
A fim de homenagear a jogadora Marta e exaltar sua paixão e dedicação ao esporte, a Inocentes de Belford Roxo fechou seu desfile com o carro “Embaixadora da ONU, o Brasil te abraça”. Com ele, enalteceu a vida e história da jogadora e seus prêmios conquistados, levando ao público e aos jurados um pouco da relação de amor de Marta com a profissão e toda a sua dedicação ao fincar suas chuteiras em um gramado.
A alegoria ressaltou também a nomeação da homenageada como ‘embaixadora global da Boa Vontade para meninas e mulheres no esporte’, título dado pela ONU (Organização das Nações Unidas) às mulheres que contribuem para o empoderamento feminino e a igualdade de gênero. Mulheres essas, que como Marta, servem de inspiração para diversas meninas que sonham com o sucesso no esporte.
A intitulada ‘deusa Marta’ atravessou a Avenida no centro desta alegoria, representando a rainha do futebol junto de outros destaques que vieram como os ‘reis do futebol’, todos com uniformes da seleção brasileira estilizados e carnavalizados com muito brilho e cores vivas, como conta Alex Oliveira, integrante do carro e que já está há três anos na escola como destaque. Ao site CARNAVALESCO, ele afirmou estar feliz e honrado de poder desfilar em um carro que gostou muito e o mesmo veio Marta.
“Achei o enredo muito bom e que para o nosso cenário atual tem uma grande relevância ao falar de uma mulher, jogadora de futebol em uma sociedade com tantos preconceitos. É mesmo uma honra estar aqui compondo este desfile, e ainda mais, no mesmo carro em que ela vem. Nós iremos representar os reis do futebol e ela a rainha do futebol, e esse carro representa realmente isso, toda a beleza que tem não só no futebol como também no carnaval. Gostei muito do carro, quando ele começa a acender fica ainda mais bonito, ele mudará de cor entre o verde, amarelo e azul” destacou o desfilante.
O destaque em estética deste carro ficou por conta do espelhado que mudava de cor ao ser iluminado na Avenida, mesclando o azul, verde e amarelo, cores da bandeira brasileira. O carro é de uma estrutura grande e com cores vivas e cintilantes de azul, dourado e verde bem ressaltados. Ao seu redor possuía bolas de futebol como estruturas e coroas em seu topo, local onde os destaques ‘reis do futebol’ vieram e, uma chuteira gigante dourada no topo. Mesmo que o material pareça mais artesanal o detalhamento e bom acabamento da alegoria elevam a sua qualidade, assim como nos detalhes da parte inferior da alegoria e as bandeiras do Brasil na parte superior, criam, assim, a temática e a estética necessária ao enredo.
Júlio Pellegrini, que veio no carro e, já desfila há três anos na escola, falou sobre a importância da alegoria que representava o elo direto de Marta com o futebol, assim como o a consolidação de vida de uma pessoa que veio da pobreza e através de seu talento conseguiu superar todas as dificuldades.
“O que eu acho bem importante é porque a gente vem falando aqui da parte do futebol em si, o que realmente transformou a vida dela. Mas o futebol é só uma parte do que a Inocentes vem trazendo, o que a escola pretende é mostrar a vida de alguém que veio de uma dificuldade muito grande, de uma condição de vida difícil e que através do futebol se superou e é um exemplo de mulher para muita gente”, declarou o desfilante.
Outro componente do carro, Lúcio Panza, ressaltou a relevância do enredo e da alegoria em que desfilou. Antes de pisar na Avenida contou que estava ansioso para seu primeiro desfile nesta escola.
“A luta da Marta é a luta do povo, é a nossa luta diária, do trabalhador. Ela veio do nordeste com todas as dificuldades, venceu a pobreza e as secas,então ela é a representação de tantas pessoas, do povo brasileiro. O carro está bem bonito, eu gostei bastante de todos os detalhes que estamos vendo aqui” contou.





A Colorado do Brás foi a segunda agremiação a cruzar a pista do Sambódromo do Anhembi na segunda noite de apresentações do Grupo Especial. A escola se apresentou com o enredo ‘Que rei sou eu?’ buscando melhorar a 11ª colocação obtida em 2019, quando retornava para a elite do carnaval de São Paulo 17 anos depois. A escola encerrou sua apresentação com 64 minutos.
A comissão no desfile da Colorado do Brás apostou em um proposta mais abstrata. Eram dois personagens principais, que brincavam com o tempo e o espaço na história ao longo da atuação dos dançarinos na avenida. O touro encantado representou a forma com que o Rei Dom Sebastião se encantou, “desaparecendo” nas areias dos lençóis maranhenses. Os demais integrantes do grupo representaram as jóias da coroa do rei.
Mestre-Sala e Porta-Bandeira

A obra teve bom desempenho durante o desfile. Muito mérito mais uma vez para Chitão Martins. O intérprete novamente foi um dos destaques da Colorado, provando que já deixou de ser uma revelação. O refrão contagiava a escola, pois era muito forte. Serviu muito bem à apresentação da escola.
A bateria foi buscar suas notas 10 com bastante ousadia e bossas criativas. O regulamento deste ano exige que para tirar 10 uma bateria teria de obrigatoriamente executar bossas. Em alguns momentos do samba os ritmistas executaram convenções. Somados a isso um ritmo com muito swing, destacando muito as marcações com um andamento que possibilitou um grande entrosamento com o carro de som.
A Colorado iniciou o seu desfile trazendo na comissão, casal e abre-alas aspectos espirituais e abstratos que envolvem o homenageado, Dom Sebastião. O carro abre-alas fechava o setor com as encantarias e os mistérios que cercam a figura de Dom Sebastião. A partir da chegada do segundo setor a escola trouxe a famosa batalha de Alcácer-Quibir, explicitando o caráter ambicioso do homenageado. No terceiro setor a Colorado decidiu mostrar a parte religiosa, com alas representando judeus e cristão e a terceira alegoria, que apresentava um templo de fé. O quarto setor começou com um al de mosteiros e terminou com uma alegoria representando um baile de máscaras. No quinto setor do desfile, traços da cultura do norte e nordeste, como as alas que relembraram a Guerra de Canudos e o festival do Boi Bumbá. O desfile se encerra com Dom Sebastião como um Rei Encantado.
A ala de baianas desfilou logo no primeiro setor do desfile, com o figurino chamado ‘Arautos da fé’. Segundo a defesa da roupa as baianas representaram o sentimento de devoção. A roupa mostrava a fé no seu ato mais belo, a devoção. Nas primeiras alas e setores a Colorado do Brás buscou objetivar a leitura simples de seu enredo, porém o conjunto esteve bastante simplório com o uso de materiais muito simples, o que não interferiu na beleza do conjunto. Esse é um ponto que merece destaque. A escola passou muito bem vestida. Uma das alas que pode ser citada positivamente é a 08, ‘A loucura est´nos olhos de quem vê’. Divertida e com fácil leitura, empregou um bom uso de materiais. A partir do setor que aborda a religiosidade do enredo as indumentárias ganharam materiais mais rebuscados, melhorando a qualidade dos figurinos apresentados, com plumas e penas. Os passistas vieram representando o ‘Segredo do Pavão’, suposto refúgio de Dom Sebastião, a Índia.
O abre-alas trouxe uma grande carruagem levando o sonho e a esperança de uma nação. O desejado, o rei Dom Sebastião começava a narrar sua história num grande mar de rosas e flores, em uma atmosfera de encanto e magia. A primeira alegoria, entretanto, poderia ter um trabalho escultórico mais bem feito.
A quarta escola a passar pela Sapucaí neste sábado apresentou o enredo ‘Santa Cruz de Barbalha, um conto popular no cariri cearense’, em que contava as estórias e a cultura da cidade de Barbalha e, coube as baianas representarem a procissão para a festa de Santo Antônio.