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Com comissão de frente impactante, Unidos da Ponte erra e apresenta alegorias danificadas

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Por Gabriella Souza. Fotos: Allan Duffes e Nelson Malfacini

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A Unidos da Ponte foi a terceira escola a pisar na Sapucaí, na noite desta sexta-feira, e o carnavalesco Lucas Milato apresentou o enredo “Elos da Eternidade”, que propôs uma reflexão sobre a relação da humanidade e a preservação do samba. A agremiação exibiu uma comissão de frente que arrancou aplausos do público e jurados, com o marcante “E o samba resiste com os sambistas” ao final da apresentação e a garra dos integrantes. No entanto, os erros nas estruturas dos carros dificultaram o visual estético, reduzindo sua qualidade. A azul e branca de São João de Meriti terminou o desfile com 53 minutos.

Comissão de frente

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Com o intuito de representar “O caos” a comissão, preparada pelos coreógrafos Léo
Torres e Daniel Ferrão, teve uma performance teatral, segura, e, aliada com o efeito dramático da pintura facial de todos os participantes, criou um efeito marcante. Com integrantes de preto e um central de amarelo, a representação foi do caos, o universo em expansão e a explosão da vida com o big bang. Sincronizados com o samba foram fiéis a representação, o chapéu e o colete contribuíram nessa relação. Ao final, com a representação da memória os integrante retiram sua saiais e um chapéu, em figura de ‘malandros’ estendem letras que formam a frase ‘E o samba resiste com os sambistas’. Com muitos aplausos do público criam o efeito desejado pelo enredo, de finalizar o elo da eternidade com a resistência e exaltação do samba e dos sambistas. Aplausos esses também conquistados de grande parte dos jurados no terceiro módulo. Vale pontuar que a saia de um dos integrantes estava soltando e quase caindo em frente ao terceiro módulo dos jurados, dificultando a encenação.

Mestre-Sala e Porta-Bandeira 

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O primeiro casal de mestre-sala e porta-bandeira da Unidos da Ponte, Yuri Souza e Camyla Nascimento, apresentou a sincronia adequada, com elegância e em uma coreografia equilibrada com o samba da escola, sem muitos floreios. O mestre-sala bailou com precisão e habilidade. A porta-bandeira teve dificuldade na condução do pavilhão e nos giros, talvez, em função da chuva ou pela fantasia pesada, dificultando os movimentos. Em relação fantasia, muito luxo, materiais de qualidade e causando um efeito de luxo ao casal.

Harmonia 

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Embora o carro de som tenha sustentado com força o desfile inteiro, o canto ficou aquém e não fez a escola pulsar. Praticamente não houve interação dos componentes. O intérprete Leandro Santos e seu carro de som levaram a escola de forma equilibrada. Sem ser explosivo, o samba foi mantido com regularidade durante todo o desfile.

Enredo

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O enredo do carnavalesco Lucas Milato sobre “Elos da Eternidade” mostrando a proposta da relação do homem em se perpetuar para sempre ficou confuso em alguns momentos: A Azul e Branca de São João do Meriti iniciou no seu primeiro setor com algo abstrato, o caos, o cosmo e a adoração aos elementos, estes foram retratados com fantasias que estava com fácil leitura. Mas, não deixando claro a busca da imortalidade.

No segundo setor mostrou o desejo de se tornar imortal, ali o carnavalesco pontuou coisas que o ser humano fez e faz para ficar eterno: tomar elixir, fazer pacto com diabo e beber águas da fonte da juventude são alguns exemplos.

No terceiro setor a escola citou que o humano pode imortalizar sim, nas coisas que cada um de nós deixamos para as futuras gerações, estas que são apresentadas através da literatura, do misticismo e da ciência. No último setor, a Unidos da Ponte fez uma alusão ao samba, este que resiste sempre, Fernando Pinto foi a única figura citada diretamente através da fantasia do enredo da Mocidade Ziriguidum, as demais alas retratou o tema de forma geral.

Evolução

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Algumas alas desordenadas’, mas no geral da escola conseguiu segurar bem o andamento ideal que necessitava para cruzar a Avenida, com componentes alegres e brincando bastante.

Samba

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O samba da Ponte foi funcional e ajudou no entendimento do enredo confuso, porém é de se notar que os refrões impulsionava mais o componente do que os demais versos. O refrão do meio por exemplo, teve uma melodia boa de se ouvir. O refrão de cabeça foi crescendo durante o desfile, este que também tem um crescimento de tonalidade, começando com “Sonhei que um dia” em tons menores, o que faz lembrar o ato de sonhar literalmente e explodia em: “Se o samba agoniza, a Ponte eterniza a razão do meu imaginar ” mostrando força e garra. Em um contraponto no início do samba se vê uma letra pobre, com rimas esperadas como: “inspiração” e “adoração” e “boemia” e “poesia”. Na segunda parte, após o refrão central de “areias ao vento”, até “sonhos que fizeram meu sonhar”, o mesmo jogo de rima se repete e o tom baixo por um grande período não ajudou na evolução do componente.

Fantasias

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O conjunto de fantasias da escola acompanha o de alegoria com problemas de entendimento, algumas com fácil assimilação e boa concepção, como “O Elixir da linda vida”, “O Sabá das Bruxas” e “O Sorrido de Monalisa” e outras nem tanto, é o caso da “A Ambrosia” e Neil Armstrong”. Porém, há de tirar o chapéu para paleta de cores bem usada pelo carnavalesco no seu conjunto, um início com o preto da comissão, logo após um jogo de cores nos demais setores.

Alegorias 

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Grandes problemas a Azul e Branca de Meriti teve nesse quesito, tanto na concepção quanto na realização, o carro Abre-Alas, em tom claro apresentava “A Morada dos Deuses”, algumas partes mal acabadas eram vistas, assim como a cabeça pendente de uma escultura que parecia representar Zeus deixou o conjunto visual comprometido, por conta disso, bombeiros acompanharam a alegoria para vê se a cabeça não cairia nos empurradores. A segunda alegoria representou “A Fonte da Juventude”, mesmo sem utilizar água, não se viu na alegoria a facilidade de saber que era uma fonte, fora problemas no acabamentos, o que prejudicou a apresentação do tema, a última alegoria representava o “Elo da Eternidade”, esta alegoria também teve problema em acabamento, fora as cores escolhidas não dava um bom visual para o fechamento da escola. Além das alegorias a Ponte apresentou um Tripé representando as pirâmides, porém este pecou em seu acabamento quebrando a estética e a fluidez das cores daquele setor.

Dragões alia plástica cômica com desfile ousado e apresenta carnaval inovador

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Dragoes desfile2020072Terceira escola de samba a desfilar pelo Grupo Especial da noite de sexta-feira, a Dragões da Real evoluiu o nível técnico de desfiles, apresentou um canto consolidado, alegorias com riqueza de detalhes e movimentação humana, além da comissão de frente que cativou pela interação constante com o público. No quesito evolução, a escola apresentou algumas falhas no padrão de andar dos componentes. Por fechar os portões com 65 minutos, a escola acelerou as últimas alas.

As movimentações arriscadas das alas e atenção aos detalhes cenográfico nas alegorias, principalmente as coreografias dos componentes, fazem do desfile da Dragões da Real um exemplo de modernismo ao carnaval de São Paulo.

A tensão de início não comprometeu a largada da escola, que foi vibrante e emocionante. Porém, após fechar os portões, o abre-alas da escola emperrou nos fios do poste de eletricidade a caminho do terreno e atrasou a escola seguinte. O ocorrido não prejudica em nada, simplesmente por já estar fora da pista.

Comissão de Frente

Dragoes desfile2020051A primeira ala da Dragões da Real contou uma história bastante detalhada, trouxe diferentes personagens e interação constante com o público. Nomeada como: “Abra seu coração e deixe a emoção falar”, o grupo contou a vida de um menino que encontrou um caminhão repleto de artistas, e isso despertou o sonho no garoto em também ser um artista de rua, diante disso a coreografia foi montada. Notou-se também que o personagem principal aparece em dois momentos e com figurinos diferentes, antes e depois da fama.

A coreografia trabalhou com muita interação com o público e exigiu um nível técnico dos componentes nos momentos das alternadas. A coreografia apresentada na avenida é dividida em duas partes, a que realiza os passos na avenida, e o grupo em cima do tripé que a todo momento buscava cativar pela irreverência.

Antes da entrada do desfile, o coreógrafo Ricardo Negreiros estava bem concentrado e emocionado, postura diferente durante o trajeto, onde cantou, apresentou a comissão e sorriu a todo momento.

Mestre-Sala e Porta-Bandeira

Dragoes desfile2020015O primeiro casal da Dragões da Real, Rubens de Castro e Evelyn Silva, se fantasiou de Guardiões da Alegria. O casal bailou com olhar constante entre eles e apresentou o pavilhão à torre 04 do segundo jurado do quesito de forma devida, como pede o regulamento. Evelyn demonstrou um domínio eficaz do manuseio do pavilhão.

A porta-bandeira utilizou muitas plumas e faisões em sua fantasia, além das pedrarias e cristais. O mestre-sala, no caso, vestiu uma espécie armadura onde a cor vermelha predominou, e trouxe cristais, penas e um dragão na cabeça.

Harmonia

Dragoes desfile2020114Durante a passagem da Dragões, a escola realizou cerca de 3 apagões que foram bem correspondidos. Os componentes cantaram com entusiasmo e com clareza, por ser um samba com letras fáceis, a dicção ficou mais confortável ao desfilante. Os dois refrões, e os últimos versos, receberam uma entonação mais empolgada. É importante destacar que, o volume do canto, mesmo não sendo critério de julgamento, não oscilou. Mas, o primeiro e o terceiro setor cantaram com um detalhe maior de intensidade.

Enredo

Dragoes desfile2020113A história proposta pela agremiação foi bem contada na avenida, e de uma forma muito clara e objetiva. Figuras como Chaplin e Maria Antonieta exemplificam o argumento. Claro que, por mais que as figuras sejam de reconhecimento imediato, a ligação delas com o enredo precisou despertar um lado crítico do sambista.

A linha plástica da escola na avenida surpreendeu. Poucos palhaços e personagens que fariam parte de qualquer proposta similar,  estiveram presentes. O que se viu foi um desfile com teor histórico relevante. O primeiro setor já causou espanto pela representação de um tanque de guerras no abre-alas e alas, trajes militares e uma ala coreografada bem elaborada e com muita movimentação dos personagens.

O segundo setor foi construído seguindo a narrativa de que Deus criou o mundo através de uma gargalhada, e contou também com fantasias de papiro, big bang. No setor seguinte utilizaram ambientes clássicos pra retratar sobre a comédia grega e como a arte era usada para zombar de governantes. No quarto a escola buscou a reflexão do sambista sobre censuras e abusos de poder com a sociedade. Nesse mesmo setor, o terceiro casal trouxe uma roupa bem característica da proposta. O mestre-sala estava de Chaplin e a porta-bandeira de cinema. O último setor já abordou com mais ênfase o foco principal do enredo, os “Doutores da Alegria”, com enfermeiros, médicos, e a ala “Rir é o melhor remédio”.

Evolução

Dragoes desfile2020135Durante os ensaios técnicos, a escola apresentou uma evolução bastante funcional e bem adaptada. No desfile, a proposta foi bem correspondida até o minuto 22. Logo após a bateria entrar no recuo, algumas alas aceleraram o passo e ocasionou uma falta de padrão. Por estarem com o tempo apertado, o final do desfile também oscilou. Na separação de alas, o item foi bem atendido. Mesmo por apresentar uma proposta mais compacta, os diretores de alas que desfilaram na frente evitavam qualquer tipo de invasão.

Analisando empolgação e coreografia realizada com mais empolgação, a ala 12, Caricaturas da Nobreza, foi a que melhor atendeu os requisitos observados.

Um trecho que se destacou pela organização e dificuldade já nos ensaios técnicos, foi trazido pra avenida e executado de forma eficiente. A manobra citada nada mais é que uma movimentação das alas, ou seja, no trecho do segundo refrão “vem comigo gargalhar”, uma ala se movimenta pra direita e a detrás pra esquerda, e assim sucessivamente até o final da escola. Além do movimento ter sido arriscado, a

Samba-enredo

Dragoes desfile2020006O samba da agremiação entra na característica interpretativa prevista no regulamento, ou seja, as ideias são contadas de uma forma implícita. A obra não utiliza muito do melisma, que é a extensão das sílabas de forma melódica. A estrutura é alegre, funcionou na avenida e causou a descontração esperada no componente.
A obra apresentada foi construída no eu-lírico, ou seja, o personagem narrou os fatos em primeira pessoa. Questionado, a canção teve um bom desempenho e funcionou de forma muito clara na pista.

O intérprete Renê Sobral teve uma postura segura, mas sem abrir mão da ousadia, e realizou algumas aberturas vocais. Durante o primeiro apagão, o cantor ajudou a comunidade não perder o tempo acompanhando trechos até a bateria retomar. O time de cordas também ousaram e apresentaram muitas variações nos desenhos e solos. Um deles, o próprio Renê acompanhou.

Fantasias

Dragoes desfile2020055Analisando a estética, a escola trouxe bom acabamento, variação de materiais nas alas e bom trabalho de cores pra dividir alas próximas. Os detalhes de costeiro, por exemplo, também foram bem pensados, como no terceiro setor.

Alegorias

Dragoes desfile2020019Nomeado como “Ataque de risos”, o abre-alas surpreendeu pela diversidade de informação, movimentação humana e coreografada, elementos visuais e clima bélico funcional. O primeiro destaque é os componentes com armas de fumaças abaixo na lateral. Outro ponto é os componentes fantasiados de tanques de guerras, onde eles se agachavam e se transformavam na figura militar. Detalhe positivo também da escultura do Dragão com traje de guerra, porém desenhado de forma mais infantil, indo na contramão da agressividade da criatura. Literalmente todo canto do elemento soltava fumaças.

Já a segunda alegoria “Festa Dionisíaca” usou elementos da mitologia grega para retratar uma festa nas ruínas. Por isso a utilização de pilastras desgastadas propositalmente, arcos, plantas. Em comparação ao abre-alas, a alegoria apresentou menos movimentação nas esculturas, apenas o fauno girava. Uma movimentação na parte detrás, com 9 componentes, também foi vista. Destaque para os centauros nas laterias.

“Comédia, costumes e a cômica sociedade” é o nome da terceira alegoria. O elemento aproveitou a irreverência dada pela proposta do setor pra trazer sátiras interessantes. Por exemplo, notou-se esculturas de Maria Antonieta, mulheres em pole dance, encenações de trechos das peças de molière e vikings comemorando. Um elemento com boa divisão de informações e bom aproveitamento do assunto. O material similar ao camurça foi bastante visto no elemento.

A alegoria seguinte “Humor em tempo de cólera” utilizou com ênfase as esculturas do Charles Chaplin. Todo setor foi criado baseado na peça do próprio personagem citado, “O Ditador, e por essa razão a escola trouxe bonecos nas laterais com muitas movimentações dadas por componentes. Porém, na parte direita, dois dos três bonecos não estavam devidamente amarrados e a movimentação ficou desigual. O carro todo lembrou um grande estúdio de cinema, com movimentação de câmeras na parte da frente e muitas peças de rolo de filmes antigos.

“O Riso cura”, que no caso é a última alegoria, foi a que mais se encaixou no tema, mas o que destacou foi a ousadia em questões do desenho e proposta. A começar pela grande escultura do Wellington Nogueira, mas não houve uma distribuição da cabeça com o corpo. Foi visto tambeém um enorme playground, aliado com o grupo cênico.

Outros destaques

A bateria do Mestre Tornado, Ritmo que Incendeia, teve uma postura de muitas bossas, não só abaixo da cabine de jurados. No recuo, por exemplo, toda a bateria se direcionou ao jurado e executou todo o repertório de bossas.

Outro destaque interessante ficou nas roupas da diretoria e harmonias. Eles vestiram um traje militar, separado entre vermelho e verde.

Galeria de fotos: desfile da Dragões da Real no Carnaval 2020

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Cubango traz a riqueza dos ancestrais africanos no abre-alas

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Cantando “A voz da liberdade”, o Cubango prestou homenagem à Luiz Gama. Jornalista, escritor e patrono da abolição da escravidão no Brasil. A agremiação de Niterói abriu seu desfile trazendo toda a suntuosidade da nobreza africana, remetendo aos ancestrais do homenageado. O Reino de Benin foi o tema do carro abre-alas. Antes de ser atacado por colonizadores e traficantes de escravos, Benin chegou a ser um dos mais poderosos da costa oeste africana. Luiza Mahin, mãe de Luiz Gama, proveio dessa região. Ela pertencia à nação nagô-jeje, da tribo Mahi, que tem origem no Golfo do Benin, noroeste africano.

Paula Monteiro, estreante na Sapucaí, destacou a importância da representatividade no enredo da escola.

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“A gente ta representando a questão da voz, da liberdade dos negros. Isso é muito importante pra gente, não só no meu âmbito, como negra, mas na sociedade em geral. O carnaval tem sido cada vez mais contador de histórias, principalmente de historias que a gente não conhece. Isso traz muito conhecimento pra gente, não só pra quem participa, mas também pra quem assiste. Trazer a importância de uma pessoa que não é muito falada, que ficou oculta em algum momento, é muito legal”, salientou Paula.

Para Felipe Soares, que desfile na verde e branco desde os 8 anos de idade, a emoção toma conta por se tratar de um tema tão profundo.

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“Emocionante pra mim que sou Cubango nato, desde criança. Choro, me emociono em qualquer ocasião, ensaio… E esse enredo, Luiz Gama, fala muito sobre a nossa resistência, nossa cultura, nossa arte”, confessou.

As fantasias dos componentes do carro abre-alas eram em dourado, preto e branco, com detalhes em verde limão. No costeiro, penas douradas davam um ar luxuoso a indumentária, complementando o visual da ala das baianas, que veio a frente do carro. A alegoria remetendo ao Reino de Benin era grandiosa, sendo dois carros acoplados, muito bem acabados. Esculturas de máscaras africanas e dentes de sabre em tom marrom e cobre marcavam o estilo afro, contrastando com o verde do pavilhão da escola e os desenhos tribais na base do carro.

Felipe acrescentou que ficou muito feliz e honrado antes do início da apresentação da escola.

“A gente tem que mostrar que tiveram pessoas que lutaram, nomes que não são lembrados. A historia do Luiz Gama, pra nossa raça, é muito importante. A gente tem que gritar pro mundo e mostrar o que acontece de verdade”, finalizou.

Império Serrano compara surgimento da escola com desabrochar de um jardim

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O Império Serrano levou para a Avenida o enredo “Lugar de mulher é onde ela quiser”, exaltando a força feminina da sociedade e homenageando grandes estrelas imperianas anônimas e também famosas. Como não poderia ser diferente, o tema do enredo estava presente em diversos setores começando já pelo abre-alas: ‘Imperianas presente! Serrinha é o meu lugar’

A alegoria, que representava um jardim, trouxe no seu topo a coroa que é símbolo da escola. Na parte inferior, flores verdes e amarelas que remetiam ao grande jardim do glorioso Império. Já na parte frontal, as damas da velha guarda eram os destaques.

Com algumas falhas no acabamento visíveis, a alegoria comparava o surgimento do Império Serrano ao desabrochar em um belo jardim cercado de mulheres imperianas que ali estavam representando as flores.

“O Império vem representando as mulheres, como minha mãe e minha tia que são imperianas desde sempre. Toda mulher é uma flor”, disse Iaraci Gomes, 61.

Renascer mostra que samba faz bem ao corpo, alma e coração

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A Renascer encerrou seu desfile com um alerta: é preciso cuidar da saúde. Para passar a mensagem, a escola trouxe uma ala de passistas “plus size” que foi uma das atrações no desfile. A ideia era mostrar que o samba faz bem ao corpo, à alma e ao coração.

Vitória Cristina, de 23 anos, desfila pela primeira vez na Renascer. Ela conta que a ala ensaia desde novembro para fazer bonito na avenida: “Passamos por um treinamento especial para ganhar resistência, com muitos exercícios e caminhadas”.

A fantasia leve, que lembra um uniforme de enfermeira, permite a desenvoltura da passista. Francileia de Jesus, 39 anos, prometia evoluir com muito samba no pé.

“Alegria e alto astral temos de sobra”, conta. O que também não falta no desfile da Renascer é samba de qualidade: “Com um samba desses e uma bateria impecável, não tem como não se acabar na avenida essa noite!”, brincou a componente.

Galeria de fotos: Desfile da Ponte no Carnaval 2020

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Segunda alegoria da Renascer mistura crenças, tradições e toda religiosidade brasileira

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A segunda alegoria da Renascer de Jacarepaguá apostou em grandes esculturas para encantar a Marquês de Sapucaí. A figura central representava uma jovem negra, cercada por duas grandes esculturas indígenas e três imensos peixes multicoloridos. As laterais do carro eram são decoradas por muitos estandartes, feitos com mosaicos e pintados com extremo esmero. Havia ainda alguns anjos decorando a alegoria, além de muitas plantas artificiais, que conferem um aspecto florestal ao carro. Todos os detalhes representam o sincretismo, a mistura de crenças e culturas no Brasil.

Andréa Fernandes, 50 anos, desfilou vestida de “Influências Portuguesas”. Ela conta que ficou extremamente satisfeita ao encontrar a alegoria na concentração.

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“Achei um trabalho deslumbrante. Esse caprichoso nos deixa com mais orgulho e garra para defender a escola”, conta a destaque que desfila nas alegorias da escola de Jacarepaguá há cinco anos.

Manuel de Jesus, 54 anos, também foi destaque da segunda alegoria da Renascer. Ele desfila na escola há 12 anos.

“Eu fiquei surpreso com a qualidade do trabalho deste ano. A minha expectativa para esse desfile era muito grande. Participo de todos os ensaios e, com a comunidade, eu me sinto muito mais forte para defender a escola. Sem a comunidade, o carnaval não sobrevive”, desabafou.

Jornal ‘Diabo Coxo’, de Luiz Gama, é destaque na Cubango

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A Acadêmicos do Cubango foi a quinta escola a pisar na Marquês de Sapucaí no primeiro dia de desfiles das escolas da Série A. Ela retratou a trajetória do brasileiro Luiz Gonzaga Pinto da Gama, intelectual negro que foi líder abolicionista, jornalista e poeta. Entre suas muitas contribuições à história do Brasil está o ‘Diabo Coxo’, jornal publicado por ele e Ângelo Agostini que se destacou por utilizar caricaturas como estratégia para compreensão do povo. A décima sétima ala da agremiação de Niterói representou, de uma forma divertida, o jornal satírico de Luiz.

O periódico, que influenciou a educação política do povo com suas imagens que permitiam aos analfabetos entenderem sobre o que se passava na realidade da época, foi retratado pela escola com um ar lúdico e teatral. Os componentes vestiram uma bufante roupa brilhosa, em tons de vermelho, laranja e preto, com grandes chifres na cabeça.

O traje foi complementado com asas nas costas e um estandarte nas mãos. Destaque para este adereço, onde uma edição do ‘Diabo Coxo’ estava impressa, com suas caricaturas características, e adornada com elementos demoníacos como um rabo comprido e pontudo.

“A crítica contida na história da fantasia é importante. Fazer parte deste momento é maravilhoso. Eu adorei a fantasia, chama bastante atenção e causará comoção na Avenida”, disse o integrante Marcos César, de 42 anos. A componente Bárbara Diniz achou a fantasia muito bonita, uma ótima ideia da agremiação para representar o ‘Diabo Coxo’. “Ficou perfeito, dará muito impacto”, afirmou antes de passar pela Sapucaí.

Tons escuros e sombrios abrem desfile da Renascer de Jacarepaguá

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Para causar impacto logo no início de seu desfile, a Renascer de Jacarepaguá apostou num visual inesperado. Tons escuros com predominância de roxo e azul. A primeira alegoria representava as práticas ocultas, como a bruxaria.

Priscila Vieira, 40 anos, e sua irmã Vanessa Vieira, 41, nutrem uma paixão especial pela agremiação. Em 2020, elas vieram vestidas como bruxas no abre-alas.

“Eu gosto muito de desfilar no chão, mas no abre-alas a gente vê a entrada da escola no setor 1, a vibração do puxador, é uma emoção diferente. A gente não espera que um desfile comece assim em tons escuro, mas está aprovado”. Priscila destacou os detalhes da fantasia, imperceptíveis para o público da avenida mas que traduzem o cuidado da escola na produção de seus figurinos. Pra conferir mais capricho ao figurino, foram inseridas até aranhas e outros insetos.

Vanessa, que sempre desfila acompanhada de sua irmã, destaca a importância do enredo da Renascer e a surpresa com abre-alas em tons escuros.

“Quando crianças, sempre íamos à benzedeira, então faz parte da nossa história de certa forma. Esse desfile lembra a nossa infância”, explicou.

Além das bruxas representadas pelas irmãs Vieira, o carro conta com grandes esculturas com aspecto distorcido e orgânico, figuras que causam forte estranhamento e impacto.