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Witzel promete volta dos ensaios técnicos em 2021 em encontro no Palácio Guanabara

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    Por Gabriella Souza

    Vai ter ensaio técnico em 2021. Pelo menos é o que garante o governador do estado do Rio de Janeiro, Wilson Witzel. O chefe do executivo estadual se reuniu com representantes de blocos, onde anunciou além de um aporte da Ambev na estrutura do carnaval de rua, a volta dos ensaios técnicos para o ano que vem. Witzel disse que o planejamento para o carnaval do próximo ano começa assim que terminar o deste ano.

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    “Digo sempre o seguinte. Quando vim de Jundiaí fui conhecer o que o samba faz com as pessoas. Ele faz com que as pessoas não queiram mais sair daqui. Estamos apoiando o samba. Queria que os ensaios técnicos acontecessem, ano passado viabilizamos. Tenho fé que vamos alcançar os R$ 20 milhões para as escolas do Especial e Série A. Temos condição de realizar um grande espetáculo. Para o ano que vem determinei: terminou o carnaval desse ano, vamos planejar 2021. Vai ter ensaio técnico”, prometeu.

    Depois de ver o município de São Paulo avançar para se tornar o maior carnaval de rua do Brasil, o Rio pretende reagir para retomar o posto. Witzel brincou com os governadores da Bahia, Rui Costa, e, de São Paulo, João Dória, mas afirmou que o Rio retomará o protagonismo que sempre teve na folia.

    “As empresas estão investindo no Rio e a cultura favorece isso. É preciso investir nos blocos de rua. Gostaria de agradecer à AMBEV pela infraestrutura dos blocos. Serão R$ 8 milhões de auxílio. No final das contas a gente recebe muito mais, por isso, eu considero investimento, nunca gasto. Qualquer lugar do mundo tem problema. O Rio vai vencer isso. Com todo respeito aos meus amigos Rui Costa e João Dória, mas vamos voltar ao topo”.

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    Witzel anunciou um novo programa social, onde jovens irão receber bolsa-auxílio em troca de orientações ao público nas ruas durante o carnaval.

    “Peço o apoio de todos que vão para o carnaval. Depois que a gente vai embora precisamos que o morador da região onde o bloco sai queira que ele volte. Estamos com um programa ‘Ambiente Presente’, onde vamos dar oportunidade a 2 mil jovens com bolsa de 1,5 salário pra ficarem nas ruas conscientizando as pessoas, auxiliando o turista. Precisamos ser um país onde as pessoas gostem de voltar. Por isso, estamos investindo e vamos ter o maior carnaval de rua do Brasil”, finalizou o governador.

    Ao vivo: intérpretes do Grupo Especial do Rio na Rádio Mania

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      Vídeos e fotos: Mangueira na Cidade do Samba

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      TAXI.RIO estará com ponto de táxi no Sambódromo

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        Para facilitar a saída dos foliões do Sambódromo, o Taxi.Rio, aplicativo de Táxi da Prefeitura do Rio, vai selecionar 400 taxistas que terão um ponto para embarque de passageiros ao lado da Marquês de Sapucaí.

        Os quesitos para a seleção dos profissionais são: a quantidade de corridas realizadas, as notas recebidas nas corridas e o índice de atendimento dos pedidos. A divulgação do resultado da seleção acontece na próxima sexta-feira, 14, e a entrega das credenciais será nos dias 19 e 20 de fevereiro. A credencial não permite o trânsito livre nas áreas do Sambódromo, somente no acesso ao ponto do Taxi.Rio.

        O ponto funcionará na Rua Afonso Cavalcanti, em frente ao Centro Municipal de Saúde Marcolino Candau, na Cidade Nova, e funcionará dos dias 21 a 25 e 29 de fevereiro, com início às 22h e com término 1 hora depois do final do último desfile. Além disso, também haverá um ponto de apoio aos taxistas em frente à Prefeitura.

        Série Barracões: Beija-Flor resgata grandiosidade com desfile sobre as mais diversas ruas da humanidade

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        Por Gabriella Souza

        A Beija-Flor, assumindo seu posto de ‘Deusa da Passarela’, irá retratar a história da humanidade, sua evolução e reinvenção através de seus passos, desde os nômades e andarilhos ao nascer de modernas cidades, famosas Avenidas e ruas que servem de lar, expressão e manifestação do povo, que a pertence e a ocupa. Para 2020 a azul e branco trouxe o enredo ‘Se Essa Rua Fosse Minha”, contando com a assinatura de dois carnavalescos da casa, Alexandre Louzada e Cid Carvalho.

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        Cid Carvalho conta que a questão estética do enredo proporcionou algo determinante para a escolha e também para o desenvolvimento do desfile, visto ser um assunto amplo e versátil, o que lhe fascinou.

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        “O que me chamou mais atenção foi o como que o homem a partir do momento em que ele se colocou de pé teve uma necessidade muito grande de se espalhar e de evoluir no sentido de tomar conta dos continentes. E como essas pequenas trilhas se transformaram em caminhos e depois em ruas. Como que esse processo evolutivo das ruas mexeu com a imaginação do homem ao ponto de existirem ruas que só existem na nossa cabeça, por exemplo, a estrada do arco íris, a via láctea. Talvez, a gente jamais possa caminhar por essas ruas, mas elas estão na nossa imaginação. Como que depois que o homem evoluiu, depois inventou a roda, qual foi a necessidade de pavimentar isso para a roda não atolar ou agarrar. Nos leva ao conceito mais urbano de rua hoje, são questões amplas que a gente pretende abordar. É todo um processo realmente de evolução do homem para a humanidade a partir das suas trilhas e seus caminhos, suas rotas”.

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        Alexandre Louzada diz que a idealização surgiu com ele, através de uma brincadeira alguns anos atrás e que veio amadurecendo a ideia até chegar nesta proposta e concretização.

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        “Um enredo surge naturalmente, como vários que já fiz. Mas esse partiu de uma brincadeira, até mesmo com o carnavalesco da Grande Rio, Gabriel Haddad, que na época ainda era meu assistente. Nisso fizemos uma brincadeira, não lembro exatamente como, sobre essa história de ‘rua’ e ficamos falando diversas coisas sobre o assunto, no final brincamos ‘isso dá um bom enredo’. E a ideia principal é que nós carnavalescos, aderecistas, artistas do carnaval nós trabalhos o ano inteiro criando, desenhando, confeccionando a nossa arte para mostrar em uma rua, a Sapucaí. O objetivo é retratar quanto caminhos, estradas e rotas a humanidade percorreu para a gente chegar até aqui, aos dias de hoje. Por onde a humanidade passou, ela deixou o seu legado, foi construindo cidades, comercializando com outros povos e tudo mais. Bom, a própria vida da gente é uma estrada, não é?”, declarou Louzada.

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        Cid Carvalho completa falando como foi a recepção do enredo por ele e toda a equipe de diretoria da Beija-Flor após a proposta de Louzada.

        “Esse enredo chegou quando o Louzada retornou, quando a escola decidiu que seríamos uma parceria com dois carnavalescos, ele colocou essa sugestão na mesa e de primeira eu já achei que daria “um caldo”, que teria como esteticamente fazer um carnaval com um estilo bem de Beija-Flor. Como parceiro dele no desenvolvimento do enredo junto com a administração da escola topamos tocar e fazer essa ideia acontecer”, contou Cid.

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        Cid Carvalho ressalta ainda que mesmo com todas as dificuldades orçamentárias que as escolas estão passando para a confecção do carnaval de 2020, a Beija-Flor tem suas vantagens e saídas e que está desenvolvendo um grande carnaval.

        “A Beija-Flor tem uma vantagem para os profissionais que trabalham na confecção de um carnaval aqui, visto ser uma escola bem estruturada e que não tem dívidas. Se consegue, mesmo que não seja fácil, ordenar e fazer acontecer. Mas, realmente, é complicado sem o apoio da prefeitura, de órgãos e de algum patrocinador, realmente a verba fica muito apertada e nós temos que no meio disso buscar soluções criativas, claro que sem perder a característica da escola. A grandiosidade está de volta, o luxo visual está de volta. Às vezes a gente tem que fazer um readaptação para conseguir adequar o orçamento e conseguirmos encaixar tudo. Mas aqui é mesmo uma parceria entre todos, os carnavalescos como criadores, todas as equipes envolvidas na confecção e a administração da escola, esses três grupos tem que estar muito afinados para conseguirmos realizar um grande carnaval e vamos”.

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        Cid Carvalho destaca ainda a experiência profissional da dupla, ainda mais, em casa. O que facilita na hora de balancear os gostos dos componentes, da diretoria e particulares, sempre pensando na essência da escola em primeiro lugar.

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        “Eu e Alexandre temos a vantagem de já termos trabalhado muito tempo na Beija-Flor e ambos com muitos títulos, se juntar tudo dão sete, tirando os vice-campeonatos, ou seja, a gente conhece bem a alma e a essência dessa escola. Já sabemos o que o componente gosta, como prefere estar vestido e de quais tipos de alegorias irão agradar mais. Quando se junta isso tudo temos um componente mais motivado do que nunca e a probabilidade do canto ser muito forte, da evolução acontecer de forma mais empolgada é muito grande. Conhecer muito bem a casa já nos facilita”.

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        Entenda o desfile:

        O que se viu no barracão foi uma escola luxuosa, realmente como pontuado por Cid, alegorias grandiosas e adereços de alta qualidade, acabamento e cor viva. A Beija-Flor promete vir com um visual bonito, elegante e de nível alto.

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        A escola virá com um com um tripé da comissão de frente e seis alegorias. Cid Carvalho explica, setor por setor, a concepção do desfile.

        Setor 1: “O nosso abre alas irá retratar a última era glacial. É um carro acoplado bem estilo Beija-Flor, grandioso e com personalidade, como o nilopolitano gosta”.

        Setor 2: “Nosso segundo carro é o ‘todos os caminhos levam a Roma’ e que fala exatamente da evolução da humanidade, de como o homem foi abrindo seus caminhos, pavimentando as ruas, inventou a roda, até chegar nesse conceito mais urbano de rua que temos hoje”.

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        Setor 3: “O carro três retrata a chegada do homem pelos caminhos marítimos ao novo mundo, e, consequentemente, como que esses europeus chegando ao novo mundo acabam influenciando a abertura de caminhos dentro do próprio Brasil e mais especificamente no Rio de Janeiro. Falamos aqui da ‘Ladeira da Misericórdia’ (no bairro do Castelo, considerada a primeira rua da cidade do Rio), com um calçamento chamado ‘pé de moleque’ que era feito pelos escravos que pisavam nessas pedras e que batiam com as suas ferramentas, um tanto quanto rudimentares na época, esse tipo de calçamento com pedras”.

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        Setor 4: “Aqui serão as ruas como templo a céu aberto, das procissões e romaria. Mesmo de como cada um exerce a sua fé independente de religião e nessa ligação com a rua, tudo como muito respeito, no sentido mesmo da liberdade religiosa”.

        Setor 5: “Neste estarão aquelas ruas que a gente talvez nunca foi mas conhece por cartão postal, aquelas que são tão famosas que certa forma todo mundo conhece, como a Champs-Élyssées em Paris ou a Broadway nos Estados Unidos ou também a nossa Atlântica, que é a nossa princesinha do mar, que virá representada ao final deste setor das ruas mais famosas”.

        Setor 6: Este último setor encerrará o desfile falando das ruas mais fantasiosas, ruas da nossa imaginação. Aqui a gente fala do labirinto do minotauro, da estrada do arco-íris, da via láctea, e, acima de tudo, da rua que mais mexe com a nossa imaginação, de nós sambistas, que é a Sapucaí, aquela avenida que a gente trabalha o ano inteiro para ver a nossa escola desfilar por ela. E poder, cada um, cada um naquele momento falar ‘essa rua é minha’, como um momento de pertencimento. A gente termina esse setor com uma homenagem a própria Beija-Flor, que é a maior campeã da era sambódromo e ao carnaval de modo geral, o carro se chama ‘Se essa rua fosse eu mandava ladrilhar com pedrinhas de brilhante para a Beija-Flor passar”. E atrás desse último carro nós teremos a representação de todos que usam as ruas para alguma coisa, lhe dão significado, do cara que está fazendo malabarismos no sinal, ao que vende algo, ao gari que varre, aquele que faz protesto, o que usa a rua para expressar arte, drag queens e travestis, prostitutas e todo mundo que faz da rua um cantinho seu, seja para trabalhar, se expressar, demonstrar algo mais cultural ou protestar. Nós devolvemos então essa rua ao povo, pedindo menos violência e mais liberdade para ir de um ponto ao outro com paz, principalmente nessa cidade”.

        Na boca do povo! Personalidades gravam vídeo com o refrão do samba do Tuiuti para o Carnaval 2020

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        Primeiro samba-enredo do Grupo Especial apresentado para o Carnaval 2020, a obra do Paraíso do Tuiuti é considerada uma das melhores da temporada. Mais uma vez, a escola aposta no grupo de compositores renomados e que está fazendo história com os últimos sambas da agremiação. Abaixo, você pode conferir vídeos gravados com personalidades da música e do esporte cantando o refrão principal do samba de Moacyr Luz, Cláudio Russo, Aníbal, Júlio Alves, Pier e Tricolor. * OUÇA AQUI O SAMBA

        Vídeo com Ito Melodia: Especial de Carnaval do CARNAVALESCO e a Rádio Mania

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        Vídeo com Neguinho da Beija-Flor: Especial de Carnaval do CARNAVALESCO e a Rádio Mania

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        Série Barracões: Bangu retrata diáspora africana com estética clean

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        Por Diogo Sampaio

        Guardião da memória, que traz na oralidade os saberes de um povo. Sua figura, tão ligada às tradições africanas, é testemunha de todo acontecimento. Através de histórias, transmite as vivências dos antepassados para as gerações futuras. O Griô é quem nos levará, ao longo do desfile da Unidos de Bangu em 2020, a olhar para o passado, como fonte de ensinamentos, para entender o presente e jogar luz sobre o futuro. O enredo “Memórias de um Griô: a diáspora africana numa idade nada moderna e muito menos contemporânea” irá narrar à história do continente africano, desde seu primeiro habitante até a chegada do europeu, que colonizou as terras e escravizou os nativos, criando males que perduram até os dias de hoje, como a desigualdade e o preconceito.

        “O que seria ‘Memórias de um Griô’? É a memória que ele passa, que ele tem guardado de tudo que já foi passado para ele pelos seus antepassados, e de tudo que ele já viveu também. Então assim, ele pega e conta a sua história, que é a história de um povo como um todo. E o mais bonito disso é que se trata de um enredo que traz uma lição para a gente levar pro dia a dia: a gente nunca sabe de tudo. A gente sempre está aprendendo alguma coisa. É um enredo que vai fazer refletir um pouco sobre a própria vida”, defendeu o carnavalesco Bruno Rocha.

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        Bruno desenvolve o carnaval da Unidos de Bangu desde o final do passado. O artista chegou à agremiação tendo a missão de dar prosseguimento ao trabalho iniciado pela dupla de carnavalescos Rodrigo Marques e Guilherme Diniz, que regressava para vermelha e branca da Zona Oeste após dois anos.

        “Recebi o convite dia 05 de outubro. Logo de imediato, na primeira reunião com toda direção e com a presidência, pedi todo o material que já tinha pronto, para que pudesse começar a desenvolver o trabalho. Estudei qual era a realidade da escola e até aonde poderia ir, depois me coloquei no lugar dos meninos que eram carnavalescos, o Guilherme e o Rodrigo, para que pudesse seguir uma linha. Tive que tentar pensar o que eles estavam pensando, para poder não me perder e saber como tocar o projeto”, relatou para a reportagem do site CARNAVALESCO.

        Da Intendente para Sapucaí

        Além de marcar sua estreia na escola, o desfile de 2020 da Bangu será o primeiro trabalho de Bruno Rocha na Marquês de Sapucaí. O jovem carnavalesco, que iniciou sua trajetória nos barracões como aderecista no Cubango, traz em seu currículo uma vasta experiência na Intendente Magalhães. Algo que, segundo ele, o ajudou a superar as dificuldades encontradas para construir o carnaval deste ano.

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        “A gente que está na Intendente Magalhães sonha em chegar na Série A, mas quando chega e se depara com a realidade só pensa assim: ‘Nossa, não é um sonho, é quase um pesadelo’. Quando você se vê em meio de tantas dificuldades, acaba perdido e sem saber direito o quê fazer, mas mesmo assim é obrigado a tocar o barco. E é nessa hora, que entra o lado bom da história. Foram oito anos de Intendente Magalhães. Lá, a situação é bem menos favorável do que estar em uma Série A. A estrutura é bem mais inferior, o trabalho é muito mais difícil… Aqui a gente tem trabalho dobrado, ao quadrado, ao cubo, mas na Intendente Magalhães é muito mais complicado, porque você não tem um barracão. É praticamente um único galpão onde você tem que dividir o mesmo espaço com mais cinquenta, sessenta escolas. Não tem uma estrutura boa de poder chegar na loja e falar assim: ‘eu quero esse tecido, aquele tecido, esse galão, esse aviamento…’. Você começa a recorrer as escolas da Marquês de Sapucaí, tanto algumas da série A e outras do Grupo Especial, para poder ver se arrecada algum tipo de fantasia, que dali você tira um galão, tira um tecido, uma ferragem, e já começa a diminuir um pouco os custos. Então, eu pego essa experiência, essa vivência e começo a colocar aqui, hoje, na Bangu, na Série A”, afirmou.

        Soluções para vencer a falta de verba

        Bruno contou ainda que, devido à ausência do repasse de verba da Prefeitura do Rio, uma das soluções encontradas para conseguir pôr o carnaval da Unidos de Bangu na rua foi a utilização de muitos materiais reciclados do dia a dia para confeccionar fantasias e alegorias. Todavia, o artista destacou também que não abriu mão do uso de materiais mais tradicionais da festa e da temática do desfile.

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        “Por ser um enredo afro, não tem como você não usar certos tipos de materiais como a palha, a esteira, as argolinhas de madeira… Não tem como você fugir desses, mas você consegue adaptar outros tipos de materiais que tem um custo inferior e que possam acrescentar no trabalho. Então, vamos ter decorações com rolinhos de jornal, que eu acredito que isso ainda não foi visto na Sapucaí; com pregador de roupa, garfinho de madeira, espátulas de sorvete, marmitex… São alguns tipos de materiais que a gente vai adaptando e que vai dar um grande efeito na Avenida”, explanou.

        E mesmo diante das dificuldades financeiras, Bruno Rocha assegurou que a mais antiga da Zona Oeste irá manter o padrão de grandiosidade de esculturas e volumetria dos carros apresentados no último carnaval. Ele ressaltou ainda a continuidade no uso de artifícios como as movimentações.

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        “Os carros da Bangu vão vir bem grandes, com direito a bonecos de Parintins e muito movimento. Vai ser uma escola que eu acredito que vai impactar bastante na Avenida. Foi até um pedido da própria agremiação, para que não se perdesse um trabalho que já vem sendo feito nesse período que ela se encontra na Sapucaí, de ter carros com movimentos, bonecos de Parintins, esculturas grandes… Então eu continuo seguindo essa linha”, contou.

        ‘Uma Bangu mais clean’, promete carnavalesco

        Porém, apesar do tamanho permanecer, a proposta estética do desfile como um todo será outra em comparação aos carnavais passados da escola. Para o site CARNAVALESCO, Bruno disse que evitou o excesso de informações em alegorias e fantasias, além de ter optado por fugir um pouco da plástica típica da temática africana.

        “Sou um carnavalesco que tem uma estética de um carnaval mais limpo, que você olhe e já consiga identificar. Venho nesse trabalho com uma pegada mais cenográfica. No último carro, por exemplo, vão vir plantas naturais, flores naturais, por que como eu vou representar um Candomblé? Então, tenho que trazer todos os elementos que remetam ao Candomblé: plantas, flores, comidas. Outro exemplo: o carro dois é um navio negreiro em que vão vir pessoas acorrentadas, fazendo encenação. Resumindo, podem esperar um carnaval mais limpo e uma Bangu diferente do que passou esses últimos anos na Avenida. Uma Bangu mais clean, porém não pobre, mas sim rica e bem objetiva no que ela quer passar para o público”, garantiu o artista.

        Pressão por resultados

        Desde o campeonato da Série B em 2017, a Unidos de Bangu vive uma fase de ascensão. A vermelha e branca da Zona Oeste conseguiu se firmar na Série A e no último carnaval alcançou sua melhor colocação desde então: um oitavo lugar. Ao ser questionado pela reportagem do site CARNAVALESCO acerca de alguma cobrança interna da escola por resultados, Bruno afirmou não existir.

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        “Eu não sinto pressão da escola, não sinto pressão da comunidade, não sinto pressão da diretoria. Eu sinto a minha própria pressão. Por ser a minha estreia, tenho o dever e a obrigação de fazer um trabalho que vá chamar atenção, porque não é só um benefício para Bruno Rocha, o carnavalesco, mas sim um benefício para agremiação, que pode sim ascender mais um degrau ou até mesmo, quem sabe, brigar pelo título”, declarou.

        Entenda o desfile

        Terceira agremiação a desfilar no sábado de carnaval, a Unidos de Bangu levará para Marquês de Sapucaí cerca de 1700 componentes, além de 18 alas, três alegorias (sendo o abre-alas acoplado), um tripé e um pé de passagem. O enredo “Memórias de um Griô: a diáspora africana numa idade nada moderna e muito menos contemporânea” será desenvolvido pela vermelha e branca através de três setores, como explana o carnavalesco Bruno Rocha:

        Setor 1: “O primeiro setor traz toda a riqueza natural, que é justamente a fauna, a flora, as tribos africanas… Como o regulamento exigiu que agora fosse só três alegorias e um tripé, tivemos que reduzir um pouco e adaptar duas estéticas em uma. Então, o abre alas vem trazendo uma savana e vem trazendo uma tribo também. Podem esperar uma entrada bem quente, com uma pegada bem forte e cores bem acentuadas”.

        Setor 2: “O segundo setor é a parte dos comércios. Nesse trecho destacamos o grande comércio de tecido, de especiarias, de metais, entre outros”.

        Setor 3: “A gente fecha com o setor glórias e honras, que traz a libertação através da religião, a conquista de poder aqui no Brasil cultuar a sua crença. Então, trazemos o Candomblé e encerramos com a fé, que é fundamental”.

        Carnaval Capixaba: Griots africanos irão conduzir o desfile da Unidos de Jucutuquara

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        Por Vinicius Vasconcelos

        Dez desfiles separam a Jucutuquara do lugar mais alto do pódio do carnaval de Vitória. Para uma escola que já foi tetracampeã (2006, 2007, 2008 e 2009), isso é quase uma eternidade. Na intenção de voltar a conquistar boas colocações a agremiação contratou Jorge Mayko e Vanderson César. A dupla caiu nas graças do público nos últimos quatro carnavais, isso devido so bom gosto e a facilidade que tem de transformar o pouco em muito, tendo em vista que estavam numa escola de pouco poder aquisitivo e no grupo de acesso.

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        Com o título de “Griot”, o enredo da escola propõe uma reflexão sobre uma África do passado, do presente e do futuro. Como conta Vanderson César.

        “O enredo surgiu de duas necessidades. Uma que eu e o Jorge tínhamos a vontade fazer uma temática africana, mas que primasse pela questão artística e estética africana. A escola também tinha esse desejo, com isso juntamos as duas ideias que existiam e assim surgiu o Griot. Algumas figuras que permeiam todos os setores estão diretamente ligados a questão da representatividade africana. É justamente uma das principais mensagens desse tema. Onde o negro é o protagonista e conta sua própria história. Essas figuras são centrais e são pinceladas em todos os momentos, nós não abrimos mão disto”.

        Estreante no grupo especial ao lado de Jorge, Vanderson afirma que as mudanças favorecem a dupla. Porém, as responsabilidades também são muito maiores.

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        “É um mundo totalmente avesso. Uma escola muito maior, com responsabilidades maiores, comunidade maior que nos cobra desde o primeiro dia que chegamos. Talvez seja uma das comunidades que esteja mais ativa no carnaval e sentimos isso na pele. A recepção foi incrível e está sendo muito gratificante”, explicou.

        Segundo o carnavalesco, os anos no grupo de acesso serviram de estrutura para aprender a criar o “plano A”, mas ter sempre o “B” e “C” guardado para hora da necessidade.

        “Nós temos o costume de quando projetamos o carnaval já pensamos em algo realizável, que vá sair do papel. Quando setorizamos ala a ala já temos os pontos que podem ser modificados. Levaremos para a avenida 90% do projeto inicial. A estrutura que a Unidos de Jucutuquara nos fornece é muito maior. Isso para o trabalho do carnavalesco é muito importante. Temos barracão de alegorias só nosso. Claro que existe a crise, mas damos o nosso jeito. A oferta de material que temos aqui é muito grande, mas a demanda também é muito maior”, explicou.

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        Ao ser questionado sobre uma possível renovação, Vanderson contou que os contratos só serão revistos após a eleição da Jucutuquara que acontece depois o desfile.

        “Eu e Jorge temos uma conexão muito legal, nossa amizade vem de fora do carnaval. Isso agrega muito na nossa sintonia e maneira de pensar desfile. Quanto a renovação dependemos das eleições futuras, mas nós planejamos ficar aqui se a escola estiver satisfeita com nosso trabalho”, finalizou.

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        Griot na África e toda a importância para o continente. A preservação de saberes, costumes e memórias, com a importância da ancestralidade.

        Setor 2

        O Griot é tem novo significado após o momento da diáspora. Será passado, presente e futuro. Griot com produção artística voltada a relembrar o passado com uma memória de África. Homenagens a personagens como Mercedes Baptista, que mistura a dança do Orixá com ballet clássico, ao Ile Aiyê, bloco que resgata toda ancestralidade negra.

        Setor 3

        Griot do cotidiano apresenta o presente. Setor é encerrado pela produção artística da juventude negra nas favelas, o movimento hip-hop, samba e grafite.

        Setor 4

        Os Griots que sonharam com o futuro. Toda produção artística voltada a projetar um futuro melhor. O desfile é finalizado com uma metáfora a Wakanda, nação africana que nunca foi colonizada por isso é extremamente desenvolvida. Fecharemos o ciclo. Projetando o futuro com o olhar para o passado.