seu primeiro decreto para os próximos ’49 dias de carnaval’.
“Meu decreto é que seja um carnaval de paz e amor ao próximo. Precisamos muito disso, mas não só no carnaval, o mundo todo precisa disso”.
A Beija-Flor não costumava realizar ensaios de rua em Nilópolis e utilizava apenas seus treinos na quadra para se aperfeiçoar para os desfiles. Isso mudou desde o ano passado. Neste domingo a azul e branca realizou o segundo ensaio de rua dessa temporada na Mirandela, no coração do município, que se confunde com a própria Deusa da Passarela.
A reportagem do CARNAVALESCO marcou presença e pode observar dois aspectos principais. O primeiro foi que o quesito evolução foi aquele que mais evoluiu desde a visita de dezembro. O segundo é que no desfile, entre a comissão de frente e o casal Claudinho e Selminha Sorriso, existirá uma ala coreografada.
Comissão de Frente
Sem a presença do coreógrafo Marcelo Misailidis, os 15 integrantes da comissão de frente fizeram uma coreografia que provavelmente é o oficial de desfile. Com bastante sincronia de movimentos o grupo cantou o samba o tempo todo e demonstrou grande entrosamento, aproveitando para treinar apresentações para cabines de julgamento.
Mestre-Sala e Porta-Bandeira
Após a comissão de frente, uma ala coreografada distanciou o casal Claudinho e Selminha dos dançarinos. Algo que acontecerá no desfile e não causou qualquer problema para a evolução do lendário casal da Beija-Flor. Eles apresentaram a coreografia oficial de desfile e treinaram exibição para os julgadores.
“Eu acho que a busca pelo aperfeiçoamento deve ser constante para o casal de mestre-sala e porta-bandeira. Até o dia do desfile temos que buscar metas para a melhor apresentação. Estar aqui na rua com o povo me ajuda muito, pois além dessa energia maravilhosa, nos traz toda a noção de marcação de tempo e espaço”, analisou a porta-bandeira Selminha Sorriso.
Harmonia
Excelente o rendimento da comunidade da Beija-Flor no ensaio deste domingo. Praticamente todas as alas passaram cantando o samba, já com a obra sob total domínio dos componentes, sem a necessidade de acompanhamento com a letra. Até setores distantes do carro de som conseguiram sustentar o canto sem atravessar.
Evolução
Ponte de atenção na análise do site CARNAVALESCO na primeira visita a Nilópolis, a Beija-Flor demonstrou melhorias no quesito em quase duas horas de ensaio. Alas organizadas e sem embolar umas nas outras, brincando, se mexendo, abrindo braços e evoluindo com excelente movimentação.
“Estamos alcançando aos poucos o nível de canto e evolução necessários para um grande desfile. Por isso além dos ensaios tradicionais das quintas-feiras e os de rua mensais, fazemos treinos por setores para passar a importância do canto e da dança. Eu costumo pedir para os componentes para seduzir o cara que está na calçada para também cantar o samba-enredo”, avalia o diretor de carnaval Dudu Azevedo.
Samba-Enredo
Um dos sambas do carnaval demonstra toda a sua pegada de desfile ao vivo. Seu rendimento é constantemente forte sem caídas em qualquer parte. A presença de Neguinho da Beija-Flor no ensaio traz todo um diferencial. Caminhando para os seus 45 anos de escola se arriscou com risadas como caco no momento que o samba atinge o ponto da saudação Laroyê.
Bateria
Novamente desempenho de gala dos comandados de mestre Rodney. A bateria da Beija-Flor valoriza demais a afinação e o andamento, pilares da sustentação do ritmo na avenida. Com esses conceitos na cabeça deram sustentação ao canto e evolução no ensaio técnico.
“Falo muito com os meus ritmistas que aqui a manutenção do ritmo e sua sustentação são os referenciais de nosso trabalho. Estamos nos aproximando daquilo que consideramos ideal”, analisou o mestre Rodney.
Na luta pelo título, depois do feito histórico com o vice-campeonato no carnaval de 2019, a Viradouro conseguiu unir em seu ensaio de rua neste domingo a emoção e a técnica. Com uma harmonia total entre todos os segmentos, a vermelho e branco demonstra muita vontade e garra para ir em busca do lugar mais alto do carnaval carioca e sem deixar a técnica em nenhum momento.
“O ensaio foi muito bom, excelente. Tentamos aliar a parte técnica do ensaio, que foi impecável, com a emoção. Temos que ser técnicos mas sem esquecer da energia, da vibração. A escola está pulsando na Amaral Peixoto e isso é o que estamos fazendo desde outubro, gradualmente, para que pudéssemos chegar em janeiro nessa crescente que vai terminar num espetáculo no domingo de carnaval. Nós vamos continuar trabalhando dobrado para estar brigando pelo título neste carnaval”, disse o presidente Marcelinho Calil.
Samba-Enredo
O samba pegou. O “ensaboa” dá um gás a mais no samba que segue numa crescente na voz do Zé Paulo Sierra. O trecho que antecede o refrão principal do samba é o momento em que o componente canta com mais vibração dançando e fazendo coreografias. A obra tem como aliado o clamor da comunidade.
Harmonia
Cantando muito da primeira a última ala, a escola tem hoje uma das melhores harmonias do carnaval. A comunidade apaixonada de Niterói abraçou e canta o samba a plenos pulmões. Zé Paulo comanda o carro de som com maestria, chamando o componente para dentro do treino. O carro de som e a bateria se encaixam muito bem, até mesmo nas bossas mais elaboradas de mestre Ciça.
“O ensaio foi bom, sabemos que temos coisas para pontuar e corrigir, mas o ensaio reflete o bom momento que a escola está vivendo de total harmonia entre todos os segmentos”.
Evolução
No ensaio deste domingo pode-se ver uma escola alegre e empolgada. Dançando e fazendo coreografias durante o treino a escola fez um ensaio técnico porém cheio de emoção. É visível uma escola organizada onde cada um sabe sua função e executa de forma correta. Não é perceptível nenhum erro da escola.
Comissão de frente
Coreografada por Alex Neoral, a comissão de frente da Viradouro para 2020 é composta apenas por mulheres. Simulando a presença de um elemento cenográfico a comissão ensaiou o que parece ser parte da coreografia oficial para o desfile. Bem entrosadas, com passos fortes e bem marcados as bailarinas fizeram um ensaio em alto nível.
Mestre-Sala e Porta-Bandeira
Em seu décimo terceiro ano juntos, Julinho e Rute vivem um grande momento na agremiação de Niterói. Fazendo uma coreografia forte e encantadora o casal confirmou o entrosamento. Rute com toda garra presente em sua dança fez um ensaio majestoso ao lado do seu par, Julinho, que com toda sua elegância dança sem sequer tirar os olhos da porta-bandeira. O casal parece estar feliz e confiante.
Bateria
A bateria de mestre Ciça foi o ponto mais alto do ensaio, com uma bossa em que timbais são erguidos por um elevador a bateria levou o público que assistia e a comunidade ao delírio. O mestre vai levar para Sapucaí 4 bossas com um andamento de 147 BPM (batidas por minuto).
“O elevador é nossa grande surpresa, claro, ele vai vir muito diferente na avenida. Estamos trabalhando para fazer um grande desfile e se ganharmos será consequência desse trabalho”.
A Pérola Negra realizou neste domingo seu primeiro ensaio técnico para o carnaval de 2020 no Sambódromo do Anhembi. O treino foi marcado pela forte chuva, mas isso não impediu a comunidade da Vila Madalena de fazer um bom ensaio, pelo contrário, a escola passou segura e não cometeu erros que possam comprometer o desfile. Destaque para a comissão de frente, que apresentou um grande repertório nesta noite.
“O ensaio foi positivo, por causa da chuva a gente achou que as pessoas fossem recuar, porque choveu muito em São Paulo hoje, mas acabou vindo muita gente. Temos muita coisa para melhorar, mas para mim foi um ensaio positivo. A partir de hoje nós vamos reestruturar o que vimos que está errado para poder vir no próximo com mais segurança”, declarou a presidente Sheila Mônaco.
Samba-Enredo
A obra se destaca mais por sua letra do que pela melodia. O intérprete Daniel Collete, que está indo para seu vigésimo ano no carnaval paulistano, conduziu muito bem a escola e mostrou um grande entrosamento com a bateria do mestre Neninho. A ala musical acompanhou bem as bossas no cavaco e violão e não deixou que os componentes confundissem a letra após sua execução. Vale ressaltar que nestes primeiros ensaios, a comunidade se baseia apenas no carro de som para o canto, pois as caixas de som ainda não estão disponíveis.
“A nossa escola está muito feliz por reunir os componentes, a escola está em reconstrução. Fomos campeões do acesso em reconstrução e hoje bateu todos os recordes de componentes aqui na avenida. O diretor veio falar para mim: ‘Daniel, estou a 29 anos na escola e nunca vi tanta gente no ensaio do Pérola Negra’, e é nosso primeiro, nós viemos de um réveillon, nós tivemos apenas um ensaio e conseguimos juntar todo mundo aqui legal, cantando, a ala musical tem a senha. Nós temos estúdio na semana que vem para poder acertar as coisas, estamos no caminho e nós queremos pancada na cabeça, quero todo mundo falando que está ruim para podermos abrir os olhos e consertar. A gente quer que critique para poder consertar cada vez mais”, disse o intérprete Daniel Collete.
Bateria
A bateria do mestre Neninho é mais uma que está se adaptando ao novo regulamento que prevê mais criatividade, as famosas paradinhas. Neninho está à frente da “Swing da Madá” desde 2018 e só tirou nota 10 desde então. No título do Acesso em 2019, a bateria da escola foi um dos quesitos destaque do desfile e uma das melhores do grupo.
“O entrosamento da bateria com a ala musical está perfeito, eu ganhei um intérprete que além de mestre de bateria, diretor de harmonia e excelente intérprete, ele entende muito bem de ritmo e é um cara que o que ele me pede eu procuro fazer e o que eu peço para ele, ele procura me atender também, e a ala musical nos cavacos e violões são todos companheiros de noite. Ao meu ver está tudo certo e eles estão fazendo as bossas junto com a gente, está tudo legal. Sobre a bateria eu sou muito crítico e acredito eu que precisa sim arrumar alguns detalhes, porém a chuva veio para abençoar, então acredito que foi bom. Vou conversar com meus diretores, fazer uma reunião, o ritmo foi o andamento que eu queria, 146 BPM (batidas por minuto) e consegui distinguir todos os meus naipes. Agora é limpar as quatro bossas e ir para a pista”, comentou mestre Neninho.
Mestre-sala e Porta-bandeira
Por causa da forte chuva, inevitavelmente a evolução e o bailado do casal foram afetados. A porta-bandeira Eliana Sales teve que trocar as sapatilhas no meio do ensaio e eles só conseguiram executar a dança rápida no final, quando a chuva deu uma trégua.
“Nós estamos ensaiando desde abril, e agora quando chega nessa reta final de dezembro, janeiro e começo de fevereiro, é ensaio todos os dias, para trazer os 40 pontos e permanecer no especial, que é o objetivo da escola”, disse a porta-bandeira Eliana Sales.
“O ensaio foi positivo, a gente ensaia muito, mas também temos que lembrar que acontece imprevistos. A chuva veio para fortalecer, para lavar a alma, para ver nossa coreografia como se encaixa e graças a Deus deu tudo certo, viemos com garra, determinação e estamos trilhando um caminho legal”, falou o mestre-sala Arthur Santos.
Harmonia
A harmonia da escola foi muito bem no primeiro setor, mas teve uma queda considerável no último, alguns componentes não cantavam com a mesma determinação e alguns aparentemente nem sabiam a letra. Mas no geral, são coisas pequenas a serem corrigidas neste quesito.
Evolução
Apesar da tempestade, a evolução da escola surpreendeu e não apresentou tantas falhas. A agremiação está apostando muito em alas coreografadas, que foram separadas por camisas diferentes, algumas usando bexigas e outros com adereços de mãos, e para correção, deve-se arrumar melhor o alinhamento entre as fileiras das alas.
Comissão de Frente
Foi o quesito destaque desta noite. Os componentes da ala não se intimidaram com a chuva e executaram muito bem sua dança, intercalando coreografia do samba com uma apresentação teatral. A comissão de frente usou um tripé, onde os integrantes entravam e saíam de dentro durante a coreografia.
Buscando sua permanência no Grupo Especial do carnaval paulistano a Pérola Negra abrirá a noite de desfiles do sábado com o enredo: “Brasil Tcherain. A estrela cigana brilha na Pérola Negra”, uma homenagem aos ciganos, desenvolvido pelo carnavalesco Anselmo Brito.
Na noite deste domingo, o promoter Carlos Henrique, da Mocidade Independente de Padre Miguel, foi assassinado ao reagir a um assalto. A escola cancelou o ensaio de rua.
Confira abaixo a nota oficial da Mocidade:
A Mocidade Independente de Padre Miguel lamenta profundamente o episódio que culminou no falecimento do promoter Carlos Henrique, responsável por promover diversos eventos na quadra da agremiação. Mais uma vítima da violência que atinge a todos os cariocas, baleado ao reagir a um assalto. Externamos nossa gratidão, e dedicamos condolências aos familiares e amigos.
A corte do Rio de Janeiro é inédita para o Carnaval 2020. Pela primeira vez, Djeferson Mendes foi eleito o Rei Momo e Camila Silva (ex-rainha de bateria do Vai-Vai, em São Paulo, e da Mocidade Independente de Padre Miguel) é a nova Rainha do Carnaval. A grande final aconteceu neste domingo, na Praia de Copacabana, na abertura oficial do Carnaval 2020. Ambos levam para casa o prêmio de R$ 30 mil cada. Deisiane Conceição de Jesus ficou como primeira princesa e Cinthia Aparecida é a segunda princesa. Alex de Oliveira terminou na segunda posição como vice-Rei Momo.
O evento teve mais de 300 mil pessoas, com apenas 43 ocorrências policiais e três remoções médicas. Na hora da comemoração, o Rei Momo recebeu a chave da cidade do Rio de Janeiro das mãos de Maurício Candonga, filho de José Geraldo de Jesus, o Candonga.
Responsável por guardar a “chave da cidade” por 30 anos, desde 1977, Candonga faleceu em 1997, mas a desde então a família do ilustre personagem do carnaval carioca passou a cuidar do adereço que já faz parte da tradição da nossa folia, tendo sido copiada em diversas outras cidades do país.
Cada participante fez uma apresentação individual, contando suas trajetórias com o carnaval e mostrando o mais aguardado, o samba no pé. A simpatia, a apresentação e a vivência com o carnaval foram analisados pela comissão julgadora. Cada um mostrou seus conhecimentos através de perguntas sobre a festa. No total o concurso todo teve 28 competidores desde a semifinal, sendo 14 concorrentes em ambas categorias de Rei Momo e Rainha.
Em um pouco mais de um ano, o Salgueiro recuperou sua alegria e vive um ótimo momento após toda disputa judicial. Em entrevista ao site CARNAVALESCO, o presidente André Vaz contou que ainda tem dívidas herdadas da gestão anterior, mas garantiu que aos poucos está conseguindo reestruturar a agremiação.
“Aos poucos a gente está negociando as dívidas, tem um grande banco que a gente
está negociando agora o passivo. Aos poucos a gente vai colocando a casa em
ordem. O importante é que nossa diretoria tem crédito na rua. Aos poucos a gente vai colocar a escola no patamar dela, fazendo shows e eventos sobrevivendo por ela mesmo da renda de ingressos de show e eventos na casa”, comentou o presidente ao site, na final de samba-enredo.
O dirigente ressalta a união na vermelho e branco e o poder da quadra.
“O Salgueiro está vivendo um momento diferente, a escola está unida em prol do Carnaval 2020. Brindamos o público com uma fachada nova, e a quadra estruturada para receber o público com respeito e carinho”.