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Unidos de Padre Miguel realiza último ensaio de rua sexta-feira

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Finalizando os trabalhos nos carros alegóricos e com as fantasias prontas para entrega, a Unidos de Padre Miguel irá realizar na próxima sexta-feira, seu último ensaio de rua na Guilherme da Silveira, em Padre Miguel. Com concentração a partir das 22h, a direção convoca toda comunidade e segmentos da Vermelha e Branca para o último treino de 2020.

“Começamos os nossos ensaios em outubro e foram quatro meses de trabalho intenso, fortalecendo o canto e a harmonia de nossa escola. Sexta faremos nosso último ensaio com a sensação de dever cumprido. Nossa escola é forte e está muito unida. Esta semana começaremos a entrega das fantasias e estamos concluindo os trabalhos no barracão. A Unidos vem forte para brigar pelo título” concluiu o diretor de carnaval, Cícero Costa.

Primeiro Casal
 

A Unidos de Padre Miguel será a sexta escola a desfilar na Marquês de Sapucaí no sábado de carnaval com o enredo “Ginga” que contará a história da Capoeira.

Tia Surica faz tatuagem da Portela: ‘É o amor no corpo, alma e coração’

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Por Victor Amancio

Portelense de alma, coração e, agora, no corpo também. Tia Surica, a grande matriarca portelense, tatuou em seu braço esquerdo a águia, símbolo da azul e branco de Oswaldo Cruz e Madureira e as palavras ‘Matriarca da Portela’.

Ao site CARNAVALESCO, ela falou sobre a decisão de fazer a tatuagem.

“Tinha vontade de fazer há muito tempo, mas tinha o receio. Surgiu a oportunidade e fui fazer na sala de um dos vencedores do samba-enredo”, contou.

tia surica

Perguntada se sentiu dor, Tia Surica brincou e ressaltou que o importante foi ter seu amor tatuado no corpo.

“Não é uma dor desesperante. É uma agulhinha. Estou muito satisfeita. É o amor da minha escola tatuado no meu corpo, alma e coração”.

Série Barracões da Série A: Ponte aposta na renovação ao levar eternidade para Avenida em 2020

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Por Diogo Sampaio

Ao fazer uma releitura do clássico “Oferendas” no último carnaval, a Unidos da Ponte apostou no talento dos estreantes Guilherme Diniz e Rodrigo Marques, superou um temporal na pista e conseguiu garantir sua permanência na Série A, depois de passar 12 anos longe do palco principal da festa. Para 2020, a escola novamente deposita suas fichas em um novato na Marquês de Sapucaí, porém um velho conhecido da azul e branca de São João de Meriti: o carnavalesco Lucas Milato.

Responsável por assinar o enredo “Romance de Xangô: A Dança do Fogo”, que garantiu o campeonato da Série B em 2018, o artista regressa para agremiação com o objetivo de galgar posições ainda maiores que o décimo lugar do ano passado. Para a reportagem do site CARNAVALESCO, Milato contou como foi o convite para retornar à Ponte:

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“Sempre tive uma relação muito boa com a direção da escola e com a comunidade. Ano passado, a gente não continuou a parceria por algumas divergências de opinião e de ideias, mas saímos de bem, tanto eu com a escola, quanto a escola comigo. Esse ano pintou a oportunidade de retomarmos o casamento e cá estamos nós”, relatou de forma sucinta.

Diante de uma das mais acentuadas crises do carnaval carioca, com o completo corte do repasse de verba oriunda da Prefeitura do Rio, tem se tornado corriqueiro a aposta de escolas em novos e jovens nomes, como o próprio Milato. Sobre a experiência de estrear no Sambódromo em meio a esse cenário adverso, Lucas Milato garantiu não se intimidar.

“As escolas estão apostando em nomes novos e são pessoas que querem muito mostrar seu trabalho. A partir do momento que você traz um nome novo, obviamente que a pessoa vai acabar vindo com uma vontade maior de fazer um trabalho incrível, para poder se mostrar também. Então, acho que nesse momento de crise, fazer uma aposta ou uma estreia é até interessante por isso, porque é uma pessoa que vai estar ali fazendo não só pela escola e pela comunidade, mas por ele próprio também. Esse momento é bem interessante inclusive por isso”, avaliou.

Para Milato, o lançamento de novos profissionais faz parte do processo de renovação do carnaval, pois estes trazem novos olhares e pensamentos para festa. Algo, segundo ele, é fundamental para conservação do samba e da folia como um todo.

“Acho que isso é importante não só para classe carnavalesca, mas para os segmentos de uma maneira geral. Inclusive isso faz parte da síntese do nosso enredo, que é justamente quando a gente fala sobre a manutenção do samba, que se faz necessária principalmente agora nessa crise que a gente está vivendo. Então, quando você aposta em novos nomes, você de certa forma, está contribuindo para isso: trazendo temáticas novas, propostas novas… O próprio enredo da Ponte sai um pouco da caixinha, porque é uma temática não tão comum, né. Quando você pega um conceito filosófico e transforma em enredo, você acaba trazendo uma pegada um tanto quanto diferente. Então, acho isso extremamente válido e não só para classe carnavalesca, mas a gente vê intérpretes novos que estão assumindo seus postos, enfim. De uma maneira geral isso é muito importante”, destacou.

Experiência para tirar da cabeça, o quê não tem no bolso

Em seu currículo, Lucas Milato traz passagens como desenhista e assistente em diversas escolas de samba do Rio, como Paraíso do Tuiuti, Alegria da Zona Sul, Jacarezinho, Inocentes de Belford Roxo e Unidos de Padre Miguel. Entretanto, a primeira oportunidade como carnavalesco só veio na Intendente de Magalhães, quando assinou o desfile de 2017 do Acadêmicos da Abolição. Ainda na passarela popular, passou pela Sereno de Campo Grande, além da própria Ponte.

“Passar pela Intendente Magalhães é um estágio obrigatório para quem quer seguir esse ramo, porque você é obrigado a pensar e repensar em soluções para suprir uma falta de aporte. Com isso, você acaba aprendendo muita coisa, e acaba também se descobrindo em algumas propostas que é obrigado a fazer. Acho importantíssimo, afinal é uma experiência, é uma bagagem diferente que você traz. Não digo que facilita, mas assim, quando você faz um carnaval com um aporte financeiro maior ou considerável, nem diria maior porque hoje na Série A a gente nem tem, mas faz um carnaval com um aporte financeiro digno, é um pouco mais tranquilo, pois você consegue fazer o que você pensou inicialmente”, comentou.

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De acordo com Milato, o aprendizado adquirido em três anos consecutivos desenvolvendo desfiles na Intendente de Magalhães foi crucial para conseguir trabalhar sem a verba pública para Série A neste ano.

“Hoje sem esse aporte, a gente é obrigado a pensar em inúmeras soluções. Tem que ter um plano B, C, D, E, F… Vou dar um exemplo: Você pensou no material X, porém ele não chegou ou o orçamento não permitiu a compra dele, então você tem que buscar alternativas, o que às vezes nem tem. Nesses casos, a gente tem que mudar a ideia e conseguir um jeito de dar certo. Teve um carro aqui na Ponte que nós tínhamos duas opções: uma era esperar o material chegar, e não tinha chegado porque a gente não tinha ainda como comprar, ou fazer com o que tinha. Na época, dentro do nosso cronograma, nós já estávamos atrasados, a opção foi fazer com que tinha. Fomos catando de pouquinho em pouquinho no almoxarifado da escola e montamos um carro com as sobras de carnavais passados. É desse jeito que a gente está indo e está conseguindo levar o projeto”, afirmou.

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Entre os materiais utilizados na confecção do carnaval da Ponte de 2020, o artista destacou o uso dos espelhos, sendo a maioria reaproveitados. Além disso, chamou a atenção para as fitas metaloides, que segundo ele, apesar do baixo custo, geram grande efeito no trabalho.

“Esse ano a gente está usando bastante espelho. Inclusive, espelhos achados, que nós tínhamos no barracão e ninguém sabia. É um material que dá um visual muito bom e que nem sempre a gente consegue comprar, por conta do orçamento. Tem uma solução muito boa também, que esse ano estou usando, que são umas franjas de metaloide, de fita metaloide, que é um material bem barato e que dá um efeito muito bom. O acetato, que sempre salva a gente… Enfim, esses e outros materiais”, apontou.

Para o site CARNAVALESCO, Milato revelou ainda os cuidados que teve para proteger seu trabalho de uma chuva, como a que atingiu a escola no ano passado. Dentre as precauções, estão a forração de todas as alegorias com material impermeável.

“As nossas esculturas são todas fibradas, o que dá uma segurança maior em caso de chuva. O piso do carro aqui na Ponte, esse ano pelo menos, a gente está forrando todos com plástico cristal, que é uma forma de proteger até de sujeira mesmo. Ou seja, a gente dá as nossas manobras para solucionar esses problemas”, detalhou o artista.

‘Elos da eternidade’

Intitulado “Elos da eternidade”, o enredo da Unidos da Ponte em 2020 irá propor uma reflexão acerca da relação do homem com o eterno, desde a procura por uma ligação com infinito, passando pela vontade de ser imortal, até a perpetuação por meio do legado deixado. Durante o bate-papo com a reportagem do site CARNAVALESCO, Lucas Milato falou como nasceu a proposta e como pretende desenvolvê-la:

“Por incrível que pareça, não era a ideia inicial, só que me vi na necessidade de não só estrear na Sapucaí, mas de fazer algo diferente, algo que, de certa forma, contribuísse para essa manutenção do carnaval, que hoje se faz extremamente necessária. Então, quando eu decidi falar da eternidade, que é uma temática bastante abstrata, por mais que ela venha ser apresentada na Sapucaí de uma forma bem direta, com uma leitura muito tranquila e muito fácil, é algo incomum, inovador. Afinal, a eternidade é um conceito filosófico e o enredo da Ponte propõe justamente uma reflexão sobre a relação da humanidade com essa ideia. A gente fala da fonte da juventude, do pacto com o Diabo, do sabá das bruxas… É uma temática que te abre um leque de opções concretas muito grande”, assegurou.

Entenda o desfile

Em 2020, a Unidos da Ponte irá para Marquês de Sapucaí com cerca de 1500 componentes, 21 alas, três alegorias e um tripé. A azul e branca de São João de Mereti será a terceira escola a se apresentar na sexta-feira de carnaval, primeiro dia de desfiles da Série A. O enredo “Elos da Eternidade” terá sua história contada através de quatro setores, como explica o carnavalesco Lucas Milato:

Setor 1: “A gente começa o desfile com o homem tomando consciência de que a eternidade existe. Ele faz isso a partir do momento que passa observar coisas que ultrapassam e que são superiores ao ser humano, o que traz essa ideia de gigantismo, de uma longevidade maior”.

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Setor 2: “A partir disso, dessa admiração por coisas que ultrapassam, o homem passa a desejar a eternidade e vai à busca dela. É quando a gente entra no setor do desejo. Nele, apresentamos as diferentes formas que o homem tentou buscar para se eternizar”.

Setor 3: “Depois a gente entra no terceiro setor, que é quando ele chega a conclusão que ele não vai alcançar essas fórmulas mágicas, ele não vai conseguir essa eternidade física, essa imortalidade, e ele chega a conclusão que existem outras formas de você eternizar, que é justamente com o legado que você deixa. Então a gente e faz uma homenagem a pessoas que se eternizaram pelos seus feitos, seja na arte, na ciência, enfim”.

Setor 4: “Por fim, a gente encerra mostrando a eternidade do samba, que é justamente a que temos. É quando fazemos um alerta para que nós, sambistas, tratemos o samba como um universo nosso, que precisa ser cuidado, justamente para a gente consiga perpetuar esse nosso legado lá na frente”.

Clima alegre e correções de evolução da Tatuapé fortalecem expectativas de desfile competitivo

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Por Matheus Mattos. Fotos: Felipe Araújo/Liga-SP

A Acadêmicos do Tatuapé apresentou um ensaio técnico mais vibrante, com correções no quesito de evolução e domínio técnico do módulo musical.

“Nós tivemos alguns erros no último ensaio. Viemos aqui pra corrigi-los e superarmos os ensaios do ano passado. Acredito que batemos a meta. Esse lado técnico que a Tatuapé desenvolveu, torna o trabalho muito natural”, disse o vice-presidente Erivelto Gonçalves.

Samba-enredo

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A postura do carro de som da agremiação foi o ponto que mais se destacou na noite. Primeira questão observada foi, durante a segunda passagem da estrofe final, Celsinho pediu para que todas as cordas, violões e cavacos, parassem de tocar. O time de canto seguiu sem harmonia até o refrão de cabeça, quando a bateria entrou na bossa. Segundo, em determinados momentos o intérprete cantava um trecho do samba sozinho, mais especificamente na retomada da segunda estrofe. Os cantores voltam no trecho “meu lugar”.

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Terceiro, as cordas também recebem destaque pela postura ousada e arranjos em todo momento do samba. Um dos principais é durante a bossa executada na parte “sinto os perfumes das flores”. Enquanto apenas as marcações tocam (ponteia viola), os cavacos executam uma espécie de crescente. Eles também desenham em trechos mais curtos, como no “puxe o fole sanfoneiro”.

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O que mais se destacou foi a conversa entre cordas e vozes. Na parte “lê lê lê lê lê a”, do segundo refrão, os cavacos perguntam, as vozes respondem, e isso dura até o final do refrão. O pai do cantor Celsinho Mody acompanhou o filho durante todo o treino ao lado do carro de som.

Harmonia

O quesito é um dos grandes destaques da escola, foi no primeiro, e se repetiu na última noite. As alas cantam o samba com gás, empenho e, o detalhe mais importante, com clareza em cada letra. Os dois refrões principais, “sinto o perfume das flores” e “Ê viola” são os trechos pronunciados com mais vibração.

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Evolução

A entrada no recuo da agremiação tinha sofrido com algumas desatenções no primeiro técnico. Já no segundo, a equipe de harmonia estava atenta e executou a manobra de forma correta. Diferente das entradas “convencionais”, a Tatuapé tem uma ação cenográfica com a ala da frente. Os bailarinos antecedem a entrada no recuo, se separam no box e vão de encontro com os ritmistas. A ala preenche o vazio e, conforme a escola anda, as fileiras vão se desfazendo até corrigirem. A princesa da bateria, Priscila Araújo, ajudou a orientar a corte nos preenchimentos dos pequenos espaços vazios e na recomposição.

Analisando coreografia, a ala 10 traz movimentos que utilizam bastante os braços. São passos que o componente não precisa sair do lugar pra executar. A escola também trouxe muitas variações de cores no último setor. Todas as alas são separadas por camisetas específicas, que contém nome da fantasia e número da posição no desfile. A escola encerrou o técnico com cerca de 62 minutos.

Mestre-sala e Porta-bandeira

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O espaço demarcado para o casal oficial dançar, atrás da comissão de frente, contou com o bailado do casal mirim, André e Maria Eduarda, do projeto casal foguinho. A dupla oficial, Diego e Jussara, estava logo atrás da primeira ala. Durante apresentação à torre 04, segundo jurado do quesito, eles demonstraram muita elegância, simpatia e clareza na realização de cada passo, mesmo na movimentação de um passo sútil.

Bateria

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A Qualidade Especial manteve o domínio técnico apresentado no primeiro ensaio. Assim como foi pontuado na última análise, as bossas trabalham os diferentes timbres das marcações, ataques precisos de caixas e valorização de trechos vazios pra destacar o canto da escola. Durante a manobra do recuo, os leves não param de tocar.

Comissão de frente

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O quesito trouxe uniformidade nas vestimentas dos bailarinos, porém apensavam alguns detalhes que diferencia. Ele evoluem com uma capa, branca do lado de fora e verde do lado de dentro. A comissão tem passos rápidos e bem sincronizado. Eles dançam com 14 homens e uma mulher, no caso, a personagem principal.

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Outros destaques

Um destaque positivo do treino ficou por conta do grupo cênico da segunda alegoria. Junto à velha-guarda, os componentes tem a dança voltada as arquibancadas.

Mocidade organiza baile de carnaval na quadra

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A Mocidade Independente de Padre Miguel prepara um grande evento neste sábado, a partir das 22h, para se despedir da temporada de ensaios. O Ensaio Show com Baile de Carnaval vai contar com a presença dos segmentos da escola, do Cordão da Bola Preta, e da Batucada Du Nosso Bloco como atrações. Haverá também um concurso que premiará, inclusive em dinheiro, as três melhores fantasias da noite.

A quadra da Mocidade fica na Avenida Brasil, 31.146, em Padre Miguel. O ingresso de pista custa R$ 30. O jirau também sai a R$ 30. A mesa para quatro pessoas custa R$ 100. E os camarotes para 20 pessoas saem a R$ 500. A classificação etária é 18 anos. Os ingressos podem ser comprados na bilheteria da quadra e pela internet.

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Quinta escola a desfilar na segunda-feira de carnaval, a Estrela Guia da Zona Oeste busca o sétimo título de sua história no Grupo Especial com o enredo “Elza Deusa Soares’’, que será desenvolvido pelo carnavalesco Jack Vasconcelos.

Fotos: Giovana Angélica brilha no último ensaio de rua da Mocidade

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Na noite deste domingo, a Mocidade Independente de Padre Miguel realizou seu último ensaio de rua em preparação para o carnaval. A rainha de bateria, Giovana Angélica, foi uma das mais festejadas durante o percurso, e retribuiu o carinho com beijos e muitas fotos. Essa é a estreia de Giovana como rainha de bateria da Mocidade. Confira fotos do ensaio.

Série Barracões: Vila fará viagem lúdica com o sonho do pequeno índio Brasil até o nascimento de Brasília

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Por Gabriella Souza

A Vila Isabel impressionou em 2019 com o luxo e a grandiosidade de seu carnaval e a estética de seus carros alegóricos, conquistando a terceira colocação, deixando seus componentes com o desejo ainda maior de buscar o título em 2020. Com o enredo “Gigante pela própria natureza: Jaçanã e um índio chamado Brasil” a escola virá destrinchando seu desfile a partir da apresentação lúdica de um conto com o índio Brasil.

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A azul e branco retomará a poética ao carnaval como narrativa da história de um povo, de luta, de sonhos e de esperança, nos brasileiros de tantas marcas, de diversos rostos e de longa trajetória, povo que vislumbrou melhores dias na Brasília sonhada, cidade atestada de seu nome. Afirmará, assim, a história dessa gente tão vivida, tão presente e deixará para a cultura e o carnaval o legado deste grandioso povo brasileiro.

Para celebrar os sessenta anos da cidade de Brasília, a Vila usará o marco para mesclar e também homenagear a história do brasileiro, retratando em cada canto deste país as suas inúmeras trajetórias. A viagem cultural começa com o pequeno índio, ainda curumim, chamado Brasil, que enquanto dormia ao balanço e sossego de sua canoa sonhou com uma ave, a Jaçanã, que veio até ele lhe trazer tal profecia: a de que ele ganharia uma irmã. Afirmando que ela nascerá forte ao representar um ponto de luz, de esperança para seu povo e que se chamará Brasília. No entanto, só podendo ser entendida a partir do conhecimento e trajetória de sua pátria-família. E é neste ponto que a Vila, a partir do conto, destrincha a história do povo brasileiro, na cultura e costume de cada região pertencente, que juntas fizeram nascer a capital federal, sustentada na luta e esperança deste povo.

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“Contudo, pede-se licença para imaginar contos de límpida felicidade no Carnaval para nesses dias acalmar o sofrimento incessante do doloroso real. Assim, Vila Isabel, canta essa Brasília irmã com o pequeno Brasil e sua Jaçanã”. Estre trecho da sinopse expõe a síntese do enredo, construído debruçando-se na viagem lúdica do pequeno índio Brasil. A concepção do desfile foi desenvolvida pelo carnavalesco Edson Pereira, que vai para seu segundo ano na agremiação, e que conta como surgiu a proposta do enredo.

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“Na verdade, este enredo surgiu como uma proposta de desenvolver um desfile sobre Brasília, mas eu não achei pertinente fazer um enredo somente sobre isso, principalmente, pelo momento político que o nosso país passa hoje e também até porque não é o meu foco de atuação enquanto artista. Então eu propus que a gente pudesse falar sobre o povo brasileiro e toda a sua identidade. E foi em cima disso que estamos desenvolvendo o desfile, ao mostrar toda a diversidade cultural do nosso país, e quanto o brasileiro acredita e segue acreditando em um gigante que é o Brasil”, explicou.

Edson conta que no desenvolvimento do enredo vários aspectos culturais do povo brasileiro lhe marcaram, mas um em especial o impressionou: a resiliência, qualidade próxima à superação, marca de uma gente que se mantém firme mesmo com todas as adversidades.

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“Nesse enredo o que mais me impressionou mesmo foi perceber a tamanha resiliência do povo brasileiro, que diante de tantas adversidades e questões contrárias a gente continua acreditando sempre, até o final. Eu quando pego o pequeno índio brasil, que é um gigante, mas que precisa entender o quanto ele é grande a partir do conhecimento do seu próprio povo, da sua própria cultura e diversidade cultural. A partir desse conhecimento é que ele começa a entender quem somos nós brasileiros, que somos um povo completamente diferente de todos os outros do mundo”.

Vislumbrando um patrocínio da cidade de Brasília, a Vila se viu somente com promessas e passando pelas mesmas dificuldades das outras escolas com as dificuldades na disponibilização de verbas para a feitura do carnaval. No entanto, Edson ressalta que a escola optou por reduzir o volume do seu carnaval para poder priorizar a qualidade.

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“Com a dificuldade na disponibilização das verbas a Vila está realizando um projeto muito enxuto e bem pé no chão, sabendo já desde o início que seria tudo muito difícil. E, por isso, que a gente aceitou fazer esse enredo sobre Brasília, mas que não chegou um aporte financeiro, a gente apostou nisso mas até agora ainda não conseguiu, o que recebemos até o momento foram somente promessas, já que de investimento nada chegou. Mas a gente vem desenvolvendo um carnaval dentro das condições da escola e usando os materiais orgânicos, não é a primeira vez que acontece e também é a função do carnavalesco conseguir driblar tudo isso. É um carnaval feito com muito mais cuidado e mais criatividade do que aporte financeiro em si”.

Edson destaca que todo o trabalho realizado na agremiação é deliberado em coletivo, mas que mesmo nunca conseguido agradar a todos, a equipe tem por foco pensar o melhor caminho para a escola na conquista de boas notas e do título.

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“Justamente dessa forma, não é pegar um viés. Tudo o que a gente faz aqui na Vila é realizado em conjunto, então a gente escolhe pelo gosto da maioria e todas essas pessoas que estão envolvidas no nosso projeto estão sempre de acordo, claro que não se dá para agradar todo mundo sempre, nem Deus conseguiu fazer isso, mas o que a gente faz aqui é nesse sentido de sempre querer fazer o melhor para obter o melhor resultado para a escola”, conta.

Entenda o desfile:

A proposta da Vila para 2020 é de um carnaval mais enxuto, como já ressaltou Edson Pereira, a redução foi clara visto que a escola virá com cinco alegorias e somente um tripé, o que irá compor a comissão de frente, “isso foi uma escolha da nossa equipe, para poder entregar tudo bem feito e com qualidade” disse o carnavalesco.

“O título do carnaval ‘gigante pela própria natureza’ é exatamente para defender o quanto somos grandes enquanto povo, enquanto nação, ressaltar que somos gigantes mesmo. Com isso, eu humanizo esse pequeno índio que vai para sua luta diária como todo povo brasileiro faz para ganhar o seu pão de cada dia, através dessa história lúdica, que é muito onírica, pois quando ele adormece na sua canoa e ela vira uma Jaçanã, ele vai através de seu sonho conhecer todos os povos brasileiros, em cada cantinho do Brasil de leste a oeste, norte a sul, e, assim, se identificar com todas essas diversidades culturais. Para, assim, pousar no centro-oeste e formar o mapa de Brasília, como essa Jaçanã que tem a asa sul e a asa norte assim como a cidade. Um grande pássaro realizando o sonho do povo brasileiro” explica Edson sobre o desenvolvimento geral de seu desfile.

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O que se viu no interior do barracão foram esculturas já sustentadas e grandiosas, muito também ainda sendo reaproveitado do carnaval de 2019, algo comum em todas as escolas. O mais interessante eram os detalhes, tanto no corpo ou no rosto de bonecos que estão acoplados aos carros, mostrando que a qualidade do trabalho na Vila será diferenciado. Alguns carros ainda sendo construídos em estágios iniciais, mas tudo sob o controle da equipe de Edson, bem segura do trabalho, tudo bem com a identidade da Vila.

Setor 1: Edson fala que este setor inicial será onde a história da mãe pátria e seu filho, o menino índio Brasil, começará a ser contada a partir de seu sonho: “Nós teremos neste setor inicial justamente a síntese do que vem, que é um setor onde a gente inicia o carnaval, então serão a mãe pátria com seu filho Brasil, acalentando ele e mostrando para seu menino esse sonho”.

Setor 2: Aqui será apresentado o Brasil já com seu desenvolvimento, suas indústrias, com um país de promissor crescimento. Com destaque para o Sul do país e seu desenvolvimento agrônomo: “Neste segundo setor já estará o grande celeiro do povo brasileiro, onde a gente começa a se desenvolver como indústria, com o crescimento do país. Aqui a gente fala do Sul para mostrar esse desenvolvimento agrônomo do Brasil”, declarou Edson.

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Setor 3: Neste terceiro momento do desfile, será retratado o sudeste do país, com Minas, Rio e São Paulo, assim como a figura do ex-presidente Juscelino Kubitschek. Será retratado também a cultura desses lugares, entre o samba e o carnaval: “Aqui nesse terceiro setor a gente fala do sudeste, onde a gente vai mostrar um pouco da origem de JK, que veio de Minas Gerais e que tem esse link com a cultura do Rio de Janeiro e de São Paulo, com o samba, carnaval e, claro, a Vila Isabel”.

Setor 4: Aqui serão retratados os povos do nordeste, das pessoas trabalhadoras que são a cara da luta e do sustento do povo brasileiro: “Aqui a gente vai mostrar o povo do nordeste, esses candangos que são as pessoas que mais trabalharam para que esse país virasse e pudesse se transformar em um grande país”, disse Edson.

Setor 5: Finalizando o desfile da Vila, virá o retrato da capital federal Brasília, onde são guardados sonhos e ainda esperanças: “No quinto e último setor já é esse sonho realizado, de uma capital da esperança. Onde, infelizmente, não é o que a gente espera mas é o que a gente continua sonhando”.

O carnavalesco deixa ainda um recado para os componentes e amantes da azul e branco de Vila Isabel.

”O que todos podem esperar da escola é uma Vila grande, como eu gosto de fazer carnaval e da forma que eu acho que o carnaval precisa ser, grandioso, diante de tantos problemas financeiros a gente não pode perder essa grandiosidade, essa que o carnaval da Vila trouxe ano passado e que eu gosto de fazer”, declarou Edson.

Jaime Cezário ministra palestra no Instituto Pereira Passos

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Quem acompanha o carnaval e todos os seus bastidores conhece Jaime Cezário pelos desfiles que criou em diversas escolas de samba – incluindo a Estação Primeira de Mangueira, Acadêmicos do Cubango, Caprichosos de Pilares, Unidos do Porto da Pedra, São Clemente, e Paraíso do Tuiuti – o longo de quase três décadas de carreira.

Seu êxito como carnavalesco fez com que optasse pela paixão à folia, diminuindo gradativamente sua atuação como arquiteto, seu ofício por formação, que exerceu com maestria antes de se dedicar integralmente ao carnaval.

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Jaime Cezário é pioneiro em aplicar, na construção de desfile de escola de samba, técnicas do trabalho de arquiteto. É esse pioneirismo, tão importante ao ponto de ser incorporado por muitos profissionais dos festejos de Momo, que Jaime abordará na palestra “A Arquitetura do Carnaval”, que será realizada no Instituto Pereira Passos (IPP). Este ano, o Rio de Janeiro foi consagrado como a Capital Mundial da Arquitetura, o que torna o tema ainda mais relevante.

O IPP- órgão público de referência na área de arquitetura e urbanismo – sediará a palestra na próxima segunda-feira, às 18h30m. A entrada é gratuita. O endereço é Rua Gago Coutinho 52, Laranjeiras, bem próximo do metrô do Largo do Machado. A palestra vai acontecer no Auditório Carlos Nelson, no primeiro andar.

Debaixo de forte chuva, Tom Maior realiza seu último ensaio técnico

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Por Gustavo Lima. Fotos: Felipe Araújo/Liga-SP

A Tom Maior realizou na noite deste domingo, seu segundo e último ensaio rumo ao carnaval 2020. O destaque do treino foi o samba-enredo interpretado por Bruno Ribas, onde tem uma letra que questiona e exalta a importância da raça negra, dizendo que o reconhecimento de seus feitos não pode ser reconhecimento como uma espécie de esmola, e sim deveria ser algo normal. Um ponto negativo foi a evolução, por causa da chuva a escola diminuiu o andamento na pista, o que culminou no tempo de 65 minutos. A direção de harmonia explicou que para escola não houve atraso, já que ela considera que a contagem começa apenas quando a bateria sobe e assim o treino teve duração de 63 minutos.

“Nós viemos em um crescente, hoje foi mais difícil trazer todo contingente, mas nós temos muitos ensaios de rua. Então a minha avaliação é que nós estamos no caminho, a excelência a gente tem que atingir no dia 21. Eu ainda tenho ensaio de rua dia 16 e estou muito contente, porque a minha comunidade abraçou e tem cantado esse samba como se tivesse realmente fazendo um clamor, e essa é a nossa intenção. Não é exatamente uma crítica social, nós realmente cantaremos a nossa história, uma parte que ficou oculta, nossos personagens que são citados no enredo, eu acredito que 80% o pessoal não tinha nem conhecimento. Sobre o samba, acredito que quando você canta algo que se identifica, a coisa flui com mais tranquilidade. Os componentes se identificaram com essa história, que é afro-brasileira e eu acho que 90% da nossa população brasileira tem o sangue negro e acho que é isso faz com que os componentes venham com mais vontade”, disse a presidente Luciana Silva.

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Samba-Enredo

Muito bem interpretado pelo intérprete Bruno Ribas, que vive boa fase e está indo para seu quarto carnaval na agremiação, é um dos melhores sambas do ano, a obra se destaca muito mais por sua letra, que questiona e exalta a importância dos negros. O samba destaca bem as intenções da escola na avenida, que é contar os feitos dos negros na história do Brasil e a luta pela igualdade e liberdade, como é citado.

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“Hoje foi hiper positivo, agora a gente acertou tudo o que a gente precisava acertar, o som, o chão, faltava mais um volume e agora estamos prontos, vamos pra guerra, que seja o que o nosso senhor Jesus Cristo quiser. O entrosamento com a bateria está tudo lindo e perfeito, graças a Deus”, afirmou o intérprete Bruno Ribas.

Bateria

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Com um andamento mais cadenciado, a bateria da Tom Maior optou pela execução de algumas bossas, que eram feitas esporadicamente. Destaque para o arranjo que é feito nas duas últimas estrofes do samba e termina no começo do refrão principal. É uma bossa que tem a presença de todos os instrumentos e exalta a harmonia da escola.

“O ensaio foi bem positivo, quando chove eu fico até feliz porque a energia é renovada. Eu estou com o sentimento de que nós alcançamos um nível pra fazer uma boa apresentação no dia do desfile e agora é ir pro dia e tentar reprisar esses ensaios técnicos que nós fizemos, e a escola está de parabéns, é um contingente muito bom, a harmonia tem feito um bom trabalho e estou confiante na nossa escola. Na bateria, nós temos três convenções e uma virada de três que tem doze compassos, então vai depender muito do momento que nós vamos apresentar para os jurados. O entrosamento com o carro de som está fantástico, são anos trabalhando juntos e estamos bem confiantes”, declarou o mestre Carlão, diretor de bateria da escola.

Mestre-Sala e Porta-Bandeira

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O casal teve um ótimo desempenho nesta última noite. Apesar da pista molhada, mostraram um alto sincronismo no bailado e na coreografia, afinal, estão há muito tempo juntos ostentando o pavilhão da comunidade de Sumaré, e claramente a dupla se entende apenas no olhar, parecem deslizar na pista pela tamanha facilidade de evoluir.

Harmonia

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A escola cantou com clareza do início ao fim. Quando se olha para os componentes, dá para notar praticamente todos com intimidade com o samba. A bateria de mestre Carlão também contribuiu para isso, pois executou algumas bossas em que dava ênfase para se notar o canto da comunidade.

Evolução

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A escola optou por algumas alas coreografadas. Não houve presença de buracos na pista e as alas estavam sincronizadas, a escola preencheu a pista. A maioria das alas carregavam “bexigões”, o que deu um efeito especial na avenida. Vale ressaltar que a Tom Maior estourou o tempo de 65 minutos, talvez devido a chuva, mas de toda forma, é algo em que o departamento de harmonia juntamente aos coordenadores de ala deve se atentar e corrigir.

Comissão de Frente

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A ala teve uma apresentação com bastante coreografia. Vestidos com roupa afro, a comissão levou muitos integrantes para a pista, que dançaram de forma sincronizada e fizeram a coreografia compactada, posicionados em formas geométricas. Mesmo com a forte chuva, a ala obteve êxito em sua apresentação e cumpriram com o desejado. A ala não optou pelo uso de tripé.

Entrevistão com Fernando Fernandes: Gestão, disputa de samba e promessa de apoio de Brasília

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Qual o segredo para trazer o prestígio novamente para uma escola de samba? O que precisa ser feito para a ‘dignidade voltar para o ninho’ e o componente acredite em títulos? Na série “Entrevistão” a equipe do site CARNAVALESCO conversou com Fernando Fernandes, presidente da Unidos de Vila Isabel. Vindo de um luxuoso desfile, o presidente comentou sobre a relação com o Distrito Federal, com Witzel, e prometeu uma Vila ainda maior em 2020.

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Temos observado uma grande redução de eventos na quadra da Vila Isabel. Isso não vai na contramão da necessidade de arrecadação num momento de crise?

“Nós decidimos dar uma reduzida nos eventos, porque todos tem um custo muito alto. Evento hoje não dá lucro e sim prejuízo. Tem uma gama de cortesias para ser dada, venda é muito difícil. Depende da atração para que seja sucesso. Tem que ter interesse do público em participar. Hoje, na crise que vivemos no carnaval só podemos apostar no certo. Nossa quadra é muito bem localizada, porém é muito onerosa. É muito grande então as despesas são maiores. Segurança, portaria, banheiro, brigada de incêndio, gerador, ambulância e etc. Isso ai onera assustadoramente. Quando você pensa que vai ter lucro, o resultado é empate ou prejuízo. Porque a despesa é altíssima. Tem que cumprir com uma exigência e protocolo enorme. Se não cumprir, tá ‘roubado'”.

Alguns veículos divulgaram que a relação com o Distrito Federal não é das melhores. O que de fato aconteceu? A escola obteve o aporte financeiro?

“O que foi divulgado tem um pouco de verdade e um pouco de mentira. A relação com o governo é boa. O que não teve foi o aporte prometido. Não existe um desgaste por parte da Vila com o governador. Temos uma carta de intenção assinada de um aporte de R$ 4 milhões. Só que até agora não veio um centavo. Eles seguem vendo com agências e empresas”.

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O projeto de 2020 é ainda maior que 2019?

“A Vila vai novamente fazer um carnaval grandioso e esplendoroso. Nós apostamos nesse investimentos que foi prometido. Sou administrador e a Vila é muito bem administrada. Não vou dizer que acabarei o carnaval sem dívidas, mas são dívidas administráveis. Nós tínhamos uma promessa, se o governo do DF cumprir está tudo quitado. Caso não cumpra, faremos um carnaval bonito, porém com dívidas pagáveis”.

Algumas pessoas elogiaram o desfile de 2019, mas talvez por saudosismo, acharam a escola fria. Você concorda ou discorda?

“Sou transparente em tudo o que falo. Acho que não houve isso. Se entra uma escola fria, morna ou quente é o samba que produz. O samba é a força da escola. Se tivermos um samba bom, a escola vem com uma força que pode surpreender. Um samba que empolga atinge não só a escola na avenida, mas também nas arquibancadas. Se o samba é ruim não empolga ninguém. Pra esse ano fiz uma aposta. Não fizemos disputa. Recebi os CDs e os compositores não tiveram despesa. A disputa na Vila era viciada, só ganhava um. Mudei isso. O critério foi envelope lacrado, não tinha nome de ninguém. Só eu sabia pelo número. Quando escolheu o samba eu disse quem eram os compositores. Todos ficaram felizes pois os gastos foram mínimos. Pra 2021 vou inovar novamente. Levarei três sambas pra final sem divulgar os compositores, quem divulgar será desclassificado”.

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Nos ensaios de rua da Vila é perceptível que algumas pessoas da comunidade prefiram ficar nas calçadas assistindo e não desfilando. O que fazer para que esse componente volte para dentro da escola?

“Todos esforços são feitos. A comunidade não volta porque não quer. Hoje a moda é o funk. A juventude quer funk e hip-hop. Quem está na escola tem a média de 35 anos, se puxarmos as fichas da Vila Isabel vamos constatar isso. A oferta é feita, a prioridade é e sempre será nossa comunidade. Mas existe uma fuga. Isso é uma mudança que vai sempre existir. O mundo evoluiu, o samba evoluiu. Entrou muita gente e também saiu. Assim é a vida. Não é uma exclusividade da Vila, todas as comunidades passam por isso”.

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Como anda a relação com o governador Wilson Witzel?

“O governador é simpático com as escolas. Veio no lançamento do nosso enredo, tem um carinho enorme pelo samba. Só que ele também não pode resolver nada sozinho. Ele tem boas intenções mas disso o mundo tá cheio. Estou igual a São Tomé, só acredito vendo. Ele é simpático, agradável e quer fazer. Mas não depende exclusivamente dele”.

Qual era a situação financeira da Vila antes da sua chegada?

“Peguei a escola numa situação sofrível. Eram dívidas de gestões passadas. Chegamos aqui com 96 processos, hoje temos 11. Equalizamos muita coisa”.

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Sobre o terceiro lugar de 2019, a escola ficou orgulhosa ou frustrada?

“Digo por mim. Eu, Fernando Fernandes, como presidente da Vila fiquei orgulhoso. Fiz uma reunião com os segmentos antes do desfile e afirmei que meu não era tirar o primeiro lugar. E sim botar a Vila novamente nas campeãs. Cheguei aqui a escola não tinha uma pena de galinha. Falei que botaria a Vila acreditava e competitiva. Se pegar de 2013 pra cá, as posições eram décimo, nono, oitavo e quase rebaixamento. Acho então que melhoramos. Modifiquei a cara da Vila Isabel. A quadra tem uma escola alegre que está motivada. Só tem dois anos que estou aqui, preciso ir modificando aos poucos. O presidente precisa de um tempo maior para que os profissionais consigam trabalhar. Não dá para lapidar nada em um ano ou dois. Se tiver estrutura igual uma empresa a escola vai forte. Com equipe boa, seremos sempre competitivos. Lógico que não vamos ser campeões o tempo todo, isso não existe. O importante é estar lá no sábado das campeãs. Porque a diferença é de apenas um décimo ou dois”.

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O que falta para a escola ficar em primeiro lugar?

“Falta ela acontecer na Marquês de Sapucaí. Porque lá é uma incógnita. Temos um carnaval espetacular cujo enredo é Brasília. Mas não falamos de Brasília em si, não tem nada a ver. É uma viagem ao mundo chegando lá. As pessoas precisam entender isso. O Edson teve um insight muito bom, fez um enredo bonito e acreditamos nisso”.

Como é a relação com Capitão Guimarães e família? O que foi pedido quando você assumiu a escola?

“Ele é uma pessoa muito educada, conversa muito, mas não se intromete. A relação com ele é excelente. Dá conselhos devido a sua grande experiência, ele sabe muito de carnaval. Porém, não pediu nada quando chegamos aqui”.

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Vocês pensam no reinado de Aline Riscado como pontual ou será como foi com a Sabrina?

“Vamos esperar para ver o que vai acontecer na avenida para falar a respeito. Agora não é o momento”.

Como a Sabrina lidou com isso?

“Ela é super educada e entendeu perfeitamente. Tanto que virá na frente da escola esse ano. Será rainha da Vila Isabel”.