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Enredo em 2020 no Acesso, Feira de São Cristóvão elege Solange Gomes rainha do grito de carnaval

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“Em São Cristóvão, faz a feira Abolição. Pedacinho do Nordeste no meu Rio de Janeiro”, assim canta o samba enredo da Acadêmicos da Abolição, que em 2020 homenageia os 75 anos da Feira de São Cristóvão. E neste domingo, a partir das 15h, tem grito de Carnaval no pedaço mais nordestino no Rio de Janeiro. E Solange Gomes será coroada rainha do grito de Carnaval.

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“Não podia dizer não. Representar a Feira é uma alegria. O meu muito obrigada a todos os feirantes e representantes da Prefeitura do Rio pela homenagem e carinho. Forró e Carnaval dão samba”, diz Solange Gomes. que está afastada do Carnaval há dois anos.

“Eu amo Carnaval. Esse ano iria assistir só dos camarotes na Sapucaí, mas é tanto carinho, que eu não resisti e aceitei o convite da Feira. Estou ansiosa”, disse a beldade.

A Feira de São Cristóvão inicia suas comemorações do seu jubileu de diamante, no espaço de preservação da cultura e legado nordestino.

“As comemorações estão a todo vapor e seguem até o fim do ano. Tudo será especial este ano. Sou paraibana e com muito orgulho recebi essa missão do prefeito Marcelo Crivella. Comemorar esses 75 anos é motivo de honra. Parece que foi ontem que eu puxava lona do lado de fora. É um desafio diário, uma responsabilidade, que eu encaro de frente. São muitas conquistas. Tenho a certeza de muito trabalho pela frente neste ano”, afirma a gestora municipal Magna Fernandes.

O presidente da Acadêmicos da Abolição, Neto Dória, agradeceu receptividade ao enredo e contou todas as estratégias da escola em relação ao carnaval.

“A história do Rio de Janeiro e do Nordeste se entrelaçam. A alegria contagiante do Nordestino, o espírito de luta e a maneira de levar a vida com alegria, mesmo em meio às adversidades, são características típicas também marcantes dos cariocas. Então alegria e emoção serão os elementos fundamentais, para conduzir nossa escola à vitória celebrando estes 75 anos da Feira de São Cristóvão”, diz Neto.

Serviço

FEIRA DE SÃO CRISTÓVÃO. Domingo (16/02), a partir das 15h, tem grito de Carnaval da Feira de São Cristóvão. Campo de São Cristóvão s/nº, São Cristóvão.

Funcionamento: Ter a qui, das 10h às 18h, com entrada gratuita. Sex e sáb, a partir das 10h. Dom, a partir das 12h.
Entrada: a partir de R$ 5.

Acompanhe ao vivo os desfiles do Grupo Especial de Vitória

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Série Barracões: X-9 Paulistana irá exaltar os diferentes tipos de batucadas pelo Brasil

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Por Gustavo Lima

A reportagem do CARNAVALESCO foi ao barracão da X9 Paulistana e entrevistou Pedro Magoo, carnavalesco da escola. O profissional faz a sua estreia na agremiação e tem como objetivo colocar a escola da Zona Norte de volta ao desfile das campeãs pelo Grupo Especial, pois faz 14 anos que a X9 Paulistana não termina entre as cinco primeiras colocadas da elite do carnaval paulistano. Para isso, Magoo apostará no enredo “Batuques para um rei corado”, uma homenagem a batucada brasileira.

“Esse enredo é uma grande homenagem a batucada brasileira, os vários tipos de batucada, seja nas manifestações culturais, religiosas e todas as suas influências, mas só que isso a gente não vai mostrar como um simples descritivo. Nós pegamos uma história, que é o dia que os Ibejis enganaram a morte, começaremos com a batucada Ibeji e a partir disso vamos começar a falar da batucada brasileira. É uma história muito legal, bem amarrada e além de fazermos essa homenagem a batucada brasileira, no final nós vamos falar um pouco da história e da batucada da X9 Paulistana, de momentos especiais. Então o xisnoveano que vai ver isso, irá se identificar muito”.

Magoo revelou que o enredo nasceu de uma música do Arlindo Cruz, “batuques do meu lugar”. O diretor de carnaval Pê Santana teve a ideia e o carnavalesco começou o trabalho de pesquisa juntamente ao Departamento Cultural da agremiação.

“Na verdade, esse enredo é baseado em uma música do Arlindo, que chama ‘batuques do meu lugar’. O Pê Santana que é diretor de carnaval, veio com essa ideia, mas se fosse só a música ao pé da letra, ficaria algo descritivo, tem coisa legal que iria ficar de fora. Aí eu comecei o trabalho de pesquisa junto com o Departamento Cultural da X9, que é
um departamento muito legal, e nós chegamos a esse enredo, descobrimos essa história do Ibejis, fizemos a amarração do tema que a gente vai levar pra avenida”.

Quando se fala em batucada, imagina-se que o enredo irá para um lado afro, reverenciando as religiões como o candomblé e umbanda, mas segundo o carnavalesco, o enredo irá abordar várias vertentes dos batuques, irá homenagear as muitas batucadas que existem dentro do Brasil.

“Nós vamos mostrar de tudo um pouco, porque assim, em cada região do Brasil existe um tipo de batucada. Tem influência religiosa, folclórica, e o legal disso é que nós vamos mostrar vários movimentos que são poucos conhecidos pelo grande público do carnaval. Nós vamos falar da Súcia do Tocantins, Marabaixo do Macapá, Timcubi, e várias batucadas que não são muito exploradas em desfiles de carnaval, mas que tem seu valor histórico, valor cultural e merece ser difundindo pro grande público. É uma grande história, sendo dentro dela, vamos mostrar a rica batucada brasileira na avenida”.

O carnavalesco disse que é importante ousar, mas acima de tudo o regulamento deve ser respeitado.

“Você tem que usar o bom senso, antigamente era difícil segurar o ímpeto, mas com o tempo eu fui aprendendo que você deve ousar, mas não pode esquecer do regulamento. Como eu costumo dizer, o carnavalesco não ganha o carnaval, quem ganha é o conjunto todo, a escola toda, mas eu já vi carnavalesco perder carnaval por teimosia e cometer erros que prejudicaram a escola, então assim, tem que ter essa humildade. Devemos colocar nossas ideias, loucuras que o carnavalesco tem que ter, mas desde que não ultrapasse esse limite, não coloque a escola inteira em risco no regulamento, caia alguma penalidade, alguma pegadinha que possa prejudicar o desfile como um todo, então esse é o desafio maior, manter esse equilíbrio”.

Magoo levou novos profissionais de barracão junto com ele, pessoas de confiança e com quem ele trabalha há muito tempo, como a equipe de decoração.

“Nós mudamos a equipe de decoração, tem o Augusto que trabalhou comigo alguns anos na Mancha Verde, é um amigo e pessoa de confiança que eu consegui trazer pra X9. Então eu já tenho uma afinidade e daí ficou bem mais fácil, e as outras equipes também trabalharam comigo tanto na Mancha como na Nenê, são profissionais que eu fui fazendo amizade e quando vim pra cá fiz o convite, eles são todos mais loucos do que eu e estão aqui comigo”.

Paixão da comunidade e garra para voltar às primeiras posições, podem virar um trunfo da agremiação neste carnaval O carnavalesco falou que o contato com a agremiação nesse primeiro ano vem sendo muito bom, que a X9 tem uma comunidade muito apaixonada, e que não vê a hora de voltar a figurar entre as cinco primeiras, aos grandes anos da X9 Paulistana, que é bicampeã do carnaval paulistano.

“Os primeiros contatos com a comunidade da X9 vêm sendo muito legal. A comunidade da X9 é muito apaixonada, eu sinto que ela está meio marcada pelo fato de estar há 14 anos sem voltar pro desfile das campeãs, tirando aquele ano que eles estavam no Acesso e foram campeões, mas assim, desfilando no Especial, são 14 anos que não fica entre as cinco primeiras, e pra uma escola que já foi campeã duas vezes é muita coisa. Eu sinto que é uma comunidade muito apaixonada e que sonha em voltar aos grandes tempos da X9 Paulistana, e eu estou trabalhando dia e noite pra ajudar que essas pessoas realizem esse sonho de voltar a ver a X9 entre as primeiras do carnaval”.

Segundo o carnavalesco, toda essa paixão ajudará bastante no desfile da agremiação e todos estão unidos em busca do mesmo objetivo.

“Tudo que se faz com sentimento, que você põe em primeiro lugar, é melhor. Aqui em São Paulo têm vários casos que você vê uma escola que atravessa a avenida e fala ‘é ela’. O fator plástica fica em segundo plano, tem aquela conexão arquibancada, público. E sobre a X9, o pessoal está empolgadíssimo, eles compraram a ideia, eles acham que esse ano podem alcançar um degrau acima, conquistar algo a mais no carnaval. Sonhar é bom demais, todo mundo está no mesmo barco e se Deus quiser vai dar tudo certo”.

CONHEÇA O DESFILE:

SETOR 1: BATUQUE MISCIGENADO
“O nosso primeiro setor vem falando da miscigenação, do batuque miscigenado. É uma mistura da batucada indígena, do negro e do branco com a influência europeia. A junção dessas três batucadas que deu origem a batucada brasileira em todos os estados. Esse primeiro setor vem com o abre-alas, baianas, primeiro casal e mais uma ala, que vem contando um pouco dessa história. Nesse setor vem a batucada da região Norte, nossa bateria por exemplo vem fazendo uma homenagem a marujada e a batucada, que são do Caprichoso e Garantido. Só que nós não vamos homenagear o Garantido e o Caprichoso, nós vamos homenagear a bateria dos dois, que é a Marujada de Guerra e a Batucada, e tem outras manifestações culturais e folclóricas como o Carimbó E Ritual da Moça Ticuna. Esse setor vai representar toda a região Norte do país”.

SETOR 2: FESTA DO DIVINO
“No segundo setor nós vamos falar da importante manifestação da Festa do Divino lá de Pirenópolis, em Goiás. Daí a gente entra no centro-oeste. A Festa do Divino nessa cidade é uma manifestação lindíssima, e tem uma batucada que se chama “Batuques da Alvorada”, é uma batucada que sai nas ruas no último dia de festividade na parte da noite, passam de casa em casa e várias pessoas vão para a praça dançar e festejar. É uma festa que mistura religião, folclore e quanto mais eu estudei, mais eu me apaixonei por essa festividade. Então o nosso carro vai representar isso, é uma alegoria bem interessante que já está pronta e embalada pra ir pra avenida”.

SETOR 3: MARACATU
“No terceiro setor a gente fala do Nordeste, que é um carro que vai falar do Maracatu, mas não do Maracatu em si, nós vamos falar das noites dos tambores silenciosos, que é
uma noite em que todas as nações do Maracatu se juntam em um ritual religioso, que é muito legal. Nós estaremos levando algumas surpresas nesse carro e é uma das nossas
apostas pro desfile”.

SETOR 4: BATUCADA CARIOCA
“Continuando a viagem pelos estados, chegamos ao sudeste, e nossa quarta alegoria vai representar a batucada carioca. Nós vamos mostrar as escolas de samba do Rio de Janeiro, o pagode que começou lá e os tambores religiosos, vamos falar um pouco dos terreiros do Rio de Janeiro, vamos fazer uma homenagem aos grupos de samba, à primeira escola de samba e mostrar toda essa religiosidade”.

SETOR 5: BATUCADA DE SÃO PAULO
“Nós encerramos com São Paulo, falando sobre o samba rural, o samba de Pirapora até chegar ao samba do engraxate, os antigos cordões e o último carro, que é o da coroação do rei, nosso personagem principal que está narrando a história é coroado, é um grande templo, só que ao invés de soldados, são sambistas. O cara que é curioso pela X9, vai
ver em cada escultura um pouquinho da história da escola, de algum carnaval importante, pessoas importantes, é o carro que vai a velha guarda também. Quem é xisnoveano vai se identificar bastante com esse carro que vai fechar o nosso desfile”.

Plenária na Liga-SP decide que Pérola Negra será julgada em todos os quesitos

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Os presidentes das escolas de samba do Grupo Especial de São Paulo estiveram reunidos, na tarde deste sábado, na sede da Liga-SP, e, decidiram que a Pérola Negra será julgada nos nove quesitos no Carnaval 2020. A escola sofreu com a tempestade do dia 10 de fevereiro na cidade. Dentro do julgamento, os presidentes decidiram:

– No quesito fantasia, será feita uma indicação na pasta de referência dos jurados sobre quais alas sofreram algum tipo de danificação por conta da enchente que afetou o barracão da escola na última semana;

– Seguindo o manual de avaliação, os julgadores não considerarão sujidades nas fantasias indicadas;

– As demais fantasias que não forem indicadas serão julgadas normalmente;

– Fica decidido também que, em caso de empate na apuração, o quesito fantasia não fará parte do primeiro critério de desempate que é a somatória de todas as notas, inclusive, as descartadas.

Entrevistão com Thiago Monteiro: ‘Tenho dívida de gratidão com a Grande Rio’

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Se a Grande Rio vem resgatando o seu DNA histórico muito se deve à figura de Thiago Monteiro. Ele é o artífice de um carnaval que gera grande expectativa pela maneira como está sendo conduzido pela escola. Thiago foge ao perfil do dirigente de escola de samba. Discreto, possui um emprego fora da festa. Ele abre o jogo na série “Entrevistão” do site CARNAVALESCO.

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No papo com nossa reportagem no barracão, Thiago conta que a escola lhe deu todo respaldo no momento mais difícil de sua vida, quando sofreu um grave acidente de carro no final de 2018: “A minha dívida é de gratidão”. O dirigente também não deixou de falar do desfile de 2019 e defende o enredo presentado: “Foi um desfile que falou muito mais para dentro que para fora. Sabíamos do risco e assumimos”.

Você considera uma grande vitória esse resgate da Grande Rio?

“Sem dúvida. Tudo que tem acontecido nesse pré-carnaval, a resposta da comunidade. É claro que queremos o título do carnaval. Mas em ter nossos segmentos felizes, a escol em um momento positivo, ver essa Grande Rio que há pouco tempo sofria com olhares tortos e ver que hoje o clima é positivo, é resultado de um trabalho que nos deixa orgulhosos”.

O carnaval tem sido injusto com o Ricardo Fernandes?

“Aprendi muito com o Ricardo. Estou em constante aprendizado, mas o pouco que sei ele que me ensinou. Eu acho que na vida, não só no carnaval, aprendemos que existem injustiças. Quando você ocupa um cargo determinado você é tratado de um maneira, e quando por algum motivo você perde o status-quo as coisas mudam. Mas eu não acho que seja o carnaval, em diversos segmentos da vida é assim. Não tenho tido mais contato com ele, mas tenho muita gratidão”;

A Grande Rio não consegue ser campeã e muitos dizem que a escola não se importa com isso. O que falta para esse título?

“Não acho que a escola nunca se importou. Acho que em determinados desfiles faltou sorte, como em 2006. Em outros momentos bons carnavais toparam com outras apresentações mais fortes, como em 2010. Em 2007 foi parecido. Nos anos 90 Grande Rio tinha enredos fantásticos, mas a escola ainda não tinha essa estrutura. Considero que não ganhou por detalhes. Não sei se esse ano, mas esse título está próximo”.

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O projeto de 2019 foi um equívoco?

“O momento era delicado, vindo de um resultado muito ruim. A comunidade está abatida. Quem passa por isso sabe que não é agradável. Aquele enredo foi muito mais para dentro. Era hora de olhar para a comunidade e pedir para levantar a cabeça. Buscamos referências para que as pessoas voltassem a se orgulhar. A direção da escola achou por bem assumir o risco de ser mal interpretado. Paciência, o momento era histórico. A Grande Rio precisava cantar e falar aquilo. Encaramos o problema de frente. Não o jogamos para debaixo do tapete”.

O Fafá é uma grande revelação da escola. O que você pode falar dele?

“O Fafá é muito talentoso, foi criado aqui dentro. Um aposta dos presidentes. Convivo com ele há dois anos. Ele é humilde, conciliador, sempre disposto a ajudar. Ele tem a exata noção da importância da bateria da escola na história. O que esperamos da bateria da Grande Rio é isso que o Fafá está apresentando, com todo respeito aqueles que passaram por aqui. Isso é muito importante e ele reconheceu isso de uma forma incrível”

Você prefere encomendar o samba ou fazer disputa?

“Eu acho que como qualquer situação a encomenda tem vantagens e desvantagens. A Tuiuti em 2018 havia passado por um momento terrível no carnaval anterior. A encomenda te dá um direcionamento. Havia partes do samba da Grande Rio de 2019 que a escola falava para si. Para o nosso discurso era importante. Sabíamos do risco, mas a comunidade comprou o barulho”.

Os presidentes de honra da Grande Rio são figuras históricas da escola. Como é a atuação deles hoje?

“A Grande Rio é jovem e forma por apaixonados que viram a escola ser criado. O Perácio foi citado em um samba-enredo da escola. É um sambista, mola propulsora da agremiação. Conhece a comunidade como ninguém. Me apoio nele para tomar decisões. O Jayder é uma figura apaixonada pela Grande Rio. Quando a escola vai fazer shows particulares ele cuida para que o elenco consuma as mesmas bebidas e comidas dos convidados. O Helinho hoje é o cara que toca o barracão. Ele bota a mão na massa, fecha contratos, define pagamentos. O Leandro é quem sempre apelou a gente, também é muito apaixonado. Eles conversam sempre entre eles e confiam em quem contratam”.

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Como a escola tem lidado com pedidos de famosos?

“Esses pedidos tem muita lenda também. Quais escolas não recebem esse tipo de pedido? Os artistas da escola são comedidos. A Grande Rio entendeu que excesso de camisas e de figuras alheias ao dia-dia é prejudiciais aos desfile. Sabemos que precisamos firmar parcerias. Esse ano perde até ponto essa questão de camisas. Em 2014, meu primeiro ano aqui, o volume era muito maior e inclusive perdemos ponto em justificativas de jurado. Agora está bem menor. Pedido sempre vai existir. Não sou eu que vou negar que eles existam. É só colocar as pessoas nos locais corretos”.

O desfile de 2018 do Tuiuti é o melhor momento da sua carreira?

“Guardo três momentos com carinho. O título do Império da Tijuca em 2013, quando eu era diretor de carnaval. Sou amigo do presidente Tê até hoje. Ele confiou no meu trabalho e foi meu primeiro grande resultado. Depois foi minha primeira passagem pela Grande Rio em 2014. Fomos muito mal julgados. Coisas do carnaval. Foi minha estreia no Especial. Agora o Tuiuti é um momento de grande maturidade. Acho que colaborei bastante com aquele desfile histórico. Estávamos 22 décimos atrás do desfile da Tijuca de 2017, que foi cheio de problemas, e conseguimos o vice-campeonato, quase conquistando um título no meio de tantas escolas gigantes”.

Aquela sua saída do Tuiuti surpreendeu muita gente. Por que saiu?

“Foi muito bom trabalhar com o presidente Thor. Ele acima de tudo é um sambista. Aquela noite do desfile de 2018 foi mágica, tudo deu certo, aquela catarse. A saída teve um conjunto de fatores. Acabou o carnaval não tivemos nenhuma conversa. A Grande Rio eu sempre tive um carinho muito grande. Saí naquele primeiro momento por vontade própria. Fui pra Lierj por indicação da Grande Rio. Recebi um contato da escola me chamando para conversar. Aí tem o desafio profissional, depois de tudo que havia acontecido. Me senti maduro para aceitar o convite. É claro que houve uma valorização profissional. Eu aceitei pelo desafio e por gratidão por tudo que fizeram por mim”.

Mais de um ano depois o que é possível falar sobre o acidente que você sofreu?

“Essa é outra dívida de gratidão minha com a Grande Rio. Helinho, Jayder e Perácio foram muito importantes. Tudo aconteceu na reta final do carnaval. Helinho me deu força ainda na Washington Luís, eu todo machucado. E foi em um momento importante de finalização do projeto. Foi muito difícil colocar aquele carnaval na rua. Com cadeira de rodas, limitado fisicamente eu tive muita dificuldade para colocar o carnaval na rua. Foi o momento mais difícil de minha trajetória no carnaval, sem dúvida”.

De olho nos quesitos: o que os jurados mais puniram em comissão de frente nos últimos cinco anos

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    Houve um tempo em que para apresentar a comissão de frente as escolas optavam por levar os baluartes da velha-guarda. Em um segundo momento começaram a surgir grandes coreógrafos, que impactaram o público com apresentações sincronizadas e baseadas em indumentárias poderosas. Na última década o quesito comissão de frente viveu uma autêntica revolução com comissões que arrancaram suspiros do público com um espetáculo que mesclava surpresa e impacto.

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    Na série ‘De olho nos quesitos’, o site CARNAVALESCO debate os parâmetros que envolvem um dos quesitos que mais mudou nos últimos anos. Uma comissão de frente é julgada através de quatro pilares básicos: concepção, apresentação, indumentária e realização.

    Uma das grandes mudanças nos últimos anos no quesito comissão de frente foi o surgimento de elementos cenográficos de apoio cada vez maiores. Hoje em dia praticamente todas as apresentações contam com esses elementos. Entretanto, pode ser uma faca de dois gumes. Se a escola levar uma alegoria sem funcionalidade na apresentação isso pode acarretar na perda de pontos, como aconteceu com o Império Serrano em 2019.

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    “… observamos o elemento cenográfico o lado esperando para ser utilizado. Quando foi acionado nada trouxe para a evolução dramática da cena, uma vez que os moradores de rua lá estavam no lugar onde vivem: na rua…”, diz um trecho da justificativa do julgador Gustavo Paso.

    Impacto visual é outro aspecto encontrado como um dos que mais fazem as agremiações perderem décimos no quesito. A apresentação precisa causar encantamento para alcançar a nota máxima. A Mangueira, em seu desfile de 2018, viveu um exemplo desta situação, como mostra a justificativa de Marcus Nery Magalhães.

    “Na apresentação da comissão de frente falta ousadia para quebrar a linearidade da encenação para que fosse conduzida a uma teatralização mais impactante”, explicou ao tirar um décimo.

    Talvez aquilo que mais cause a perda de décimos no quesito sejam as falhas durante as apresentações. Ninguém está imune às eventualidades que podem acometer um desfile de escola de samba. Um chapéu que cai, um elemento que não funciona, um componente que pode cair. Em 2017 o julgador João Wlamir trouxe duas justificativas com falhas nas apresentações.

    “Mesmo com a boia ideia e execução coreográfica há que se penalizar a perda de sustentação de parte do figurino de uma personagem principal (o pajé e sua asa esquerda) pois prejudicou a perfeição do visual”, explicou para punir a Imperatriz.

    “A bela coreografia foi prejudicada pela não abertura, no tempo preciso, da saia, prejudicando assim, um dos pontos altos de impacto da mesma”, explicou sobre a comissão da União da Ilha.

    O apuro da indumentária é de suma importância para o alcance da nota 10 na comissão de frente. Há de estar bem apresentada, com uso de materiais que reunidos apresentem beleza e ainda seja de fácil entendimento para o público e os jurados. Esse foi um dos problemas d comissão de frente da Vila Isabel em 2016.

    “Os dois figurantes que movimentavam o animal vieram com um vestimenta na cor branca, causando desconforto visual e incompatibilidade com a cor parda do animal”, alertou o julgador Paulo César Morato.

    A leitura é um dos parâmetros estéticos mais desafiadores dos desfiles de escola de samba. Em qualquer um dos quesitos que envolvam o aspecto visual a leitura, ou seja o entendimento daquilo que se apresenta, é avaliado. A comissão de frente da Mocidade em 2015 pecou por este aspecto, conforme demonstra a justificativa abaixo, de Paulo Cesar Morato.

    “Jorge e Saulo apresentam um espetáculo rico em cenas e efeitos especiais, porém a narratividade ficou comprometida o faltar um fio condutor que ligasse o conjunto sequencial e explicitasse melhor a destruição do planeta para o espectador”.

    Aspectos observados pelos jurados para punição em comissão de frente nos últimos cinco anos.

    – Falta de Leitura
    – Indumentária
    – Falhas e erros de apresentação
    – Elemento cenográfico com problemas de acabamento ou sem função
    – Pouco impacto visual

    Após 10 anos do primeiro título, Paulo Barros fala da sua trajetória na folia

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      Você pode amar ou odiar a estética de Paulo Barros, mas não pode negar que ele é o artista que mais mudou o padrão dos desfiles depois da era Joãozinho Trinta. Ao completar 16 carnavais no Grupo Especial e voltar para a casa onde conquistou três de seus quatro títulos, Paulo Barros concedeu ao site CARNAVALESCO uma longa entrevista para a série ‘Entrevistão’.

      O artista falou da conturbada saída da Viradouro e avaliou que faltou calma tanto dele quanto da escola para não desfazer o casamento de forma abrupta. Foi questionado por projetos que não deram certo, casos da Mocidade em 2015 e Vila Isabel em 2018 e derreteu-se ao falar da Portela: ‘É diferente de todas as outras’.

      Você declarou recentemente que o samba da Unidos da Tijuca para 2020 é o mais bonito de sua trajetória no carnaval. Por que você acha isso?

      “Não sei te responder. Não faço a menor ideia. Mas acho que é a partir de sentimento. É um samba que serve de uma maneira perfeita ao nosso desfile. Entendedor de samba todo mundo é. Eu não entendo nada, confesso. Falo que gosto do que eu ouço. Talvez seja o melhor samba da Tijuca comigo aqui na escola”.

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      Como esse tema de arquitetura e urbanismo aparecerá em termos de imagens? Monumentos? Construções?

      “Esse enredo faz uma passagem na antiguidade. A história da arquitetura começa nesse momento. Minha carreira como carnavalesco começou observando o passado. Fernando Pinto, João 30, Rosa Magalhães, Renato Lage. Mas o foco do enredo é a cidade do Rio, a beleza. Falaremos de causas que o homem deixou de lado, preocupado sempre em criar sem pensar nas consequências. Tem aquecimento global, lixo, reciclagem. Hoje um projeto arquitetônico tem essas preocupações, para não agredir o meio-ambiente. Por isso aqui será a capital mundial da arquitetura. Aqui temos uma floresta dentro do espaço urbano. Praias, montanhas. Obviamente terminamos cantando um lugar melhor para se viver, fazendo um link com a favela, um local que sofre por conta do abandono”.

      Tem uma pegada critica então?

      “Não. Tocamos nesse ponto trazendo por que chegamos nele. É mais um alerta de consequências”.

      Sua volta na Tijuca foi muito festejada. Você se considera um ídolo da escola?

      “Não me considero nada. Sei que é um lugar onde tenho livre acesso, estou em casa, comecei aqui. A maioria das pessoas está aqui desde a minha primeira passagem. Talvez, o festejo venha dessas pessoas que eu já convivia. Se fossem outras pessoas provavelmente não haveria essa intimidade”.

      O barracão da Tijuca está atrasado?

      “Eu posso dizer que é um ano de dificuldade financeira, e todos nós sabemos. Esperamos que esse quadro seja revertido para o ano que vem. Estas fazendo um projeto dentro da realidade e para que dois, três dias antes estejamos aptos a desfilar. Se você olhar para o barracão da Tijuca você verá cinco ‘DNAs’. O DNA foi um carro que as pessoas olhavam para o barracão e diziam que não ia ficar pronto e já estava pronto. Dizem que o barracão da Tijuca está atrasado. Para mim está pronto. Esses comentários não ajudam, só atrapalham, criam expectativas negativas. Acho maldade, falta do que fazer. Convido essas pessoas a ajudar meia-hora por dia ao invés de ficarem disseminando besteira. Serão muito bem-vindas”.

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      É um carnaval à imagem e semelhança do estilo Paulo Barros?

      “O DNA que eu digo é o conceito. Eles talvez fujam do conceito arquitetônico do carnaval. Isso tudo é decorrente de um projeto pensado na realidade. Não posso fazer extravagância sem lastro financeiro. É uma questão de administração. Não adianta fazer uma alegoria gigantesca e as outras serem capengas. A gente distribui essa verba igualmente para equilibrar”.

      E a experiência no Anhembi, em uma escola de massa como os Gaviões da Fiel?

      “Em São Paulo o regulamento é muito particular. Algumas pessoas o chamam de amarrado. A gente perde e ganha o carnaval na pasta. Semelhante ao livro abre-alas aqui. E é a verdade. Estou tendo reuniões infinitas para definir as nossas pastas. É ela que nos tira ponto. Ano passado vi escolas com desfiles impressionantes plasticamente e que desceram. Desceu por que então? Por causa da pasta. É uma cilada no sentido de você fazer uma defesa coerente”.

      Como está sendo essa divisão entre Rio e São Paulo?

      “Está sendo exaustivo. Vou toda semana, fico dois dias lá e três aqui. Não dá para se dedicar 100%. Tenho uma equipe lá. É uma experiência nova, um processo de execução diferente do meu. Há de haver paciência de lado a lado. E à distância é muito pior. Os mesmos problemas que tenho aqui têm lá. A verna em São Paulo é menor. Também fizemos um projeto baseado naquilo que temos. É matemática”.

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      O que você acha da participação dos carnavalescos no curso de jurados?

      “Essa prática está voltando. Da última vez que eu fui acabaram com a presença dos carnavalescos. Acho que a culpa foi minha (risos)”.

      Se você pudesse definir o projeto plástico da Tijuca em uma palavra, qual seria?

      “Design. Por que arquitetura é design puro. O samba diz ‘curva-se o concreto’. Uma referência aos trabalhos de Niemeyer. Apaixonei-me tanto por essa frase que estou produzindo um carro da catedral de Brasília”.

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      Arquitetura pode parecer algo frio?

      “Em 2004 fiz enredo sobre ciência em que diziam que seria uma pedra de gelo. Não existe enredo ruim. Existe ideia ruim. Você precisa ter a sacada em algo aparentemente distante do carnaval em folia. Alguns anos atrás criei polêmica brincando com alguns críticos de carnaval. Eu acho o pré-julgamento muito ruim. Não se pré-julga nada. Em 2012 bateram muito no enredo do iogurte, na Porto da Pedra. Na época eu disse que adoraria tirar leite de pedra. Curvar o concreto já é uma poesia por si”.

      A saída da Viradouro deixou todos surpresos. O que aconteceu naquele momento?

      “Ali faltou calma, dos dois lados. Faltou entendimento da escola e paciência de minha parte. Sou muito explosivo. Na hora os presidente jogaram algumas coisas, eu joguei outras. Acabou criando-se esse desentendimento. Mas um dos melhores momento da minha vida foi fazer aquele carnaval. O sentimento de carinho pela Viradouro permanece”.

      E a Portela?

      “A Portela é uma coisa pesada. O envolvimento que tive com eles foi muito forte. É claro que é uma escola diferente. Não vou dizer que sou um portelense nato, mas a minha passagem lá me marcou de verdade. Diziam que não daria certo. Mas é o que eu falo, as redes sociais possibilitam a qualquer um falar o que quer na hora que quer. A resposta veio na avenida”.

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      Como artista te entristece a situação calamitosa do Acesso?

      “Isso tudo é muito sofrido para o artista. Mas acho que é uma regra para a vida. A união faz a diferença. Por que os presidentes, dirigentes não se unem? A gente vê um grupo de pessoas que brigam entre si, visando seus próprios interesses. Como o acesso vai crescer se não conseguem se entender? Aí culpam os governos. Não estou dizendo que o poder público não tem que participar, lógico que tem. Mas se o carnaval fosse de fato um business lucrativo não precisaria pedir nada. Os governos iriam querer participar. Olhem as grandes cidades do mundo que viraram potências turísticas. Nós temos o maior espetáculo da terra e não conseguimos fazer nada. Ficamos 364 dias no ócio. Quem aparece aqui fora do carnaval não tem um show, não tem nada. Não conseguimos criar um calendário anual? Gerar interesse das empresas? Tem alguma coisa errada. E para mim é essa falta de união”.

      Que balanço você faz da sua carreira?

      “Eu mereço um reconhecimento próprio para mim. A palavra carnavalesco para mim é uma questão superada. O meu entendimento do que faço é no aspecto de gestão. Quando vejo uma pessoa na curva, ouço que as pessoas comentam que dou sorte. É gestão, conhecimento, acompanhamento, conhecimento. Não estou dizendo que não pode dar errado. Eu tive um problema, em 2005, aqui na Tijuca. Dei uma ordem para que as pessoas só subissem no carro no Setor 1. O carro entraria sozinho. Chega um diretor baixa uma ordem, a coreógrafa aceitou, o carro não suportou e a direção quebrou. Quando chegou ao setor 3 uma gaiola despencou na frente do jurado, perdi um décimo e o carnaval. Eu não saio daquela curva enquanto não passa o último componente. Considero-me um cara trabalhador dentro de um projeto que domino cada parte. Eu gostaria de ter uns 10 irmãos gêmeos (risos)”.

      paulo barros

      A gestão de pessoas é o segredo de seu sucesso?

      “Vou contar algo que aconteceu no desfile de 2019. Aquela alegoria do cemitério que tinha aquele moto descendo. O presidente Marcelo Calil me indagou sobre a possibilidade de a moto dar defeito. Aí eu disse que era um problema, de fato. Ele então comprou outra moto. Dentro da alegoria havia m local pra guardar as motos. Os mesmos sistemas de saída de fogo foram implementados nas duas. Testamos e ensaiamos até o erro, no caso de dar defeito. Cada uma das pessoas envolvidas sabia de suas responsabilidades. Se desse algum problema era só trocar a moto. Uma segunda pessoa substituiria. No fim do desfile perguntei se havia dado tudo certo. O técnico disse que a moto pifou e ela não foi trocada. Um procedimento que não levaria 40 segundos. Se você tem uma função dentro de um projeto e não o realiza é incompetência. É apenas isso”.

      Temos visto o surgimento de uma nova geração de artistas. Deixa-te animado essa nova safra?

      “Sim, pois estou doido para virar comentarista. Vou me vingar (risos). A nova geração precisa vir mesmo. O carnaval precisa de fôlego e ideias novas”.

      Muitas pessoas criticaram bastante suas fantasias na Vila em 2018 por um excesso de efeitos. Você considera aquelas críticas justas?

      “As fantasias serviram para o enredo. Ninguém é obrigado a vestir nada. Todas as pessoas sabiam de suas responsabilidades. Não atrapalhara o componente nem o desfile. Isso foi dito na época porque as pessoas gostam de criar culpados. Essas críticas não tem fundamento. Considero aquele desfile um dos meus grandes momento de criação e ninguém vai me tirar isso da cabeça. É um marco de transformação plástica. Fantasia de escola de samba é tudo igual. Tentei fazer algo diferente”.

      paulo barros

      Podemos esperar uma Tijuca fora do óbvio em 2020?

      “Como transformar uma fantasia e design? É difícil. O julgamento para a leitura do figurino penaliza a gente. As nossas roupas serão explicadas através de outros elementos, que vocês verão a avenida”.

      Outra polêmica foi no desfile da Mocidade de 2015, quando você nominou as alas. Qual era o objetivo ali?

      “Aquelas plaquinhas eram perguntas. A minha intenção era instigar No fim do mundo você faria o quê? Você iria rezar? Cada um se questionava sobre o que faria no último dia. Vamos usar um artifício na Tijuca de 2020 para que as roupas se auto-expliquem”.

      Dez anos depois, o que representa na sua vida ‘É Segredo’?

      “Ele foi um divisor de águas de tudo. Eu estava voltando. Espero que esse ano seja um novo segredo”.

      Por que tão poucas escolas vencem domingo?

      “O campeão sai de segunda-feira por um motivo que não vou dizer senão eu fico desempregado. Mas eu sei sim”.

      Tem algum xodó em relação à fantasia e alegoria para 2020?

      “Eu nunca tenho esse xodó. Eu procuro criar coisas bem diferentes umas das outras nos meus desfiles. Posso repetir o sistema. Por exemplo: meu carro fala de lado e não de frente. Não é que eu não dê a importância para frente, mas minha cabeça funciona para os lados. Agora xodó eu não tenho”.

      Como está sua participação no projeto da comissão de frente?

      “A comissão faz parte de um projeto, que eu criei, então eu digo que ela também é minha. Não estou dizendo que o profissional que lá está não desenvolve seu trabalho. É algo pensado a quatro mãos. Às vezes eu não acerto é claro, sou humano. Criei uma expectativa em comissões no qual eu sou meu maior inimigo”.

      Em algumas oportunidades não deu certo?

      “Não deu. Faz parte. Na Vila em 2018, o equipamento não funcionou corretamente, ele não seria utilizado daquela maneira. Tive de mudar o elenco, fazer um tripé de última hora. Uma sucessão de erros. Tivemos que buscar solução. Faz parte também do trajeto de um desfile. Na Tijuca estamos com o projeto tudo caminhando bem. Pode ser que haja algo que eu precise mudar, mas fazemos estudos para que não aconteça”.

      Você é um conhecedor da técnica de desfile. Essas mudanças no regulamento te preocupam?

      “Regulamento é para ser obedecido. Se você tem menos tempo e para você tem de se organizar para passar. Já saiu há meses o regulamento”.

      Os efeitos que você cria como surgem na sua cabeça?

      “Adoraria ter uma gaveta com essas ideias. Não tenho infelizmente. Surge do enredo. Por exemplo: tenho em mente algumas coisas. Minha loucura era fazer um cemitério. Consegui fazer ano passado. Mas eu gostaria de ter uma biblioteca de ideias guardadas. Acho que o principal efeito é pensar no público. Essa é a mola propulsora do meu trabalho”.

      Você acha que a linguagem do carnaval é muito amarrada?

      “Eu venho quebrando esse conceito. Alegoria não precisa ser brilho, luxo, esculturas. O DNA me deu essa oportunidade. As pessoas olham meus carros antes de irem para avenida e acham feio. E eu concordo. É feio mesmo. Em 2012 aqui na Tijuca meu último carro eram três bolos. Forrei de preto, botei umas estrelas e um amigo me disse que era muito feio. Eu concordei com ele. O carro entrou no setor 1, saíram as pessoas vestidas de asa branca e o efeito causado fez esse amigo elogiar depois”.

      Você pretende inovar nas roupas das porta-bandeiras?

      “Nunca mais. Depois elas erram e botam a culpa em mim. Eu faço do jeito que elas desejam, geralmente com muito faisão. Tem uma história engraçada com o Marquinho e a Giovana. Cheguei aqui justamente no ano que eles chegaram. Ela me pediu uma roupa tradicional. Era em 2010. Ela ficou entre a comissão e o abre-alas, quase não foi notada. Foi assim em 2011 e 2012. Em 2013 ela pediu uma roupa diferente. Criei uma roupa toda negra que mudava de cor através do led. Ela foi uma grande parceira. Mas em outras escolas quando dava errado elas botaram na minha conta”.

      Foliões poderão comprar produtos dos ambulantes oficiais com o celular

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      Durante os blocos de carnaval, vamos combinar, menos é mais. Não é legal sair de casa com várias coisas nas mãos. O folião que curtir a temporada no Rio de Janeiro terá uma experiência completamente nova e prática, podendo inclusive sair de casa sem carteira. Isso porque agora é possível comprar qualquer bebida nos mais de 10 mil ambulantes autorizados com o celular, por meio do Ame Digital. O pagamento é simples e seguro: basta ler o QR code do vendedor. A plataforma garante benefícios como cashback de 10% em todas as compras e promoção exclusiva de 4 latinhas de Brahma por R$ 10.

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      Para Claudio Romano, CEO da Dream Factory, empresa que organiza o Carnaval de Rua do Rio, a ideia de trazer conveniência e praticidade para a vida do folião com o novo método de pagamento é a conquista de um carnaval sem carteira. “Trabalhamos para trazer mais conforto para o Carnaval de Rua do Rio e a Ame Digital vislumbrou uma ótima oportunidade ao disponibilizar a possibilidade de compra pelo aplicativo com os 10 mil ambulantes oficiais. Agora é possível curtir os blocos deixando a carteira em casa.”, comentou Romano.

      Viradouro antecipa último ensaio de rua para este sábado

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      Finalizando os preparativos para o desfile, a Unidos do Viradouro tem mais dois ensaios na agenda antes do desfile. O ensaio da Avenida Amaral Peixoto, no Centro de Niterói, que tradicionalmente acontece aos domingos, foi antecipado. Por conta de várias atividades carnavalescas agendadas pela prefeitura na cidade para domingo, a direção da vermelho e branco vai concluir a temporada de ensaios de rua, neste sábado, a partir de 19h, na mesma Amaral Peixoto.

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      Na quadra, que fica na Avenida do Contorno, 16, no Barreto, o último compromisso com segmentos e alas de comunidade será na terça-feira. A Viradouro será a segunda a desfilar na Marquês de Sapucaí no Domingo de Carnaval. A escola vai tentar o campeonato de 2020 com o enredo “Viradouro de ama lavada”, dos carnavalescos Tarcísio Zanon e Marcus Ferreira, também responsáveis pelo desenvolvimento do tema. O enredo é inspirado nos cânticos seculares que as Ganhadeiras de Itapuã entoavam enquanto lavavam roupas às margens da lagoa baiana.

      Neguinho da Beija-Flor lança ‘Sambas Memoráveis’ dos anos 60

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      Prestes a completar 44 anos de Avenida, o cantor e compositor Neguinho da Beija-Flor está realizando um sonho antigo: colocar voz em alguns dos sambas históricos cantados em antigos carnavais por diversas escolas. O projeto “Sambas Memoráveis”, com 12 obras que se destacaram nos anos 60 – o primeiro de uma trilogia -, estará à disposição dos apaixonados pelo estilo samba-enredo neste sábado, 15 de fevereiro, através das plataformas digitais. É o primeiro trabalho de Neguinho voltado exclusivamente para serviços de streaming.

      O repertório foi escolhido por Neguinho em parceria com integrantes do Doentes da Sapucaí, grupo paulistano formado por admiradores de sambas-enredo do Carnaval carioca, que também cuidou da produção.

      Em “Sambas Memoráveis – Anos 60”, a única composição que não faz parte daquela década é “Cânticos à Natureza”, de Nelson Sargento, Jamelão e Alfredo Português, que a Mangueira cantou no desfile de 1955. As demais obras são: “Rio, capital eterna do samba” (Walter Rosa -Portela, 1960; “Seca no Nordeste” (Gilberto Andrade e Waldir de Oliveira – Tupy de Brás de Pina, 1961); “Dia do Fico”, (Cabana – Beija-Flor de Nilópolis, 1962); “Chica da Silva” (Anescarzinho e Noel Rosa de Oliveira – Salgueiro, 1963); “Aquarela Brasileira”, de Silas de Oliveira (Império Serrano, 1964); “Cinco Bailes da História do Rio” (Silas De Oliveira, Ivone Lara e Bacalhau – Império Serrano, 1965); “Mundo Encantado de Monteiro Lobato” (Jurandir, Batista, Darcy da Mangueira, Helio Turco e Luiz – Mangueira, 1967); “Sublime Pergaminho” (Carlinhos Madrugada, Nilton Russo e Zeca Melodia – (Unidos de Lucas, 1968); “Heróis da Liberdade” (Silas De Oliveira, Mano Décio e Manoel Ferreira – Império Serrano, 1969); “Bahia de Todos os Deuses” (Bala e Manuel Rosa – Salgueiro, 1969); e “Yayá do Cais Dourado” (Martinho da Vila e Rodolfo – Vila Isabel, 1969).

      Neguinho, o projeto e os sambas memoráveis

      Voz oficial da Beija-Flor, compositor de seis sambas-enredo que a escola de Nilópolis levou para a Avenida (1976, 1978, 1981, 1983, 1984, 1992), e autor de sucessos como “O campeão (Domingo, eu vou ao Maracanã…)”, “A Deusa da Passarela”, “Malandro é malandro, mané é mané”, “Bem melhor que você”, e “Gamação Danada”, com Amir Guineto, entre outros, o artista lamenta que, nos últimos anos, nenhuma obra cantada no Sambódromo carioca tenha se transformado em clássico, caído na boca do povo e ultrapassado o universo restrito aos sambistas.

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      “Não acho que isso aconteça necessariamente porque a qualidade dos sambas mais recentes seja inferior à dos sambas mais antigos. O espaço pro samba-enredo é que tá ficando cada vez menor nas tevês e nas rádios, perdendo pro sertanejo, pro funk….Mas, claro, que pérolas como essas que estão nesse projeto, com autores que precisam ter seus nomes lembrados, são obras que precisam ser imortalizadas. Por isso a ideia do ‘Sambas Memoráveis’, porque os mais jovens precisam ter acesso a essas obras. É uma coisa de resgate mesmo. Resgatar pra manter viva a cultura do samba-enredo”.

      Neguinho explica a razão de incluir entre as 12 faixas, o hino que a Mangueira cantou no Carnaval de 1955, “Cânticos à Natureza”.

      “Eu tinha seis anos e lembro de ouvir o Jamelão cantando esse samba. E foi nessa época que eu, menino pobre da Baixada Fluminense, passei a me interessar por samba-enredo. E foi ouvindo a voz do Jamelão, cantando esse samba, que me tornei fã dele. Então, incluir essa obra nessa primeira coletânea, também tem um significado sentimental, porque posso dizer que foi um marco na minha vida”, revela o artista.

      A gravadora Movieplay, especializada no mercado musical digital será responsável pelo lançamento.

      O projeto “Sambas Memoráveis” terá continuidade, com lançamentos futuros de obras históricas dos anos 1970 e 1980.