Beirava as 08h30 deste sábado de carnaval quando a X-9 Paulistana encerrava primeira noite de apresentações do Grupo Especial em São Paulo. O horário se explica pelos longos atrasos, que somados passaram de um hora, na dispersão dos desfiles justamente dos destaques da noite no Anhembi.

Cotadas como favoritas à disputa do título, Dragões da Real e Mancha Verde, que desfilaram uma depois da outra, comprovaram na pista este favoritismo e deixaram a pista de desfiles como as únicas capazes de de fato serem aclamadas campeãs na terça-feira de carnaval. As demais agremiações ou decepcionaram ou deixaram seus torcedores bastante preocupados.
Barroca Zona Sul
A Barroca Zona Sul foi a primeira agremiação a desfilar na noite desta sexta-feira de carnaval no Sambódromo do Anhembi, abrindo os caminhos para as duas noites de apresentações do Grupo Especial de São Paulo. Vice-campeã do Acesso 1 em 2019, o Barroca apresentou-se com o enredo ‘Benguela… a Barroca clama a ti Tereza!’. A escola enfrentou problemas em seu módulo visual e encerrou seu desfile em cima do tempo máximo permitido, mas teve de lidar com uma caótica dispersão.
Tom Maior
Nesta sexta-feira, a Tom Maior realizou seu desfile para o carnaval de 2020. A escola veio numerosa e sofreu no quesito evolução. Algumas alas não se entendiam e alguns componentes se esbarravam. Outro ponto negativo foi a correria no final, a escola por pouco não estourou o tempo e passou no limite. A comissão de frente foi o quesito destaque. Os integrantes fizeram uma apresentação forte, onde falaram sobre o preconceito e a importância de resistir e lutar contra ele. A harmonia foi outro destaque, que repetiu o canto com clareza em seu desfile. A comunidade de Sumaré se apresentou em 65 minutos com o enredo “Coisa de Preto”.
Dragões da Real
Terceira escola de samba a desfilar pelo Grupo Especial da noite de sexta-feira, a Dragões da Real evoluiu o nível técnico de desfiles, apresentou um canto consolidado, alegorias com riqueza de detalhes e movimentação humana, além da comissão de frente que cativou pela interação constante com o público. No quesito evolução, a escola apresentou algumas falhas no padrão de andar dos componentes. Por fechar os portões com 65 minutos, a escola acelerou as últimas alas.
Mancha Verde
Na noite desta sexta-feira, a atual campeã do Grupo Especial, Mancha Verde, realizou seu desfile para este carnaval. A escola mostrou um belo desempenho em todos os quesitos e setores, como era esperado. O módulo visual da escola se destacou, tendo alegorias com esculturas belas e realistas. A agremiação também mostrou um compilado de fantasias luxuosas, recheada de plumas e integrantes com maquiagens perfeitas, nas alas em que teve o recurso. Assim como nos ensaios, o samba da escola fluiu bem e os componentes cantaram com clareza, também mostrando muita organização em na evolução. Contudo, a escola foi perfeita, como era desejado pela diretoria, e brigará novamente pelo título. Houve um problema com os cronômetros da pista e não deu para ver exatamente o tempo em que a Mancha Verde cruzou a pista. A agremiação foi para a avenida com o enredo: “Pai! Perdoai, eles não sabem o que fazem”. Nem a uma hora de atraso causada pelo problema das alegorias da Dragões na dispersão desanimou a comunidade sedenta pelo bicampeonato. Mesmo sendo apenas o quarto desfile deste ano, para ser campeã uma escola vai ter que superar o que a Mancha fez essa madrugada no Anhembi.
Tatuapé
Bicampeã do carnaval de São Paulo, a Acadêmicos do Tatuapé foi a quinta agremiação a desfilar no primeiro dia de desfiles do Grupo Especial. O módulo musical foi um destaque do desfile. A ala musical apresentou variedade de arranjos, a bateria mostrou com eficiência na realização das bossas e escola cantou com um volume considerável durante grande parte da passagem da escola. A Tatuapé encerrou seu desfile com 61 minutos.
A escola optou por iniciar o samba com portões fechados, e só depois da segunda passagem, o desfile se iniciou oficialmente. Madrinha da escola, a Leci Brandão abriu o desfile com muitas saudações ao público.
Império de Casa Verde
Já amanhecendo, a Império de Casa Verde, realizou seu desfile no carnaval de 2020. O ensaio foi marcado pelo imponente abre-alas que a agremiação prometeu colocar na avenida. As fantasias luxuosas foram outro destaque, recheada de plumas e objetos que dão efeitos especiais. O intérprete Carlos Júnior teve outro ano de brilho no Anhembi, e até pela longevidade e demais qualidades, pode ser considerado um dos melhores puxadores de samba paulistano. A harmonia da escola foi um ponto negativo, alas de setor 2 e 4 respectivamente, não mostraram entrosamento com o samba. A previsão para o carnaval de São Paulo era de chuva a noite inteira, mas não ocorreu, só foi chover quando a bateria da Império estava saindo do recuo, entretanto não interferiu negativamente no desfile, já que a comissão de frente e o casal que mais sofreriam com isso, já tinham se apresentado. A agremiação levou para a avenida o enredo “Marhaba Lubnãn”, uma homenagem ao Líbano, e fechou o desfile com 62 minutos.
X-9 Paulistana
Última escola de samba a desfilar na noite de sexta-feira, a X-9 Paulistana apresentou problemas que podem ameaçar a permanência no Grupo Especial. No começo do desfile, a agremiação adotou um andar lento, e no momento final precisou correr pra fechar os portões com tempo confortável. A segunda alegoria estava com o eixo quebrado e prendeu a escola ainda mais na avenida. A falta de acabamento nos detalhes das alegorias e esculturas com pequenos defeitos podem prejudicar também. Mesmo com o susto, a X-9 Paulistana fechou os portões com 63 minutos.


INOCENTES DE BELFORD ROXO: Camisa 10 do Brasil. Seis vezes melhor do mundo. Maior número de gols em Copas do Mundo e na Seleção Brasileira. Não é a toa que Marta é a “Rainha do Futebol”. A história da menina que deixou o sertão nordestino para conquistar os gramados do mundo, superando a pobreza e o preconceito, é o enredo da Inocentes de Belford Roxo para o carnaval 2020. “Marta do Brasil – Chorar no começo para sorrir no fim” conta com a assinatura de Jorge Caribé que, após doze anos, retorna a Caçulinha da Baixada com um enredo e uma estética fora dos seus padrões, muito ligados a temática negra e ao uso de materiais alternativos.
UNIDOS DE BANGU: Guardião da memória, que traz na oralidade os saberes de um povo. Sua figura, tão ligada às tradições africanas, é testemunha de todo acontecimento. Através de histórias, transmite as vivências dos antepassados para as gerações futuras. O Griô é quem nos levará, ao longo do desfile da Unidos de Bangu em 2020, a olhar para o passado, como fonte de ensinamentos, para entender o presente e jogar luz sobre o futuro. O enredo “Memórias de um Griô: a diáspora africana numa idade nada moderna e muito menos contemporânea” irá narrar à história do continente africano, desde seu primeiro habitante até a chegada do europeu, que colonizou as terras e escravizou os nativos, criando males que perduram até os dias de hoje, como a desigualdade e o preconceito e conta a assinatura do carnavalesco Bruno Rocha.
ACADÊMICOS DE SANTA CRUZ: Consideradas como as matriarcas do samba, as baianas são figuras emblemáticas, de grande representatividade para cultura e religiosidade afro-brasileira. No carnaval de 2020, a Porto da Pedra irá narrar a história dessas mulheres negras, que desembarcaram como escravas no cais do porto de Salvador, para posteriormente ganharam as ruas da cidade soteropolitana com seus tabuleiros, repletos de quitutes, até a vinda delas para o Rio de Janeiro, já depois de livres, trazendo seus ritos e ritmos para então capital do país. O enredo “O que é que a Baiana tem? Do Bonfim à Sapucaí” foi desenvolvido pelo carnavalesco Annik Salmon.
IMPERATRIZ LEOPOLDINENSE: Quase 40 anos depois, a Imperatriz levará novamente Lamartine para Sapucaí. Dessa vez, através das mãos de outro artista: o atual campeão do carnaval carioca, Leandro Vieira. Porém, quem espera uma apresentação semelhante ou na mesma linha da de 1981, certamente irá se surpreender. As mudanças já começam no título do enredo, originalmente chamado de “O Teu Cabelo Não Nega”, em referência a marchinha da década de 1930, e que foi alterado para “Só Dá Lálá”, por uma questão de adequação às questões sociais atuais. Segundo Leandro, apesar de trata-se de uma reedição, o desfile de 2020 terá identidade própria.
UNIDOS DE PADRE MIGUEL: A Unidos de Padre Miguel que tem feito grandes carnavais, promete levar mais uma vez um grande desfile para a Sapucaí. Com o enredo ‘GINGA’, que contará a história da capoeira, a escola da Vila Vintém está pronta para brigar pelo título e mostrar sua ancestralidade e gingado forte no desfile. A assinatura ficou por conta do carnavalesco Fábio Ricardo. Com uma equipe focada e uma comunidade guerreira, o Boi Vermelho não mede esforços para conseguir o título da série A do carnaval carioca e o tão sonhado acesso ao Grupo Especial.
IMPÉRIO DA TIJUCA: O pedreiro Evando dos Santos nunca frequentou uma carteira de escola. Ainda muito jovem, deixou o agreste sergipano e se mudou para o Rio de Janeiro. Autodidata, aprendeu a ler já adulto, por meio de um exemplar da Bíblia. Há mais de duas décadas, dedica sua vida a incentivar a cultura e a estimular o gosto pela leitura nas pessoas. Conhecido por muitos apenas como o “homem livro”, pelo menos uma vez por semana, veste a fantasia de papelão e plástico que lhe rendeu a alcunha, e sai pelas ruas da Vila da Penha, na Zona Norte do Rio, espalhando exemplares de obras literárias e gibis. Sua história, que já inspirou tese de doutorado e até romance, será fio condutor para o Império da Tijuca falar de educação no carnaval 2020.

Gaviões da Fiel – Na sequência, os Gaviões da Fiel desfilam sob muita expectativa, fato dado pela presença dos carnavalescos Paulos Barros e Paulo Menezes. O enredo “Um não sei que, que nasce não sei onde, vem não sei como e explode não sei porquê”, promete ser abordado com toques de modernidade, criatividade e ousadia, principalmente nas alegorias e comissão de frente. A agremiação entra na avenida por volta da 0h40.
Mocidade Alegre – Com um enredo que exalta o poder feminino através das orixás, tema intitulado como: “Do canto das Yabás renasce uma nova morada”. A Mocidade Alegre busca resultados melhores do que ano passado e projeta desfile com força da comunidade. A escola desfila 1h45.
Águia de Ouro – Sexta colocada no último carnaval, a Águia de Ouro entra na avenida às 2h50 e promete trazer reflexões ao sambista em cada alegoria. O enredo “O Poder do Saber – Se saber é poder… Quem sabe faz a hora, não espera acontecer” é desenvolvido através das grandes ideias e a importância do saber para o ser humano.
Unidos de Vila Maria – Como uma grande homenagem à China, a Unidos de Vila Maria trabalha o tema “O Sonho de um Povo Embala o Samba e Faz a Vila Sonhar”. Diferente do enredo padrão, a escola promete uma leitura diferente e que valoriza os grandes feitos do país para toda humanidade.
Rosas de Ouro – Última escola de samba do sábado, a Rosas de Ouro promete muita tecnologia e modernidade no desfile. O enredo “Tempos Modernos” passa por grandes momentos das revoluções industriais, a escola e projeta um futuro tecnológico.




