
Com o propósito de representar fielmente a paixão do brasileiro e o brilho da profissão de Marta, a Inocentes de Belford Roxo trouxe realmente um campo de futebol para a Avenida. A segunda alegoria da escola “Marta ganha os campos do mundo” representava a paixão e dedicação da futebolista com a profissão. Foram seis ‘bolas de ouro’ de melhor jogadora do mundo, prêmio concedido pela Fifa (Federação Internacional de Futebol). A terceira escola a desfilar na noite deste último sábado, a Inocentes de Belford Roxo trouxe o enredo “Marta do Brasil – Chorar no começo para sorrir no fim” assinado pelo carnavalesco Jorge Caribé.
A trajetória de Marta no futebol se confunde com as brincadeiras de infância ainda em Dois Riachos cidade de Alagoas, onde nasceu. De uma diversão nasceu o sonho da menina, que mesmo em um esporte predominantemente masculino se destacou. Despontou no futebol juvenil do Centro Esportivo Alagoano (CSA) em 1999, mas sua carreira profissional começou com a chance de vir ao Rio de Janeiro pelo clube Vasco da Gama em 2000, com apenas 14 anos. A partir daí começou a decolar, após ser emprestada para outros times nacionais. Após este início, foi vendida para defender o Umeå IK, da Suécia. Foi através dele que seu talento, já reconhecido e nato, veio a holofote do mundo, até ser considerada a melhor jogadora do planeta. Título que carrega em sua história, nada menos do que seis vezes ganhadora do troféu de melhor jogadora do mundo da Fifa.
O interessante deste carro era a interação. A alegoria era composta somente por mulheres, umas representavam jogadoras de futebol em plena partida no campo montado no centro da alegoria, outras representam a torcida, que vibravam ou se decepcionavam com o resultado do jogo. Repassaram para a Avenida um pouco das múltiplas emoções que a uma partida de futebol pode proporcionar.
A alegoria era envolta por diversas bolas de futebol, com bandeiras do Brasil e dos Estados Unidos, este último para representar os times em que a jogadora já atuou.
Célia Regina, 43 anos, uma das integrantes da alegoria, fez sua estreia na escola. Ela adorou a proposta do carro de fazer uma interação das jogadoras e torcedoras com o público. Feliz com o primeiro desfile na Inocentes, ela contou ainda a emoção de poder participar de uma homenagem à Marta, que de certa forma, representa todas as mulheres brasileiras.
“Nós todos gostamos muito do enredo. É muito bacana poder fazer uma homenagem para uma pessoa tão importante como a Marta. A respeito do carro, eu não vou dizer que é complicado mas na verdade é divertido viver isso. Eu faço parte da torcida, tem as meninas aqui no centro jogando e representando a Marta como jogadora e está sendo muito legal”, contou a estreante.
Elizabete Landim, 59 anos de idade e 40 de Sapucaí, também fez sua estreia na Caçulinha da Baixada. Assim como os companheiros de alegoria, estava super empolgada com a interatividade do carro.
“Estou adorando que vou desfilar nesse carro e poder homenagear a Marta, nossa grande jogadora que representa o Brasil muito bem. E, sem contar que mostra a força da mulher brasileira. Ficou muito show essas bolas no carro, ao final vamos poder distribuir a maioria delas após o último jurado” adiantou a desfilante antes de passar pela Avenida.


A Colorado do Brás foi a segunda agremiação a cruzar a pista do Sambódromo do Anhembi na segunda noite de apresentações do Grupo Especial. A escola se apresentou com o enredo ‘Que rei sou eu?’ buscando melhorar a 11ª colocação obtida em 2019, quando retornava para a elite do carnaval de São Paulo 17 anos depois. A escola encerrou sua apresentação com 64 minutos.
A comissão no desfile da Colorado do Brás apostou em um proposta mais abstrata. Eram dois personagens principais, que brincavam com o tempo e o espaço na história ao longo da atuação dos dançarinos na avenida. O touro encantado representou a forma com que o Rei Dom Sebastião se encantou, “desaparecendo” nas areias dos lençóis maranhenses. Os demais integrantes do grupo representaram as jóias da coroa do rei.
Mestre-Sala e Porta-Bandeira

A obra teve bom desempenho durante o desfile. Muito mérito mais uma vez para Chitão Martins. O intérprete novamente foi um dos destaques da Colorado, provando que já deixou de ser uma revelação. O refrão contagiava a escola, pois era muito forte. Serviu muito bem à apresentação da escola.
A bateria foi buscar suas notas 10 com bastante ousadia e bossas criativas. O regulamento deste ano exige que para tirar 10 uma bateria teria de obrigatoriamente executar bossas. Em alguns momentos do samba os ritmistas executaram convenções. Somados a isso um ritmo com muito swing, destacando muito as marcações com um andamento que possibilitou um grande entrosamento com o carro de som.
A Colorado iniciou o seu desfile trazendo na comissão, casal e abre-alas aspectos espirituais e abstratos que envolvem o homenageado, Dom Sebastião. O carro abre-alas fechava o setor com as encantarias e os mistérios que cercam a figura de Dom Sebastião. A partir da chegada do segundo setor a escola trouxe a famosa batalha de Alcácer-Quibir, explicitando o caráter ambicioso do homenageado. No terceiro setor a Colorado decidiu mostrar a parte religiosa, com alas representando judeus e cristão e a terceira alegoria, que apresentava um templo de fé. O quarto setor começou com um al de mosteiros e terminou com uma alegoria representando um baile de máscaras. No quinto setor do desfile, traços da cultura do norte e nordeste, como as alas que relembraram a Guerra de Canudos e o festival do Boi Bumbá. O desfile se encerra com Dom Sebastião como um Rei Encantado.
A ala de baianas desfilou logo no primeiro setor do desfile, com o figurino chamado ‘Arautos da fé’. Segundo a defesa da roupa as baianas representaram o sentimento de devoção. A roupa mostrava a fé no seu ato mais belo, a devoção. Nas primeiras alas e setores a Colorado do Brás buscou objetivar a leitura simples de seu enredo, porém o conjunto esteve bastante simplório com o uso de materiais muito simples, o que não interferiu na beleza do conjunto. Esse é um ponto que merece destaque. A escola passou muito bem vestida. Uma das alas que pode ser citada positivamente é a 08, ‘A loucura est´nos olhos de quem vê’. Divertida e com fácil leitura, empregou um bom uso de materiais. A partir do setor que aborda a religiosidade do enredo as indumentárias ganharam materiais mais rebuscados, melhorando a qualidade dos figurinos apresentados, com plumas e penas. Os passistas vieram representando o ‘Segredo do Pavão’, suposto refúgio de Dom Sebastião, a Índia.
O abre-alas trouxe uma grande carruagem levando o sonho e a esperança de uma nação. O desejado, o rei Dom Sebastião começava a narrar sua história num grande mar de rosas e flores, em uma atmosfera de encanto e magia. A primeira alegoria, entretanto, poderia ter um trabalho escultórico mais bem feito.
A quarta escola a passar pela Sapucaí neste sábado apresentou o enredo ‘Santa Cruz de Barbalha, um conto popular no cariri cearense’, em que contava as estórias e a cultura da cidade de Barbalha e, coube as baianas representarem a procissão para a festa de Santo Antônio.
























