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Vila Maria evolui no quesito harmonia e mantém ousadia na bateria

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Por Matheus Matos. Fotos: Felipe Araújo/Liga-SP

A Unidos de Vila Maria realizou na noite de quinta-feira, no Anhembi, o seu segundo ensaio técnico para o desfile de 2020. Mesmo num dia de semana, a agremiação levou um ótimo contingente, alas bem separadas, canto claro dos componentes e bateria mantendo a característica de ousadia de bossas.

O esquenta começou com o hino, exaltação e samba de 2017, ano em que homenageou Nossa Senhora de Aparecida. Ao iniciar o alusivo do samba pra 2020, a escola optou por não realizar a introdução que fez no primeiro ensaio. Após o grito de guerra, Wander Pires puxou o hino direto da cabeça do refrão.

“A escola está aí, firme e forte, comparecendo, brincando, cantando. Estamos prontos pra fazermos um grande desfile. Hoje deixamos alternar algumas coisas, porque foi como um laboratório, mas nós temos a fórmula na mão, o andamento na mão, o próximo desfile aqui vai ser para valer”, disse o presidente presidente Adilson José.

Bateria

A Cadência da Vila, assim como notado no primeiro técnico, promete trazer muitas variações de ritmos, coreografias e ousadias, principalmente, nas bossas. Um arranjo destacado é o que entra na segunda passagem do refrão principal, onde as caixas realizam desenhos, uma rufada e atacam, para depois subirem no repique. Tal variação contém 15 compassos, porém com informações de diferentes instrumentos em todo momento. Na passagem da primeira torre de jurado do quesito, a bateria parou e realizou a bossa que entra no meio da primeira estrofe. Após todo o arranjo, os repiques fazem frases enquanto todos os ritmistas evoluem com os braços, proporcionando além do lado sonoro, um ótimo efeito visual.

“Eu gostei muito. Mas eu sou um cara muito crítico, gosto de escutar tudo. Eu to ficando meio maluco com bateria, eu fico procurando pêlo em ovo (risos). Até porque a gente precisa apresentar um trabalho de qualidade, esperam isso da gente. Estamos focando muito no novo regulamento, no primeiro ensaio técnico nós ensaiamos e no dia seguinte já fiz específico de caixa. A gente está trabalhando muito o detalhe, nós já temos como característica ser limpa, e esse ano queremos ela mais limpa ainda”, ressaltou Mestre Moleza.

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Harmonia

O canto foi um ponto que não comprometeu o efeito geral. Algumas alas que demonstram um domínio maior com a letra e melodia, principalmente, nos primeiros setores. Mas existem também componentes com dificuldades de pronunciar com clareza o samba inteiro. Analisando o quesito dentro da escola, a ala Jovem desfilou com bastante alegria, principalmente, ao cantar o samba. A questão de conter versos mais fáceis, possibilita a direção da agremiação trabalhar com uma preocupação menor.

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Evolução

Mesmo com as pequenas pausas nas simulações para os jurados o andar da escola não acelerou e os componentes das alas estavam soltos. A escola apresentou algumas alas coreografadas, o que dificulta enxergar componentes com desânimo ou sem evolução. A primeira ala, localizada atrás das baianas, tem uma coreografia com leques. Os componentes não evoluem saindo do local, apenas com o adereço nas mãos, que emite um som explosivo casando com o ritmo do samba. Além desse ponto, a Vila Maria terá uma ala coreografada ao lado do abre-alas. O significado não ficou claro, mas é um ponto a ser observado no momento do desfile.

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“A gente vêm crescendo a cada ensaio pra chegar em alto nível no dia do desfile. A escola já desfila tranquila, desliza, em qualquer situação passa bem”, conta o carnavalesco Cristiano Bara.

Mestre-Sala e Porta-bandeira

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O casal Bruno e Tatiana já demonstra bom sincronismo e entrosamento, mesmo sendo ano de estreia. A dupla tem um estilo de dança com uma definição bastante clara, passos modernos e rápidos. O mestre-sala possui um bom domínio do local de dança.

“O primeiro ensaio foi quando a ficha caiu, junta ansiedade, emoção e o querer que dê certo. Esse segundo ensaio a escola já mostra o que está preparando para o grande dia, e com a gente não é diferente. Trabalhamos tranquilos e saio daqui muito feliz”, defende Tatiana.

“A gente não pensa muito na estreia no Sambódromo. Ensaia, ensaia, ensaia e pensamos que tudo vai dar certo. A ficha de ser o primeiro vai caindo aos poucos, por completo acho que só no dia”, afirma Bruno.

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Comissão de frente

Assim como no primeiro, a comissão trouxe componentes fantasiados. Os homens com roupa preta e mulheres vestidas de chinesas, até mesmo com adereços pra reforçar a figura. Porém, o personagem principal, que na ocasião se vestia de macaquinho, evoluiu com roupa simples. A ala atende grandes espaços da avenida, mas sempre com muita interação com o público, ponto julgado no próprio regulamento.

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Samba-enredo

A ala musical da Unidos de Vila Maria fez uma passagem segura, com aberturas de vozes em trechos específicos. Wander Pires também demonstrou segurança, ousou nos cacos, principalmente, dentro de uma bossa que a cozinha desenha antes de subir no primeiro refrão. O samba facilita componente, que canta o refrão com muita segurança, ato diferente da primeira estrofe em diante.

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“Eu achei o ensaio maravilhoso, bem mais objetivo do que o primeiro. Estamos cada vez mais preparados, mais certos e vamos em busca do resultado”, disse Wander Pires.

Outros destaques

Os destaques da noite ficaram nos últimos setores. O primeiro é a alas das passistas, que todas e todos estavam à caráter com o enredo. Já o segundo exalta a empolgação da ala Vila Mathias que, mesmo nos momentos finais, não desanimou ao cruzar a faixa.

Renascer de Jacarepaguá desliga primeiro casal de mestre-sala e porta-bandeira

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A Renascer de Jacarepaguá informa o desligamento do primeiro casal de mestre-sala e porta-bandeira, Luiz Augusto Russier e Thainá Teixeira, faltando menos de 30 dias para o desfile. A escola não informou quem vai assumir o posto.

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Confira abaixo a nota da escola:

“O G.R.E.S. Renascer de Jacarepaguá, em nome do presidente Antônio Carlos Salomão, informa que devido à falta de compatibilidade, Luiz Augusto Russier e Thainá Teixeira não integram mais o corpo de profissionais da escola. Agradecemos aos profissionais toda a dedicação, talento e respeito ao pavilhão.

A agremiação informa, ainda, que o nome do novo primeiro casal de mestre-sala e porta-bandeira será informado em breve”.

União da Ilha grava versão à capela de seu samba-enredo pra o Carnaval 2020

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A União da Ilha do Governador gravou um versão diferente de seu samba-enredo para o Carnaval 2020. A cantora Lena Aires, que vai desfilar pela escola em uma ala formada apenas por vozes femininas, gravou a obra da escola em um andamento mais de voz e violão. Confira como ficou o resultado:

Paolla Oliveira tira onda com a bateria da Grande Rio em ensaio no Sambódromo

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Paolla Oliveira tira onda com a bateria da Grande Rio em ensaio no Sambódromo

A atriz Paolla Oliveira participou do ensaio de bateria da Grande Rio, na noite desta quinta-feira, na Marquês de Sapucaí. A rainha de bateria da escola de Duque de Caxias cantou o samba inteiro, interagiu com os ritmistas de mestre Fafá e levou o público que acompanhava o treino ao delírio. Veja os vídeos abaixo.

Mestre Sombra cita filho como possível substituto na direção de bateria da Mocidade Alegre

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Mestre Sombra

Vice-presidente e mestre de bateria da Mocidade Alegre, Sombra se mantém com mais de 46 anos de envolvimento com a escola. Durante a gravação da faixa ao vivo do CD, o Mestre Sombra conversou com o site CARNAVALESCO sobre projeto para o carnaval de 2020.

“O samba ganhou e a gente já começou a ensaiar. Jogamos coisas diferentes em comparação ao ano passado, uma roupagem diferente, entrando com ritmo não de costume, fora de cabeça de samba, fora de refrão, pra vê se a gente consegue dar uma dinâmica diferente”.

A bateria ritmo puro sempre foi um show à parte durante o desfile. Representação de uma flecha acertando um coração em 2009, caracol e movimentação do cubo-mágico onde a bateria se divide, uma parte anda e os lados se invertem, são pequenos exemplos.

Sobre o próximo carnaval, Mestre Sombra não adiantou surpresa, mas garantiu que já pensam no caso.

“Ah, eu não planejo, mas a gente sabe que tem a expectativa. No decorrer dos ensaios, a gente sempre vai pensando em alguma coisa, mas é lógico que passar em branco não vai. Alguma coisinha vamos fazer sim”.

Com anos de experiência e envolvimento no carnaval, os rumores de possíveis substitutos para o cargo de mestre rondam a Morada do Samba. Sombra afirma que não pensa em aposentadoria, e comenta sobre a possibilidade de passar o posto para o filho.

“Prazo não tenho, não. O Sombrinha é um garoto ainda, 19 anos, lógico que ele é um grande ritmista, tem noção de muita coisa, mas precisa amadurecer. Tem que tomar o cuidado pra não dar um passo maior que a perna e queimar ele, a ideia não é essa. Mas claro que tem projeção de ser um grande mestre, filho de Sombra, Sombrinha é. Eu acredito que vai dar certo, talento ele tem. É o sonho de todo pai ver o filho seguindo o seu caminho com êxito, a minha expectativa é essa”.

A Mocidade Alegre será a quarta escola à desfilar no sábado, dia 22 de Fevereiro, com o enredo: “Do canto das Yabás renasce uma nova morada”, assinado pelo trio de carnavalescos Edson Pereira, Márcio Gonçalves e Paulo Brasil.

Entenda alterações no regulamento dos jurados do carnaval de São Paulo

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Por Gustavo Lima e Matheus Mattos

A Liga-SP organizou uma plenária com os veículos de imprensa do carnaval para divulgar as alterações no regulamento para o carnaval de 2020. A primeira alteração, e a mais ousada, foi no quesito bateria. A inserção do item “Performance” provoca variantes de ritmo durante o campo auditivo do jurado. O quesito precisa apresentar uma bossa/arranjo/paradinha com mais de 16 compassos para somar 0.2 à nota, contando o beat binário. Caso apresentem algo com menos de 8 compassos, acrescentam apenas 0,1.

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Lembrando que, a bateria precisa realizar essas variações de ritmo pra atingir o 10. Caso contrário, a bateria atinge o 9.8, que é a nota máxima dos outros pontos de julgamento.

Ainda no quesito bateria, o regulamento ainda analisa outros pontos.

Sustentação: A bateria precisa apresentar um ritmo sem oscilações, que é a penalização caso acelerem ou atrasem o som produzido. Se oscilar 3 BPM (batidas por minuto) no campo auditivo, tanto pra mais quanto pra menos, o jurado pode tirar nota.

Entrosamento: É o perfeito conjunto entre todos os instrumentos. Um não pode sobressair em comparação ao outro, e nem tocar em ritmos diferentes.

Equilíbrio Instrumental: todos os naipes devem ser escutados com clareza.

Precisão rítmica: É a execução perfeita de todos os instrumentos.

Afinação: Esse ponto também sofreu uma leve alteração. Antes, apenas os surdos eram julgados. Pra 2020, todos os instrumentos serão analisados no item afinação, que é a padronização guiado pelo gosto da agremiação e mestre.

Outro detalhe importante a ser destacado é, o julgador de bateria localizado no recuo será posicionado exatamente dentro do local. A Liga montará uma cabine exclusiva para que o jurado tenha um campo auditivo justo pra analisar.

Os quatro jurados terão um gravador pra justificar e apresentar pra escola no caso de uma retirada de décimos.

Ainda no quesito musical, o samba-enredo mantém alguns pontos de julgamentos em comparação ao último carnaval.

Como por exemplo; Fidelidade do samba com o enredo, Adequação da letra com o desfile, Riqueza poética (penalização por falta de variantes de melodia) e a Divisão melódica (pouca letra dentro uma extensa melodia, e vice-versa).

Já o quesito de harmonia julga diretamente o canto dos componentes. O item entrosamento avalia se o canto atravessou ou não, ou seja, a ala 10 precisa contar na mesma sincronia que a ala 2, por exemplo.

Outro ponto é a “Clareza”. Os componentes precisam cantar de uma forma que o público e os jurados entendam cada letra. Pronúncia clara da letra do samba-enredo.

É importante ponderar que o volume do canto não é julgado. Caso uma escola cante baixo, mas de que dê pra ouvir o componente e o samba com boa definição, a escola cumpre o regulamento e atinge a nota máxima.

Visual

O enredo segue analisando o tema proposta e a forma que a história foi contada através do desfile. A criatividade do carnavalesco ao confeccionar a ala e o que ela representa, também será julgado.

Caso a ordem das alas apresentadas na pasta não for seguida pela escola, isso também se caracteriza como penalidade.

No quesito fantasia, as pastas estão com um grau maior de importância no momento do julgamento. Caso um componente esteja fora do padrão da imagem cedida ao jurado, a escola sofrerá a penalização. Quanto maior o número de componentes sem uniformidade, mais a retirada de décimos.

A forma também será avaliada, ou seja, a base, a estrutura não pode se igualar de uma ala para outra.

A escola precisa estar homogênea. O primeiro setor não pode conter fantasias luxuosas enquanto o terceiro está com um molde simples.

Já em alegorias, a forma em que o elemento é passado nas pastas também se alterou. A agremiação seguirá um padrão, mais claro e objetivo, e apontando todos os itens exigidos, como os locais com componentes.

A questão das proporções das esculturas também está inserida. Por exemplo; caso a cabeça não concordar com a estrutura do corpo, o jurado pode apontar conforme o manual.

Comissão de frente

Este quesito decidiu o acesso e descenso no carnaval de 2019. A Liga fez um estudo e observou que o foco do julgamento da comissão de frente estava mais na fantasia do que pela dança em si, sendo assim, fez algumas mudanças. Para analisar o quesito, são três pontos de julgamento:

Fundamento – No regulamento a comissão de frente deve ter no mínimo 6 e no máximo 15 integrantes. Precisam estar na pista no mínimo 6, apresentando a escola e saudando o público de forma sincronizada

A comissão de frente não pode desgarrar da escola e do olho do jurado, jamais deve ficar longe de outra ala.

Plástica artística – Os componentes devem valorizar e se atentar mais à dança, que é a qualidade visual, a proposta da escola, ou seja, deve ser sincronizada ou teatralizada e a fantasia do componente deve permitir que ele faça tal movimento.

Se é uma proposta de coreografia e por exemplo forma-se um triângulo, ele deve ser geometricamente bem desenhado na pista, paralelo e um de frente para o outro. Se for teatralizado, o jurado deve conseguir olhar toda a expressão corporal e identificar toda a proposta da comissão de frente.

Uma mudança importante é que, tanto para o teatro como nas coreografias, tem que ter limpeza dos movimentos, ou seja, um determinado integrante da comissão de frente não pode fazer movimentos que se desencontram com o movimento de outro componente.

Acabamento (figurino e integridade) – Integridade é o dano que a fantasia está tendo no desfile, como por exemplo rasgar, cair o chapéu ou quebrar algo. O figurino deve ser colocado na pasta dos jurados e eles devem conseguir identificar tudo na pista, tem que ser perfeito, exatamente como está na pasta.

Evolução

É o mesmo critério de julgamento do ano passado, só que foi excluído o efeito sanfona. Os itens para julgar são:

Expressão corporal – Algo que a escola de samba deve treinar muito, pois é algo individual, por exemplo, de 3 mil componentes, cinco não estão se movimentando, deve ser penalizado. Não pode estar andando, como se tivesse na obrigação de estar lá, isso será detectado.

Variação de velocidade – Será penalizado sempre quando acelerar. Às vezes a escola diminui o passo por uma entrada de bateria no recuo, apresentação de comissão de frente, mestre-sala e porta-bandeira, isso não será penalizado. Só tirará ponto da escola se por algum motivo tiver que aumentar o passo.

Invasão de alas – Quando o componente de determinada ala fica paralelo à outra, já é considerado invasão pelo regulamento. Se um destaque de alegoria somente encostar em um componente de outra ala, também é considerado invasão. Esse é um tópico bem rigoroso que a agremiação deve ficar muito atenta, porque ocorre com frequência nos desfiles.

Choque de alegoria e componente – Normalmente isso acontece quando a escola tem um projeto de um desfile mais compacto e acontece de o carro alegórico atropelar o destaque ou invadir a ala da frente, isso será penalizado.

Buraco – Ocorre entre alas e dentro da própria. A escola estabelece um padrão que deve vir uniforme com o tempo de desfile. Lembrando que não tem uma metragem certa para detectar um buraco, o jurado já deve considerar um espaço considerável para penalizar a agremiação.

Divisão de escola – Ocorre quando se divide no meio. Para não confundir com o buraco, foi orientado para os jurados que, se determinada ala separar de outra em um perímetro que cabe outra ala, é considerado divisão de escola, não buraco. Por exemplo, às vezes o casal está evoluindo e a alegoria que está atrás dele não acompanhou e abriu um perímetro de uma ela, isto é considero divisão de escola.

Mestre-sala e porta-bandeira

A Liga faz um trabalho de levar um casal do Rio de Janeiro, (para não expor ninguém de São Paulo) como exemplo, e ano passado foi o casal da Vila Isabel, onde fizeram um trabalho de narrar todos os movimentos para ficar claro para os jurados.

Entrosamento – É julgado o que eles fazem entre si, eles não podem conversar, não pode encostar um no outro, e voltou o que tinha há 3 anos atrás, que é a finalização de movimentos, ou seja, a dupla precisa parar ou pontuar para realizar outro movimento.

Postura – É analisado individualmente. O mestre-sala não pode encostar o joelho no chão, a porta-bandeira não pode se curvar a qualquer um e deve ter postura de rainha.

Acabamento e integridade – É analisado o dano que deve comprometer a fantasia, pois acontece de cair algumas penas ou pequenos detalhes, isso não é considerado como dano. Agora, se for danificado um pedaço grande da fantasia, deve ser penalizado, como saias, costeiros, adereços de cabeça, etc.

O regulamento de São Paulo não é comparativo. A escola precisa ter a ciência do que ela vai apresentar, e executar com excelência.

Vice-presidente da Mocidade fala do momento da escola para o carnaval

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Por Eduardo Fonseca

O clima em Padre Miguel é de profunda expectativa e esperança com o Carnaval 2020. O enredo e o samba sobre Elza Soares faziam parte do sonho de todo torcedor independente. O site CARNAVALESCO conversou com o vice-presidente Luiz Cláudio e ele abordou o momento da verde e branco e o que esperar da Estrela Guia no desfile deste ano.

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Enredo

“Esse é o enredo que a comunidade pede há bastante tempo. Estamos muito felizes com o resultado de nosso samba-enredo. É um samba que a escola toda abraçou. E com isso temos feito ensaios com bastante êxito”, disse.

Presença da Elza Soares

“Estamos sempre em contato com a Elza. O carnavalesco (Jack Vasconcelos) esteve na casa da Elza. Ela está super empolgada. Deve visitar o barracão para ver o trabalho nas alegorias e fantasias”.

Participação de Rogério Andrade na escola

“É um apaixonado pela escola. De fato, como disse o Wander Pires, ele está muito feliz com o andamento do carnaval e do projeto do enredo. O samba também emociona muito”.

Entrevistão com mestre Rodney, da Beija-Flor: ‘a justificativa da falta de criatividade deveria cair’

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Em 2020 o mestre Rodney completa 10 anos como comandante da bateria da Beija-Flor. Após assumir em meio a uma crise no segmento, após a desavença entre Paulinho e Laíla, Rodney provou sua capacidade e transformou a bateria da Deusa da Passarela em uma das referências no Grupo Especial. O mestre conversou com a reportagem do CARNAVALESCO para a série ‘Entrevistão’.

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O mestre criticou os julgadores do quesito que sempre usam a justificativa da falta de criatividade para punir os mestres. Ele também fez um balanço desses 10 anos e citou Laíla e Neguinho da Beija-Flor como padrinhos. Incisivo, afirmou que a manutenção do ritmo e do andamento são mais importantes que paradinhas e coreografias dentro de uma bateria.

Hoje, a gente já pode falar. Qual foi seu maior medo quando assumiu a bateria?

“Medo que todo mundo tem, de não ser capaz de conduzir. Graças a Deus a escola confiou em mim e me deu oportunidade. Dez anos depois posso dizer que venci, graças à ajuda dos meus ritmistas, dos meus diretores. Acho que o trabalho está aí para quem quiser ver”.

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E qual foi a maior mudança da bateria no seu comando para o mestre Paulinho?

“Eu acho que foi o aproveitamento da prata da casa. O nosso projeto de formar novos ritmistas nos deu uma gama enorme de novos integrantes. Eu posso afirmar que 98% da nossa bateria hoje é formada por oriundos da nossa escolinha. Isso é um ganho espetacular”.

Laíla foi fundamental para sua chegada. O que você aprendeu com ele e o que pode falar dele?

“Aprendi muita coisa com ele. A oportunidade mais importante da minha vida foi me dada por ele e pelo Anísio. Posso dizer com toda humildade? O pouco que eu sei eu aprendi com o Laíla. É um mestre para mim e muita gente. Estou aqui graças a suas broncas e hoje estamos no rumo certo”.

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Como você define o ritmo praticado pela bateria da Beija-Flor e qual BPM (batidas por minuto) preferido?

“Somos uma bateria afinada e suingada. Cada samba possui uma característica de andamento. A cada ensaio a gente busca fazer ajustes para encaixar o andamento mais confortável. A estrela é o samba-enredo. Até o último ensaio antes do desfile a gente pode mudar o andamento. É uma constante de análise”.

Como é para você trabalhar com o Neguinho da Beija-Flor?

“É tudo de bom. Ele também me deu muito apoio. Neguinho está a cada dia melhor, e ajuda muito a gente no trabalho da bateria. Temos um entrosamento perfeito com ele, além do canto da escola. Que bom que temos o Neguinho junto com a gente”.

O que gostaria de mudar no julgamento do quesito bateria?

“A primeira coisa que eu iria extinguir é justificar uma nota diferente de 10 com ‘falta de criatividade’. Eu acho essa explicação a maior falta de criatividade que existe no carnaval”.

Vivemos um momento de alto nível das baterias do Especial, inclusive, com a entrada da garotada. Qual sua análise desse momento das baterias?

“Todos os mestres são musicistas. Eu fico muito feliz. Eles chegaram com todos os méritos. Os meninos do Salgueiro, os meninos da Ilha, o Fafá. Quem ganha com isso é o carnaval. Hoje em dia o sarrafo para você tirar 10 está muito elevado e eu acho isso muito bom”.

Rodney é contra ou a favor das paradinhas? E o motivo?

“Eu acho que a convenção é um recurso. Eu acho que não pode ser algo que seja determinante no quesito. Se torou uma obrigação. Todas as baterias fazem e nós também fazemos”.

Você tem ao seu lado a Raissa. Fica mais fácil para o mestre ter a rainha da comunidade e que conhece tudo na escola?

“Estou com ela desde o início. Ela é rainha na acepção da palavra. Quando ela estava grávida sempre ligava para a gente, perguntava como estavam os trabalhos. Raíssa é uma rainha mesmo”.

E coreografias a bateria da Beija-Flor um dia vai fazer algo e por que não faz?

“A gente fez em 2013 e 2014. Se for necessário eu farei. Mas aqui o principal é a sustentação do ritmo mesmo”.

Bateria Cadência da Baixada mostra criatividade em ensaio de rua da Inocentes de Belford Roxo

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Por Gabriella Souza

A Inocentes de Belford Roxo fez seu ensaio de rua, na noite desta quarta-feira, e iniciou seu treino com discursos motivacionais dos dirigentes que animaram o público e os componentes a realizarem um ensaio bom e empolgante. A escola sustenta um enredo forte e importante sobre a futebolista Marta, já premiada seis vezes como a melhor do mundo. O samba que é marcante promete ser um dos mais animados e cantados da Série A. O grande destaque do treino foi a bateria Cadência da Baixada que mexeu com o público com suas bossas e novidades, marca da criatividade do mestre Washington.

O diretor de carnaval, Saulo Tinoco, ressalta que a escola vem evoluindo e que o trabalho de sua equipe está sendo feito e a que tendência para a Inocentes é só crescer até o desfile:

“O ensaio de hoje está em uma crescente, semana passada nós tivemos um público muito bom e hoje superou. A expectativa mesmo é chegarmos no 100% com todos os componentes da escola, mas creio que estamos no caminho. Agora é aquele trabalho de ‘formiguinha’ mesmo já que faltam menos de 30 dias para o carnaval. Hoje já evoluiu bem e semana que vem estará melhor, portanto está sendo uma crescente mesmo com a escola cantando e não só o refrão”, conta.

Harmonia e Samba

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O carro de som é um dos pontos fortes da escolas, com intérpretes experientes como Pixulé e Tem-Tem Sampaio mostra potência e muita qualidade. Levantam o samba que possuiu uma letra boa e um refrão forte e marcante, sem dúvida, será uma das principais atrações da escola para o desfile. Já o canto dos componentes pode melhorar, já que foi notado muitos ainda lendo a letra em folhetos entregues pela escola, até mesmo alas inteiras. Mas, no geral, a comunidade mostrou seu esforço em aprender a letra, vale lembrar que restam menos de 30 dias para a abertura dos desfiles e questões como esta precisam ser rapidamente sanadas.

Evolução

A escola estava com um número de componentes reduzida. Algo para receber atenção d diretoria, já que pode prejudicar o andamento e a evolução da escola como um todo. Apesar disso, a escola evoluiu com tranquilidade e no andamento desejado e planejado pela equipe de diretoria e harmonia. Destaque para a ala com balões vermelhos, muito empolgada e que chamava o público a também cantar o samba e sambar.

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Mestre-Sala e Porta-Bandeira

O primeiro casal de mestre-sala e porta-bandeira da Inocentes de Belford Roxo, Douglas Valle e Jaçanã Ribeiro, apresentou qualidade nos movimentos. Ambos são técnicos com habilidades na agilidade dele e na leveza dela ao conduzir o pavilhão. O entrosamento entre os dois proporciona uma coreografia leve, que é bem simples e até mesmo mais clássica se comparada ao que outros casais vem desenvolvendo. Será também um dos pontos fortes em qualidade e técnica no carnaval da Série A de 2020.

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Bateria

O destaque principal do ensaio foi a bateria Cadência da Baixada comandada por mestre Washington Paz. A bateria apresenta uma organização boa e uma qualidade excelente. Apesar de não estar com um número ideal de ritmistas, cada naipe é bem dividido e isso proporciona uma boa sonorização ao todo, contribuindo ao andamento adequado para a escola. O que faltou foi um entrosamento maior da rainha Amanda Andrade com a bateria. Washington se mostrou um mestre experiente e preocupado com a qualidade de técnica de seus ritmistas no ensaio, visto ter criado um série de novidades para a bateria, tanto em bossas como em coreografias. Um dessas novidades é que em momento do samba, metade da bateria vira de lado e bate palmas enquanto a outra segue tocando. Washington conta ainda que as novidades não param e que ainda reserva outras mais para a Sapucaí:

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“Ainda tenho alguns detalhes para acertar e sempre temos no que melhorar, mas estamos no caminho certo, até o desfile ainda temos alguns ensaios e podemos ajustar o que for necessário. A gente aqui gosta de fazer algumas brincadeiras com algumas coreografia e já adianto que vem mais surpresa além disso. Acho que para vir normal é melhor ficar em casa, a gente gosta de arriscar. Mas é legal viver nessa tensão e acho mesmo que depois que começamos a fazer essas novidades nós passamos a ser cobrados todos anos para trazer algo diferente e quando a gente não faz o público sempre reclama. Já virou uma identidade do nosso trabalho”, conta.

Liga-SP apresenta novidades e investimento na capacitação dos julgadores do Carnaval 2020

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Por Gustavo Lima e Matheus Mattos

A Liga das Escolas de Samba de São Paulo (Liga-SP) realizou entrevista coletiva, na noite desta quarta-feira, em sua sede, para apresentar novidades e o critério de julgamento para o Carnaval 2020. Confira abaixo alguns trechos das declarações do presidente Serginho, comandante do Grupo Especial e Acesso paulistano.

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Treinamento dos jurados

“A nossa ideia é sair com uma linha só. Sem cada um ter sua diretriz, sem conhecer o regulamento. Pensamos em mostrar como o processo foi feito e que a linguagem seja a mesma. Elaboramos uma maneira esse ano para que fosse feito um treinamento e escolhemos três coordenadores, que já foram julgadores, para que eles cuidassem dos julgadores. Pessoas acadêmicas que se integraram e transmitiram para o popular para a conversa ter a mesma linha de raciocínio. Temos o maestro Rogério no módulo música, a Flávia no módulo dança e o Bruno no módulo visual. Cada escola e jurados receberam o material que preparamos para o treinamento e todas informações de como será julgado cada quesito na Avenida. O julgador ainda levará para cabine uma apostila para usar caso tenha dúvidas”.

Algumas mudanças

“Em todas as cabines de julgador as baterias vão ter que ousar. A mudança na bateria teve uma votação apertada entre os presidentes e quem vai ganhar é o espetáculo. A ideia nossa era que o julgador pudesse descer e acompanhasse até a outra torre e assim por diante, mas ainda não vamos conseguir para esse ano”.

Investimento no julgamento

“A Liga vem investindo pesado nessa parte de julgadores nos últimos quatro anos e trocamos o quadro completo dos julgadores. Optamos por pessoas com muita qualificação e criamos um sistema que facilita para escola entender como ela é julgada. A cada ano tentamos que o carnaval tenha o resultado mais justo e transparente possível. Nos últimos o maior investimento na estrutura de carnaval foi no julgamento. Já fui presidente de escola e quando cheguei na casa não entendia a forma que era julgado. Pensava de uma maneira e o julgamento era de outra. Ia para Avenida no escuro. Queria entender porque não poderia ser tão claro e todo mundo saber como era o julgamento e o treinamento”.

Punição mais leve

“O carnaval está cada vez mais acirrado. Algumas penalidades estavam pesadas e decidindo carnaval por um décimo e algumas perdendo pontos por problemas. A ideia é que a escola que tiver problemas na pista possa ainda se recuperar dentro da pista. Não é deixar de punir, mas ter condições de disputar, sem ter uma punição tão forte. Antes quem estourava o tempo máximo ou mínimo perdia de cara logo 1 (um) ponto e agora está mais brando. Estava desproporcional. Nos adequamos para escola ter flexibilidade, caso aconteça algum problema durante o desfile”.